{"id":14380,"date":"2017-05-13T17:53:26","date_gmt":"2017-05-13T20:53:26","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=14380"},"modified":"2017-05-29T15:59:48","modified_gmt":"2017-05-29T18:59:48","slug":"massacres-bombas-e-prisoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14380","title":{"rendered":"Massacres, bombas e pris\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/proxy\/YlFIKGWKyZqgxIjy99s2Fe_XGpQlEQ9-Gm99ja-vZag---8ZjXLaK4-MmhimhpfWidKcFyx5stuJcym5gxlp7k9IEG_rcVseRrCqIxpHiefzIvmkHHCQRcihNL4SlVjxpurKTxfYRKeGyj6lMP40GZdSR6LDmJ0nN4VOF0XI1X6VbNmqm9KM3CdtTdo=s0-d-e1-ft#http:\/\/www.esquerda.net\/sites\/default\/files\/styles\/480y\/public\/1187e38e-590b-4b5e-b334-b965a17c50a2.jpeg?itok=3lkmlu-R\" alt=\"imagem\" \/>Por Guilherme Boulos<\/p>\n<p>\u00c9 falso acreditar que a repress\u00e3o vai estancar a luta social. Normalmente, ela anuncia, como um gesto desesperado, a pr\u00f3xima explos\u00e3o.<!--more--><\/p>\n<p>&#8220;O avan\u00e7o conservador, respaldado num governo golpista, refor\u00e7a o sentimento de salvo-conduto para matar&#8221;. Foto de Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p>O Brasil assiste, nos \u00faltimos dias, ao agravamento de um conflito social. Sem rumo e com uma rejei\u00e7\u00e3o superior a 90%, o governo Temer aposta na repress\u00e3o para lidar com a crescente insatisfa\u00e7\u00e3o das ruas. Com isso se fortalece-se um clima de viol\u00eancia institucional, que eleva a temperatura dos conflitos n\u00e3o somente nas manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, mas nos rinc\u00f5es e nas favelas, onde a presen\u00e7a repressiva do Estado sempre foi a regra.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, a fal\u00eancia expl\u00edcita das Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora (UPP&#8217;s) demonstra que a pol\u00edtica de \u201cguerra \u00e0s drogas\u201d traduz-se numa sanguin\u00e1ria guerra aos pobres. O exemplo em carne viva \u00e9 o Complexo do Alem\u00e3o, onde o n\u00famero de mortos pelos \u201cconfrontos\u201d dos \u00faltimos dias levou para as ruas a revolta dos moradores, mesmo com repress\u00e3o violenta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das v\u00e1rias mortes pela Pol\u00edcia Militar (PM), a UPP chefiada pelo major Leonardo Zuma \u00e9 acusada de invadir e roubar casas de moradores, tudo com o argumento de instalar uma torre blindada, batizada pela comunidade como \u201ctorre da vergonha\u201d. Em Bras\u00edlia avan\u00e7a a austeridade, no Alem\u00e3o, o Caveir\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cSalvo-conduto para matar\u201d<br \/>\nDistante da cidade, mas com igual viol\u00eancia, nove agricultores foram assassinados num assentamento na regi\u00e3o de Colniza, em Mato Grosso. O massacre, a mando de fazendeiros locais, deu-se com intensa crueldade.<\/p>\n<p>Dias antes, em 17 de abril, a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra havia divulgado o anu\u00e1rio da viol\u00eancia no campo, constatando que o n\u00famero de assassinatos em conflitos no \u00faltimo ano foi o maior desde 2003. O avan\u00e7o conservador, respaldado num governo golpista, refor\u00e7a o sentimento de salvo-conduto para matar.<\/p>\n<p>Para matar e mutilar. No domingo, dia 30 de abril, uma terra retomada pelos \u00edndios Gamela, no Maranh\u00e3o, foi palco de uma barb\u00e1rie indescrit\u00edvel. A mando de fazendeiros, jagun\u00e7os feriram 13 ind\u00edgenas. Dois deles tiveram as m\u00e3os decepadas e outros dois sofreram tentativa de esquartejamento, segundo os relatos. No mesmo dia, o deputado Alu\u00edsio Guimar\u00e3es Mendes, do PTN, havia chamado os Gamela de \u201cpseudoind\u00edgenas\u201d, questionando sua perman\u00eancia naquela terra.<\/p>\n<p>De volta ao asfalto, n\u00e3o h\u00e1 como deixar de mencionar a viol\u00eancia policial contra manifesta\u00e7\u00f5es da greve geral (link is external) da sexta-feira 28 de abril. Em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro, atos p\u00fablicos que reuniram multid\u00f5es terminaram com bombas e pancada. Em Goi\u00e2nia, o estudante Mateus Ferreira continua internado depois de ter levado uma paulada de um capit\u00e3o da PM de forma totalmente despropositada, como mostram as imagens.<\/p>\n<p>Neste contexto de crescimento da viol\u00eancia, o poder judicial tem um papel protagonista. O caso de Rafael Braga (link is external), condenado no final de abril a 11 anos de pris\u00e3o, \u00e9 emblem\u00e1tico: preto e pobre, representa por si s\u00f3 o estere\u00f3tipo do inimigo p\u00fablico do Estado brasileiro. Preso durante as manifesta\u00e7\u00f5es de 2013, Rafael \u00e9 uma v\u00edtima do racismo e do elitismo penais.<\/p>\n<p>Assim como a maioria do povo, n\u00e3o foi \u00e0s ruas contra o aumento de passagem nem contra a corrup\u00e7\u00e3o. Acusado de carregar um \u201ccocktail molotov\u201d, Rafael afirma que nem sabe o que \u00e9&#8230;.Transportava um desinfetante ao ser detido. A sua pris\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o bizarra.<\/p>\n<p>Ele faz parte do perfil maiorit\u00e1rio da popula\u00e7\u00e3o prisional do pa\u00eds. N\u00e3o fosse o contexto da sua pris\u00e3o \u2013 e a consequente repercuss\u00e3o \u2013, Rafael seria mais um entre os milhares de an\u00f3nimos esquecidos nas masmorras desumanas que, como afirmou Mano Brown, \u201cguardam o que o sistema n\u00e3o quis\u201d.<\/p>\n<p>Para as masmorras tamb\u00e9m foram enviados Ricardo, Juraci e Luciano (link is external). Presos em S\u00e3o Paulo no passado dia 28, durante os atos da greve geral, os militantes do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) s\u00e3o acusados de \u201cinc\u00eandio\u201d, \u201cexplos\u00e3o\u201d e \u201cincita\u00e7\u00e3o ao crime\u201d. N\u00e3o h\u00e1 provas contra eles. Negros e pobres, ousaram desafiar o Estado e sair da periferia para as principais avenidas da cidade contra as reformas que lhes amea\u00e7am a vida. Esse foi o seu crime, inaceit\u00e1vel para a casa-grande.<\/p>\n<p>\u201cArgumento t\u00edpico de ditaduras\u201d<br \/>\nA ju\u00edza que lhes negou a liberdade, Marcela Filus (link is external), apelou para a garantia da \u201cordem p\u00fablica\u201d como motivo fundamental. Argumento t\u00edpico de ditaduras e regimes de exce\u00e7\u00e3o para manter presos os opositores.<\/p>\n<p>A falta de isen\u00e7\u00e3o da magistrada revelou-se ainda com publica\u00e7\u00f5es de apoio a manifesta\u00e7\u00f5es do \u201cVem pra Rua\u201d e MBL, dispon\u00edveis no seu perfil numa rede social. Lamentavelmente, isso est\u00e1 longe de ser um caso isolado no sistema judicial.<\/p>\n<p>Escalada da viol\u00eancia contra os pobres no Rio de Janeiro, massacres contra camponeses e ind\u00edgenas, viol\u00eancia policial desmedida nas manifesta\u00e7\u00f5es e pris\u00f5es pol\u00edticas sustentadas pelo sistema judicial, eis o retrato do agravamento da crise social brasileira. \u00c9 ledo engano crer, no entanto, que a repress\u00e3o vai estancar a luta social. Normalmente, ela anuncia, como um gesto desesperado, a pr\u00f3xima explos\u00e3o.<\/p>\n<p>Esquerda.net &#8211; 10 de Maio, 2017<\/p>\n<p>http:\/\/www.mtst.org\/mtst\/massacres-bombas-e-prisoes\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Guilherme Boulos \u00c9 falso acreditar que a repress\u00e3o vai estancar a luta social. 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