{"id":14457,"date":"2017-05-19T14:08:52","date_gmt":"2017-05-19T17:08:52","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=14457"},"modified":"2017-05-29T16:02:23","modified_gmt":"2017-05-29T19:02:23","slug":"pela-preservacao-do-patrimonio-popular-a-luta-pelo-passo-dos-negros-em-pelotas-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14457","title":{"rendered":"Pela preserva\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f4nio Popular: a luta pelo Passo dos Negros em Pelotas-RS"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/fMFfLmIiRKGh3mlW5Pz_StEivroGfaRtiuQEhk1pbfvl8kSR7j--QJ3B5gC9bFRZSFP_H79dpdjgj38rfJnqJsD9Iw_CwbpbP7EueGz9DFhyserzL6utsh5vPxGAYJb1AgXDq4FGNebjSL_ouy0qLOOWJYYZVLmPh_jUorGhiEcl8-GqbSxYMK_T96MuyY3T6NxISGEdRmUWV-tTHxZEGH05ZqP9l-V5GRIXAIX03MEXD0hBVRiU0fQ70tL5_cao5Aju9rytSpJj3bympSjogafLIy1vvRk_nNSXUxui3iWDTYHM2JN4xUzrsnidJKBRBLtutF5W52nGa0mVVKYB_VBgFUqAdd74Qjh-yDoG0sgXfq7DPIRaKBI51AJ2LjGkA2EeNeHWCfvop1_k0IulwO7YFEtuMVG5W1pNTpnxaSw-5iu1_z_4PVL_PVufneIMcFVvOcs4jQZR0ldYMQ1yv4krbY8XeN6Y5UhnmXyhijCd_t_ovgnjK892J0PQO7JCkTxJ4lbnjqgf8_cbkvwfNvQAmNop3D89XB08D8Qwgcvr4pT6kdUbXuURMaUXQtpCalGVu0IiTdwj9tEuGw5zjFsmD5DGaGi-UVCKPg80c7rmCcIc6L9LpguZ1oo9YKU_BgVic4suHS9lffFBCaXXZdWxS3Cro4rAE03zt0AnmA=w461-h346-no\" alt=\"imagem\" \/>Yuri Yung*<\/p>\n<p>No dia 04 de maio de 2017 foi realizada uma audi\u00eancia p\u00fablica na plen\u00e1ria da c\u00e2mara dos vereadores de Pelotas, <!--more-->sobre o projeto de constru\u00e7\u00e3o de um terceiro condom\u00ednio de luxo na \u00e1rea da ch\u00e1cara da Brigada. Este condom\u00ednio, no entanto, ser\u00e1 constru\u00eddo sob o custo de tirar os moradores do local e destruir um patrim\u00f4nio hist\u00f3rico da cidade de Pelotas: a Ponte do Passo dos Negros, constru\u00edda em 1854. Este projeto conta com o apoio e aval da prefeitura de Pelotas, que tem a vis\u00e3o de urbaniza\u00e7\u00e3o e desenvolvimento longe de considerar as comunidades e popula\u00e7\u00e3o local, ou o patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural da cidade, e mais pr\u00f3xima da elite e dos empres\u00e1rios do setor imobili\u00e1rio.<\/p>\n<p>A audi\u00eancia contou com a presen\u00e7a de moradores da regi\u00e3o, pessoas de vulnerabilidade social em sua maioria, sem acesso a \u00e1gua e luz, que vivem no local sem ter condi\u00e7\u00f5es de ir para outro ambiente, e moradores que vivem ali, cujas hist\u00f3rias de vida est\u00e3o enraizadas j\u00e1 por tanto tempo, que n\u00e3o desejam mudar de resid\u00eancia. Tamb\u00e9m contou com a presen\u00e7a participa\u00e7\u00e3o de militantes do movimento Afro, professores e alunos dos cursos de antropologia e arqueologia, entre outros lutadores dos movimentos sociais, que reconhecem a import\u00e2ncia social, pol\u00edtica, hist\u00f3rica e cultural deste espa\u00e7o. Tamb\u00e9m se fizeram presentes na audi\u00eancia, sacerdotes das religi\u00f5es de matriz africana que consideram o local sagrado para o seu culto, devido a import\u00e2ncia hist\u00f3rica e religiosa desempenhada pelo Passo dos Negros e pelas \u00e1rvores de figueira, que ali constituem um elemento paisag\u00edstico sagrado para estas comunidades, representando as \u00e1rvores Baob\u00e1s da \u00c1frica.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da ponte do Passo dos Negros \u00e9 um marco da hist\u00f3ria de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o na cidade, realizadas \u00e0 custa do sangue e suor dos povos negros escravizados, mas \u00e9 tamb\u00e9m um s\u00edmbolo de resist\u00eancia destas popula\u00e7\u00f5es, que ajudaram a construir Pelotas no processo de produ\u00e7\u00e3o do charque que enriquecia as elites. Estas mesmas popula\u00e7\u00f5es costumam ser esquecidas quando se trata de preservar o seu patrim\u00f4nio, e suas hist\u00f3rias s\u00e3o deixadas em segundo plano na historiografia oficial. Ao contr\u00e1rio dos descendentes de seus exploradores, que herdaram propriedades e riquezas obtidas pelas explora\u00e7\u00e3o de escravos nas charqueadas, os negros formam uma minoria em termos econ\u00f4micos, posto que seus antepassados n\u00e3o puderam deixar aos seus descendentes nada al\u00e9m da liberdade nominal, e esta liberdade se tornou na escolha entre trabalhar sob prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es, an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o, ou morrer de fome. Como se este passado hist\u00f3rico j\u00e1 n\u00e3o fosse mais do que hediondo, agora tamb\u00e9m se pretende falsear a hist\u00f3ria e negar a participa\u00e7\u00e3o dos negros no patrim\u00f4nio desta cidade. Este patrim\u00f4nio merece ser preservado para as futuras gera\u00e7\u00f5es, para nos lembrar que s\u00f3 a resist\u00eancia e luta contra a opress\u00e3o pode transformar nossa realidade e que, por outro lado, enquanto houver senhores e servos haver\u00e1 desigualdades sociais e explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o dessa ponte tem um fundo econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m um fundo simb\u00f3lico e ideol\u00f3gico: trata-se de apagar a hist\u00f3ria de um passado podre e comprometedor da elite pelotense, e que seria capaz de por si s\u00f3 justificar as pol\u00edticas afirmativas como algo ainda muito superficial. A hist\u00f3ria que se pretende contar sobre Pelotas, e que tem sido contada predominantemente at\u00e9 aqui, \u00e9 a hist\u00f3ria de um conto de fadas: com bar\u00f5es, baronesas e princesas, bem longe da realidade que \u00e0 luz da verdade revela um dos processos de escravid\u00e3o mais extremos do pa\u00eds. A preserva\u00e7\u00e3o deste espa\u00e7o vai em contram\u00e3o dos interesses da elite dominante, portanto, a luta pela preserva\u00e7\u00e3o do Passo dos Negros \u00e9 uma luta contra-hegem\u00f4nica. No entanto, apesar do esfor\u00e7o que estas comunidades t\u00eam levantado para a preserva\u00e7\u00e3o do lugar, e na exig\u00eancia pelo respeito aos moradores que ali habitam, os secret\u00e1rios de cultura e de mobilidade da cidade, bem como a Prefeita de Pelotas, n\u00e3o compareceram a audi\u00eancia p\u00fablica. Isso demonstra que o poder institucionalizado daqueles que deveriam representar o povo de Pelotas, est\u00e3o mais interessados em seguir a cartilha de domina\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o das elites, destruindo espa\u00e7os que formam o patrim\u00f4nio popular e preservando o patrim\u00f4nio das classes dominantes. Para eles as palavras: \u201ctodo o poder emana do Povo\u201d, que figuram na Plen\u00e1ria da C\u00e2mara, n\u00e3o passam de palavras vazias de conte\u00fado, ou de mera fraseologia para enganar a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00f3s do Partido Comunista Brasileiro atrav\u00e9s de nossa c\u00e9lula em Pelotas, e os coletivos Uni\u00e3o da Juventude Comunista e Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro, atrav\u00e9s da nossa linha de luta e resist\u00eancia popular, anti-imperialista, internacionalista e classista, nos colocamos ao lado do povo trabalhador, e cerramos nossas fileiras ao lado dos Negros, Ind\u00edgenas, Camponeses e das popula\u00e7\u00f5es exploradas e exclu\u00eddas desta cidade, que ajudaram a construir nossa hist\u00f3ria e que, em verdade, constroem ela nos dias de hoje, pois a classe parasita que nos explora nada faz al\u00e9m de tentar mover a roda da hist\u00f3ria para tr\u00e1s, \u00e9 o nosso dever lutar para que ela ande para frente. Na luta pelos direitos \u00e0 cultura, moradia, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, lazer e a vida, no processo de constru\u00e7\u00e3o do Poder Popular, conclamamos: Todo Poder ao Povo!<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: acervo do <a href=\"ttps:\/\/www.facebook.com\/geeurbano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">GEEUR<\/a><\/p>\n<p>*\u00c9 militante do PCB e da UJC, estudante de antropologia-arqueologia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Yuri Yung* No dia 04 de maio de 2017 foi realizada uma audi\u00eancia p\u00fablica na plen\u00e1ria da c\u00e2mara dos vereadores de Pelotas,\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14457\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-14457","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3Lb","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14457","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14457"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14457\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14457"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14457"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14457"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}