{"id":14288,"date":"2017-05-03T11:03:24","date_gmt":"2017-05-03T14:03:24","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=14288"},"modified":"2017-05-15T13:43:28","modified_gmt":"2017-05-15T16:43:28","slug":"depois-da-greve-geral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14288","title":{"rendered":"Depois da greve geral"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cartacapital.com.br\/politica\/depois-da-greve-geral\/conflitos-na-greve-geral\/%40%40images\/662dde91-75f0-493f-bb3d-9d32d34f404e.jpeg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>por Guilherme Boulos<\/p>\n<p>Caso o Congresso continue a virar as costas para a sociedade e insista nas reformas, estar\u00e1 aberto o caminho para a radicaliza\u00e7\u00e3o das massas no Pa\u00eds.<!--more--><\/p>\n<p>Na sexta-feira 28 o Brasil parou. Foi a maior greve geral dos \u00faltimos 30 anos, segundo muitos relatos. Maior que aquela de 1989 e compar\u00e1vel \u00e0 grande greve de 12 de dezembro de 1986, ap\u00f3s o fracasso do Plano Cruzado 2, no governo Sarney.<br \/>\nA paralisa\u00e7\u00e3o dos transportes foi decisiva, como o \u00e9 em qualquer greve geral. Mas importantes categorias de trabalhadores tamb\u00e9m decidiram cruzar os bra\u00e7os: banc\u00e1rios, professores (inclusive das escolas particulares), metal\u00fargicos, qu\u00edmicos, petroleiros, dentre outros.\u00a0 As ruas das grandes cidades ficaram vazias.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os movimentos populares organizaram bloqueios em dezenas de rodovias e avenidas centrais em todo o Pa\u00eds. Acessos a aeroportos e aos centros comerciais ficaram travados. Aos que reclamaram, taxando os bloqueios de &#8220;abusivos&#8221;, talvez esperassem que a greve fosse feita nos samb\u00f3dromos. Greve geral de fato \u00e9 para parar e os desafio a encontrar uma na hist\u00f3ria que n\u00e3o tenha recorrido \u00e0 t\u00e1tica dos piquetes como forma de mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O dia foi encerrado com importantes protestos. Em S\u00e3o Paulo, mais de 75 mil manifestantes marcharam do Largo da Batata at\u00e9 a casa de Michel Temer. Dezenas de milhares se concentraram no centro do Rio de Janeiro. Nos dois casos, houve repress\u00e3o violenta por parte da pol\u00edcia. Destaque-se, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia policial, o caso do estudante Mateus Ferreira da Silva, que est\u00e1 internado em estado grave ap\u00f3s ter sido atingido por policiais com uma paulada na cabe\u00e7a durante a manifesta\u00e7\u00e3o em Goi\u00e2nia.<br \/>\nA greve teve tamb\u00e9m seus presos pol\u00edticos. Em meio a dezenas de detidos em todo o Pa\u00eds e posteriormente liberados, tr\u00eas militantes do MTST permanecem presos em S\u00e3o Paulo sob as incr\u00edveis acusa\u00e7\u00f5es de &#8220;explos\u00e3o&#8221; e &#8220;inc\u00eandio criminoso&#8221;. Juraci Alves dos Santos, Luciano Antonio Firmino e Ricardo Rodrigues dos Santos est\u00e3o neste momento em pres\u00eddio, criminalizados por participarem de bloqueios na greve geral.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o policial n\u00e3o foi capaz, por\u00e9m, de ofuscar a dimens\u00e3o da greve. Desnorteado e sem conex\u00e3o com a sociedade, o governo Temer quis sustentar o &#8220;fracasso&#8221; do movimento que parou o Pa\u00eds. O ministro da Justi\u00e7a, Osmar Serraglio, comparsa do &#8220;grande chefe&#8221; da Opera\u00e7\u00e3o Carne Fraca, falou que as manifesta\u00e7\u00f5es foram &#8220;p\u00edfias&#8221;. Convenhamos, p\u00edfio \u00e9 ter um tipo como Serraglio no Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. De toda forma, nos bastidores o pr\u00f3prio governo assustou-se com o tamanho da paralisa\u00e7\u00e3o, como relatou o jornalista Kennedy Alencar.<\/p>\n<p><strong>E agora?<\/strong><\/p>\n<p>O recado foi contundente, independente das vers\u00f5es ou apelos \u00e0 &#8220;p\u00f3s-verdade&#8221;. A quest\u00e3o agora \u00e9 quais ser\u00e3o os pr\u00f3ximos passos do movimento social. E isso depender\u00e1, em grande medida, de como o Congresso Nacional entender\u00e1 a forte mensagem da greve geral do dia 28.<\/p>\n<p>A primeira hip\u00f3tese \u00e9 o Parlamento ouvir o clamor das ruas e recuar na aprova\u00e7\u00e3o das reformas. As mudan\u00e7as na previd\u00eancia enfrentam rejei\u00e7\u00e3o de mais de 90% da sociedade, segundo a \u00faltima pesquisa CUT\/Vox Populi. A reforma trabalhista, que ainda pode ser barrada no Senado, tamb\u00e9m \u00e9 amplamente recha\u00e7ada. E diferentemente de Temer, os deputados e senadores ter\u00e3o de enfrentar as urnas no pr\u00f3ximo ano. Ou seja, t\u00eam mais a perder. Este entendimento come\u00e7a a se expressar em divis\u00f5es na base do governo, com as prov\u00e1veis defec\u00e7\u00f5es do PSB e Solidariedade e a rebeli\u00e3o na bancada do PMDB no Senado.<\/p>\n<p>Se isso ocorrer, as mobiliza\u00e7\u00f5es ter\u00e3o sido vitoriosas e o governo Temer poder\u00e1 ficar com seus dias contados. Sem as reformas, Temer torna-se dispens\u00e1vel aos setores econ\u00f4micos que o sustentam. O que mant\u00e9m um presidente com 5% de aprova\u00e7\u00e3o no cargo, ainda mais um n\u00e3o eleito, \u00e9 apenas a confian\u00e7a da banca de que poder\u00e1 garantir seus interesses.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese de recuo do Congresso n\u00e3o parece, no entanto, a mais prov\u00e1vel. Apesar do sucesso da greve e da forte rejei\u00e7\u00e3o \u00e0s reformas, o comando do Parlamento parece apostar na t\u00e1tica da &#8220;fuga pra frente&#8221;, ou seja, sustentar-se no apoio da elite econ\u00f4mica para preservar suas posi\u00e7\u00f5es diante das graves den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o. Trata-se de um Congresso sob suspeita, com os chefes das duas Casas investigados por venda de Medidas Provis\u00f3rias para a Odebrecht.<\/p>\n<p>Por isso, a linha de manter as reformas para salvar o pesco\u00e7o pode prevalecer. A aposta, evidentemente, \u00e9 de alto risco. Significaria voltar as costas para 90% da sociedade brasileira, fechar os ouvidos e pisar no acelerador.<\/p>\n<p>Se assim o fizerem e colocarem as reformas na pauta de vota\u00e7\u00e3o, o resultado ser\u00e1 o aprofundamento do conflito social no Pa\u00eds. Um Congresso desmoralizado insistindo em aprovar medidas amplamente recha\u00e7adas pelo povo pode ser o estopim para convulsionar de vez as ruas e a conjuntura pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Neste caso, n\u00e3o restar\u00e1 outra alternativa aos movimentos sociais sen\u00e3o aumentar a contund\u00eancia das mobiliza\u00e7\u00f5es. Novas greves gerais poder\u00e3o ser convocadas. E principalmente o deslocamento do eixo de mobiliza\u00e7\u00f5es para Bras\u00edlia, com forte potencial de radicaliza\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o ser\u00e1 a radicaliza\u00e7\u00e3o de pequenos grupos, alvo f\u00e1cil para a estigmatiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica. \u00c9 poss\u00edvel que, pela primeira vez em d\u00e9cadas, vejamos o fen\u00f4meno de radicaliza\u00e7\u00e3o de massa no Brasil.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3ximos dias ser\u00e3o decisivos para definir qual ser\u00e1 o caminho na encruzilhada. E este caminho dar\u00e1 uma indica\u00e7\u00e3o do que ocorrer\u00e1 no pa\u00eds nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>https:\/\/www.cartacapital.com.br\/politica\/depois-da-greve-geral<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Guilherme Boulos Caso o Congresso continue a virar as costas para a sociedade e insista nas reformas, estar\u00e1 aberto o caminho para \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14288\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-14288","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-fora-temer"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3Is","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14288","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14288"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14288\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14288"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14288"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14288"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}