{"id":14880,"date":"2017-06-27T13:53:56","date_gmt":"2017-06-27T16:53:56","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=14880"},"modified":"2017-07-13T16:14:29","modified_gmt":"2017-07-13T19:14:29","slug":"no-brasil-a-barbarie-tem-a-cara-de-um-processo-de-reversao-neocolonial-que-esta-nos-levando-ao-seculo-xix","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14880","title":{"rendered":"&#8220;No Brasil, a barb\u00e1rie tem a cara de um processo de revers\u00e3o neocolonial que est\u00e1 nos levando ao s\u00e9culo XIX&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2017\/06\/23_06_politica_foto_pixabay.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><strong> Entrevista especial com Pl\u00ednio de Arruda Sampaio Jr<\/strong><\/p>\n<p>Por Patricia Fachin e Ricardo Machado<!--more--><\/p>\n<p>A absolvi\u00e7\u00e3o da chapa Dilma-Temer das acusa\u00e7\u00f5es de abuso de poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico, al\u00e9m de ter sido um \u201cesc\u00e1rnio\u201d, demonstra que o Judici\u00e1rio foi \u201cirremediavelmente contaminado pela crise pol\u00edtica\u201d, afirma o economista Pl\u00ednio de Arruda Sampaio Jr..<\/p>\n<p>Segundo ele, o que se assistiu no julgamento do Tribunal Superior Eleitoral \u2013 TSE \u201cfoi um conluio entre PSDB, PMDB e PT para manter Temer na presid\u00eancia\u201d. O economista frisa que \u201cas for\u00e7as pol\u00edticas que se alinham em torno do objetivo de \u2018estancar a sangria\u2019 s\u00e3o poderosas, congregam todos os espectros dos partidos da ordem, possuem amplas ramifica\u00e7\u00f5es no Judici\u00e1rio e resistem com desfa\u00e7atez e tenacidade \u00e0 cruzada moralizadora que amea\u00e7a suas posi\u00e7\u00f5es no interior do aparelho de Estado\u201d. E alfineta: \u201cQuando os interesses comuns na preserva\u00e7\u00e3o do status quo ficam amea\u00e7ados, a guerra de foice entre petistas, peemedebistas e tucanos pelo controle do aparelho de Estado \u00e9 suspensa\u201d e \u201cos partidos da ordem atuam como irm\u00e3os siameses\u201d. Por enquanto, adverte, alguns personagens est\u00e3o sendo \u201cblindados de qualquer investiga\u00e7\u00e3o\u201d, como os bancos, o sistema financeiro e o capital estrangeiro, e a \u201cramifica\u00e7\u00e3o da rede criminosa no sistema judici\u00e1rio e na grande m\u00eddia \u00e9 negligenciada\u201d.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do economista, uma alternativa \u00e0 crise pol\u00edtica seria a realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es diretas. Contudo, adverte, \u201ca convoca\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es gerais tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 suficiente para sanar a crise pol\u00edtica. N\u00e3o adianta nada trocar pessoas. Se as regras do jogo n\u00e3o mudarem, sai um Eduardo Cunha e entra outro. \u00c9 o sistema pol\u00edtico como um todo que precisa ser livre do controle absoluto do capital\u201d.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, concedida por e-mail para a IHU On-Line, o economista tamb\u00e9m comenta a atual situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds e pondera que, depois da contra\u00e7\u00e3o de quase 4% em 2016 e da estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica atual, \u201cn\u00e3o h\u00e1 nada que permita imaginar que 2018 possa ser muito diferente. Depois que Temer assumiu o governo, a taxa de desemprego aumentou para 14% e mais de 1,6 milh\u00e3o engrossaram o ex\u00e9rcito de desempregados. O Brasil tem 14,2 milh\u00f5es de desempregados, um contingente populacional equivalente \u00e0 for\u00e7a de trabalho conjunta da Argentina e do Uruguai\u201d.<\/p>\n<p>Pl\u00ednio de Arruda Sampaio Jr \u00e9 professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas &#8211; IE\/Unicamp. Possui mestrado em Economia e doutorado em Economia Aplicada pela mesma institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 autor de Capitalismo em crise: a natureza e din\u00e2mica da crise econ\u00f4mica mundial (S\u00e3o Paulo: Editora Sundermann, 2009) e Entre a na\u00e7\u00e3o e a barb\u00e1rie: os dilemas do capitalismo dependente (Petr\u00f3polis: Vozes, 1990).<\/p>\n<p>Confira a entrevista.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 <\/strong>Como o senhor analisa a atual conjuntura pol\u00edtica, com o rev\u00e9s da cassa\u00e7\u00e3o da chapa Dilma-Temer? Quais devem ser os impactos pol\u00edticos e econ\u00f4micos desta decis\u00e3o?<\/p>\n<p>Temer j\u00e1 caiu, mas pode demorar para chegar ao ch\u00e3o<\/p>\n<p><strong>Pl\u00ednio de Arruda Sampaio Jr &#8211; <\/strong>Temer j\u00e1 caiu, mas pode demorar para chegar ao ch\u00e3o. Depois da Greve Geral do 28 de abril e da dela\u00e7\u00e3o de Joesley, sua autoridade pol\u00edtica ruiu. Ele pode at\u00e9 encontrar for\u00e7a parlamentar para n\u00e3o ser deposto, mas dificilmente governar\u00e1 da maneira desp\u00f3tica como vinha fazendo. O presidente \u00e9 um morto-vivo. Passar\u00e1 todos os dias restantes de sua presid\u00eancia lutando desesperadamente para permanecer no cargo. Sabe que se for apeado do poder, ser\u00e1 preso. A debilidade de Temer n\u00e3o diminui em nada o car\u00e1ter altamente nefasto de seu governo. Para que a plutocracia n\u00e3o aproveite sua extrema vulnerabilidade para aprofundar as medidas regressivas do ajuste neocolonial, \u00e9 fundamental que o povo esteja alerta e mobilizado. Se os trabalhadores sa\u00edrem das ruas, a ofensiva reacion\u00e1ria n\u00e3o ser\u00e1 derrotada.<\/p>\n<p>O que se viu no julgamento do TSE foi um conluio entre PSDB, PMDB e PT para manter Temer na presid\u00eancia. O PSDB que impetrou o pedido de anula\u00e7\u00e3o da Chapa Dilma-Temer, j\u00e1 n\u00e3o tinha o menor interesse na sua deposi\u00e7\u00e3o e mobilizava sua artilharia nas altas esferas do judici\u00e1rio para salvar a pele do presidente. O advogado do PT, ignorando a consigna &#8220;Fora Temer&#8221;, desdobrava-se pelo &#8220;Fica Temer&#8221;. As for\u00e7as pol\u00edticas que se alinham em torno do objetivo de &#8220;estancar a sangria&#8221; s\u00e3o poderosas, congregam todos os espectros dos partidos da ordem, possuem amplas ramifica\u00e7\u00f5es no Judici\u00e1rio, e resistem com desfa\u00e7atez e tenacidade \u00e0 cruzada moralizadora que amea\u00e7a suas posi\u00e7\u00f5es no interior do aparelho de Estado. Quando os interesses comuns na preserva\u00e7\u00e3o do status quo ficam amea\u00e7ados, a guerra de foice entre petistas, peemedebistas e tucanos pelo controle do aparelho de Estado \u00e9 suspensa. No momento de viabilizar a anistia da corrup\u00e7\u00e3o, impulsionar o ajuste neoliberal e evitar instabilidades pol\u00edticas que possam acirrar a luta de classes, os partidos da ordem atuam como irm\u00e3os siameses.<\/p>\n<p>Ignorando as provas cabais de financiamento il\u00edcito da Chapa Dilma-Temer, a decis\u00e3o do TSE aprofundou a crise pol\u00edtica e aumentou a descren\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es. A exposi\u00e7\u00e3o detalhada das rela\u00e7\u00f5es prom\u00edscuas entre empres\u00e1rios e pol\u00edticos refor\u00e7ou o sentimento de que &#8220;todos os pol\u00edticos s\u00e3o corruptos&#8221;. A incoer\u00eancia e a falta de compostura do PT e do PSDB no epis\u00f3dio agravaram a desmoraliza\u00e7\u00e3o dos partidos pol\u00edticos. A racionaliza\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o como um &#8220;mal necess\u00e1rio&#8221; da vida pol\u00edtica, em rede nacional de televis\u00e3o, reafirmou a convic\u00e7\u00e3o de que a justi\u00e7a brasileira \u00e9 completamente arbitr\u00e1ria. Obedecendo ao ditame de que &#8220;para os amigos tudo, para os inimigos, a lei&#8221;, Gilmar Mendes enterrou o TSE. A met\u00e1stase da crise pol\u00edtica chegou definitivamente ao Judici\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 <\/strong>No Congresso, o senhor v\u00ea alguma possibilidade de que os pedidos de impeachment contra Temer prosperem?<\/p>\n<p><strong>Pl\u00ednio de Arruda Sampaio Jr &#8211; <\/strong>O Congresso Nacional \u00e9 o sustent\u00e1culo da <em>Rep\u00fablica dos Delinquentes<\/em>. Todos os partidos da ordem, inclusive o partido da presidente deposta, trabalham com afinco para &#8220;estancar a sangria&#8221;. Os parlamentares s\u00f3 se colocar\u00e3o contra Temer se forem acuados por uma rebeli\u00e3o popular. Enquanto n\u00e3o se sentirem amea\u00e7ados, defender\u00e3o com unhas e dentes seu chefe no Planalto e resistir\u00e3o desavergonhadamente \u00e0 ofensiva da opera\u00e7\u00e3o &#8220;Fora Todos&#8221; liderada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e pela Rede Globo.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 <\/strong>O mercado financeiro deu um voto de \u201cconfian\u00e7a\u201d a Temer mesmo diante de todos os esc\u00e2ndalos pol\u00edticos. O atual presidente continua sendo a op\u00e7\u00e3o do mercado porque ainda \u00e9 a t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o para garantir as reformas?<\/p>\n<p>O congresso nacional \u00e9 o sustent\u00e1culo da Rep\u00fablica dos Delinquentes<\/p>\n<p><strong>Pl\u00ednio de Arruda Sampaio Jr &#8211; <\/strong>O mercado financeiro pisa em ovos. \u00c9 imposs\u00edvel montar as gigantescas redes de corrup\u00e7\u00e3o desvendadas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico sem a participa\u00e7\u00e3o ativa de bancos. A rela\u00e7\u00e3o da alta finan\u00e7a com Temer e Meirelles \u00e9 \u00edntima e delicada. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que o agravamento da crise pol\u00edtica e o progressivo enfraquecimento de Temer comprometem sua capacidade de comandar a guerra aberta contra os trabalhadores &#8211; a ess\u00eancia do ajuste neoliberal. No entanto, o &#8220;mercado&#8221;, termo utilizado para camuflar os imperativos do grande capital, n\u00e3o tem muita alternativa. Enquanto n\u00e3o encontrar algu\u00e9m capaz de continuar o trabalho sujo (iniciado, diga-se de passagem, por Dilma), a plutocracia ficar\u00e1 encalacrada com Temer.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 <\/strong>Como avalia as tentativas do governo em tentar retomar o crescimento econ\u00f4mico? Elas t\u00eam se mostrado uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social insuficiente?<\/p>\n<p><strong>Pl\u00ednio de Arruda Sampaio Jr &#8211; <\/strong>Ap\u00f3s d\u00e9cadas de especializa\u00e7\u00e3o regressiva na divis\u00e3o internacional do trabalho, o crescimento da economia brasileira depende basicamente da recupera\u00e7\u00e3o das vendas externas. Como o com\u00e9rcio internacional continua patinando, n\u00e3o h\u00e1 como esperar uma retomada do crescimento. Factoides de que o pior j\u00e1 passou n\u00e3o atuam sobre a realidade. Num ambiente de grande incerteza, a redu\u00e7\u00e3o das taxas de juros n\u00e3o \u00e9 suficiente para incentivar o aumento da demanda agregada. Se a massa salarial diminui, a falta de confian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao futuro paralisa as decis\u00f5es de investimentos e a pol\u00edtica de austeridade fiscal contrai os gastos p\u00fablicos, n\u00e3o h\u00e1 como esperar uma recupera\u00e7\u00e3o do crescimento.<\/p>\n<p>Os efeitos do ajuste ortodoxo sobre o crescimento s\u00e3o incertos e demorados. No curto prazo, as medidas que comp\u00f5em o receitu\u00e1rio neoliberal buscam apenas atenuar o impacto da crise sobre as empresas, recompondo a rentabilidade do capital pela diminui\u00e7\u00e3o dos gastos com sal\u00e1rio e tributos; abrindo oportunidades de neg\u00f3cios para o capital excedente pela privatiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos, isto \u00e9, transferindo patrim\u00f4nio p\u00fablico para as empresas; e permitindo que a riqueza privada tenha possibilidade de se valorizar ficticiamente na d\u00edvida p\u00fablica, pela garantia de sua sustentabilidade intertemporal, ou seja, pela sacraliza\u00e7\u00e3o do ajuste fiscal permanente. Os efeitos de longo prazo do ajuste ortodoxo sobre o crescimento dependem de um conjunto de fatores altamente indeterminados que condicionar\u00e3o a posi\u00e7\u00e3o da economia brasileira na nova divis\u00e3o internacional do trabalho. Entre o curto e o longo prazo, o pa\u00eds fica no limbo, \u00e0 espera de dias melhores, amargando uma longa estagna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; <\/strong>Tem sido poss\u00edvel garantir a manuten\u00e7\u00e3o da empregabilidade e mesmo a abertura de novos postos de trabalho no contexto? Como avalia a situa\u00e7\u00e3o da empregabilidade no pa\u00eds no atual momento?<\/p>\n<p><strong>Pl\u00ednio de Arruda Sampaio Jr &#8211; <\/strong>Para quem vive do pr\u00f3prio trabalho e depende de pol\u00edticas p\u00fablicas, o ajuste neoliberal \u00e9 um inferno. \u00c9, portanto, fundamental iludir a opini\u00e3o p\u00fablica de que o pior j\u00e1 passou ou est\u00e1 prestes a passar. H\u00e1 dez anos o Fundo Monet\u00e1rio Internacional &#8211; FMI repete que a crise mundial terminar\u00e1 no pr\u00f3ximo semestre. Da\u00ed a import\u00e2ncia do controle absoluto sobre os meios de comunica\u00e7\u00e3o. Se os trabalhadores tivessem acesso a uma vis\u00e3o cr\u00edtica da realidade, jamais aceitariam as mentiras que s\u00e3o ditas para justificar uma pol\u00edtica econ\u00f4mica completamente comprometida com os neg\u00f3cios do grande capital.<\/p>\n<p>Se os trabalhadores tivessem acesso a uma vis\u00e3o cr\u00edtica da realidade, jamais aceitariam as mentiras que s\u00e3o ditas para justificar uma pol\u00edtica econ\u00f4mica completamente comprometida com os neg\u00f3cios do grande capital<\/p>\n<p>Quem acreditou na est\u00f3ria que a chegada de Temer resolveria a crise, caiu do cavalo. Depois de sofrer uma contra\u00e7\u00e3o de quase 4% em 2016, a economia brasileira encontra-se estagnada. Em 2017, o desempenho do PIB deve ficar entre -0,5 e 0,5%. N\u00e3o h\u00e1 nada que permita imaginar que 2018 possa ser muito diferente. A situa\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho \u00e9 dram\u00e1tica. Depois que Temer assumiu o governo, a taxa de desemprego aumentou para 14% e mais de 1,6 milh\u00e3o engrossaram o ex\u00e9rcito de desempregados.<\/p>\n<p>O Brasil tem 14,2 milh\u00f5es de desempregados, um contingente populacional equivalente \u00e0 for\u00e7a de trabalho conjunta da Argentina e do Uruguai. Para al\u00e9m das flutua\u00e7\u00f5es espor\u00e1dicas, n\u00e3o h\u00e1 nada que indique uma revers\u00e3o do quadro de profunda prostra\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho. O emprego reage \u00e0s flutua\u00e7\u00f5es do n\u00edvel de atividade com defasagem. Logo, mesmo que o crescimento volte com alguma intensidade no futuro, demorar\u00e1 muito tempo para que a economia brasileira consiga absorver as pessoas que foram jogadas no desemprego. Na crise de 1980, a absor\u00e7\u00e3o dos desempregados demorou praticamente uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 <\/strong>Como o senhor analisa o atual Congresso Nacional, que est\u00e1 imerso em esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o, com 167 deputados e 28 senadores financiados pela JBS? Qual a legitimidade desse Congresso para aprovar as reformas trabalhistas ou quaisquer outras pautas, at\u00e9 mesmo a cassa\u00e7\u00e3o de pares?<\/p>\n<p><strong>Pl\u00ednio de Arruda Sampaio Jr &#8211; <\/strong>As investiga\u00e7\u00f5es judiciais comprovaram o que todos sabiam. A corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 um elemento estrutural do padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o do capitalismo brasileiro. As dela\u00e7\u00f5es dos altos executivos do capital s\u00e3o did\u00e1ticas. O capital \u00e9 o elo dominante da rela\u00e7\u00e3o criminosa. Os partidos s\u00e3o comprados pelos empres\u00e1rios. Os pol\u00edticos funcionam com despachantes de interesses privados nos aparelhos de Estado. Sem a rela\u00e7\u00e3o prom\u00edscua do capital com o Estado, a burguesia brasileira n\u00e3o duraria um dia.<\/p>\n<p>N\u00e3o deve causar estranheza que o verdadeiro objetivo da opera\u00e7\u00e3o &#8220;pega ladr\u00e3o&#8221; em curso, por mais paradoxal que possa parecer, n\u00e3o seja erradicar a corrup\u00e7\u00e3o. Os paladinos da moraliza\u00e7\u00e3o &#8211; Janot, Moro, Teori Zavascki e Fachin &#8211; n\u00e3o v\u00e3o \u00e0 raiz do problema. As investiga\u00e7\u00f5es s\u00e3o seletivas. O sistema financeiro \u00e9 blindado de qualquer investiga\u00e7\u00e3o e, no entanto, \u00e9 imposs\u00edvel a lavagem de dinheiro sem a cumplicidade expl\u00edcita dos bancos. O capital estrangeiro \u00e9 poupado de qualquer investiga\u00e7\u00e3o. A ramifica\u00e7\u00e3o da rede criminosa no sistema judici\u00e1rio e na grande m\u00eddia \u00e9 negligenciada.<\/p>\n<p>Pol\u00edticos corruptos e empres\u00e1rios corruptores recebem tratamento diferenciado. Os primeiros s\u00e3o presos e achincalhados. Os segundos &#8211; as grandes empresas que se beneficiam do assalto ao Estado &#8211; safam-se da cruzada moralizante, \u00e0s vezes um pouco chamuscados, mas sem maiores reveses. Com a ben\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico e do Supremo Tribunal Federal, os acordos de dela\u00e7\u00e3o livram os burgueses; e os acordos de leni\u00eancia isentam o capital. No final, sob a apar\u00eancia de uma faxina geral, permanece tudo como dantes. A engrenagem do roubo n\u00e3o \u00e9 abalada. As rela\u00e7\u00f5es prom\u00edscuas entre o grande capital e o Estado permanecem inc\u00f3lumes. A opera\u00e7\u00e3o &#8220;Fora Todos&#8221; apenas prepara o caminho para uma &#8220;moderniza\u00e7\u00e3o&#8221; dos esquemas de intermedia\u00e7\u00e3o esp\u00faria dos interesses do capital nos aparelhos de Estado, adaptando-os \u00e0s novas exig\u00eancias do padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O verdadeiro objetivo da opera\u00e7\u00e3o Fora Todos \u00e9 colocar o poder pol\u00edtico na defensiva a fim de abrir espa\u00e7o para o avan\u00e7o acelerado da ofensiva do capital. Desmoralizada, &#8220;a pol\u00edtica&#8221; n\u00e3o tem como conter a ofensiva do capital contra o trabalho e assume integralmente uma agenda de desmonte da Na\u00e7\u00e3o que jamais seria aprovada pelas urnas. Nesse contexto, a autoridade do parlamento para modificar a Constitui\u00e7\u00e3o \u00e9 nula. As Emendas Constitucionais aprovadas nos \u00faltimos anos, muitas delas, em manobras parlamentares esp\u00farias, na calada da noite, n\u00e3o passaram pelo crivo da vontade popular e devem ser todas revogadas com a m\u00e1xima urg\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; <\/strong>Qual sua leitura da esquerda na atual conjuntura pol\u00edtica? Ela tem conseguido oferecer algum tipo de resposta ou sa\u00edda da crise \u00e0 esquerda? Ainda nesse sentido, que futuro vislumbra para a esquerda brasileira?<\/p>\n<p><strong>Pl\u00ednio de Arruda Sampaio Jr &#8211; <\/strong>A tarefa da esquerda socialista \u00e9 enfrentar a barb\u00e1rie capitalista. Para tanto, precisa colocar na ordem do dia a necessidade de transforma\u00e7\u00f5es que ataquem as causas estruturais dos problemas respons\u00e1veis pelas mazelas do povo. Elas s\u00e3o conhecidas: a perpetua\u00e7\u00e3o da segrega\u00e7\u00e3o social, a continuidade de depend\u00eancia externa e as taras do capital. A tarefa da esquerda \u00e9 fazer a revolu\u00e7\u00e3o brasileira. O primeiro passo \u00e9 afirmar a necessidade hist\u00f3rica de uma ruptura radical com a ordem global. Sem o fim da Lei de Responsabilidade Fiscal, \u00e9 imposs\u00edvel imaginar pol\u00edticas p\u00fablicas. Sem centralizar o c\u00e2mbio, \u00e9 imposs\u00edvel defender a economia brasileira dos ataques desestabilizadores do capital internacional. Sem subordinar a gest\u00e3o da moeda a uma pol\u00edtica de recupera\u00e7\u00e3o da economia nacional, \u00e9 imposs\u00edvel combater o rentismo.<\/p>\n<p>Sem ousadia e radicalidade, a esquerda esteriliza-se e corre o risco de se transformar em linha auxiliar da esquerda da ordem. A mis\u00e9ria do poss\u00edvel \u00e9 uma armadilha que circunscreve as alternativas da sociedade \u00e0 possibilidade de graduar o ritmo e a intensidade da marcha para a barb\u00e1rie. Se n\u00e3o houver uma luz no fim do t\u00fanel que aponte uma sa\u00edda civilizada para o grande impasse hist\u00f3rico que amea\u00e7a a sociedade brasileira, abre-se a brecha para que qualquer aventureiro acenda um f\u00f3sforo e se apresente como salvador da p\u00e1tria. A esquerda socialista tem uma grande responsabilidade hist\u00f3rica. \u00c9 a invisibilidade de uma sa\u00edda civilizada que alimenta o crescimento da barb\u00e1rie. \u00c9 a esterilidade da esquerda que alimenta o crescimento da ultradireita.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 <\/strong>Como o senhor v\u00ea a possibilidade de realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es diretas? At\u00e9 que ponto isso seria poss\u00edvel?<\/p>\n<p>Os paladinos da moraliza\u00e7\u00e3o &#8211; Janot, Moro, Teori Zavascki e Fachin &#8211; n\u00e3o v\u00e3o \u00e0 raiz do problema<\/p>\n<p><strong>Pl\u00ednio de Arruda Sampaio Jr &#8211; <\/strong>A elei\u00e7\u00e3o direta \u00e9 um pleito leg\u00edtimo. Sem o crivo do voto, o poder \u00e9 ditatorial. A imposi\u00e7\u00e3o de uma agenda de contrarreformas esp\u00farias que vai na contram\u00e3o da vontade da cidadania caracteriza uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia inaceit\u00e1vel que convoca a popula\u00e7\u00e3o \u00e0 desobedi\u00eancia civil. Elei\u00e7\u00f5es diretas \u00e9, portanto, uma necessidade real. Contudo, ela n\u00e3o pode ficar restrita \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de presidente, pois \u00e9 todo o Congresso que est\u00e1 apodrecido.<\/p>\n<p>Contudo, a convoca\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es gerais tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 suficiente para sanar a crise pol\u00edtica. N\u00e3o adianta nada trocar pessoas. Se as regras do jogo n\u00e3o mudarem, sai um Eduardo Cunha e entra outro. \u00c9 o sistema pol\u00edtico como um todo que precisa ser livre do controle absoluto do capital. \u00c9 isso que as dela\u00e7\u00f5es deixam cristalino (mas que o Judici\u00e1rio n\u00e3o tira as consequ\u00eancias). Portanto, a solu\u00e7\u00e3o da crise pol\u00edtica passa por uma refunda\u00e7\u00e3o do sistema pol\u00edtico. Para n\u00e3o ser um aberto embuste, a democracia pressup\u00f5e: plena liberdade de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, proibi\u00e7\u00e3o de financiamento empresarial aos partidos, r\u00edgidos tetos de gastos nas campanhas eleitorais, revoga\u00e7\u00e3o de mandatos eletivos que violarem os compromissos com os eleitores, ampla democratiza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o a fim de libertar o debate p\u00fablico da ditadura do grande capital, o que implica a imediata revoga\u00e7\u00e3o da concess\u00e3o da Rede Globo, SBT etc. Evidentemente, uma mudan\u00e7a dessa envergadura n\u00e3o seria poss\u00edvel sem uma ruptura profunda com o status quo, o que s\u00f3 seria poss\u00edvel no contexto de uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 <\/strong>Por ocasi\u00e3o das investiga\u00e7\u00f5es da Lava Jato e depois durante o processo de retirada de Dilma Rousseff do Planalto, muito se falou que esses fatos indicavam um \u201cfortalecimento das institui\u00e7\u00f5es\u201d nacionais. Todavia, a cada dia que passa, a frase de Juc\u00e1 \u201c\u00c9 preciso um grande acordo, com o Supremo, com tudo\u201d tem parecido mais tr\u00e1gica e verdadeira. Nesse contexto, para onde est\u00e3o indo nossas institui\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p><strong>Pl\u00ednio de Arruda Sampaio Jr &#8211; <\/strong>A Nova Rep\u00fablica est\u00e1 ruindo. A radiografia da corrup\u00e7\u00e3o pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico e sua espetaculariza\u00e7\u00e3o pelos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o trucidaram o sistema pol\u00edtico brasileiro e todas as suas institui\u00e7\u00f5es. A decis\u00e3o do TSE de inocentar a chapa Dilma-Temer foi um esc\u00e1rnio. O Judici\u00e1rio foi irremediavelmente contaminado pela crise pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A crise que abala a Rep\u00fablica expressa a exaust\u00e3o da democracia de coopta\u00e7\u00e3o cristalizada no pacto pol\u00edtico que institucionalizou a democracia restrita implantada em 1964. Assim como a crise de 1929 destruiu a Rep\u00fablica Velha, a crise de 2015 est\u00e1 destruindo a Nova Rep\u00fablica. O fim do reinado do caf\u00e9 acabou com a supremacia da oligarquia cafeeira. A crise terminal do processo de industrializa\u00e7\u00e3o por substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es exige um novo padr\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, a causa da crise pol\u00edtica reside na absoluta incompatibilidade entre as promessas de um capitalismo com um patamar m\u00ednimo de civilidade expressas na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 e a dura realidade de uma sociedade em revers\u00e3o neocolonial.<\/p>\n<p>A resposta reacion\u00e1ria \u00e0 crise econ\u00f4mica aprofunda e acelera o movimento de rebaixamento do patamar m\u00ednimo de civilidade conquistado a duras penas no \u00faltimo s\u00e9culo. Assim como a pol\u00edtica social n\u00e3o cabe no regime de austeridade imposto pelas grandes finan\u00e7as e os direitos trabalhistas n\u00e3o cabem nos c\u00e1lculos de rentabilidade dos empres\u00e1rios, o padr\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o baseado na democracia de coopta\u00e7\u00e3o n\u00e3o cabe nos planos de ajuste ortodoxo e no padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o baseado na produ\u00e7\u00e3o de commodities para o mercado internacional.<\/p>\n<p>A crise da Nova Rep\u00fablica comporta duas solu\u00e7\u00f5es. A resposta do capital requer o estreitamento ainda maior da j\u00e1 bem rebaixada democracia brasileira, o que pressup\u00f5e a liquida\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. \u00c9 o vetor que est\u00e1 prevalecendo. \u00c9 uma solu\u00e7\u00e3o para a crise de poder que aponta para um perigoso recrudescimento do autoritarismo e da viol\u00eancia pol\u00edtica. A alternativa, a resposta do trabalho, passa pelo caminho inverso, uma amplia\u00e7\u00e3o radical do espa\u00e7o democr\u00e1tico, o que sup\u00f5e a busca de uma solu\u00e7\u00e3o para a crise econ\u00f4mica que n\u00e3o leve ao aprofundamento da inser\u00e7\u00e3o subalterna na ordem global.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 <\/strong>Tanto o Brasil quanto a Am\u00e9rica Latina t\u00eam pautado grande parte de suas pol\u00edticas p\u00fablicas a partir de um paradigma desenvolvimentista ou neodesenvolvimentista. Esse modelo n\u00e3o chegou aos seus limites? Que alternativas emergem e podem resgatar a cidadania das popula\u00e7\u00f5es mais vulnerabilizadas?<\/p>\n<p>\u00c9 a hora e a vez de colocar a revolu\u00e7\u00e3o brasileira na ordem do dia<\/p>\n<p><strong>Pl\u00ednio de Arruda Sampaio Jr &#8211; <\/strong>Existe muita confus\u00e3o sobre o que significa desenvolvimento. Entendido como a luta dos povos que vivem na periferia do capitalismo para submeter a acumula\u00e7\u00e3o de capital aos des\u00edgnios da sociedade nacional, estabelecendo um patamar m\u00ednimo de civilidade para a vida social &#8211; o entendimento de nossos grandes int\u00e9rpretes, Caio Prado Jr, Florestan Fernandes, Celso Furtado -, o desenvolvimentismo terminou no Brasil em 1964, quando a burguesia derrotou as reformas de base e consolidou o capitalismo como um capitalismo dependente. A partir da\u00ed, a economia brasileira tornou-se territ\u00f3rio livre para tenebrosas transa\u00e7\u00f5es. De l\u00e1 para c\u00e1, o Brasil teve per\u00edodos &#8211; breves &#8211; de alto crescimento, como o chamado &#8220;milagre econ\u00f4mico&#8221;; alguns momentos de crescimento razo\u00e1vel, como o ef\u00eamero &#8220;neodesenvolvimentismo&#8221; de Lula; prolongadas fases de estagna\u00e7\u00e3o, como os oito anos de FHC; e momentos de recess\u00e3o aguda, como a d\u00e9cada de 1980, e a que se vislumbra agora, com a crise instalada em 2015. At\u00e9 a crise da d\u00edvida externa e os planos de ajuste liberais, os neg\u00f3cios do capital vieram acompanhados de avan\u00e7o na industrializa\u00e7\u00e3o por substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es. Depois do ajuste ortodoxo comandado pelo FMI e da inser\u00e7\u00e3o na ordem global, a acumula\u00e7\u00e3o de capital veio acompanhada de um processo irrevers\u00edvel de desindustrializa\u00e7\u00e3o que comprometeu irremediavelmente as bases materiais da economia nacional. Enfim, pelo menos desde 1964, a utopia do desenvolvimento nacional n\u00e3o est\u00e1 mais inscrita no campo de possibilidades da sociedade brasileira.<\/p>\n<p>O chamado neodesenvolvimentismo \u00e9, portanto, uma grande farsa. A integra\u00e7\u00e3o da economia mundial impulsionada pela globaliza\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios solapou as bases objetivas e subjetivas de um desenvolvimento capitalista nacional. A modesta prosperidade material dos anos Lula foi condicionada por um ciclo de crescimento puxado pelo boom do com\u00e9rcio internacional. Quando o boom acabou, a economia despencou e o car\u00e1ter subdesenvolvido e dependente da economia brasileira veio rapidamente \u00e0 tona.<\/p>\n<p>Nos marcos da ordem global, o capitalismo de nosso tempo, \u00e9 simplesmente imposs\u00edvel resgatar um processo civilizador. Dentro da ordem burguesa, n\u00e3o h\u00e1 luz no fim do t\u00fanel. A crise estrutural do capital coloca no horizonte o recrudescimento da barb\u00e1rie capitalista. No Brasil, a barb\u00e1rie tem a cara de um processo de revers\u00e3o neocolonial que est\u00e1 nos levando ao s\u00e9culo XIX. Qualquer solu\u00e7\u00e3o civilizada para os problemas que infernizam a vida dos brasileiros passa por profundas mudan\u00e7as estruturais. \u00c9 a hora e a vez de colocar a revolu\u00e7\u00e3o brasileira na ordem do dia. Essa \u00e9 a conversa s\u00e9ria capaz de abrir novos horizontes para a sociedade brasileira.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 <\/strong>Deseja acrescentar algo?<\/p>\n<p><strong>Pl\u00ednio de Arruda Sampaio Jr &#8211; <\/strong>Agrade\u00e7o a rara oportunidade de apresentar uma vis\u00e3o da realidade que contraria o senso comum e que se contrap\u00f5e aos interesses mercantis que controlam ditatorialmente o debate p\u00fablico.<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/?catid=159&#038;id=568941:a-relacao-promiscua-entre-capital-e-estado-e-a-metastase-da-crise-politica-no-judiciario-entrevista-especial-com-plinio-de-arruda-sampaio-jr<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Entrevista especial com Pl\u00ednio de Arruda Sampaio Jr Por Patricia Fachin e Ricardo Machado\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14880\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-14880","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3S0","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14880","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14880"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14880\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}