{"id":14332,"date":"2017-05-09T16:53:43","date_gmt":"2017-05-09T19:53:43","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=14332"},"modified":"2017-05-20T02:22:39","modified_gmt":"2017-05-20T05:22:39","slug":"conflitos-de-terra-no-brasil-mataram-mais-do-que-guerras-denuncia-geografo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14332","title":{"rendered":"Conflitos de terra no Brasil mataram mais do que guerras, denuncia ge\u00f3grafo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm5.staticflickr.com\/4173\/34476084476_f37b74098e_z.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><strong>Viol\u00eancia no campo foi tema de semin\u00e1rio durante a 2\u00aa Feira Nacional da Reforma Agr\u00e1ria, em S\u00e3o Paulo (SP).<\/strong><!--more--><\/p>\n<p>Norma Odara<br \/>\nBrasil de Fato<\/p>\n<p>&#8220;Morreu mais gente em conflitos de terra do que em todas as guerras que o Brasil participou&#8221;. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 do professor de Geografia Agr\u00e1ria da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo), Ariovaldo Umbelino. Ele\u00a0participou como palestrante do semin\u00e1rio &#8220;O aumento da Mis\u00e9ria no Brasil&#8221;,\u00a0durante o \u00faltimo dia da 2\u00aa\u00a0Feira Nacional da Reforma Agr\u00e1ria, em S\u00e3o Paulo (SP). A atividade tamb\u00e9m contou com a presen\u00e7a do mestre em Geografia Delwek Matheus, da coordena\u00e7\u00e3o nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es de Umbelino para os pr\u00f3ximos anos s\u00e3o desoladoras para o povo do campo. A previs\u00e3o \u00e9 de que os conflitos e a viol\u00eancia aumentem cada vez mais, como sugerem os dados do Caderno de Conflitos no Campo da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT).\u00a0&#8220;Os assassinatos cresceram bravamente, saindo em torno de 26 ou\u00a027 trabalhadores assassinados em 2005 para no ano passado 61 trabalhadores. E 61 \u00e9 mais do que um trabalhador assassinado por semana, e voc\u00eas n\u00e3o ficam sabendo de nada, porque a tev\u00ea brasileira n\u00e3o divulga&#8221;, comenta ele.<\/p>\n<p>Durante o semin\u00e1rio foram lidos os nomes de camponeses assassinados nestes \u00faltimos dias, no Par\u00e1, K\u00e1tia Matins e Eduardo Soares Costa. Os dois crimes ocorreram em menos de 24 horas.<\/p>\n<p>Para o coordenador nacional do MST, Delwek Matheus, os dados refor\u00e7am a\u00a0import\u00e2ncia de se fazer a reflex\u00e3o sobre a reforma agr\u00e1ria popular como uma luta de toda sociedade contra a l\u00f3gica capitalista do agroneg\u00f3cio.\u00a0&#8220;A reforma agr\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o s\u00f3 dos camponeses, mas sim de projeto da sociedade brasileira. Ela tem que ter esse car\u00e1ter popular de luta de classe. Porque a classe trabalhadora como um todo dependeria de mudan\u00e7a estrutural no Brasil. Uma delas seria a reforma agr\u00e1ria, nessa perspectiva de distribuir meios de produ\u00e7\u00e3o, riqueza, oportunidade para popula\u00e7\u00e3o brasileira&#8221;, explica ele.<\/p>\n<p>Matheus criticou ainda o modelo adotado pelo governo brasileiro, nos anos de 1980\/1990, \u00e9poca em que a globaliza\u00e7\u00e3o ganhava escopo e proje\u00e7\u00e3o, que foi o &#8220;nascimento&#8221; do agroneg\u00f3cio, que organiza a agricultura a seu modo e exclui o campon\u00eas do processo produtivo e pratica uma agricultura n\u00e3o sustent\u00e1vel: &#8220;O agroneg\u00f3cio organiza a agricultura sem a necessidade do campon\u00eas. Sua agricultura de &#8216;precis\u00e3o&#8217;, que n\u00e3o depende de m\u00e3o-de-obra do campon\u00eas, a transgenia, a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de venenos. Isso gera um grau de empobrecimento da classe trabalhadora que depende do campo&#8221;, afirma ele.<\/p>\n<p>Feira e di\u00e1logo com a sociedade|<\/p>\n<p>A 2\u00aa\u00a0Feira Nacional da Reforma Agr\u00e1ria terminou neste domingo (7) e movimentou um p\u00fablico de 170 mil pessoas, segundo o MST. Al\u00e9m de venda de 280 toneladas de produtos vindos de assentamentos de 23 estados, a programa\u00e7\u00e3o da feira incluiu atividades culturais, semin\u00e1rios e\u00a0atos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>&#8220;A feira [do MST] \u00e9 um momento de n\u00e3o s\u00f3 vender produtos, mas tamb\u00e9m de integra\u00e7\u00e3o, de forma\u00e7\u00e3o para n\u00f3s, camponeses que viemos dos assentamentos, de integra\u00e7\u00e3o com os consumidores. Porque as pessoas que compram n\u00e3o chegam na banca, compram os produtos e saem quietinhas. Elas fazem meia d\u00fazia de perguntas e essas perguntas est\u00e3o sendo respondidas pelos camponeses e pelas camponesas, a vida deles, como produziram&#8221;, comenta o coordenador do MST.<\/p>\n<p>Para o\u00a0professor Ariovaldo Umbelino, o evento\u00a0tem um relevante papel de propaganda da luta e da produ\u00e7\u00e3o dos sem-terra. &#8220;A feira [do MST] sempre \u00e9 importante, porque \u00e9 uma forma de difundir, divulgar, as conquistas dos assentados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reforma agr\u00e1ria&#8221;, finaliza.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Anelize Moreira<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/05\/07\/conflitos-de-terra-mataram-mais-que-todas-as-guerras-no-brasil-denuncia-geografo\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Viol\u00eancia no campo foi tema de semin\u00e1rio durante a 2\u00aa Feira Nacional da Reforma Agr\u00e1ria, em S\u00e3o Paulo (SP).\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14332\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[118],"tags":[],"class_list":["post-14332","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c131-reforma-agraria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3Ja","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14332","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14332"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14332\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14332"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14332"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14332"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}