{"id":14635,"date":"2017-06-01T19:34:54","date_gmt":"2017-06-01T22:34:54","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=14635"},"modified":"2017-06-20T21:12:15","modified_gmt":"2017-06-21T00:12:15","slug":"a-partir-de-baixo-e-da-esquerda-existe-muito-povo-disposto-a-defender-a-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14635","title":{"rendered":"A partir de baixo e da esquerda, existe muito povo disposto a defender a Venezuela"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/2-16.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><strong>Por Carlos Azn\u00e1rez<\/strong><\/p>\n<p>Resumen Latinoamericano<\/p>\n<p>Rodolfo Walsh, cuja coer\u00eancia e rebeldia ante o poder estabelecido <!--more-->continua iluminando o caminho de novos e an\u00f4nimos revolucion\u00e1rios e revolucion\u00e1rias, desprezava certo tipo de \u201cintelectuais\u201d que nunca se encontram na linha de frente. Esse tipo de gente que prega dos p\u00falpitos que eles e elas pr\u00f3prias constroem para sugerir que nunca chega o momento do que inquestionavelmente \u00e9 preciso fazer, ou que queimam a cabe\u00e7a para descobrir os pontos fracos de tal ou qual processo revolucion\u00e1rio que se promoveu, apesar deles. Em outras palavras, s\u00e3o os que preferem ver a \u00e1rvore e ignorar o bosque, e quase sempre se equivocam em suas adivinha\u00e7\u00f5es situacionais, porque muitas poucas vezes (como em tudo existem exce\u00e7\u00f5es) sujam os p\u00e9s com os de baixo.<\/p>\n<p>Algo assim vem ocorrendo neste \u00faltimo tempo com certa \u201cesquerda\u201d, majoritariamente acad\u00eamica, que nas atuais condi\u00e7\u00f5es de investida imperialista contra a Venezuela prefere estar \u00e0 margem do que defende a maioria da faixa mais humilde do povo de Bol\u00edvar e Hugo Ch\u00e1vez e lan\u00e7ar para o alto uma nova carga de muni\u00e7\u00e3o pesada contra este processo. E o fazem desde a variante de ressuscitar, outra vez, a teoria dos dois dem\u00f4nios.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o podia ser de outra maneira, este tipo de ataques, formulados em declara\u00e7\u00f5es, artigos ou manifestos contam com ampla difus\u00e3o em meios ostensivamente de direita, que se regozijam em contar entre as fileiras dos batedores da Revolu\u00e7ao Bolivaraiana n\u00e3o s\u00f3 os c\u00famplices do golpista Capriles Radonski e o instigador de crimes contra o povo, Leopoldo L\u00f3pez, mas tamb\u00e9m uma pl\u00eaiade de \u201cesquerdistas\u201d, entre os quais figuram sempre aqueles que saem da cena quando a situa\u00e7\u00e3o se torna tempestuosa, ou os que se somam \u00e0 frase \u201cpelas d\u00favidas\u201d, temerosos de n\u00e3o ficar \u201cpresos\u201d ao eventual naufr\u00e1gio de um barco que em alguma distante ocasi\u00e3o (quando corriam os tempos e se praticava a solidariedade 5 estrelas) eles mesmos ajudaram a navegar e hoje tentam afundar.<\/p>\n<p>Estes \u201cesquerdistas\u201d, propagandeados pela Infobae e outros meios direitistas, acusam o governo de Nicol\u00e1s Maduro de estar \u201cdeslegitimado e com marcadas caracter\u00edsticas autorit\u00e1rias\u201d. Para dar mais for\u00e7a a suas den\u00fancias, se recostam nos cantos da democracia burguesa, da qual se dizem cultores e defensores, e dali criticam que o Executivo venezuelano \u201cdesconhece outros ramos do poder\u201d, entre eles a Assembleia Legislativa, invadida desde dezembro de 2015, por um grupo operativo de propagadores da viol\u00eancia fascista. Estes mesmos que hoje lan\u00e7am nas ruas seus cachorros, mistura de \u201cfilhinhos de papai\u201d com l\u00fampens e paramilitares colombianos, para arrasar com tudo que cheire \u00e0 chavismo, golpear cidad\u00e3os e cidad\u00e3s que n\u00e3o aderem a seus objetivos desestabilizadores, degolar com cabos de a\u00e7o desprevenidos motoristas. Em sua pr\u00e1tica terrorista, chegaram a queimar vivos jovens chavistas ou linchar um ex-tenente da Guarda Militar Bolivariana.<\/p>\n<p>Por muito menos que isso, em qualquer dos pa\u00edses de onde prov\u00eam estes \u201cintelectuais de esquerda\u201d, n\u00e3o a pol\u00edcia, mas o pr\u00f3prio ex\u00e9rcito j\u00e1 gerou, em seu af\u00e3 repressivo, um aut\u00eantico cemit\u00e9rio. No entanto, o \u201cautorit\u00e1rio\u201d \u00e9 Maduro, que ordenou que o freio a tanta criminalidade se fa\u00e7a atendo-se ao Estado de direito. E quando isto n\u00e3o ocorre, diferente de outros pa\u00edses, n\u00e3o se titubeia em deter e julgar aqueles militares ou policiais que tenham violado os direitos humanos.<\/p>\n<p>Se quer ignorar por acaso que a maioria dos mortos apoiou o chavismo, colocando-o no poder novamente, como ocorrera com o golpe de 2002? Tenta-se esconder, por meio da verborragia pseudo-esquerdista, que estes assassinos hoje aspiram transformar a Venezuela em algo muito parecido ao que a OTAN e seus c\u00famplices mercen\u00e1rios fizeram no Iraque, L\u00edbia, Afeganist\u00e3o e S\u00edria?<\/p>\n<p>Mentem descaradamente aqueles que atacam uma Revolu\u00e7\u00e3o que em 17 anos ofereceu a todo seu povo\u00a0uma avalanche de conquistas sociais, s\u00f3 compar\u00e1veis com as outorgadas por seus irm\u00e3os revolucion\u00e1rios cubanos. Mentem quando falam da legitimidade, sabendo muito bem que \u00e9 um dos processos que mais disputas eleitorais teve que atravessar\u00a0e na grande maioria delas saiu vitorioso.<\/p>\n<p>Mentem quando, a partir de seu democratismo de ocasi\u00e3o, assinalam que o Governo venezuelano bloqueou e postergou o referendo revocat\u00f3rio, sabendo que foi a oposi\u00e7\u00e3o quem n\u00e3o cumpriu com os prazos para a apresenta\u00e7\u00e3o dessa demanda e que se inventou e falsificou milhares de c\u00e9dulas, incluindo uma boa quantidade de mortos, para for\u00e7ar o que do ponto de vista da lei era ilegal.<\/p>\n<p>Mentem quando falam do \u201cfalido autogolpe do executivo\u201d, quando na realidade o que est\u00e1 ocorrendo h\u00e1 anos, em forma mais acentuada desde que o Comandante Hugo Ch\u00e1vez foi assassinado, \u00e9 uma verdadeira escalada golpista, que inclui todos os elementos de uma guerra de quarta gera\u00e7\u00e3o: bloqueio econ\u00f4mico e destrui\u00e7\u00e3o de uma paridade racional do dinheiro venezuelano com rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar, contrabando ilegal e massivo de gasolina e alimentos para a Col\u00f4mbia com a cumplicidade do governo de Juan Manuel Santos e do paramilitar Uribe V\u00e9lez, desabastecimento constante para afetar, com a falta de alimentos e medicamentos, os setores humildes, enquanto nos bairros do Leste de Caracas, onde vive a burguesia maiamera, \u00e9 poss\u00edvel adquirir o que n\u00e3o se encontra em Catia, Petare ou no bairro 23 de Enero. Sem falar do papel desempenhado pelo terrorismo midi\u00e1tico em todas estas inst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Mentem estes \u201cintelectuais e acad\u00eamicos\u201d quando falam de que a eles interessa a paz para deter a \u201cviol\u00eancia institucional e de rua\u201d, t\u00edpico da teoria dos dois dem\u00f4nios. N\u00e3o existem duas viol\u00eancias, mas, por um lado, existe terrorismo puro e duro, e por outro uma tentativa racional e mediada de respond\u00ea-la.<\/p>\n<p>Mentem estes \u201cpacifistas\u201d quando pretendem ignorar as numerosas tentativas de convocat\u00f3ria ao di\u00e1logo realizadas pelo governo de Maduro a uma oposi\u00e7\u00e3o, que, como ocorre na S\u00edria, s\u00f3 se interessa pela guerra e pela derrubada de um governo leg\u00edtimo para construir uma neocol\u00f4nia norte-americana em solo venezuelano. Uma vez que isso ocorra, alcan\u00e7ariam seu verdadeiro objetivo, que gerou tanta destrui\u00e7\u00e3o e morte: recuperar para Washington todo o petr\u00f3leo hoje administrado pela PDVSA, assim como as jazidas minerais distribu\u00eddas profusamente em solo venezuelano.<\/p>\n<p>Chama poderosamente a aten\u00e7\u00e3o que estas mesmas propostas \u201cesquerdistas\u201d coincidam tanto com as formuladas, em clara atitude provocadora, pelo secret\u00e1rio da OEA, Luis Almagro e, inclusive, com os \u201cchamamentos humanit\u00e1rios\u201d lan\u00e7ados pelo Comando Sul norte-americano. Isto ocorre porque, nos tempos atuais, onde o imperialismo est\u00e1 em plena ofensiva e nossos povos resistem nos diversos cen\u00e1rios que permitem suas pr\u00f3prias for\u00e7as, n\u00e3o \u00e9 de esquerda levantar as propostas da direita internacional, n\u00e3o \u00e9 de esquerda op\u00f4r-se ao que a maioria do povo trabalhador e campon\u00eas, os estudantes, as mulheres, os jovens e a grande maioria dos coletivos sociais anseiam para a Venezuela. E isto \u00e9, defender as in\u00fameras conquistas obtidas com a Revolu\u00e7\u00e3o chavista, apoiar o governo de Nicol\u00e1s Maduro, fortificar ainda mais a unidade povo-for\u00e7as armadas (algo que a oposi\u00e7\u00e3o quer romper \u00e0 for\u00e7a de assassinatos seletivos de militares) e conseguir instalar um cen\u00e1rio definitivo de paz e n\u00e3o inger\u00eancia.<\/p>\n<p>Como ocorreu em outros tempos, em que a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana teve que tomar medidas dr\u00e1sticas para frear aqueles terroristas orientados pelo governo dos Estados Unidos, hoje tamb\u00e9m, como ontem, alguns \u201cintelectuais\u201d decidem cortejar com o diabo e atacar o que o povo venezuelano est\u00e1 disposto a defender at\u00e9 com sua pr\u00f3pria vida. O grande problema \u00e9 que a rua do meio pela qual tentam transitar estes cr\u00edticos j\u00e1 n\u00e3o existe. Acabaram-se os meios-tons, e o dilema \u00e9 escolher se realmente se \u00e9 de esquerda: entre a Revolu\u00e7\u00e3o e o anti-imperialismo, aprofundando e ridicularizando sua a\u00e7\u00e3o para chegar ao socialismo, ao acoplar-se vergonhosamente com os seguidores venezuelanos da destrui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica e militar de nossos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Lendo a lista de assinatura de alguns destes manifestos opositores \u201cde esquerda\u201d d\u00f3i encontrar alguns nomes que souberam estar \u00e0 altura das circunst\u00e2ncias em diferentes p\u00e1trias anticapitalistas. S\u00f3 a eles, n\u00e3o a outros que nunca entenderam nem Cuba e nem Venezuela, vale a pena pedir que reconsiderem e n\u00e3o continuem aproximando mais gasolina ao fogo da destrui\u00e7\u00e3o da gesta bolivariana. N\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de se desfazer do pensamento cr\u00edtico. Pelo contr\u00e1rio, existem diversos temas que n\u00f3s, que nos sentimos chavistas, tamb\u00e9m debatemos e criticamos os erros cometidos, por\u00e9m com a responsabilidade de saber qual terreno pantanoso o Imp\u00e9rio foi instalando ao processo bolivariano. Nesse sentido, \u00e9 fundamental considerar uma premissa que vem desde a hist\u00f3ria das lutas populares. Trata-se de que o inimigo principal quer apoderar-se da Venezuela como ante o fez em Honduras, Paraguai, Brasil. Se a Venezuela cai, toda a P\u00e1tria Grande ser\u00e1 afetada duramente e j\u00e1 ser\u00e1 tarde para os arrependimentos.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, constatar que existe muito povo e n\u00e3o poucos intelectuais e acad\u00eamicos de esquerda \u2013 com letra mai\u00fascula \u2013 que est\u00e3o dispostos a defender a Venezuela, seu governo e seu processo revolucion\u00e1rio. Caia quem cair, goste quem gostar e custe o que custar.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2017\/05\/31\/desde-abajo-y-a-la-izquierda-hay-mucho-pueblo-dispuesto-a-defender-a-venezuela-por-carlos-aznarez\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.<wbr \/>resumenlatinoamericano.org\/<wbr \/>2017\/05\/31\/desde-abajo-y-a-la-<wbr \/>izquierda-hay-mucho-pueblo-<wbr \/>dispuesto-a-defender-a-<wbr \/>venezuela-por-carlos-aznarez\/<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Carlos Azn\u00e1rez Resumen Latinoamericano Rodolfo Walsh, cuja coer\u00eancia e rebeldia ante o poder estabelecido\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14635\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-14635","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c54-venezuela"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3O3","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14635","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14635"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14635\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14635"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14635"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14635"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}