{"id":1480,"date":"2011-05-17T21:54:01","date_gmt":"2011-05-17T21:54:01","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1480"},"modified":"2011-05-17T21:54:01","modified_gmt":"2011-05-17T21:54:01","slug":"pcb-desmascara-grupo-fracionista-em-sao-paulo-e-segue-firme-em-sua-reconstrucao-revolucionaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1480","title":{"rendered":"PCB DESMASCARA GRUPO FRACIONISTA EM S\u00c3O PAULO E SEGUE FIRME EM SUA RECONSTRU\u00c7\u00c3O REVOLUCION\u00c1RIA"},"content":{"rendered":"\n<p>Um grupo reduzido de militantes do PCB de S\u00e3o Paulo anunciou, em nota p\u00fablica, sua decis\u00e3o de retirar-se das fileiras do Partido. Este grupo era dirigido por um pequeno n\u00facleo de dirigentes partid\u00e1rios de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Trata-se de uma articula\u00e7\u00e3o cujos primeiros sintomas apareceram j\u00e1 no XIV Congresso do Partido, em outubro de 2009, quando esse n\u00facleo dirigiu a\u00e7\u00e3o organizada de um grupo de delegados paulistas, alguns desconhecidos da dire\u00e7\u00e3o do partido em SP. Foi a \u00fanica delega\u00e7\u00e3o em que esse fen\u00f4meno se deu, pois na tradi\u00e7\u00e3o dos congressos comunistas os delegados s\u00e3o plenos e n\u00e3o representantes de Estados e muito menos de grupos.<\/p>\n<p>Frustrados em sua ilus\u00e3o de ganhar proje\u00e7\u00e3o no Congresso, e sem apresentar nenhuma diverg\u00eancia pol\u00edtica que pudesse dar base a uma justificativa para a sa\u00edda da organiza\u00e7\u00e3o, partiram para um projeto de se fortalecer como grupo em SP, com m\u00e9todos antileninistas, tentando construir no Estado um <em>\u201cbunker\u201d<\/em> para tentar levar a luta interna em \u00e2mbito nacional, com os olhos voltados para o pr\u00f3ximo congresso. Chegaram recentemente, sem sucesso, a promover viagens a outros Estados para tentar abrir dissid\u00eancias regionais.<\/p>\n<p>Mais alguns fatores abortaram este plano que, como veremos, dialoga com interesses externos ao Partido. O primeiro fator foi a abertura de um processo disciplinar para apurar ind\u00edcios de forma\u00e7\u00e3o de grupo, que at\u00e9 agora havia resultado na expuls\u00e3o de um \u00fanico militante (o mais delet\u00e9rio e desagregador) e na suspens\u00e3o de um outro que, convidado a esclarecer suas diverg\u00eancias ao CC (Comit\u00ea Central), n\u00e3o compareceu \u00e0s reuni\u00f5es convocadas.<\/p>\n<p>Mas o fator mais importante foi a divulga\u00e7\u00e3o de uma Nota Pol\u00edtica da CPN (Comiss\u00e3o Pol\u00edtica Nacional) do PCB, a partir de uma decis\u00e3o do Congresso e do Comit\u00ea Central, sobre a quest\u00e3o sindical, que aqui analisaremos mais adiante.<\/p>\n<p>\u00c9 importante esclarecer que nenhum militante foi expulso por divergir politicamente. Pelo contr\u00e1rio, a postura da Dire\u00e7\u00e3o Nacional foi sempre de trazer o debate para o campo pol\u00edtico, como a decis\u00e3o de chamar os envolvidos para que apresentassem seus motivos nas inst\u00e2ncias adequadas ao debate, ao inv\u00e9s de usarem &#8211; como fizeram e ainda est\u00e3o fazendo mesmo fora do Partido &#8211; meios eletr\u00f4nicos para al\u00e9m dessas inst\u00e2ncias e at\u00e9 das fronteiras partid\u00e1rias.<\/p>\n<p>No entanto, para o grupo dissidente, o debate pol\u00edtico n\u00e3o interessava, uma vez que sua t\u00e1tica era imolar-se como v\u00edtimas de uma persegui\u00e7\u00e3o injusta. A expuls\u00e3o de um \u00fanico militante, que se recusou reiteradamente a exercer o direito de defesa para fazer a discuss\u00e3o pol\u00edtica, se deu por causas muito precisas: recusa a acatar o chamamento do CC para apresentar sua defesa; boicote a resolu\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias; amea\u00e7as constantes de agress\u00e3o f\u00edsica e intimida\u00e7\u00f5es a dirigentes e militantes de base; pr\u00e1ticas renitentes de insuflar a milit\u00e2ncia e os amigos do PCB contra o Partido e sua dire\u00e7\u00e3o e outras a\u00e7\u00f5es fracionistas e desagregadoras.<\/p>\n<p>As t\u00e1ticas utilizadas pelo grupo para recrutamento foram a cal\u00fania e o envenenamento pol\u00edtico contra membros da dire\u00e7\u00e3o nacional e regional, o acirramento de uma falsa contradi\u00e7\u00e3o entre militantes e intelectuais org\u00e2nicos do Partido, como se o trabalho no movimento de massas fosse incompat\u00edvel com a produ\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e como se esta fosse da responsabilidade apenas de acad\u00eamicos. Trata-se de uma postura pr\u00f3pria de um obreirismo primitivo, vinda de militantes de classe m\u00e9dia que se autoimaginam oper\u00e1rios, numa constru\u00e7\u00e3o tipicamente pequeno-burguesa.<\/p>\n<p>Outra t\u00e1tica utilizada foi a cria\u00e7\u00e3o de falsas pol\u00eamicas. A mais grosseira delas \u00e9 a \u201cacusa\u00e7\u00e3o\u201d de que a dire\u00e7\u00e3o nacional do PCB est\u00e1 mudando a linha pol\u00edtica do partido, conciliando com o programa democr\u00e1tico popular, o governo Dilma e correntes reformistas.<\/p>\n<p>Com estas pr\u00e1ticas fracionistas e contando com uma infraestrutura e recursos acima das possibilidades materiais das demais dire\u00e7\u00f5es estaduais do PCB, esse pequeno n\u00facleo acabou por levar alguns jovens militantes a se organizarem numa \u201ccruzada\u201d dos \u201cmilitantes sociais\u201d, para salvar o PCB dos \u201cintelectuais, pequenos burgueses e reformistas\u201d. Um verdadeiro Ex\u00e9rcito de Brancaleone, que n\u00e3o merecer\u00e1 a m\u00ednima refer\u00eancia na hist\u00f3ria do PCB, da mesma forma como aconteceu com os que tentaram o mesmo tipo de a\u00e7\u00e3o \u2013 voltada diretamente para o ingresso em outra agremia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u2013 no XIII Congresso do Partido, em 2005. V\u00e3o para o lixo da hist\u00f3ria e vagar\u00e3o erraticamente \u00e0 procura de organiza\u00e7\u00f5es que estejam \u00e0 altura de sua \u201ccombatividade\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o se envergonham inclusive de espalhar not\u00edcias mentirosas, tentando insinuar que a sa\u00edda de militantes se d\u00e1 em \u00e2mbito nacional. N\u00e3o tiveram \u00eaxito em \u201clevantar\u201d o PCB em qualquer outro Estado e, em S\u00e3o Paulo, envolveram poucos militantes. Na reduzida rela\u00e7\u00e3o dos signat\u00e1rios do manifesto, metade \u00e9 de apenas uma cidade de S\u00e3o Paulo (Campinas). Ainda constam nomes de desconhecidos, de pessoas que abandonaram h\u00e1 muito tempo o trabalho partid\u00e1rio, de n\u00e3o militantes do PCB e inclusive de alguns que foram inclu\u00eddos \u00e0 sua revelia e que j\u00e1 come\u00e7am a informar \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do Partido sua contrariedade com o uso de seus nomes.<\/p>\n<p>Estamos certos de que alguns dos militantes que assinaram este documento e que n\u00e3o forem para o campo do anticomunismo, acabar\u00e3o se envergonhando de terem sido c\u00famplices, a maioria como inocentes \u00fateis, de mais uma infrut\u00edfera tentativa de desagregar o PCB. Quanto aos mentores do grupo, a sua sa\u00edda depura ideologicamente e fortalece organicamente o PCB. E ainda nos ajuda a tirar do epis\u00f3dio importantes li\u00e7\u00f5es para a defesa e o fortalecimento do Partido.<\/p>\n<p>Contudo, a sa\u00edda deste pequeno grupo de militantes do PCB de S\u00e3o Paulo deve, sem d\u00favida, ser objeto de uma an\u00e1lise autocr\u00edtica do Comit\u00ea Central e, sobretudo, da Comiss\u00e3o Pol\u00edtica Nacional (CPN) do Partido.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es principais que propiciaram esse fato \u2013 e que precisam ser enfrentadas e superadas &#8211; s\u00e3o as debilidades do nosso trabalho de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica, o recrutamento superficial, a falta de um instrumento \u00e1gil de comunica\u00e7\u00e3o interna e deforma\u00e7\u00f5es no exerc\u00edcio do centralismo democr\u00e1tico que, para se desenvolver como um caminho de m\u00e3o dupla, necessita de c\u00e9lulas vivas, em intera\u00e7\u00e3o permanente com as dire\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias e destas com o Comit\u00ea Central.<\/p>\n<p>O processo e os desafios da reconstru\u00e7\u00e3o de um partido revolucion\u00e1rio n\u00e3o podem ser idealizados. Temos nossas limita\u00e7\u00f5es e sabemos que o processo de reconstru\u00e7\u00e3o \u2013 assim como o processo revolucion\u00e1rio em geral \u2013 n\u00e3o \u00e9 linear e muito menos imune a contradi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, culturais, sociais e ideol\u00f3gicas, pois se d\u00e1 em meio a uma sociedade capitalista. Assim, reconhecemos que estas debilidades permitiram que este pequeno n\u00facleo de dirigentes partid\u00e1rios de SP tivesse espa\u00e7o para articular um grupo e criar uma luta interna claramente artificial.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o nacional do PCB tem outra autocr\u00edtica a fazer. A concilia\u00e7\u00e3o com este grupo, desde antes do XIV Congresso, e a morosidade em abrir o processo disciplinar, o que s\u00f3 aconteceu recentemente e assim mesmo para apurar \u201cind\u00edcios\u201d de forma\u00e7\u00e3o de grupo. De fato, foi grande a paci\u00eancia da CPN, que conciliou novamente quando, no Congresso da UJC (Uni\u00e3o da Juventude Comunista), em 2010, tentaram dar golpes para dividir e tirar o brilho do evento, inchando n\u00famero de delegados, agindo como bancada e apresentando uma tese paralela no segundo dia de realiza\u00e7\u00e3o do evento.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 mais necess\u00e1rio apurar estes \u201cind\u00edcios\u201d de forma\u00e7\u00e3o de grupo. Tanto era um grupo, que sa\u00edram em grupo, o que \u00e9 uma anomalia num partido comunista, em que a ades\u00e3o \u00e9 volunt\u00e1ria e individual. A sa\u00edda em grupo exime a dire\u00e7\u00e3o do Partido do \u00f4nus da prova de que havia um grupo!<\/p>\n<p>O grupo j\u00e1 est\u00e1 caracterizado e p\u00fablico, mas o processo disciplinar n\u00e3o se encerrou, pois ainda \u00e9 preciso analisar outros aspectos da quest\u00e3o, inclusive a postura que adotar\u00e3o outros poucos ativos organizadores do grupo cujos nomes surpreendentemente n\u00e3o constam no manifesto de ruptura. N\u00e3o pensem os militantes e amigos do Partido que a conta est\u00e1 fechada. A qualquer momento, podem surgir mais algumas poucas defec\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de figuras messi\u00e2nicas e autocentradas, que podem optar por dar um toque pessoal e perform\u00e1tico \u00e0 sua sa\u00edda, talvez para valorizar o seu \u201cpasse\u201d, como j\u00e1 fizeram alguns. Esperamos, sinceramente, que estejamos enganados.<\/p>\n<p>O processo disciplinar continua tamb\u00e9m, porque o CC vai ser informado detalhadamente, pela CPN, de fatos recentes que ser\u00e3o revelados na pr\u00f3xima reuni\u00e3o, inclusive de que membros do grupo que n\u00e3o s\u00e3o do CC e dirigentes de outras organiza\u00e7\u00f5es tinham acesso, na \u00edntegra, a documentos confidenciais e reservados ao CC. Mas, para al\u00e9m da cortina de fuma\u00e7a das falsas diverg\u00eancias, fica claro, inclusive no documento de sa\u00edda do grupo, que efetivamente h\u00e1 uma \u00fanica diverg\u00eancia, que tem um conte\u00fado restrito \u00e0 quest\u00e3o sindical.<\/p>\n<p>Justi\u00e7a seja feita, o primeiro signat\u00e1rio do manifesto de ruptura, o \u00fanico deles que \u00e9 do CC, foi renitente em expor essa diverg\u00eancia, lamentavelmente apenas por meios eletr\u00f4nicos. Jamais exp\u00f4s suas diverg\u00eancias presencialmente, pelo menos nas inst\u00e2ncias formais do Partido. N\u00e3o compareceu ao XIV Congresso, apesar de delegado, e nas duas \u00fanicas reuni\u00f5es do CC em que esteve presente permaneceu menos da metade de sua dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sua maior preocupa\u00e7\u00e3o, desde 2009, \u00e9 atacar e desacatar uma \u00fanica resolu\u00e7\u00e3o do Congresso, boicotando o di\u00e1logo do PCB com as correntes sindicais do PSOL, com vistas \u00e0 recomposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da INTERSINDICAL que se dividiu em duas, em 2007, ficando em uma delas o PCB e a ASS (Articula\u00e7\u00e3o Sindical Socialista) e, na outra, as correntes sindicais do PSOL que n\u00e3o aderiram \u00e0 CONLUTAS.<\/p>\n<p>Sem querer desqualific\u00e1-lo, compreendemos que esta sua obsess\u00e3o pol\u00edtica tem muito a ver com o fato de, sendo empregado do combativo Sindicato dos Metal\u00fargicos de Campinas, conviver diuturnamente com valorosas lideran\u00e7as da ASS, que discordam da proposta do PCB de aproxima\u00e7\u00e3o com os companheiros que mant\u00eam a outra INTERSINDICAL, com vistas \u00e0 recomposi\u00e7\u00e3o do campo original da entidade na perspectiva de sua amplia\u00e7\u00e3o com outros setores classistas.<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o \u00e9 um militante pensar dessa maneira. O problema \u00e9 ele descumprir resolu\u00e7\u00f5es congressuais adotadas democraticamente, neste caso por unanimidade. E ainda mais sendo um membro do CC.<\/p>\n<p>Diz a Declara\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do XIV Congresso (\u201cOutros Outubros Vir\u00e3o\u201d) sobre o tema:<\/p>\n<p>\u201c<em><strong>\u00c9 necess\u00e1ria, por isso, uma reorganiza\u00e7\u00e3o dos movimentos populares, especialmente do movimento sindical. O PCB trabalhar\u00e1 pela reorganiza\u00e7\u00e3o do sindicalismo classista e pela unidade dos trabalhadores, atrav\u00e9s do fortalecimento de sua corrente Unidade Classista e da Intersindical (Instrumento de Luta e Organiza\u00e7\u00e3o da Classe Trabalhadora), atuando nesta para recompor o campo pol\u00edtico que a originou e ampli\u00e1-lo com outras for\u00e7as classistas\u201d<\/strong><\/em><em>. <\/em><\/p>\n<p>Esta diverg\u00eancia monotem\u00e1tica aparece em toda a sua express\u00e3o no manifesto de ruptura, como a principal raz\u00e3o de natureza pol\u00edtica para o grupo sair do PCB. Vejam o que dizem:<\/p>\n<p>\u201c<em><strong>Por\u00e9m, o desmonte do PCB em S\u00e3o Paulo &#8230; visa outro fato mais grave: mudar a linha pol\u00edtica do Partido, tanto em sua estrat\u00e9gia pela reaproxima\u00e7\u00e3o com o programa democr\u00e1tico-popular e as tarefas inconclusas da burguesia, como na sua t\u00e1tica sindical, abandonando a constru\u00e7\u00e3o da Intersindical, Instrumento de Luta e Organiza\u00e7\u00e3o da Classe Trabalhadora, para reaproximar-se do PSOL\u201d<\/strong><\/em><em>.<\/em><\/p>\n<p>Reparem que, para os dissidentes, construir a INTERSINDICAL significa faz\u00ea-lo apenas com a ASS, ao passo que para o PCB a constru\u00e7\u00e3o significa a reunifica\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o de uma \u00daNICA, AMPLA E FORTE INTERSINDICAL, com as correntes que est\u00e3o na outra entidade com o mesmo nome e ainda ampliar mais, com outras correntes classistas.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi \u00e0 toa que este grupo formalizou sua sa\u00edda do Partido logo em seguida \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de uma Nota Pol\u00edtica da dire\u00e7\u00e3o nacional do Partido, de abril de 2011, sobre a quest\u00e3o sindical <em><strong>(\u201cAvan\u00e7ar na organiza\u00e7\u00e3o sindical da classe trabalhadora para o combate sem tr\u00e9guas \u00e0 hegemonia do capital\u201d)<\/strong><\/em>, que afirma textualmente:<\/p>\n<p>\u201c<em><strong>N\u00f3s, do PCB, entendemos que a Intersindical \u2013 instrumento de luta e organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora \u2013 pode vir a se transformar nessa poderosa ferramenta da luta de classes no Brasil, mas n\u00e3o pode se manter na configura\u00e7\u00e3o pol\u00edtica atual. Desejamos manter e aprofundar nossas rela\u00e7\u00f5es com a ASS, com quem temos grande afinidade na concep\u00e7\u00e3o da luta sindical e anticapitalista, mas defendemos a urg\u00eancia da realiza\u00e7\u00e3o de conversa\u00e7\u00f5es com as correntes pol\u00edticas que compunham o campo origin\u00e1rio da Intersindical, como meio mais imediato de fortalecer nosso instrumento de luta e organiza\u00e7\u00e3o. N\u00f3s, comunistas, n\u00e3o subestimamos o papel dos partidos e correntes no movimento oper\u00e1rio, tendo clareza, por\u00e9m, de que a vanguarda jamais substituir\u00e1 a classe, nem a organiza\u00e7\u00e3o sindical.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Diante do exposto, a Comiss\u00e3o Pol\u00edtica Nacional do Comit\u00ea Central do PCB orienta a milit\u00e2ncia comunista nos estados e munic\u00edpios a buscar desenvolver as seguintes tarefas:<\/strong><\/em><\/p>\n<ol>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\"><em><strong>Fortalecer a UNIDADE CLASSISTA como corrente sindical que re\u00fane militantes do PCB e simpatizantes da nossa linha pol\u00edtica e sindical no interior dos sindicatos, movimentos e organiza\u00e7\u00f5es de luta da classe trabalhadora;<\/strong><\/em><\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\"><em><strong>Envidar esfor\u00e7os no sentido de promover conversa\u00e7\u00f5es com as correntes pol\u00edticas do PSOL insatisfeitas com a cristaliza\u00e7\u00e3o do formato e orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dominantes na CSP\/Conlutas, visando contribuir para a recomposi\u00e7\u00e3o do campo original da Intersindical\u201d<\/strong><\/em><em>.<\/em><\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>Queremos chamar a aten\u00e7\u00e3o dos que foram manipulados por esse n\u00facleo de desagregadores que, ao que tudo indica, estes j\u00e1 decidiram para onde ir ap\u00f3s sa\u00edrem do PCB. \u00c9 s\u00f3 ler com aten\u00e7\u00e3o o t\u00edtulo do documento que assinaram: <em><strong>\u201cEscolhemos ficar ao lado de quem luta\u201d<\/strong><\/em>. Fica claro no manifesto que os verdadeiros lutadores s\u00e3o os que constroem a INTERSINDICAL como uma entidade puramente sindical, e que n\u00e3o se misturam com os \u201cfalsos lutadores\u201d. Os que se retiram n\u00e3o s\u00e3o \u201clutadores pol\u00edticos\u201d, que perdem tempo debatendo teorias e se expressando, como o PCB, sobre todos os temas nacionais e internacionais de interesse do proletariado. S\u00e3o \u201clutadores sociais\u201d, que subestimam o Partido.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que todos os signat\u00e1rios perceberam que assinaram um documento que sinaliza claramente que v\u00e3o se mudar do PCB para uma organiza\u00e7\u00e3o fundamentalmente sindical? Foram avisados disso? Dizemos isso porque os redatores do manifesto de ruptura cometeram o ato falho de dizer que tinham pressa de sair do PCB para preservar <em><strong>\u201ca for\u00e7a e a integridade pol\u00edtica\u201d<\/strong><\/em> do grupo.<\/p>\n<p>\u00c9 pat\u00e9tica a afirma\u00e7\u00e3o constante do documento, quando os redatores admitem que <em><strong>\u201cuma sa\u00edda razo\u00e1vel seria a de permanecermos no interior do PCB, para fazer a disputa interna\u201d<\/strong><\/em>. Mas n\u00e3o tiveram coragem de ficar. Porque n\u00e3o t\u00eam argumentos, n\u00e3o sustentam uma discuss\u00e3o pol\u00edtica com o conjunto do Partido. Suas \u00fanicas armas foram a mentira e a manipula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tiveram coragem de ficar para participar de dois eventos que o CC anunciou a toda a milit\u00e2ncia de S\u00e3o Paulo, h\u00e1 mais de dois meses: a realiza\u00e7\u00e3o, em breve, de uma Plen\u00e1ria dos Militantes com a dire\u00e7\u00e3o do Partido e uma Confer\u00eancia Pol\u00edtica Regional Extraordin\u00e1ria!<\/p>\n<p>Consideramos natural que militantes mais jovens, seduzidos pelo canto de sereia antileninista, se tenham deixado levar por um discurso obreirista e reformista que campeia neste grupo e em parte da esquerda brasileira. Trata-se do que conceituamos como <em>movimentismo<\/em>, que consiste em superestimar os movimentos sociais como as principais ferramentas revolucion\u00e1rias e subestimar o papel dos partidos revolucion\u00e1rios. Um sindicato, por mais combativo que seja, deve representar os interesses dos trabalhadores de sua base. Da mesma forma que uma entidade estudantil, uma organiza\u00e7\u00e3o de moradores, de mulheres e movimentos contra opress\u00f5es t\u00eam como objetivo defender os interesses espec\u00edficos de seus representados; atuam nos limites institucionais da ordem burguesa. Somente o partido pol\u00edtico revolucion\u00e1rio, que se prop\u00f5e a derrotar a ordem capitalista e que junta em suas fileiras camaradas que atuam em todos esses importantes movimentos sociais, possui condi\u00e7\u00f5es para entender a totalidade da luta pol\u00edtica e lan\u00e7ar propostas globais para a transforma\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 contradi\u00e7\u00e3o entre militar no Partido e nos movimentos sociais. Pelo contr\u00e1rio, os comunistas devem se inserir neles, atuando para politiz\u00e1-los na perspectiva da luta de classes.<\/p>\n<p>Apesar do equ\u00edvoco a que foram levados alguns desses jovens, eles mostram sua energia para a luta contra o capital. No af\u00e3 de lutar e militar acabam por assumir uma identidade rom\u00e2ntica, ainda que reformista, de \u201clutadores sociais\u201d, como se s\u00f3 o importante trabalho de massa fosse revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Tendo em vista que este grupo hegemonizou nos tempos recentes a Secretaria Sindical do PCB e o nosso relacionamento com a ASS na INTERSINDICAL, a decis\u00e3o do partido de se empenhar para reunificar e ampliar a entidade foi sistematicamente boicotada. Com isso, o PCB passou cerca de dois anos engessado nacionalmente na quest\u00e3o sindical, preso a uma alian\u00e7a preferencial e exclusiva numa determinada regi\u00e3o, de um \u00fanico Estado da federa\u00e7\u00e3o, conduzida de forma subalterna.<\/p>\n<p>Deixamos claro que n\u00e3o temos raz\u00e3o para imputar \u00e0 dire\u00e7\u00e3o da ASS qualquer responsabilidade pelo que ocorreu no PCB. Os companheiros certamente n\u00e3o tiveram inger\u00eancia em nossos assuntos internos. A nosso ver, se trata de uma reflex\u00e3o equivocada dos que se retiram do nosso Partido.<\/p>\n<p>Diante deste quadro, o PCB vai rediscutir seu posicionamento na quest\u00e3o sindical, das bases ao Comit\u00ea Central, priorizando, neste momento, a constru\u00e7\u00e3o da nossa corrente UNIDADE CLASSISTA.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos deixar de registrar que a a\u00e7\u00e3o deste grupo fracionista se d\u00e1 exatamente no momento em que o PCB recupera a confian\u00e7a pol\u00edtica dos revolucion\u00e1rios, no Brasil e em outros pa\u00edses, num processo de reconstru\u00e7\u00e3o que, iniciado em 1992 \u2013 quando conseguimos resistir \u00e0 tentativa de liquida\u00e7\u00e3o do PCB, mantendo o Partido e sua hist\u00f3rica legenda \u2013, consolidou-se, a rigor, h\u00e1 apenas seis anos, a partir do XIII Congresso, em 2005. A multiplica\u00e7\u00e3o de mensagens mentirosas e abjetas via internet tem feito a alegria e a festa de anticomunistas e de pseudo-esquerdistas, que n\u00e3o se conformam com a reconstru\u00e7\u00e3o do PCB e tentam pescar nas \u00e1guas turvas movidas pelos fracionistas.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos deixar de registrar tamb\u00e9m nossa perplexidade com a nota de rodap\u00e9 do manifesto de ruptura dos \u201clutadores sociais\u201d com o PCB. Eles se solidarizam com uma organiza\u00e7\u00e3o de direita, assumidamente sionista, reconhecendo nela o direito de satanizar e criminalizar o PCB como antissemita. Certamente, esta solidariedade, partindo de ex-membros do Partido, poder\u00e1 ser usada nos autos da representa\u00e7\u00e3o que a Confedera\u00e7\u00e3o Israelita do Brasil move no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra o PCB.<\/p>\n<p>Ou seja, j\u00e1 que n\u00e3o conseguiram desagregar o PCB, na luta interna despolitizada que forjaram, colaboram agora com a tentativa de cassa\u00e7\u00e3o de seu registro na justi\u00e7a eleitoral.<\/p>\n<p>Mas nem a ditadura nem liquidacionistas com muito mais peso pol\u00edtico, conseguiram acabar com o PCB.<\/p>\n<p>\u201c<em><strong>N\u00e3o \u00e9 mole, n\u00e3o; \u00e9 imposs\u00edvel acabar com o Partid\u00e3o!\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Partido Comunista Brasileiro<\/strong><\/p>\n<p><strong>Comiss\u00e3o Pol\u00edtica Nacional<\/strong><\/p>\n<p>Rio de Janeiro, 17 de maio de 2011<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\n\n\n\n\n(Nota Pol\u00edtica do PCB)\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1480\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-1480","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c25-notas-politicas-do-pcb"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-nS","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1480","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1480"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1480\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1480"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1480"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1480"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}