{"id":1406,"date":"2011-04-21T17:30:01","date_gmt":"2011-04-21T17:30:01","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1406"},"modified":"2011-04-21T17:30:01","modified_gmt":"2011-04-21T17:30:01","slug":"discurso-do-secretario-geral-da-fsm-george-mavrikos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1406","title":{"rendered":"DISCURSO DO SECRET\u00c1RIO GERAL DA FSM GEORGE MAVRIKOS"},"content":{"rendered":"\n<p>Queridos companheiros e companheiras,<\/p>\n<p>Estimados convidados,<\/p>\n<p>Delegados e delegadas do 16\u00ba Congresso Sindical Mundial,<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o a todos por sua presen\u00e7a aqui neste importante congresso sindical internacional.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o neste Congresso superou todas as expectativas. Foram superados todos os registros anteriores. N\u00e3o \u00e9 uma coincid\u00eancia. As graves conseq\u00fc\u00eancias da crise econ\u00f4mica capitalista e o b\u00e1rbaro assalto do capital contra a classe obreira e os povos nos obrigam a nos unirmos e ao compromisso militante. O grande interesse pela participa\u00e7\u00e3o confirma ainda, que nos cinco anos transcorridos desde nosso \u00faltimo Congresso, demos passos positivos significativos.<\/p>\n<p>Chegamos at\u00e9 aqui, at\u00e9 o Congresso Sindical Mundial, atrav\u00e9s de grandes lutas em n\u00edvel setorial, regional e local, atrav\u00e9s de um debate aberto, democr\u00e1tico e combativo dentro dos sindicatos, nos locais de trabalho, dentro dos setores chave. Organizamos destacadas iniciativas centrais, debates, an\u00e1lises cr\u00edticas de nosso trabalho, interc\u00e2mbio de ponto de vista sobre temas atuais contempor\u00e2neos que a classe oper\u00e1ria mundial enfrenta.<\/p>\n<p>Queridos amigos e amigas, companheiros e companheiras,<\/p>\n<p>Nosso Congresso tem lugar em um momento cr\u00edtico. Um per\u00edodo que tem duas caracter\u00edsticas b\u00e1sicas. Uma delas \u00e9 a profunda crise econ\u00f4mica do capitalismo e a escalada da guerra contra os trabalhadores, que conduzem milh\u00f5es de trabalhadores a um desemprego massivo, \u00e0 mis\u00e9ria, \u00e0 pobreza e \u00e0 migra\u00e7\u00e3o. A outra \u00e9 a crescente agressividade do imperialismo com meios militares, com interfer\u00eancias.<\/p>\n<p>Todos os governos capitalistas, tanto os neoconservadores como os social democratas, em coopera\u00e7\u00e3o e frente as dificuldades insuper\u00e1veis que t\u00eam para gerir a crise, passaram a um ataque sem precedentes de demoli\u00e7\u00e3o de direitos e ganhos dos trabalhadores. Conquistas alcan\u00e7adas com duras lutas. Os sal\u00e1rios, a seguridade social, os direitos sociais e os acordos coletivos s\u00e3o golpeados. O desemprego e a pobreza est\u00e3o aumentando. A privatiza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, da educa\u00e7\u00e3o e todas as \u00e1reas de alcance estrat\u00e9gico s\u00e3o muito rent\u00e1veis para as multinacionais e os monop\u00f3lios.<\/p>\n<p>Frente a estas pol\u00edticas antioper\u00e1rias, a classe trabalhadora em muitos pa\u00edses dos cinco continentes tem resistido, tem mostrado desobedi\u00eancia, tem organizado grandes greves, lutas importantes, iniciativas diversas. Nos damos conta, com maior profundidade, que o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista n\u00e3o tem nada mais a oferecer que a barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>Os sindicatos filiados e amigos da FSM, na maioria dos casos, est\u00e3o na vanguarda dessas lutas. No Peru, no M\u00e9xico, na Col\u00f4mbia, no Brasil, na Costa Rica, no Panam\u00e1, na \u00c1frica do Sul e na Nig\u00e9ria, na \u00cdndia, no Paquist\u00e3o, em Bangladesh e Sri Lanka, no Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica, na Fran\u00e7a, Portugal e Gr\u00e9cia e outros lugares.<\/p>\n<p>A Federa\u00e7\u00e3o Sindical Mundial frente ao ataque generalizado do capital n\u00e3o ficou de bra\u00e7os cruzados. Organizou dezenas de iniciativas, dezenas de atos de solidariedade, na pr\u00e1tica tem estado ao lado daqueles que lutaram por seus direitos.<\/p>\n<p>Momentos de destaque da a\u00e7\u00e3o da FSM, nestes cinco anos, foram quatro grandes manifesta\u00e7\u00f5es, protestos e concentra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p>O 1\u00ba de abril de 2009, onde em 45 pa\u00edses organizaram-se greves, manifesta\u00e7\u00f5es, protestos e concentra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>A greve de tr\u00eas dias de solidariedade ao povo palestino em junho de 2010, nos portos de todos o mundo, contra os navios mercantes de Israel.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>A grande movimenta\u00e7\u00e3o de 07 de setembro de 2010 com o tema central da FSM \u201cN\u00e3o vamos pagar a crise deles\u201d. Somente em Nova Deli, na \u00cdndia, participaram mais de um milh\u00e3o de trabalhadores nesta mobiliza\u00e7\u00e3o. No mesmo dia em 56 pa\u00edses ocorreram iniciativas com as mesmas consignas e as mesmas bandeiras.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>O dia de a\u00e7\u00e3o europeu no setor de transporte organizou, em 02 de mar\u00e7o de 2011, contra a pol\u00edtica da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, contra a privatiza\u00e7\u00e3o do transporte, e para exigir transporte p\u00fablico confi\u00e1vel e acess\u00edvel para os extratos populares pobres.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>No mesmo per\u00edodo, em nome da FSM aproveitamos todas as possibilidades existentes nos organismos internacionais, para por em destaque a necessidade da solidariedade internacional e a coordena\u00e7\u00e3o internacional. Assim fizemos com os assassinatos de sindicalistas na Col\u00f4mbia e nas Filipinas, os cinco cubanos que se encontram ilegalmente encarcerados nos EEUU, etc. Nos encontramos frente a novos deveres hist\u00f3ricos e responsabilidades. Estamos convencidos de que nosso Congresso contribuir\u00e1 com novas for\u00e7as para cumpri-los.<\/p>\n<p>Companheiros e companheiras de luta,<\/p>\n<p>A segunda caracter\u00edstica chave da \u00e9poca em que vivemos \u00e9 a intensidade dos conflitos e rivalidades imperialistas, a guerra imperialista \u00e9 outra cara da agress\u00e3o do capital para fazer frente \u00e0 crise. Vemos um exemplo muito caracter\u00edstico nestes dias na L\u00edbia, onde com a falsa desculpa de proteger os civis, os avi\u00f5es dos imperialistas, da OTAN e da EU, bombardearam a L\u00edbia. Estas mesmas pessoas que apoiaram o regime antidemocr\u00e1tico de Kadafi, os mesmos que tiraram fotos com ele e firmaram contratos muito rent\u00e1veis, depois de organizar a resist\u00eancia interna, agora bombardeiam e matam o povo da L\u00edbia.<\/p>\n<p>Quando Kadafi anunciou que n\u00e3o renovaria seu contrato com a francesa Total, a italiana ENI, a brit\u00e2nica BP, a espanhola Repsol, a EXXON Mobial, ent\u00e3o os servi\u00e7os secretos da Fran\u00e7a, Gr\u00e3 Bretanha e Espanha come\u00e7aram a trabalhar para organizar os chamados opositores do regime da L\u00edbia oriental. Ent\u00e3o come\u00e7aram os bombardeios. Todo o mundo, todos os povos sabem que a guerra na L\u00edbia \u00e9 pelo petr\u00f3leo, pelo g\u00e1s natural, pelos gasodutos, pelo acesso \u00e0 \u00c1frica subsaariana, pela imensa riqueza natural e mineral. Na guerra da L\u00edbia se expressam as fortes contradi\u00e7\u00f5es inter-imperialistas, as rivalidades inter-capitalistas sobre quem vai ganhar postos na situa\u00e7\u00e3o internacional, ampliando suas \u00e1reas de influ\u00eancia e o desenvolvimento de novas fronteiras onde possam.<\/p>\n<p>A mesma jogada foi realizada no Iraque, no Afeganist\u00e3o, na Col\u00f4mbia, nas bases militares em Honduras para o golpe militar, no Haiti em resposta ao terremoto e em Darfur. As mesmas inten\u00e7\u00f5es imperialistas incluem os conflitos na Ge\u00f3rgia, na pen\u00ednsula da Corea e na Costa do Marfim.<\/p>\n<p>Na mesma categoria se encontram os planos dos EUA, da OTAN para o chamado \u201cGrande Novo Oriente M\u00e9dio\u201d, que anunciou, em 06\/04\/2009, no Cairo o Sr. Barak Obama, junto a Hosni Mubarak.<\/p>\n<p>Os acontecimentos recentes e os levantamentos populares no Egito, Tun\u00edsia, Arg\u00e9lia, Yemen, Bahein, que a FSM apoiou desde o primeiro momento, mostram que os povos est\u00e3o despertando, t\u00eam o poder para defender seus direitos, seus interesses. Ao mesmo tempo, confirmam que as lutas das for\u00e7as populares contra o desemprego, a pobreza, a viol\u00eancia estatal, contra a corrup\u00e7\u00e3o, contra o saque dos recursos produtivos de um pa\u00eds n\u00e3o devem limitar-se \u00e0 rota\u00e7\u00e3o das pessoas no poder, que saia Murak e Bem Ali siga aplicando a mesma pol\u00edtica. Deve ser um projeto com perspectiva de mudan\u00e7a de poder. Este \u00e9 o caminho para a classe oper\u00e1ria no s\u00e9culo XXI. Para o imperialismo, para o capitalismo n\u00e3o h\u00e1 concess\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 indulg\u00eancia.<\/p>\n<p>Queridos companheiros e companheiras,<\/p>\n<p>Todos estes acontecimentos recentes e, principalmente, a guerra imperialista injusta contra a L\u00edbia volta a colocar o papel das Na\u00e7\u00f5es Unidas, que decidiu e deu permiss\u00e3o para o ataque militar. A mesma permiss\u00e3o que deu para a guerra contra o Iraque, assim como o ataque da OTAN contra a Iugosl\u00e1via. Sem d\u00favida, ao mesmo tempo nenhum deles tem mostrado interesse em aplicar as resolu\u00e7\u00f5es da ONU para o estabelecimento do Estado Palestino ou a solu\u00e7\u00e3o para o caso de Chiper.<\/p>\n<p>Estimados companheiros e companheiras,<\/p>\n<p>Ante estas circunst\u00e2ncias complexas e dif\u00edceis devemos fazer a pergunta: <strong>Que movimento sindical internacional necessita agora a classe oper\u00e1ria mundial?<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\n<p>Um movimento que concilie e se alie com o sistema capitalista para moderniz\u00e1-lo? Ou um movimento que represente a classe oper\u00e1ria e seus aliados e que est\u00e1 em conflito com os capitalistas para derrotar o sistema explorador?<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Um movimento que ap\u00f3ie a guerra imperialista no Iraque, Afeganist\u00e3o, L\u00edbia e Iugosl\u00e1via? Ou um movimento que est\u00e1 em conflito com o imperialismo e as guerras injustas? Que lute pela paz e pela amizade entre todos os povos?<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Um movimento que busque unir a classe oper\u00e1ria para cooperar com os monop\u00f3lios e as multinacionais na linha de colabora\u00e7\u00e3o de classe? Ou um movimento que siga a linha de luta classista e uma toda a classe oper\u00e1ria em fun\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios interesses de classe?<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Um movimento que ap\u00f3ie a pol\u00edtica de Israel, que difame Cuba, a Venezuela, o Equador, a Bol\u00edvia, o Iraque e a Cor\u00e9ia do Norte? Ou um movimento do internacionalismo prolet\u00e1rio que est\u00e1 firmemente ao lado do povo palestino para conseguir sua pr\u00f3pria p\u00e1tria, que ap\u00f3ie a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana e defenda o direito de todo povo decidir sozinho sobre seu presente e seu futuro?<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Um movimento, uma elite burocr\u00e1tica de escrit\u00f3rio com ricas remunera\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s da corrup\u00e7\u00e3o e das transgress\u00f5es? Ou movimento cujos dirigentes, cuja dire\u00e7\u00e3o em n\u00edvel local, setorial, regional e internacional se identifique com a classe oper\u00e1ria, camponeses pobres, jovens, mulheres, imigrantes, sem terra e ind\u00edgenas?<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Ante estas perguntas, nossa resposta \u00e9 clara, seguimos o caminho da luta classista. Contra imperialismo e o capital. Por um mundo sem explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem. Por um futuro que pertence ao mundo do trabalho.<\/p>\n<p>Viva os 66 anos da FSM!<\/p>\n<p>Viva a Classe Oper\u00e1ria Internacional!<\/p>\n<p>Viva a Luta Oper\u00e1ria!<\/p>\n<p><em>* O camarada George Mavrikos foi reeleito, por unanimidade, Secret\u00e1rio Geral da FSM. O camarada membro do CC do KKE e da dire\u00e7\u00e3o do PAME.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: FSM\n\n\n\n\n\n\n\n\n16\u00ba CONGRESSO SINDICAL MUNDIAL\u00a0CERIM\u00d4NIA DE INAUGURA\u00c7\u00c3O &#8211;\u00a0ATENAS 06\/04\/2011\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1406\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[31],"tags":[],"class_list":["post-1406","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c31-unidade-classista"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-mG","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1406","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1406"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1406\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1406"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1406"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1406"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}