{"id":1488,"date":"2011-05-19T19:54:26","date_gmt":"2011-05-19T19:54:26","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1488"},"modified":"2011-05-19T19:54:26","modified_gmt":"2011-05-19T19:54:26","slug":"razao-de-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1488","title":{"rendered":"Raz\u00e3o de Estado"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"JUSTIFY\">OSAMA BIN LADEN (1957-2011)<\/p>\n<p>Domingo, fim de noite, 1\/5\/2011. O presidente dos EUA ocupou uma ala oficial do seu domic\u00edlio funcional para anunciar ao mundo pela televis\u00e3o que a &#8220;justi\u00e7a fora feita&#8221;, frase repetida pela secret\u00e1ria de Estado americana, Hillary Clinton, na segunda-feira, 02\/05\/2011. No mesmo dia, <em>O Globo<\/em> atribu\u00eda ao presidente dos EUA a seguinte frase durante sua campanha eleitoral: &#8220;N\u00f3s mataremos Osama bin Laden&#8221;. Ainda <em>O Globo<\/em> definiu a a\u00e7\u00e3o como de autoria de &#8220;for\u00e7as especiais dos Estados Unidos&#8221;. O jornal espanhol. <em>El Pa\u00eds<\/em> noticiou que o &#8220;presidente dos EUA anunciou na televis\u00e3o que um `comando norte-americano\u00b4 eliminou a tiros no Paquist\u00e3o o l\u00edder da Al-Qaida, cujo cad\u00e1ver foi lan\u00e7ado ao mar&#8221;, citando neste particular o <em>New York Times<\/em>.<\/p>\n<p>O jornal franc\u00eas <em>Le Monde<\/em> informou, em texto repetitivo: &#8220;A Fran\u00e7a `<em>sa\u00fada a tenacidade dos Estados Unidos\u00b4<\/em> ap\u00f3s a morte de Bin Laden, um `<em>acontecimento dos mais importantes da luta mundial contra o terrorismo\u00b4<\/em>, declarou o presidente franc\u00eas Nicolas Sarkozy em comunicado. `<em>O an\u00fancio pelo presidente Obama da morte de Bin Laden em consequ\u00eancia de extraordin\u00e1ria opera\u00e7\u00e3o de comando americana no Paquist\u00e3o \u00e9 um acontecimento dos mais importantes da luta mundial contra o terrorismo. A Fran\u00e7a sa\u00fada a tenacidade dos Estados Unidos, que o procuravam h\u00e1 dez anos\u00b4<\/em>, afirmou o Pal\u00e1cio do Eliseu, resid\u00eancia oficial do presidente franc\u00eas.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Detalhes duvidosos<\/strong><\/p>\n<p>Noticiou ainda <em>El Pa\u00eds<\/em>: &#8220;Em mar\u00e7o, Obama conheceu em primeira m\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o. Naquele m\u00eas, teve sua primeira reuni\u00e3o das cinco que manteve em seis semanas na Casa Branca para conhecer todos os detalhes da opera\u00e7\u00e3o contra Osama bin Laden. O ex\u00e9rcito dos Estados Unidos preparava o assalto \u00e0 mans\u00e3o-<em>bunker<\/em> do inimigo n\u00famero um. Finalmente, Obama deu a ordem de atacar na sexta-feira passada, 29 de abril. Washington n\u00e3o compartilhou os dados de intelig\u00eancia sobre o paradeiro de Bin Laden com nenhum outro pa\u00eds, nem mesmo com o Paquist\u00e3o, por raz\u00f5es de seguran\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>Esque\u00e7amos por algum momento o Paquist\u00e3o, pa\u00eds que os nossos leitores da classe m\u00e9dia provavelmente considerariam &#8220;republiqueta sem merecer qualquer respeito&#8221;, apesar de possuir bomba at\u00f4mica e dominar toda a tecnologia que leva a este tipo de arma. Imaginemos que Bin Laden estivesse escondido no Brasil. Seria aceit\u00e1vel que um grupo armado estrangeiro adentrasse o local no qual se encontraria e o assassinasse, sem consentimento do governo brasileiro? Em que categoria seriam os autores classificados pelo nosso governo: justiceiros, assassinos, terroristas? Executores de decis\u00e3o judicial, certamente que n\u00e3o, porque tal n\u00e3o existiu.<\/p>\n<p>Voltemos aos detalhes da morte de Bin Laden. Segundo relato de <em>O Globo<\/em> (2\/5\/2011): &#8220;Um oficial disse que Bin Laden desceu atirando contra os militares que invadiram o seu complexo, mas nenhum americano ficou ferido. Ainda de acordo com o relato, a equipe de elite da Marinha, o Seal Team Six, entrou no complexo com \u00f3culos de vis\u00e3o noturna, deslizando dos helic\u00f3pteros `Chinook\u00b4 atrav\u00e9s de cordas.&#8221; Por que raz\u00e3o havia sangue no quarto de Bin Laden, de acordo com fotos e mesmo filmes divulgados pela imprensa internacional?<\/p>\n<p><strong>Ato sem consentimento<\/strong><\/p>\n<p>Morador da cidade de Abbottabad, o paquistan\u00eas Shaib Athar estranhou a movimenta\u00e7\u00e3o de helic\u00f3pteros na sua vizinhan\u00e7a durante a madrugada da segunda-feira, 2\/5\/2011. Sem conseguir dormir, abriu sua conta no Twitter e passou a relatar o que estava acontecendo: &#8220;H\u00e1 um helic\u00f3ptero dando rasantes nos c\u00e9us de Abbottabad \u00e0 1h da manh\u00e3. Isso \u00e9 um evento raro&#8221;, postou Athar, que logo acrescentou: &#8220;Escutei agora um grande estrondo que balan\u00e7ou as janelas&#8230; Espero que isso n\u00e3o seja o in\u00edcio de alguma coisa desagrad\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n<p>Entretanto, ainda segundo <em>O Globo<\/em>, em 02\/05\/2011, Bin Laden teria sido morto no leito de seu quarto, como tamb\u00e9m noticiaram as ag\u00eancias internacionais, inclusive com fotos da cama ensanguentada. Claro que se tivesse reagido \u00e0 pris\u00e3o, teriam os invasores o direito de o executarem em leg\u00edtima defesa. Entretanto, n\u00e3o parece cr\u00edvel que algu\u00e9m reaja, supostamente com uma arma, \u00e0 invas\u00e3o do local onde se encontra <em>diretamente de cima de uma cama<\/em>. Se levantaria e o faria de uma janela ou atr\u00e1s da porta do aposento. Outra hip\u00f3tese \u00e9 de que poderia ter sido surpreendido dormindo, pois a julgar pela not\u00edcia teria morrido na cama onde estava. Portanto, aparentemente n\u00e3o acordou ou saiu da cama com o barulho do helic\u00f3ptero mesmo que este tivesse sido ouvido por Shaib Athar, morador a um quil\u00f4metro de dist\u00e2ncia da casa onde estava Bin Laden, como tamb\u00e9m noticiou a imprensa. Nesse caso, parece ter sido despertado pelos tiros l\u00e1 de fora provavelmente trocados com seus seguran\u00e7as. D\u00e1 para acreditar nisso? Estranhamente, tais detalhes n\u00e3o parecem ter preocupado a imprensa internacional.<\/p>\n<p>Est\u00e1 claro que Bin Laden foi executado premeditadamente sem qualquer chance de defesa, exatamente como fizera com suas v\u00edtimas. Procedeu assim o pa\u00eds que o executou da mesma forma que o terrorista. A diferen\u00e7a \u00e9 que os que Bin Laden matou foram, segundo a imprensa, e com justa raz\u00e3o, &#8220;executados por ato terrorista&#8221;. Sua morte, entretanto, foi, no dizer da imprensa e do pr\u00f3prio presidente dos EEUU, ato de &#8220;comando norte-americano&#8221;. Na realidade, foi ato de agentes de um pa\u00eds em outro pa\u00eds, sem o consentimento do governo deste segundo, pelo que anunciou a imprensa internacional, deixando claro que a a\u00e7\u00e3o n\u00e3o era do conhecimento do governo de qualquer pa\u00eds que n\u00e3o fosse o pr\u00f3prio EUA.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Esta era uma opera\u00e7\u00e3o para matar&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Imaginemos que durante a a\u00e7\u00e3o algum vizinho tivesse alertado a pol\u00edcia e esta flagrado os executores do crime. Como seriam eles tratados pelas autoridades paquistanesas que, insisto, desconheciam a a\u00e7\u00e3o do &#8220;comando&#8221;? No julgamento dessas autoridades, qual seria, ent\u00e3o, a natureza da a\u00e7\u00e3o? Cumprimento de pena de morte? Imposs\u00edvel, porque Bin Laden nunca fora formalmente julgado e condenado. Se o tivesse sido, teriam os EUA direito de aplicar a pena em outro pa\u00eds, al\u00e9m do mais sem o conhecimento de suas autoridades?<\/p>\n<p>Que Bin Laden era um terrorista, n\u00e3o resta d\u00favida. O detalhe, quase sempre esquecido pelas ag\u00eancias e a imprensa internacionais, \u00e9 que ele e seu grupo foram criados no tempo em que o patrocinador era o governo dos EUA, o que \u00e9 indiscut\u00edvel. Segundo as regras do Direito internacional ou de qualquer pa\u00eds, nenhum criminoso pode ser executado sem julgamento ou direito de defesa, que n\u00e3o existiram no caso de Bin Laden. Foi morto em cima da cama, segundo foto divulgada por ag\u00eancias internacionais, mostrando, inclusive, o leito ensanguentado.<\/p>\n<p>Segundo declara\u00e7\u00e3o de uma autoridade, oficial do departamento de seguran\u00e7a dos EUA, &#8220;as for\u00e7as especiais dos Estados Unidos que localizaram Osama bin Laden estavam designadas a matar o l\u00edder da Al-Qaida, e n\u00e3o captur\u00e1-lo&#8221;. Al\u00e9m de assassinato, podem tamb\u00e9m esses agentes ser responsabilizados por &#8220;oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1ver&#8221;, lembrando que, segundo o <em>New York Times<\/em>, o cad\u00e1ver teria sido lan\u00e7ado ao mar. &#8220;Esta era uma opera\u00e7\u00e3o para matar&#8221;, disse oficial do departamento de seguran\u00e7a dos EUA. Como tamb\u00e9m foi noticiado que o presidente dos EUA pessoalmente autorizou a opera\u00e7\u00e3o, seria ele o respons\u00e1vel direto pelo crime?<\/p>\n<p><strong>Por que n\u00e3o se deu destaque a tantas d\u00favidas?<\/strong><\/p>\n<p>Parece ter ficado bem claro que a carreira de Osama bin Laden come\u00e7ou e terminou com ato de terrorismo. Para a grande imprensa internacional, n\u00e3o. Denominado pelos EUA &#8220;combatente da liberdade&#8221;, nos tempos em que sua organiza\u00e7\u00e3o Al-Qaida foi montada, financiada e apoiada pelos EUA perpetrando atos contra as for\u00e7as invasoras da URSS no Afeganist\u00e3o. Ao tornar-se inimigo dos EUA, passou a ser denominado &#8220;terrorista&#8221;, at\u00e9 com raz\u00e3o. Mas, teriam ele e sua organiza\u00e7\u00e3o mudado de m\u00e9todos? Pelo que dizia o governo da antiga URSS, n\u00e3o. Entretanto, nesse tempo pouca credibilidade era dada \u00e0 imprensa sovi\u00e9tica pela imprensa ocidental, de modo que ele era um &#8220;combatente da liberdade&#8221;, termo at\u00e9 heroico. Portanto, a imprensa e o governo dos EUA mudaram a nomenclatura usada para designar o antigo aliado, ainda que os m\u00e9todos aparentemente fossem os mesmos.<\/p>\n<p>A frase pronunciada durante a campanha eleitoral pelo futuro presidente dos EUA \u2013 &#8220;N\u00f3s mataremos Osama bin Laden&#8221; \u2013 pode ser considerada a premedita\u00e7\u00e3o de um crime? Ou \u00e9 antes a explica\u00e7\u00e3o de uma a\u00e7\u00e3o na qual a justificativa \u00e9 a famosa &#8220;raz\u00e3o de Estado&#8221;? Talvez fosse inc\u00f4modo \u00e0s autoridades daquele pa\u00eds promover julgamento p\u00fablico em que o r\u00e9u poderia ter importantes revela\u00e7\u00f5es sobre seus anos de <em>dolce vita<\/em> ou &#8220;lua-de-mel&#8221; com o sistema pol\u00edtico e militar dos EUA.<\/p>\n<p>E a imprensa internacional, por que, em nome da boa informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o deu destaque a tantas d\u00favidas?<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/artigos.asp?cod=641FDS004<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: 4.bp.blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\nLa\u00e9rcio Lopes\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1488\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1488","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-o0","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1488","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1488"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1488\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1488"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1488"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1488"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}