{"id":14725,"date":"2017-06-11T18:21:23","date_gmt":"2017-06-11T21:21:23","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=14725"},"modified":"2017-07-03T13:58:38","modified_gmt":"2017-07-03T16:58:38","slug":"sobre-tomar-as-ruas-de-porto-alegre-o-que-esta-faltando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14725","title":{"rendered":"SOBRE TOMAR AS RUAS DE PORTO ALEGRE: O QUE EST\u00c1 FALTANDO?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/Ssy6ntx6C1NgOa0ZORhoadyUPyjgWNKMvZfKdIhuto8JTQKgIrjh25mKy-kBU8oevfgFYRRkyUFP5oB_jFQfGxCjwHr2IzwHnyjthzYVmMgD4rHihkiCd-UfazDSA7NjlfkLkh0JZahhH35uaiK0AtNmYf6qCxxg6fVe43hg6ccwLL3UynXGTeAkLbcQLsydGPgzfk6HRhT5b-hfKOIk41mhBEChhpkIHlufDWfAp3VBfxbNay972qpgb4HiDkyxq-Q3DM5BgszRTrQJT6yoigcp04Zwd2aoAL0v_N4rvjm1aQlKEF_j23s5ZxEtHgyvX49GoknBFCIiE0ATb9SdS2uynp_m7-DGDF0TGdlLjT70gUjqI5Cx_186RKlpf5i6HpoDXTGzI7i1nO-U5rdpMepD0fPrPH6PrmKenF_Z62k3wIsW2cVhnyvZz4X-Q2eIYWUJAsA5gafWtIWfJ1HS_vApWNCcUVBG0BJlZFyQFrid9hH7U_ZJw6Rp1Uyit4mMYxPKy5wFSuQ6RrVhm_KgS_U_8l4P1FAhbOuydOrMqY3s5VvPNNIgUtH8qWOQhVTB65RwSZtocto-FcFvwtH2vqhn6OS0J5KqebUIz8_cwDRQoPR8yzDxNkOH_fVP1-1lsKecE6WzS-K6nvSoaOWsb8dDsWlxDSXG6-RnonyqhQ=w978-h360-no\" alt=\"imagem\" \/><strong>Pitacos sobre o car\u00e1ter organizativo do poder popular<\/strong><\/p>\n<p>Por Marianna Rodrigues*<\/p>\n<p>Em 2013, Porto Alegre foi uma capital de grande destaque<!--more--> no cen\u00e1rio pol\u00edtico nacional em raz\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es massivas, iniciadas pelo Bloco de Luta pelo Transporte P\u00fablico e que, posteriormente, ganharam um corpo muito maior.<\/p>\n<p>Nos anos que se sucederam, continuamos com uma cultura de atos com boa participa\u00e7\u00e3o, mas cada vez mais inst\u00e1vel. Atualmente, \u00e9 poss\u00edvel dizer que temos constantemente perdido for\u00e7as nessas tarefas, chegando ao absurdo de n\u00e3o mobilizarmos mais do que as for\u00e7as pol\u00edticas organizadas e, por vezes, sequer alcan\u00e7ado o grande conjunto dessas for\u00e7as pol\u00edticas.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito, n\u00e3o havia um momento t\u00e3o prop\u00edcio para uma ampla unidade classista e popular no Pa\u00eds. As reformas do ileg\u00edtimo governo de Michel Temer avan\u00e7am a passos r\u00e1pidos, tudo descaradamente a favor do alto empresariado e contr\u00e1rio aos interesses do povo trabalhador, ao mesmo tempo em que internacionalmente h\u00e1 modifica\u00e7\u00f5es nos blocos da classe dominante em raz\u00e3o da din\u00e2mica brutal do capital. Para piorar, o governo do estado do Rio Grande do Sul, liderado por Jos\u00e9 Ivo Sartori (PMDB) realiza um grande desmonte no setor p\u00fablico, fechando diversas estatais e, at\u00e9 mesmo, deixando de pagar a integralidade de direitos de seus servidores.<\/p>\n<p>Pode-se dizer que, neste ano, tivemos tr\u00eas grandes atos marcantes de toda essa insatisfa\u00e7\u00e3o popular: no 8 de Mar\u00e7o &#8211; de paralisa\u00e7\u00e3o internacional das mulheres trabalhadoras; no 28 de Abril &#8211; dia nacional em defesa da greve geral; e no 18 de Maio, pela derrubada de Temer. Foram momentos grandiosos, com milhares de pessoas nas ruas.<\/p>\n<p>O plano de fundo desses tr\u00eas atos foi, todas as vezes, o conjunto das reformas contra o povo trabalhador, sobretudo em defesa de direitos trabalhistas e previdenci\u00e1rios, al\u00e9m de exig\u00eancias por mudan\u00e7as no sistema pol\u00edtico (anti)democr\u00e1tico brasileiro. No entanto, apesar de extremamente numerosos, o sentimento ao final de cada um deles foi de que &#8220;algo faltou&#8221;.<\/p>\n<p>A maior prova disso fora que diversos espa\u00e7os organizados posteriormente, sejam plen\u00e1rias, sejam novos atos, tiveram baixa participa\u00e7\u00e3o em nossa cidade. N\u00e3o podemos cair na ilus\u00e3o que os atos numerosos daqueles dias foram um reflexo positivo de como foram constru\u00eddos, afinal, seria de estranhar-se que ap\u00f3s os avan\u00e7os das mobiliza\u00e7\u00f5es do \u00faltimo per\u00edodo as ruas simplesmente esvaziassem-se diante do cen\u00e1rio pol\u00edtico e econ\u00f4mico atual do Brasil. Ent\u00e3o, o porqu\u00ea das pessoas estarem indo \u00e0s ruas n\u00e3o \u00e9 exatamente a pergunta que devemos fazer-nos, j\u00e1 que raz\u00f5es n\u00e3o faltam; mas, sim, por que este movimento n\u00e3o tem crescido com qualidade suficiente para intervir de fato na luta real de classes que est\u00e1 posta no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mais precisamente, n\u00e3o \u00e9 m\u00e9rito exclusivo das for\u00e7as pol\u00edticas organizadas nas grandes centrais e, tampouco, nas frentes amplas de mobiliza\u00e7\u00e3o, a ida de milhares de pessoas \u00e0s ruas. Essas pessoas t\u00eam estado nas ruas h\u00e1 muito tempo, como vimos nas Jornadas de Junho e revimos nas ocupa\u00e7\u00f5es de escolas p\u00fablicas, Universidades e outras manifesta\u00e7\u00f5es populares do \u00faltimo per\u00edodo. Agora, sem d\u00favidas, \u00e9 um dem\u00e9rito dessas entidades que n\u00e3o tenham conseguido organizar um espa\u00e7o para participa\u00e7\u00e3o qualificada desses mais diversos setores, a fim de que marchem unificadamente por pautas em comum.<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, o que fica expl\u00edcito \u00e9 que a participa\u00e7\u00e3o de grandes entidades dificulta a organiza\u00e7\u00e3o da base, por chegarem com pautas prontas e m\u00e9todos de interven\u00e7\u00e3o previamente definidos, sem nenhuma chance de participa\u00e7\u00e3o direta da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Contraditoriamente, muitos desses setores defendem centralmente, neste momento, a bandeira das Diretas J\u00e1!, pois o povo tem que decidir. N\u00e3o tenho nenhuma d\u00favida de que, numa conjuntura em que a derrubada do ileg\u00edtimo governo federal pode dar-se por via de um congresso corrupto e hegemonizado por um bloco de direita conservador e impopular, colocar o povo dentro deste processo \u00e9 uma resposta democr\u00e1tica m\u00ednima. Por outro lado, se entendemos que o povo deve decidir, n\u00e3o seria mais central neste momento organizar espa\u00e7os em que isso seja, de fato, poss\u00edvel?<\/p>\n<p>\u00c9 de um retrocesso assustador entender que o povo precisa, simplesmente, ser convencido do que deve ser feito nesta conjuntura. Penso que as grandes li\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos movimentos massivos foram, justamente, no sentido oposto: a ampla articula\u00e7\u00e3o direta entre setores organizados e independentes, com uma troca entre m\u00e9todos tradicionais e inovadores de mobiliza\u00e7\u00e3o, garantiram a ocupa\u00e7\u00e3o qualificada dos espa\u00e7os de constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>\u00c9 compreens\u00edvel que os setores que tanto trabalharam na desmobiliza\u00e7\u00e3o popular durante seus governos conciliat\u00f3rios &#8211; falo do PT e do PCdoB &#8211; contribuam para uma pol\u00edtica recuada hoje, pois foi o que aprenderam a fazer nos \u00faltimos anos. Contudo, \u00e9 absolutamente inaceit\u00e1vel que o bloco que se coloca como uma resposta radical a esses setores endosse as mesmas sa\u00eddas pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Para que Porto Alegre volte a ocupar as ruas com a mesma qualidade que conquistamos nos \u00faltimos anos, precisamos retirar esses setores da linha de frente, e reconquistar a for\u00e7a popular que tanto cresceu em grandes assembleias e comit\u00eas de apoio.<\/p>\n<p>Quando n\u00f3s, do PCB, bradamos pelo poder popular, temos como um dos eixos fundamentais a reorganiza\u00e7\u00e3o da classe. Assim, muito diferente do que os cr\u00edticos dessa estrat\u00e9gia pontuam, n\u00e3o \u00e9 nada distante da luta real. \u00c9 por entender, justamente, que as maiores lacunas da classe atualmente est\u00e3o nos seus instrumentos de organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, quem est\u00e1 na luta real tem visto como s\u00e3o deficit\u00e1rios os espa\u00e7os para constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. E ao n\u00e3o trabalharmos para superar essas lacunas, pouco a pouco o povo se distancia das organiza\u00e7\u00f5es, das ruas, das lutas. &#8220;Mais um ato&#8221;, &#8220;mais uma assembleia&#8221;, &#8220;mais uma reuni\u00e3o&#8221;: nossos instrumentos v\u00e3o tornando-se fardos que ningu\u00e9m quer carregar, para todas e todos.<\/p>\n<p>Embora seja bem verdade que os aparelhos repressivos do Estado atuam com for\u00e7a muito intensa sobre os movimentos populares, o que por certo dificulta qualquer organiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podemos fazer vistas grossas a essas diversas falhas. As respostas para a conjuntura n\u00e3o s\u00e3o nada f\u00e1ceis, e exigir\u00e3o uma longa jornada de lutas. Se o povo deixar integralmente de crer nos espa\u00e7os de organiza\u00e7\u00e3o que reivindicam mudan\u00e7as estruturais, como as alcan\u00e7aremos?<\/p>\n<p>\u00c9 um erro do conjunto da esquerda secundarizar a luta organizativa, e centrar sua disputa nas palavras de ordem, por vezes repetindo os mesmos m\u00e9todos de quem desejam combater.<\/p>\n<p>A curto prazo, necessitamos da reunifica\u00e7\u00e3o dos setores anticapitalistas mais radicais da nossa cidade, no qual podemos incluir PCB, PSTU, setores do PSOL, MAIS, Alicerce\/NOS, MTST, FAG, PCR, Intersindical e um grande conjunto de independentes que t\u00eam acompanhado este bloco, mesmo com as in\u00fameras diferen\u00e7as t\u00e1ticas e estrat\u00e9gicas que nos permeiam, para a retomada dos instrumentos organizativos que v\u00ednhamos construindo coletivamente.<\/p>\n<p>Precisamos superar a disputa pela autoconstru\u00e7\u00e3o, um v\u00edcio que em maior ou menor grau afeta a todas as organiza\u00e7\u00f5es, para poder construir uma plataforma comum de lutas. N\u00e3o devemos cair no conto dos oportunistas, e abandonar nossa jornada que vinha avan\u00e7ando com qualidade para disputas por dire\u00e7\u00f5es e coopta\u00e7\u00e3o de bases. Para fazer frente aos grandes ataques promovidos pelos agentes do capital, personificados neste governo corrupto e ileg\u00edtimo, precisaremos de um grande bloco que re\u00fana o povo trabalhador, os movimentos populares anticapitalistas e as organiza\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias da esquerda socialista.<\/p>\n<p>Chamemos de poder popular, ou do que quisermos, mas voltemos a ocupar as ruas com a mesma intensidade e qualidade de outro momento: organizados, coletivamente!<\/p>\n<p>*\u00c9 militante do PCB em Porto Alegre<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pitacos sobre o car\u00e1ter organizativo do poder popular Por Marianna Rodrigues* Em 2013, Porto Alegre foi uma capital de grande destaque\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14725\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-14725","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-fora-temer"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3Pv","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14725","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14725"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14725\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14725"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14725"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14725"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}