{"id":14722,"date":"2017-06-09T19:37:59","date_gmt":"2017-06-09T22:37:59","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=14722"},"modified":"2017-07-03T13:58:35","modified_gmt":"2017-07-03T16:58:35","slug":"100-anos-da-primeira-greve-geral-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14722","title":{"rendered":"100 Anos da Primeira Greve Geral no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/uniaoanarquista.files.wordpress.com\/2015\/06\/greve-operaria-i-republica.png?w=747&#038;h=426&#038;fit=596%2C426\" alt=\"imagem\" \/><strong>100 Anos da Primeira Greve Geral no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Por F\u00e1bio Bezerra*<\/p>\n<p>H\u00e1 exatos cem anos, a classe oper\u00e1ria brasileira realizava a sua primeira experi\u00eancia <!--more-->de Greve Geral. Em um contexto de extrema explora\u00e7\u00e3o, com jornadas de trabalho que chegavam a 16 horas di\u00e1rias, aus\u00eancia de direitos b\u00e1sicos como intervalo para o almo\u00e7o, f\u00e9rias e assist\u00eancia m\u00e9dica, sal\u00e1rios defasados, al\u00e9m da exposi\u00e7\u00e3o a humilha\u00e7\u00f5es morais, castigos f\u00edsicos e ass\u00e9dio sexual \u00e0s oper\u00e1rias, trabalhadores(as) do setor t\u00eaxtil em S\u00e3o Paulo, em sua maioria mulheres, iniciaram uma greve no in\u00edcio do m\u00eas de junho (09\/06) na F\u00e1brica Cotonof\u00edcio Crespi, localizada na Mooca, que foi duramente reprimida pela pol\u00edcia. Nos dias que se seguiram, outras unidades fabris aderiram ao movimento, muitas em solidariedade, expandindo-se para outros setores (mobili\u00e1rio, panifica\u00e7\u00e3o, condutores, constru\u00e7\u00e3o civ\u00edl, bebidas entre outros).<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o das elites oscilou entre a intransig\u00eancia dos patr\u00f5es, a\u00a0 criminaliza\u00e7\u00e3o dos jornais da \u00e9poca at\u00e9 as batalhas sangrentas, entre oper\u00e1rios e a pol\u00edcia, que se seguiram nas ruas de S\u00e3o Paulo, principalmente nos bairros oper\u00e1rios da Mooca e do Br\u00e1s. O ponto culminante se deu entre os dias 9 e 12 de julho, quando o governo municipal se retirou da cidade devido \u00e0\u00a0escalada de viol\u00eancia e aos confrontos que levaram \u00e0 morte, contabilizada oficialmente, de dois oper\u00e1rios, uma crian\u00e7a e um policial\u00a0(mas as estimativas s\u00e3o de dezenas de oper\u00e1rios mortos).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o enterro do ativista espanhol e anarquista\u00a0Jos\u00e9 Gimenez Martinez, a Greve Geral ganhou a ades\u00e3o em outras cidades da federa\u00e7\u00e3o, tais como: Rio de Janeiro, Porto Alegre, Juiz de Fora e diversas cidades do interior paulista, atingindo, em julho, a participa\u00e7\u00e3o de mais de 50 mil trabalhadores(as).<\/p>\n<p>O grau de organiza\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria e solidariedade alcan\u00e7ou um ponto de amadurecimento nunca antes visto na recente e ainda jovem trajet\u00f3ria de greves oper\u00e1rias. Foi\u00a0criado\u00a0o Comit\u00ea de Defesa Prolet\u00e1ria, que reunia lideran\u00e7as anarcossindicalistas e socialistas de diversas categorias e que assumiu as negocia\u00e7\u00f5es em torno de uma pauta de reivindica\u00e7\u00f5es\u00a0intermediada, junto ao governo paulista e ao patronato, por uma comitiva de jornalistas.<\/p>\n<p>Durante cerca de trinta dias intensos de manifesta\u00e7\u00f5es e batalhas de rua, ocupa\u00e7\u00f5es de f\u00e1bricas, barricadas, pris\u00f5es e a instaura\u00e7\u00e3o de estado de s\u00edtio na cidade de S\u00e3o Paulo, a maioria das reivindica\u00e7\u00f5es foi\u00a0acatada. Mas a repress\u00e3o que se seguiu \u00e0s lideran\u00e7as libert\u00e1rias e aos l\u00edderes fabris foi avassaladora.<\/p>\n<p>Ainda em 1917, dezenas de ativistas libert\u00e1rios, em sua maioria italianos e espanh\u00f3is, foram extraditados. Ativistas brasileiros foram presos e deportados para o Amap\u00e1, de onde n\u00e3o se poderia retornar,\u00a0um verdadeiro degredo. As gr\u00e1ficas onde funcionavam os jornais anarquistas foram desmontadas e muitos dos acordos firmados, em fins de julho de 1917, assim que se arrefeceu o movimento, foram descumpridos.<\/p>\n<p>Apesar de toda a violenta repress\u00e3o e\u00a0do \u00f3dio da classe burguesa, que saltou aos olhos nas p\u00e1ginas da imprensa oficial, assim como nas medidas que se seguiram para coibir o movimento oper\u00e1rio, entre elas, a cria\u00e7\u00e3o da <strong>\u00a0<\/strong>Delegacia de Ordem Pol\u00edtica e Social (\u00f3rg\u00e3o antecessor do DOPS), estava destravado um novo cap\u00edtulo da Hist\u00f3ria da Resist\u00eancia e das Lutas Sociais da classe trabalhadora brasileira. A burguesia, a partir desse momento, estava diante de um operariado &#8211; ainda incipiente e em forma\u00e7\u00e3o -, mas que amadurecia rapidamente, na mesma intensidade e propor\u00e7\u00e3o que avan\u00e7ava a explora\u00e7\u00e3o e aumentava a carestia, conquistando\u00a0sua consci\u00eancia de classe e organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica enquanto vanguarda das lutas que viriam a acontecer.<\/p>\n<p>Mais do que o resplandecer da luta de classes no Brasil num novo est\u00e1gio de enfrentamento entre o capital e o trabalho, prel\u00fadio de outras tantas lutas e desdobramentos que determinaram, entre outras coisas, a constitui\u00e7\u00e3o da CLT nos anos 1940,\u00a0a movimenta\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, pujante e firme da classe oper\u00e1ria nas jornadas de junho e julho de 1917, tamb\u00e9m possibilitaram o amadurecimento das an\u00e1lises sobre a t\u00e1tica e os caminhos a se seguir\u00a0contra o capital e o dom\u00ednio burgu\u00eas.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o de um partido revolucion\u00e1rio que pudesse assumir as tarefas da organiza\u00e7\u00e3o do proletariado frente \u00e0s limita\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas e organizativas do pensamento anarquista \u00e0 \u00e9poca, foi colocada para as principais lideran\u00e7as do movimento de 1917, influenciadas\u00a0pela repercuss\u00e3o e simbolismo da Vitoriosa Revolu\u00e7\u00e3o Russa de Outubro daquele ano, precipitando,\u00a0em 1919, a possibilidade de constitui\u00e7\u00e3o de um Partido Comunista, que somente, em 25 de mar\u00e7o de 1922 seria fundado. N\u00e3o \u00e9 por coincid\u00eancia que, dos nove membros fundadores do PCB, seis eram de origem libert\u00e1ria.<\/p>\n<p>Passados cem anos, o legado hist\u00f3rico da ousadia e da resist\u00eancia contra a barb\u00e1rie capitalista se mant\u00e9m mais vivo\u00a0do que nunca em nossa exist\u00eancia, ainda mais frente aos ataques da burguesia e seus governos neoliberais, justamente contra os direitos trabalhistas e a aposentadoria, conquistados com sangue, suor e l\u00e1grimas de milhares de trabalhadores ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Seguimos firmes lutando sob novas jornadas de GREVE GERAL, resistindo e intensificando nossa luta n\u00e3o apenas em mem\u00f3ria daqueles que ousaram lutar e enfrentar o jugo do capital, mas em defesa de nossos direitos e conquistas, os quais, se usurpados, nos colocar\u00e3o em um patamar hist\u00f3rico igual ou pior ao que a classe trabalhadora vivia no in\u00edcio do seculo XX!<\/p>\n<p>S\u00f3 a luta muda a vida!<br \/>\nViva a Her\u00f3ica Greve Geral de 1917!<br \/>\nE que venha a Greve Geral de 30 de junho de 2017!<br \/>\nNenhum passo atr\u00e1s, Nenhum Direito a Menos!<\/p>\n<p>*Membro do Comit\u00ea Central do PCB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"100 Anos da Primeira Greve Geral no Brasil Por F\u00e1bio Bezerra* H\u00e1 exatos cem anos, a classe oper\u00e1ria brasileira realizava a sua primeira \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14722\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[74],"tags":[],"class_list":["post-14722","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c87-revolucao-russa"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3Ps","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14722","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14722"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14722\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14722"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14722"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14722"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}