{"id":1409,"date":"2011-04-21T18:03:58","date_gmt":"2011-04-21T18:03:58","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1409"},"modified":"2011-04-21T18:03:58","modified_gmt":"2011-04-21T18:03:58","slug":"o-legado-marxista-e-a-luta-politica-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1409","title":{"rendered":"O legado marxista e a luta pol\u00edtica na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"\n<p>Em primeiro lugar, agradecer o honroso e irrecus\u00e1vel convite para participar deste importante semin\u00e1rio, que se prop\u00f5e a trazer o legado de Marx para coloc\u00e1-lo a servi\u00e7o da luta de classes, em especial na Am\u00e9rica Latina, e n\u00e3o apenas para uma discuss\u00e3o meramente acad\u00eamica ou diletante.<\/p>\n<p>A vasta obra de Marx e Engels \u00e9 a principal contribui\u00e7\u00e3o para n\u00f3s revolucion\u00e1rios entendermos a natureza do capitalismo e identificarmos os aliados e inimigos de classe do proletariado, levando em conta a conjuntura e a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, em cada \u00e9poca, em cada pa\u00eds. Conhecendo nossos inimigos e aliados, \u00e0 luz dos ensinamentos de Marx, podemos acertar mais do que errar, na luta para destruir o estado burgu\u00eas e emancipar o proletariado.<\/p>\n<p>Do ponto de vista da a\u00e7\u00e3o, das contradi\u00e7\u00f5es do capitalismo e da luta pol\u00edtica, podemos afirmar que o <strong>MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA<\/strong>, que Marx compartilhou com Engels h\u00e1 163 anos, continua t\u00e3o atual quanto fundamental como contribui\u00e7\u00e3o aos partidos que lutam pela revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>Marx est\u00e1 vivo quando se confirmam suas an\u00e1lises de que o capital extrapolaria seus limites nacionais, assumindo dimens\u00e3o mundial e aumentando, quanto mais senil, suas tend\u00eancias destrutivas frente \u00e0 humanidade. Nunca foram t\u00e3o expressivas e inconcili\u00e1veis as contradi\u00e7\u00f5es entre a apropria\u00e7\u00e3o privada do capital e o car\u00e1ter social da produ\u00e7\u00e3o e portanto t\u00e3o agudas as crises c\u00edclicas de superprodu\u00e7\u00e3o, agora com caracter\u00edsticas estruturais, em que n\u00e3o se distinguem, temporalmente, ciclos, mas novas manifesta\u00e7\u00f5es de uma mesma crise sist\u00eamica. Trata-se de uma crise global, que Jorge Beinstein chama de crise da civiliza\u00e7\u00e3o burguesa, multifac\u00e9tica, em que os EUA est\u00e3o no epicentro. Trata-se de uma crise do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p><strong>A CRISE DO CAPITALISMO:<\/strong><\/p>\n<p>A crise sist\u00eamica do capitalismo gera necessidades cada vez maiores de reprodu\u00e7\u00e3o do capital. Disputas de mercados, escassez de fontes energ\u00e9ticas e recursos naturais ati\u00e7am as contradi\u00e7\u00f5es inter-burguesas e empurram o imperialismo para novas aventuras militares. Estamos assistindo guerras imperialistas no Iraque e no Afeganist\u00e3o, e agora na L\u00edbia, e as tentativas de se abrirem novos focos de conflito, como no Ir\u00e3, na S\u00edria, na Cor\u00e9ia do Norte, al\u00e9m da continuidade da ocupa\u00e7\u00e3o palestina.<\/p>\n<p>Para tentar sair da crise, o capital saqueia os cofres p\u00fablicos para salvar banqueiros e oligop\u00f3lios; ataca os direitos sociais e trabalhistas, diminui a qualidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos; aprofunda a explora\u00e7\u00e3o e a barb\u00e1rie, a fome e a mis\u00e9ria. Para tal, recrudescer\u00e3o a criminaliza\u00e7\u00e3o e a repress\u00e3o aos movimentos sociais e \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es populares e revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Esta crise, apesar de seus elementos estruturais, n\u00e3o \u00e9, por si s\u00f3, a crise final do capitalismo, que n\u00e3o cair\u00e1 de podre. Mas, dialeticamente, poder\u00e1 criar as condi\u00e7\u00f5es &#8211; com o prov\u00e1vel acirramento da luta de classes em \u00e2mbito mundial \u2013 para colocar em relevo o protagonismo do proletariado e, a depender de certos fatores, influenciar positivamente a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, abrindo possibilidades para o avan\u00e7o da luta pela supera\u00e7\u00e3o do capitalismo, na perspectiva do socialismo.<\/p>\n<p>Apesar da diminui\u00e7\u00e3o relativa e gradual de sua hegemonia econ\u00f4mica, cultural, pol\u00edtica e ideol\u00f3gica, os EUA ainda det\u00eam a hegemonia militar inconteste, o que lhes permite continuar como o p\u00f3lo mais importante num mundo cada vez mais multipolar, ainda que no campo capitalista. No caso da Am\u00e9rica Latina, o imperialismo norte-americano \u00e9 altamente hegem\u00f4nico e o inimigo principal dos povos da regi\u00e3o. Reconhecer isto n\u00e3o significa alimentar ilus\u00f5es de escolhermos outros imperialismos, como se as contradi\u00e7\u00f5es entre eles fossem significativas.<\/p>\n<p>Os trabalhadores passaram as duas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado numa luta passiva, em fun\u00e7\u00e3o da avassaladora hegemonia do imperialismo, sobretudo o norte-americano. A desagrega\u00e7\u00e3o da URSS teve um impacto arrasador, na medida em que deixou de ser um campo em que as for\u00e7as progressistas e revolucion\u00e1rias podiam obter apoio e que o mundo deixou de ser bipolar.<\/p>\n<p>No entanto, os trabalhadores v\u00eam aumentando a sua combatividade e os povos do Oriente M\u00e9dio e do Norte da \u00c1frica se levantam contra tiranias, o imperialismo e o sionismo. Em v\u00e1rias partes, os trabalhadores retomam suas lutas e se colocam como vanguarda alternativa na luta de classes.<\/p>\n<p><strong>A CORRELA\u00c7\u00c3O DE FOR\u00c7AS NA AM\u00c9RICA LATINA<\/strong><\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina \u00e9 uma das regi\u00f5es do mundo em que a resist\u00eancia retomou com mais for\u00e7a, apesar da heterogeneidade dos processos de mudan\u00e7a. Neste s\u00e9culo, at\u00e9 por volta de 2008, as for\u00e7as populares e anti-imperialistas contabilizavam mais avan\u00e7os que retrocessos, sobretudo ap\u00f3s a grande vit\u00f3ria do povo venezuelano, no fracassado golpe contra Ch\u00e1vez em 2002, talvez a primeira derrota golpista dos EUA na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Cuba n\u00e3o ficaria mais sozinha na luta contra o imperialismo. Sob a influ\u00eancia dos avan\u00e7os na Venezuela, vieram as vit\u00f3rias de Evo Morales, na Bol\u00edvia, e de Rafael Correa, no Equador.<\/p>\n<p>Nesses tr\u00eas pa\u00edses, em que os processos de mudan\u00e7as s\u00e3o os mais avan\u00e7ados, conseguiu-se, a partir de press\u00e3o popular, a convoca\u00e7\u00e3o de Assembleias Constituintes livres e soberanas, que abriram espa\u00e7os para avan\u00e7os progressistas.<\/p>\n<p>Num patamar intermedi\u00e1rio, foram importantes neste per\u00edodo as vit\u00f3rias da FSLN, na Nicar\u00e1gua, e da FMLN, em El Salvador, e a manuten\u00e7\u00e3o da Frente Ampla no governo uruguaio.<\/p>\n<p>Os governos dos Kirchner na Argentina, Michele Bachetel no Chile, Lula no Brasil e Lugo no Paraguai, com coliga\u00e7\u00f5es heterog\u00eaneas, derrotaram for\u00e7as reacion\u00e1rias em seus respectivos pa\u00edses. No entanto, no n\u00edvel macroecon\u00f4mico e pol\u00edtico, suas a\u00e7\u00f5es foram sempre no sentido de ampliar os interesses da burguesia de seus pa\u00edses, aumentando a presen\u00e7a e a explora\u00e7\u00e3o capitalista na regi\u00e3o, contribuindo, assim, para uma afirma\u00e7\u00e3o burguesa no aparato de Estado.<\/p>\n<p>As maiores vit\u00f3rias desta fase foram o enterro da ALCA em Mar Del Plata, a reelei\u00e7\u00e3o de Ch\u00e1vez, a retirada da base norte-americana de Manta, no Equador, e a vit\u00f3ria de Evo Morales no referendo revogat\u00f3rio. A maior derrota foi o <em><strong>n\u00e3o<\/strong><\/em> no referendo constitucional na Venezuela, em dezembro de 2006. Todavia, \u00e9 importante registrar o crescimento das lutas dos trabalhadores, dos grupos \u00e9tnicos e da reafirma\u00e7\u00e3o da cultura origin\u00e1ria em grande parte da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>O imperialismo estadunidense, percebendo que iam longe demais as mudan\u00e7as onde considera seu quintal, retoma com intensidade a press\u00e3o sobre a regi\u00e3o. Voltam-se, com interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e aparato b\u00e9lico, suas a\u00e7\u00f5es para a Am\u00e9rica Latina, sobretudo para a regi\u00e3o andina. Trata-se de tentar, no plano t\u00e1tico, frear o processo de mudan\u00e7as e, no estrat\u00e9gico, consolidar e expandir o controle sobre as riquezas naturais do continente, que s\u00e3o imensas. Al\u00e9m do petr\u00f3leo e do g\u00e1s, a Am\u00e9rica do Sul tem as maiores reservas de \u00e1gua pot\u00e1vel e de biodiversidade do planeta: ao norte, a Amaz\u00f4nia; ao sul, o Aq\u00fc\u00edfero Guarani.<\/p>\n<p>Uma das principais t\u00e1ticas utilizadas pelo inimigo foi estimular o separatismo, escolhendo cidades dominadas politicamente por setores burgueses de maior acumula\u00e7\u00e3o e que j\u00e1 t\u00eam rivalidades antigas com as capitais: Zulia (Venezuela), Santa Cruz de La Sierra (Bol\u00edvia) e Quaiaquil (Equador).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a Quarta Frota da Marinha de Guerra dos EUA voltou a operar no nosso continente, ap\u00f3s mais de 60 anos de inatividade.<\/p>\n<p>Marco importante desta ofensiva ianque foi o assassinato do Comandante Raul Reyes, pelo cons\u00f3rcio pol\u00edtico\/b\u00e9lico representado pelos EUA\/Col\u00f4mbia, num ataque terrorista ao territ\u00f3rio do Equador, cujo Presidente n\u00e3o se acovardou e resolveu defender a soberania de seu pa\u00eds. Ali se tratava de paralisar as trocas humanit\u00e1rias na Col\u00f4mbia, que poderiam criar um clima favor\u00e1vel a uma negocia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a respeito do conflito armado.<\/p>\n<p>A sataniza\u00e7\u00e3o da insurg\u00eancia colombiana e a interrup\u00e7\u00e3o das trocas humanit\u00e1rias, estas \u00e0 \u00e9poca lideradas por Ch\u00e1vez e a Senadora Pied\u00e1d C\u00f3rdoba, criam as condi\u00e7\u00f5es para a instala\u00e7\u00e3o de mais sete bases militares na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>O golpe em Honduras \u00e9 parte importante da luta contra o fortalecimento da ALBA e a recupera\u00e7\u00e3o, como aliado dos EUA, de um pa\u00eds que tem uma das maiores bases da Am\u00e9rica Central (Sotto Cano) e que se localiza estrategicamente entre a Nicar\u00e1gua e El Salvador. Depois veio o aproveitamento do terremoto no Haiti e a cumplicidade do governo da Costa Rica, para o imperialismo instalar mais tropas nesses pa\u00edses. \u00c9 parte deste esfor\u00e7o para estancar as mudan\u00e7as e atingir a ALBA a recente tentativa de golpe no Equador.<\/p>\n<p>No Paraguai, j\u00e1 sab\u00edamos das dificuldades que teria Lugo, se efetivamente quisesse promover as mudan\u00e7as prometidas. Foi eleito como express\u00e3o de um movimento de massas d\u00e9bil, na esperan\u00e7a de derrotar os conservadores que governavam o pa\u00eds havia 41 anos e ainda est\u00e3o no poder. Tendo passado mais da metade de seu governo, o movimento de massas n\u00e3o teve for\u00e7as para empurrar as mudan\u00e7as e tudo indica que o Presidente se entregou \u00e0 direita e ao imperialismo, aceitando um pacto com a classe dominante para n\u00e3o ser derrubado por um golpe. Lugo j\u00e1 n\u00e3o governa. Espera apenas acabar seu mandato.<\/p>\n<p><strong>OS PRINCIPAIS INIMIGOS DO IMPERIALISMO NA AM\u00c9RICA LATINA<\/strong><\/p>\n<p><strong>CUBA<\/strong><\/p>\n<p>Dificilmente teria avan\u00e7ado tanto o processo de mudan\u00e7as na Am\u00e9rica Latina se n\u00e3o fora o exemplo da cinq\u00fcenten\u00e1ria Revolu\u00e7\u00e3o Socialista de Cuba, que mostrou a possibilidade de as classes dominadas enfrentarem e derrotarem o imperialismo e escolherem seu pr\u00f3prio destino.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 90 do s\u00e9culo passado, ap\u00f3s o colapso da URSS, Cuba passou por dificuldades econ\u00f4micas que exigiram o sacrif\u00edcio do \u201cper\u00edodo especial\u201d, uma vez que mais de 80% do seu com\u00e9rcio dava-se com a URSS e o Leste Europeu. Novas medidas pol\u00edticas e econ\u00f4micas foram adotadas para enfrentar tal situa\u00e7\u00e3o, no sentido de prosseguir com a efetiva\u00e7\u00e3o do socialismo, apesar do agravamento do cruel bloqueio que hoje j\u00e1 dura mais de 50 anos.<\/p>\n<p>O surgimento dos processos de mudan\u00e7a na Am\u00e9rica Latina, sobretudo o da Venezuela, deu um novo alento e respaldo \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Cubana.<\/p>\n<p>Claro est\u00e1 que o processo de constru\u00e7\u00e3o do socialismo em Cuba \u00e9 extremamente complexo e vive um momento de grandes dificuldades. O maior desafio do povo cubano \u00e9 justamente manter firme a decis\u00e3o de seguir construindo sua experi\u00eancia de socialismo.<\/p>\n<p>Tudo indica que as medidas propostas pelo governo refletem as necessidades geradas pelo processo hist\u00f3rico atual. Rejeitamos as an\u00e1lises que d\u00e3o como inevit\u00e1vel em Cuba o retrocesso ao capitalismo, como querem fazer ver os ide\u00f3logos representantes da burguesia e do imperialismo, que por in\u00fameras vezes j\u00e1 anunciaram a morte do socialismo cubano. Ao mesmo tempo, consideramos justas as preocupa\u00e7\u00f5es, no campo revolucion\u00e1rio, quanto aos riscos de se abrirem brechas para a incid\u00eancia da mais-valia.<\/p>\n<p>\u00c9 imperioso seguirmos solid\u00e1rios ao povo, ao governo e ao Partido Comunista Cubano e ao caminho revolucion\u00e1rio que os cubanos escolheram e desenvolveram a partir de 1959. O povo cubano \u00e9 quem melhor saber\u00e1 dizer como enfrentar seus problemas e continuar\u00e1 encontrando, com a coragem, a obstina\u00e7\u00e3o e a criatividade que lhe s\u00e3o peculiares, as sa\u00eddas para a manuten\u00e7\u00e3o e o aprofundamento das conquistas obtidas no processo de constru\u00e7\u00e3o da sociedade socialista.<\/p>\n<p>A luta pelo fim do bloqueio e pela liberta\u00e7\u00e3o dos Cinco Her\u00f3is \u00e9 parte da principal pauta dos revolucion\u00e1rios de todo o mundo.<\/p>\n<p><strong>VENEZUELA<\/strong><\/p>\n<p>\u201c<em><strong>A queda da Venezuela arrastaria inexoravelmente as esperan\u00e7as dos povos da Am\u00e9rica Latina. Seu triunfo, entretanto, pode mudar o curso da hist\u00f3ria.\u201d (Fidel Castro)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Al\u00e9m de Cuba, o governo venezuelano \u00e9 hoje, em nosso continente, o principal inimigo do imperialismo, pela inspira\u00e7\u00e3o a processos semelhantes em outros pa\u00edses, aos quais presta efetiva solidariedade pol\u00edtica e material; pela defesa de Cuba Socialista e parceria com ela; pela contribui\u00e7\u00e3o decisiva para inviabilizar a ALCA e implantar a ALBA; por ter avan\u00e7ado mais em mudan\u00e7as institucionais e estruturais; por ter resistido a v\u00e1rios golpes; por ter criado uma m\u00eddia alternativa \u00e0 burguesa; por ter as reservas minerais mais importantes da regi\u00e3o andina e por ter uma rela\u00e7\u00e3o superior de respeito aos interesses dos trabalhadores em sua marcha a caminho do socialismo.<\/p>\n<p>At\u00e9 dezembro de 2006, com a derrota no referendo constitucional, a revolu\u00e7\u00e3o bolivariana tinha uma trajet\u00f3ria ascendente, com grandes vit\u00f3rias, como o golpe midi\u00e1tico (2002), o <em>lockout<\/em> petroleiro (2003), o referendo revogat\u00f3rio (2004) e a reelei\u00e7\u00e3o de Ch\u00e1vez (2006).<\/p>\n<p>A \u00fanica derrota da revolu\u00e7\u00e3o bolivariana teve como principal causa o erro de tentar decretar o socialismo atrav\u00e9s de um referendo de uma proposta de reforma constitucional, redigida previamente e apresentada pelo Presidente Ch\u00e1vez e n\u00e3o por subscri\u00e7\u00e3o popular, sem uma ampla discuss\u00e3o pr\u00e9via entre as massas. Mas a derrota teve a virtude de colocar em evid\u00eancia todos os problemas da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas apenas os erros t\u00e1ticos e a a\u00e7\u00e3o dos agentes do imperialismo n\u00e3o seriam capazes de derrotar o governo, que contava com quase dois ter\u00e7os do eleitorado. Metade dos eleitores do governo se absteve no referendo, dando vit\u00f3ria \u00e0 direita. \u00c9 a correta an\u00e1lise desta absten\u00e7\u00e3o que pode ou n\u00e3o ajudar a retomada e o avan\u00e7o da revolu\u00e7\u00e3o, a depender do enfrentamento de problemas n\u00e3o resolvidos at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Saltam aos olhos as duas principais causas da absten\u00e7\u00e3o: a trai\u00e7\u00e3o de setores vacilantes, oportunistas e at\u00e9 contrarrevolucion\u00e1rios que gravitam em torno do governo e o recado de setores populares, insatisfeitos com os rumos e o ritmo da revolu\u00e7\u00e3o bolivariana, o chamado voto castigo. Um quadro parecido, apesar de n\u00e3o t\u00e3o dram\u00e1tico, se deu recentemente nas elei\u00e7\u00f5es parlamentares, em que a direita teve um desempenho acima da esperada, elegendo mais de 40% do parlamento.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da luta de classes na Venezuela caminha para um confronto, que poder\u00e1 resvalar para a viol\u00eancia, em face da not\u00f3ria impossibilidade de concilia\u00e7\u00e3o entre projetos t\u00e3o antag\u00f4nicos. Ao que tudo indica, este desempate se dar\u00e1 ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, em 2012. N\u00e3o ser\u00e1 uma simples elei\u00e7\u00e3o a que estamos acostumados na democracia burguesa tradicional, no campo do chamado \u201cjogo democr\u00e1tico\u201d, da \u201caltern\u00e2ncia de poder\u201d.<\/p>\n<p>Se Ch\u00e1vez perder, n\u00e3o ser\u00e1 para setores de esquerda, mas para a direita ligada e financiada pelo imperialismo, que revogar\u00e1 todos os avan\u00e7os e acabar\u00e1 com a ALBA. A repercuss\u00e3o na Am\u00e9rica Latina (e no mundo) seria desastrosa, um retrocesso muito grande, sem qualquer compara\u00e7\u00e3o, por exemplo, com a derrota de Bachelet no Chile.<\/p>\n<p>Por isso, contribuir para a vit\u00f3ria de Ch\u00e1vez ser\u00e1 um desafio para toda a esquerda conseq\u00fcente da Am\u00e9rica Latina. Por mais que algumas for\u00e7as de esquerda, como o PCB, tenham restri\u00e7\u00f5es a alguns aspectos da revolu\u00e7\u00e3o bolivariana e n\u00e3o sejam <em>chavistas<\/em>, esta ser\u00e1 uma das principais batalhas em 2012. Esperamos que o papel da classe trabalhadora na defesa de seu projeto seja o elemento central da vit\u00f3ria de Ch\u00e1vez.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, nos doze anos de Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana produziram-se grandes avan\u00e7os, como melhores indicadores sociais a partir das diversas Misiones, a constru\u00e7\u00e3o ainda que limitada de mecanismos de poder popular, a nacionaliza\u00e7\u00e3o da PDVSA e de alguns monop\u00f3lios privados, o fortalecimento do papel do Estado no setor financeiro e na pol\u00edtica monet\u00e1ria e cambial. Valorizamos tamb\u00e9m grandes avan\u00e7os na consci\u00eancia anti-imperialista e mesmo anticapitalista de amplas camadas populares.<\/p>\n<p>S\u00e3o ineg\u00e1veis as evid\u00eancias de que o Presidente Ch\u00e1vez est\u00e1 honestamente convencido da necessidade de construir o socialismo, mesmo cercado por um entourage heterog\u00eaneo em que, ao lado de socialistas, pontificam contrarrevolucion\u00e1rios e corruptos. T\u00eam um grande peso na dire\u00e7\u00e3o do Estado setores da chamada \u201cboli-burguesia\u201d e fundamentalmente da pequena burguesia, que n\u00e3o t\u00eam interesse em mudan\u00e7as revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o podemos fechar os olhos a alguns fatores que podem levar a retrocessos e at\u00e9 mesmo \u00e0 derrota do processo de mudan\u00e7as, com a volta ao governo dos c\u00edrculos direitistas associados ao imperialismo contribuindo para o massacre do projeto popular.<\/p>\n<p>A economia venezuelana continua sendo basicamente petroleira, sem avan\u00e7os na diversifica\u00e7\u00e3o e na substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es. Trata-se de um pa\u00eds basicamente importador, inclusive de alimentos, com alta depend\u00eancia tecnol\u00f3gica. N\u00e3o t\u00eam sido desenvolvidas a contento, por outro lado, as iniciativas governamentais como as \u201cempresas de produ\u00e7\u00e3o social\u201d, as cooperativas e pequenas empresas. Nas novas empresas criadas pelo governo e naquelas que foram estatizadas, a participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores \u00e9 insuficiente e formal. Em algumas, a dire\u00e7\u00e3o foi apropriada por gerentes corruptos e ineficientes. A n\u00e3o participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores na gest\u00e3o dessas empresas pode gerar um ciclo de \u201ccapitalismo de Estado\u201d.<\/p>\n<p>Em resumo, para avan\u00e7ar na perspectiva socialista, a atual fase, que o PCV define como \u201csocial-reformista, patri\u00f3tica e progressista\u201d s\u00f3 poder\u00e1 ser superada por uma nova correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em que setores populares e revolucion\u00e1rios, liderados pela classe oper\u00e1ria, alcancem um n\u00edvel necess\u00e1rio de consci\u00eancia, unidade, organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o que lhes permitam impor sua hegemonia.<\/p>\n<p><strong>BOL\u00cdVIA<\/strong><\/p>\n<p>Na Bol\u00edvia, h\u00e1 um fator que tem dado boas condi\u00e7\u00f5es de governabilidade ao governo popular. Evo foi eleito de baixo para cima, no contexto de grandes mobiliza\u00e7\u00f5es, como as Guerras do G\u00e1s e da \u00c1gua, que haviam derrubado tr\u00eas presidentes burgueses.<\/p>\n<p>Com a vit\u00f3ria no referendo revogat\u00f3rio de agosto de 2008, evitou-se, pelo menos por agora, o separatismo de Santa Cruz e um golpe de direita que estava em curso. O Presidente saiu fortalecido, consagrado em meio ao seu mandato, em referendo convocado por ele pr\u00f3prio, com 67% dos votos, 14% a mais do que quando foi eleito em 2005.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 preciso ficar claro que quem derrotou o golpe e o separatismo foram as massas e que o processo n\u00e3o est\u00e1 imune a retrocessos, sobretudo se limitar-se aos aspectos culturais e democr\u00e1ticos, que s\u00e3o importantes, mas n\u00e3o decisivos na luta de classes.<\/p>\n<p>Uma grande virtude do processo boliviano \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o de luta e de unidade da COB (Confedera\u00e7\u00e3o Oper\u00e1ria Boliviana).<\/p>\n<p><strong>EQUADOR<\/strong><\/p>\n<p>Como na Venezuela e na Bol\u00edvia, a m\u00eddia burguesa \u00e9 o maior partido de oposi\u00e7\u00e3o, coadjuvado pelas associa\u00e7\u00f5es empresariais, partidos conservadores, a c\u00fapula da igreja cat\u00f3lica e ONGs financiadas pela USAID, sob a dire\u00e7\u00e3o da embaixada norte-americana.<\/p>\n<p>Rafael Correa, apesar de limita\u00e7\u00f5es, promoveu algumas mudan\u00e7as. Come\u00e7ou com uma auditoria da d\u00edvida externa, que reconheceu apenas 30% do total at\u00e9 ent\u00e3o cobrado pelos credores. A partir da press\u00e3o popular, efetivou-se uma Constituinte livre e soberana, independente do parlamento, propiciando uma nova constitui\u00e7\u00e3o (promulgada em julho de 2008) avan\u00e7ada em termos de direitos sociais. Importantes medidas de Rafael Correa foram a determina\u00e7\u00e3o de retirada da base militar dos EUA e a integra\u00e7\u00e3o de seu pa\u00eds \u00e0 ALBA.<\/p>\n<p>Correa tamb\u00e9m vem estatizando gradualmente a ind\u00fastria petroleira, com a cria\u00e7\u00e3o de um novo marco regulat\u00f3rio, em que o Equador retoma sua soberania sobre parte de suas riquezas e usufrui de seus rendimentos. Todavia, o governo Correa tem que sair do marco personalista, passando a agir em conson\u00e2ncia com os trabalhadores do Equador, para que possa enfrentar o imperialismo e a burguesia e implementar uma sa\u00edda progressista e popular.<\/p>\n<p><strong>BRASIL: A POL\u00cdTICA EXTERNA PRAGM\u00c1TICA<\/strong><\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina \u00e9 dif\u00edcil um comunista se dizer oposi\u00e7\u00e3o a Lula e a Dilma. \u00c9 compreens\u00edvel. No imagin\u00e1rio da esquerda latino-americana, Lula \u00e9 socialista e sua pol\u00edtica externa parece anti-imperialista.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 a oitava economia capitalista do mundo. No plano pol\u00edtico, as lideran\u00e7as burguesas dividem-se entre as que, de um lado, defendem um Estado promotor de pol\u00edticas compensat\u00f3rias e incentivador de um \u201cdesenvolvimentismo\u201d capaz de acelerar o crescimento capitalista e pretensamente resolver as desigualdades sociais atrav\u00e9s do ciclo virtuoso da produ\u00e7\u00e3o, emprego, consumo e aquelas que, de outro, defendem a amplia\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas neoliberais, com mais retirada de direitos dos trabalhadores, mais privatiza\u00e7\u00e3o, mais depend\u00eancia ao capital financeiro internacional.<\/p>\n<p>Os governos petistas representam os setores \u201cdesenvolvimentistas\u201d da burguesia, que querem se expandir e competir no mercado externo, o que pressup\u00f5e algum grau de autonomia, n\u00e3o conflitiva, com os interesses norte-americanos.<\/p>\n<p>Navegando entre as contradi\u00e7\u00f5es interburguesas e interimperialistas, a pol\u00edtica externa brasileira \u00e9 coerentemente pragm\u00e1tica. Ao mesmo tempo em que aceita liderar as tropas da ONU que ocupam o Haiti, a pedido de Washington, ajuda Ch\u00e1vez a vencer o golpe petroleiro e Evo ao golpe separatista.<\/p>\n<p>Com sua eficiente diplomacia, o capitalismo brasileiro vai ganhando mercados. Aos olhos de Washignton, Lula se apresentava como uma alternativa moderada ao \u201cradicalismo\u201d de Ch\u00e1vez e Evo Morales; aos olhos da esquerda latino-americana, se apresentava como aliado, mas que cobra um pre\u00e7o alto pela solidariedade: o aproveitamento de oportunidades na busca de mercados. E \u00e9 o estado brasileiro, principalmente atrav\u00e9s de bancos p\u00fablicos, que alavanca as grandes empreiteiras e monop\u00f3lios multinacionais de origem brasileira a invadirem e crescerem em v\u00e1rias partes do mundo, sobretudo na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Quando o governo brasileiro ajuda a inviabilizar a ALCA ou lidera a cria\u00e7\u00e3o da UNASUL (Uni\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Sul-Americanas) devemos saud\u00e1-lo, pois isto objetivamente contraria os interesses dos EUA. Mas n\u00e3o esque\u00e7amos o outro lado da quest\u00e3o: o Brasil \u00e9 um contraponto capitalista ao movimento de integra\u00e7\u00e3o anti-imperialista da regi\u00e3o, representado pela ALBA.<\/p>\n<p>A esquerda n\u00e3o pode conciliar e deixar de marcar diferen\u00e7as com Lula e Dilma, que governam fundamentalmente para o capital, tanto na pol\u00edtica externa como na interna. A tarefa principal dos governos petistas \u00e9 \u201cdestravar\u201d o capitalismo, custe o que custar, depredando o meio ambiente e reduzindo os direitos trabalhistas, inclusive com a coopta\u00e7\u00e3o de setores do movimento sindical e popular. Ali\u00e1s, o governo Lula jogou papel importante para cooptar e degenerar a CUT, uma central que j\u00e1 foi combativa, afastando da luta anticapitalista e anti-imperialista na Am\u00e9rica Latina um enorme contingente de trabalhadores.<\/p>\n<p>Com Dilma, a pol\u00edtica externa ainda tende a uma inflex\u00e3o, cujos sinais s\u00e3o as cr\u00edticas ao Ir\u00e3, as mudan\u00e7as nos quadros dirigentes do Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, a absten\u00e7\u00e3o c\u00famplice na agress\u00e3o imperialista \u00e0 L\u00edbia e, sobretudo, a vergonhosa recente visita de Obama ao Brasil.<\/p>\n<p>A vinda do presidente dos EUA ao Brasil foi um gesto forte que marcou um claro movimento de estreitamento das rela\u00e7\u00f5es entre os dois pa\u00edses. Obama foi o primeiro estadista estrangeiro a visitar o Brasil ap\u00f3s a posse de Dilma. Mas n\u00e3o foi uma visita qualquer.<\/p>\n<p>O governo brasileiro montou um palanque de honra para Obama falar ao mundo, em especial \u00e0 Am\u00e9rica Latina, para ajudar os EUA a recuperarem sua influ\u00eancia pol\u00edtica e reduzir o justo sentimento antiamericano que nutre a maioria dos povos. Nem na ditadura militar, um presidente estadunidense teve uma recep\u00e7\u00e3o t\u00e3o espalhafatosa como a que Dilma lhe ofereceu.<\/p>\n<p>Em verdade, o Brasil esteve tr\u00eas dias sob interven\u00e7\u00e3o do governo ianque, que decidiu tudo sobre a passagem de Obama pelo pa\u00eds. Passamos pelo vexame de agentes da CIA revistarem Ministros de Estado brasileiros, em eventos da visita.<\/p>\n<p>No caso da Am\u00e9rica Latina, foi um gesto de solidariedade aos EUA em sua luta contra os processos de mudan\u00e7a, sobretudo na Venezuela, Bol\u00edvia e no Equador.<\/p>\n<p>A moeda de troca foi um mero aceno norte-americano \u00e0 pretens\u00e3o obsessiva do Estado burgu\u00eas brasileiro de ocupar uma cadeira permanente no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, um s\u00edmbolo para elevar o Brasil \u00e0 categoria de pot\u00eancia capitalista mundial.<\/p>\n<p>Enganam-se os que pensam que existe contradi\u00e7\u00e3o entre a pol\u00edtica externa do governo Lula e a de Dilma, ambas fundamentalmente a servi\u00e7o do capital. Trata-se agora de uma inflex\u00e3o pragm\u00e1tica. Ap\u00f3s uma fase em que o Brasil expandiu e consolidou seus interesses comerciais em novos \u201cmercados\u201d como Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica, \u00c1sia e Oriente M\u00e9dio, a tarefa principal agora \u00e9 dar mais aten\u00e7\u00e3o aos maiores mercados do mundo, para cuja disputa segmentos da burguesia brasileira se sentem mais preparados.<\/p>\n<p>O governo brasileiro, durante os tr\u00eas dias em que Obama presidiu de fato o Brasil, n\u00e3o fez qualquer gesto ou apelo aos EUA, sequer de car\u00e1ter humanit\u00e1rio, pelo fim do bloqueio a Cuba, o desmonte do centro de tortura em Guant\u00e1namo, a cria\u00e7\u00e3o do Estado Palestino, o fim da interven\u00e7\u00e3o militar no Iraque e no Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>Debochando da soberania brasileira, Obama ordenou os ataques militares contra a L\u00edbia a partir do territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<p>Os principais objetivos da vinda de Obama ao Brasil foram as reservas petrol\u00edferas do pr\u00e9-sal e a licita\u00e7\u00e3o para a compra de avi\u00f5es militares.<\/p>\n<p>Cada vez fica mais claro que, no caso brasileiro, o imperialismo n\u00e3o \u00e9 apenas um inimigo externo a combater, mas um inimigo tamb\u00e9m interno, que se entrela\u00e7ou com os setores hegem\u00f4nicos da burguesia brasileira. O pacto Obama\/Dilma refor\u00e7a o papel do Brasil como ator coadjuvante e s\u00f3cio minorit\u00e1rio dos interesses do imperialismo norte-americano na Am\u00e9rica Latina, como tristemente j\u00e1 indicava a vergonhosa lideran\u00e7a brasileira das tropas militares de interven\u00e7\u00e3o no Haiti.<\/p>\n<p><strong>COL\u00d4MBIA: OUTRA GRANDE DISPUTA!<\/strong><\/p>\n<p>O imperialismo sabe que n\u00e3o haver\u00e1 paz na Col\u00f4mbia e, quem sabe, na Am\u00e9rica Latina, sem o reconhecimento do car\u00e1ter beligerante e pol\u00edtico das FARC. Sabe tamb\u00e9m que a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o poder\u00e1 ser estritamente militar, pois o conflito colombiano \u00e9 antes de tudo pol\u00edtico, econ\u00f4mico e social.<\/p>\n<p>O imperialismo tamb\u00e9m precisa derrotar a insurg\u00eancia, para que n\u00e3o sirva de exemplo. N\u00e3o podemos esquecer que n\u00e3o s\u00e3o convencionais, mas insurgentes, as for\u00e7as que resistem ao imperialismo na Palestina, no Iraque e no Afeganist\u00e3o. For\u00e7as armadas convencionais n\u00e3o resistem aos ataques a\u00e9reos das grandes pot\u00eancias imperialistas. Dependendo dos desdobramentos da crise do capitalismo, nenhuma forma de luta poder\u00e1 ser descartada. O direito dos povos \u00e0 rebeli\u00e3o poder\u00e1 se transformar em dever.<\/p>\n<p>Mas como \u00e9 dif\u00edcil vencer a insurg\u00eancia militarmente, n\u00e3o s\u00f3 pelo aspecto b\u00e9lico como tamb\u00e9m por seu hist\u00f3rico enraizamento no povo colombiano, o imperialismo a sataniza como \u201cnarcoterrorista\u201d, tentando isol\u00e1-la, inclusive de setores reformistas da esquerda latino-americana, preocupados com a sua vota\u00e7\u00e3o na pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas se n\u00e3o pode derrotar a guerrilha, n\u00e3o interessa ao imperialismo o fim do conflito colombiano, para justificar a luta \u201ccontra o narcoterrorismo\u201d, que usa como pretexto para criar mais bases na Col\u00f4mbia e arredores. A Col\u00f4mbia est\u00e1 para a Am\u00e9rica Latina como Israel para o Oriente M\u00e9dio. \u00c9 um dos principais receptores de ajuda militar norte-americana. E as FARC n\u00e3o podem entregar suas armas e descer as montanhas, sob pena de um novo exterm\u00ednio, como nos anos 90, em que 5.000 militantes da Uni\u00e3o Patri\u00f3tica foram assassinados pelo estado colombiano, ap\u00f3s a assinatura de um \u201cacordo de paz\u201d com a guerrilha para que esta se transformasse num partido pol\u00edtico legal!<\/p>\n<p>Para for\u00e7ar o estado colombiano a reconhecer o conte\u00fado pol\u00edtico, econ\u00f4mico e social do conflito, devemos lutar muito para que a UNASUL chame para si a iniciativa de viabilizar o in\u00edcio de um processo de negocia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, para a qual a lideran\u00e7a do Brasil \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>As FARC s\u00e3o um fator de resist\u00eancia \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o imperialista da Col\u00f4mbia e, porque n\u00e3o dizer, da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Para avan\u00e7ar nas mudan\u00e7as sociais na Am\u00e9rica Latina e evitar guerras e retrocessos, al\u00e9m da necessidade decisiva de elevar o empenho e a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores na luta de classes, h\u00e1 uma tarefa importante: derrotar o principal bra\u00e7o do imperialismo norte-americano em nosso continente, o estado terrorista da Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p><strong>REFORMA OU REVOLU\u00c7\u00c3O?<\/strong><\/p>\n<p>A crise deveria enterrar as ilus\u00f5es dos que ainda consideram poss\u00edvel humanizar o capitalismo. N\u00e3o h\u00e1 mais, como na \u00e9poca de ouro da socialdemocracia, an\u00e9is para a burguesia dar aos trabalhadores para n\u00e3o perder os dedos. Ali\u00e1s, no final do s\u00e9culo passado ela j\u00e1 os havia tomado de volta, aproveitando-se da queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. \u00c9 parte importante das tarefas dos revolucion\u00e1rios o combate sem tr\u00e9gua e concilia\u00e7\u00e3o aos reformistas, t\u00e3o bem definidos por Eustoquio Contreras, em seu livro <em>&#8220;Princ\u00edpios e Valores do Processo Revolucion\u00e1rio<\/em>&#8220;:<\/p>\n<p><em>&#8220;O reformismo \u00e9 uma corrente pol\u00edtico-partid\u00e1ria favor\u00e1vel a mudan\u00e7as graduais e n\u00e3o acredita em mudan\u00e7as revolucion\u00e1rias. Ideologicamente os reformistas s\u00e3o\u00a0 pessoas comprometidas com determinados interesses, aos quais defendem d<\/em><em>iante da possibilidade de serem afetados por qualquer mudan\u00e7a radical. Os reformistas se esfor\u00e7am para conter as lutas revolucion\u00e1rias aplicando uma artificial pol\u00edtica\u00a0 de concilia\u00e7\u00e3o entre as classes com interesses opostos. O reformista colaborara com a burguesia na implementa\u00e7\u00e3o de reformas parciais, que n\u00e3o afetam os seus interesses de classe, enquanto enganam as classes exploradas com a promessa de reformas, que ir\u00e3o gradualmente resolver os problemas dos oprimidos e explorados.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Marx, na obra <em>O 18 Brum\u00e1rio de Lu\u00eds Bonaparte, <\/em>j\u00e1 afirmava que o <em>\u201ccar\u00e1ter peculiar da social-democracia resume-se no fato de exigir institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1tico-republicanas como meio n\u00e3o de acabar com dois extremos, capital e trabalho assalariado, mas de enfraquecer seu antagonismo e transform\u00e1-lo em harmonia\u201d<\/em>. Segundo Marx, a social-democracia surge na Europa visando promover a transforma\u00e7\u00e3o da sociedade por um processo democr\u00e1tico, por\u00e9m, uma transforma\u00e7\u00e3o dentro dos limites da pequena burguesia.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 tamb\u00e9m mais espa\u00e7o, no capitalismo cada vez mais globalizado, para ilus\u00f5es nacional-desenvolvimentistas ou nacional-libertadoras, baseadas em alian\u00e7as dos trabalhadores com as chamadas burguesias nacionais. Mesmo nos pa\u00edses em que o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas se processa em ritmos mais lentos que nas na\u00e7\u00f5es de capitalismo avan\u00e7ado, as contradi\u00e7\u00f5es de setores minorit\u00e1rios das burguesias nacionais com o imperialismo s\u00e3o residuais, at\u00e9 porque dependem cada vez mais do grande capital e dos monop\u00f3lios.<\/p>\n<p>Na fase imperialista do capitalismo, ainda mais em meio \u00e0 sua maior crise, a hegemonia no Estado burgu\u00eas pertence aos segmentos associados aos grandes monop\u00f3lios. Quem manda s\u00e3o os grandes capitalistas ligados aos bancos, agroneg\u00f3cio, exportadores de mat\u00e9ria prima, grandes ind\u00fastrias.<\/p>\n<p>Cada vez mais se acentuar\u00e1 no mundo a contradi\u00e7\u00e3o entre o capital e o trabalho. N\u00e3o apenas nos pa\u00edses desenvolvidos ou emergentes, como \u00e9 o caso do Brasil, plenamente associado de forma subordinada ao imperialismo. \u00c9 s\u00f3 olhar para pa\u00edses pouco desenvolvidos, como a Bol\u00edvia e a Venezuela, para entender a ilus\u00e3o de alian\u00e7as com as burguesias nacionais. Vejam a viol\u00eancia da burguesia boliviana, diante de uma revolu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 socialista, mas ainda democr\u00e1tica e cultural, e o \u00f3dio que nutre a burguesia venezuelana frente \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o bolivariana.<\/p>\n<p>No est\u00e1gio atual do capitalismo, e sobretudo em decorr\u00eancia de sua profunda crise, se evidenciar\u00e1 cada vez mais a centralidade do trabalho. Est\u00e3o sendo jogados no lixo da hist\u00f3ria todos os mitos constru\u00eddos pelo <em>neoliberalismo<\/em>, como o \u201cestado m\u00ednimo\u201d, o \u201clivre-mercado\u201d e o \u201cfim da classe oper\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que dizem os profetas do fim da hist\u00f3ria e os reformistas, o proletariado aumenta no mundo, em quantidade e qualidade. As camadas m\u00e9dias se proletarizam. Em todas as partes, sobretudo nos pa\u00edses desenvolvidos, apesar da atual fragilidade e fragmenta\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio e sindical, h\u00e1 grandes possibilidades de a luta de classes se intensificar.<\/p>\n<p>Outra ilus\u00e3o reformista a ser combatida \u00e9 a ilus\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o ao socialismo apenas pela via institucional.<\/p>\n<p>Marx, inspirado na rica experi\u00eancia da Comuna de Paris, chamava a aten\u00e7\u00e3o para a impossibilidade de uma transi\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria sem a hegemonia pol\u00edtico-militar do proletariado, um poder popular verdadeiramente democr\u00e1tico com o objetivo de varrer as institui\u00e7\u00f5es do estado burgu\u00eas e a hegemonia das classes dominantes.<\/p>\n<p>A tomada do poder pol\u00edtico por parte da maioria do povo nunca foi nem ser\u00e1 uma concess\u00e3o generosa das classes dominantes. O sistema de explora\u00e7\u00e3o que funde os interesses das chamadas burguesias nacionais com os do imperialismo n\u00e3o \u201ccai de podre\u201d nem pelo passar do tempo. Os exploradores n\u00e3o entregam voluntariamente o poder aos explorados, nem mesmo quando setores representativos destes \u00faltimos ganham uma elei\u00e7\u00e3o, nos marcos da democracia burguesa. \u00c0s vezes, s\u00e3o obrigados, a contragosto, a entregar o governo a setores populares, mas estes s\u00f3 alcan\u00e7ar\u00e3o o poder com lutas muito duras, acumulando for\u00e7as e golpeando o estado burgu\u00eas, utilizando-se de m\u00e9todos e formas de luta as mais variadas (institucionais e insurgentes), adaptadas \u00e0s circunst\u00e2ncias, tendo principalmente em conta a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre as classes em luta.<\/p>\n<p>Seja qual for a via da conquista do poder, o caminho ao socialismo s\u00f3 pode ser pavimentado na mobiliza\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o das massas exploradas, sob a dire\u00e7\u00e3o de uma vanguarda revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental, portanto, a luta sem tr\u00e9guas contra todas as formas de reformismo, como as teoriza\u00e7\u00f5es sobre os \u201cnovos sujeitos\u201d, o \u201cmovimentismo\u201d (cujo maior exemplo \u00e9 o F\u00f3rum Social Mundial), marcado pela avers\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica e aos partidos e pelo privil\u00e9gio de atua\u00e7\u00e3o em ONGs e movimentos sociais os quais, em que pese o fato de alguns deles levantarem bandeiras justas, n\u00e3o compreendem a necessidade da luta global pela supera\u00e7\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 nunca demais lembrar a passagem de Marx e Engels, no Manifesto do Partido Comunista:<\/p>\n<p>\u201c<em>Os comunistas n\u00e3o se rebaixam a dissimular suas opini\u00f5es e seus fins. Proclamam abertamente que seus objetivos s\u00f3 podem ser alcan\u00e7ados pela derrubada violenta de toda a ordem social existente\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>DE QUE SOCIALISMO FALAMOS? <\/strong><\/p>\n<p>A continuidade e o avan\u00e7o do atual processo de transforma\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica Latina e a possibilidade de ele vir a assumir um car\u00e1ter socialista v\u00e3o depender principalmente da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, do n\u00edvel de consci\u00eancia, unidade, organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o das massas populares.<\/p>\n<p>\u00c9 correto os revolucion\u00e1rios participarem dos processos de mudan\u00e7as que se d\u00e3o em pa\u00edses como Venezuela, Bol\u00edvia e Equador, desde que mantenham autonomia e vis\u00e3o cr\u00edtica, combinando unidade e luta. Para isto, \u00e9 preciso que os comunistas deixem claro, nesses pa\u00edses, as limita\u00e7\u00f5es de conceitos de socialismo tais como \u201cbolivariano\u201d, \u201ccidad\u00e3o\u201d, \u201cdo s\u00e9culo XXI\u201d, do \u201cbom viver\u201d.<\/p>\n<p>Na <em>Ideologia Alem\u00e3<\/em> e no <em>Manifesto do Partido Comunista<\/em>, Marx duela com as adjetiva\u00e7\u00f5es do socialismo, todas elas de conte\u00fado reformista.<\/p>\n<p>Estes adjetivos podem at\u00e9 se adaptar \u00e0 atual fase dos processos revolucion\u00e1rios nesses pa\u00edses, mas n\u00e3o ao socialismo. At\u00e9 porque em Nossa Am\u00e9rica, com exce\u00e7\u00e3o de Cuba, n\u00e3o h\u00e1 ainda qualquer revolu\u00e7\u00e3o socialista em curso, mas importantes processos de mudan\u00e7as, que podemos caracterizar como revolu\u00e7\u00f5es nacionais e democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio relermos os conceitos que nos legaram Marx, Lenin e outros pensadores a respeito do socialismo, para reafirm\u00e1-los e os adaptarmos ao mundo contempor\u00e2neo. Estes conceitos n\u00e3o foram negados na derrota da experi\u00eancia de constru\u00e7\u00e3o do socialismo na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e outros pa\u00edses do Leste Europeu. Pelo contr\u00e1rio, continuam atuais. Apesar de o saldo da Revolu\u00e7\u00e3o Russa ter sido positivo, ali foram ignorados ou deturpados v\u00e1rios destes princ\u00edpios, sobretudo aqueles relativos \u00e0 democracia oper\u00e1ria, que levaram \u00e0 hipertrofia e ao esclerosamento do Partido e sua fus\u00e3o (e confus\u00e3o) com o Estado e as organiza\u00e7\u00f5es de massa.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o se trata de inventarmos \u201cnovos\u201d socialismos, como se fosse poss\u00edvel conjugar elementos do socialismo e do capitalismo. Este \u00e9 um terreno pantanoso, em que se adjetivam o substantivo socialismo at\u00e9 como \u201cmoderno\u201d ou \u201cdemocr\u00e1tico\u201d, como se fosse velho ou antidemocr\u00e1tico.<\/p>\n<p>E n\u00e3o haver\u00e1 revolu\u00e7\u00e3o socialista se n\u00e3o se come\u00e7ar a desconstruir o estado burgu\u00eas e os poderes de fato constitu\u00eddos pela m\u00eddia hegem\u00f4nica, o aparato policial militar, a justi\u00e7a. E a transi\u00e7\u00e3o ao socialismo s\u00f3 ser\u00e1 assegurada pela instaura\u00e7\u00e3o do Poder Popular \u2013 a democracia direta e protag\u00f4nica das massas \u2013 e o estabelecimento de novas rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, com a supress\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o podemos cair no voluntarismo, deixando de reconhecer as dificuldades por que passam os processos de mudan\u00e7as na Am\u00e9rica do Sul. A primeira coisa \u00e9 reconhecermos que ainda n\u00e3o estamos, objetiva e subjetivamente, em situa\u00e7\u00f5es pr\u00e9-revolucion\u00e1rias. Segundo Marx, a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o se d\u00e1 da noite para o dia e n\u00e3o depende apenas de vontade. \u00c9 um processo com dura\u00e7\u00e3o de dif\u00edcil previs\u00e3o e n\u00e3o linear, sujeito a retrocessos. .<\/p>\n<p>Esses processos est\u00e3o atingindo um ponto crucial, que est\u00e1 chegando mais cedo na Venezuela, mas n\u00e3o tardar\u00e1 a chegar na Bol\u00edvia e no Equador. Trata-se de um momento de inflex\u00e3o, em que se apresenta a dicotomia reforma ou revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma certa fadiga nas massas exploradas, pois as mudan\u00e7as n\u00e3o chegam \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre capital e trabalho. Os trabalhadores s\u00e3o portadores de direitos formalizados na constitui\u00e7\u00e3o e usufruem da melhoria dos servi\u00e7os p\u00fablicos, mas n\u00e3o sentem qualquer mudan\u00e7a mais significativa em suas condi\u00e7\u00f5es de vida e na distribui\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma limita\u00e7\u00e3o de revolu\u00e7\u00f5es nacionais e democr\u00e1ticas hegemonizadas por setores da pequena e m\u00e9dia burguesia e n\u00e3o pelo proletariado; portanto, reformistas. A maior virtude de processos como estes \u00e9 que tornam evidente a luta de classes, contrapondo os interesses do capital aos do proletariado, dos trabalhadores e de setores das camadas m\u00e9dias. Isto n\u00e3o ocorre em processos mitigados, de concilia\u00e7\u00e3o de classe, como no Brasil, em que os governos e os partidos ditos de esquerda que lhes ap\u00f3iam n\u00e3o mobilizam as massas e n\u00e3o enfrentam ideologicamente o capitalismo.<\/p>\n<p>A maior debilidade desses processos \u00e9 a falta de instrumentos pol\u00edticos e organiza\u00e7\u00f5es de massas que impulsionem as mudan\u00e7as no sentido da revolu\u00e7\u00e3o permanente, verdadeiramente socialista, que v\u00e1 na dire\u00e7\u00e3o da constitui\u00e7\u00e3o do duplo poder e da ruptura com o estado burgu\u00eas.<\/p>\n<p><em>*Ivan Pinheiro \u00e9 Secret\u00e1rio Geral do PCB (Partido Comunista Brasileiro)<\/em><\/p>\n<p><em>Palestra em semin\u00e1rio sobre Marx, em Maracay (Venezuela), <\/em>organizado pela Prefeitura de Girardot, a Frente Alfredo Maneiro e o Movimento Continental Bolivariano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\n\n\n\n\nIvan Pinheiro*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1409\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-1409","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c88-internacionalismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-mJ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1409","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1409"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1409\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1409"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1409"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1409"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}