{"id":14310,"date":"2017-05-05T19:12:55","date_gmt":"2017-05-05T22:12:55","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=14310"},"modified":"2017-05-20T02:23:12","modified_gmt":"2017-05-20T05:23:12","slug":"karl-marx-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14310","title":{"rendered":"Karl Marx"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/proxy\/U0NZKo-L0CYTD8uBxgSExzDWwMyhsNBia5MCn2Q1BrHyJQpN5FosqcaIksdl1K0QfUYS1O24mgGOu8JgGHK3uQC6M9kM8u46t99BwJ0-8fxANRxvNvUbgw=s0-d-e1-ft#https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/tematica\/rev_prob\/img\/marx2.jpg\" alt=\"imagem\" \/><strong>V. I. L\u00eanin &#8211; Novembro de 1914<\/strong><\/p>\n<p>Karl Marx nasceu em 5 de maio de 1818, em Treves (Pr\u00fassia Renana). Seu pai, advogado israelita, converteu-se, em 1824, ao protestantismo. Sua fam\u00edlia, abastada e culta, n\u00e3o era<!--more--> revolucion\u00e1ria. Terminando os estudos no Liceu de Treves, Marx entrou para a Universidade de Bonn, indo depois para Berlim, onde estudou direito e, sobretudo, hist\u00f3ria e filosofia. Em 1841, terminava os seus estudos, sustentando uma tese de doutorado sobre a filosofia de Epicuro. Eram, ent\u00e3o, as concep\u00e7\u00f5es de Marx as de um hegeliano idealista. Fez parte, em Berlim, do c\u00edrculo dos &#8220;hegelianos de esquerda&#8221; (Bruno Bauer e outros), que procuravam extrair da filosofia de Hegel conclus\u00f5es ateias e revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Saindo da Universidade, Marx fixou-se em Bonn, onde contava com uma cadeira de professor. Mas a pol\u00edtica reacion\u00e1ria do mesmo governo que, em 1832, afastara Ludwig Feuerbach de sua c\u00e1tedra, e que, em 1836, recusava o seu retorno \u00e0 Universidade, e ainda, em 1841, proibia ao jovem professor Bruno Bauer realizar conferencias em Bonn, obrigou a Marx a renunciar \u00e0 carreira universit\u00e1ria. Nessa \u00e9poca, o desenvolvimento das id\u00e9ias hegelianas de esquerda estava em franco progresso na Alemanha. Particularmente, a partir de 1836, come\u00e7ou Ludwig Feuerbach a criticar a teologia e a se orientar para o materialismo que, em 1841, j\u00e1 aceitava inteiramente, como se verifica em a <em>A ess\u00eancia do cristianismo; <\/em>em 1843, eram publicados os seus <em>Princ\u00edpios da Filosofia do Futuro.<\/em><\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso ter experimentado em si mesmo a a\u00e7\u00e3o libertadora deste livro. N\u00f3s, isto \u00e9, os hegelianos de esquerda, inclusive Marx, fomos todos, em dado momento, &#8220;feuerbachianos&#8221;(1).<\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca, os burgueses radicais da Renania, que tinham certos pontos de contacto com os hegelianos de esquerda, fundaram, em Col\u00f4nia, um jornal de oposi\u00e7\u00e3o, a <em>Gazeta Renana, <\/em>que apareceu a partir de 1.\u00b0 de janeiro de 1842. Marx e Bruno Bauer foram os seus principais colaboradores e, em outubro de 1842, Marx tornou-se o seu redator-chefe, mudando-se ent\u00e3o de Bonn para Col\u00f4nia.<\/p>\n<p>Sob a dire\u00e7\u00e3o de Marx, a tend\u00eancia democr\u00e1tico-revolucion\u00e1ria acentuou-se cada vez mais e, em consequ\u00eancia, o governo submeteu o jornal a uma dupla e mesmo tripla censura, chegando a ordenar a sua suspens\u00e3o definitiva a partir de 1.\u00b0 de abril de 1843. Marx viu-se, ent\u00e3o, obrigado a abandonar seu posto de redator, mas isso n\u00e3o foi suficiente para salvar o jornal, que se viu obrigado a desaparecer em mar\u00e7o do mesmo ano. Entre os artigos publicados por Marx na <em>Gazeta <\/em><em>Renana, <\/em>Eng<wbr \/>els cita um a respeito das condi\u00e7\u00f5es dos viticultores do vale de Mosela. Suas atividades de jornalista, bastaram para mostrar a Marx que os seus conhecimentos de Economia Pol\u00edtica eram insuficientes, levando-o a estud\u00e1-la com ardor.<\/p>\n<p>Em 1843, Marx desposou, em Kreuznach, Jenny von Westphalen, que j\u00e1 era sua conhecida desde crian\u00e7a e com a qual j\u00e1 se havia comprometido desde o seu tempo de estudante. Sua esposa pertencia a uma fam\u00edlia nobre e reacion\u00e1ria da Pr\u00fassia. O irm\u00e3o mais velho de Jenny foi Ministro do Interior, na Pr\u00fassia, em uma das \u00e9pocas mais reacion\u00e1rias, de 1850 a 1858. No outono de 1843, Marx foi a Paris para editar uma revista radical ao lado de Arnold Ruge (1802-1880), hegeliano de esquerda, aprisionado de 1825 a 1830, emigrado depois de 1848 e partid\u00e1rio de Bismarck de 1866 a 1870. Mas apareceu somente o primeiro n\u00famero desta revista intitulada <em>Os Anais Franco-Alem\u00e3es. <\/em>Foi suspensa, devido \u00e0 dificuldade de sua difus\u00e3o clandestina na Alemanha e das diverg\u00eancias com Ruge. Nos artigos de Marx, publicados na revista, ele j\u00e1 nos aparece como um revolucion\u00e1rio que proclama &#8220;a cr\u00edtica implac\u00e1vel de tudo o que existe&#8221; e, em particular &#8220;a cr\u00edtica das armas&#8221; e apela <em>\u00e0s massas e ao proletariado.<\/em><\/p>\n<p>Em setembro de 1844, Frederico Engels veio a Paris por alguns dias e tornou-se o amigo mais \u00edntimo de Marx. Tiveram ambos a parte mais ativa na vida agitada dos grupos revolucion\u00e1rios da \u00e9poca, em Paris. A doutrina mais importante era a de Proudhon com que Marx acertou contas, categoricamente, na <em>A Mis\u00e9ria da Filosofia, <\/em>publicada em 1847. Numa luta cerrada contra as diversas doutrinas do socialismo pequeno-burgu\u00eas, Marx e Engels<wbr \/> elaboraram a teoria e a t\u00e1tica do <em>socialismo prolet\u00e1rio <\/em>revolucion\u00e1rio, ou o comunismo (marxismo). Em 1845, por exig\u00eancia do governo prussiano Marx foi expulso de Paris como revolucion\u00e1rio perigoso. Seguiu para Bruxelas. Na primavera de 1847, Marx e Engels filiaram-<wbr \/>se a uma sociedade secreta de propaganda, a <em>Liga dos Comunistas<\/em> e tomaram parte preponderante no 2.\u00b0 Congresso desta Liga em Londres, novembro de 1847. A pedido do Congresso, redigiram o imortal <em>Manifesto do Partido Comunista, <\/em>publicado em fevereiro de 1848 Esta obra exp\u00f5e, com clareza e precis\u00e3o geniais, a nova concep\u00e7\u00e3o do mundo, o materialismo consequente, que abrange tamb\u00e9m o dom\u00ednio da vida social, a dial\u00e9tica apresentada como a ci\u00eancia mais vasta e mais profunda da evolu\u00e7\u00e3o, a teoria da luta de classes e do papel revolucion\u00e1rio, hist\u00f3rico, mundial, do proletariado, criador de uma sociedade nova, a sociedade comunista.<\/p>\n<p>Deflagrada a revolu\u00e7\u00e3o de fevereiro de 1848, Marx foi expulso da B\u00e9lgica. Regressou a Paris, de onde saiu depois da revolu\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o, para voltar \u00e0 Alemanha e se fixar em Col\u00f4nia. Foi a\u00ed que apareceu, de 1\u00ba de junho de 1848 a 19 de maio de 1849, a <em>Nova Gazeta Renana <\/em>da qual foi redator-chefe. A nova teoria foi brilhantemente confirmada pelo curso dos acontecimentos revolucion\u00e1rios de 1848-1849, e, em seguida, por todos os movimentos prolet\u00e1rios e democr\u00e1ticos em todos os pa\u00edses do mundo. A contra-revolu\u00e7\u00e3o vitoriosa vingou-se de Marx, tendo ele sido detido em 9 de fevereiro de 1849 e expulso, em 16 de maio do mesmo ano, da Alemanha. O mesmo aconteceu em Paris, de onde foi igualmente expulso, depois da manifesta\u00e7\u00e3o de 13 de junho. Partiu ent\u00e3o para Londres, onde viveu at\u00e9 o fim de seus dias.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es dessa sua vida de emigrado eram extremamente penosas, como o revela, com uma clareza particular, a correspond\u00eancia entre Marx e Engels, editada em 1913. Marx e sua fam\u00edlia viviam literalmente esmagados pela mis\u00e9ria; sem o apoio constante e devotado de Engels, Marx n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o teria podido completar <em>O Capital, <\/em>como ainda teria sucumbido \u00e0 mis\u00e9ria. Sem d\u00favida, as doutrinas e as correntes predominantes do socialismo pequeno-burgu\u00eas, do socialismo n\u00e3o prolet\u00e1rio em geral, obrigavam Marx a manter uma luta implac\u00e1vel, incessante, que chegava \u00e1s vezes aos ataques pessoais mais furiosos e mais absurdos <em>Herr Vogt<\/em>(2). Mantendo-se \u00e1 margem dos c\u00edrculos de emigrados, Marx elaborou, numa s\u00e9rie de trabalhos hist\u00f3ricos, sua teoria materialista, aplicada sobretudo \u00e0 economia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A \u00e9poca do recrudescimento dos movimentos democr\u00e1ticos, do fim da d\u00e9cada 1850-1860, chamou Marx ao trabalho pr\u00e1tico. Foi, em 28 de setembro de 1864 que se fundou, em Londres, a Primeira Internacional, a Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores. Marx foi a alma, e igualmente o autor de seu primeiro apelo e de um grande n\u00famero de resolu\u00e7\u00f5es, declara\u00e7\u00f5es e manifestos. Agrupando o movimento oper\u00e1rio de diversos pa\u00edses, procurando orientar, pela via comum da atividade, as diferentes formas do socialismo n\u00e3o prolet\u00e1rio, pr\u00e9-marxista (Mazzini, Proudhon, Bakunine, o trade-unionismo liberal ingl\u00eas, as oscila\u00e7\u00f5es para a direita dos lassallianos, na Alemanha, etc), combatendo as teorias de todas as seitas e escolas, Marx forjou uma t\u00e1tica \u00fanica para a luta prolet\u00e1ria da classe oper\u00e1ria nos diferentes pa\u00edses. Depois da queda da Comuna de Paris (1871), sobre a qual Marx na <em>Guerra Civil em Fran\u00e7a, <\/em>se pronunciou em termos t\u00e3o penetrantes, felizes e brilhantes, como revolucion\u00e1rio e como homem de a\u00e7\u00e3o, e depois da cis\u00e3o da Internacional, por obra dos bakuninistas, ela n\u00e3o p\u00f4de subsistir na Europa. Em seguida ao Congresso de 1872, em Haia, Marx conseguiu a transfer\u00eancia do Conselho Geral para Nova York. A I\u00aa Internacional tinha cumprido sua miss\u00e3o hist\u00f3rica e cedia lugar a uma \u00e9poca de desenvolvimento incompar\u00e1vel do movimento oper\u00e1rio em todos os pa\u00edses \u2014 \u00e9poca de seu desenvolvimento em <em>amplitude, <\/em>com a forma\u00e7\u00e3o de partidos oper\u00e1rios socialistas de <em>massa, <\/em>nos limites dos diversos Estados Nacionais.<\/p>\n<p>A intensa atividade na Internacional e seus trabalhos te\u00f3ricos, que lhe exigiam esfor\u00e7os ainda maiores, afetaram a sa\u00fade de Marx. Continuou sua obra de transforma\u00e7\u00e3o da economia pol\u00edtica e a finaliza\u00e7\u00e3o de <em>O Capital, <\/em>acumulando num volume quantidade imensa de documentos novos e estudando v\u00e1rias l\u00ednguas (o russo, por exemplo). Mas a mol\u00e9stia o impediu de terminar esse seu livro.<\/p>\n<p>Em 2 de dezembro de 1881, faleceu sua esposa. Em 14 de mar\u00e7o de 1883, morreu placidamente em sua poltrona. Foi enterrado, com sua mulher e sua devotada empregada, Helena Demuth, que se tinha tornado quase que um membro da fam\u00edlia, no Cemit\u00e9rio de Highgate, em Londres.<\/p>\n<p><strong>A Doutrina Filos\u00f3fica e Social de Marx<\/strong><\/p>\n<p>O marxismo \u00e9 o conjunto das id\u00e9ias e da doutrina de Marx.<\/p>\n<p>Marx foi quem continuou, completou e reuniu, num s\u00f3 corpo de doutrina, genialmente, as tr\u00eas principais correntes de id\u00e9ias do s\u00e9culo XIX, provindas de tr\u00eas na\u00e7\u00f5es, as mais avan\u00e7adas da humanidade: a filosofia cl\u00e1ssica alem\u00e3, a economia pol\u00edtica cl\u00e1ssica inglesa e o socialismo franc\u00eas, ligado \u00e0s doutrinas revolucion\u00e1rias francesas, em geral. A l\u00f3gica not\u00e1vel e o conjunto rigoroso de suas id\u00e9ias, reconhecidos pelos pr\u00f3prios advers\u00e1rios de Marx \u2014 que, no seu conjunto, constituem o materialismo moderno e o socialismo cient\u00edfico moderno, como teoria e como programa do movimento oper\u00e1rio de todos os pa\u00edses civilizados \u2014 nos obrigam a fazer, antes da exposi\u00e7\u00e3o do conte\u00fado essencial do marxismo, que est\u00e1 na doutrina econ\u00f4mica de Marx, um breve esbo\u00e7o de sua concep\u00e7\u00e3o geral.<\/p>\n<p><strong>O Materialismo Filos\u00f3fico<\/strong><\/p>\n<p>A partir de 1844-1845, anos em que tomavam forma suas id\u00e9ias. Marx foi materialista; foi, em particular, adepto de Feuerbach, no qual, mesmo mais tarde, ele n\u00e3o reconhecia pontos fracos, exceto na insufici\u00eancia da l\u00f3gica e na falta de amplitude de seu materialismo. Marx reconheceu o papel hist\u00f3rico mundial de Feuerbach, que &#8220;fez \u00e9poca&#8221;, justamente no seu rompimento decisivo com o idealismo de Hegel e na sua afirma\u00e7\u00e3o do materialismo.<\/p>\n<p>Marx escreveu ent\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8220;A filosofia francesa do s\u00e9culo XVIII e, notadamente, o materialismo franc\u00eas n\u00e3o foram somente uma luta contra as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas existentes, mas tamb\u00e9m contra a religi\u00e3o e a teologia dominante, e, ainda&#8230; contra toda a metaf\u00edsica, tomada no sentido de uma &#8220;especula\u00e7\u00e3o entravada&#8221; em oposi\u00e7\u00e3o a &#8220;uma filosofia racional&#8221;(3).<\/p>\n<p>&#8220;Para Hegel, escrevia Marx, o processo do pensamento, do qual ele faz, mesmo sob o nome de id\u00e9ia, um sujeito aut\u00f4nomo, \u00e9 um demiurgo, o criador do real&#8230; Para mim, ao contr\u00e1rio, a id\u00e9ia n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o mundo material transposto e traduzido no c\u00e9rebro humano&#8221;(4).<\/p>\n<p>Em perfeito acordo com esta filosofia materialista de Marx, F. Engels, ao exp\u00f4-la no <em>Anti-D\u00fchring, <\/em>que Marx <wbr \/>tinha lido ainda no manuscrito, escrevia:<\/p>\n<p>&#8220;A unidade do mundo n\u00e3o consiste no seu ser&#8230; A unidade real do mundo consiste na sua materialidade, e esta \u00faltima \u00e9 provada&#8230; por uma longa e laboriosa evolu\u00e7\u00e3o da filosofia e das ci\u00eancias da natureza&#8230;(5) <em>O movimento \u00e9 o modo da exist\u00eancia, a maneira de ser da mat\u00e9ria. <\/em>Nunca e em nenhum lugar houve, e n\u00e3o pode haver, mat\u00e9ria sem movimento&#8230;(6) A mat\u00e9ria sem movimento \u00e9 t\u00e3o inconceb\u00edvel quanto o movimento sem mat\u00e9ria&#8230;(7).<\/p>\n<p>Mas, se se pergunta, depois disso, que s\u00e3o o pensamento e a consci\u00eancia e de onde prov\u00eam, conclui-se que s\u00e3o produtos do c\u00e9rebro humano e que o pr\u00f3prio homem \u00e9 um produto da natureza, tendo-se desenvolvido no seu meio. Com ele, ent\u00e3o, fica-se sabendo que os produtos do seu c\u00e9rebro, que, em \u00faltima an\u00e1lise, s\u00e3o produtos da natureza, n\u00e3o est\u00e3o em contradi\u00e7\u00e3o, mas em correspond\u00eancia com o resto da natureza, em suas m\u00fatuas rela\u00e7\u00f5es&#8230;(8) Hegel era idealista, isto \u00e9, para ele, as id\u00e9ias de seu c\u00e9rebro n\u00e3o eram as c\u00f3pias (no original: <em>Abbilder; <\/em>\u00e0s vezes Engels fala de &#8220;reprodu\u00e7\u00e3o&#8221;: <em>Ab<\/em><em>klatsch)<\/em>, mais ou menos abstratas dos objetos e dos fen\u00f4menos reais, mas, ao contr\u00e1rio&#8230; os objetos e sua evolu\u00e7\u00e3o, para ele, n\u00e3o eram sen\u00e3o as imagens realizadas da Id\u00e9ia, que j\u00e1 existia, n\u00e3o sei onde, da exist\u00eancia do mundo&#8221;(9).<\/p>\n<p>No seu livro <em>Ludwig <\/em><em>Feuerbach, <\/em>onde exp\u00f5e suas pr\u00f3prias id\u00e9ias, e as de Marx sobre a filosofia de Feuerbach, e que ele n\u00e3o enviou \u00e0 tipografia antes de ter relido ainda uma vez o velho manuscrito de 1844-1845, escrito em colabora\u00e7\u00e3o com Marx sobre Hegel, <em>Feuerbac<wbr \/>h e a concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria, <\/em>Engels escreve:<\/p>\n<p>&#8220;A grande quest\u00e3o fundamental de toda a filosofia, e especialmente da filosofia moderna, \u00e9 a da rela\u00e7\u00e3o do pensamento com o ser. Qual \u00e9 o elemento primordial: o esp\u00edrito ou a natureza&#8230;?<\/p>\n<p>Conforme respondam de tal ou qual modo a esta quest\u00e3o, os fil\u00f3sofos se dividem em dois grandes campos. Os que afirmam o car\u00e1ter primordial do esp\u00edrito, em rela\u00e7\u00e3o com a mat\u00e9ria, e que admitem, por conseguinte, uma cria\u00e7\u00e3o do mundo, de qualquer forma&#8230; constituem o campo do idealismo. Os outros, que consideram a natureza como elemento primordial, pertencem \u00e0s diferentes escolas do materialismo&#8221;(10).<\/p>\n<p>Qualquer outro modo de conceber o idealismo e o materialismo (no sentido filos\u00f3fico) n\u00e3o faz nada mais que criar confus\u00e3o; Marx repelia, categ\u00f2ricamente, n\u00e3o somente o idealismo, sempre ligado, de um modo ou de outro, \u00e0 religi\u00e3o, mas tamb\u00e9m o ponto de vista, particularmente difundido em nossos dias, de Hume e de Kant, o agnosticismo, o criticismo, o positivismo sob seus diferentes aspectos, considerando este g\u00eanero de filosofia como uma concess\u00e3o &#8220;reacion\u00e1ria&#8221; ao idealismo e, quando muito, como &#8220;um modo vergonhoso de aceitar o materialismo \u00e0s escondidas, renegando-o publicamente&#8221;.<\/p>\n<p>Deve-se consultar sobre esse assunto, al\u00e9m das obras de Engels e de Marx j\u00e1 mencionadas, a carta deste \u00faltimo a Engels, datada de 12 de dezembro de 1866, em que ele fala do c\u00e9lebre naturalista T. Huxley, que novamente se mostrou &#8220;mais materialista, nos \u00faltimos anos&#8221; e reconheceu que<\/p>\n<p>&#8220;quanto mais observamos realmente e quanto mais pensamos, n\u00e3o podemos jamais sair do materialismo&#8221;(11).<\/p>\n<p>Marx critica-o por ter &#8220;aberto uma nova porta secreta&#8221; para o agnosticismo e para a teoria de Hume. Importa-nos sobretudo guardar a opini\u00e3o de Marx sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a liberdade e a necessidade:<\/p>\n<p>&#8220;A liberdade consiste em compreender a necessidade. <em>A <\/em><em>necessidade s\u00f3 <\/em><em>\u00e9 <\/em><em>cega <\/em><em>quando <\/em><em>n\u00e3o compreendida&#8221;<\/em>(12).<\/p>\n<p>\u00c9, pois, o reconhecimento da conformidade da natureza \u00e0s leis objetivas, ao mesmo tempo que a transforma\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica da necessidade em liberdade (a transforma\u00e7\u00e3o da &#8220;coisa em si&#8221;, n\u00e3o concebida, mas conceb\u00edvel numa &#8220;coisa para n\u00f3s&#8221;, transforma\u00e7\u00e3o, enfim da &#8220;ess\u00eancia das coisas&#8221; em &#8220;fen\u00f4menos&#8221;. Para Marx e Engels, o defeito essencial do &#8220;antigo&#8221; materialismo, inclusive o de Feuerbach (e, com mais forte raz\u00e3o, o materialismo &#8220;vulgar&#8221; de B\u00fcchner\u2014Vogt\u2014Moleschott), se resume em tr\u00eas pontos:<\/p>\n<ol>\n<li>\u2014 este materialismo era &#8220;essencialmente mec\u00e2nico&#8221; e n\u00e3o tomava em considera\u00e7\u00e3o o desenvolvimento mais recente da qu\u00edmica e da biologia (em nossos dias, conviria incluir ainda a teoria dos el\u00e9trons);<\/li>\n<li>\u2014 o antigo materialismo n\u00e3o era nem hist\u00f3rico nem dial\u00e9tico, mas metaf\u00edsico, no sentido de anti-dial\u00e9tico e n\u00e3o aplicava o ponto de vista da evolu\u00e7\u00e3o de modo consequente e em todas as suas rela\u00e7\u00f5es;<\/li>\n<li>\u2014 Concebia o &#8220;ser humano&#8221; como uma abstra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o como um &#8220;conjunto de rela\u00e7\u00f5es sociais&#8221; (concretamente determinadas pela hist\u00f3ria, n\u00e3o fazendo desse modo sen\u00e3o &#8220;interpretar o mundo&#8221;, enquanto o que se tratava era de &#8220;transform\u00e1-lo&#8221;; em outros termos, esse materialismo n\u00e3o compreendia bem o alcance da &#8220;atividade revolucion\u00e1ria pr\u00e1tica&#8221;.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>A Dial\u00e9tica<\/strong><\/p>\n<p>Marx e Engels viam na dial\u00e9tica de Hegel a doutrina da evolu\u00e7\u00e3o, a mais vasta, a mais fecunda, a mais profunda, a maior aquisi\u00e7\u00e3o da filosofia cl\u00e1ssica alem\u00e3. Qualquer outra forma do princ\u00edpio do desenvolvimento da evolu\u00e7\u00e3o, lhes parecia unilateral, pobre, mutilado e estropiando a marcha real da evolu\u00e7\u00e3o (marcada \u00e0s vezes por saltos, cat\u00e1strofes, revolu\u00e7\u00f5es) na natureza e na sociedade.<\/p>\n<p>&#8220;Eu e Marx fomos, sem d\u00favida, quase os \u00fanicos a salvar da filosofia idealista alem\u00e3, a dial\u00e9tica consciente, fazendo-a passar para a nossa concep\u00e7\u00e3o materialista da natureza e da hist\u00f3ria(13)&#8230; A natureza \u00e9 a pedra de toque da dial\u00e9tica e \u00e9 preciso dizer que as ci\u00eancias modernas da natureza forneceram para esta passagem materiais extremamente ricos (isso foi escrito antes da descoberta do<br \/>\nradium, dos el\u00e9trons, da transforma\u00e7\u00e3o dos elementos, etc),(14), cujo volume aumenta todos os dias e que provaram, desse modo, que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a natureza procede dial\u00e9tica e n\u00e3o metafisicamente(15).<\/p>\n<p>Engels escreveu:<\/p>\n<p>&#8220;A grande id\u00e9ia fundamental, segundo a qual o mundo n\u00e3o deve ser considerado como um complexo de <em>coisas <\/em>acabadas, mas como um complexo de <em>processos <\/em>em que as coisas, est\u00e1veis aparentemente, tanto quanto os seus reflexos intelectuais no nosso c\u00e9rebro, as id\u00e9ias, passam por uma varia\u00e7\u00e3o ininterrupta de vir-a-ser e de decad\u00eancia, em que, finalmente, apesar de todos os aparentes acasos e de todas as reviravoltas moment\u00e2neas, um desenvolvimento progressivo acaba por aparecer; esta grande id\u00e9ia fundamental, principalmente depois de Hegel, penetrou t\u00e3o profundamente na consci\u00eancia comum que ela, sob esta forma geral, j\u00e1 n\u00e3o encontra mais contradi\u00e7\u00f5es. Mas s\u00e3o coisas diferentes reconhec\u00ea-la em palavra e aplic\u00e1-la na realidade, no detalhe, em cada dom\u00ednio submetido \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o&#8230;(16).<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 nada de definitivo, de absoluto, de sagrado, diante da dial\u00e9tica. Ela nos mostra a caducidade de todas as coisas e em todas as coisas, e nada existe para ela sen\u00e3o o processo ininterrupto de vir-a-ser e do transit\u00f3rio, da ascens\u00e3o sem fim do inferior para o superior, da qual ela pr\u00f3pria n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o reflexo do c\u00e9rebro humano&#8221;(17).<\/p>\n<p>Assim, segundo Marx, a dial\u00e9tica \u00e9<\/p>\n<p>&#8220;a ci\u00eancia das leis gerais do movimento tanto do mundo exterior como do pensamento humano&#8221;.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o aspecto revolucion\u00e1rio da filosofia de Hegel, que Marx adotou e desenvolveu. \u00c9 o materialismo dial\u00e9tico.<\/p>\n<p>&#8220;&#8230;n\u00e3o se trata mais de uma filosofia colocada fora das outras ci\u00eancias. De toda a filosofia antiga, o que subsiste e conserva uma exist\u00eancia pr\u00f3pria \u00e9 a teoria do pensamento e de suas leis, a l\u00f3gica formal e a&#8217; dial\u00e9tica&#8221;(18).<\/p>\n<p>Tanto na concep\u00e7\u00e3o de Marx, como na de Hegel, a dial\u00e9tica compreende aquilo que hoje chamamos de teoria do conhecimento ou gnosiologia, cujo objetivo abrange igualmente o ponto de vista hist\u00f3rico. A dial\u00e9tica, pelo estudo e generaliza\u00e7\u00e3o da origem e do desenvolvimento do conhecimento, deve proceder \u00e0 passagem da <em>ignor\u00e2ncia <\/em>para o conhecimento.<\/p>\n<p>Em nossa \u00e9poca, a id\u00e9ia do desenvolvimento, da evolu\u00e7\u00e3o, penetrou quase inteiramente na consci\u00eancia social, mas por uma outra via que n\u00e3o a da filosofia de Hegel. Entretanto, esta id\u00e9ia, tal como a formularam Marx e Engels, apoiando-se em Hegel, \u00e9 muito mais vasta, mais rica de conte\u00fado, que a id\u00e9ia corrente de evolu\u00e7\u00e3o. Uma evolu\u00e7\u00e3o que parece reproduzir est\u00e1gios j\u00e1 conhecidos, mas sob outra forma, num grau mais elevado (&#8220;nega\u00e7\u00e3o da nega\u00e7\u00e3o&#8221;), uma evolu\u00e7\u00e3o por assim dizer em espiral e n\u00e3o em linha reta, uma evolu\u00e7\u00e3o por arrancos, por cat\u00e1strofes, por revolu\u00e7\u00f5es, &#8220;interrup\u00e7\u00f5es na marcha progressiva&#8221;, a transforma\u00e7\u00e3o da quantidade em qualidade, o impulso interno para o desenvolvimento, provocado pelo contraste, pelo choque de for\u00e7as e tend\u00eancias diversas, agindo sobre um determinado corpo, nos limites de um determinado fen\u00f4meno, ou no seio de uma determinada sociedade; a interdepend\u00eancia e a liga\u00e7\u00e3o estreita indissol\u00favel de <em>todos <\/em>os aspectos de um s\u00f3 e \u00fanico fen\u00f4meno (pois a hist\u00f3ria de fato se renova sem jamais se repetir), liga\u00e7\u00e3o que reflete o processo universal do movimento regido por leis, tais s\u00e3o alguns aspectos da dial\u00e9tica, dessa doutrina da evolu\u00e7\u00e3o, mais rica que a doutrina popular. (Ver carta de Marx a Engels, de 8 de janeiro de 1868, em que ironiza as &#8220;tricotomias r\u00edgidas&#8221; de Stein, que seria absurdo confundir com a dial\u00e9tica materialista.<\/p>\n<p><strong>A Concep\u00e7\u00e3o Materialista da Hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>Consciente da falta de l\u00f3gica, do car\u00e1ter inacabado e unilateral do velho materialismo, Marx convenceu-<wbr \/>se de que faltava<\/p>\n<p>&#8220;p\u00f4r a ci\u00eancia da sociedade de acordo&#8230; com a base materialista e reconstru\u00ed-la, apoiando-se nesta base&#8221;(19).<\/p>\n<p>Se, de um modo geral, o materialismo explica a consci\u00eancia pelo ser, e n\u00e3o de maneira inversa, ele, aplicado \u00e0 vida social da humanidade, exige que se explique a consci\u00eancia <em>social <\/em>pelo ser <em>social.<\/em><\/p>\n<p>&#8220;A tecnologia revela a atividade do homem frente \u00e0 natureza, o processo imediato de produ\u00e7\u00e3o da sua vida e, em seguida, suas condi\u00e7\u00f5es sociais e os conceitos intelectuais que nelas brotam&#8221;(20).<\/p>\n<p>Uma express\u00e3o das teses fundamentais do materialismo aplicado \u00e0 sociedade humana e \u00e0 sua historia \u00e9 dada por Marx no pref\u00e1cio de sua obra <em>Contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 critica da Economia Pol\u00edtica<\/em><em>, <\/em>nos seguintes termos:<\/p>\n<p>&#8220;Na produ\u00e7\u00e3o social de sua exist\u00eancia, os homens entram em rela\u00e7\u00f5es determinadas, necess\u00e1rias, independentes de sua vontade; essas rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o correspondem a um determinado grau de desenvolvimento de suas for\u00e7as produtivas. O conjunto dessas rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o constitui a estrutura econ\u00f4mica da sociedade, a base real sobre a qual se eleva uma superestrutura jur\u00eddica e pol\u00edtica, e a qual correspondem formas determinadas de consci\u00eancia social. O modo de produ\u00e7\u00e3o da vida material condiciona o processo da vida social, pol\u00edtica e intelectual em geral. N\u00e3o e a consci\u00eancia do homem que determina o seu ser social.<\/p>\n<p>Num determinado estagio de seu desenvolvimento, as for\u00e7as produtivas da sociedade entram em contradi\u00e7\u00e3o com as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o existentes ou, o que n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a sua express\u00e3o jur\u00eddica, com as rela\u00e7\u00f5es de propriedade no interior das quais elas estavam presas at\u00e9 ent\u00e3o. De formas de desenvolvimento das for\u00e7as produtivas que elas eram, estas rela\u00e7\u00f5es tornam-se entraves a estas for\u00e7as. Ent\u00e3o, inaugura-se uma era de revolu\u00e7\u00e3o social. A mudan\u00e7a, que se produziu na base econ\u00f4mica, subverte, com maior ou menor lentid\u00e3o ou rapidez, toda a enorme superestrutura. Quando se consideram tais subvers\u00f5es, \u00e9 preciso distinguir sempre, entre a subvers\u00e3o material das condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u2014 que se deve; constatar fielmente com a ajuda das ci\u00eancias da natureza \u2014 e as formas jur\u00eddicas, pol\u00edticas, religiosas, art\u00edsticas, ou filos\u00f3ficas, ou seja, as formas ideol\u00f3gicas sob as quais os homens tomam consci\u00eancia deste conflito e o levam ao seu termo. Assim como n\u00e3o se pode julgar o indiv\u00edduo pela id\u00e9ia que faz de si mesmo, tamb\u00e9m n\u00e3o se poderia julgar essa \u00e9poca de subvers\u00e3o pela consci\u00eancia que toma de si pr\u00f3pria, sendo preciso, pelo contrario, explicar esta consci\u00eancia peias contradi\u00e7\u00f5es da vida material, pelo conflito que existe entre as for\u00e7as produtivas sociais e as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o&#8230; Esbo\u00e7ados em largos tra\u00e7os, os modos de produ\u00e7\u00e3o asi\u00e1tico, antigo, feudal e burgu\u00eas moderno, podem ser designados como tantas outras \u00e9pocas progressivas da forma\u00e7\u00e3o social-econ\u00f4mica&#8221;(21). (Ver a resumida f\u00f3rmula que Marx exp\u00f5e, em sua carta a Engels, em 7 de julho de 1866: &#8220;Nossa teoria sobre a determina\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o do trabalho por meio da produ\u00e7\u00e3o&#8221;(22).)<\/p>\n<p>A concep\u00e7\u00e3o materialista da historia ou, mais exatamente, a aplica\u00e7\u00e3o e a consequente extens\u00e3o do materialismo ao dom\u00ednio dos fen\u00f4menos sociais, eliminou dois defeitos essenciais das teorias hist\u00f3ricas anteriores. Em primeiro lugar, estas consideravam, quando muito os moveis ideol\u00f3gicos da atividade hist\u00f3rica dos homens, sem pesquisar o que \u00e9 que faz nascer esses m\u00f3veis, sem perquirir as leis objetivas que presidem o desenvolvimento do sistema das rela\u00e7\u00f5es sociais e sem examinar as ra\u00edzes dessas rela\u00e7\u00f5es e o grau de desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o material. Em segundo lugar, negligenciavam, precisamente, a a\u00e7\u00e3o das massas, enquanto o materialismo hist\u00f3rico \u00e9 o primeiro que se prop\u00f5e estudar, com a precis\u00e3o das ci\u00eancias naturais, as condi\u00e7\u00f5es sociais de vida das massas e as modifica\u00e7\u00f5es destas condi\u00e7\u00f5es. A &#8220;sociologia&#8221; e a historiografia anteriores a Marx acumulavam, na melhor das hip\u00f3teses, fatos brutos, recolhidos ao l\u00e9u, e expunham certos aspectos do processo hist\u00f3rico. O marxismo abriu o caminho para um estudo vasto e universal do processo do nascimento, do desenvolvimento e do decl\u00ednio das forma\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas, examinando o <em>conjunto <\/em>das tend\u00eancias contradit\u00f3rias, ligando-as \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia e de produ\u00e7\u00e3o, bem determinadas, das diversas <em>classes <\/em>da sociedade, afastando o subjetivismo e a arbitrariedade na escolha das id\u00e9ias &#8220;diretrizes&#8221; e na sua interpreta\u00e7\u00e3o, revelando a &#8220;origem&#8221; de todas as id\u00e9ias e de todas as tend\u00eancias diferentes, sem exce\u00e7\u00e3o, no estado das for\u00e7as produtivas materiais. Os homens s\u00e3o os art\u00edfices de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, mas, que causas determinam os m\u00f3veis dos homens e, mais, precisamente, das massas humanas? Qual \u00e9 a causa dos conflitos, das id\u00e9ias e das aspira\u00e7\u00f5es opostas? Que representa o conjunto destes conflitos da massa das sociedades humanas, quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es objetivas da produ\u00e7\u00e3o da vida material, sobre as quais toda a atividade hist\u00f3rica dos homens est\u00e1 baseada? Marx orientou a sua aten\u00e7\u00e3o para todos esses problemas e tra\u00e7ou o caminho para o estudo cient\u00edfico da hist\u00f3ria concebida como um processo \u00fanico, regido por leis, apesar de sua variedade prodigiosa e de todas as suas contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>A Luta de Classes<\/strong><\/p>\n<p>Sabe-se que, em todas as sociedades, as aspira\u00e7\u00f5es de uns se chocam com as de outros, que a vida social \u00e9 cheia de contradi\u00e7\u00f5es, que a hist\u00f3ria nos revela a luta entre povos e sociedades, bem como, no seio de cada povo e de cada sociedade; que nos mostra, al\u00e9m disso, uma sucess\u00e3o de per\u00edodos de revolu\u00e7\u00e3o e de rea\u00e7\u00e3o, de paz e de guerra, de estagna\u00e7\u00e3o e de progresso r\u00e1pido, ou de decad\u00eancia. O marxismo descobriu o fio condutor que, neste labirinto e neste caos aparente, permite descobrir a exist\u00eancia de leis: a teoria da luta de classes. S\u00f3 o estudo do conjunto das aspira\u00e7\u00f5es de todos os membros de uma sociedade, ou de todo um grupo de sociedades, permite definir, com uma precis\u00e3o cient\u00edfica, o resultado destas aspira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ora, as aspira\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias nascem da diferen\u00e7a de situa\u00e7\u00e3o e de condi\u00e7\u00e3o de vida das <em>classes <\/em>de que se comp\u00f5e toda a sociedade.<\/p>\n<p>&#8220;A hist\u00f3ria de toda a sociedade, at\u00e9 os nossos dias \u2014 escreveu Marx, no <em>Manifesto do Partido Comunista, <\/em>exceto a hist\u00f3ria das comunidades primitivas, acrescentara Engels, mais tarde, \u2014 n\u00e3o tem<br \/>\nsido mais que a hist\u00f3ria da luta de classes.<\/p>\n<p>Homem livre e escravo, patr\u00edcio e plebeu, bar\u00e3o e servo, mestre e companheiro, numa palavra, opressores e oprimidos, em oposi\u00e7\u00e3o constante, mantiveram uma guerra ininterrupta, ora dissimulada, ora aberta, uma guerra que acabava sempre, ou por uma transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da sociedade inteira, ou pela destrui\u00e7\u00e3o das duas classes em luta&#8230;<\/p>\n<p>A sociedade burguesa moderna, elevada sobre as ru\u00ednas da sociedade feudal, n\u00e3o aboliu os antagonismos de classes. N\u00e3o fez mais que substituir por novas classes, por novas condi\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o, por novas formas de luta, as de outrora. Entretanto, o car\u00e1ter distintivo de nossa \u00e9poca, da \u00e9poca da burguesia, \u00e9 o de ter simplificado os antagonismos de classe. A sociedade se divide, cada vez mais, em dois grandes campos opostos, em duas grandes classes, declaradamente inimigas: a Burguesia e o Proletariado&#8221;(23).<\/p>\n<p>Depois da grande Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, a hist\u00f3ria da Europa revelou, em numerosos pa\u00edses, com uma evid\u00eancia marcante, a verdadeira causa dos acontecimentos \u2014 a luta de classes. J\u00e1 na \u00e9poca da Restaura\u00e7\u00e3o, apareceram, na Fran\u00e7a, alguns historiadores (Thierry, Guizot, Mignet, Thie<wbr \/>rs), que, generalizando os acontecimentos, n\u00e3o puderam deixar de reconhecer que a luta de classes \u00e9 a chave de toda a hist\u00f3ria da Fran\u00e7a. Por\u00e9m, a \u00e9poca mais recente, com a vit\u00f3ria completa da burguesia, das institui\u00e7\u00f5es representativas, do sufr\u00e1gio ampliado (ou universal), dos jornais di\u00e1rios a pre\u00e7os baixos e que penetram nas massas, etc, a \u00e9poca das associa\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias poderosas e cada vez maiores e das associa\u00e7\u00f5es patronais, etc, mostrou, com maior evid\u00eancia ainda, embora \u00e0s vezes sob uma forma unilateral, &#8220;pac\u00edfica&#8221;, &#8220;constitucional&#8221;, que a luta de classes \u00e9 o motor dos acontecimentos. O seguinte trecho do <em>Manifesto Comunista, <\/em>de Marx, mostra-nos o que ele esperava da sociologia do ponto de vista da an\u00e1lise objetiva da situa\u00e7\u00e3o de cada classe, no seio da sociedade moderna, em liga\u00e7\u00e3o com a an\u00e1lise das condi\u00e7\u00f5es do desenvolvimento desta classe:<\/p>\n<p>&#8220;De todas as classes que, no momento presente, se acham frente a frente \u00e0 burguesia, s\u00f3 o proletariado \u00e9 uma classe verdadeiramente revolucion\u00e1ria. As outras classes arriscam-se e acabam por se arruinar com o advento da grande ind\u00fastria; o proletariado, ao contr\u00e1rio, \u00e9 o seu produto mais especial.<\/p>\n<p>&#8220;As classes m\u00e9dias, pequenos fabricantes, varejistas, artes\u00e3os, camponeses, combatem a burguesia porque ela \u00e9 uma amea\u00e7a contra a sua exist\u00eancia, como classes m\u00e9dias. Entretanto, elas n\u00e3o s\u00e3o revolucion\u00e1rias mas conservadoras; e ainda mais, elas s\u00e3o reacion\u00e1rias; elas procuram fazer com que a hist\u00f3ria caminhe para tr\u00e1s. Se elas agem revolucionariamente \u00e9 com receio de cair no proletariado; elas defendem ent\u00e3o seus interesses futuros e n\u00e3o seus interesses atuais, abandonando, portanto, o seu pr\u00f3prio ponto de vista para aceitar o do proletariado&#8221;(24).<\/p>\n<p>Numa s\u00e9rie de obras hist\u00f3ricas, Marx deu exemplos brilhantes e profundos de historiografia materialista, pela an\u00e1lise da condi\u00e7\u00e3o de cada classe particular e mesmo de diversas categorias ou camadas no seio de uma classe, mostrando, com evid\u00eancia, por que e como &#8220;toda a luta de classes \u00e9 uma luta pol\u00edtica&#8221;. O trecho que acabamos de citar indica claramente qu\u00e3o complicada \u00e9 a tessitura das rela\u00e7\u00f5es sociais e dos graus <em>transit\u00f3rios <\/em>entre uma classe e outra, entre o passado e o futuro, conforme analisou Marx, a fim de esclarecer a resultante de toda a evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>A teoria de Marx encontra sua confirma\u00e7\u00e3o e sua aplica\u00e7\u00e3o mais profunda, mais absoluta e mais detalhada, na sua doutrina econ\u00f4mica.<\/p>\n<p><strong>A Doutrina Econ\u00f4mica de Marx<\/strong><\/p>\n<p>O objetivo final desta obra, diz Marx no seu Pref\u00e1cio de <em>O Capital, <\/em>\u00e9 desvendar a lei econ\u00f4mica da evolu\u00e7\u00e3o da sociedade moderna&#8221;(25), isto \u00e9, da sociedade capitalista, da sociedade burguesa. O estudo das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o de uma sociedade determinada, historicamente determinada em seu nascimento, em seu desenvolvimento e em seu decl\u00ednio, tal \u00e9 o conte\u00fado da doutrina econ\u00f4mica de Marx. Reina na sociedade capitalista a produ\u00e7\u00e3o de <em>mercadorias; <\/em>por isso, a an\u00e1lise de Marx come\u00e7a pela an\u00e1lise da mercadoria.<\/p>\n<p><strong>O Valor<\/strong><\/p>\n<p>A mercadoria \u00e9, em primeiro lugar, uma coisa que satisfaz uma necessidade qualquer do homem; em segundo lugar, \u00e9 uma coisa que se pode trocar por outra. A utilidade de uma coisa constitu\u00ed o seu <em>valor de uso. O <\/em>valor de troca (ou valor, simplesmente) \u00e9, em primeiro lugar, a rela\u00e7\u00e3o, a propor\u00e7\u00e3o, na troca de um certo n\u00famero de valores de uso de uma esp\u00e9cie qualquer, contra um certo n\u00famero de valores de uso de uma outra esp\u00e9cie. A experi\u00eancia di\u00e1ria mostra-nos que milh\u00f5es e bilh\u00f5es de tais trocas, sem cessar, estabelecem rela\u00e7\u00f5es de equival\u00eancia, entre valores de uso os mais diversos e dessemelhantes. Que h\u00e1 de comum entre essas coisas diferentes, continuamente comparadas umas com as outras, num sistema determinado de rela\u00e7\u00f5es sociais? O que elas t\u00eam de comum \u00e9 o fato de serem <em>produtos do trabalho. <\/em>Trocando seus produtos, os homens criam rela\u00e7\u00f5es de equival\u00eancia entre as esp\u00e9cies mais diversas de trabalho. A produ\u00e7\u00e3o de mercadorias \u00e9 um sistema de rela\u00e7\u00f5es sociais no qual os diversos produtores criam produtos variados (divis\u00e3o social do trabalho) e os tornam equivalentes uns aos outros no momento da troca. Por conseguinte, o que \u00e9 comum em todas as mercadorias n\u00e3o \u00e9 o <em>trabalho concreto <\/em>de um ramo de produ\u00e7\u00e3o determinado, n\u00e3o \u00e9 o trabalho de uma qualidade particular, mas sim o <em>trabalho <\/em>humano <em>abstrato, o <\/em>trabalho humano em geral. Numa sociedade dada, toda a <em>for\u00e7a de trabalho, <\/em>representada pela soma dos valores de todas as mercadorias, constitui uma s\u00f3 e \u00fanica for\u00e7a de trabalho humano; milh\u00f5es de exemplos de trocas o demonstram.<\/p>\n<p>Cada mercadoria, considerada isoladamente, \u00e9, pois, representada por uma certa por\u00e7\u00e3o apenas de <em>tempo de <\/em><em>trabalho <\/em><em>socialmente necess\u00e1rio. <\/em>A grandeza do valor \u00e9 determinada pela quantidade de trabalho socialmente necess\u00e1rio, ou pelo tempo de trabalho socialmente necess\u00e1rio para a produ\u00e7\u00e3o de uma dada mercadoria ou de um determinado valor de uso.<\/p>\n<p>&#8220;Pelo fato mesmo de estabelecer a igualdade de valor dos diversos produtos trocados entre si, eles (os homens) afirmam que os diversos trabalhos s\u00e3o iguais uns aos outros, na qualidade de trabalhos humanos. Afirmam isso sem o saber&#8221;(26).<\/p>\n<p>O valor \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o entre duas pessoas, disse um velho economista; dever-se-ia ajuntar simplesmente: uma rela\u00e7\u00e3o dissimulada sob uma apar\u00eancia material. Somente se pode compreender o que \u00e9 o valor, partindo-se do sistema de rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o de uma forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica determinada, isto \u00e9, rela\u00e7\u00f5es que aparecem na troca, fen\u00f4meno de massa, que se repete milh\u00f5es e milh\u00f5es de vezes.<\/p>\n<p>&#8220;Como valores de troca, todas as mercadorias s\u00e3o apenas medidas determinadas de <em>tempo <\/em>de trabalho <em>cristalizado&#8221;<\/em>(27).<\/p>\n<p>Depois de uma an\u00e1lise aprofundada do duplo car\u00e1ter do trabalho incorporado \u00e0s mercadorias, Marx passa \u00e0 an\u00e1lise das <em>formas do valor <\/em>e do <em>dinheiro. <\/em>Sua principal tarefa, nestas circunst\u00e2ncias, \u00e9 a de pesquisar a <em>origem <\/em>da forma monet\u00e1ria do valor, estudar o <em>processo hist\u00f3rico <\/em>de desenvolvimento da troca, come\u00e7ando pelos atos de troca particulares e fortuitos (&#8220;forma simples, particular, ou acidental, do valor&#8221;; uma quantidade determinada de uma mercadoria \u00e9 trocada por uma quantidade determinada de outra mercadoria), passando para a forma geral do valor, quando v\u00e1rias mercadorias diferentes s\u00e3o trocadas por uma \u00fanica e mesma mercadoria determinada, chegando, finalmente, \u00e0 forma monet\u00e1ria do valor, em que o ouro aparece como a tal mercadoria determinada, ou seja, como o equivalente geral. Produto supremo do desenvolvimento da troca, e da produ\u00e7\u00e3o de mercadorias, o dinheiro encobre e dissimula o car\u00e1ter social da atividade privada, o elo social entre os diversos produtores, entrela\u00e7ados uns com os outros, pelo mercado. Marx submete a uma an\u00e1lise extremamente detalhada as diversas fun\u00e7\u00f5es do dinheiro e conv\u00e9m notar que, neste nosso assunto (como em todos os primeiros cap\u00edtulos de <em>O Capital)<\/em>, a forma abstrata da exposi\u00e7\u00e3o, que parece \u00e0s vezes puramente dedutiva, reproduz, na realidade, uma documenta\u00e7\u00e3o imensamente rica a respeito da hist\u00f3ria do desenvolvimento da troca e da produ\u00e7\u00e3o de mercadorias.<\/p>\n<p>&#8220;O dinheiro&#8230; sup\u00f5e um certo desenvolvimento da troca de mercadorias. As formas particulares do dinheiro, como simples equivalente das mercadorias, como meio de circula\u00e7\u00e3o, meio de pagamento, como tesouro ou moeda universal, indicam, segundo a extens\u00e3o vari\u00e1vel e a preponder\u00e2ncia relativa de uma ou outra dessas fun\u00e7\u00f5es, graus muito diversos do processo da produ\u00e7\u00e3o social&#8221;(28).<\/p>\n<p><strong>A Mais-Valia<\/strong><\/p>\n<p>Em certo grau do desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o das mercadorias, o dinheiro transforma-se em capital. A f\u00f3rmula da circula\u00e7\u00e3o das mercadorias era: M (mercadoria) \u2014 D (dinheiro) \u2014 M (mercadoria) ou seja, a venda de uma mercadoria para a compra de outra. A f\u00f3rmula geral do capital \u00e9, pelo contr\u00e1rio, D \u2014 M \u2014 D, ou seja, a compra de mercadorias para a sua venda posterior (com lucro). \u00c9 a este crescimento do valor primitivo do dinheiro posto em circula\u00e7\u00e3o que Marx chama de mais-valia. Este &#8220;acr\u00e9scimo&#8221; de dinheiro na circula\u00e7\u00e3o capitalista \u00e9 um fato conhecido de todo o mundo. \u00c9 precisamente este &#8220;acr\u00e9scimo&#8221; que transforma o dinheiro em <em>capital, <\/em>como rela\u00e7\u00e3o social particular de produ\u00e7\u00e3o, historicamente determinado. A mais-valia n\u00e3o pode provir da circula\u00e7\u00e3o das mercadorias, pois esta se refere apenas \u00e0 troca de equivalentes. Ela n\u00e3o pode ainda provir da majora\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os, pois as perdas e lucros rec\u00edprocos dos compradores e dos vendedores se equilibrariam; trata-se de um fen\u00f4meno social m\u00e9dio, generalizado, e n\u00e3o de um fen\u00f4meno individual. Para obter mais-valia, \u00e9 preciso que &#8220;o possuidor de dinheiro descubra&#8230; no mercado, uma mercadoria cujo valor de uso seja dotado da propriedade singular de criar valor(29), mercadoria essa na qual o processo de consumo seja ao mesmo tempo um processo de cria\u00e7\u00e3o de valor. Ora, esta mercadoria existe: \u00e9 a <em>for\u00e7a humana de trabalho. <\/em>Seu <em>uso <\/em>\u00e9 o trabalho, e o <em>trabalho <\/em>cria <em>valor. <\/em>O possuidor de dinheiro compra a for\u00e7a de trabalho pelo seu valor, que \u00e9 determinado, como o valor de qualquer outra mercadoria, pelo tempo da trabalho socialmente necess\u00e1rio para a sua produ\u00e7\u00e3o (ou seja, pelo custo dos meios de subsist\u00eancia do oper\u00e1rio e de sua fam\u00edlia). Tendo comprado a for\u00e7a de trabalho, o possuidor de dinheiro est\u00e1 no direito de consumi-la, isto \u00e9, de determinar que ela se gaste no trabalho de toda a jornada, digamos, de 12 horas. Mas, em seis horas (tempo de trabalho &#8220;necess\u00e1rio&#8221;) o oper\u00e1rio cria um produto que cobre as despesas de seu sustento e durante as outras seis horas (tempo de trabalho &#8220;suplementar&#8221;), ele cria um produto &#8220;suplementar&#8221;, pelo qual nada gastou o capitalista, e que constitui a mais-valia.<\/p>\n<p>Por consequ\u00eancia, do ponto de vista do processo de produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso distinguir as duas partes que integram o capital: o <em>capital constante, <\/em>desprendido para a compra dos meios de produ\u00e7\u00e3o (m\u00e1quinas, instrumentos de trabalho, mat\u00e9rias primas, etc), cujo valor passa sem se alterar (de uma s\u00f3 vez ou por partes) para o produto acabado, e o <em>capital vari\u00e1vel, <\/em>empregado no pagamento da for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>O valor desta parte do capital h\u00e3o permanece invari\u00e1vel; ele cresce no processo do trabalho, criando a mais-valia. Para se exprimir o grau de explora\u00e7\u00e3o do trabalho pelo capital, \u00e9 preciso, pois, comparar a mais-valia n\u00e3o com o capital total mas com o capital vari\u00e1vel. A <em>taxa de mais-valia, <\/em>nome dado por Marx a esta rela\u00e7\u00e3o, ser\u00e1, no nosso exemplo das 12 horas de jornada, de 6\/6, ou seja de 100%.<\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica necess\u00e1ria para o aparecimento do capital consiste, em primeiro lugar, na acumula\u00e7\u00e3o de uma certa soma de dinheiro nas m\u00e3os de particulares, numa etapa da produ\u00e7\u00e3o das mercadorias, j\u00e1 relativamente elevada; em segundo lugar na exist\u00eancia de oper\u00e1rios &#8220;livres&#8221;, em duas acep\u00e7\u00f5es da palavra: livres de toda coer\u00e7\u00e3o e de toda restri\u00e7\u00e3o na venda de sua for\u00e7a de trabalho e, em segundo lugar, livres por que sem terras e sem meios de produ\u00e7\u00e3o em geral, oper\u00e1rios sem mestres, &#8220;prolet\u00e1rios&#8221; que n\u00e3o podem subsistir a n\u00e3o ser vendendo a sua for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o da mais-valia \u00e9 poss\u00edvel gra\u00e7as a dois meios essenciais: a prolonga\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho (&#8220;mais-valia absoluta&#8221;) e a redu\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho necess\u00e1rio (&#8220;mais-valia relativa&#8221;). Marx, analisando o primeiro desses meios, esbo\u00e7a um quadro grandioso da luta da classe oper\u00e1ria pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, com a interven\u00e7\u00e3o do Estado, pelo prolongamento (s\u00e9culos XIV-XVII) ou para diminu\u00ed-la (legisla\u00e7\u00e3o das f\u00e1bricas, no s\u00e9culo XIX). Desde a publica\u00e7\u00e3o de <em>O Capital, <\/em>a hist\u00f3ria do movimento oper\u00e1rio em todos os pa\u00edses civilizados forneceu uma multid\u00e3o de fatos novos que ilustram aquele quadro.<\/p>\n<p>Na sua an\u00e1lise da produ\u00e7\u00e3o da mais-valia relativa, estuda Marx os tr\u00eas est\u00e1gios hist\u00f3ricos essenciais da eleva\u00e7\u00e3o do rendimento do trabalho por obra do capitalismo: 1.\u00ba \u2014 a coopera\u00e7\u00e3o simples; 2.\u00b0 \u2014 a divis\u00e3o do trabalho e a manufatura e 3.\u00b0 \u2014 as m\u00e1quinas e a grande ind\u00fastria. A profundeza com que Marx analisa os tr\u00eas per\u00edodos revelando os tra\u00e7os fundamentais e t\u00edpicos do capitalismo, aparece, entre outros, no fato de que o estudo da chamada ind\u00fastria artes\u00e3 da R\u00fassia forneceu uma documenta\u00e7\u00e3o muito abundante para ilustrar os dois primeiros desses tr\u00eas est\u00e1gios. Quanto \u00e0 a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da grande ind\u00fastria de m\u00e1quinas, examinada por Marx, em 1867, ela se manifestou no curso dos cinquenta anos posteriores, nos v\u00e1rios pa\u00edses &#8220;novos&#8221; (R\u00fassia, Jap\u00e3o, etc).<\/p>\n<p>Em seguida, o que \u00e9 importante em Marx e desconhecido completamente antes dele \u00e9 a an\u00e1lise da <em>acumula\u00e7\u00e3o do capital, <\/em>ou seja, a transforma\u00e7\u00e3o de uma parte da mais-valia em capital, e o emprego deste, n\u00e3o para satisfazer as necessidades ou caprichos do capitalista, mas novamente para produzir. Marx analisou o erro de toda a economia pol\u00edtica cl\u00e1ssica anterior (desde Adam Smith) segundo a qual toda a mais-valia transformada em capital se destina a ser capital vari\u00e1vel, enquanto que, na realidade, ela se decomp\u00f5e em <em>meios de produ\u00e7\u00e3o <\/em>e mais capital vari\u00e1vel. O crescimento mais r\u00e1pido da parte do capital constante (dentro da soma total do capital) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 parte do capital vari\u00e1vel tem uma import\u00e2ncia primordial no processo do desenvolvimento do capitalismo e de sua transforma\u00e7\u00e3o em socialismo.<\/p>\n<p>Acelerando a anula\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios pela m\u00e1quina e criando num p\u00f3lo a riqueza e noutro a mis\u00e9ria, a acumula\u00e7\u00e3o do capital d\u00e1 nascimento tamb\u00e9m ao que se chama o &#8220;ex\u00e9rcito de reserva do trabalho&#8221;, o &#8220;excedente relativo&#8221; de oper\u00e1rios, a chamada &#8220;super-popula\u00e7\u00e3o capitalista&#8221;, que toma formas extremamente variadas e que permite ao capital desenvolver mais rapidamente a produ\u00e7\u00e3o. Esta possibilidade, combinada com o cr\u00e9dito e com a acumula\u00e7\u00e3o do capital na parte relativa aos meios de produ\u00e7\u00e3o, d\u00e1-nos, entre outras, a explica\u00e7\u00e3o das <em>crises <\/em>de super-produ\u00e7\u00e3o que sobrev\u00eam periodicamente, nos pa\u00edses capitalistas, aproximadamente, a princ\u00edpio em cada dez anos, depois em intervalos menos pr\u00f3ximos e menos fixos. \u00c9 preciso distinguir a acumula\u00e7\u00e3o do capital baseada no capitalismo, da acumula\u00e7\u00e3o dita primitiva, caracterizada pela separa\u00e7\u00e3o violenta do trabalhador (artes\u00e3os) dos meios de produ\u00e7\u00e3o, pela expropria\u00e7\u00e3o dos camponeses expulsos de suas terras, pelo roubo das terras comunais, pelo sistema colonial, pelas d\u00edvidas do Estado, tarifas protecionistas, etc. A &#8220;acumula\u00e7\u00e3o primitiva&#8221; cria, num p\u00f3lo, o proletariado &#8220;livre&#8221; e, noutro, o detentor do dinheiro, o capitalista.<\/p>\n<p><em>A tend\u00eancia hist\u00f3rica da acumula\u00e7\u00e3o capitalista <\/em>\u00e9 caracterizada por Marx nestes termos famosos:<\/p>\n<p>&#8220;A expropria\u00e7\u00e3o dos produtores diretos faz-se com o vandalismo mais impiedoso e sob a press\u00e3o das paix\u00f5es as mais infames, mais ign\u00f3beis, mais mesquinhas e mais odientas. A propriedade privada, ganha pelo trabalho pessoal (do campon\u00eas e do artes\u00e3o)(30) e que \u00e9 baseada na inter-penetra\u00e7\u00e3o, podemos dizer, do trabalhador individual com as suas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, \u00e9 suplantada pela <em>propriedade privada capitalista <\/em>que repousa sobre a explora\u00e7\u00e3o do trabalho de outros indiv\u00edduos que n\u00e3o s\u00e3o livres sen\u00e3o formalmente.<\/p>\n<p>Trata-se agora de expropriar n\u00e3o o oper\u00e1rio que se explora a si mesmo, mas o capitalista que explora numerosos oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>Esta expropria\u00e7\u00e3o opera-se pelo jogo das leis imanentes da pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o capitalista, pela centraliza\u00e7\u00e3o dos capitais. Cada capitalista mata muitos outros. Paralelamente a esta centraliza\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o de muitos capitalistas por alguns, desenvolvem-se a forma cooperativa no processo do trabalho, numa escala cada vez maior, a aplica\u00e7\u00e3o racional da ci\u00eancia \u00e0 t\u00e9cnica, \u00e0 explora\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do solo, \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o dos meios particulares de trabalho em meios que n\u00e3o podem ser utilizados a n\u00e3o ser em comum, a economia de todos os meios de produ\u00e7\u00e3o pela sua utiliza\u00e7\u00e3o com meios de produ\u00e7\u00e3o de um trabalho social combinado, a entrada de todos os povos no sistema do mercado mundial, e, em consequ\u00eancia, o car\u00e1ter internacional do regime capitalista. \u00c0 medida que diminui, cada vez mais, o n\u00famero dos potentados do capital, que usurpa e monopoliza todas as vantagens desse processo de transforma\u00e7\u00e3o, crescem, em volume, a mis\u00e9ria, a opress\u00e3o, a escravid\u00e3o, a degeneresc\u00eancia, a explora\u00e7\u00e3o, bem como, igualmente, a revolta da classe oper\u00e1ria, que cresce sem cessar e que \u00e9 instru\u00edda, unida e organizada pelo mecanismo mesmo do processo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. O monop\u00f3lio do capital torna-se o entrave do modo de produ\u00e7\u00e3o que prosperou com ele e por sua causa. A centraliza\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o e a socializa\u00e7\u00e3o do trabalho chegam a um ponto tal que elas n\u00e3o se acomodam mais em seu envolt\u00f3rio capitalista e fazem-no romper. A \u00faltima hora da propriedade privada capitalista soou. Os expropriadores s\u00e3o expropriados&#8221;(31).<\/p>\n<p>A seguir, o que h\u00e1 de novo e de muito importante \u00e9 a an\u00e1lise feita por Marx no livro II de O <em>Capital<\/em><em>, <\/em>da reprodu\u00e7\u00e3o do capital social, tomado em seu conjunto. Ainda aqui, ele considera n\u00e3o um fen\u00f4meno individual mas um fen\u00f4meno geral, n\u00e3o uma fra\u00e7\u00e3o da economia social, mas a economia em sua totalidade. Citando o erro dos cl\u00e1ssicos, mencionados acima, Marx divide toda a produ\u00e7\u00e3o social em duas grandes sec\u00e7\u00f5es: 1.\u00aa \u2014 a produ\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o, e 2.\u00aa \u2014 a produ\u00e7\u00e3o dos objetos de consumo; depois disso, com o apoio de dados num\u00e9ricos, ele estuda minuciosamente a circula\u00e7\u00e3o do conjunto do capital social, tanto na reprodu\u00e7\u00e3o simples, como na acumula\u00e7\u00e3o. No tomo III de O <em>Capital<\/em> encontra-se resolvido, de acordo com a lei do valor, o problema da taxa m\u00e9dia de lucro. Um progresso consider\u00e1vel foi realizado na ci\u00eancia econ\u00f4mica, pelo fato de que, na sua an\u00e1lise, Marx parte de fen\u00f4menos econ\u00f4micos de massa, do conjunto da economia social, e n\u00e3o de casos isolados, nem pelo simples aspecto exterior, superficial, da concorr\u00eancia, a que se limita a economia pol\u00edtica vulgar ou a teoria moderna da &#8220;utilidade final&#8221;. Marx analisa antes de mais nada a origem da mais-valia para, somente depois, examinar a sua decomposi\u00e7\u00e3o em lucro, juro e renda territorial. O lucro \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o da mais-valia com o conjunto do capital empregado numa empresa. O capital de &#8220;elevada composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica&#8221; (ou seja, quando o capital constante ultrapassa o capital vari\u00e1vel em propor\u00e7\u00f5es superiores \u00e0 m\u00e9dia social) fornece uma taxa de lucro inferior \u00e0 m\u00e9dia. Os capitais de &#8220;baixa composi\u00e7\u00e3o&#8221; d\u00e3o uma taxa de lucro superior \u00e0 m\u00e9dia. A concorr\u00eancia entre os capitais, a sua livre passagem de um ramo para outro, reduzem, nos dois casos, a taxa de lucro \u00e0 taxa m\u00e9dia. A soma dos valores de todas as mercadorias, numa sociedade dada, corresponde \u00e0 soma dos pre\u00e7os das mercadorias, mas, em cada empresa e em cada ramo de produ\u00e7\u00e3o tomado \u00e0 parte, sob a influ\u00eancia da concorr\u00eancia, as mercadorias s\u00e3o vendidas, n\u00e3o pelo seu valor, mas <em>pelo pre\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o, <\/em>correspondente ao capital despendido, acrescentando-se o lucro m\u00e9dio.<\/p>\n<p>Assim, a diferen\u00e7a entre o pre\u00e7o e o valor e a diferen\u00e7a na distribui\u00e7\u00e3o do lucro entre os diferentes capitais, fato incontest\u00e1vel e conhecido de todos, s\u00e3o perfeitamente explicadas por Marx por meio da lei do valor, pois a soma dos valores de todas as mercadorias corresponde \u00e0 soma de todos os seus pre\u00e7os. Mas a redu\u00e7\u00e3o do valor (social) aos pre\u00e7os (individuais) n\u00e3o se opera de modo simples e direto, seguindo, pelo contr\u00e1rio, uma via complicada; \u00e9 muito natural que, numa sociedade de produtores de mercadorias dispersos e que n\u00e3o s\u00e3o ligados entre si a n\u00e3o ser pelo mercado, possam as leis se exprimir apenas sob uma forma m\u00e9dia, social, geral, pela elimina\u00e7\u00e3o rec\u00edproca das diferen\u00e7as individuais, tanto de um lado como de outro.<\/p>\n<p>O aumento da produtividade do trabalho significa um crescimento mais r\u00e1pido do capital constante em rela\u00e7\u00e3o ao vari\u00e1vel. Ora, sendo a mais-valia fun\u00e7\u00e3o apenas do capital vari\u00e1vel, compreende-se que a taxa de lucro (a rela\u00e7\u00e3o da mais-valia com o conjunto do capital e n\u00e3o com a parte vari\u00e1vel somente) sofra uma tend\u00eancia para baixar. Marx analisa minuciosamente esta tend\u00eancia bem como as in\u00fameras circunst\u00e2ncias que a encobrem ou a contrariam.<\/p>\n<p>Sem nos prendermos a reproduzir os cap\u00edtulos extremamente interessantes do livro III, consagrados ao capital usur\u00e1rio, ao capital comercial e ao capital dinheiro, abordaremos aqui o essencial para nossa exposi\u00e7\u00e3o: a teoria da <em>renda territorial.<\/em><\/p>\n<p>A superf\u00edcie do solo sendo limitada e, nos pa\u00edses capitalistas, inteiramente ocupada por propriet\u00e1rios particulares, o pre\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o dos produtos da terra \u00e9 determinado de acordo com as despesas de produ\u00e7\u00e3o de um terreno n\u00e3o da qualidade m\u00e9dia mas da pior, e com as condi\u00e7\u00f5es de transporte dos produtos para o mercado \u2014 as mais desfavor\u00e1veis e n\u00e3o as m\u00e9dias. A diferen\u00e7a entre este pre\u00e7o de venda e o pre\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o num terreno de qualidade superior (ou em melhores condi\u00e7\u00f5es) \u00e9 o que se chama de renda <em>diferencial.<\/em><\/p>\n<p>Por uma an\u00e1lise detalhada deste tipo de renda, demonstrando que ela prov\u00e9m da diferen\u00e7a de fertilidade dos terrenos e da diferen\u00e7a entre os capitais empregados na cultura, merecendo aten\u00e7\u00e3o particular a cr\u00edtica feita a Rodbertus, Marx esclarece plenamente o erro de Ricardo, que pretendia que a renda diferencial se obt\u00e9m apenas pela passagem dos terrenos melhores para os terrenos de qualidade inferior. Ao contr\u00e1rio, produzem-se, igualmente, modifica\u00e7\u00f5es inversas, os terrenos de uma certa categoria se transformam em terreno de outra categoria (em virtude do progresso da t\u00e9cnica agr\u00edcola, do crescimento das cidades, etc.) \u2014 e verifica-se que a famosa &#8220;lei da fertilidade decrescente do solo&#8221; se revela profundamente errada ao pretender levar \u00e0 conta da natureza os defeitos, as limita\u00e7\u00f5es estreitas, e as contradi\u00e7\u00f5es do capitalismo. Al\u00e9m disso, a igualdade de lucro em todos os ramos da ind\u00fastria e da economia nacional em geral, sup\u00f5e uma completa liberdade de concorr\u00eancia, a liberdade de transferir o capital de um ramo para outro. Mas a propriedade privada do solo cria um monop\u00f3lio e um obst\u00e1culo a esta livre transfer\u00eancia. Em consequ\u00eancia desse monop\u00f3lio, os produtos da agricultura, a qual se distingue por uma baixa composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital e que, devido a isso, d\u00e1 uma taxa de lucro individual mais elevada, n\u00e3o influenciam o &#8220;livre jogo&#8221; do nivelamento da taxa de lucro; o propriet\u00e1rio da terra que temo seu monop\u00f3lio, pode manter o pre\u00e7o acima da m\u00e9dia; esse &#8220;pre\u00e7o&#8221; de monop\u00f3lio origina a <em>renda absoluta. <\/em>A renda diferencial n\u00e3o pode ser abolida no regime capitalista; ao contr\u00e1rio, a renda absoluta pode <em>s\u00ea-lo <\/em>por exemplo com a nacionaliza\u00e7\u00e3o do solo, quando este se torna propriedade do Estado. Passando o solo \u00e0 propriedade do Estado, dar-se-ia a supress\u00e3o do monop\u00f3lio dos propriet\u00e1rios privados e uma liberdade de concorr\u00eancia mais consequente e mais completa na agricultura. Eis porque, diz Marx, os burgueses radicais, mais de uma vez na hist\u00f3ria, formularam essa reivindica\u00e7\u00e3o burguesa, progressista, da nacionaliza\u00e7\u00e3o do solo que, n\u00e3o obstante, assusta a maioria da burguesia, pois ela &#8220;toca&#8221; de muito perto, a um outro monop\u00f3lio que, em nossos dias, \u00e9 particularmente importante e sens\u00edvel: o monop\u00f3lio dos meios de produ\u00e7\u00e3o em geral. Essa teoria do lucro m\u00e9dio e da renda territorial absoluta, foi exposta por Marx, numa linguagem marcadamente popular, concisa e clara, nas suas cartas a Engels, de 2 a 9 de agosto de 1862(32). Importa-nos igualmente assinalar, com refer\u00eancia a renda territorial, a an\u00e1lise de Marx sobre a transforma\u00e7\u00e3o da renda-trabalho (que nasce quando o campon\u00eas, trabalhando a terra do senhor, cria um produto suplementar), em renda-produto ou renda-natureza (quando o campon\u00eas cria, em sua terra, um produto suplementar que cede ao propriet\u00e1rio devido \u00e0 &#8220;coer\u00e7\u00e3o n\u00e3o-econ\u00f4mica&#8221;) e, mais tarde, em renda-dinheiro (a pr\u00f3pria renda-natureza se transformando em dinheiro \u2014 chamada &#8220;foro&#8221;, na antiga R\u00fassia \u2014 devido ao desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o das mercadorias); e, finalmente, a transforma\u00e7\u00e3o em renda capitalista quando, em lugar do campon\u00eas, interv\u00e9m na agricultura o patr\u00e3o, que cultiva a terra com o aux\u00edlio do trabalho assalariado. Ligada a esta an\u00e1lise da &#8220;G\u00eanese da renda territorial capitalista&#8221;, assinalamos uma s\u00e9rie de profundos pensamentos de Marx, particularmente importantes para os pa\u00edses atrasados, tais como a R\u00fassia, sobre a <em>evolu\u00e7\u00e3o do capitalismo na agricultura.<\/em><\/p>\n<p>&#8220;Constitui-se ao mesmo tempo, e \u00e0s vezes anteriormente, uma classe de trabalhadores sem-terra e que trabalham por sal\u00e1rio. Enquanto se vai constituindo esta nova classe (e se manifestando ainda apenas esporadicamenteos camponeses abastados e que dependem da renda, necessariamente adquirem o h\u00e1bito de explorar, por sua pr\u00f3pria conta, os assalariados agr\u00edcolas, tal como no regime feudal os servos mais abastados exploravam os outros servos. Da\u00ed surge a possibilidade de acumular, pouco a pouco, uma certa fortuna e de se transformar em futuros capitalistas. Entre os antigos exploradores, donos da terra, cria-se, assim, um surto de fazendeiros capitalistas, cujo desenvolvimento \u00e9 condicionado pelo crescimento geral da produ\u00e7\u00e3o capitalista, fora da agricultura(33)<\/p>\n<p>&#8220;A expropria\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o da lavoura por uma parte da popula\u00e7\u00e3o rural criam, n\u00e3o somente um excedente de oper\u00e1rios, de meios de subsist\u00eancia e de trabalho a serem utilizados pelo capital industrial como tamb\u00e9m: criam o mercado interno&#8221;(34).<\/p>\n<p>A pauperiza\u00e7\u00e3o e a ru\u00edna da popula\u00e7\u00e3o dos campos, geram, por sua vez, o ex\u00e9rcito de reserva do capital. Por isso, em todos os pa\u00edses capitalistas&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;&#8221;uma parte da popula\u00e7\u00e3o dos campos se prepara continuamente para passar ao proletariado urbano ou manufatureiro (manufatura no sentido geral de n\u00e3o agr\u00edcola)&#8230; Essa fonte de super-popula\u00e7\u00e3o relativa nunca se esgota. Por conseguinte, o oper\u00e1rio agr\u00edcola recebe um sal\u00e1rio cada vez menor e tem sempre um p\u00e9 atolado no pauperismo(35).<\/p>\n<p>A propriedade privada da terra pelo campon\u00eas, que a cultiva, constitui a base da pequena produ\u00e7\u00e3o, a condi\u00e7\u00e3o de sua prosperidade e de seu desenvolvimento at\u00e9 a forma cl\u00e1ssica. Esta pequena produ\u00e7\u00e3o, contudo, n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel sen\u00e3o com os quadros primitivos e estreitos da produ\u00e7\u00e3o e da sociedade. No regime capitalista, a explora\u00e7\u00e3o dos camponeses&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;&#8230;distingue-se da do proletariado industrial apenas na sua <em>forma. <\/em>O explorador \u00e9 o mesmo \u2014 o <em>capital. <\/em>Os capitalistas isolados exploram os camponeses isolados pela <em>hipoteca <\/em>e pela <em>usura. <\/em>A classe capitalista explora a classe camponesa, pelos <em>impostos&#8230;<\/em>(36).<\/p>\n<p>&#8220;O peda\u00e7o de terra que pertence ao campon\u00eas \u00e9 apenas um pretexto que permite ao capitalista tirar da terra lucro, juro e renda, deixando \u00e0quele a obriga\u00e7\u00e3o de procurar uma sa\u00edda para conseguir o seu sal\u00e1rio&#8221;(37).<\/p>\n<p>O campon\u00eas perde, comumente, para a sociedade capitalista, isto \u00e9, para a classe dos capitalistas, uma parte de seu sal\u00e1rio, caindo assim,<\/p>\n<p>&#8220;nas condi\u00e7\u00f5es do rendeiro irland\u00eas e tudo ir\u00e1 se ele mantiver a apar\u00eancia de propriet\u00e1rio privado&#8221;(38).<\/p>\n<p>Qual \u00e9 &#8220;uma das raz\u00f5es que fazem com que, nos pa\u00edses em que a pequena propriedade predomina, o pre\u00e7o do trigo seja menos elevado que nos pa\u00edses de modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista?&#8221;(39).<\/p>\n<p>A resposta \u00e9 que o campon\u00eas fornece gratuitamente \u00e0 sociedade (isto \u00e9, \u00e0 classe dos capitalistas) uma parte do sobre-produto.<\/p>\n<p>&#8220;O pre\u00e7o pouco elevado resulta, pois, da pobreza dos produtores e n\u00e3o da produtividade de seu trabalho&#8221;(40).<\/p>\n<p>No regime capitalista, a pequena propriedade agr\u00edcola forma normal da pequena produ\u00e7\u00e3o, vegeta, decomp\u00f5e-se e morre.<\/p>\n<p>&#8220;Por sua pr\u00f3pria natureza, a pequena propriedade exclui: o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas sociais do trabalho, as formas sociais do trabalho, a concentra\u00e7\u00e3o social dos capitais, o cultivo em grande escala, a utiliza\u00e7\u00e3o progressiva da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>A usura e o sistema fiscal n\u00e3o podem fazer sen\u00e3o arruin\u00e1-la para sempre. O capital investido na compra da terra \u00e9 retirado \u00e0 custa da produ\u00e7\u00e3o. Os meios de produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o divididos ao infinito. Os produtores tornam-se esparsos (as fazendas cooperativas, isto \u00e9, as associa\u00e7\u00f5es de pequenos camponeses que desempenham um papel burgu\u00eas progressista dos mais consider\u00e1veis, fazem enfraquecer esta tend\u00eancia sem, entretanto, a suprimirem: \u00e9 preciso, igualmente, n\u00e3o esquecer que essas fazendas cooperativas trazem muitas vantagens aos camponeses abastados, mas muito pouco, ou quase nada, \u00e0 massa dos camponeses pobres, al\u00e9m de que, estas associa\u00e7\u00f5es, acabam por explorar, elas pr\u00f3prias, o trabalho assalariado)(41). H\u00e1 um desperd\u00edcio enorme de for\u00e7a humana. A opera\u00e7\u00e3o progressiva das condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e o encarecimento dos meios de produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o leis necess\u00e1rias \u00e0 pequena propriedade&#8221;(42).<\/p>\n<p>Tanto na agricultura como na ind\u00fastria, a transforma\u00e7\u00e3o capitalista do modo de produ\u00e7\u00e3o aparece somente como o &#8220;matirol\u00f3gio dos produtores&#8221;&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;As grandes massas de oper\u00e1rios agr\u00edcolas dispersam-se, perdendo de um golpe a sua for\u00e7a de resist\u00eancia, enquanto que aumenta, pela concentra\u00e7\u00e3o, a for\u00e7a dos oper\u00e1rios das cidades. Como acontece na ind\u00fastria urbana, o aumento da for\u00e7a produtiva e o rendimento superior do trabalho na agricultura moderna s\u00e3o conseguidos ao pre\u00e7o da devasta\u00e7\u00e3o e do esgotamento da pr\u00f3pria for\u00e7a de trabalho. E todo o progresso da agricultura capitalista n\u00e3o \u00e9 somente um progresso na arte de espoliar o oper\u00e1rio, mas tamb\u00e9m na arte de esgotar a terra&#8230; A produ\u00e7\u00e3o capitalista n\u00e3o desenvolve, pois, a t\u00e9cnica e o complexo do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, a n\u00e3o ser minando, ao mesmo tempo, as fontes de onde prov\u00eam toda a riqueza: a terra e o oper\u00e1rio&#8221;(43).<\/p>\n<p><strong>O Socialismo<\/strong><\/p>\n<p>Pelo exposto, pode-se verificar que Marx conclui pela inevitabilidade da transforma\u00e7\u00e3o da sociedade capitalista em sociedade socialista, inspirando-se inteira e exclusivamente, nas leis econ\u00f4micas do movimento da sociedade moderna. A socializa\u00e7\u00e3o do trabalho que, sob formas m\u00faltiplas, avan\u00e7a sempre mais rapidamente e que, durante os 50 anos ap\u00f3s a morte de Marx, se manifestou, sobretudo, pela extens\u00e3o da grande ind\u00fastria, dos cart\u00e9is, sindicatos, trustes capitalistas, e tamb\u00e9m pelo desenvolvimento fabuloso da concentra\u00e7\u00e3o e do poder do capital financeiro, \u2014 eis a principal base material para o advento inelut\u00e1vel do socialismo. O motor intelectual e moral, o agente f\u00edsico desta transforma\u00e7\u00e3o, \u00e9 o proletariado, educado pelo pr\u00f3prio capitalismo. Sua luta contra a burguesia, tomando formas diversas e um conte\u00fado cada vez mais rico, torna-se, inevitavelmente, uma luta pol\u00edtica que leva \u00e0 conquista do poder pelo proletariado (&#8220;Ditadura do Proletariado&#8221;). A socializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o dever\u00e1 alcan\u00e7ar a transforma\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o em propriedade social, \u00e1 &#8220;expropria\u00e7\u00e3o dos expropriadores&#8221;. O grande aumento do rendimento do trabalho, a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, a substitui\u00e7\u00e3o dos vest\u00edgios, das ru\u00ednas, da pequena produ\u00e7\u00e3o primitiva e dispersa pelo trabalho coletivo, aperfei\u00e7oando, estas s\u00e3o as consequ\u00eancias diretas de tal transforma\u00e7\u00e3o. O capitalismo rompe definitivamente a liga\u00e7\u00e3o da agricultura com a ind\u00fastria, mas prepara, ao mesmo tempo, em seu mais alto grau de desenvolvimento, os elementos novos desta liga\u00e7\u00e3o, a uni\u00e3o da ind\u00fastria com a agricultura na base de uma aplica\u00e7\u00e3o consciente da ci\u00eancia, de uma coordena\u00e7\u00e3o do trabalho coletivo, de uma nova distribui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, pondo um fim ao isolamento da vida dos campos, ao seu estado de abandono e de atraso cultural, da mesma forma \u00e0 aglomera\u00e7\u00e3o anti-natural de enormes popula\u00e7\u00f5es nas grandes cidades. As formas superiores do capitalismo moderno criam condi\u00e7\u00f5es para uma nova forma de fam\u00edlia, de uma situa\u00e7\u00e3o nova para a mulher e de educa\u00e7\u00e3o para as novas gera\u00e7\u00f5es; o trabalho das mulheres e das crian\u00e7as, a dissolu\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia patriarcal, pelo capitalismo, tomam, inevitavelmente, na sociedade moderna, as formas mais horr\u00edveis, mais miser\u00e1veis e mais repugnantes. Entretanto&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;&#8230; a grande ind\u00fastria, pelo papel importante que destina \u00e0s mulheres, aos adolescentes e crian\u00e7as de ambos os sexos, no processo de produ\u00e7\u00e3o organizado, fora da esfera familiar, n\u00e3o deixa de criar uma nova base econ\u00f4mica para a forma superior da fam\u00edlia e das rela\u00e7\u00f5es entre os sexos. \u00c9 naturalmente, t\u00e3o absurdo considerar como absoluta a forma germano-crist\u00e3 da fam\u00edlia, como as antigas formas romana, grega, oriental, que constituem, ali\u00e1s, uma s\u00e9rie de etapas hist\u00f3ricas sucessivas. \u00c9 tamb\u00e9m evidente que a composi\u00e7\u00e3o do pessoal oper\u00e1rio contratado pela reuni\u00e3o de indiv\u00edduos de ambos os sexos e de todas as idades, embora constituindo uma fonte contagiosa de corrup\u00e7\u00e3o e de depend\u00eancia, na sua forma capitalista originariamente brutal, em que \u00e9 o oper\u00e1rio quem existe para o processo de trabalho e n\u00e3o o processo de trabalho para o oper\u00e1rio, essa composi\u00e7\u00e3o deve, inversamente, transformar-se, em condi\u00e7\u00f5es adequadas, numa fonte de desenvolvimento humano&#8221;(44).<\/p>\n<p>O sistema fabril nos mostra&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;&#8230; o germe da educa\u00e7\u00e3o do futuro que, para todas as crian\u00e7as acima de uma certa idade, unir\u00e1 o trabalho produtivo \u00e0 instru\u00e7\u00e3o e \u00e0 gin\u00e1stica&#8230; n\u00e3o somente como um m\u00e9todo para o desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o social, mas, tamb\u00e9m, como o \u00fanico m\u00e9todo para a produ\u00e7\u00e3o de homens completos em sua forma\u00e7\u00e3o&#8221;(45).<\/p>\n<p>\u00c9 nesta mesma base hist\u00f3rica, que o socialismo de Marx coloca os problemas da nacionalidade e do Estado, n\u00e3o somente para explicar o passado, mas tamb\u00e9m para fixar ousadamente as previs\u00f5es e realizar uma a\u00e7\u00e3o audaciosa pela sua realiza\u00e7\u00e3o. As na\u00e7\u00f5es s\u00e3o o produto e a forma inevit\u00e1veis da \u00e9poca burguesa da hist\u00f3ria social.<\/p>\n<p>A classe oper\u00e1ria n\u00e3o p\u00f4de fortificar-se, amadurecer, formar-se, sem &#8220;se constituir ela pr\u00f3pria, dentro das fronteiras nacionais&#8221;, sem ser &#8220;nacional&#8221; (embora de nenhum modo no sentido burgu\u00eas da palavra).<\/p>\n<p>Ora, o desenvolvimento do capitalismo quebra incessantemente, as fronteiras nacionais, destr\u00f3i o isolamento nacional, substitui pelos antagonismos de classes os antagonismos nacionais. \u00c9, por isso, perfeitamente justo, nos pa\u00edses capitalistas desenvolvidos, &#8220;os oper\u00e1rios n\u00e3o terem p\u00e1tria&#8221; e a sua<\/p>\n<p>&#8220;a\u00e7\u00e3o comum, internacional, ao menos nos pa\u00edses civilizados, ser uma das primeiras condi\u00e7\u00f5es de sua emancipa\u00e7\u00e3o&#8221;(46).<\/p>\n<p>O Estado, coer\u00e7\u00e3o organizada, surgiu inevitavelmente, em certo grau de desenvolvimento da sociedade, quando esta, dividida em classes irreconcili\u00e1veis, n\u00e3o poderia subsistir sem um &#8220;poder&#8221; pretensamente acima e, at\u00e9 certo ponto, dela separado. Nascido dos antagonismos de classe, o Estado se torna&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;&#8230; o Estado da classe mais poderosa, da classe economicamente dominante, a qual, gra\u00e7as a ele, se torna tamb\u00e9m a classe politicamente dominante, adquirindo, desse modo, novos meios para submeter e explorar a classe oprimida. Assim, o Estado antigo era, acima de tudo, o Estado dos propriet\u00e1rios de escravos, para mant\u00ea-los sob o jugo, da mesma forma que o Estado feudal foi o \u00f3rg\u00e3o da nobreza para subjugar os camponeses servos e vassalos, e o Estado representativo moderno \u00e9 um instrumento de explora\u00e7\u00e3o do trabalho assalariado pelo capital&#8221;(47).<\/p>\n<p>Mesmo a forma mais livre e mais progressista do Estado burgu\u00eas, a Rep\u00fablica democr\u00e1tica, n\u00e3o elimina este fato, de modo algum, modificando apenas a forma (liga\u00e7\u00e3o do governo com a Bolsa, corrup\u00e7\u00e3o direta e indireta dos funcion\u00e1rios e da imprensa, etc.). O socialismo, suprimindo as classes, conduz, da mesma forma, \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o do Estado.<\/p>\n<p>&#8220;O primeiro ato, escreve Engels no seu Anti-D\u00fchring, pelo qual o Estado se manifesta realmente como representante de toda a sociedade \u2014 a <em>posse dos meios de produ\u00e7\u00e3o, em nome da sociedade <\/em><em>\u2014 <\/em>\u00e9, ao mesmo tempo, o seu \u00faltimo ato, na categoria de Estado. A interven\u00e7\u00e3o de um poder estatal nas rela\u00e7\u00f5es sociais torna-se sup\u00e9rflua num e noutro dom\u00ednios e estende-se, em seguida, a todo o restante.<\/p>\n<p>O governo das pessoas \u00e9 substitu\u00eddo pela administra\u00e7\u00e3o das coisas e pela dire\u00e7\u00e3o do processo de produ\u00e7\u00e3o. O Estado n\u00e3o \u00e9 &#8220;abolido&#8221;:<em>ele morre.<\/em>(48).<\/p>\n<p>&#8220;A sociedade que reorganizar\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o nas bases de uma associa\u00e7\u00e3o livre e igualit\u00e1ria dos produtores, transportar\u00e1 toda a m\u00e1quina do Estado para onde, da\u00ed por diante, ser\u00e1 o seu lugar: o museu de antiguidades ao lado do arco e do machado de bronze&#8221;(49).<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito da posi\u00e7\u00e3o do socialismo de Marx com rela\u00e7\u00e3o ao pequeno campon\u00eas, que existir\u00e1 ainda na \u00e9poca da expropria\u00e7\u00e3o dos expropriadores, conv\u00e9m mencionar a seguinte declara\u00e7\u00e3o de Engels, que exprime o pensamento de Marx:<\/p>\n<p>&#8220;Quando tivermos tomado o poder, n\u00e3o nos poder\u00e1 vir \u00e0 id\u00e9ia de expropriar pela viol\u00eancia os pequenos camponeses (com ou sem indeniza\u00e7\u00e3o, pouco importa), como o seremos for\u00e7ados a fazer com rela\u00e7\u00e3o aos grandes propriet\u00e1rios de terra. Nossa tarefa para com o pequeno campon\u00eas consistir\u00e1, apenas, em orientar a sua produ\u00e7\u00e3o e a sua propriedade privada na vida cooperativa, n\u00e3o pela viol\u00eancia, mas pelo exemplo, oferecendo-lhe, assim, a ajuda da sociedade. E, certamente, teremos meios suficientes para fazer ver ao campon\u00eas as vantagens que, desde j\u00e1, n\u00e3o podem deixar de lhe saltar aos olhos&#8221;(50).<\/p>\n<p><strong>A T\u00e1tica de Luta de Classe do Proletariado<\/strong><\/p>\n<p>Tendo, desde 1844-1845, descoberto uma das principais lacunas do velho materialismo, que era a de n\u00e3o saber compreender as condi\u00e7\u00f5es nem apreciar o car\u00e1ter revolucion\u00e1rio da atividade pr\u00e1tica, Marx dedicou, durante toda a sua vida, paralelamente aos seus trabalhos te\u00f3ricos, uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0s quest\u00f5es de t\u00e1tica de luta de classe do proletariado. <em>Todas <\/em>as obras de Marx fornecem a este respeito uma rica documenta\u00e7\u00e3o, em particular sua correspond\u00eancia com Engels, publicada em 1913, em quatro volumes. Esta documenta\u00e7\u00e3o est\u00e1 ainda longe de ter sido inteiramente recolhida, classificada, estudada e aprofundada. Por isso, devemos limitar-nos, aqui, \u00e0s observa\u00e7\u00f5es mais gerais e breves, considerando, entretanto, que, sem <em>este <\/em>aspecto, o da atividade pr\u00e1tica, Marx considerava o materialismo, de fato, como incompleto, unilateral e sem vitalidade. Marx determinava a tarefa essencial da t\u00e1tica do proletariado de modo rigorosamente baseado nas premissas de sua concep\u00e7\u00e3o materialista-dial\u00e9tica. Somente o estudo objetivo do conjunto das rela\u00e7\u00f5es de toda as classes, sem exce\u00e7\u00e3o, de uma determinada sociedade, com o consequente conhecimento do grau objetivo do desenvolvimento desta sociedade e das rela\u00e7\u00f5es dela com as outras, pode servir de base para uma t\u00e1tica justa da classe de vanguarda. Al\u00e9m disso, todas as classes e todos os pa\u00edses s\u00e3o considerados, n\u00e3o sob o seu aspecto est\u00e1tico, mas sob o aspecto din\u00e2mico, isto \u00e9, n\u00e3o no estado de imobilidade, mas em movimento (movimento cujas leis derivam das condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas de exist\u00eancia de cada classe). O movimento \u00e9, por seu lado, considerado, n\u00e3o somente do ponto de vista do passado, mas tamb\u00e9m do futuro, e n\u00e3o de acordo com a concep\u00e7\u00e3o vulgar dos &#8220;evolucionistas&#8221;, que n\u00e3o percebem sen\u00e3o as lentas transforma\u00e7\u00f5es, mas sim, dialeticamente:<\/p>\n<p>&#8220;Em grandes \u00e9pocas hist\u00f3ricas, desta esp\u00e9cie, vinte anos equivalem a um dia, escrevia Marx e Engels, enquanto que podem aparecer dias que concentram em si vinte anos&#8221;.<\/p>\n<p>Em cada grau de desenvolvimento, em cada momento, deve a t\u00e1tica do proletariado ter em conta esta dial\u00e9tica objetivamente inevit\u00e1vel da hist\u00f3ria da humanidade: por um lado, utilizando e desenvolvendo a consci\u00eancia, as for\u00e7as e a capacidade de luta da classe de vanguarda, durante as \u00e9pocas de marasmo pol\u00edtico, isto \u00e9, de desenvolvimento pretensamente &#8220;pac\u00edfico&#8221;, que avan\u00e7a a passo de tartaruga; e, por outro lado, orientando-se em todo esse trabalho preparat\u00f3rio, no sentido do &#8220;objetivo final&#8221; desta classe, tornando-a capaz de resolver praticamente as grandes tarefas que lhe est\u00e3o reservadas, nas grandes jornadas que &#8220;concentram, em si, 20 anos&#8221;. Duas disserta\u00e7\u00f5es de Marx s\u00e3o particularmente aqui aplic\u00e1veis. A primeira delas, em <em>A Mis\u00e9ria da Filosofia, <\/em>refere-se \u00e0 luta econ\u00f4mica e \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas do proletariado; a outra, no <em>Manifesto do Partido Comunista, <\/em>refere-se \u00e0s tarefas pol\u00edticas do proletariado.<\/p>\n<p>A primeira est\u00e1 assim enunciada:<\/p>\n<p>&#8220;A grande ind\u00fastria concentra, num s\u00f3 lugar, uma massa de indiv\u00edduos desconhecidos uns dos outros. A concorr\u00eancia os divide segundo os seus interesses, mas a exist\u00eancia do sal\u00e1rio, este interesse comum que eles t\u00eam contra o seu patr\u00e3o, os re\u00fane num s\u00f3 pensamento de resist\u00eancia \u2014 <em>coaliz\u00e3o<\/em>&#8230; As coaliz\u00f5es, embora isoladas, formam agrupamentos e, frente ao capital unido, a exist\u00eancia da associa\u00e7\u00e3o torna-se mais necess\u00e1ria aos oper\u00e1rios, do que a do pr\u00f3prio sal\u00e1rio&#8230; Nesta luta \u2014 verdadeira guerra civil \u2014 agrupam-se e desenvolvem-se todos os elementos necess\u00e1rios a uma inevit\u00e1vel batalha. Uma vez chegada a este ponto a associa\u00e7\u00e3o adquire um car\u00e1ter pol\u00edtico&#8221;(51).<\/p>\n<p>Temos aqui o programa e a t\u00e1tica da luta econ\u00f4mica do movimento sindical, por alguns dec\u00eanios, por todo o longo per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o do proletariado &#8220;para a inevit\u00e1vel batalha&#8221;. Conv\u00e9m ligar a esta, as numerosas indica\u00e7\u00f5es de Marx e Engels sobre o movimento oper\u00e1rio ingl\u00eas, que lhes serviu de exemplo, mostrando como a &#8220;prosperidade&#8221; industrial suscita nas classes dominantes as tentativas de &#8220;comprar o proletariado&#8221;, de afast\u00e1-lo da luta. Mostra-nos, tamb\u00e9m, como o proletariado ingl\u00eas se &#8220;aburguesa&#8221;, como a &#8220;a na\u00e7\u00e3o mais burguesa de todas&#8221; (a na\u00e7\u00e3o inglesa&#8221;parece querer, afinal, possuir, ao lado da burguesia, uma aristocracia burguesa e um proletariado burgu\u00eas&#8221;; como &#8220;a energia revolucion\u00e1ria&#8221; desaparece nesse proletariado; como ser\u00e1 preciso um prazo mais ou menos longo, para que &#8220;os oper\u00e1rios ingleses se desembaracem de sua aparente contamina\u00e7\u00e3o burguesa&#8221;; como &#8220;o cl\u00e3 dos cartistas&#8221; est\u00e1 fazendo falta ao movimento oper\u00e1rio ingl\u00eas; como os lideres oper\u00e1rios ingleses se tornaram uma esp\u00e9cie de tipo intermedi\u00e1rio &#8220;entre a burguesia radical e o oper\u00e1rio&#8221;; como, finalmente, em virtude do monop\u00f3lio da Inglaterra e na propor\u00e7\u00e3o em que este monop\u00f3lio subsista, &#8220;o oper\u00e1rio ingl\u00eas n\u00e3o se agitar\u00e1&#8221;. A t\u00e1tica da luta econ\u00f4mica, ligada \u00e0 marcha geral e <em>\u00e0 solu\u00e7\u00e3o <\/em>do movimento oper\u00e1rio, \u00e9 aqui examinada sob um ponto de vista admiravelmente amplo, universal, dial\u00e9tico e eminentemente revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>O<em> Manifesto do Partido Comunista<\/em> enunciou para a t\u00e1tica da luta pol\u00edtica o princ\u00edpio fundamental do marxismo:<\/p>\n<p>&#8220;Eles (os comunistas) combatem pelos interesses e objetivos imediatos da classe oper\u00e1ria, mas, na etapa atual, eles defendem e representam, ao mesmo tempo, o futuro do movimento&#8221;(52).<\/p>\n<p>Baseado nisso, Marx prestigia em 1848, na Pol\u00f4nia, o partido da &#8220;Revolu\u00e7\u00e3o Agr\u00e1ria&#8221;, &#8220;isto \u00e9, o partido que fez, em 1846, a insurrei\u00e7\u00e3o de Crac\u00f3via&#8221;.(53). Em 1848-49, Marx defende, na Alemanha, a Democracia Revolucion\u00e1ria Extrema e nunca se retratou do que ent\u00e3o havia dito a respeito da t\u00e1tica. Considerava a burguesia alem\u00e3 como um elemento &#8220;inclinado, desde o in\u00edcio, a trair o povo&#8221; (s\u00f3 a alian\u00e7a com o campesinato, poderia permitir \u00e0 burguesia atingir completamente os seus fins) &#8220;e a concluir compromissos com as cabe\u00e7as coroadas da velha sociedade&#8221;. Vejamos a an\u00e1lise final, feita por Marx, da situa\u00e7\u00e3o de classe da burguesia alem\u00e3 na \u00e9poca da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa. Esta an\u00e1lise \u00e9, al\u00e9m disso, um exemplo da aplica\u00e7\u00e3o do materialismo que considera a sociedade em seu movimento e n\u00e3o apenas o aspecto do movimento vol<em>tado para o passado&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&#8220;Sem f\u00e9 em si mesma, sem f\u00e9 no povo; murmurando contra os grandes, tremendo diante dos pequenos&#8230; Tomada de medo diante da tempestade mundial; n\u00e3o manifestando energia em nenhuma dire\u00e7\u00e3o, imitando sempre, em todos os sentidos&#8230; sem iniciativa&#8230; velha maldita, condenada pelos seus pr\u00f3prios interesses senis, a dirigir os primeiros el\u00e3s juvenis de um povo robusto&#8230;&#8221;(54).<\/p>\n<p>Quase 20 anos depois, numa carta a Engels, Marx escrevia que a causa do fracasso da revolu\u00e7\u00e3o de 1848 foi que a burguesia preferiu a paz na escravid\u00e3o \u00e0 sua \u00fanica perspectiva de combater pela liberdade. Passado aquele per\u00edodo de revolu\u00e7\u00e3o (1848-1849), Marx op\u00f4s-se \u00e0 toda tentativa de brincar com a revolu\u00e7\u00e3o (luta contra Schapper, Willich(55), exigindo que se soubesse trabalhar, na nova \u00e9poca que, j\u00e1 preparava, sob uma &#8220;paz&#8221; aparente, novas revolu\u00e7\u00f5es. O seguinte trecho de Marx sobre a situa\u00e7\u00e3o da Alemanha em 1856, \u00e9poca da mais negra rea\u00e7\u00e3o, mostra com que esp\u00edrito entendia que se devia realizar este trabalho:<\/p>\n<p>&#8220;Tudo depender\u00e1, na Alemanha, da possibilidade de defender a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria contra qualquer segunda edi\u00e7\u00e3o da guerra dos camponeses&#8221; (Correspond\u00eancia entre K. Marx e F. Engels).<\/p>\n<p>Enquanto n\u00e3o se completou, na Alemanha, a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa, Marx <wbr \/>fixou toda a sua aten\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria de t\u00e1tica do proletariado socialista, sobre o desenvolvimento da energia democr\u00e1tica do campesinato. Achava que a atitude de Lassalle era &#8220;objetivamente uma trai\u00e7\u00e3o para com o movimento oper\u00e1rio, em proveito da Pr\u00fassia&#8221;, justamente porque favorecia, entre outros, aos agr\u00e1rios e ao nacionalismo prussiano.<\/p>\n<p>&#8220;Num pa\u00eds essencialmente agr\u00edcola como a Pr\u00fassia, \u00e9 uma baixeza (escrevia Engels, em 1855, no decorrer de uma troca de id\u00e9ias com Marx, com rela\u00e7\u00e3o a um projeto de declara\u00e7\u00e3o comum na imprensa) lutar, em nome do proletariado industrial, unicamente contra a burguesia, sem mesmo fazer alus\u00e3o \u00e0 explora\u00e7\u00e3o patriarcal e \u00e0s marretadas que sofre o proletariado rural da grande nobreza feudal&#8221;(56).<\/p>\n<p>No per\u00edodo de 1864 a 1870, quando chegava ao seu termo a \u00e9poca da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa na Alemanha, quando as classes de exploradores da Pr\u00fassia e da \u00c1ustria disputavam os meios de realizar essa revolu\u00e7\u00e3o, <em>de cima para baixo, <\/em>Marx n\u00e3o se limitava a condenar Lassalle pelo seu namoro com Bismarck, mas criticava tamb\u00e9m Liebknecht que se desviava numa &#8220;austrofilia&#8221; e defendia o particularismo; Marx <wbr \/>preconizava uma t\u00e1tica revolucion\u00e1ria que combatesse tanto Bismarck como os austr\u00f3filos, uma t\u00e1tica que n\u00e3o se adaptasse ao &#8220;vencedor&#8221; \u2014 <em>Junker <\/em>Prussiano \u2014 mas que recome\u00e7asse, imediatamente, a luta revolucion\u00e1ria contra esse, exatamente no <em>terreno criado <\/em>pelas vit\u00f3rias militares da Pr\u00fassia. Na c\u00e9lebre <em>mensagem <\/em>inaugural da Internacional, em 9 de setembro de 1870, Marx alertava o proletariado franc\u00eas contra uma insurrei\u00e7\u00e3o prematura, mas, quando sobreveio, (1871), Marx saudou com alegria a iniciativa revolucion\u00e1ria das massas &#8220;que iniciam o assalto ao c\u00e9u&#8221;(57).<\/p>\n<p>A derrota do movimento revolucion\u00e1rio, nesta situa\u00e7\u00e3o, como em in\u00fameras outras, foi, segundo o materialismo dial\u00e9tico de Marx, dos males o menor, do ponto de vista da tend\u00eancia geral e das <em>finalidades <\/em>da luta prolet\u00e1ria. Seria bem pior se se desse o abandono das posi\u00e7\u00f5es ocupadas, a capitula\u00e7\u00e3o sem combate; uma tal capitula\u00e7\u00e3o teria desmoralizado o proletariado, teria minado a sua combatividade. Embora justificando plenamente o emprego dos meios legais de luta, nos per\u00edodos de marasmo pol\u00edtico e de domina\u00e7\u00e3o da legalidade burguesa, Marx condenou, com muito vigor, em 1877-78, ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da lei de exce\u00e7\u00e3o contra os socialistas, a &#8220;frase revolucion\u00e1ria&#8221; de um Most. Criticou, com o m\u00e1ximo de energia, o oportunismo que se tinha apossado, momentaneamente, do partido social-democrata oficial, que n\u00e3o soube dar suficientes provas de coragem, tenacidade e de esp\u00edrito revolucion\u00e1rio e de se mostrar capaz, em resposta \u00e0 lei de exce\u00e7\u00e3o, <em>de passar \u00e0 luta ilegal.<\/em><\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Problemas &#8211; Revista Mensal de Cultura Pol\u00edtica n\u00ba 18 &#8211; Abr-Mai de 1949.<br \/>\n<strong>Transcri\u00e7\u00e3o e HTML:<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/admin\/correio.htm\" target=\"blank\">Fernando A. S. Ara\u00fajo<\/a><br \/>\n<strong>Direitos de Reprodu\u00e7\u00e3o: <\/strong>A c\u00f3pia ou distribui\u00e7\u00e3o deste documento \u00e9 livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Notas de rodap\u00e9:<\/strong><\/p>\n<p>(1) <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/e\/engels.htm\" target=\"blank\">Engels<\/a> \u2014 Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Cl\u00e1ssica Alem\u00e3, p\u00e1g. 20, \u00c9tudes Phflosophiques, Editions Sociales Internationalles, Paris, <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r1\" target=\"blank\">(retornar ao texto<\/a><\/p>\n<p>(2) <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/l\/lenin.htm\" target=\"blank\">L\u00eanin<\/a> lembra Herr Vogt. para mostrar que <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/m\/marx.htm\" target=\"blank\">Marx<\/a>. al\u00e9m dos grandes trabalhos aos quais se dedicava em todos os instantes, tinha ainda que responder a monstruosos ataques pessoais. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/v\/vogt.htm\" target=\"blank\">Karl Vogt<\/a> (1817-1895), naturalista alem\u00e3o, vulgarizador do materialismo e homem pol\u00edtico, escreveu, em 1859, uma obra cheia de inj\u00farias contra <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/m\/marx.htm\" target=\"blank\">Marx<\/a>. onde declarava que ele era chefe de um bando de mestres-cantores. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/m\/marx.htm\" target=\"blank\">Marx<\/a> <wbr \/>respondeu em sua r\u00e9plica magistral Herr Vogt (1860), pela qual demoliu as acusa\u00e7\u00f5es e desmascarou, ao mesmo tempo, o autor, como um espi\u00e3o de Bonaparte e um intrigante pol\u00edtico. O fato foi confirmado oficialmente pela descoberta, durante a Comuna, de um documento da pol\u00edcia parisiense. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r2\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(3) K. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/m\/marx.htm\" target=\"blank\">Marx<\/a> e F. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/e\/engels.htm\" target=\"blank\">Engels<\/a> \u2014 Sainte-Famille, in \u00c9tudes Philosophiques, pg. 129. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r3\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(4) K, <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/m\/marx.htm\" target=\"blank\">Marx<\/a> \u2014 <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1867\/ocapital-v1\/index.htm\" target=\"blank\">Le Capital<\/a>. E. Costes, Paris, 1924, tomo I, pg. XCV. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r4\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(5) F. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/e\/engels.htm\" target=\"blank\">Engels<\/a> \u2014 <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1877\/antiduhring\/index.htm\" target=\"blank\">Anti-D\u00fchring<\/a> \u2014 Editorial Calvino \u2014 Rio. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r5\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(6) Idem, idem. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r6\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(7) Idem, idem. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r7\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(8) Idem, idem. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r8\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(9) Idem, idem. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r9\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(10) Idem, idem. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r10\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(11) Correspond\u00eancia <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/m\/marx.htm\" target=\"blank\">K. Marx<\/a>\u2014<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/e\/engels.htm\" target=\"blank\">F. Engels<\/a>, Ed. Costas, Paris, 1934, tomo IX, pgs. 123-124. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r11\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(12) F. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/e\/engels.htm\" target=\"blank\">Engels<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1877\/antiduhring\/index.htm\" target=\"blank\">Anti-D\u00fchring<\/a> \u2014 Editorial Calvino \u2014 Rio. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r12\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(13) Obra citada. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r13\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(14) O par\u00eantesis \u00e9 de Lenin. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r14\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(15)<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1877\/antiduhring\/index.htm\" target=\"blank\"> Anti-D\u00fchring<\/a> \u2014 Editorial Calvino \u2014 Rio. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r15\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(16) \u00c9tudes Philosophiques, pag. 49. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r16\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(17) Idem, idem, pg. 18. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r17\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(18) <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1877\/antiduhring\/index.htm\" target=\"blank\">Anti-D\u00fchring<\/a> \u2014 Editorial Calvino \u2014 Rio. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r18\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(19) \u00c9tudes Philosophiques, pg. 31. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r19\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(20) Le Capital, tomo III, pg. 9 \u2014 Ed. Costes \u2014 Paris, 1924. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r20\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(21) Karl Marx \u2014 <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1859\/01\/prefacio.htm\" target=\"blank\">Contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 Cr\u00edtica da Economia Pol\u00edtica<\/a>, edi\u00e7\u00e3o de M. Giard, Paris, 1928, pgs. 4, 5 e 6. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r21\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(22) Correspond\u00eancia K. Marx\u2014F. Engels, tomo IX, pg. 82. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r22\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(23) Karl Marx e F. Engels \u2014 <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1848\/ManifestoDoPartidoComunista\/index.htm\" target=\"blank\">Manifesto Comunista<\/a> \u2014 Edi\u00e7\u00f5es Horizonte \u2014 Rio. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r23\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(24) Idem, idem. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r24\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(25) <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1867\/capital\/index.htm\" target=\"blank\">Le Capital<\/a>, tomo I, pg. LXXIX \u2014 Ed. Costes \u2014 1924, Paris. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r25\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(26) Idem, idem, Tomo I, p\u00e1gs. 68-59. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r26\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(27) Contribution \u00e0 la Critique de l&#8217;Economie politique, pg. 10. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r27\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(28) Le Capital, tomo I, pg. 194. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r28\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(29) Idem, idem, tomo I, pg. 190. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r29\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(30) As palavras entre par\u00eantesis s\u00e3o de Lenin \u2014 N. R. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r30\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(31) <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1867\/capital\/index.htm\" target=\"blank\">Le Capital<\/a>, tomo IV, pgs. 272-274. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r31\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(32) Correspondance K. Marx-F. Engels, tomo III. pg<em>. <\/em>131-189 e pag. 145-147. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r32\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(33) <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1867\/capital\/index.htm\" target=\"blank\">Le Capital<\/a>, tomo XIV, pag. 83. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r33\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(34) Idem, idem, tomo IV, pag. 251. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r34\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(35) Idem, idem, tomo IV, pag. 112. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r35\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(36) Karl Marx, <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1850\/11\/lutas_class\/index.htm\" target=\"blank\">La lutte des classes en France<\/a> (1848-1850). Ed. Schleicher, Paris, 1900, pags. 137-138. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r36\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(37) K. Marx, <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1852\/brumario\/index.htm\" target=\"blank\">O 18 Brum\u00e1rio de Luiz Bonaparte<\/a> \u2014 pag. 139, Editorial Vit\u00f3ria \u2014 Rio. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r37\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(38) <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1850\/11\/lutas_class\/index.htm\" target=\"blank\">La lutte des classes en France<\/a>, pag. 186. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r38\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(39) <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1867\/capital\/index.htm\" target=\"blank\">Le Capital<\/a>, tomo XVI, pg. 94. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r39\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(40) Idem, idem, idem. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r40\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(41) O texto entre par\u00eantesis \u00e9 de Lenin \u2014 N. R. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r41\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(42) <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1867\/capital\/index.htm\" target=\"blank\">Le Capital<\/a>, tomo XIV, pg. 96. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r42\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(43) <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1867\/capital\/index.htm\" target=\"blank\">Le Capital<\/a>, tomo III, pgs. 192-194. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r43\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(44) <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1867\/capital\/index.htm\" target=\"blank\">Le Capital<\/a>, tomo III, pg. 178. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r44\" target=\"blank\">(retornar ao texto)<\/a><\/p>\n<p>(45) Idem, idem, pg. 169. (<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r45\" target=\"blank\">retornar ao texto<\/a>)<\/p>\n<p>(46) <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1848\/ManifestoDoPartidoComunista\/index.htm\" target=\"blank\">Manifesto Comunista<\/a> \u2014 Edi\u00e7\u00f5es Horizonte \u2014 Rio. (<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r46\" target=\"blank\">retornar ao texto<\/a>)<\/p>\n<p>(47) Engels, L&#8217;origine de la famille, de la propri\u00e9t\u00e9 priv\u00e9e et de l&#8217;\u00c9tat \u2014 Ed. Oostes, Paris, 1931, pg. 226. (<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r47\" target=\"blank\">retornar ao texto<\/a>)<\/p>\n<p>(48) Engels, &#8220;<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1877\/antiduhring\/index.htm\" target=\"blank\">Anti-D\u00fchring<\/a>&#8220;, Editorial Calvino \u2014 Rio. (<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r48\" target=\"blank\">retornar ao texto<\/a>)<\/p>\n<p>(49) Engels, &#8220;L&#8217;origine de la famille&#8230;&#8221;, pag. 229. (<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r49\" target=\"blank\">retornar ao texto<\/a>)<\/p>\n<p>(50) Engels, &#8220;La question paysanne en France et en Allemagne&#8221;. Neue Zeit, ano XIV, 1894, p\u00e1gs. 301-802. (<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r50\" target=\"blank\">retornar ao texto<\/a>)<\/p>\n<p>(51) K. Marx, &#8220;Mis\u00e9re de la Philosophie&#8221;, Ed. Giard, Paris, 1922, p\u00e1gs. 216-217. (<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r51\" target=\"blank\">retornar ao texto<\/a>)<\/p>\n<p>(52) &#8220;<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1848\/ManifestoDoPartidoComunista\/index.htm\" target=\"blank\">Manifesto Comunista<\/a>&#8220;, Edi\u00e7\u00f5es Horizonte \u2014 Rio. (<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r52\" target=\"blank\">retornar ao texto<\/a>)<\/p>\n<p>(53) Idem. (<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r53\" target=\"blank\">retornar ao texto<\/a>)<\/p>\n<p>(54) A Nova Gazeta, Renana, 1848. Ver Literarischer Nachlass, tomo III p\u00e1g. 213. (<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r54\" target=\"blank\">retornar ao texto<\/a>)<\/p>\n<p>(55) Karl Schapper (1812-1870). Revolucion\u00e1rio alem\u00e3o. Emigrado, membro da &#8216;<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/l\/liga_justos.htm\" target=\"blank\">Liga dos Justos<\/a>&#8216;. Preso e julgado em Paris, em 1839, ap\u00f3s uma provoca\u00e7\u00e3o da I <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/s\/societe_des_saisons.htm\" target=\"blank\">Soci\u00e9t\u00e9 des Saisons<\/a>. Fundou com <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/m\/marx.htm\" target=\"blank\">Marx<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/e\/engels.htm\" target=\"blank\">Engels<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/w\/willich.htm\" target=\"blank\">Willich<\/a>, a &#8216;<em><a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/l\/liga_comunistas.htm\" target=\"blank\">Liga dos Comunistas<\/a><\/em>&#8216;. Por ocasi\u00e3o da cis\u00e3o da Liga, tomou o partido de Willich, mas, mais tarde, reconheceu o seu erro.<br \/>\nA. Willich (1810-1878). Oficial prussiano combatente da revolu\u00e7\u00e3o de 1848. Dirigiu a minoria na &#8216;<em><a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/l\/liga_comunistas.htm\" target=\"blank\">Liga dos Comunistas<\/a><\/em>&#8216;. Segundo <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/m\/marx.htm\" target=\"blank\">Marx<\/a>, que ent\u00e3o dirigia a maioria, era Willich inclinado a frases revolucion4rias e &#8216;brincava&#8217; com a Constitui\u00e7\u00e3o e a Revolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sem comprometer, ao mesmo tempo, a uma e a outra e \u00e0 causa a que ambas serviam&#8221;. (<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r55\" target=\"blank\">retornar ao texto<\/a>)<\/p>\n<p>(56) Correspond\u00eancia K. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/m\/marx.htm\" target=\"blank\">Marx<\/a>-F. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/e\/engels.htm\" target=\"blank\">Engels<\/a>, tomo VIII, p\u00e1gs. 140-141. (<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r56\" target=\"blank\">retornar ao texto<\/a>)<\/p>\n<p>(57) K. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/m\/marx.htm\" target=\"blank\">Marx<\/a>, &#8220;Lettres \u00e0 Kugelmann&#8221; (1863-1874). Ed. Sociales Internacionales. Paris, 1930. (<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm#r57\" target=\"blank\">retornar ao texto<\/a>)<\/p>\n<p>https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1914\/11\/marx.htm<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"V. I. L\u00eanin &#8211; Novembro de 1914 Karl Marx nasceu em 5 de maio de 1818, em Treves (Pr\u00fassia Renana). 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