{"id":1471,"date":"2011-05-14T21:12:47","date_gmt":"2011-05-14T21:12:47","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1471"},"modified":"2011-05-14T21:12:47","modified_gmt":"2011-05-14T21:12:47","slug":"quem-e-osama-bin-laden","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1471","title":{"rendered":"Quem \u00e9 Osama bin Laden?"},"content":{"rendered":"\n<p>Poucas horas ap\u00f3s os ataques terroristas ao World Trade Center e ao Pent\u00e1gono, a administra\u00e7\u00e3o de Bush concluiu, sem nenhuma evidencia, que &#8220;Osama bin Laden e sua organiza\u00e7\u00e3o, al-Qaeda, eram os principais suspeitos&#8221;.<\/p>\n<p>O Diretor da CIA, George Tenet, declarou que Bin Laden teria a capacidade de planejar &#8220;ataques m\u00faltiplos com pouco ou nenhum alarde&#8221;. O Secret\u00e1rio de Estado Colin Powell chamou estes ataques de &#8220;um ato de guerra&#8221; e o Presidente Bush confirmou, na mesma noite, em um discurso televisionado que &#8220;n\u00e3o faria distin\u00e7\u00e3o entre os terroristas que cometeram este ato e aqueles que os protegerem&#8221;. O antigo Diretor da CIA James Woosley apontou seu dedo para o &#8220;patroc\u00ednio estatal&#8221;, implicando na cumplicidade de um ou mais governos estrangeiros. Nas palavras do antigo Conselheiro de Seguran\u00e7a Nacional, Lawrence Eagleburger, &#8220;Eu acredito que iremos mostrar que quando somos atacados dessa maneira, n\u00f3s somos terr\u00edveis em nossa for\u00e7a e em nossa retribui\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Entretanto, imitando as declara\u00e7\u00f5es oficiais, o mantra da m\u00eddia ocidental aprovou o lan\u00e7amento de &#8220;a\u00e7\u00f5es punitivas&#8221; diretamente contra alvos civis do Oriente M\u00e9dio. Nas palavras de William Saffire, escritas no New York Times: &#8220;Quando n\u00f3s determinarmos razoavelmente as bases e campos dos nossos inimigos, n\u00f3s deveremos pulveriz\u00e1-los \u2013 minimizando, no entanto, aceitando o risco de dano colateral&#8221; &#8211; e agir abertamente ou secretamente para desestabilizar as na\u00e7\u00f5es protetoras do terror.<\/p>\n<p>O texto a seguir resume a hist\u00f3ria de Osama bin Laden e suas liga\u00e7\u00f5es com a &#8220;jihad&#8221; isl\u00e2mica para a formula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa dos EUA durante a guerra fria, bem como suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>O principal suspeito aos ataques terroristas em Nova York e Washington, estigmatizado pelo FBI como &#8220;terrorista internacional&#8221;, por sua participa\u00e7\u00e3o nos bombardeios das embaixadas estadunidenses na \u00c1frica, o saudita Osama bin Laden foi recrutado durante a guerra Sovi\u00e9tica-Afeg\u00e3, &#8220;ironicamente sob os ausp\u00edcios da CIA, para lutar contra os intrusos sovi\u00e9ticos&#8221;.<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>Em 1979 &#8220;a maior opera\u00e7\u00e3o secreta da hist\u00f3ria da CIA&#8221; emitiu uma resposta \u00e0 invas\u00e3o sovi\u00e9tica ao Afeganist\u00e3o que visava apoiar o governo pr\u00f3-comunista de Babrak Kamal.<sup>2<\/sup>:<\/p>\n<p>Com o encorajamento da CIA e da paquistanesa ISI (Inter-Services Intelligence), que pretendiam tornar a jihad afeg\u00e3 em uma guerra global financiada por todos os Estados isl\u00e2micos contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, mais de 35.000 mu\u00e7ulmanos radicais de 40 pa\u00edses se juntaram para lutar ao lado do Afeganist\u00e3o entre 1982 e 1992. Mais de dez mil pessoas vieram para estudar nas escolas paquistanesas. No fim das contas, mais de 100.000 mu\u00e7ulmanos radicais estrangeiros foram diretamente influenciados pela jihad afeg\u00e3.<sup>3<\/sup><\/p>\n<p>A &#8220;jihad&#8221; Isl\u00e2mica foi apoiada pelos Estados Unidos e pela Ar\u00e1bia Saudita com uma parte significante dos fundos gerados pelo comercio de drogas do Crescente de Ouro:<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 1985, o Presidente Reagan assinou a Decis\u00e3o Direta de Seguran\u00e7a Nacional 166, [que] autoriza [ou] apoio militar secreto ao Mujahideen, e isso deixa claro que esta guerra secreta afeg\u00e3 possui um novo objetivo: derrotar as tropas sovi\u00e9ticas no Afeganist\u00e3o atrav\u00e9s de uma a\u00e7\u00e3o secreta e encorajar a retirada sovi\u00e9tica. A nova assist\u00eancia secreta estadunidense come\u00e7a com um aumento dram\u00e1tico nas provis\u00f5es de armamentos \u2013 Um constante aumento de 65.000 toneladas anuais em 1987, &#8230; bem como o &#8220;contingente incont\u00e1vel&#8221; de especialistas da CIA e do Pent\u00e1gono que viajaram secretamente para os quart\u00e9is militares da ISI paquistanesa na estrada principal pr\u00f3xima a Rawalpindi, no Paquist\u00e3o. L\u00e1, os especialistas da CIA encontraram os agentes da intelig\u00eancia paquistanesa para auxili\u00e1-los no planejamento das opera\u00e7\u00f5es para os rebeldes afeg\u00e3os.<sup>4<\/sup><\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia (CIA) usando os Inter Servi\u00e7os de Intelig\u00eancia militar paquistan\u00eas (ISI) desempenhou um papel fundamental no treinamento dos Mujahideen. Por sua vez, a CIA financiou o treinamento de guerrilha que foi integrado nos ensinamentos do Isl\u00e3:<\/p>\n<p>Temas predominantes onde o Isl\u00e3 era uma ideologia sociopol\u00edtica completa, onde o sagrado Isl\u00e3 era violado pelas tropas sovi\u00e9ticas ateias, e onde os povos isl\u00e2micos do Afeganist\u00e3o deveriam reconquistar sua independ\u00eancia expulsando o regime de esquerda afeg\u00e3o assessorado por Moscou. <sup>5<\/sup><\/p>\n<p><strong>O Aparato de Intelig\u00eancia Paquistan\u00eas<\/strong><\/p>\n<p>O ISI paquistan\u00eas foi utilizado como um &#8220;meio&#8221;. O deu apoio secreto da CIA \u00e0 &#8220;jihad&#8221; operando indiretamente atrav\u00e9s do ISI paquistan\u00eas \u2013 por exemplo, a CIA n\u00e3o transmitiu seu apoio diretamente ao Mujahideen. Em outras palavras, para que essas opera\u00e7\u00f5es secretas tivessem sucesso, Washington teve que tomar cuidado para n\u00e3o revelar os objetivos principais desta &#8220;jihad&#8221;, que consistiam em destruir a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>Nas palavras de Milton Beardman, da CIA, &#8220;N\u00f3s n\u00e3o treinamos os \u00e1rabes&#8221;. No entanto, de acordo com Abdel Monam Saidali, do Centro de Estudos Estrat\u00e9gicos al-Aram no Cairo, bin Laden e os &#8220;\u00e1rabes afeg\u00e3os&#8221; tinham sido conduzidos &#8220;atrav\u00e9s de tipos muito sofisticados de treinamento que foram passados para eles pela CIA&#8221;.<sup>6<\/sup><\/p>\n<p>Beardman, da CIA, confirmou, a esse respeito, que Osama bin Laden n\u00e3o sabia que estava sendo uma pe\u00e7a nas m\u00e3os de Washington, Nas palavras de bin Laden (citado de Beardman): &#8220;nem eu, nem meus irm\u00e3os, vimos evid\u00eancias de ajuda estadunidense&#8221;. <sup>7<\/sup><\/p>\n<p>Motivado pelo nacionalismo e por fervor religioso, os guerreiros isl\u00e2micos desconheciam que estavam lutando contra o ex\u00e9rcito sovi\u00e9tico em favor dos interesses do Tio Sam. Embora houvesse contato nos altos n\u00edveis da hierarquia da intelig\u00eancia, os l\u00edderes do movimento rebelde isl\u00e2micos n\u00e3o tinham contato com Washington ou com a CIA.<\/p>\n<p>Com o apoio da CIA e a canaliza\u00e7\u00e3o de somas massivas de apoio militar dos EUA, a ISI paquistanesa tinha desenvolvido uma &#8220;estrutura paralela controlando, sob todos os aspectos, enorme poder do governo&#8221;. A equipe da ISI, composta por oficiais militares e da intelig\u00eancia, por burocratas, agentes secretos e informantes, chegava a um n\u00famero de 150.000 pessoas. <sup>9<\/sup><\/p>\n<p>No entanto, as opera\u00e7\u00f5es da CIA apenas refor\u00e7aram o regime militar paquistan\u00eas liderado pelo General Zia Ul Haq:<\/p>\n<p>&#8220;As rela\u00e7\u00f5es entre a CIA e a ISI [Intelig\u00eancia Militar do Paquist\u00e3o] se tornaram cada vez mais calorosas depois que o [General] Zia expulsou Bhutto e do advento do regime militar&#8221;. Durante a maior parte da Guerra do Afeganist\u00e3o, o Paquist\u00e3o teve uma postura antissovi\u00e9tica mais agressiva que a dos Estados Unidos. Logo ap\u00f3s a invas\u00e3o militar sovi\u00e9tica do Afeganist\u00e3o, em 1980, Zia [ul Haq] enviou o chefe da ISI para desestabilizar os Estados Centrais Asi\u00e1ticos Sovi\u00e9ticos. A CIA apenas se envolveu nestes planos em outubro de 1984&#8230; &#8220;A CIA foi mais cautelosa que o Paquist\u00e3o&#8221;. Tanto o Paquist\u00e3o quanto os Estados Unidos tomaram uma postura p\u00fablica falsa de negocia\u00e7\u00e3o e resolu\u00e7\u00e3o enquanto secretamente acreditavam que uma interven\u00e7\u00e3o militar era o melhor caminho no Afeganist\u00e3o. <sup>10<\/sup><\/p>\n<p><strong>O tri\u00e2ngulo das drogas do Crescente Dourado<\/strong><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do tr\u00e1fico de drogas da \u00c1sia Central esta intimamente relacionada com as opera\u00e7\u00f5es secretas da CIA. Antes da guerra Afeg\u00e3-Sovi\u00e9tica a produ\u00e7\u00e3o de \u00f3pio do Afeganist\u00e3o e do Paquist\u00e3o era direcionada ao pequeno mercado regional. N\u00e3o havia produ\u00e7\u00e3o local de hero\u00edna. <sup>11<\/sup> Sobre este tema, as pesquisas de Alfred McCoy confirmam que durante os dois anos dos ataques das opera\u00e7\u00f5es da CIA no Afeganist\u00e3o, &#8221; as terras da fronteira Afeganist\u00e3o-Paquist\u00e3o se tornaram as maiores produtoras de hero\u00edna do mundo, atendendo 60% da demanda dos Estados Unidos. No Paquist\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o viciada em hero\u00edna passou de quase nula em 1979&#8230; para 1.2 milh\u00f5es em 1985 \u2013 Um crescimento muito maior que o de qualquer outra na\u00e7\u00e3o&#8221;: <sup>12<\/sup><\/p>\n<p>O patrim\u00f4nio da CIA novamente controlava este tr\u00e1fico de hero\u00edna. Quando os guerrilheiros Mujahideen conquistavam territ\u00f3rios no Afeganist\u00e3o, ordenavam os alde\u00f5es a plantar \u00f3pio como um imposto para os revolucion\u00e1rios. Por toda a fronteira com o Paquist\u00e3o, os l\u00edderes e, as organiza\u00e7\u00f5es locais sob a prote\u00e7\u00e3o da Intelig\u00eancia Paquistanesa operavam centenas de laborat\u00f3rios de produ\u00e7\u00e3o de hero\u00edna. Durante esta d\u00e9cada de alargamento do tr\u00e1fico de drogas, a Agencia de Combate \u00e1s Drogas estadunidense em Islamabad falhou aos instigar maiores apreens\u00f5es ou pris\u00f5es&#8230; Os oficiais estadunidenses se recusaram a investigar as cargas do mercado de drogas de seus aliados afeg\u00e3o &#8220;porque a pol\u00edtica de narc\u00f3ticos no Afeganist\u00e3o estava subordinada \u00e0 guerra contra a influ\u00eancia sovi\u00e9tica l\u00e1&#8221;. Em 1995, o antigo diretor das opera\u00e7\u00f5es da CIA no Afeganist\u00e3o, Charles Cogan, admitiu que a CIA de fato sacrificou a guerra contra as drogas para lutar na Guerra Fria. &#8220;Nossa miss\u00e3o principal era causar o maior dano poss\u00edvel aos sovi\u00e9ticos. N\u00f3s realmente n\u00e3o t\u00ednhamos recursos ou tempo para devotar \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de drogas&#8221;&#8230; &#8220;Eu n\u00e3o acho que tenhamos que nos desculpar por isso. Toda situa\u00e7\u00e3o tem suas consequ\u00eancias&#8230; L\u00e1 houve consequ\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s drogas, sim. Mas, nosso objetivo foi alcan\u00e7ado. Os sovi\u00e9ticos deixaram o Afeganist\u00e3o&#8221;. <sup>13<\/sup><\/p>\n<p><strong>Na esteira da Guerra Fria<\/strong><\/p>\n<p>Na esteira da Guerra Fria, a regi\u00e3o da \u00c1sia Central n\u00e3o \u00e9 apenas estrat\u00e9gica por suas extensas reservas de petr\u00f3leo, \u00e9 estrat\u00e9gica tamb\u00e9m, pois, representa tr\u00eas quartos da produ\u00e7\u00e3o mundial de \u00f3pio, o que significa que representa uma receita multibilion\u00e1ria das organiza\u00e7\u00f5es de mercado, institui\u00e7\u00f5es financeiras, ag\u00eancias de intelig\u00eancia e crime organizado. As receitas anuais do tr\u00e1fico de drogas no Crescente Dourado (entre 100 e 200 bilh\u00f5es de d\u00f3lares) representam aproximadamente um ter\u00e7o do volume mundial de neg\u00f3cios anual de narc\u00f3ticos. Estimados pela ONU na ordem de $500 bilh\u00f5es. <sup>14<\/sup><\/p>\n<p>Com a desintegra\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, uma nova onda de produ\u00e7\u00e3o de \u00f3pio foi revelada. (De acordo com as estimativas da ONU) a produ\u00e7\u00e3o de \u00f3pio no Afeganist\u00e3o em 1998-99 \u2013 coincidem com a forma\u00e7\u00e3o de insurg\u00eancias armadas nas antigas rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas \u2013 alcan\u00e7ando o recorde de 4.600 toneladas. <sup>15<\/sup> As poderosas organiza\u00e7\u00f5es de mercado na antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica aliadas ao crime organizado est\u00e3o competindo pelo controle estrat\u00e9gico das rotas de hero\u00edna.<\/p>\n<p>A extensiva rede de intelig\u00eancia militar da ISI n\u00e3o se desmantelou com o fim da Guerra Fria. A CIA continuou a apoiar a &#8220;jihad&#8221; isl\u00e2mica atrav\u00e9s do Paquist\u00e3o. Novas iniciativas secretas foram colocadas em pr\u00e1tica na \u00c1sia Central, no C\u00e1ucaso e nos B\u00e1lc\u00e3s. O aparato militar e de intelig\u00eancia paquistan\u00eas serviu essencialmente &#8220;como um catalisador para a desintegra\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e para a emerg\u00eancia de seis novas rep\u00fablicas isl\u00e2micas na \u00c1sia Central&#8221;. <sup>16<\/sup><\/p>\n<p>Entretanto, os mission\u00e1rios isl\u00e2micos da seita Wahhabi, da Ar\u00e1bia Saudita , t\u00eam se instalado nas rep\u00fablicas mu\u00e7ulmanas, bem como no interior da federa\u00e7\u00e3o Russa, ocupando as institui\u00e7\u00f5es do Estado Secular. Apesar de sua ideologia Anti-EUA, o fundamentalismo isl\u00e2mico est\u00e1 servindo largamente aos interesses estrat\u00e9gicos de Washington na antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>Em sequ\u00eancia \u00e0 retirada das tropas sovi\u00e9ticas em 1989, a guerra civil no Afeganist\u00e3o continuou com o mesmo fervor. O Talib\u00e3 tem sido apoiado pelos mu\u00e7ulmanos Deobandis<sup>NT1<\/sup> paquistaneses e seu partido pol\u00edtico Jamiat-ul-Ulema-e-Islam (JUI). Em 1993, o JUI ingressou em uma coaliz\u00e3o do Primeiro Ministro Benazzir Bhutto. Utilizando-se de seus la\u00e7os com o JUI, o ex\u00e9rcito e a ISI se estabeleceram. Em 1995, com a queda do governo Hezb-I-Islami Hektmatyar em Cabul, o Talib\u00e3 n\u00e3o s\u00f3 instaurou um governo Isl\u00e2mico linha dura, eles tamb\u00e9m &#8220;tomaram controle dos campos de treinamento no Afeganist\u00e3o at\u00e9 as fac\u00e7\u00f5es do JUI&#8230;&#8221; <sup>17<\/sup><\/p>\n<p>E o JUI com o apoio dos movimentos Wahhabi sauditas desempenhar um papel central no recrutamento de volunt\u00e1rios para lutar nos B\u00e1lc\u00e3s e na antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>O Jane Defense Weekly confirma a respeito de que &#8220;metade do poder humano do Talib\u00e3 e seu equipamento foi originado no Paquist\u00e3o pela ISI&#8221;. <sup>18<\/sup><\/p>\n<p>De fato, parece que na sequ\u00eancia da retira das tropas sovi\u00e9ticas, os dois lados da guerra civil no Afeganist\u00e3o continuaram a receber apoio secreto vindo da ISI paquistanesa. <sup>19<\/sup><\/p>\n<p>Em outras palavras, o Estado Isl\u00e2mico Talib\u00e3, suportado pela intelig\u00eancia militar do Paquist\u00e3o (ISI) que por sua vez, era controlado pela CIA, estava largamente servindo aos interesses geopol\u00edticos dos EUA.A rota de tr\u00e1fico do Crescente Dourado foi utilizado para financiar e equipar o Ex\u00e9rcito Mu\u00e7ulmano da B\u00f3snia (com in\u00edcio no come\u00e7o da d\u00e9cada de 1990) e o Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o de Kosovo (KLA). Nos \u00faltimos meses existem evidencias de que mercen\u00e1rios Mujahidden estejam lutando nas fileiras terroristas da KLA-NLA em seus ataques na Maced\u00f4nia.<\/p>\n<p>N\u00e3o existem d\u00favidas de que isso explique o porqu\u00ea Washington fechou seus olhos para o reinado de terror imposto pelo Talib\u00e3, incluindo a descarada revoga\u00e7\u00e3o dos direitos da mulher, o fechamento de escolas para mulheres, as demiss\u00f5es dos cargos femininos do governo e a execu\u00e7\u00e3o das &#8220;leis de puni\u00e7\u00e3o da Charia<sup>NT2<\/sup>&#8220;. <sup>20<\/sup><\/p>\n<p><strong>A Guerra na Chech\u00eania<\/strong><\/p>\n<p>No que se refere \u00e0 Chech\u00eania, os principais l\u00edderes rebeldes, Shamil Basayev e al-Khattab, foram treinados e instru\u00eddos nos Campos patrocinados pela CIA no Afeganist\u00e3o e no Paquist\u00e3o. De acordo com Yossef Bodansky, diretor da For\u00e7a Tarefa do Congresso sobre Terrorismo e Guerra n\u00e3o Convencional dos EUA, a guerra na Chech\u00eania foi planejada durante um encontro secreto do Internacional HizbAllah realizado em 1991, em Mogadishu, na Som\u00e1lia. <sup>21<\/sup> O encontro foi organizado por Osama bin Laden e oficiais do alto escal\u00e3o da intelig\u00eancia iraniana e paquistanesa. A esse respeito, o envolvimento do ISI paquistan\u00eas na Chech\u00eania &#8220;vai muito al\u00e9m do que o fornecimento de armas e experi\u00eancia para a Chech\u00eania: A ISI e os seus l\u00edderes fundamentalistas isl\u00e2micos est\u00e3o atualmente mandando na guerra&#8221;. <sup>22<\/sup><\/p>\n<p>Os principais oleodutos da R\u00fassia passam por sob o territ\u00f3rio da Chech\u00eania e do Daguist\u00e3o. Apesar da superficial condena\u00e7\u00e3o de Washington ao terrorismo isl\u00e2mico, os beneficiados indiretos da guerra da Chech\u00eania s\u00e3o os conglomerados petrol\u00edferos anglo-americanos que est\u00e3o competindo pelo controle sobre os recursos petrol\u00edferos e oleodutos da bacia do Mar C\u00e1spio.<\/p>\n<p>Os dois principais ex\u00e9rcitos rebeldes Chech\u00eanos (respectivamente liderados pelo Comandante Shamil Basayev e Emir Khattab) com for\u00e7a estimada de 35.000 mil homens, \u00e9 apoiado pela ISI paquistanesa, que tem desempenhado papel fundamental na organiza\u00e7\u00e3o e no treinamento do Ex\u00e9rcito Rebelde Chech\u00eano:<\/p>\n<p>[Em 1994] O ISI paquistan\u00eas arranjou para que Basayev e seus lugar-tenentes se submetessem a um intensivo doutrinamento do Islam e treinamento em t\u00e1ticas de guerrilha em Khost, prov\u00edncia do Afeganist\u00e3o, no campo de Amir Muawia, criado no inicio dos anos de 1980 pela CIA e pela ISI e dirigida pelo famoso comandante afeg\u00e3o Gulbuddin Hekmatyar. Em julho de 1994, depois de ter-se graduado em Amir Muawia, Baseyev foi transferido para o campo de Markaz-i-Dawar, no Paquist\u00e3o para se submeter ao treinamento avan\u00e7ado de t\u00e1ticas de Guerrilha. No Paquist\u00e3o, Baseyev conheceu o mais alto escal\u00e3o dos militares e da intelig\u00eancia Paquistanesa: O Ministro da Defesa, General Aftab Shahban Mirani, o Ministro do Interior, General Naserullah Babar, e o chefe da ISI do setor respons\u00e1vel pelo apoio as causas isl\u00e2micas, General Javed Ashraf (agora aposentado). As liga\u00e7\u00f5es no alto escal\u00e3o, pouco tempo depois, mostraram ser valiosas para Basayev. <sup>23<\/sup><\/p>\n<p>Em seq\u00fc\u00eancia ao treino e a breve doutrina\u00e7\u00e3o, Baseyev foi escalado para l\u00edderal o ataque contra as tropas federais da R\u00fassia na primeira guerra na Chech\u00eania. Sua organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m desenvolveu uma extensiva conex\u00e3o com as organiza\u00e7\u00f5es criminosas de Moscou, bem como la\u00e7os com o crime organizado Alban\u00eas e o Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o de Kosovo (KLA). Em 1997-98, de acordo com o Servi\u00e7o de Seguran\u00e7a Federal da R\u00fassia (FSB) &#8220;Os comandantes Chech\u00eanos come\u00e7aram a comprar im\u00f3veis em Kosovo&#8230; atrav\u00e9s de algumas firmas reais registradas como Iugoslavas&#8221;. <sup>24<\/sup><\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o de Basayev tamb\u00e9m esteve envolvida em algumas algazarras, inclusive com narc\u00f3ticos, escutas ilegais e sabotagem de oleodutos russos, sequestros, prostitui\u00e7\u00e3o, com\u00e9rcio de d\u00f3lares falsificados e contrabando de materiais nucleares (Veja: <em>Mafia linked to Albania&#8217;s collapsed pyramids<\/em>). <sup>25<\/sup> Justamente esses neg\u00f3cios lucrativos, lavagem de dinheiro e trafico de drogas, al\u00e9m de outras atividades il\u00edcitas t\u00eam sido canalizados para o recrutamento de mercen\u00e1rios e para a compra de armas.<\/p>\n<p>Durante seu treinamento no Afeganist\u00e3o, Shamil Basayev estabeleceu liga\u00e7\u00f5es com o veterano saudita, Comandante Mujahidden &#8220;al-Khattab&#8221; que lutou como volunt\u00e1rio no Afeganist\u00e3o. Apenas dois meses ap\u00f3s o retorno de Basayev a Grozny, Khattab foi convidado (no in\u00edcio de 1995) para estabelecer uma base militar na Chech\u00eania e treinar os guerreiros Mujahideen. De acordo com a BBC, o posto de Khattab na Chech\u00eania foi &#8220;arranjado pela Organiza\u00e7\u00e3o Islamic Relief, com sede na \u00c1rabia Saudita, uma organiza\u00e7\u00e3o religiosa militante, fundada por mesquitas e indiv\u00edduos ricos que transmitiam fundos para a Chech\u00eania&#8221;. <sup>26<\/sup><\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/strong><\/p>\n<p>Desde a era da Guerra Fria, Washington conscientemente tem apoiado Osama bin Laden, enquanto ao mesmo tempo o coloca na &#8220;lista dos mais procurados&#8221; do FBI como o terrorista mundialmente conhecido.<\/p>\n<p>Enquanto os Mujahideen est\u00e3o ocupados lutando a guerra estadunidense nos B\u00e1lc\u00e3s e na antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, o FBI \u2013 operando com a For\u00e7a de Pol\u00edcia da sede dos EUA \u2013 est\u00e1 empreendendo uma guerra dom\u00e9stica contra o terrorismo, operando, em alguns casos, de maneira independente da CIA que tem \u2013 desde a guerra Sovi\u00e9tico-Afeg\u00e3 \u2013 apoiado o terrorismo internacional atrav\u00e9s de suas opera\u00e7\u00f5es secretas.<\/p>\n<p>Em uma cruel ironia, enquanto a &#8220;jihad&#8221; isl\u00e2mica \u2013 apresentada pela Administra\u00e7\u00e3o Bush como &#8220;uma amea\u00e7a para os EUA&#8221; \u2013 \u00e9 acusada pelos ataques terroristas ao World Trade Center e ao Pent\u00e1gono, estas mesmas organiza\u00e7\u00f5es Isl\u00e2micas constituem uma pe\u00e7a chave das opera\u00e7\u00f5es de Intelig\u00eancia Militar dos Estados Unidos nos B\u00e1lc\u00e3s e na antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>No rescaldo dos ataques terroristas em Nova York e Washington, a verdade deve prevalecer para prevenir que a Administra\u00e7\u00e3o Bush, juntamente com seus aliados da OTAN, embarque em uma aventura militar contra as amea\u00e7as ao futuro da humanidade.<\/p>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p>1.Hugh Davies, International: &#8216;Informers&#8217; point the finger at bin Laden; Washington on alert for suicide bombers, The Daily Telegraph, London, 24 de agosto de 1998.<\/p>\n<p>2.Veja Fred Halliday, &#8220;The Un-great game: the Country that lost the Cold War, Afghanistan, New Republic, 25 de mar\u00e7o de 1996):<\/p>\n<p>3.Ahmed Rashid, The Taliban: Exporting Extremism, Foreign Affairs, Novembro \u2013 Dezembro de 1999.<\/p>\n<p>4.Steve Coll, Washington Post, July 19, 1992.<\/p>\n<p>5.Dilip Hiro, Fallout from the Afghan Jihad, Inter Press Services, 21 de novembro de 1995.<\/p>\n<p>6.Weekend Sunday (NPR); Eric Weiner, Ted Clark; 16 de agosto de 1998.<\/p>\n<p>7.Ibidem<\/p>\n<p>8.Dipankar Banerjee; Possible Connection of ISI With Drug Industry, India Abroad, 2 de dezembro de 1994.<\/p>\n<p>9.Ibidem<\/p>\n<p>10.Veja Diego Cordovez e Selig Harrison, Out of Afghanistan: The Inside Story of the Soviet Withdrawal, Oxford university Press, New York, 1995. Veja tamb\u00e9m a vevis\u00e3o de Cordovez e Harrison no International Press Services, 22 de agosto de 1995.<\/p>\n<p>11.Alfred McCoy, Drug fallout: the CIA&#8217;s Forty Year Complicity in the Narcotics Trade. The Progressive; 1 de agosto de 1997.<\/p>\n<p>12.Ibidem<\/p>\n<p>13.Ibidem.<\/p>\n<p>14.Douglas Keh, Drug Money in a changing World, Technical document no 4, 1998, Vienna UNDCP, p. 4. Veja tamb\u00e9m Report of the International Narcotics Control Board for 1999, E\/INCB\/1999\/1 United Nations Publication, Vienna 1999, p 49-51, E Richard Lapper, UN Fears Growth of Heroin Trade, Financial Times, 24 de fevereiro de 2000.<\/p>\n<p>15.Report of the International Narcotics Control Board, op cit, p 49-51, veja tamb\u00e9m Richard Lapper, op. cit.<\/p>\n<p>16.International Press Services, 22 de agosto de 1995.<\/p>\n<p>17.Ahmed Rashid, The Taliban: Exporting Extremism, Foreign Affairs, Novembro \u2013 Dezembro , 1999, p. 22.<\/p>\n<p>18.Citado no Christian Science Monitor, 3 de setembro de 1998)<\/p>\n<p>19.Tim McGirk, Kabul learns to live with its bearded conquerors, The Independent, London, 6 ,de novembro de 1996.<\/p>\n<p>20.Veja K. Subrahmanyam, Pakistan is Pursuing Asian Goals, India Abroad, 3 de novembro de 1995.<\/p>\n<p>21.Levon Sevunts, Who&#8217;s calling the shots?: Chechen conflict finds Islamic roots in Afghanistan and Pakistan, 23 The Gazette, Montreal, 26 de outubro de 1999.<\/p>\n<p>22.Ibidem<\/p>\n<p>23.Ibidem<\/p>\n<p>24.Veja Vitaly Romanov e Viktor Yadukha, Chechen Front Moves To Kosovo Segodnia, Moscow, 23 de fevereiro de 2000.<\/p>\n<p>25.The European, 13de fevereiro de 1997, veja tamb\u00e9m Itar-Tass, 4-5 de Janeiro de 2000.<\/p>\n<p>26.BBC, 29 de setembro de 1999.<\/p>\n<p>*Michel Chossudovsky \u00e9 Professor de Economia, Universidade de Ottawa<\/p>\n<p>Original:\u00a0 <a href=\"http:\/\/www.globalresearch.ca\/\" target=\"_blank\">Global Research<\/a><\/p>\n<p>Traduzido para Di\u00e1rio Liberdade por E. R. Saracino<\/p>\n<p><strong>Notas do tradutor<\/strong><\/p>\n<p>NT1. O movimento Deobandi \u00e9 uma seita dentro do Isl\u00e3, fundada na \u00cdndia no s\u00e9culo XIX, que desempenha importante papel pol\u00edtico em toda a pen\u00ednsula \u00cdndica<\/p>\n<p>NT2. A Ch\u00e1ria \u00e9 o conjunto de leis interpretadas do Cor\u00e3o ou dos Hadiths (ensinamentos do profeta Muhammad), normalmente adotadas como jurisprud\u00eancia em pa\u00edses isl\u00e2micos. Como derivam de interpreta\u00e7\u00f5es do Cor\u00e3o, s\u00e3o brandas ou severas de acordo com o interprete mais aceito pelo Estado.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.diarioliberdade.org\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=15440\" target=\"_blank\">http:\/\/www.diarioliberdade.org\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=15440<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Di\u00e1rio Liberdade\n\n\n\n\n\n\n\n\nMichel Chossudovsky*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1471\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1471","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-nJ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1471","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1471"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1471\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1471"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1471"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1471"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}