{"id":14633,"date":"2017-06-01T19:33:17","date_gmt":"2017-06-01T22:33:17","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=14633"},"modified":"2017-06-20T21:12:11","modified_gmt":"2017-06-21T00:12:11","slug":"cotas-raciais-nao-bastam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14633","title":{"rendered":"COTAS RACIAIS N\u00c3O BASTAM!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci6.googleusercontent.com\/proxy\/Amgzc_LhfUjDJjuR_TkMihCI7XtQWb0RtgS_mLSW5Ve9zV1chNAwipcb7D0qOf0y_KAOFA2IZ__G_MOF6LBrnyJqoUzpvrkUxi81qvXn9iVibU9mSxV8CWntCqI1IyKEKe75kJ5s78QmyJWGA8cecJ19LJhy0kIzZdFwsnBJ3wz3A3p4sg6y9IH46zC0totB6CDkU4dXrQ8oTyMJX9ZC_tujugfe9YEOmOELSP0lsKBmjDwyQvGq=s0-d-e1-ft#https:\/\/scontent.fsdu1-1.fna.fbcdn.net\/v\/t1.0-0\/q91\/p480x480\/18557508_1674235596217847_7935174575134132452_n.jpg?oh=32185c15f125cd7b310d196fc8ffb6e4&amp;oe=599F83CC\" alt=\"imagem\" \/><\/p>\n<p><strong>COLETIVO NEGRO MINERVINO DE OLIVEIRA &#8211; Florian\u00f3polis<\/strong><\/p>\n<p>A amplia\u00e7\u00e3o de vagas nas universidades p\u00fablicas brasileiras \u00e9 fruto de um projeto arquitetado pelo capital para maquiar uma falsa inclus\u00e3o e expulsar os filhos da <!--more-->classe trabalhadora pela porta de tr\u00e1s deste espa\u00e7o. Este \u00e9 um dos aspectos da precariza\u00e7\u00e3o do ensino p\u00fablico, que engloba muito mais faces como a privatiza\u00e7\u00e3o, a falta de pol\u00edticas de perman\u00eancia, os monop\u00f3lios da educa\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o de ensino, pesquisa e extens\u00e3o que n\u00e3o dialoga com as necessidades materiais da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Apesar de um dos motivos chaves desse processo serem o fato de que este \u00e9 o projeto de educa\u00e7\u00e3o historicamente desenvolvido pelo capital e que funciona para manuten\u00e7\u00e3o da ordem dominante, \u00e9 imposs\u00edvel negar o papel dos governos petistas no incremento de uma pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes e venda da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica para a iniciativa privada. Exemplo destas pr\u00e1ticas s\u00e3o o fortalecimento de pol\u00edticas como FIES e PROUNI, em detrimento do investimento nas pol\u00edticas de perman\u00eancias nas universidades federais.<\/p>\n<p>Na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que, em 2016, aderiu ao SISU como uma das formas de ingresso, a perman\u00eancia dos estudantes encontra-se cada vez mais precarizada e atende a uma pequena parcela. As barreiras j\u00e1 come\u00e7am na pr\u00f3pria formula\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o do cadastro socioecon\u00f4mico (necess\u00e1rio para acessar as pol\u00edticas de perman\u00eancia) e acabam por se tornar uma \u201ccompeti\u00e7\u00e3o para ver quem \u00e9 o mais pobre\u201d. A ades\u00e3o ao SISU deveria fazer com que a quantidade de vagas de bolsas e moradia se tornasse\u00a0maior, dado que essa mudan\u00e7a favorece o ingresso de estudantes com vulnerabilidade socioecon\u00f4mica e a vinda de estudantes de outros estados, os quais precisam de uma boa estrutura para perman\u00eancia, a qual a universidade n\u00e3o oferece.<\/p>\n<p>Mais dif\u00edcil ainda \u00e9 a perman\u00eancia de estudantes que ingressam com cota racial e de baixa renda. S\u00f3 no \u00faltimo SISU foram 955 vagas* para estes, sendo que a moradia da universidade s\u00f3 possui 153 vagas* para os graduandos e no atual semestre apenas sete vagas de ingresso foram abertas*. Levantamos aqui o questionamento: onde ficar\u00e3o todos esses 955 alunos?<\/p>\n<p>S\u00e3o diversos os relatos de estudantes que vieram para a UFSC atrav\u00e9s do SISU e est\u00e3o voltando para suas cidades de origem devido aos empecilhos causados pela aus\u00eancia de pol\u00edticas de perman\u00eancia eficientes, o que se acentua em casos onde o curso tem uma grade hor\u00e1ria que impede que estes trabalhem.<\/p>\n<p>Esse problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 resultante do governo ileg\u00edtimo de Temer, que imp\u00f4s\u00a0a aprova\u00e7\u00e3o da PEC 241\/55, que limita os gastos com \u00e1reas essenciais como educa\u00e7\u00e3o por vinte anos, mas sim algo que tem sua raiz nas contradi\u00e7\u00f5es do capitalismo. As iniciativas de amplia\u00e7\u00e3o do acesso ao ensino superior promovidas durante os governos de Lula e Dilma, como o REUNI*, aliadas \u00e0 Lei de Cotas, s\u00e3o tamb\u00e9m fatores que influenciaram na forma\u00e7\u00e3o da conjuntura em que se insere a universidade p\u00fablica atualmente.<\/p>\n<p>N\u00f3s, do Coletivo Negro Minervino de Oliveira e da Uni\u00e3o da Juventude Comunista, apoiamos criticamente a Lei de Cotas* por termos o entendimento de que \u00e9 extremamente necess\u00e1ria a inser\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra no ensino superior, assim como em todos os espa\u00e7os nos quais estas v\u00eam sido historicamente exclu\u00eddas, mas apontamos as suas limita\u00e7\u00f5es, por n\u00e3o mudarem a condi\u00e7\u00e3o material desses estudantes, tornando-se\u00a0medidas paliativas sem a assist\u00eancia necess\u00e1ria para a perman\u00eancia. Al\u00e9m disso, entendemos que a inclus\u00e3o de indiv\u00edduos n\u00e3o \u00e9 o que vai nos emancipar enquanto negros, mas sim a inclus\u00e3o de todos, a qual n\u00e3o se dar\u00e1 dentro do sistema capitalista.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para os problemas que circundam a universidade p\u00fablica \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um projeto de educa\u00e7\u00e3o que v\u00e1 em dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria aos interesses da classe dominante por meio de uma universidade que entenda como priorit\u00e1rio o acesso, a perman\u00eancia e a produ\u00e7\u00e3o do conhecimento para e com o povo. Lutamos pelo acesso universal ao ensino superior e por uma universidade popular que, assim como o fim do racismo, essa n\u00e3o se dar\u00e1 em meio \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es do capital.<\/p>\n<p>\u201cNegros que escravizam<br \/>\ne vendem negros na \u00c1frica<br \/>\nn\u00e3o s\u00e3o meus irm\u00e3os.<br \/>\nNegros senhores na Am\u00e9rica<br \/>\na servi\u00e7o do capital<br \/>\nn\u00e3o s\u00e3o meus irm\u00e3os.\u201d<\/p>\n<p>&#8211; <a href=\"https:\/\/l.facebook.com\/l.php?u=http%3A%2F%2Fsisu2017.ufsc.br%2Ffiles%2F2017%2F01%2FRN-39-CGRAD-sisu2017.pdf&amp;h=ATPeq7bI4lZZtjZ_2z6eRXRiDyP1_4DioPvwTM9CyXMwLHewpBsUnwxmAxe-xenFvfFWApJBKOOsl1kma62_H9pJq_jFkzrwKI8MIXoN11J2DQsx_crfzuQThKHb9-vuXoQzCkyL8AqiWFpGLTjrkloE&amp;enc=AZOuYr4f_rmS6M1zHGmxgDH3DCFJSj714tCIgBLCBKqVu82_7bo4oOotrD-OBt5mpddQMzA1w-dKsOC3t-IfaB_27g9Adrx1CQDcT9P8dvJQVsSNfEGri7vs0N-88n1b-KABWP1gJxMFL7Pwhi4GahDcK8OPQZ5INRmxduAiDDH3AcNJSzh80M-bhMVHh-EWbSlPKHgYrlOu-CmwhS5g4jeL&amp;s=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/sisu2017.ufsc.<wbr \/>br\/fil\u2026\/2017\/\u2026\/RN-39-CGRAD-<wbr \/>sisu2017.pdf<\/a><br \/>\n&#8211; 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