{"id":14590,"date":"2017-05-29T15:56:59","date_gmt":"2017-05-29T18:56:59","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=14590"},"modified":"2017-06-08T14:16:21","modified_gmt":"2017-06-08T17:16:21","slug":"chacina-no-para-escancara-escalada-da-barbarie-em-conflitos-agrarios-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14590","title":{"rendered":"Chacina no Par\u00e1 escancara escalada da barb\u00e1rie em conflitos agr\u00e1rios no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/\/images\/ihu\/banco\/mst\/violencia_campo_foto_artigo_19.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Nove homens e uma mulher, trabalhadores rurais sem terra, foram mortos na quarta-feira passada (24\/05) durante uma a\u00e7\u00e3o policial numa fazenda do munic\u00edpio de Pau d\u2019Arco, no Par\u00e1, a 860 quil\u00f4metros ao sul da <!--more-->capital Bel\u00e9m. Policiais militares e civis foram at\u00e9 o local para cumprir 16 mandados judiciais, entre eles de pris\u00e3o preventiva, tempor\u00e1ria e buscas e apreens\u00f5es, numa a\u00e7\u00e3o que investiga a morte, no dia 30 de abril, de um seguran\u00e7a da fazenda, que \u00e9 alvo de disputa agr\u00e1ria. Segundo a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Par\u00e1, os agentes foram recebidos a tiros e reagiram. No local foram recolhidas onze armas, entre elas um fuzil, mas n\u00e3o houve policiais feridos.<br \/>\nA reportagem \u00e9 de Mar\u00eda Mart\u00edn e publicada por El Pa\u00eds, 25-05-2017.<\/p>\n<p>Os corpos das dez v\u00edtimas foram levados pela pr\u00f3pria pol\u00edcia ao necrot\u00e9rio da regi\u00e3o, em Reden\u00e7\u00e3o, segundo informou a Folha. A fazenda Santa L\u00facia, cen\u00e1rio do massacre, era motivo de disputa entre seu propriet\u00e1rio e trabalhadores sem terra. Desde maio de 2015, havia 150 fam\u00edlias acampadas no local, conforme informa\u00e7\u00f5es da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT).<\/p>\n<p>As fam\u00edlias desejavam que o im\u00f3vel fosse destinado \u00e0 reforma agr\u00e1ria. Em junho de 2015, seu propriet\u00e1rio, Honorato Barbinski Filho, ofertou a fazenda para esse fim por cerca de 32 milh\u00f5es de reais, quase 10 milh\u00f5es a mais que a avalia\u00e7\u00e3o do Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) que n\u00e3o pode pagar mais do que os t\u00e9cnicos determinarem. Houve uma contraproposta de Barbinski, mas ainda acima da avalia\u00e7\u00e3o. A negocia\u00e7\u00e3o acabou entrando num impasse e o propri\u00e9tario desistiu da venda em 2016 para posteriormente entrar na Justi\u00e7a com um pedido de reintegra\u00e7\u00e3o de posse. Desde outubro do ano passado, o Incra procurava alternativas para reassentar as fam\u00edlias pois como a propriedade \u00e9 considerada produtiva a lei n\u00e3o permite a desapropria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este \u00e9 considerado o pior massacre por conflito agr\u00e1rio desde a chacina de Eldorado do Caraj\u00e1s, em 1996, na mesma regi\u00e3o, quando tropas da PM mataram 19 pessoas que participavam de uma marcha pac\u00edfica do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra. 21 anos depois, nenhum dos respons\u00e1veis foi punido.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia no campo pela disputa de terras massacra dezenas de trabalhadores ano ap\u00f3s ano. \u201cO Brasil tem uma das estruturas fundi\u00e1rias mais concentradas do mundo, heran\u00e7a do sistema colonial. Cerca de 1% dos propriet\u00e1rios det\u00e9m 60% das terras\u201d, explica Bernardo Man\u00e7ano, professor da Unesp e coordenador do Dataluta, banco de dados da luta pela terra.<\/p>\n<p>S\u00f3 em 2017, contando as \u00faltimas v\u00edtimas, foram mortas 36 pessoas, segundo c\u00e1lculos da CPT, um ter\u00e7o delas no Par\u00e1. Em abril, nove trabalhadores rurais foram assassinados por pistoleiros encapuzados num acampamento em Mato Grosso, acendendo, mais uma vez, o alerta de conflitos por terra no Brasil. A regi\u00e3o, no meio da floresta Amaz\u00f4nica, estava ocupada por cerca de 100 fam\u00edlias desde os anos 2000 e \u00e9 alvo de madeireiros e disputada por fazendeiros, que buscam \u00e1reas para a cria\u00e7\u00e3o de gado.<\/p>\n<p>\u201cOs latifundi\u00e1rios est\u00e3o cada vez mais querendo ampliar essa concentra\u00e7\u00e3o de propriedades porque o agroneg\u00f3cio e as corpora\u00e7\u00f5es multinacionais est\u00e3o muito interessados em arrendar essas terras, com o benepl\u00e1cito do Governo. A fronteira amaz\u00f4nica que pega Mato Grosso, Rond\u00f4nia e Par\u00e1 \u00e9 a fronteira agr\u00edcola do Brasil, para onde os latifundi\u00e1rios querem se expandir, e onde mais assassinatos de posseiros, camponeses e ind\u00edgenas estamos vendo. Se eles resistem s\u00e3o eliminados\u201d, lamenta Man\u00e7ano.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio de viol\u00eancia de 2016 da CPT revelou uma m\u00e9dia de cinco assassinatos por m\u00eas com 61 mortes de quilombolas, ind\u00edgenas, l\u00edderes e integrantes dos movimentos sem terra. \u00c9 um aumento de 22% das mortes em compara\u00e7\u00e3o com 2015. O informe tamb\u00e9m denuncia a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos do campo. Houve um aumento de 86% nas amea\u00e7as de morte, de 68% nas tentativas de assassinato e de 185% das pris\u00f5es. Entre 1985 e 2016 1.834 pessoas perderam a vida em conflitos no campo, mas, segundo a organiza\u00e7\u00e3o, apenas 31 mandantes desses assassinatos foram condenados.<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/568058-chacina-no-para-escancara-escalada-da-barbarie-em-conflitos-agrarios-no-brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Nove homens e uma mulher, trabalhadores rurais sem terra, foram mortos na quarta-feira passada (24\/05) durante uma a\u00e7\u00e3o policial numa fazenda do munic\u00edpio \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14590\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-14590","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3Nk","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14590","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14590"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14590\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14590"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14590"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14590"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}