{"id":1447,"date":"2011-05-04T10:34:10","date_gmt":"2011-05-04T10:34:10","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1447"},"modified":"2011-05-04T10:34:10","modified_gmt":"2011-05-04T10:34:10","slug":"o-que-se-passa-na-siria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1447","title":{"rendered":"O que se passa na S\u00edria?"},"content":{"rendered":"\n<p>Domenico Losurdo*<\/p>\n<p>No momento em que centenas de s\u00edrios, civis e militares, acabam de tombar sob os tiros de franco atiradores financiados pelos saidiris e enquadrados pela CIA, os media ocidentais acusam o governo de Bachar el-Assad de disparar sobre a sua popula\u00e7\u00e3o e sobre as suas pr\u00f3prias for\u00e7as policiais. Esta campanha de desinforma\u00e7\u00e3o visa justificar uma poss\u00edvel interven\u00e7\u00e3o militar ocidental. O fil\u00f3sofo Domenico Losurdo recorda que o m\u00e9todo n\u00e3o \u00e9 novo. Simplesmente, os novos meios de comunica\u00e7\u00e3o tornaram-no mais refinado. Doravante, a mentira n\u00e3o \u00e9 veiculada apenas pela imprensa escrita e audiovisual, ela passa tamb\u00e9m pelo Facebook e o YouTube.<\/p>\n<p>Desde h\u00e1 alguns dias, grupos misteriosos atiram sobre os manifestantes e, sobretudo, sobre os participantes nos funerais que se seguiram aos acontecimentos sangrentos. Quem comp\u00f5e estes grupos? As autoridades s\u00edrias sustentam que se trata de provocadores, ligados essencialmente aos servi\u00e7os secretos estrangeiros. No Ocidente, em contrapartida, mesmo \u00e0 esquerda endossa-se sem qualquer d\u00favida a tese proclamada em primeiro lugar pela Casa Branca: aqueles que atiram s\u00e3o sempre e apenas agentes s\u00edrios vestidos \u00e0 civil. Obama ser\u00e1 a voz da verdade? A ag\u00eancia s\u00edria <a href=\"http:\/\/www.sana.sy\/index_eng.html\" target=\"_blank\">Sana<\/a> relata a descoberta de &#8220;garrafas de pl\u00e1stico cheias de sangue&#8221; utilizado para produzir &#8220;v\u00eddeos amadores falsificados&#8221; de mortos e feridos junto aos manifestantes. Como ler esta informa\u00e7\u00e3o, que retomo do artigo de L. Trombetta em <em>La Stampa <\/em>de 24 de Abril? Talvez as p\u00e1ginas que se seguem, tiradas de um ensaio que ser\u00e1 publicado em breve, contribuam para lan\u00e7ar alguma luz em cima disso. Se algu\u00e9m se mostrar espantado ou mesmo incr\u00e9dulo com a leitura do conte\u00fado do meu texto, que n\u00e3o se esque\u00e7a de que as fontes que utilizo s\u00e3o quase exclusivamente &#8220;burguesas&#8221; (ocidentais e pr\u00f3 ocidentais). (Ver tamb\u00e9m adenda no fim do texto, NT).<\/p>\n<p><strong>&#8220;Amor e verdade&#8221; <\/strong><\/p>\n<p>Nestes \u00faltimos tempos, com as interven\u00e7\u00f5es sobretudo da secret\u00e1ria de Estado Hillary Clinton, a administra\u00e7\u00e3o Obama n\u00e3o perde uma ocasi\u00e3o de celebrar a Internet, o Facebook, o Twitter como instrumentos de difus\u00e3o da verdade e de promo\u00e7\u00e3o, indirectamente, da paz. Quantias consider\u00e1veis foram atribu\u00eddas por Washington \u00e0 potencializa\u00e7\u00e3o destes instrumentos e para torn\u00e1-los invulner\u00e1veis \u00e0 censura e ataques dos &#8220;tiranos&#8221;. Na realidade, para os novos media e para os mais tradicionais, a mesma regra se aplica: eles tamb\u00e9m podem ser instrumentos de manipula\u00e7\u00e3o e de incitamento do \u00f3dio e mesmo da guerra. O r\u00e1dio foi sabiamente assim utilizado por Goebbels e pelo regime nazi.<\/p>\n<p>Durante a Guerra Fria, mais do que um instrumento de propaganda, as transmiss\u00f5es de r\u00e1dio constitu\u00edram uma arma para as duas partes empenhadas no conflito: a constru\u00e7\u00e3o de &#8221; Psychological Warfare Workshop&#8221; eficaz \u00e9 um dos primeiros deveres assinalados \u00e0 CIA. O recurso \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o desempenha um papel essencial tamb\u00e9m no fim da Guerra Fria. Entretanto, ao lado da r\u00e1dio, interveio a televis\u00e3o. Em 17 de Novembro de 1989, a &#8220;revolu\u00e7\u00e3o de veludo&#8221; triunfa em Praga, com uma palavra de ordem que se pretendia gandiana: &#8220;Amor e verdade&#8221;. Na realidade desempenhou um papel decisivo a difus\u00e3o da fala not\u00edcia segundo a qual um estudante fora &#8220;morto brutalmente&#8221; pela pol\u00edcia. \u00c9 o que revela, satisfeito, vinte anos depois, &#8220;um jornalista e l\u00edder da dissid\u00eancia&#8221;, Jan Urban&#8221;, protagonista da manipula\u00e7\u00e3o: a sua &#8220;mentira&#8221; teve o m\u00e9rito de despertar a indigna\u00e7\u00e3o em massa e o afundamento de um regime j\u00e1 periclitante.<\/p>\n<p>No fim de 1989, apesar de fortemente desacreditado, Nicolae Ceausescu ainda est\u00e1 no poder na Rom\u00e9nia. Como derrub\u00e1-lo? Os mass media ocidentais difundem maci\u00e7amente junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o romena as informa\u00e7\u00f5es e as imagens do &#8220;genoc\u00eddio&#8221; perpetrado em Timisoara pela pol\u00edcia de Ceausescu. O que se passou na realidade? Deixemos a palavra com um prestigioso fil\u00f3sofo (Giorgio Agamben), que nem sempre demonstra vigil\u00e2ncia cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ideologia dominante, mas que sintetizou aqui de modo magistral o caso que tratamos:<\/p>\n<p>&#8220;Pela primeira vez na hist\u00f3ria da humanidade, cad\u00e1veres acabados de enterrar ou alinhados nas mesas das morgues foram desenterrados \u00e0s pressas e torturados para simular diante das c\u00e2maras o genoc\u00eddio que devia legitimar o novo regime. O que o mundo inteiro tinha diante dos olhos em directo como verdade nos \u00e9crans de televis\u00e3o, era a absoluta n\u00e3o verdade. E apesar de a falsifica\u00e7\u00e3o ser por vezes evidente, ela era autenticada de todos os modos como verdadeira pelo sistema mundial dos media, para que ficasse claro que o verdadeiro doravante n\u00e3o era sen\u00e3o um momento do movimento necess\u00e1rio do falso&#8221;.<\/p>\n<p>Dez anos depois, a t\u00e9cnica acima descrita \u00e9 aplicada novamente, com um \u00eaxito renovado. Uma campanha martela o horror de que se tornou respons\u00e1vel o pa\u00eds (a Jugosl\u00e1via) cujo desmembramento foi programado e contra o qual j\u00e1 se est\u00e1 em vias de preparar a guerra humanit\u00e1ria:<\/p>\n<p>&#8220;O massacre de Racak \u00e9 atroz, com mutila\u00e7\u00f5es e cabe\u00e7a cortadas. \u00c9 um cen\u00e1rio ideal para despertar a indigna\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica internacional. Alguma coisa parece estranha na matan\u00e7a. Os s\u00e9rvios matam habitualmente sem efectuar mutila\u00e7\u00f5es [&#8230;] Como mostra a guerra da B\u00f3snia, as den\u00fancias de atrocidades nos corpos, sinais de tortura, decapita\u00e7\u00f5es, s\u00e3o uma arma de propaganda difusa [&#8230;] Talvez n\u00e3o tenham sido os s\u00e9rvios mas sim os guerrilheiros albaneses que mutilaram os corpos&#8221;.<\/p>\n<p>Naquela altura, os guerrilheiros do UCK n\u00e3o podiam ser suspeitos de uma tal inf\u00e2mia: eram <em>freedom fighters, <\/em>combatentes da liberdade. Hoje, no Conselho da Europa, o l\u00edder do UCK e pai da p\u00e1tria no Kosovo, Hashim Thaci, &#8220;\u00e9 acusado de dirigir um cl\u00e3 pol\u00edtico-criminal nascido na v\u00e9spera da guerra&#8221; e implicado no tr\u00e1fico n\u00e3o s\u00f3 de hero\u00edna como tamb\u00e9m de \u00f3rg\u00e3os humanos. Eis o que acontecia sob a sua direc\u00e7\u00e3o no decorrer da guerra: &#8220;Uma quinta em Rripe, na Alb\u00e2nia central, transformada pelos homens do UC em sala de opera\u00e7\u00e3o, tendo como pacientes prisioneiros de guerra s\u00e9rvios: um golpe na nuca, antes e extirpar os seus rins, com a cumplicidade de m\u00e9dicos estrangeiros&#8221; (presume-se que ocidentais). E assim vem \u00e0 luz a realidade da &#8220;guerra humanit\u00e1ria&#8221; de 1999 contra a Jugosl\u00e1via; mas durante este tempo o seu desmembramento foi levado a cabo e no Kosovo instala-se e permanece uma enorme base militar estado-unidense.<\/p>\n<p>Fa\u00e7amos um outro salto atr\u00e1s de v\u00e1rios anos. Uma revista francesa de geopol\u00edtica <em>(H\u00e9rodote) <\/em>salientou o papel essencial desempenhado no decorrer da &#8220;revolu\u00e7\u00e3o das rosas&#8221;, verificada na Ge\u00f3rgia no fim de 2003, pelas redes televisivas que est\u00e3o nas m\u00e3os da oposi\u00e7\u00e3o georgiana e pelas redes ocidentais: elas transmitem sem descontinuar a imagem (que a seguir revelou-se falsa) da <em>villa <\/em>que seria a prova da corrup\u00e7\u00e3o de Eduard Chevarnadze, o dirigente que se pretendia derrubar. Ap\u00f3s a proclama\u00e7\u00e3o dos resultados eleitorais que d\u00e3o a vit\u00f3ria a Chevarnadze e que s\u00e3o declarados fraudulentos pela oposi\u00e7\u00e3o, esta decide organizar uma marcha sobre T\u00edflis, que deveria marcar &#8220;a chegada simb\u00f3lica, mesmo pac\u00edfica, \u00e0 capital, de todo um pa\u00eds em c\u00f3lera&#8221;. Apesar de convocados por todos os cantos do pa\u00eds com grandes refor\u00e7os de meios propagand\u00edsticos e financeiros, nesse dia afluem \u00e0 marcha entre 5 000 e 10 000 pessoas: &#8220;isto n\u00e3o \u00e9 nada para a Ge\u00f3rgia&#8221;! Mas ainda assim, gra\u00e7as a uma <em>mise en sc\u00e8ne <\/em>refinada e de grande profissionalismo, a cadeia de televis\u00e3o mais difundida no pa\u00eds chega a comunicar uma mensagem inteiramente diferente: &#8220;A imagem est\u00e1 l\u00e1, poderosa, a de um povo inteiro que segue o seu futuro presidente&#8221;. Doravante as autoridades pol\u00edticas est\u00e3o deslegitimadas, o pa\u00eds est\u00e1 desorientado e aturdido e a oposi\u00e7\u00e3o mais arrogante do que nunca, tanto mais que os media internacionais e as chancelarias ocidentais encorajam-no e protegem-no. O golpe de Estado est\u00e1 maduro, ele vai levar ao poder Mikhail Saakashvili, que estudou nos EUA, fala um ingl\u00eas perfeito e est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de compreender rapidamente as ordens dos seus superiores.<\/p>\n<p><strong>A Internet como instrumento de liberdade <\/strong><\/p>\n<p>Vejamos agora os novos media, particularmente queridos \u00e0 senhora Clinton e \u00e0 administra\u00e7\u00e3o Obama. Durante o Ver\u00e3o de 2009 podia-se ler num di\u00e1rio italiano reputado:<\/p>\n<p>&#8220;Desde h\u00e1 alguns dias, no Twitter, circula uma imagem de proveni\u00eancia incerta [&#8230;] Diante de n\u00f3s, um fotograma de um valor profundamente simb\u00f3lico: uma p\u00e1gina do nosso presente. Uma mulher com o v\u00e9u negro, que usa uma t-shirt verdade sobre jeans: extremo Oriente e extremo Ocidente juntos. Ela est\u00e1 s\u00f3, de p\u00e9. Tem o bra\u00e7o direito levantado e o punho fechado. Face a ela, imponente, a boca de um SUV, do tecto do qual emerge, hier\u00e1tico, Mahmoud Ahmadinejad. Atr\u00e1s, os guarda-costas. O jogo dos gestos impressiona: provoca\u00e7\u00e3o desesperada da parte da mulher; m\u00edstica da parte do presidente iraniano&#8221;.<\/p>\n<p>Trata-se de &#8220;uma fotomontagem&#8221;, que parece &#8220;veros\u00edmil&#8221;, para chegar mais eficazmente a &#8220;condicionar ideias, cren\u00e7as&#8221;. As manipula\u00e7\u00f5es abundam. No fim do m\u00eas de Junho de 2009, os novos media no Ir\u00e3o e todos os meios de informa\u00e7\u00e3o ocidentais difundem a imagem de uma bela jovem atingida por uma bala: &#8220;Ela come\u00e7a a sangrar, perde consci\u00eancia. Nos segundos que se seguem ou pouco depois, ela est\u00e1 morta. Ningu\u00e9m pode dizer se foi atingido no fogo cruzado ou se foi atingida de modo deliberado&#8221;. Mas a busca da verdade \u00e9 a \u00faltima coisa em que se pensa: seria de qualquer modo uma perda de tempo e poderia mesmo revelar-se contra-producente. O essencial est\u00e1 alhures: &#8220;no presente a revolu\u00e7\u00e3o tem um nome: Neda&#8221;. Pode-se ent\u00e3o difundir a mensagem desejada: &#8220;Neda inocente contra Ahmadinejad&#8221;, ou ent\u00e3o, &#8220;uma jovem corajosa contra um regime vil&#8221;. E a mensagem verifica-se irresist\u00edvel: &#8220;\u00c9 imposs\u00edvel olhar na Internet de modo frio e objectivo o v\u00eddeo de Neda Soltani, a breve sequ\u00eancia em que o pai da jovem e um m\u00e9dico tentam salvar a vida da jovem iraniana de vinte e seis anos&#8221;. Como na fotomontagem, tamb\u00e9m no caso da imagem de Neda estamos na presen\u00e7a de uma manipula\u00e7\u00e3o refinada, atentamente estudada e calibrada em todos os seus pormenores (gr\u00e1ficos, pol\u00edticos e psicol\u00f3gicos) com o objectivo de desacreditar e tornar o mais odiosa poss\u00edvel a direc\u00e7\u00e3o iraniana (Ver adenda no fim do texto, NT)<\/p>\n<p>E chegamos assim ao &#8220;caso l\u00edbio&#8221;. Uma revista italiana de geopol\u00edtica falou a prop\u00f3sito disso da &#8220;utiliza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica do falso&#8221;, como confirma em primeiro lugar o &#8220;desconcertante caso das falsa fossas comuns&#8221; (e de outros pormenores sobre os quais chamei a aten\u00e7\u00e3o). A t\u00e9cnica \u00e9 aquela que se utiliza h\u00e1 d\u00e9cadas, mas que na actualidade, com o advento dos novos media, adquire uma efici\u00eancia terr\u00edvel: &#8220;A luta \u00e9 primeiro representada como um duelo entre o poderosos e o fraco indefeso, e rapidamente transfigurada a seguir numa oposi\u00e7\u00e3o frontal entre o Bem e o Mal absolutos&#8221;. Nestas circunst\u00e2ncias, longe de ser um instrumento de liberdade, os novos media produzem o resultado oposto. Estamos na presen\u00e7a de uma t\u00e9cnica de manipula\u00e7\u00e3o, que &#8220;restringe fortemente a liberdade de escolha dos espectadores&#8221;; &#8220;os espa\u00e7os para uma an\u00e1lise racional s\u00e3o comprimidos ao m\u00e1ximo, em particular explorando o efeito emotivo da sucess\u00e3o r\u00e1pida das imagens&#8221;.<\/p>\n<p>E assim reencontra-se para os novos media a regra j\u00e1 constatada para o r\u00e1dio e a televis\u00e3o: os instrumentos, ou potenciais instrumentos, de liberdade e de emancipa\u00e7\u00e3o (intelectual e pol\u00edtica) podem inverter-se e muitas vezes invertem-se hoje no seu contr\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil prever que a representa\u00e7\u00e3o manique\u00edsta do conflito na L\u00edbia n\u00e3o resistir\u00e1 muito tempo; mas Obama e seus aliados esperam no intervalo atingir os seus objectivos, que n\u00e3o s\u00e3o verdadeiramente humanit\u00e1rios, mesmo se a novl\u00edngua teima de defini-los como tais.<\/p>\n<p><strong>Espontaneidade da Internet <\/strong><\/p>\n<p>Mas retornemos \u00e0 fotomontagem que mostra uma dissidente iraniana a desafiar o presidente do seu pa\u00eds. O autor do artigo que cito n\u00e3o se interroga sobre os artes\u00e3os de uma manifesta\u00e7\u00e3o t\u00e3o refinada. Vou tentar remediar esta lacuna. No fim dos anos 90 j\u00e1 se podia ler no <em>International Herald Tribune: <\/em>&#8220;As novas tecnologias mudaram a pol\u00edtica internacional&#8221;; aqueles que estiverem em condi\u00e7\u00f5es de control\u00e1-las v\u00eaem aumentar desmedidamente seu poder e sua capacidade de desestabiliza\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses mais fracos e tecnologicamente menos avan\u00e7ados.<\/p>\n<p>Estamos na presen\u00e7a de um novo cap\u00edtulo da guerra psicol\u00f3gica. Tamb\u00e9m neste dom\u00ednio os EUA est\u00e3o decisivamente na vanguarda, tendo no seu activo d\u00e9cadas de investiga\u00e7\u00e3o e de experimenta\u00e7\u00f5es. H\u00e1 alguns anos Rebecca Lemov, antrop\u00f3loga d Universidade do Estado de Washington, publicou um livro que &#8220;ilustra as tentativas desumanas da CIA e de alguns dos maiores psiquiatras de &#8220;destruir e reconstruir&#8221; a psique dos pacientes nos anos 50&#8243;. Podemos ent\u00e3o compreender um epis\u00f3dio que se verificou neste mesmo per\u00edodo. Em 16 de Agosto de 1951, fen\u00f3menos estranhos e inquietantes vieram perturbar Pont-Saint-Esprit, &#8220;uma aldeia tranquila e pitoresca&#8221; situada &#8220;no Sudeste da Fran\u00e7a&#8221;. Sim, &#8220;a aldeia foi sacudida por um misterioso vento de loucura colectiva. Pelo menos cinco pessoas morreram, dezenas acabaram no asilo, centenas deram sinais de del\u00edrio e de alucina\u00e7\u00f5es [&#8230;] Muitos acabaram no hospital com a camisa de for\u00e7a&#8221;. O mist\u00e9rio, que durante longos anos cercou este ataque de &#8220;loucura colectiva&#8221;, agora est\u00e1 desvendado: tratou-se de uma &#8220;experimenta\u00e7\u00e3o efectuada pela CIA, com a Special Operation Division (SOD), a unidade secreta do Ex\u00e9rcito dos EUA de Fort Detrick, Maryland&#8221;; os agentes da CIA &#8220;contaminaram com LSD as baguetes vendidas nas padarias da aldeia&#8221;, provocando os resultados que vimos acima. Estamos no princ\u00edpio da Guerra Fria: certamente os Estados Unidos eram aliados da Fran\u00e7a, mas \u00e9 justamente por isso que esta se prestava facilmente \u00e0s experimenta\u00e7\u00f5es de guerra psicol\u00f3gica que tinham como objectivo o &#8220;campo socialista&#8221; (e a revolu\u00e7\u00e3o anti-colonial) mas que dificilmente podiam ser efectuados nos pa\u00edses para al\u00e9m da cortina de ferro.<\/p>\n<p>Coloquemos ent\u00e3o uma pergunta: a excita\u00e7\u00e3o e o incitamento das massas n\u00e3o podem ser produzidos sen\u00e3o pela via farmacol\u00f3gica? Com o advento e a generaliza\u00e7\u00e3o da Internet, Facebook, Twitter, emergiu uma nova arma, suscept\u00edvel de modificar profundamente as rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a no plano internacional. Isto n\u00e3o \u00e9 mais um segredo, para ningu\u00e9m. Nos nossos dias, nos EUA, um rei da s\u00e1tira televisiva como Jon Stewart exclama: &#8220;Mas porque enviamos ex\u00e9rcito se \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil abater as ditaduras via Internet quanto comprar um par de sapatos?&#8221; Por sua vez, numa revista pr\u00f3xima do Departamento de Estado, um investigador chama a aten\u00e7\u00e3o sobre &#8220;como \u00e9 dif\u00edcil militarizar&#8221; <em>(to weaponize) <\/em>os novos media para objectivos a curto prazo e ligados a um pa\u00eds determinado; mais vale perseguir objectivos de mais ampla envergadura. As \u00eanfases podem variar, mas o significado militar das novas tecnologias \u00e9 em todos os casos explicitamente sublinhado e reivindicado.<\/p>\n<p>Mas a Internet n\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria express\u00e3o da espontaneidade individual? S\u00f3 os mais ing\u00e9nuos (e os menos escrupulosos) argumentam assim, Na realidade \u2013 reconhece Douglas Paal, ex-colaborador de Reagan e de Bush s\u00e9nior \u2013 a Internet \u00e9 actualmente &#8220;gerida por uma ONG que \u00e9 de facto uma emana\u00e7\u00e3o do Departamento de Com\u00e9rcio dos EUA&#8221;. Trata-se s\u00f3 de com\u00e9rcio? Um di\u00e1rio de Pequem relata um facto amplamente esquecido: quando em 1992 a China pede pela primeira vez para ser conectada \u00e0 Internet, seu pedido foi rejeitado devido ao perigo de que o grande pa\u00eds asi\u00e1tico pudesse assim &#8220;procurar informa\u00e7\u00f5es sobre o Ocidente&#8221;. Agora, ao contr\u00e1rio, Hillary Clinton reivindica a &#8220;absoluta liberdade&#8221; de Internet como valor universal ao qual n\u00e3o se pode renunciar; e contudo \u2013 comenta o di\u00e1rio chin\u00eas \u2013 &#8220;o ego\u00edsmo dos Estados Unidos n\u00e3o mudou&#8221;.<\/p>\n<p>Talvez n\u00e3o se trate apenas de com\u00e9rcio. Quanto a isso, o seman\u00e1rio alem\u00e3o <em>Die Zeit <\/em>pede esclarecimentos a James Bamford, um dos maiores peritos em mat\u00e9ria de servi\u00e7os secretos estado-unidenses: &#8220;Os chineses tamb\u00e9m temem que firmas americanas como a Google sejam em \u00faltima an\u00e1lise ferramentas dos servi\u00e7os secretos americanos no territ\u00f3rio chin\u00eas. Ser\u00e1 uma atitude paran\u00f3ica?&#8221; &#8220;Nada disso&#8221;, responde ele imediatamente. Ao contr\u00e1rio \u2013 acrescenta o perito \u2013 &#8220;organiza\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es estrangeiras [tamb\u00e9m] s\u00e3o infiltradas&#8221; pelos servi\u00e7os secretos estado-unidenses, os quais est\u00e3o de todos os modos em condi\u00e7\u00f5es de interceptar as comunica\u00e7\u00f5es telef\u00f3nicas em todos os cantos do planeta e devem ser considerado como &#8220;os maiores hackers do mundo&#8221;. Doravante \u2013 afirmam ainda no <em>Die Zeit <\/em>dois jornalistas alem\u00e3es \u2013 n\u00e3o h\u00e1 a m\u00ednima d\u00favida quanto a isso:<\/p>\n<p>&#8220;Os grandes grupos da Internet tornaram-se uma ferramenta da geopol\u00edtica dos EUA. Antes, havia a necessidade de laboriosas opera\u00e7\u00f5es secretas para apoiar movimentos pol\u00edticos em pa\u00edses long\u00ednquos. Hoje basta frequentemente um pouco de t\u00e9cnica de comunica\u00e7\u00e3o, operada a partir do Ocidente [&#8230;] O servi\u00e7o secreto tecnol\u00f3gico dos EUA, a National Security Agency, est\u00e1 em vias de montar uma organiza\u00e7\u00e3o completamente nova para as guerras na Internet&#8221;.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m portanto reler \u00e0 luz de tudo isto alguns acontecimentos recentes de explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o muito f\u00e1cil. Em Julho de 2009 incidentes sangrentos verificaram-se em Urumqi e no Xinjiang, a regi\u00e3o da China habitada sobretudo por uigures. Ser\u00e3o a discrimina\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o contra minorias \u00e9tnicas e religiosas a explica\u00e7\u00e3o? Uma abordagem deste tipo n\u00e3o parece muito plaus\u00edvel, a julgar pelo menos com o que informa de Pequim o correspondente de <em>La Stampa: <\/em><\/p>\n<p>&#8220;Numerosos hans de Urumqi queixavam-se dos privil\u00e9gios de que desfrutavam o uigures. Estes, de facto, enquanto minoria nacional mu\u00e7ulmana, t\u00eam em igual n\u00edvel condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de vida bem melhores que os seus colegas hans. Um uigur, no escrit\u00f3rio, tem autoriza\u00e7\u00e3o para suspender o seu trabalho v\u00e1rias vezes por dia para cumprir as cinco ora\u00e7\u00f5es mu\u00e7ulmanas tradicionais da jornada [&#8230;] Al\u00e9m disso podem n\u00e3o trabalhar na sexta-feira, dia feriado mu\u00e7ulmano. Em teoria eles deveriam recuperar o domingo. Mas no domingo os escrit\u00f3rios est\u00e3o de facto desertos [&#8230;] Outro ponto doloroso para os hans, submetidos \u00e0 dura pol\u00edtica que imp\u00f5e o filho \u00fanico por fam\u00edlia, \u00e9 o facto de que os uigures podem ter dois ou tr\u00eas filhos. Como mu\u00e7ulmanos, al\u00e9m disso, eles t\u00eam reembolsos acrescidos no seu sal\u00e1rio pois como n\u00e3o podem comer porco devem recorrer \u00e0 carne de carneiro que \u00e9 mais cara&#8221;.<\/p>\n<p>Parecem portanto pelo menos unilaterais estas acusa\u00e7\u00f5es do Ocidente contra o governo de Pequim por querer apagar a identidade nacional e religiosa dos uigures. E ent\u00e3o?<\/p>\n<p>Vamos reflectir sobre a din\u00e2mica destes incidentes. Numa vila litoranea da China onde, apesar das diferentes tradi\u00e7\u00f5es culturais e religiosas pr\u00e9-existentes, hans e uigures trabalham lado a lado, difunde-se de repente o rumor de que uma jovem han foi violada por oper\u00e1rios uigures; da\u00ed resultam incidentes no decorrer dos quais dois uigures perdem a vida. O rumor que provocou esta trag\u00e9dia \u00e9 falso mas ent\u00e3o difunde-se um segundo rumor mais forte e ainda mais funesto: a Internet divulga na rede a not\u00edcia de que na cidade costeira da China centenas de uigures teriam perdido a vida, massacrados pelos sob a indiferen\u00e7a e mesmo sob o olhar complacente da pol\u00edcia. Resultado: tumultos \u00e9tnicos no Xinjiang, que provocam a morte de quase 200 pessoas, desta vez quase todos hans.<\/p>\n<p>Estaremos na presen\u00e7a de uma complica\u00e7\u00e3o infeliz e fortuita de circunst\u00e2ncias ou, em alternativa, da difus\u00e3o de rumores falsos e tendenciosos visando o resultado que efectivamente se verificou a seguir? Estamos numa situa\u00e7\u00e3o em que a partir de agora se verificar imposs\u00edvel distinguir a verdade da manipula\u00e7\u00e3o. Uma sociedade estado-unidense realizou &#8220;programas que permitiriam a um sujeito empenhado numa campanha de desinforma\u00e7\u00e3o adoptar simultaneamente at\u00e9 70 identidades (perfis de redes sociais, contas em f\u00f3runs, etc) gerindo-os paralelamente: tudo isso sem que se possa descobrir quem puxa os fios desta marionete virtual&#8221;. Quem recorreu a estes programas? N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil adivinhar. O di\u00e1rio citado aqui, n\u00e3o suspeito de anti-americanismo, precisa que a sociedade em causa &#8220;fornece servi\u00e7os a diversas ag\u00eancias governamentais estado-unidenses, como a CIA e o Minist\u00e9rio da Defesa&#8221;. A manipula\u00e7\u00e3o de massa celebra o seu triunfo enquanto a linguagem do Imp\u00e9rio e da novil\u00edngua fazem-se, na boca de Obama, mais doces e suaves do que nunca.<\/p>\n<p>Volta ent\u00e3o \u00e0 mem\u00f3ria a &#8220;experimenta\u00e7\u00e3o efectuada pela CIA&#8221; durante o Ver\u00e3o de 1951, que produziu &#8220;um misterioso vendaval de loucura colectiva&#8221; na &#8220;aldeia pitoresca e tranquila&#8221; de Pont-Saint-Esprit. E eis-nos de novo obrigados a nos colocarmos a pergunta inicial: a &#8220;loucura colectiva&#8221; pode ser produzida s\u00f3 por via farmacol\u00f3gica ou pode hoje ser o resultado do recurso, tamb\u00e9m, \u00e0s &#8220;novas tecnologias&#8221; da comunica\u00e7\u00e3o de massa?<\/p>\n<p>Compreendem-se ent\u00e3o os financiamentos de Hillary Clinton e da administra\u00e7\u00e3o Obama aos novos media. Vimos que a realidade das &#8220;guerras na Internet&#8221; a partir de agora \u00e9 reconhecida mesmo por \u00f3rg\u00e3os reputados da imprensa ocidental; salvo que na linguagem do Imp\u00e9rio e na novil\u00edngua a promo\u00e7\u00e3o das &#8220;guerras na Internet&#8221; torna-se a promo\u00e7\u00e3o da liberdade, da democracia e da paz.<\/p>\n<p>Os alvos destas opera\u00e7\u00f5es n\u00e3o permanecem inertes: como em toda guerra, os fracos procuram reduzir a sua desvantagem aprendendo com os mais fortes. E eis que estes \u00faltimos gritam escandalizados: &#8220;No L\u00edbano aqueles que melhor dominam os novos media e as redes sociais n\u00e3o s\u00e3o as for\u00e7as pol\u00edticas pr\u00f3 ocidentais que apoiam o governo de Saad Hariri, mas sim os &#8220;Hezbol\u00e1&#8221;. Esta observa\u00e7\u00e3o deixa fugir um suspiro: ah, como seria belo se, assim como aconteceu com a bomba at\u00f3mica e as armas (propriamente ditas) mais refinadas, tamb\u00e9m para as &#8220;novas tecnologias&#8221; e as novas armas de informa\u00e7\u00e3o e desinforma\u00e7\u00e3o em massa, aqueles que det\u00eam o monop\u00f3lio fossem o pa\u00eds que inflige um intermin\u00e1vel mart\u00edrio ao povo palestino e pudessem continuar a exercer no M\u00e9dio Oriente uma ditadura terrorista! O facto \u00e9 \u2013 lamenta-se Moises Na\u00efm, director da Foreign Policy \u2013 que os EUA, Israel e o Ocidente j\u00e1 n\u00e3o enfrentam mais os &#8220;ciber-idiotas de outrora&#8221;. Estes &#8220;contra-atacam com as mesmas armas, fazem contra-informa\u00e7\u00e3o, envenenam os po\u00e7os&#8221;: uma verdadeira trag\u00e9dia do ponto de vista dos presumidos campe\u00f5es do &#8220;pluralismo&#8221;. Na linguagem do Imp\u00e9rio e na novil\u00edngua, a t\u00edmida tentativa de criar um espa\u00e7o alternativo ao que \u00e9 gerido e hegemonizado pela superpot\u00eancia solit\u00e1ria torna-se um &#8220;envenenamento dos po\u00e7os&#8221;.<\/p>\n<p>Adenda do R\u00e9seau Voltaire<\/p>\n<p><strong>Sobre o Facebook na S\u00edria <\/strong><\/p>\n<p>Desde o princ\u00edpio das maniesta\u00e7\u00f5es em Deraa, foi aberta uma p\u00e1gina no Facebook com o t\u00edtulo &#8220;Revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria 2011&#8221;: slogan publicit\u00e1rio para verdadeiros revolucion\u00e1rios: se n\u00e3o se conseguir em 2011 deixa-se cair? Durante a jornada, esta p\u00e1gina contava com 80 mil amigos, quase todos das contas Facebook criadas no mesmo dia. Isto \u00e9 imposs\u00edvel salvo se os &#8220;amigos&#8221; forem contas virtuais criadas por software.<\/p>\n<p><strong>A prop\u00f3sito do caso Neda no Ir\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>Se se rev\u00ea o v\u00eddeo da morte da jovem Neda passando-o em c\u00e2ma lenta, constata-se que ao cair a jovem tem o reflexo de amortecer a sua queda com o bra\u00e7o. Ora, toda pessoa atingida por bala \u2013 ainda mais no peito \u2013 perde os seus reflexos. O corpo deveria cair como uma massa. Mas n\u00e3o \u00e9 o caso. \u00c9 imposs\u00edvel que a jovem tenha sido por bala naquele momento. Alguns segundos mais tarde, o v\u00eddeo mostra o rosto da jovem. Ele est\u00e1 bem. Ela passa a m\u00e3o sobre o seu rosto e \u00e9 ent\u00e3o recoberto de sangue. O aumento da m\u00e3o mostra que ela dissimula um objecto na sua palma e que ela espalha ela pr\u00f3pria o sangue sobre o seu rosto. A jovem \u00e9 ent\u00e3o levada pelos seus amigos ao hospital. Ela morre durante o transporte. Chegada ao hospital, constata-se que a morte se deveu a uma bala em pleno peito. Esta n\u00e3o pode ter sido atirada sen\u00e3o pelos seus &#8220;amigos&#8221; durante o seu transporte.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas <\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Giorgio Agamben 1996, Mezzi senza fine. Note sulla politica, Bollati Boringhieri, Torino.<\/p>\n<p>&#8211; James Bamford (interview) 2010, quot Passen Sie auf, was Sie tippen quot, par Thomas Fischermann, in <em>Die Zeit, <\/em>18 f\u00e9vrier, pp. 20-21.<\/p>\n<p>&#8211; Ennio Caretto 2006, La Cia riprogramm\u00f2 le menti dei reduci, in <em>Corriere della Sera, <\/em>12 f\u00e9vrier, p. 14.<\/p>\n<p>&#8211; Germano Dottori 2011, Disinformacija. L&#8217;uso strategico del falso nel caso libico, in Limes. <em>Rivista italiana di geopolitica, <\/em>n. 1, pp. 43-49.<\/p>\n<p>&#8211; Alessandra Farkas 2010 quot La Cia drog\u00f2 il pane dei francesi quot. Svelato il mistero delle baguette che fecero ammattire un paese nel &#8217;51, in <em>Corriere della Sera, <\/em>13 mars, p. 25.<\/p>\n<p>&#8211; Thomas Fischermann, G\u00f6tz Hamann 2010, Angriff aus dem Cyberspace, in <em>Die Zeit, <\/em>18 f\u00e9vrier, pp. 19-21.<\/p>\n<p>&#8211; Carlo Formenti 2011, La quot disinformazia quot ai tempi del Web. Identit\u00e0 multiple per depistare, in <em>Corriere della Sera, <\/em>28 f\u00e9vrier, p. 38.<\/p>\n<p>&#8211; Massimo Gaggi 2010, Un&#8217;illusione la democrazia via web. Estremisti e despoti sfruttano Internet, in <em>Corriere della Sera, <\/em>20 mars, p. 21.<\/p>\n<p>&#8211; R\u00e9gis Gent\u00e9 2008, Des r\u00e9volutions m\u00e9diatiques, in <em>H\u00e9rodote, revue de g\u00e9ographie et de g\u00e9opolitique, <\/em>2\u00b0 trimestre, pp. 37-68.<\/p>\n<p>&#8211; Mara Gergolet 2010, L&#8217;Europa : quot Traffico d&#8217;organi in Kosovo quot, in <em>Corriere della Sera, <\/em>16 d\u00e9cembre, p. 18.<\/p>\n<p>&#8211; Global Times 2011, The internet belongs to all, not just the US, in <em>Global Times, <\/em>17 f\u00e9vrier.<\/p>\n<p>&#8211; Andrian Kreye 2009, Gr\u00fcne Schleifen f\u00fcr Neda, in <em>S\u00fcddeutsche Zeitung, <\/em>24 juin, p. 11.<\/p>\n<p>&#8211; Domenico Losurdo 2010, La non-violenza. Una storia fuori dal mito, Laterza, Roma-Bari.<\/p>\n<p>&#8211; Roberto Morozzo Della Rocca 1999, La via verso la guerra, in Suppl\u00e9ment au n. 1 (Quaderni Speciali) de <em>Limes. <\/em><em>Rivista Italiana di Geopolitica, <\/em>pp. 11-26.<\/p>\n<p>&#8211; Barack Obama, David Cameron, Nicolas Sarkozy, Libya&#8217;s pathway to peace, in <em>International Herald Tribune, <\/em>15 avril, p. 7.<\/p>\n<p>&#8211; Douglas Paal (interview \u00e0) 2010, quot Questo \u00e8 l&#8217;inizio di uno scontro tra due civilt\u00e0 quot, par Maurizio Molinari, in <em>La Stampa, <\/em>23 janvier, p. 7.<\/p>\n<p>&#8211; Nicolas Pelham 2011, The Battle for Libya, in <em>The New Review of Books, <\/em>7 avril, pp. 77-79.<\/p>\n<p>&#8211; Guido Ruotolo 2011, Gheddafi : ingannati dagli amici occidentali, in <em>La Stampa, <\/em>1er mars, p. 6.<\/p>\n<p>&#8211; David E. Sanger 2011, As war in Libya drags on, U.S. goals become harder, in <em>International Herald Tribune, <\/em>12 avril, pp. 1 et 8.<\/p>\n<p>&#8211; Clay Shirky 2011, The Political Power of Social Media, in <em>Foreign Affairs, <\/em>janvier-f\u00e9vrier 2011, pp. 28-41.<\/p>\n<p>&#8211; Bob Schmitt 1997, The Interrnet and International Politics, in <em>International Herald Tribune, <\/em>2 avril, p. 7.<\/p>\n<p>&#8211; Francesco Sisci 2009, Perch\u00e9 uno han non sposer\u00e0 mai una uigura, in <em>La Stampa, <\/em>8 juillet, p. 17.<\/p>\n<p>&#8211; Evan Thomas 1995, The Very Best Men. Four Who Dared. The Early Years of the CIA, Simon &amp; Schuster, New York<\/p>\n<p>&#8211; Vincenzo Trione 2009, Quella verosimile manipolazione contro l&#8217;arroganza di Ahmadinejad, in <em>Corriere della Sera, <\/em>2 juillet, p. 12.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/resistir.info\/losurdo\/losurdo_27abr11.html\" target=\"_blank\"> http:\/\/resistir.info\/losurdo\/losurdo_27abr11.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Resistir.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nEstende-se o dom\u00ednio da manipula\u00e7\u00e3o\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1447\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1447","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-nl","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1447","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1447"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1447\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1447"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1447"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1447"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}