{"id":14843,"date":"2017-06-22T13:49:29","date_gmt":"2017-06-22T16:49:29","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=14843"},"modified":"2017-08-24T22:27:35","modified_gmt":"2017-08-25T01:27:35","slug":"o-poder-popular-a-greve-geral-as-eleicoes-diretas-e-a-rearticulacao-do-movimento-social-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14843","title":{"rendered":"O Poder Popular: a Greve Geral, as Elei\u00e7\u00f5es Diretas e a rearticula\u00e7\u00e3o do movimento social no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/20170329-reformas-de-temer-sul21.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Gabriel V. Lazzari, Militante do PCB S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p><strong>Greve Geral do 28A <\/strong><\/p>\n<p>A reflex\u00e3o aqui parte dos esfor\u00e7os para a constru\u00e7\u00e3o da Greve Geral do dia 28 de Abril de 2017 (28A). <!--more-->Na conjuntura acelerada que vivemos na realidade brasileira, despontou (finalmente, diga-se de passagem) a necessidade e a possibilidade de fazermos uma greve geral no pa\u00eds, em resposta aos ataques que v\u00eam fazendo o Governo Temer desde que tomou o controle do Executivo no Brasil, por meio de um golpe, em 2016. Muitas an\u00e1lises foram feitas sobre essa greve, suas causas, seus desdobramentos, seus limites. Essa que est\u00e1 sendo feita n\u00e3o tem como objetivo detalhar essas quest\u00f5es, mas trabalhar com as duas grandes bandeiras de luta para o per\u00edodo que se seguiu: a manuten\u00e7\u00e3o do chamamento a uma nova Greve Geral e o chamamento \u00e0 prioriza\u00e7\u00e3o da luta pelas elei\u00e7\u00f5es diretas (sejam elas somente presidenciais, sejam gerais).<\/p>\n<p>Ainda sem for\u00e7a para uma altera\u00e7\u00e3o brusca na conjuntura do movimento social no Brasil, o que vimos no 28A foi o esbo\u00e7o de uma rearticula\u00e7\u00e3o sindical e social. Motivada pela agita\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria de cunho pol\u00edtico e embate econ\u00f4mico que uma greve geral representa, uma ampla parcela da classe trabalhadora no Brasil aderiu \u00e0 pauta, seja na constru\u00e7\u00e3o ativa do movimento grevista, seja na constru\u00e7\u00e3o passiva das paralisa\u00e7\u00f5es, seja no acordo pol\u00edtico com a pauta e o m\u00e9todo \u2013 situa\u00e7\u00e3o in\u00e9dita para a recente gera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEssa movimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o passou despercebida pelas dire\u00e7\u00f5es mais burocratizadas dos sindicatos e outros movimentos, que passaram a agitar tamb\u00e9m \u2013 \u00e9 preciso dizer, de forma oportunista \u2013 para n\u00e3o perderem (mais) o apoio de suas bases. Esse caso foi visto de forma exemplar nos mafiosos sindicatos de rodovi\u00e1rios urbanos e no pelego sindicato de professores de escolas particulares em S\u00e3o Paulo, mas a tend\u00eancia foi ampla na classe. Passada a euforia com o sucesso estrondoso do 28A, nos cabe entend\u00ea-lo nas suas perspectivas de m\u00e9dio e longo prazo. Temos uma greve geral a ser constru\u00edda no dia 30 de junho e temos uma luta em curso pelas Diretas J\u00e1. Como podem e\/ou devem se desdobrar essas duas proposi\u00e7\u00f5es do ponto de vista dos revolucion\u00e1rios?<\/p>\n<p><strong>Instrumentos de luta: burocracia e apassivamento <\/strong><\/p>\n<p>O m\u00eas e meio que afasta esse texto da greve do 28A mudaram e esclareceram os papeis dos atores pol\u00edticos em cena. O \u00edmpeto pela Greve Geral como sa\u00edda unificada e \u2013 \u00e9 important\u00edssimo nunca esquecer \u2013 prolet\u00e1ria, em seu conte\u00fado e forma, murchou. Um recuo foi feito (e recuos devem ser, por vezes, feitos, quanto a isso n\u00e3o h\u00e1 diverg\u00eancias), com uma parte substancial da esquerda brasileira (tanto o setor mais ligado \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o de classes quanto o cr\u00edtico a ela), para uma pauta democr\u00e1tica, liberal.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso sempre reafirmar: os revolucion\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o advers\u00e1rios das pautas democr\u00e1ticas; ao contr\u00e1rio, s\u00e3o seus mais apaixonados defensores, aqueles que querem lev\u00e1-las \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias e n\u00e3o abrem m\u00e3o de que haja uma dire\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria nas lutas por essas pautas. Esse recuo e esse desvio da t\u00e1tica de luta e da bandeira a se levantar tem como causa fundamental um elemento j\u00e1 bastante vis\u00edvel dos \u00faltimos anos no movimento social brasileiro: os principais instrumentos de luta dos trabalhadores brasileiros est\u00e3o sob a l\u00f3gica da concilia\u00e7\u00e3o, da burocratiza\u00e7\u00e3o, do afastamento da base e do apassivamento da classe trabalhadora em momentos de ascens\u00e3o na luta. Concretamente, podemos citar as centrais sindicais CUT e CTB, grandes em poder de mobiliza\u00e7\u00e3o (\u00e9 preciso ressaltar a import\u00e2ncia delas no 28A), mas recuad\u00edssimas na pol\u00edtica para os trabalhadores.<\/p>\n<p>Esse giro de \u201cdesradicaliza\u00e7\u00e3o\u201d da luta pode ter uma s\u00e9rie de causas: a l\u00f3gica dos acordos na institucionalidade, o burocratismo pr\u00f3prio das centrais e, claro, o medo de despontarem novas lideran\u00e7as no movimento social, capazes de derrubar as atuais dire\u00e7\u00f5es sindicais pelegas. Com isso posto, precisamos analisar como se dar\u00e1 o movimento pela greve geral do dia 30 de junho. Ser\u00e1 de extrema import\u00e2ncia que essas dire\u00e7\u00f5es convoquem e construam a mobiliza\u00e7\u00e3o em cada local de trabalho e que tamb\u00e9m as entidades estudantis e de juventude o fa\u00e7am nos locais de estudo, as associa\u00e7\u00f5es de moradores nos bairros etc. O esvaziamento dessa constru\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 vem ocorrendo por parte delas, pode ser o pren\u00fancio da derrota dessa pr\u00f3xima greve. Isso, aliado ao recuo dado no Senado com a rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 reforma trabalhista, pode colocar panos quentes na mobiliza\u00e7\u00e3o popular, dificultando nossos pr\u00f3ximos passos.<\/p>\n<p><strong>Agita\u00e7\u00e3o e propaganda revolucion\u00e1rias: um di\u00e1logo <\/strong><\/p>\n<p>Tem import\u00e2ncia, tamb\u00e9m, nesse balan\u00e7o, o peso que alguns setores da esquerda est\u00e3o dando para a agita\u00e7\u00e3o em torno das elei\u00e7\u00f5es diretas. Ora, a princ\u00edpio, em um momento de eleva\u00e7\u00e3o da luta de massas, soaria problem\u00e1tico recuar de uma reivindica\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria para uma reivindica\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Isso foi posto em pr\u00e1tica, por\u00e9m, e o saldo \u00e9 de dupla desmobiliza\u00e7\u00e3o: n\u00e3o s\u00f3 a pauta de elei\u00e7\u00f5es diretas \u00e9 menos tang\u00edvel para a classe do que a Reforma da Previd\u00eancia e a Reforma Trabalhista, mas tamb\u00e9m abriu-se m\u00e3o, na constru\u00e7\u00e3o efetiva, da agita\u00e7\u00e3o em torno de uma t\u00e1tica \u2013 uma vez que, diferentemente do 28A, em que a t\u00e1tica da Greve Geral estava indissoluvelmente ligada \u00e0 luta contra as reformas, a luta pelas elei\u00e7\u00f5es diretas aparece difusa nas t\u00e1ticas que lhe permitiriam alcan\u00e7\u00e1-la.<\/p>\n<p>Circula, por\u00e9m, uma cr\u00edtica: na vis\u00e3o de alguns, a prioriza\u00e7\u00e3o das Diretas seria acertar na agita\u00e7\u00e3o, enquanto os que levantam outras bandeiras (a da Greve Geral a ser constru\u00edda, a do Poder Popular etc.) seriam \u201cultrapropagandistas\u201d. \u00c9 preciso enfrentar essa posi\u00e7\u00e3o, que mistifica a proposi\u00e7\u00e3o concreta de luta em curso. A Greve Geral, em sua apar\u00eancia, \u00e9 apenas mais um \u201cm\u00e9todo de luta\u201d. No entanto, verifiquemos novamente como se deu a constru\u00e7\u00e3o dessa \u00faltima: press\u00e3o da base sindical sobre as dire\u00e7\u00f5es pelegas, constitui\u00e7\u00e3o de comit\u00eas de luta locais, movimenta\u00e7\u00e3o nas bases estudantis&#8230;<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da Greve Geral, em sua efetiva concretiza\u00e7\u00e3o, faz parte de um todo muito mais amplo; faz parte da reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento social no Brasil e, assim, da constru\u00e7\u00e3o do Poder Popular na base da classe trabalhadora. A agita\u00e7\u00e3o em torno dessa t\u00e1tica \u00e9 o que deve ser a agita\u00e7\u00e3o: a palavra de ordem do pr\u00f3ximo passo na constitui\u00e7\u00e3o de um novo ciclo de lutas para a classe trabalhadora. Nada h\u00e1, portanto, de ultrapropagand\u00edstico em agitar pela constitui\u00e7\u00e3o de novas formas de organiza\u00e7\u00e3o popular. Ao contr\u00e1rio, s\u00e3o essas formas que permitir\u00e3o nosso sucesso na pr\u00f3xima empreitada, seja a constru\u00e7\u00e3o da greve que se avizinha, seja na luta pelas elei\u00e7\u00f5es diretas caso caia o Governo Temer. O direcionamento \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de comit\u00eas populares, por exemplo, tem que ser feito, justamente porque eles ainda n\u00e3o existem. A classe est\u00e1 experimentando essas formas organizativas e voltando se organizar pela base. Em realidade, agitar o programa, sem t\u00e1tica, parece ser nosso principal problema hoje \u2013 e uma das causas da dist\u00e2ncia que h\u00e1 entre a pol\u00edtica acertada de certos setores e a classe trabalhadora. O passo n\u00e3o \u00e9 nada sem o caminho, e o caminho n\u00e3o existe sem o passo.<\/p>\n<p><strong>Criar Poder Popular: os pr\u00f3ximos passos na organiza\u00e7\u00e3o da classe <\/strong><\/p>\n<p>Assim sendo, se coloca um problema de fundo, um zumbido que ressoa nos ouvidos de uma parte da esquerda organizada, mas que ela quer deixar de lado, em vez de buscar suas causas e formular pol\u00edticas concretas para solucion\u00e1-lo. Esse problema \u00e9 o dos instrumentos de luta da classe; as formas organizativas de que ela disp\u00f5e para enfrentar os ataques do capital. \u00c9 preciso entender a profundidade do descolamento desses instrumentos para lutar por eles e dentro deles.<\/p>\n<p>A esquerda socialista, a que despreza as alian\u00e7as program\u00e1ticas com a burguesia, possui certos consensos program\u00e1ticos; \u00e9 preciso dar-lhes forma concreta, t\u00e1tica, na base. \u00c9 essa rearticula\u00e7\u00e3o da base que permitir\u00e1, num futuro (talvez n\u00e3o t\u00e3o pr\u00f3ximo), uma rearticula\u00e7\u00e3o das grandes ferramentas de luta. \u00c9 essa rearticula\u00e7\u00e3o da base que permitir\u00e1 que o saldo do programa das elei\u00e7\u00f5es diretas n\u00e3o seja, novamente, um aumento na ilus\u00e3o popular quanto \u00e0 institucionalidade \u2013 sa\u00edda, ali\u00e1s, desejada pelo campo de apoio ao PT, com a pr\u00e9-campanha para a presid\u00eancia de Lula em 2018. A essa rearticula\u00e7\u00e3o podemos aproximar o conceito do Poder Popular: \u00e9 construindo na base espa\u00e7os de disputa para cria\u00e7\u00e3o de uma nova hegemonia, j\u00e1 distante da concilia\u00e7\u00e3o de classes e da direita, que poderemos trazer de volta ao centro da luta pol\u00edtica o proletariado consciente e tamb\u00e9m a partir desses instrumentos \u00e9 que aumenta a propaga\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica verdadeiramente prolet\u00e1ria, descompromissada com os interesses da burguesia.<\/p>\n<p>A Greve Geral do 28A mostrou possibilidades concretas disso, como j\u00e1 falado; a do dia 30 de junho mostrar\u00e1? O que cabe agora \u00e9 perceber: essa rearticula\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo j\u00e1 feita, em alguma medida. Nos aparatos sindicais, existe uma (crescente, mas ainda) pequena decad\u00eancia dos setores de concilia\u00e7\u00e3o e abertura para os setores de radicaliza\u00e7\u00e3o, da esquerda socialista; na constru\u00e7\u00e3o nos locais de moradia, est\u00e3o sendo feitas, dia ap\u00f3s dia, comit\u00eas locais da Frente Povo Sem Medo, os chamados \u201cBairros Sem Medo\u201d, para articula\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o local. N\u00e3o s\u00e3o ainda as constru\u00e7\u00f5es hegem\u00f4nicas na classe, mas s\u00e3o seu embri\u00e3o. Um embri\u00e3o que sustentar\u00e1 a pol\u00edtica da esquerda socialista nos dois casos que se avizinham: uma retomada da concilia\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de um Lula 2018 (ou mesmo 2017, caso consigamos as elei\u00e7\u00f5es diretas) ou a manuten\u00e7\u00e3o de um governo abertamente de direita, legat\u00e1rio direto de Temer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Gabriel V. 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