{"id":14577,"date":"2017-05-29T14:58:24","date_gmt":"2017-05-29T17:58:24","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=14577"},"modified":"2017-05-29T21:33:58","modified_gmt":"2017-05-30T00:33:58","slug":"miguel-urbano-rodrigues-e-o-pcb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14577","title":{"rendered":"Miguel Urbano Rodrigues e o PCB"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/Z1d-OizGeIT0qE6HT-FilTuAvqSxssI-n3owr71wOCXGyblPFG8Q158JIQHpSFCuGqclwvMgnnV5R_jl9gGlOMrFB5BCYYQ8bQke-bDJmK96Ly91VcTuOT_Sbu--9SWobkGJ1uNp-4sGRHrccUAxKQgP-XQm2s6Qu55ZBEzo8_QcvaQSKQMpALiyM5LPKNB4fekcNUmYBRVg4566gvHhmasf_IytfDLL_KQwMx5yWoRlSu-rMcYx6O_q19fsXM9ObKmtW_UlChj0biun2CWenwZrfMYSCt8ldH0nbBS-BgDQbIw67CzJ0tFOC_PS4E1yEh66SANj80aWJCpqIy3tbxK-NELlPIWCwqrBBKpRhGRo62tZ9YrS41WcDtBZjYKYOEJBXPgg5auUEOrne7SchA7lxX6RiR2SbbX4j-83M0WWOZ2woT7PKdKkzQyVmezGBwc_YPdD5VvHz31jHBowfQs-LCbbeS5lIv0PgD7bb9ZRUOXYQEnZcMuc-P2o9jCJJO8RNiEthhyAG7KMjw06JcahYBJY58Xj0SwjvzDnhqidyseyth8jST4AzKDOIuOYNSJIH0WRRbYBMJXkQPbLpy59L6rphDjnzkk3Eu1PtbYLHSBXdP4AOIp-0h8AFG_Z35cY4fD-SIyrNWvoDc6mHKP7gzK5WJHJx86OSv9eLw=w1000-h330-no\" alt=\"imagem\" \/>Neste 27 de maio de 2017, aos 91 anos, Miguel Urbano Rodrigues entrou para a hist\u00f3ria do movimento comunista, provavelmente como o melhor exemplo de intelectual militante que fez do exerc\u00edcio do internacionalismo prolet\u00e1rio um compromisso de vida.<!--more--><\/p>\n<p>A extraordin\u00e1ria obra deixada por este eterno jornalista e escritor, valorizada por sua vasta cultura e a clareza da sua escrita, ser\u00e1 sempre uma inesgot\u00e1vel fonte de pesquisa para aqueles que procuram entender o mundo pelas lentes da luta de classes.<\/p>\n<p>Diz-se que Miguel Urbano era portugu\u00eas. Tanto assim que nasceu no Alentejo, em 1925. Mas o olhar comunista de Miguel n\u00e3o tinha fronteiras. Em cada um de seus escritos se identifica, em cada momento hist\u00f3rico, aonde e de que lado estavam os atores e os interesses que se batiam em cada cap\u00edtulo da luta inconcili\u00e1vel entre o capital e o trabalho.<\/p>\n<p>Por sofrer as dores e as alegrias de todos os povos, al\u00e9m de portugu\u00eas, Miguel era russo, cubano, grego, vietnamita, palestino, argelino, franc\u00eas, haitiano, iugoslavo, colombiano e venezuelano, angolano e mo\u00e7ambicano. Mas ser brasileiro marcou muito nosso querido Miguel. Viveu entre n\u00f3s quase vinte anos, durante o ex\u00edlio que lhe imp\u00f4s a ditadura fascista de Salazar. No Brasil, exerceu o jornalismo e militou no PCB. Logo ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos (que se deu em 25 de abril de 1974), voltou a Portugal para se reincorporar ao Partido Comunista Portugu\u00eas e militar \u00e0 frente de sua imprensa partid\u00e1ria.<\/p>\n<p>Miguel nunca deixou de acompanhar os acontecimentos no Brasil, mas manteve dist\u00e2ncia pol\u00edtica do PCB durante a d\u00e9cada de 1980, apesar de preservar rela\u00e7\u00f5es amistosas com alguns comunistas brasileiros que tiveram a honra de compor sua legi\u00e3o de amigos por toda parte. Foi nos anos 1990, em meio aos impactos que a contrarrevolu\u00e7\u00e3o na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica provocou no movimento comunista internacional, que Miguel Urbano, sondando o terreno, voltou aos poucos a se aproximar do PCB, solid\u00e1rio com a luta daqueles que insistiam em defender a manuten\u00e7\u00e3o do partido, resistindo aos liquidacionistas.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o de Miguel Urbano Rodrigues com o PCB veio se intensificando, fazendo dele o amigo, colaborador e simpatizante mais identificado internacionalmente com o partido. Para se ter ideia da import\u00e2ncia da contribui\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de Miguel Urbano para a forma\u00e7\u00e3o da nossa milit\u00e2ncia e dos nossos amigos e simpatizantes, ele \u00e9 o autor mais publicado no portal do PCB, com mais de 150 textos que continuar\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos leitores.<\/p>\n<p>Miguel esteve em atividades do partido em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, a mais importante num Semin\u00e1rio Internacional nas comemora\u00e7\u00f5es dos 90 Anos do PCB, em mar\u00e7o de 2012. Na ocasi\u00e3o, ao chegar a Portugal, publicou em <i><a href=\"http:\/\/odiario.info\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">odiario.info<\/a><\/i>, que criou e dirigiu, seu artigo <b><i>\u201cSobre os 90 Anos do PCB\u201d<\/i><\/b>, que abaixo transcrevemos na \u00edntegra. Nada melhor do que as palavras do camarada Miguel para conhecer sua rela\u00e7\u00e3o com o PCB.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia f\u00edsica de Miguel Urbano Rodrigues nos priva de uma fonte privilegiada para subsidiar nossa compreens\u00e3o de fatos marcantes que surgir\u00e3o desta complexa conjuntura internacional. Mas seu f\u00e9rtil legado intelectual e seu exemplo de vida ser\u00e3o fontes eternas de inspira\u00e7\u00e3o para os verdadeiros revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Camarada Miguel Urbano, presente, hoje e sempre!<\/p>\n<p><b>Comit\u00ea Central do PCB (Partido Comunista Brasileiro)<\/b><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong><i>Sobre os 90 anos do Partido Comunista Brasileiro<\/i><\/strong><b><i><\/i><\/b><\/p>\n<p><strong><i>Miguel Urbano Rodrigues<\/i><\/strong><\/p>\n<p><i>Raras vezes um partido comunista se recuperou ap\u00f3s uma crise profunda que, no desenvolvimento de uma estrat\u00e9gia e uma t\u00e1tica incompat\u00edveis com princ\u00edpios e valores do marxismo-leninismo, implique na pr\u00e1tica a renuncia ao objetivo principal: a tomada do poder rumo \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do socialismo.<\/i><\/p>\n<p><i>A desagrega\u00e7\u00e3o da URSS e a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo na R\u00fassia contribu\u00edram decisivamente para a social democratiza\u00e7\u00e3o de muitos partidos comunistas e em alguns casos para o seu desaparecimento ou transforma\u00e7\u00e3o em partidos da burguesia neoliberal.<\/i><\/p>\n<p><i>Nesse panorama sombrio, o Partido Comunista Brasileiro emerge como exce\u00e7\u00e3o que reconforta.<\/i><\/p>\n<p><i>\u00c0 beira do abismo, ap\u00f3s mais de uma d\u00e9cada de vida let\u00e1rgica, renasceu em 1992, reconstruiu-se como organiza\u00e7\u00e3o marxista-leninista e retomou a sua voca\u00e7\u00e3o de partido revolucion\u00e1rio e internacionalista.<\/i><\/p>\n<p><strong><i>A HIST\u00d3RIA ESQUECIDA<\/i><\/strong><\/p>\n<p><i>Foi com emo\u00e7\u00e3o que acompanhei esses debates e intervim no Semin\u00e1rio Internacional que se seguiu ao dedicado aos temas nacionais.<\/i><\/p>\n<p><i>Vivi em S\u00e3o Paulo, exilado, de 1957 at\u00e9 \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o portuguesa e, como militante do PCB, tive a oportunidade de participar modestamente das lutas do povo brasileiro.<\/i><br \/>\n<i>Por decis\u00e3o do Ministro da Justi\u00e7a um livro meu foi apreendido. Detiveram-me algumas vezes e fui submetido a prolongado interrogat\u00f3rio por um inspetor da famigerada Opera\u00e7\u00e3o Bandeirantes, a criminosa organiza\u00e7\u00e3o militar-terrorista da ditadura.<\/i><\/p>\n<p><i>A crise que se instalou no campo socialista no final dos anos 80 e culminou com a reimplanta\u00e7\u00e3o do capitalismo na R\u00fassia aprofundou a tend\u00eancia capituladora e liquidacionista de influentes membros do Comit\u00e9 Central.<\/i><\/p>\n<p><i>A maioria desse Comit\u00e9 Central, impondo uma linha reformista, levou o PCB \u00e0 beira da extin\u00e7\u00e3o.<\/i><\/p>\n<p><i>A exig\u00eancia da reconstru\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria principiou quando a maioria do CC aboliu o centralismo democr\u00e1tico, e mudou o nome do Partido, criando uma organiza\u00e7\u00e3o socialdemocrata, o Partido Popular Socialista, que hoje tem um perfil de centro-direita. Mas n\u00e3o conseguiu acabar com o PCB, que n\u00e3o deixou de existir um dia sequer, ao contr\u00e1rio do que na Europa foi afirmado inclusive por intelectuais marxistas.<\/i><\/p>\n<p><strong><i>A LENTA RECONSTRU\u00c7\u00c3O<\/i><\/strong><\/p>\n<p><i>O renascimento do PCB foi lento, dif\u00edcil. \u00c9 ainda um pequeno partido num pa\u00eds de 200 milh\u00f5es de habitantes. N\u00e3o tem deputados no Congresso e nas Assembleias dos Estados, poucos representantes municipais. S\u00e3o transparentes as suas insufici\u00eancias. Mas a atual linha revolucion\u00e1ria, tra\u00e7ada por uma dire\u00e7\u00e3o marxista-leninista e sustentada por quadros de grande qualidade, proporcionou-lhe em poucos anos um grande prest\u00edgio.<\/i><\/p>\n<p><i>Enquanto pelo mundo outros partidos comunistas se social-democratizaram, ele volta a desempenhar um papel de crescente import\u00e2ncia nas lutas do povo brasileiro e no cen\u00e1rio internacional em todas as frentes onde o combate ao imperialismo estadunidense se tornou exig\u00eancia revolucion\u00e1ria.<\/i><\/p>\n<p><strong><em>Miguel Urbano Rodrigues (publicado em <a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2721\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">23\/04\/2012<\/a>)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Neste 27 de maio de 2017, aos 91 anos, Miguel Urbano Rodrigues entrou para a hist\u00f3ria do movimento comunista, provavelmente como o melhor \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14577\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50,46],"tags":[],"class_list":["post-14577","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria","category-c56-memoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3N7","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14577","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14577"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14577\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14577"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14577"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14577"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}