{"id":14027,"date":"2017-04-06T16:59:53","date_gmt":"2017-04-06T19:59:53","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=14027"},"modified":"2017-04-25T18:23:43","modified_gmt":"2017-04-25T21:23:43","slug":"da-ditadura-genocida-a-concentracao-e-miserabilizacao-atual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14027","title":{"rendered":"Da Ditadura genocida \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o e miserabiliza\u00e7\u00e3o atual"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/jgam.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Julio C. Gambina<\/p>\n<p>H\u00e1 41 anos, um golpe militar instaurou na Argentina a ditadura mais sangrenta da sua hist\u00f3ria. Mas os interesses que esses militares defenderam atrav\u00e9s da mais b\u00e1rbara repress\u00e3o e de um violent\u00edssimo terrorismo de Estado tiveram e t\u00eam continuidade no quadro constitucional posterior a 1983. S\u00e3o os interesses do grande capital, contra os interesses e direitos e contra a a\u00e7\u00e3o organizada dos trabalhadores e do povo.<!--more--><\/p>\n<p>41 anos depois do golpe genocida de 24 de mar\u00e7o de 1976, h\u00e1 que fazer mem\u00f3ria e recuperar os objetivos ent\u00e3o propostos pelas classes dominantes para considerar quanto alcan\u00e7aram e como o aprofundam na atualidade.<\/p>\n<p>Com o terror de Estado exerceu-se a \u201cnecess\u00e1ria\u201d viol\u00eancia para reestruturar a economia, o estado e a sociedade, e por isso a cultura do medo, mediante a repress\u00e3o expl\u00edcita, para obter uma f\u00e9rrea disciplina social. Por isso n\u00e3o deve surpreender a argumenta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica no presente contra a mobiliza\u00e7\u00e3o social em defesa dos direitos dos de baixo. \u00c9 a cultura repressora da domina\u00e7\u00e3o que defende o direito a circular juntamente com os de propriedade, contra os dos trabalhadores, seus sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de emprego.<\/p>\n<p>Sim, h\u00e1 matizes em 41 anos, n\u00e3o \u00e9 o mesmo a ditadura e os governos constitucionais, n\u00e3o necessariamente \u201cdemocr\u00e1ticos\u201d; mas existem algumas regularidades institucionais que atravessam todo o per\u00edodo.<\/p>\n<p>A mais importante \u00e9 a ofensiva do capital sobre o trabalho, e a flexibiliza\u00e7\u00e3o e precariedade laboral constituem uma constante em todo o per\u00edodo. A irregularidade atinge um ter\u00e7o do emprego, \u00e9 menor que o m\u00e1ximo de 2001\/02, mas reflete a voracidade da impunidade empresarial que deteriora direitos e condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores.<br \/>\nEm consequ\u00eancia da ofensiva capitalista mudou a rela\u00e7\u00e3o quotidiana entre trabalhadores e seus empregadores, com a clara intencionalidade de restringir a capacidade de protesto e organiza\u00e7\u00e3o sindical, que n\u00e3o \u00e9 maior em resultado do bloqueio de uma cultura social e sindical na Argentina, com tradi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica em diferentes identidades pol\u00edtico ideol\u00f3gicas anticapitalistas.<\/p>\n<p>Os instrumentos da ofensiva capitalista foram variados, n\u00e3o s\u00f3 para transformar a rela\u00e7\u00e3o laboral, mas tamb\u00e9m o tipo e fun\u00e7\u00e3o do Estado, da\u00ed as privatiza\u00e7\u00f5es e o incentivo \u00e0 iniciativa privada. Uma l\u00f3gica que \u00e9 hoje reiterada com a pretens\u00e3o de normalizar a educa\u00e7\u00e3o privada, enquanto na escola p\u00fablica se \u201ccai\u201d por n\u00e3o haver alternativa para os mais empobrecidos.<\/p>\n<p>O quotidiano organiza-se com a mercantiliza\u00e7\u00e3o capitalista na sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o, na habita\u00e7\u00e3o, na cultura, na seguran\u00e7a ou na justi\u00e7a; mas n\u00e3o deve esquecer-se que esse prop\u00f3sito formulado em tempos ditatoriais se materializou com governos constitucionais e persiste.<\/p>\n<p>A d\u00edvida p\u00fablica \u00e9 um mecanismo na origem do que se potenciou em tempos e turnos constitucionais, com uma n\u00e3o alterada \u201clei de entidades financeiras\u201d em vigor desde 1977 cujo objetivo de concentrar a banca se concretizou ainda mais do que o esperado, juntamente com a sua estrangeiriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o pode pensar-se no modelo produtivo atual, readequado nestas d\u00e9cadas, sem ter em conta o prop\u00f3sito explicitado pelo Plano de Mart\u00ednez de Hoz em abril de 1976, cujo eixo guia foi impulsionado sob a orienta\u00e7\u00e3o de Cavallo com presidentes peronistas e radicais.<br \/>\nOs objetivos da ditadura n\u00e3o se materializaram apenas sob condi\u00e7\u00e3o de golpe de Estado, mas tamb\u00e9m com legisla\u00e7\u00e3o aprovada pelo Parlamento, sejam as leis da impunidade ou a lei antiterrorista, antecedente de qualquer protocolo de repress\u00e3o contempor\u00e2neo.<br \/>\n\u00c9 este trajeto que permite explicar os 33% de pobreza e a concentra\u00e7\u00e3o em poucos multimilion\u00e1rios do petr\u00f3leo, da constru\u00e7\u00e3o ou das finan\u00e7as. Refiro-me a Alejandro Bulgheroni, Eduardo Eurnekian, Alberto Roemmers, Gregorio P\u00e9rez Companc, Jorge Horacio Brito, Eduardo Costantini, ou Marcos Galperin. A Argentina replica o que se passa no mundo, onde 8 fortunas individuais det\u00eam a mesma riqueza que 50% da popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>\u00c9 de interesse recuperar a mem\u00f3ria, sim, mas tamb\u00e9m considerar as continuidades essenciais em tempos constitucionais para tornar a Argentina funcional para a ordem capitalista mundial, agora \u2013 no quadro da crise &#8211; desafiada ao seu pr\u00f3prio reordenamento. Este manifesta-se nas cr\u00edticas \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o capitalista a partir das suas pr\u00f3prias classes dominantes, caso do BREXIT ou do triunfo de Trump, ou da expans\u00e3o vis\u00edvel das direitas mundiais que se oferecem para reformar em seu benef\u00edcio o capitalismo atual.<\/p>\n<p>S\u00e3o reformas para relan\u00e7ar a l\u00f3gica do lucro, da acumula\u00e7\u00e3o e da domina\u00e7\u00e3o. Por isso h\u00e1 que pensar em termos alternativos, o que sup\u00f5e a cr\u00edtica aos processos de mudan\u00e7a que se processaram ou processam na nossa regi\u00e3o e discutir a necess\u00e1ria transi\u00e7\u00e3o da ordem atual para formas sociais de organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e da vida quotidiana colocando em primeiro lugar os direitos humanos e os da natureza.<\/p>\n<p>A gigantesca manifesta\u00e7\u00e3o de recupera\u00e7\u00e3o do acontecimento que o genoc\u00eddio representou pode servir para construir subjetividade e propostas program\u00e1ticas para uma cr\u00edtica do passado e do presente, juntamente com debate sobre o pr\u00f3ximo futuro de emancipa\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Buenos Aires, 23 de Mar\u00e7o de 2017<\/p>\n<p>http:\/\/www.odiario.info\/da-ditadura-genocida-a-concentracao-e\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Julio C. 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