{"id":14284,"date":"2017-05-03T10:52:08","date_gmt":"2017-05-03T13:52:08","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=14284"},"modified":"2017-05-15T13:43:22","modified_gmt":"2017-05-15T16:43:22","slug":"foi-bonita-a-luta-pa-agora-e-seguir-na-ofensiva-ate-a-derrubada-do-governo-usurpador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14284","title":{"rendered":"Foi bonita a luta, p\u00e1! Agora, \u00e9 seguir na ofensiva at\u00e9 a derrubada do governo usurpador!"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm3.staticflickr.com\/2854\/33488543474_b6bc0a229a_z.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><strong>Edmilson Costa<\/strong><\/p>\n<p>Brasil, zero hora do dia 28 de abril. Os comandos grevistas come\u00e7am a fechar as garagens dos \u00f4nibus, uma a uma, em praticamente todos os Estados e no Distrito Federal. Come\u00e7ava a greve geral vitoriosa no Pa\u00eds. O metr\u00f4 iniciou sua paralisa\u00e7\u00e3o ainda pela madrugada nas principais capitais e, mesmo com a tentativa de colocar funcion\u00e1rios administrativos para operar as m\u00e1quinas, a paralisa\u00e7\u00e3o ultrapassou os 90%. <!--more-->Os metal\u00fargicos de v\u00e1rios Estados tamb\u00e9m cruzaram os bra\u00e7os e n\u00e3o foram trabalhar, assim como petroleiros, oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o civil, estivadores, funcion\u00e1rios dos correios, banc\u00e1rios e professores de v\u00e1rias capitais e grandes cidades. Boa parte do com\u00e9rcio tamb\u00e9m fechou e aqueles estabelecimentos que abriram praticaram ficaram \u00e0s moscas, porque n\u00e3o tinham a quem vender. No total, cerca de 92 categorias de trabalhadores aderiram \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o, representando assim a maior geral da hist\u00f3ria do Brasil.<\/p>\n<p>A partir das cinco da manh\u00e3, comandos m\u00f3veis formados por militantes partid\u00e1rios e dos movimentos sociais bloquearam as principais ruas e avenidas das grandes metr\u00f3poles, al\u00e9m das estradas de acesso \u00e0s regi\u00f5es metropolitanas, colocando pneus e ateando fogo, de forma a construir grandes barricadas para bloquear o tr\u00e2nsito nas principais vias de circula\u00e7\u00e3o de caminh\u00f5es e autom\u00f3veis. Muitos tamb\u00e9m se reuniram nas par\u00f3quias para planejar as mobiliza\u00e7\u00f5es e piquetes.\u00a0Em S\u00e3o Paulo,\u00a0a pol\u00edcia invadiu uma igreja para prender manifestantes. A pol\u00edcia reprimiu violentamente e prendeu v\u00e1rios militantes, mas os protestos continuaram pelas ruas e avenidas ao longo do dia em centenas de cidades brasileiras. Nada impediu que o 28 de abril parecesse um domingo ou um dia de grande feriado.<\/p>\n<p>Dessa hist\u00f3rica jornada de lutas participaram cerca de 40 milh\u00f5es de trabalhadores de Norte a Sul do Pa\u00eds, de acordo com as centrais sindicais que convocaram a greve geral. Da Zona Franca de Manaus, no Estado do Amazonas, passando pelas plataformas mar\u00edtimas da Petrobr\u00e1s, metal\u00fargicos da regi\u00e3o Centro-Sul, petroleiros de v\u00e1rios Estados, os transportes em geral (metr\u00f4, \u00f4nibus e trens), estivadores, milh\u00f5es de professores municipais, estaduais e das universidades, inclusive professores da rede privada, banc\u00e1rios das principais cidades brasileiras, servi\u00e7os em geral. At\u00e9 o com\u00e9rcio nas grandes capitais paralisou suas atividades: a Rua 25 de mar\u00e7o, principal centro comercial paulista, estava como num dia de domingo. Ainda pela manh\u00e3, em v\u00e1rias regi\u00f5es do Pa\u00eds ocorreram grandes manifesta\u00e7\u00f5es de ruas, encerrando-se ao final da tarde em S\u00e3o Paulo, no Largo da Batata, com uma manifesta\u00e7\u00e3o de mais de 70 mil pessoas, que marcharam at\u00e9 a casa do presidente usurpador. Mas um milh\u00e3o de pessoas estiveram nas ruas para protestar contra as reformas da previd\u00eancia, trabalhista, as terceiriza\u00e7\u00f5es e o ajuste fiscal.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o tamb\u00e9m foi muito grande em v\u00e1rias regi\u00f5es do Pa\u00eds. No Rio de Janeiro, a selvageria da pol\u00edcia se destacou pela brutalidade, com as for\u00e7as repressivas atacando os manifestantes e deixando v\u00e1rios feridos. Em Goi\u00e1s, uma cena dantesca simbolizou a a\u00e7\u00e3o do aparato repressivo: um comandante policial avan\u00e7ou furioso contra um grupo de jovens e acertou uma paulada t\u00e3o violenta no rosto de um jovem que o cassetete de madeira quebrou. O jovem est\u00e1 entre a vida e a morte em um hospital da cidade. Na Baixada Santista, regi\u00e3o oper\u00e1ria de S\u00e3o Paulo, onde est\u00e1 o maior porto do Pa\u00eds, a repress\u00e3o contra os estivadores foi violenta, n\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s da tropa de choque, mas tamb\u00e9m da cavalaria que avan\u00e7ou violentamente contra os grevistas, deixando v\u00e1rios deles feridos e hospitalizados. Na manifesta\u00e7\u00e3o da capital de S\u00e3o Paulo, a pol\u00edcia tamb\u00e9m jogou bombas contra manifestantes, mas a repress\u00e3o foi menor que nas outras regi\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o foram apenas as grandes metr\u00f3poles que realizaram greves e protestos contra o governo usurpador. No Brasil profundo, constitu\u00eddo pelas pequenas e m\u00e9dias cidades do interior, tamb\u00e9m se realizaram manifesta\u00e7\u00f5es. Por exemplo, foram realizados atos contra o governo em Bujari, no Acre; Marituba, no Par\u00e1; Gurupi, no Tocantins; Arapiraca, em Alagoas; Assu, no Rio Grande do Norte; Lauro de Freitas, na Bahia; Juari, no Mato Grosso;\u00a0Sabar\u00e1,\u00a0Minas Gerais; Tatu\u00ed, S\u00e3o Paulo e Iju\u00ed, no Rio Grande do Sul. Isso sem contar as cidades de porte m\u00e9dio, onde em quase todas ocorreram manifesta\u00e7\u00f5es contra o governo.<\/p>\n<p>Vale ressaltar que a greve geral de 28 de abril contou ainda com uma vasta frente de luta, que incluiu n\u00e3o apenas os sindicalistas, movimentos sociais e partidos pol\u00edticos, mas tamb\u00e9m a Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cujos religiosos se utilizaram das redes sociais e dos serm\u00f5es para chamar a popula\u00e7\u00e3o para a greve geral. Tamb\u00e9m houve apoio \u00e0 greve entre religiosos protestantes e a Ordem dos Advogados do Brasil, al\u00e9m de associa\u00e7\u00e3o de magistrados, membros do minist\u00e9rio p\u00fablico do trabalho, atores e v\u00e1rios artistas, sendo que alguns, como Gal Costa, cancelaram shows em apoio \u00e0 greve. Al\u00e9m disso, contou tamb\u00e9m com a simpatia popular. N\u00e3o foram vistas as costumeiras aglomera\u00e7\u00f5es de pessoas nas filas de \u00f4nibus, nas esta\u00e7\u00f5es de metr\u00f4 ou nas esta\u00e7\u00f5es ferrovi\u00e1rias. As pessoas preferiram ficar em casa a sair desesperadamente em busca de transporte alternativo para chegar ao trabalho.<\/p>\n<p>\u00c0 exce\u00e7\u00e3o do grande capital, da oligarquia financeira, dos monop\u00f3lios comerciais e do agroneg\u00f3cio, o Pa\u00eds inteiro apoiou o movimento. Isso pode ser constatado nas pesquisas de opini\u00e3o: Temer tem quase a unanimidade do Pa\u00eds contra seu governo. Apenas 9% apoiam sua gest\u00e3o e mais de 90% da popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o contr\u00e1rias \u00e0s reformas que est\u00e3o sendo votadas no Congresso. Como se trata de um governo que se assemelha a uma quadrilha e um Parlamento cheio de corruptos, n\u00e3o \u00e9 de se espantar tamanha impopularidade. Mais espantoso ainda \u00e9 verificar que essa quadrilha, que deveria estar na cadeia, \u00e9 exatamente quem est\u00e1 votando a devasta\u00e7\u00e3o social contra o mundo do trabalho.<\/p>\n<p><strong>O governo e a m\u00eddia tentam desqualificar o movimento<\/strong><\/p>\n<p>Diante da grandiosidade do movimento grevista, o governo e a m\u00eddia corporativa procuraram, de todas as formas, desqualificar o movimento. O ministro da Justi\u00e7a, um dos acusados de corrup\u00e7\u00e3o na\u00a0<em>Opera\u00e7\u00e3o Carne Fraca<\/em>, veio a p\u00fablico dizer que o movimento era p\u00edfio e coisa de baderneiros. O pr\u00f3prio presidente, atrav\u00e9s de nota, fez ouvidos de mercador e disse que as manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o iriam mudar o processo das \u201creformas\u201d e que o congresso daria continuidade \u00e0s vota\u00e7\u00f5es. O caricato prefeito de S\u00e3o Paulo, Jo\u00e3o Doria, anunciou na v\u00e9spera que teria feito um acordo com o Uber e o 99 (aplicativos de t\u00e1xis) para transportar gratuitamente os funcion\u00e1rios at\u00e9 o trabalho. Mas o link que permitia as viagens gratuitas vazou e as pessoas passaram a recomendar que esse mecanismo fosse utilizado para que todos se dirigissem \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o no Largo da Batata. Diante do fracasso da empreitada, Doria foi obrigado a anunciar o cancelamento do acordo com os aplicativos de t\u00e1xis. Mas o subprefeito da regi\u00e3o de Pinheiros, tamb\u00e9m na capital, for\u00e7ou os funcion\u00e1rios a dormirem no trabalho e agora vai ser processado por ass\u00e9dio moral.<\/p>\n<p>Papel especial na desinforma\u00e7\u00e3o teve a m\u00eddia corporativa, especialmente a Rede Globo, o maior monop\u00f3lio de comunica\u00e7\u00e3o brasileiro. No dia anterior, seus jornais e redes de televis\u00e3o sequer anunciaram que haveria uma greve geral no Pa\u00eds. Mesmo diante da grandiosidade da greve, a cobertura da televis\u00e3o foi profundamente manipuladora, pois as chefias estavam orientadas a desacreditar o movimento. Assim, evitou-se a express\u00e3o greve geral, buscou-se caracterizar a greve como apenas dos transportes, que impediam a popula\u00e7\u00e3o de ir e vir; dando-se especial cobertura \u00e0s cenas de confronto para associar a greve \u00e0 baderna, com entrevistas de trabalhadores dizendo-se prejudicados com o movimento.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, nem as desqualifica\u00e7\u00f5es do governo, nem a manipula\u00e7\u00e3o da m\u00eddia foram capazes de influir no \u00edmpeto grevista dos trabalhadores. Como depois se soube, nos bastidores o governo sentiu o golpe e nos sal\u00f5es da burguesia deve ter havido muito medo e p\u00e2nico, afinal, ap\u00f3s duas d\u00e9cadas de refluxo do movimento oper\u00e1rio, os trabalhadores voltaram \u00e0 cena com unidade e for\u00e7a pol\u00edtica. Realizaram uma greve pol\u00edtica numerosa e vitoriosa, nunca imaginada pela burguesia, em fun\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es adversas da conjuntura. O Pa\u00eds est\u00e1 h\u00e1 quatro anos em severa recess\u00e3o, com cerca de 20 milh\u00f5es de desempregados (incluindo os desempregados oficiais e os que deixaram de procurar emprego e n\u00e3o s\u00e3o contabilizados mais nas estat\u00edsticas), e o governo realiza uma ofensiva midi\u00e1tica permanente buscando fazer crer que as reformas v\u00e3o modernizar a na\u00e7\u00e3o e trazer de volta os empregos. Nada foi capaz de barrar a for\u00e7a da unidade do movimento oper\u00e1rio, popular e da juventude. Um ind\u00edcio desse processo foi uma nota da Federa\u00e7\u00e3o do Com\u00e9rcio de S\u00e3o Paulo que calculou em R$ 5 bilh\u00f5es (U$ 1,7 bilh\u00e3o) o preju\u00edzo com a greve.<\/p>\n<p><strong>As li\u00e7\u00f5es da greve geral<\/strong><\/p>\n<p>Os primeiros ensinamentos da greve geral revelam que, quando os trabalhadores, o movimento popular e da juventude entram em cena de forma unit\u00e1ria, s\u00e3o capazes de mover montanhas. A partir de agora a luta de classes no Brasil mudou de qualidade: est\u00e1 dirigida pelos trabalhadores, suas organiza\u00e7\u00f5es e seus m\u00e9todos de luta. Para os pessimistas, que imaginavam que o proletariado estava acomodado diante dos ataques da burguesia, a greve demonstrou que os trabalhadores entram em cena na hora certa, quando as condi\u00e7\u00f5es objetivas e subjetivas est\u00e3o maduras para grandes a\u00e7\u00f5es de massa. Mesmo diante da greve vitoriosa, n\u00e3o se pode cair no ufanismo: este foi o primeiro ensaio geral de uma longa jornada de lutas, cujo desfecho ser\u00e1 mais ou menos profundo de acordo com a intensidade das a\u00e7\u00f5es do movimento oper\u00e1rio nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>Vale lembrar ainda que a greve geral de 28 de abril n\u00e3o caiu do c\u00e9u nem foi fruto da espontaneidade das massas, que de uma hora outra resolveram cruzar os bra\u00e7os contra o governo e seus patrocinadores. As manifesta\u00e7\u00f5es contra o golpe vinham sendo realizadas j\u00e1 h\u00e1 algum tempo, muito embora ainda fossem difusas e com elevado grau de espontaneidade. Por exemplo: nas olimp\u00edadas, quando Temer anunciou a abertura dos jogos, recebeu uma estrondosa vaia. Tamb\u00e9m ocorreram protestos nos est\u00e1dios de futebol, em shows art\u00edsticos, nos blocos de carnaval, escrachos contra parlamentares golpistas nos aeroportos, dezenas de protestos de rua, at\u00e9 que se p\u00f4de sentir o \u00e2nimo das massas nas manifesta\u00e7\u00f5es e protestos unificados do dia 08 de mar\u00e7o, o dia internacional de luta das mulheres, e as do de 15 de mar\u00e7o, o dia nacional de mobiliza\u00e7\u00f5es e paralisa\u00e7\u00f5es. Portanto, a greve geral de 28 de abril foi o resultado de um processo de amadurecimento que vinha se gestando h\u00e1 tempo entre os trabalhadores e que se expressou de forma organizada neste 28 de abril.<\/p>\n<p>A greve assestou um duro golpe contra as manipula\u00e7\u00f5es da m\u00eddia e as mentiras do governo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s contrarreformas e trouxe para o centro da luta um novo personagem: o movimento oper\u00e1rio e popular. Por maior que tenha sido a desinforma\u00e7\u00e3o e a propaganda oficial, trabalhadores de todo o Pa\u00eds e de dezenas de categorias demonstraram a for\u00e7a pol\u00edtica do proletariado brasileiro, ressaltando que a manipula\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica j\u00e1 n\u00e3o tem mais o poder que tinha no passado. Os trabalhadores brasileiros, cansados dos ataques do governo e das den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e no parlamento, simplesmente preferiram acreditar nas suas entidades representativas do que nas mentiras da Rede Globo.<\/p>\n<p>A greve revelou tamb\u00e9m, de forma pedag\u00f3gica, o imenso potencial dos trabalhadores na luta por seus direitos e por uma vida melhor. Ensinou que os trabalhadores s\u00e3o a for\u00e7a mais importante do Pa\u00eds, pois quando param de trabalhar, as cidades param e o Pa\u00eds tamb\u00e9m para. Por isso, essa greve geral ter\u00e1 efeitos de curto, m\u00e9dio e longo prazo no imagin\u00e1rio popular e contribuir\u00e1 de maneira efetiva para fortalecer a organiza\u00e7\u00e3o e o \u00e2nimo dos trabalhadores. Tamb\u00e9m ter\u00e1 repercuss\u00e3o junto \u00e0 classe dominante, porque agora a burguesia sabe que os trabalhadores come\u00e7aram a virar o jogo, instituindo uma nova din\u00e2mica na luta de classes. Por isso, v\u00e3o procurar de todas as formas dividir o movimento, cooptar e corromper suas lideran\u00e7as mais vacilantes. Mas a for\u00e7a da greve foi t\u00e3o grande que qualquer l\u00edder sindical que decida fazer o jogo do governo poder\u00e1 ser desmoralizado rapidamente.<\/p>\n<p>Em outras palavras, a luta de classes mudou de patamar no Brasil. Portanto, nessas novas condi\u00e7\u00f5es e diante da heterogeneidade das regi\u00f5es e da luta social brasileira, a esquerda deve n\u00e3o s\u00f3 intensificar as gest\u00f5es para manter a unidade dos trabalhadores, mas tamb\u00e9m combinar diversas formas de luta contra a burguesia e o aparato repressivo. \u00c9 fundamental parar as f\u00e1bricas, o com\u00e9rcio e o transporte, mas tamb\u00e9m \u00e9 muito importante formar e fortalecer os Comit\u00eas Populares Contra as Reformas e multiplicar de maneira acelerada os comandos m\u00f3veis para parar a circula\u00e7\u00e3o nas grandes metr\u00f3poles. Quanto maior for o n\u00famero de comandos populares, mais dificuldades ter\u00e1 o aparato militar para reprimir os lutadores. E todo esse trabalho dever\u00e1 ser condensado em grandes manifesta\u00e7\u00f5es de rua, capazes de inviabilizar a repress\u00e3o. Uma coisa \u00e9 reprimir cinco ou dez mil manifestantes. Outra \u00e9 atacar uma manifesta\u00e7\u00e3o de 100 ou 200 mil pessoas.<\/p>\n<p><strong>Os pr\u00f3ximos passos<\/strong><\/p>\n<p>A din\u00e2mica da luta de classes desencadeada pela greve deve merecer da esquerda socialista uma aten\u00e7\u00e3o especial. \u00c9 fundamental manter a centralidade da luta nas ruas, nos locais de trabalho, estudo e moradia e junto ao povo pobre dos bairros, de forma a evitar que o movimento seja canalizado\u00a0apenas\u00a0para as elei\u00e7\u00f5es em 2018. Essa \u00e9 uma tarefa fundamental, pois existem v\u00e1rias for\u00e7as que, apesar de terem contribu\u00eddo para o sucesso da greve geral, n\u00e3o querem levar \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias a luta contra o governo usurpador e contra o capital, porque ainda vivem a ilus\u00e3o de que tudo pode mudar com as elei\u00e7\u00f5es. Para derrotar esse governo corrupto, ileg\u00edtimo e capacho da burguesia, \u00e9 fundamental intensificar a luta de massas, colocar novas tarefas na ordem do dia para os trabalhadores.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 fundamental que a nota divulgada pelas centrais sindicais no dia primeiro de maio se transforme em realidade pr\u00e1tica. As centrais exigem a retirada das propostas que tramitam em Bras\u00edlia, reafirmam a luta pelos direitos previdenci\u00e1rios e trabalhistas e o compromisso com a unidade do movimento e prometem ocupar Bras\u00edlia para pressionar o governo e o Congresso a reverem seus planos de ataques aos trabalhadores e, se isso n\u00e3o for suficiente, assumem o compromisso de organizar uma rea\u00e7\u00e3o ainda mais forte. Os elementos centrais da posi\u00e7\u00e3o das centrais \u00e9 um bom ponto de partida para refletirmos sobre os pr\u00f3ximos passos.<\/p>\n<p>Entendemos que \u00e9 fundamental ocupar Bras\u00edlia, com uma grande manifesta\u00e7\u00e3o de mais de 100 mil pessoas, e for\u00e7ar o Congresso Nacional a revogar todas as medidas antipopulares. Mas esse fato ter\u00e1 maior efeito se os trabalhadores estiverem parados em todo o Pa\u00eds, por um tempo maior do que a greve do dia 28 de abril. Portanto, \u00e9 importante discutir com as centrais a necessidade de uma greve geral combinada com uma grande manifesta\u00e7\u00e3o em Bras\u00edlia. Os trabalhadores j\u00e1 demonstraram sua disposi\u00e7\u00e3o de luta. O governo est\u00e1 cada vez mais impopular. Portanto, aqui vale a palavra de ordem\u00a0cantada nas manifesta\u00e7\u00f5es de rua: \u201cAi, ai, ai, empurra o Temer que ele cai\u201d.<\/p>\n<p>Achamos tamb\u00e9m que est\u00e1 na ordem do dia a constru\u00e7\u00e3o do Encontro Nacional da Classe Trabalhadora e do Movimento Popular, de forma a discutirmos um projeto social anticapitalista para o Pa\u00eds, organizado a partir das bases do movimento oper\u00e1rio e popular, capaz de construir uma ferramenta que se transforme em refer\u00eancia de combatividade e organiza\u00e7\u00e3o para as massas e que seja capaz de elaborar um programa pol\u00edtico para reconstruir o Brasil na perspectiva dos interesses populares, no rumo do Poder Popular e do Socialismo.<\/p>\n<p><strong>Edmilson Costa \u00e9 Secret\u00e1rio Geral do PCB\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Edmilson Costa Brasil, zero hora do dia 28 de abril. 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