{"id":14686,"date":"2017-06-07T14:22:33","date_gmt":"2017-06-07T17:22:33","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=14686"},"modified":"2017-06-20T21:13:28","modified_gmt":"2017-06-21T00:13:28","slug":"maior-violencia-no-campo-reflete-ligacao-do-agronegocio-com-poder-do-estado-diz-cimi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14686","title":{"rendered":"Maior viol\u00eancia no campo reflete liga\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio com poder do Estado, diz Cimi"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci5.googleusercontent.com\/proxy\/i1SYPsTkcXhPET6T-hfzE8yi0GFk8VrccBCvQdBsaONwwmDnDbE9K51HnXyc130cktVmpiSrDNsSZWYPEJB3PjPOafnrJ1qFtTnJByKriWSrwXx6vOw=s0-d-e1-ft#https:\/\/farm5.staticflickr.com\/4281\/35055508895_dae8e5ee6c_z.jpg\" alt=\"imagem\" \/><strong>Em nota, as entidades exigem justi\u00e7a \u00e0s v\u00edtimas de tr\u00eas massacres concretizados e uma tentativa no \u00faltimo m\u00eas<\/strong><!--more--><\/p>\n<p>O Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (CIMI), em conjunto com as Pastorais do Campo, publicaram uma nota na \u00faltima quarta-feira (31) em protesto aos massacres ind\u00edgenas que ocorreram no Par\u00e1. Em 35 dias, foram tr\u00eas massacres concretizados e uma tentativa, quase um por semana, com 22 trabalhadores em luta pela terra mortos. &#8220;\u00c9 evidente que esta exacerba\u00e7\u00e3o dos\u00a0conflitos agr\u00e1rios\u00a0em n\u00famero e viol\u00eancia, tem liga\u00e7\u00e3o com a\u00a0crise pol\u00edtica\u00a0e com o avan\u00e7o das for\u00e7as do agroneg\u00f3cio sobre os Poderes do Estado brasileiro&#8221;, diz o texto.<\/p>\n<p>Segundo as entidades\u00a0o que se fez foi &#8220;apagar vest\u00edgios e encobrir um massacre premeditado e cruelmente realizado, \u00e0s gargalhadas, conforme testemunhas&#8221;. As organiza\u00e7\u00f5es conclamam as pessoas a\u00a0exigir\u00a0e cobrar\u00a0pelo direito, a justi\u00e7a e a dignidade das comunidades ind\u00edgenas e sem-terra.<\/p>\n<p>Confira a nota a seguir:<\/p>\n<p><em>As\u00a0Pastorais Sociais do Campo\u00a0subscritas vimos mais uma vez a p\u00fablico denunciar e clamar por justi\u00e7a diante da tr\u00e1gica e assustadora escalada da\u00a0viol\u00eancia no campo. Em 35 dias, foram tr\u00eas massacres concretizados e uma tentativa, quase um por semana, com 22 trabalhadores em luta pela terra mortos.<\/em><\/p>\n<p><em>O primeiro foi em\u00a0Colniza\u00a0\u2013\u00a0MT, em 20 de abril, com 09 torturados e mortos por jagun\u00e7os encapuzados, sendo o l\u00edder dos posseiros degolado. Em\u00a0Vilhena\u00a0\u2013\u00a0RO, no dia 29 de abril, foram encontrados 03 corpos carbonizados dentro de um carro, na mesma fazenda em que 05 trabalhadores foram mortos e tr\u00eas dos quais queimados ainda vivos em 2015, um crime impune. O ataque aos\u00a0\u00edndios Gamela\u00a0aconteceu no dia 30 de abril, em\u00a0Viana\u00a0\u2013\u00a0MA, com 22 feridos, 02 com m\u00e3os decepadas, por populares insuflados por ruralistas e pol\u00edticos, com envolvimento da\u00a0Pol\u00edcia Militar, conforme registro de uma viatura na a\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>O mais recente foi o que aconteceu em\u00a0Pau d\u2019Arco, no sul do\u00a0Par\u00e1, no dia 24 de maio, quando foram mortos 09 homens e 01 mulher, esta lideran\u00e7a de um movimento, pelas\u00a0Pol\u00edcias Civil\u00a0e\u00a0Militar.<\/em><\/p>\n<p><em>A vers\u00e3o oficial dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos do estado foi a de que as mortes ocorreram em confronto armado, pois os policiais teriam sido recebidos \u00e0 bala. Esta vers\u00e3o pretende fazer crer que o povo brasileiro \u00e9 imbecil e que n\u00e3o tem capacidade de discernimento. Como num confronto armado, nenhum dos 29 policiais envolvidos na a\u00e7\u00e3o, sequer foi ferido? Por que a cena do crime foi desmontada, com os pr\u00f3prios policiais transportando os corpos para a cidade?<\/em><\/p>\n<p><em>Estas circunst\u00e2ncias, bem como o depoimento de alguns sobreviventes do\u00a0massacre, feita a integrantes do\u00a0Minist\u00e9rio P\u00fablico\u00a0e a outras entidades que investigam o ocorrido, indicam que houve uma execu\u00e7\u00e3o fria e planejada.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o h\u00e1 outro modo de interpretar a fragilidade na tentativa de revestir a\u00a0chacina de Pau d\u2019Arco\u00a0de alguma legalidade de \u201ccumprimento de mandados de pris\u00e3o\u201d e de \u201cpresta\u00e7\u00e3o de socorro\u201d \u00e0 retirada dos corpos das v\u00edtimas. Na verdade, o que se fez foi apagar vest\u00edgios e encobrir um\u00a0massacre\u00a0premeditado e cruelmente realizado, \u00e0s gargalhadas, conforme testemunhas. A barb\u00e1rie se consumou com o tratamento dispensado aos corpos das v\u00edtimas jogados como animais em carrocerias de camionetes, levados a dist\u00e2ncias de at\u00e9 350 km para per\u00edcias e devolvidos do mesmo modo aos familiares, largados ao ch\u00e3o de uma funer\u00e1ria, j\u00e1 putrefatos, para serem enterrados \u00e0s pressas e \u00e0 custa deles, sem chance nem de um m\u00ednimo vel\u00f3rio.<\/em><\/p>\n<p><em>A diversidade dos autores revela a barb\u00e1rie generalizada provocada pela irresolu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o da terra, com agravamento brutal de suas consequ\u00eancias, sobretudo nos \u00faltimos tr\u00eas anos. O ano de 2017 promete superar 2016, que foi recordista em ocorr\u00eancias de\u00a0conflitos por terra\u00a0no\u00a0Brasil\u00a0nos \u00faltimos 32 anos. Foram 1.079 ocorr\u00eancias desse tipo de conflito, quase tr\u00eas por dia, o maior n\u00famero desde 1985, quando a\u00a0CPT\u00a0come\u00e7ou a publicar sistematicamente este registro.\u00a0Camponeses assassinados\u00a0j\u00e1 s\u00e3o 37 nestes cinco meses de 2017, 08 a mais que em igual per\u00edodo no ano passado, quando houve o registro de 29 assassinatos. Qual ser\u00e1 o pr\u00f3ximo caso? Outro\u00a0massacre?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 evidente que esta exacerba\u00e7\u00e3o dos\u00a0conflitos agr\u00e1rios\u00a0em n\u00famero e viol\u00eancia, tem liga\u00e7\u00e3o com a\u00a0crise pol\u00edtica\u00a0e com o avan\u00e7o das for\u00e7as do agroneg\u00f3cio sobre os Poderes do Estado brasileiro. Os desmandos autorit\u00e1rios da c\u00fapula da Rep\u00fablica, com seu jogo de poder servil aos interesses da minoria do Capital, vilipendiam os direitos sociais e relativizam os direitos humanos. O Estado brasileiro tem conseguido ultrapassar os limites do desrespeito \u00e0 cidadania e aos interesses do povo, numa democracia de fachada, cinismo e desfa\u00e7atez, que se alimenta de desmandos criminosos impunes. A desobedi\u00eancia ou manipula\u00e7\u00e3o da legalidade \u00e9 senha para os excessos, para o descaramento na repress\u00e3o aos pobres, \u00e9 licen\u00e7a para matar e tripudiar sobre eles. Uma\u00a0viol\u00eancia\u00a0extrema que, neste clima reinante, torna-se funcional, pedag\u00f3gica. Nega-se aos\u00a0camponeses,\u00a0sem-terra,\u00a0<wbr \/>pescadores,\u00a0quilombolas,\u00a0<wbr \/>ind\u00edgenas, o m\u00ednimo de dignidade e qualquer tra\u00e7o de igualdade, de perten\u00e7a \u00e0 humanidade. Para o lavrador, como canta\u00a0Chico Buarque, \u201c\u00e9 a terra que querias ver dividida\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>O fascismo, que fermentava nos subterr\u00e2neos das rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas no\u00a0Brasil, veio \u00e0 tona. \u00c9 o que se comprova em falas e atos, como a manifesta\u00e7\u00e3o de\u00a0ruralistas\u00a0e parlamentares, no dia 29 de maio, em\u00a0Reden\u00e7\u00e3o, no sul do\u00a0Par\u00e1, em solidariedade aos policiais que praticaram o\u00a0massacre, proclamados her\u00f3is da\u00a0causa ruralista.<\/em><\/p>\n<p><em>Felizmente a maioria das pessoas em nosso pa\u00eds est\u00e1 se dando conta de que o\u00a0Agro\u00a0\u00e9\u00a0homic\u00eddio, como o comprovam os crescentes n\u00fameros de\u00a0assassinatos\u00a0registrados. \u00c9\u00a0massacre, \u00e9\u00a0suic\u00eddio, provocado, sobretudo, pelo uso irracional de\u00a0agrot\u00f3xicos. \u00c9\u00a0ecoc\u00eddio, pois \u00e9 respons\u00e1vel pela crescente e veloz\u00a0destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente. \u00c9\u00a0hidroc\u00eddio, pois \u00e9 respons\u00e1vel pelo secamento de milhares de fontes de \u00e1gua.<\/em><\/p>\n<p><em>Diante das evid\u00eancias do massacre perpetrado, reconhecido pelo\u00a0Conselho Nacional dos Direitos Humanos, pela investiga\u00e7\u00e3o do\u00a0Minist\u00e9rio P\u00fablico, e por \u00f3rg\u00e3os da imprensa que se deslocaram ao local do conflito, o Estado decidiu afastar de suas fun\u00e7\u00f5es os policiais envolvidos. Mas o que a sociedade espera \u00e9 que sejam presos e processados por crime contra a humanidade, tanto pela morte das pessoas quanto pelo tratamento dispensado aos corpos das v\u00edtimas.<\/em><\/p>\n<p><em>Conhecendo de longa data como o\u00a0Par\u00e1\u00a0tem tratado casos semelhantes exigimos que o caso seja federalizado, para que se possa fazer justi\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p><em>Contamos com todos que se compadecem com os que, na cidade e no campo, s\u00e3o os que mais sofrem com o descalabro desta situa\u00e7\u00e3o. Juntos exijamos e cobremos que aconte\u00e7am o direito, a justi\u00e7a e a dignidade em defesa da Vida e do Bem Viver de todos. Deus nos proteja e ajude!<\/em><\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 31 de maio de 2017.<\/em><\/p>\n<p><em>Comiss\u00e3o Pastoral da Terra \u2013\u00a0CPT<\/em><\/p>\n<p><em>Conselho Pastoral dos Pescadores \u2013\u00a0CPP<\/em><\/p>\n<p><em>Servi\u00e7o Pastoral do Migrante \u2013\u00a0SPM<\/em><\/p>\n<p><em>C\u00e1ritas Brasileira Conselho Indigenista Mission\u00e1rio \u2013\u00a0CIMI<\/em><\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/568263-nota-publica-das-pastorais-do-campo-sem-direito-a-terra-em-vida-massacre-e-morte-indigna<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Unisinos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em nota, as entidades exigem justi\u00e7a \u00e0s v\u00edtimas de tr\u00eas massacres concretizados e uma tentativa no \u00faltimo m\u00eas\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14686\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-14686","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3OS","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14686"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14686\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}