{"id":14711,"date":"2017-06-09T19:13:33","date_gmt":"2017-06-09T22:13:33","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=14711"},"modified":"2017-06-20T21:13:55","modified_gmt":"2017-06-21T00:13:55","slug":"efeitos-da-guerra-dos-seis-dias-perduram-50-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14711","title":{"rendered":"&#8216;Efeitos da Guerra dos Seis Dias perduram 50 anos depois&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci4.googleusercontent.com\/proxy\/YNplihzjex6n05sAEtApMYC59dTnWrq3ndm05H76w9lz8NOWQziqOi2OtT7BadZopKsxCnQgRzxnoYKNQ4JqIXlWcgHO1C4BCc06eMImfJ8tSbf9nnA=s0-d-e1-ft#http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/636319937429600511.jpg\" alt=\"imagem\" \/>Opera Mundi &#8211; Diana Hodali (av). Deutsche Welle<\/p>\n<p>Ocupa\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios palestinos por Israel, h\u00e1 cinco d\u00e9cadas, alterou milh\u00f5es de vidas, mas comunidade internacional evita abordar a s\u00e9rio o conflito no Oriente M\u00e9dio, critica soci\u00f3logo palestino Salim Tamari em entrevista \u00e0 DW<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Em 5 de junho de 1967, Israel atacou o Egito, S\u00edria e Jord\u00e2nia, dando in\u00edcio \u00e0 assim chamada Guerra dos Seis Dias. Desde a promulga\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, em 1948, os vizinhos \u00e1rabes insistiam na cria\u00e7\u00e3o de um Estado palestino, gerando conflitos sucessivos entre as duas partes.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o na fronteira da S\u00edria atingiu um ponto cr\u00edtico em abril de 1967: os s\u00edrios haviam instalado bases de artilharia em Gol\u00e3 para bombardear col\u00f4nias israelenses. A derrubada de sete avi\u00f5es de guerra por Israel provocou o in\u00edcio da mobiliza\u00e7\u00e3o \u00e1rabe.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a assinatura de pactos militares entre Egito, S\u00edria e Jord\u00e2nia, Israel iniciou a mobiliza\u00e7\u00e3o geral. Na manh\u00e3 de 5 de junho, avi\u00f5es da for\u00e7a a\u00e9rea israelense atacaram bases a\u00e9reas do Egito, destruindo centenas de avi\u00f5es em 48 horas. Os combates se encerraram em 10 de junho, com o cessar-fogo com a S\u00edria, ap\u00f3s Israel ter conquistado as Colinas de Gol\u00e3.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias desses seis dias se mant\u00eam at\u00e9 hoje, com a exist\u00eancia ou n\u00e3o de um Estado palestino sendo foco n\u00e3o s\u00f3 de tens\u00f5es di\u00e1rias na regi\u00e3o, mas tamb\u00e9m nos palcos da pol\u00edtica internacional.<\/p>\n<p>A DW entrevistou o soci\u00f3logo palestino Salim Tamari. Nascido em 1945 em Acre, a norte da Ba\u00eda de Haifa, ele \u00e9 diretor do Instituto de Estudos Palestinos e docente do Centro de Estudos \u00c1rabes Contempor\u00e2neos da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p><strong>DW: Quais circunst\u00e2ncias levaram \u00e0 Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Salim Tamari<\/strong>: O detonador imediato foi o ent\u00e3o presidente do Egito, Gamal Abdel Nasser, ter bloqueado o Estreito de Tiran, cortando o acesso de Israel \u00e0s \u00e1guas internacionais. O verdadeiro motivo, no entanto, foi, entre outros, o fato de Israel ter recha\u00e7ado sistematicamente as resolu\u00e7\u00f5es da ONU de 1948, para o retorno dos refugiados. Al\u00e9m disso, havia tens\u00f5es na fronteira entre Israel e o Egito, na regi\u00e3o de Gaza.<\/p>\n<p><strong>A guerra acabou ap\u00f3s poucos dias, mas as consequ\u00eancias peduram at\u00e9 hoje. Quais efeitos diretos teve o conflito?<\/strong><\/p>\n<p>Os Ex\u00e9rcitos da S\u00edria, Egito e Jord\u00e2nia tiveram que aceitar uma derrota. Al\u00e9m disso, Israel ocupou toda a Pen\u00ednsula do Sinai, a Cisjord\u00e2nia, inclusive a zona leste de Jerusal\u00e9m e parte das Colinas de Gol\u00e3, na S\u00edria. Os efeitos imediatos foram n\u00e3o s\u00f3 totalmente devastadores para os diversos governos \u00e1rabes, mas tamb\u00e9m para os palestinos na Cisjord\u00e2nia e na Faixa de Gaza.<\/p>\n<p><strong>Como a vida da popula\u00e7\u00e3o mudou depois da guerra?<\/strong><\/p>\n<p>Dois aspectos alteraram a vida cotidiana: por um lado, os palestinos da Cisjord\u00e2nia, Faixa de Gaza e das Colinas de Gol\u00e3 deixaram de ter acesso a um aeroporto. N\u00e3o podiam mais viajar, manter com\u00e9rcio, nem mais ter interc\u00e2mbio com outras culturas, como costumavam.<\/p>\n<p>Por outro lado, os mercados da Cisjord\u00e2nia e da Faixa de Gaza foram integrados aos dos israelenses. A consequ\u00eancia positiva foi os palestinos voltarem a ter acesso \u00e0 Palestina hist\u00f3rica, e assim tamb\u00e9m aos territ\u00f3rios que alguns deles haviam perdido em 1948.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, Jerusal\u00e9m foi formalmente anexada. Os moradores palestinos de l\u00e1 se tornaram habitantes de Israel, podendo se mover mais livremente do que os palestinos da Cisjord\u00e2nia e Gaza.<\/p>\n<p><strong>Pode-se dizer que os palestinos de Jerusal\u00e9m foram igualmente anexados? Eles n\u00e3o s\u00e3o cidad\u00e3os israelenses de pleno direito, n\u00e3o t\u00eam passaporte israelense, podem viver l\u00e1, mas, por exemplo, s\u00f3 t\u00eam o direito de participar de elei\u00e7\u00f5es locais.<\/strong><\/p>\n<p>A cidade foi anexada, mas n\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o. Os palestinos tiveram que requerer uma &#8220;carteira de identidade azul&#8221;, recebendo um status que se pode situar entre o dos palestinos em outras cidades de Israel, e os da Cisjord\u00e2nia e Faixa de Gaza. Na pr\u00e1tica, eles continuam vivendo numa esp\u00e9cie de estado de incerteza.<\/p>\n<p><strong>V\u00e1rios palestinos dizem que n\u00e3o conseguem ver 1967 desconectado dos acontecimentos de 1948, quando o Estado de Israel foi fundado na sequ\u00eancia de uma guerra. O senhor concorda?<\/strong><\/p>\n<p>Muitos palestinos que vivem na Cisjord\u00e2nia e Gaza s\u00e3o refugiados de territ\u00f3rios que se transformaram no Estado de Israel em 1948. Os palestinos que fugiram em 1967 vivem hoje principalmente em outros pa\u00edses \u00e1rabes. Os daqui s\u00e3o historicamente traumatizadas pela guerra de 1948, para eles 1967 significa algo totalmente diverso. Eles n\u00e3o se tornaram refugiados, mas sim ref\u00e9ns da anexa\u00e7\u00e3o da Cisjord\u00e2nia e Gaza por Israel.<\/p>\n<p><strong>No fim dos anos 60, o senhor mesmo se recolheu na Cisjord\u00e2nia. Como a ocupa\u00e7\u00e3o e os cidad\u00e3os de l\u00e1 mudaram nos \u00faltimos 50 anos?<\/strong><\/p>\n<p>A diferen\u00e7a principal em rela\u00e7\u00e3o a hoje \u00e9 que, depois da guerra de 1967, tinha-se a sensa\u00e7\u00e3o de se encontrar num estado que permaneceria para sempre. As na\u00e7\u00f5es \u00e1rabes foram derrotadas, n\u00e3o tinham mais como se reerguer militarmente. Mas ent\u00e3o em 1987 veio a primeira Intifada [revolta palestina], e as pessoas tiveram a sensa\u00e7\u00e3o de que a ocupa\u00e7\u00e3o poderia ter um fim.<\/p>\n<p>Mas os resultados dos Acordos de Oslo de 1993 foram um desdobramento decepcionante. Pois l\u00e1 se deliberou o prosseguimento da ocupa\u00e7\u00e3o numa outra forma, sob a capa da assim chamada &#8220;Autonomia&#8221;. De repente as pessoas tinham uma outra vis\u00e3o: n\u00e3o se tratava mais de uma luta por mais independ\u00eancia ou por uma solu\u00e7\u00e3o de dois Estados, mas sim de um embate judicial.<\/p>\n<p><strong>Muitos movimentos israelo-palestinos sempre colocam o fim da ocupa\u00e7\u00e3o em primeiro plano. Essas iniciativas ser\u00e3o capazes de alcan\u00e7ar algo enquanto a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o mudar?<\/strong><\/p>\n<p>Elas realmente alcan\u00e7aram algo depois da primeira Intifada. Solidariedade intra\u00e9tnica foi o resultado, o que acabou gerando as negocia\u00e7\u00f5es de paz de Oslo. Mas isso gastou a resist\u00eancia dos palestinos, muitos n\u00e3o querem passar por algo como Oslo mais uma vez.<\/p>\n<p>A isso soma-se o fato de que o movimento de paz e tamb\u00e9m a esquerda israelense encolheram, tanto em tamanho quanto em significado. Naturalmente, h\u00e1 desobedi\u00eancia civil e protestos pac\u00edficos. Sou da opini\u00e3o de que eles contribuem para criar uma nova vis\u00e3o. Mas no momento ainda n\u00e3o \u00e9 algo que se possa traduzir em a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p><strong>O que a comunidade internacional deve fazer, para que a ocupa\u00e7\u00e3o tenha fim e uma solu\u00e7\u00e3o de dois Estados possa prosperar?<\/strong><\/p>\n<p>A comunidade internacional precisa se dedicar bem decididamente ao tema das desapropria\u00e7\u00f5es de terra e da amplia\u00e7\u00e3o dos assentamentos. Al\u00e9m disso, deveria criar um clima que leve Israel a se retirar dos territ\u00f3rios ocupados. Mas tudo isso j\u00e1 \u00e9 conhecido. S\u00f3 que nem a Europa e muito menos os Estados Unidos querem se ocupar de verdade desses temas pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Pedestres ao lado do muro que separa a Palestina de Israel na cidade de Bel\u00e9m, a caminho da mesquita Al Aqsa, que fica em Jerusal\u00e9m Oriental, territ\u00f3rio palestino ocupado por Israel. Ag\u00eancia Efe.<\/p>\n<p>http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/geral\/47292\/efeitos+da+guerra+dos+seis+dias+perduram+50+anos+depois.shtml<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Opera Mundi &#8211; Diana Hodali (av). 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