{"id":14761,"date":"2017-06-14T19:22:12","date_gmt":"2017-06-14T22:22:12","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=14761"},"modified":"2017-07-03T13:59:29","modified_gmt":"2017-07-03T16:59:29","slug":"o-ano-que-abalou-a-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14761","title":{"rendered":"Os governos &#8220;progressistas&#8221; da Am\u00e9rica Latina foram funcionais \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o do neoliberalismo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2017\/05\/11_05_americalatina_foto_fin_tech.png?w=747\" alt=\"imagem\" \/><strong>Entrevista com Fabio Luis Barbosa dos Santos<\/strong><\/p>\n<p>Revista ihu on-line<\/p>\n<p>Por Jo\u00e3o Flores da Cunha<!--more--><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, diversos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina foram governados por partidos identificados com a esquerda \u2013 um ciclo pol\u00edtico que usualmente \u00e9 chamado de uma \u201conda progressista\u201d na regi\u00e3o. No entanto, Fabio Luis Barbosa dos Santos, professor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo &#8211; Unifesp, defende, em entrevista concedida \u00e0 IHU On-line por telefone, que \u201co qualificativo \u2018progressista\u2019, retrospectivamente, deve ser problematizado\u201d. Para ele, \u201cpodemos interpretar os governos progressistas como funcionais \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o do neoliberalismo\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Barbosa, os governos progressistas \u201cse elegeram com uma ret\u00f3rica de enfrentar e superar o neoliberalismo, mas logo transformaram a sua perpetua\u00e7\u00e3o no poder como um fim em si. E, ao fazer isso, de um lado, abriram m\u00e3o de atacar a raiz dos problemas e, de outro lado, entregaram-se \u00e0s pr\u00e1ticas da pol\u00edtica convencional\u201d, as quais \u201cconsolidam um distanciamento completo, um abismo entre o que acontece nos parlamentos e os anseios do conjunto da popula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Uma vez no poder, esses governos realizaram composi\u00e7\u00f5es com setores conservadores da sociedade e se dedicaram a um \u201cmelhorismo\u201d, sem almejar mudan\u00e7as estruturais. De acordo com o pesquisador, o \u201csentido das pol\u00edticas aplicadas, que \u00e9 dado fundamentalmente pelas pol\u00edticas macroecon\u00f4micas neoliberais, n\u00e3o foi desafiado\u201d, e \u201co sentido geral do movimento foi de continuidade\u201d. Assim, o resultado desse processo foi um aprofundamento das \u201cdetermina\u00e7\u00f5es estruturais do subdesenvolvimento, que s\u00e3o a desigualdade e a depend\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Sobre a situa\u00e7\u00e3o do Brasil, Barbosa defende que a esquerda n\u00e3o pode se limitar \u00e0 agenda do Fora Temer, pois \u201co banco de reservas do Temer est\u00e1 cheio\u201d. Como horizonte para o campo progressista em um momento que entende como \u201cdram\u00e1tico\u201d, prop\u00f5e \u201clibertar a esquerda da l\u00e2mpada m\u00e1gica do lulismo\u201d no Brasil e \u201cdas diferentes express\u00f5es do reformismo conservador\u201d na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Fabio Luis Barbosa dos Santos \u00e9 professor do curso de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo &#8211; Unifesp e pesquisador colaborador do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina da Universidade de S\u00e3o Paulo &#8211; USP. Tem doutorado em Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica pela USP. \u00c9 autor dos livros \u201cAl\u00e9m do PT. A crise da esquerda brasileira em perspectiva latino-americana\u201d e \u201cOrigens do pensamento e da pol\u00edtica radical na Am\u00e9rica Latina\u201d.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Parece haver um consenso entre analistas de que houve um ciclo de governos progressistas na Am\u00e9rica Latina, e que esse ciclo acabou. O senhor concorda com essa an\u00e1lise?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fabio Luis Barbosa dos Santos \u2013<\/strong> Sem d\u00favida, h\u00e1 um movimento \u2013 talvez n\u00e3o seja um ciclo, porque um ciclo d\u00e1 a ideia de algo que retornar\u00e1 \u2013 que se esgota. Ele foi desencadeado pela elei\u00e7\u00e3o de Hugo Ch\u00e1vez em 1998, seguido por N\u00e9stor Kirchner e Lula, entre outros daquele conjunto de governos identificados de forma geral como uma onda progressista.<\/p>\n<p>Eu entendo que o qualificativo \u201cprogressista\u201d, retrospectivamente, deve ser problematizado. No caso brasileiro, eu e mais pessoas do campo cr\u00edtico temos o entendimento de que o legado das gest\u00f5es petistas \u00e9, no longo prazo, mais danoso do que ben\u00e9fico \u2013 tanto do ponto de vista popular quanto do conjunto da esquerda. De um lado, n\u00e3o avan\u00e7ou na dire\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as estruturais e, de outro, contribuiu para apassivar, dividir e alienar o campo popular, ou seja, contribuiu para debilitar o campo popular. Ent\u00e3o, n\u00f3s nos debilitamos para enfrentar os ataques em curso contra o campo popular e contra os trabalhadores brasileiros, que t\u00eam ocorrido de maneira aberta, sem media\u00e7\u00f5es. As gest\u00f5es petistas faziam, de alguma maneira, essa media\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa refer\u00eancia ao caso brasileiro serve para dizer que eu n\u00e3o chamaria as gest\u00f5es do PT de progressistas. Uma leitura an\u00e1loga pode ser feita em rela\u00e7\u00e3o a outros casos na Am\u00e9rica do Sul, sobretudo. Por exemplo, o da Bol\u00edvia, em que o governo de Evo Morales foi eleito depois de uma sequ\u00eancia de convuls\u00f5es populares, que derrubaram dois presidentes entre 2000 e 2005; ou seja, trata-se de um pa\u00eds que vivia o que pode ser descrito como uma conjuntura revolucion\u00e1ria. Ent\u00e3o, come\u00e7ou como um governo que se identificava como governo dos movimentos populares, fez uma constitui\u00e7\u00e3o renovadora, um Estado plurinacional, incorporando a quest\u00e3o do Bem Viver. Houve a Constituinte, em que o pa\u00eds quase se dividiu, mas logo o governo se reelegeu, inclusive com maioria no parlamento. Diferentemente, portanto, da situa\u00e7\u00e3o brasileira, Morales n\u00e3o dependia de composi\u00e7\u00f5es parlamentares para propor mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>No entanto, o que se observou foi que o governo avan\u00e7ou na dire\u00e7\u00e3o oposta: foi compondo cada vez mais com os setores conservadores da sociedade boliviana. E uma das consequ\u00eancias disso \u00e9 que ele foi se afastando de sua base popular. Isso culminou, em 2011, em conflitos, como o massacre de Chaparina. O resultado disso \u00e9 que a parte mais combativa do movimento popular na Bol\u00edvia est\u00e1 hoje contra o governo.<\/p>\n<p>S\u00e3o governos que se elegeram com uma ret\u00f3rica de enfrentar e superar o neoliberalismo, mas que logo transformaram a sua perpetua\u00e7\u00e3o no poder como um fim em si.<\/p>\n<p>\u00c9 a mesma coisa no Equador. Cada situa\u00e7\u00e3o tem sua particularidade, mas h\u00e1 um padr\u00e3o que podemos observar: s\u00e3o governos que se elegeram com uma ret\u00f3rica de enfrentar e superar o neoliberalismo, mas que logo transformaram a sua perpetua\u00e7\u00e3o no poder como um fim em si. E, ao fazer isso, de um lado, abriram m\u00e3o de atacar a raiz dos problemas e, de outro lado, entregaram-se \u00e0s pr\u00e1ticas da pol\u00edtica convencional, como o marketing pol\u00edtico, a pol\u00edtica mercantil \u2013 aquela negocia\u00e7\u00e3o do \u201ctoma l\u00e1, d\u00e1 c\u00e1\u201d \u2013, uma s\u00e9rie de pr\u00e1ticas que consolidam um distanciamento completo, um abismo entre o que acontece nos parlamentos e os anseios do conjunto da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O caso da Venezuela<\/strong><\/p>\n<p>Nesse quadro geral, a exce\u00e7\u00e3o foi a Venezuela, onde houve uma tentativa de mudan\u00e7a. A singularidade do caso venezuelano foi que, \u00e0 medida que as classes dominantes reagiram e confrontaram o bolivarianismo, o processo se radicalizou para a esquerda \u2013 em lugar de buscar uma composi\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s a tentativa de golpe, em 2002, a burguesia decretou um locaute, e o PIB do pa\u00eds caiu quase 20% em menos de um ano. O governo reagiu a isso com um expurgo na PDVSA, a petrol\u00edfera estatal, e foi se radicalizando.<\/p>\n<p>Quando isso ocorreu, o contexto era de elei\u00e7\u00e3o do Lula e do Kirchner, e havia a expectativa de um apoio regional \u2013 que foi amb\u00edguo. De um lado, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, conversava com a Venezuela. De outro, a condi\u00e7\u00e3o da conversa era que ela tinha de ser feita nos termos ditados pelo Brasil: que houvesse a aceita\u00e7\u00e3o da lideran\u00e7a regional brasileira, a qual estava assentada na concilia\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o na radicaliza\u00e7\u00e3o. O Brasil sempre influenciou na dire\u00e7\u00e3o da modera\u00e7\u00e3o do processo venezuelano.<\/p>\n<p><strong>Continuidade macroestrutural<\/strong><\/p>\n<p>Contas feitas, o alcance dessa chamada onda progressista foi a altern\u00e2ncia pol\u00edtica. Em todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, com exce\u00e7\u00e3o da Col\u00f4mbia e do Peru, que tinham luta armada na d\u00e9cada de 1990, houve altern\u00e2ncia pol\u00edtica. As for\u00e7as tradicionais perderam. No caso da Venezuela, eram dois partidos que comandavam o pa\u00eds desde os anos 1950, e que sumiram. Na Bol\u00edvia, eram os ind\u00edgenas fora da pol\u00edtica \u2013 e hoje, se voc\u00ea entra no Parlamento boliviano, os ind\u00edgenas est\u00e3o l\u00e1. No Brasil, o PT se elegeu, e assim por diante.<\/p>\n<p>O limite disso \u00e9 que, em todos os casos, houve continuidade macroestrutural. Em nenhum dos casos, houve ruptura com o neoliberalismo. Ao contr\u00e1rio, houve um aprofundamento do neoliberalismo e das determina\u00e7\u00f5es estruturais do subdesenvolvimento, que s\u00e3o a desigualdade e a depend\u00eancia. \u00c9 nesse sentido que eu digo que a descri\u00e7\u00e3o de onda progressista, na perspectiva mais benevolente, serve para descrever essa altern\u00e2ncia pol\u00edtica, na qual figuras pol\u00edticas identificadas com a esquerda assumiram governos.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ela n\u00e3o serve para descrever o sentido geral do movimento, que foi de continuidade. Quando se fala em \u201cprogressista\u201d, sup\u00f5e-se que houve uma revers\u00e3o do movimento conservador. \u00c9 muito mais uma quest\u00e3o de nuances, de ritmos e de tempos, do que do sentido das pol\u00edticas aplicadas, que \u00e9 dado fundamentalmente pelas pol\u00edticas macroecon\u00f4micas neoliberais e que n\u00e3o foi desafiado.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, todos esses pa\u00edses continuam dependentes da exporta\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e dos Estados Unidos. A desigualdade estrutural permanece, embora tenha sido aliviada temporariamente \u2013 s\u00f3 que o foi em todos os pa\u00edses, n\u00e3o s\u00f3 os da onda progressista. Todo mundo se beneficiou do boom das commodities \u2013 na Col\u00f4mbia e no Peru, a desigualdade tamb\u00e9m diminuiu.<\/p>\n<p>O saldo disso, se o caso brasileiro servir de ilustra\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 um balan\u00e7o dif\u00edcil para o campo popular, porque, retrospectivamente, podemos interpretar os governos progressistas como funcionais \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o do neoliberalismo. Todos eles se elegeram em um momento em que se tinha dificuldade de manter a ordem, o padr\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o \u2013 de forma mais clara nos casos de Argentina, Bol\u00edvia e Equador, em que v\u00e1rios presidentes foram derrubados, e de forma latente em outras situa\u00e7\u00f5es, como a brasileira e a uruguaia.<\/p>\n<p>Em todos os casos, os governos se elegeram em rea\u00e7\u00e3o ao neoliberalismo. E, 15 anos depois, o que observamos \u00e9 que eles foram funcionais \u00e0 perpetua\u00e7\u00e3o do neoliberalismo. Ent\u00e3o, a descri\u00e7\u00e3o de \u201cprogressista\u201d pode ser invertida. \u00c9 isso o que o pensamento cr\u00edtico tem que problematizar neste momento, porque, da leitura do que se passou e do que estamos vivendo, depende a funda\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica futura.<\/p>\n<p>H\u00e1 um consenso, e nisso eu concordo, de que o movimento, ou ciclo, se voc\u00ea preferir, se esgota. Ent\u00e3o, precisamos entender o que ele significou para ir al\u00e9m do que foi feito.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 continuidade macroestrutural que o senhor mencionou: as sociedades latino-americanas s\u00e3o marcadas pela desigualdade. Em sua vis\u00e3o, por que n\u00e3o foram feitas mudan\u00e7as estruturais no per\u00edodo em que estes governos estiveram no poder?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fabio Luis Barbosa dos Santos \u2013<\/strong> H\u00e1 v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es. No caso brasileiro, havia uma aposta: o Brasil \u00e9 t\u00e3o desigual que seria poss\u00edvel melhorar alguma coisa sem mexer na estrutura dos problemas. Ent\u00e3o, para dizer de modo sint\u00e9tico, apostou-se na reforma como um caminho para diminuir as contradi\u00e7\u00f5es dessa sociedade apartada, que \u00e9 o Brasil. Esse foi o fundamento do modo lulista de regula\u00e7\u00e3o do conflito social, que consistia, por um lado, em pequenos ganhos dos patamares inferiores da pir\u00e2mide social brasileira, seja por meio de renda condicionada com o Programa Bolsa Fam\u00edlia, seja por uma discreta evolu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo e, por outro lado, mantendo os neg\u00f3cios intocados \u2013 e quem sempre ganhou dinheiro no pa\u00eds continuou ganhando dinheiro como nunca.<\/p>\n<p>Nesse acerto houve uma relativa pacifica\u00e7\u00e3o social. Essa aposta funcionou bem no per\u00edodo de crescimento econ\u00f4mico e do boom das commodities, mas come\u00e7ou a ter problemas por conta da conjun\u00e7\u00e3o de esc\u00e2ndalos pol\u00edticos e da recess\u00e3o econ\u00f4mica. Isso ficou claro em junho de 2013, quando esse modelo perdeu a sua funcionalidade e a sua margem de manobra de dar para os pobres sem tirar dos ricos. Num contexto de crise, perdeu-se o espa\u00e7o para essa proposta.<\/p>\n<p>Em resumo, a aposta brasileira foi resolver os problemas sem atacar a fonte dos problemas. Essa \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o. Em outros casos, como no venezuelano, houve a inten\u00e7\u00e3o, mas houve muitos limites, e o limite fundamental foi que n\u00e3o se conseguiu superar a depend\u00eancia do rentismo petroleiro: a Venezuela depende 90% da explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. Houve tentativas de diversifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, as quais foram modestas, mas o entorno regional n\u00e3o ajudou, muito menos a conjuntura mundial \u2013 e essa \u00e9 uma sociedade marcada pelo rentismo, inclusive por parte do campo popular, com os movimentos sociais e sindicais. Nesse sentido, foi muito dif\u00edcil atualizar um projeto de mudan\u00e7a nas circunst\u00e2ncias em que ele se originou.<\/p>\n<p>Nos casos boliviano e equatoriano, no meu modo de entender, o que ficou claro para eles \u00e9 que foi feita uma op\u00e7\u00e3o por se perpetuar no poder e para isso \u00e9 preciso compor com quem sempre foi o poder. Isso foi o que deu a t\u00f4nica desse afastamento dos governos em rela\u00e7\u00e3o ao campo popular. Tal afastamento levou esses governos a tomarem medidas repressivas e \u00e9 importante que se diga isso, porque h\u00e1 muita ilus\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 o governo Morales, com a quest\u00e3o do governo dos ind\u00edgenas, amigo de Pachamama, pela legaliza\u00e7\u00e3o da folha de coca&#8230; Isso tudo \u00e9 um marketing, que n\u00e3o tem correspond\u00eancia com as pr\u00e1ticas desse governo, o qual tem pol\u00edticas repressivas contra os movimentos ind\u00edgenas e depredadoras com o meio ambiente.<\/p>\n<p>Havia uma expectativa geral em rela\u00e7\u00e3o a esses governos, especialmente no caso brasileiro, de que era poss\u00edvel fazer mudan\u00e7as importantes sem mexer nas estruturas. Essa leitura mostrou os seus limites, porque no Brasil ou mesmo na Am\u00e9rica Latina, h\u00e1 avan\u00e7os no trabalho \u2013 at\u00e9 que isso n\u00e3o mexa nos interesses do capital. O problema \u00e9 que h\u00e1 pouca possibilidade de o trabalho ceder em rela\u00e7\u00e3o ao capital, a n\u00e3o ser em seu bem pol\u00edtico mais precioso, que \u00e9 a autonomia. Ent\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o brasileira mostra que a aposta n\u00e3o foi a de fazer mudan\u00e7as estruturais, portanto esses governos n\u00e3o se preocuparam em construir correla\u00e7\u00f5es de for\u00e7as para fazer tais mudan\u00e7as. Isso n\u00e3o estava nem no horizonte. O governo achava que dava para fazer um \u201cmelhorismo\u201d pelas bordas \u2013 mas o que estamos vendo agora \u00e9 que esse \u201cmelhorismo\u201d custou muito caro, porque custou a autonomia do campo popular e, nesse sentido, ficamos desarmados. Estamos agora numa situa\u00e7\u00e3o como aquela do jogo entre Brasil e Alemanha: estamos levando cinco gols, um atr\u00e1s do outro, e percebemos que o time do outro lado \u00e9 muito mais forte do que o nosso. N\u00e3o nos preparamos para esta situa\u00e7\u00e3o, e o mais dram\u00e1tico \u00e9 que insistimos em fazer este jogo sob a cartolagem do lulismo, quando na verdade precisamos de um outro time, de um outro sistema t\u00e1tico, de outras refer\u00eancias \u2013 e n\u00e3o pode ter cartola.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Quais s\u00e3o os impasses da esquerda latino-americana atualmente?<\/strong><br \/>\n<strong>Fabio Luis Barbosa dos Santos \u2013<\/strong> O primeiro impasse \u00e9 fazer essas contas com a experi\u00eancia recente, ou seja, que leitura ser\u00e1 feita dessa chamada onda progressista. No caso brasileiro, h\u00e1 um discurso mais pr\u00f3ximo do PT de que houve golpe movido por uma disputa de projeto, como se o sentido das pol\u00edticas do governo Temer fosse diferente do das pol\u00edticas do governo anterior.<\/p>\n<p>N\u00e3o estou dizendo que n\u00e3o houve golpe e que o governo Temer \u00e9 melhor do que o anterior. O que estou dizendo \u00e9 que o sentido das pol\u00edticas \u00e9 o mesmo: o congelamento dos gastos p\u00fablicos por vinte anos \u00e9 uma radicaliza\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica cultivada pelas gest\u00f5es petistas. Ent\u00e3o, o primeiro impasse \u00e9 que leitura e compreens\u00e3o temos sobre o que acabou de acontecer. Se voc\u00ea entende que foi um golpe motivado por uma disputa de projeto, ent\u00e3o trata-se de remover o atual projeto e restituir a ordem petista.<\/p>\n<p>Os cr\u00edticos da ordem anterior precisam fazer a cr\u00edtica radical do que foi aquele governo. Esse \u00e9 o primeiro impasse importante, ou seja, precisamos acertar as contas com o passado recente, entender o que aconteceu. Todo mundo concorda que estamos vivendo uma derrota no campo popular, e uma derrota pode ser uma fonte de aprendizado \u2013 mas tamb\u00e9m pode ser apenas uma derrota. Fazer disso uma fonte de aprendizado exige, no caso brasileiro, fazer uma cr\u00edtica radical do que significou a experi\u00eancia petista no seu conjunto, ou seja, do PT dos anos 80 at\u00e9 o que o partido virou nos dias de hoje \u2013 \u00e9 claro que tem muita gente boa dentro do PT, mas o sentido de atua\u00e7\u00e3o do partido \u00e9 lament\u00e1vel. Essa cr\u00edtica \u00e9 importante para ver para onde vamos.<\/p>\n<p>Vou dar um exemplo da greve geral do \u00faltimo dia 28 de abril. O protesto do dia 28 foi comandado pelas organiza\u00e7\u00f5es de sempre, e a manifesta\u00e7\u00e3o foi centrada no \u201cFora Temer\u201d. Todos os discursos, desde o MTST at\u00e9 o MST, passando por deputados petistas que se manifestaram, colocaram a cr\u00edtica no governo Temer, mas ningu\u00e9m faz a cr\u00edtica da agenda do ajuste \u2013 porque ela foi incorporada e praticada pelo petismo. Falar em \u201cFora Temer\u201d \u00e9 um jeito de fazer mobiliza\u00e7\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o sem ferir a suscetibilidade petista. Veja, o problema n\u00e3o \u00e9 o Temer \u2013 o banco de reservas do Temer est\u00e1 cheio, inclusive h\u00e1 um sindicalista, ex-presidente, esperando a sua hora de voltar. Nesse sentido, o primeiro passo \u00e9 superar o PT, ou seja, \u00e9 preciso se abrir para construir o novo. O PT ainda tem hegemonia sobre a esquerda, seja uma hegemonia para fora, porque o povo identifica a esquerda com o PT, seja para dentro, porque as grandes manifesta\u00e7\u00f5es ficam circunscritas \u00e0 pauta petista.<\/p>\n<p>Os valores de consumo dos brasileiros e dos latino-americanos est\u00e3o em Miami \u2013 mas os nossos p\u00e9s est\u00e3o no Brasil e na Am\u00e9rica Latina<br \/>\nUm segundo impasse que eu destacaria \u00e9 do ponto de vista do horizonte civilizat\u00f3rio. Todos os pa\u00edses latino-americanos dependem de exporta\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, a qual est\u00e1 associada \u00e0 superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho \u2013 isso foi estudado no Brasil por Celso Furtado, Florestan Fernandes e diversos autores. Para se superar essa articula\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso fazer a cr\u00edtica ao extrativismo, que \u00e9 esse modelo pautado na exporta\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. Por outro lado, a exporta\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria est\u00e1 associada \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o dos padr\u00f5es de consumo. O resultado \u00e9 que os valores de consumo dos brasileiros e dos latino-americanos est\u00e3o em Miami \u2013 mas os nossos p\u00e9s est\u00e3o no Brasil e na Am\u00e9rica Latina. H\u00e1 um descolamento entre as aspira\u00e7\u00f5es e os padr\u00f5es de consumo de Miami e a base material, que s\u00e3o as nossas sociedades.<\/p>\n<p>O impasse, portanto, \u00e9 que devemos entender que \u00e9 imposs\u00edvel conciliar moderniza\u00e7\u00e3o dos padr\u00f5es de consumo e igualdade. Se a esquerda e o povo v\u00e3o optar pela igualdade, n\u00f3s temos que entender que o nosso horizonte n\u00e3o \u00e9 ter <em>Ipad<\/em> para todo mundo, n\u00e3o \u00e9 ter notebook para todo mundo, mas \u00e9 todo mundo ter casa, sapato, acesso \u00e0 cultura. A igualdade e o privil\u00e9gio s\u00e3o incompat\u00edveis, e isso exige que fa\u00e7amos uma cr\u00edtica ao mito do crescimento econ\u00f4mico e uma cr\u00edtica no terreno dos valores.<\/p>\n<p>Entendo ainda que \u00e9 preciso um outro horizonte civilizat\u00f3rio, porque o crescimento econ\u00f4mico na periferia est\u00e1 baseado na exporta\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 baseada na explora\u00e7\u00e3o do meio ambiente e na explora\u00e7\u00e3o do trabalho. Ent\u00e3o, precisamos confrontar esse mito do crescimento econ\u00f4mico \u2013 cujo outro lado \u00e9 o mito de que o consumo \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o dos problemas sociais. Infelizmente, no caso brasileiro a l\u00f3gica e a ret\u00f3rica do consumo foram adotadas pelas pol\u00edticas dos governos do Partido dos Trabalhadores. Essa \u00e9 uma proposta que aliena, porque trata direitos, como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, como se fossem mercadorias.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a bandeira da igualdade se confronta com os privil\u00e9gios e com a mercadoria, com a sa\u00edda privatista. Qual \u00e9 o horizonte hoje do trabalhador que mora na periferia brasileira? \u00c9 o de se perguntar como vai conseguir colocar seu filho numa escola particular, e n\u00e3o mais numa escola p\u00fablica de qualidade. Esse \u00e9 um horizonte particularista, mas a igualdade requer um horizonte universalista. Em resumo, precisamos recuperar a centralidade da igualdade e enfrent\u00e1-la como condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para mudarmos o nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>O terceiro impasse est\u00e1 ligado ao segundo: em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura que fizemos do que passou, em rela\u00e7\u00e3o a essa discuss\u00e3o de horizonte civilizat\u00f3rio do qual estou falando, tamb\u00e9m temos que pensar a leitura pol\u00edtica do que passou na chave dos limites para a mudan\u00e7a dentro da ordem. Qual foi a pauta petista? Modificar os problemas sem atacar a raiz dos problemas. Qual \u00e9 o saldo disso? Qual foi o alcance dessa aposta? O PT conseguiu se manter no governo por um determinado tempo, mas sem fazer as mudan\u00e7as. Se pensarmos no PT como um movimento mais amplo, do final dos anos 70 at\u00e9 agora, percebe-se que mais do que um esgotamento das for\u00e7as progressistas no Brasil, h\u00e1 um esgotamento da hegemonia petista na esquerda, do PT como essa organiza\u00e7\u00e3o que cristalizou as aspira\u00e7\u00f5es da esquerda nesse per\u00edodo de forma muito inovadora, importante e valorosa nos seus primeiros anos, dos anos 70 at\u00e9 os 90, e depois de forma danosa.<\/p>\n<p>Ao fazermos essa avalia\u00e7\u00e3o do petismo no conjunto, percebemos qual foi o alcance das estrat\u00e9gias desenhadas pelo PT, ou seja, que elas foram suficientes para se chegar \u00e0 presid\u00eancia e permanecer por tr\u00eas mandatos e meio. Qual foi o limite dessa estrat\u00e9gia? Que n\u00e3o se mudou nada \u2013 pelo contr\u00e1rio, estamos em um cen\u00e1rio de pioras profundas. Devemos lembrar que os governos petistas n\u00e3o desfizeram nada do que o governo FHC fez; ao contr\u00e1rio, fizeram uma esp\u00e9cie de \u201cpuxadinho\u201d, construindo suas pol\u00edticas em cima do que foi feito anteriormente. Qual \u00e9 a li\u00e7\u00e3o que devemos tirar disso? Que houve limites nessa reforma dentro da ordem. O saldo \u00e9 esse: o PT chegou \u00e0 presid\u00eancia, permaneceu na presid\u00eancia, mas n\u00e3o mudou nada, e agora estamos retrocedendo barbaramente e isso ter\u00e1 um impacto pelo menos nos pr\u00f3ximos cem anos.<\/p>\n<p>O que percebemos \u00e9 que, para mudar o Brasil e a Am\u00e9rica Latina, a briga \u00e9 muito maior do que essa. O PT construiu as condi\u00e7\u00f5es para chegar \u00e0 presid\u00eancia, isso \u00e9 uma coisa; outra coisa \u00e9 construir as condi\u00e7\u00f5es e as correla\u00e7\u00f5es de for\u00e7as para mudar o pa\u00eds. \u00c9 uma briga muito maior. Portanto, esse \u00e9 o impasse com que a esquerda se defronta neste momento: se vai querer casar por conveni\u00eancia ou se vai querer casar por amor. Casar por conveni\u00eancia \u00e9 o qu\u00ea? \u00c9 fazer da pol\u00edtica o seu meio de vida. O que \u00e9 casar por amor? \u00c9 se envolver com a pol\u00edtica \u2013 eu falo pol\u00edtica no sentido amplo da palavra \u2013 para mudar o Brasil e a Am\u00e9rica Latina. Esses precisam se preparar para uma briga muito maior, porque com os instrumentos constru\u00eddos nesses anos passados \u2013 o principal deles \u00e9 o PT, mas h\u00e1 a CUT e v\u00e1rios movimentos sociais \u2013, eles tiveram esse alcance, esse limite.<\/p>\n<p>Logo, para mudar as estruturas, \u00e9 preciso instrumentos diferentes e adequados para uma briga muito maior. Reciclar o petismo e regenerar o partido \u00e9 uma via que nos vai afundar ainda mais no atoleiro em que estamos.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Deseja acrescentar algo?<\/strong><\/p>\n<p>Para quem identifica o PT com a esquerda, a &#8216;casa caiu&#8217;<\/p>\n<p><strong>Fabio Luis Barbosa dos Santos \u2013<\/strong> Como j\u00e1 ficou claro, cada pa\u00eds tem sua circunst\u00e2ncia. No Brasil, a burguesia tem uma agenda, a do ajuste estrutural. Ela tem organiza\u00e7\u00f5es: parlamento, m\u00eddia, judici\u00e1rio e a pol\u00edcia. Tem um m\u00e9todo: o terror do desemprego, para disciplinar o trabalhador, ou o terror da repress\u00e3o, para disciplinar os insubordinados. E tem valores, que s\u00e3o os valores do neoliberalismo: a concorr\u00eancia, o individualismo e o consumo.<\/p>\n<p>A esquerda precisa construir uma pol\u00edtica que seja n\u00e3o s\u00f3 diferente, mas oposta \u00e0quela praticada pelos bra\u00e7os esquerdo e direito do partido da ordem (j\u00e1 que o PT faz parte da ordem); precisa ser contra a agenda do ajuste. N\u00e3o basta o Fora Temer, pois, como j\u00e1 disse, o banco de reservas do Temer est\u00e1 cheio. \u00c9 preciso subordinar a riqueza e o trabalho aos anseios e \u00e0s necessidades do conjunto da popula\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o para pagar juros a banqueiros \u2013 porque o sentido fundamental de todas essas reformas \u00e9 direcionar mais dinheiro para o pagamento dos juros da d\u00edvida p\u00fablica. Ent\u00e3o, precisamos ser contra o fundamento dessa discuss\u00e3o, que \u00e9 a agenda do ajuste; precisamos ter um conjunto de organiza\u00e7\u00f5es que combine a luta dentro da ordem com a luta contra a ordem. Precisamos de m\u00faltiplas organiza\u00e7\u00f5es que fa\u00e7am isso neste momento, e para fazer isso ser\u00e1 necess\u00e1rio ocupar n\u00e3o s\u00f3 a escola, como foi feito no ano passado, mas ocupar o Brasil \u2013 e essa pr\u00e1tica tem que estar referida a outros valores. Os principais s\u00e3o a solidariedade e a igualdade substantiva \u2013 que \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 a igualdade econ\u00f4mica, mas tamb\u00e9m a igualdade de g\u00eanero, de cor e assim por diante.<\/p>\n<p>Para quem identifica o PT com a esquerda, a \u201ccasa caiu\u201d. Mas j\u00e1 dizia o Emicida, aquele rapper: \u201csobre chances, \u00e9 bom v\u00ea-las. \u00c0s vezes, se perde o telhado para ganhar as estrelas\u201d. Proponho deixarmos de olhar o telhado e voltarmos a nos guiar pelas estrelas. Toda crise \u00e9 tamb\u00e9m uma oportunidade e temos que enxergar isso neste momento dram\u00e1tico que estamos vivendo. Libertar a esquerda da l\u00e2mpada m\u00e1gica do lulismo. Ou, no caso latino-americano, das diferentes express\u00f5es do reformismo conservador.<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/567504-os-impasses-da-esquerda-no-brasil-e-na-america-latina-entrevista-especial-com-fabio-luis-barbosa-dos-santos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Entrevista com Fabio Luis Barbosa dos Santos Revista ihu on-line Por Jo\u00e3o Flores da Cunha\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14761\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-14761","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3Q5","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14761","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14761"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14761\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14761"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14761"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14761"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}