{"id":14940,"date":"2017-07-01T12:30:18","date_gmt":"2017-07-01T15:30:18","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=14940"},"modified":"2017-07-27T15:12:22","modified_gmt":"2017-07-27T18:12:22","slug":"a-venezuela-na-hora-do-desempate-novo-rumo-ao-socialismo-ou-recolonizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14940","title":{"rendered":"A Venezuela na hora do desempate: novo rumo ao socialismo ou recoloniza\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/178.62.201.127\/sites\/default\/files\/styles\/square_medium\/public\/news\/venezuela.png?w=747\" alt=\"imagem\" \/><strong>O PODER POPULAR N\u00ba 23<\/strong><\/p>\n<p>O empate na luta de classes radicalizada que se trava na Venezuela desde a chegada de Hugo Ch\u00e1vez ao <!--more-->governo, em 1999, atingiu o ponto de n\u00e3o retorno. Estamos \u00e0s v\u00e9speras de uma ruptura, seja pela desobstru\u00e7\u00e3o do caminho das mudan\u00e7as ou pela sua derrocada.<\/p>\n<p>Chegou aquele dram\u00e1tico momento de defini\u00e7\u00e3o, quando s\u00e3o reduzidas as possibilidades de um pacto de elites ou de uma tr\u00e9gua, pois as contradi\u00e7\u00f5es j\u00e1 s\u00e3o praticamente inconcili\u00e1veis. Acabou de concluir-se a Assembleia Geral da OEA, onde o imperialismo, respaldado pelos governos de direita do continente e mesmo de alguns tidos como progressistas (Chile e Uruguai) tentou e n\u00e3o conseguiu impor san\u00e7\u00f5es contra o governo venezuelano.<\/p>\n<p>Apesar de in\u00fameros limites e dificuldades &#8211; alguns impostos pelas vacila\u00e7\u00f5es e trai\u00e7\u00f5es de setores governistas e outros pela campanha sistem\u00e1tica de boicote e desestabiliza\u00e7\u00e3o movida pelos setores hegem\u00f4nicos da burguesia venezuelana e pelo imperialismo norte-americano &#8211;\u00a0 a chamada revolu\u00e7\u00e3o bolivariana, sem sombra de d\u00favidas, foi o processo de mudan\u00e7as mais radical da \u201conda progressista\u201d na Am\u00e9rica Latina e, portanto, at\u00e9 hoje o mais respaldado pela grande maioria dos setores populares e inclusive do ponto de vista militar.<\/p>\n<p>Nenhum outro governo dito progressista em nossa regi\u00e3o resistiria a uma pequena parte das agress\u00f5es de que tem sido v\u00edtima o processo bolivariano, com exce\u00e7\u00e3o, em alguma medida, do caso do governo da Bol\u00edvia, exatamente porque tamb\u00e9m surgiu a partir de intensas lutas de massas e n\u00e3o apenas de resultado eleitoral.<\/p>\n<p>Nos demais pa\u00edses em que se anunciaram mudan\u00e7as estas n\u00e3o passaram de discurso eleitoral ou de tentativas de melhorar a condi\u00e7\u00e3o de vida e renda do trabalho sem tocar nos interesses do capital ou at\u00e9 privilegiando este, como ocorreu no Brasil nos governos petistas. Tanto \u00e9 assim que a presidente Dilma foi derrubada por um golpe midi\u00e1tico-parlamentar, alegadamente constitucional, sem qualquer resist\u00eancia dos trabalhadores.<\/p>\n<p>J\u00e1 na Venezuela, os setores populares t\u00eam muito a perder no caso de derrota do processo bolivariano que, gra\u00e7as principalmente \u00e0 estatiza\u00e7\u00e3o da PDVSA, promoveu de fato uma distribui\u00e7\u00e3o de renda e assegurou direitos sociais reais nas \u00e1reas da sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, habita\u00e7\u00e3o, mesmo n\u00e3o tendo vencido o maior desafio, ou seja, a diversifica\u00e7\u00e3o da economia para fugir da depend\u00eancia da exporta\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo e promover a substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es. Houve tamb\u00e9m importantes conquistas pol\u00edticas, com o avan\u00e7o da organiza\u00e7\u00e3o do proletariado e de sua consci\u00eancia de classe.<\/p>\n<p>Em toda a Am\u00e9rica Latina, com repercuss\u00e3o mundial, uma eventual derrota do governo Maduro ser\u00e1 a principal vit\u00f3ria do imperialismo norte-americano neste s\u00e9culo em que experimenta impasses e derrotas em sua sanha de agress\u00e3o aos povos e de saque das suas riquezas naturais, como s\u00e3o exemplos mais not\u00f3rios o Afeganist\u00e3o, o Iraque e a S\u00edria.<br \/>\nA Venezuela bolivariana foi a parteira e tem sido o principal suporte de todas as tentativas heterog\u00eaneas de mudan\u00e7as em nosso continente. Sem ela, a f\u00faria do imperialismo se voltaria imediatamente contra a Bol\u00edvia de Evo Morales e Cuba perderia o seu mais fiel aliado. A Venezuela \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds cujo governo promove uma rela\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria e de parceria com a Ilha Socialista.<\/p>\n<p>Para o imperialismo, a escolha da Venezuela como alvo principal na regi\u00e3o, n\u00e3o tem como \u00fanicos fatores a derrubada de um governo hostil e o saque de uma das maiores reservas de petr\u00f3leo do planeta, localizadas a uma dist\u00e2ncia infinitamente menor que as do Oriente M\u00e9dio. O territ\u00f3rio venezuelano permitiria aos EUA um posicionamento decisivo para a ocupa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia e tem um valor estrat\u00e9gico importante na ofensiva de recoloniza\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina, por sua extensa fronteira com a Col\u00f4mbia, hoje j\u00e1 sua mais d\u00f3cil col\u00f4nia, com sete bases militares ianques, al\u00e9m das for\u00e7as armadas mais numerosas da regi\u00e3o, as \u00fanicas treinadas em combates reais.<\/p>\n<p>Basta ver o mapa e perceber o que pode significar para o imperialismo, em termos estrat\u00e9gicos, a Col\u00f4mbia e a Venezuela com governos de direita a seu servi\u00e7o, num enorme e rico espa\u00e7o geogr\u00e1fico que separa a Am\u00e9rica do Sul da Am\u00e9rica Central, do M\u00e9xico e do Caribe, localizado nas fronteiras da Amaz\u00f4nia e banhado por dois oceanos!<\/p>\n<p>E \u00e9 bom lembrar que a Col\u00f4mbia foi escolhida pelos EUA como uma esp\u00e9cie de Israel para a Am\u00e9rica Latina e at\u00e9 miss\u00f5es mais long\u00ednquas. O pa\u00eds firmou recentemente com a OTAN um \u201cAcordo de Coopera\u00e7\u00e3o em Informa\u00e7\u00e3o e Seguran\u00e7a\u201d e passou a vender servi\u00e7os militares terceirizados como \u00e9 o caso de 800 soldados colombianos desmobilizados e em seguida contratados pela Ar\u00e1bia Saudita para participar da guerra de agress\u00e3o que ora comete contra o I\u00e9men.<\/p>\n<p>\u00c9 assustador imaginar a implanta\u00e7\u00e3o na Venezuela de um governo de direita e pr\u00f3-imperialista, inteiramente identificado com o governo colombiano, que j\u00e1 \u00e9 parte ativa da tentativa de golpe violento no pa\u00eds vizinho, promovendo boicote \u00e0 economia venezuelana e infiltrando paramilitares que j\u00e1 v\u00eam atuando em algumas a\u00e7\u00f5es violentas da oposi\u00e7\u00e3o a Maduro. Esse quadro ficaria ainda mais perigoso para a Venezuela e toda a Am\u00e9rica Latina uma vez conclu\u00edda a entrega das armas por parte das FARC e possivelmente do ELN, insurg\u00eancias que h\u00e1 cinco d\u00e9cadas estiveram presentes em \u00e1reas na fronteira entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>A eventual queda do governo bolivariano significaria a recoloniza\u00e7\u00e3o de toda a Am\u00e9rica Latina, o fim de toda a heran\u00e7a de experi\u00eancias interestatais mais ou menos avan\u00e7adas, como a ALBA e at\u00e9 mesmo a Unasur e Celac. Ter\u00edamos a OEA fortalecida e a ALCA revivida.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m que se declare anti-imperialista pode vacilar neste momento crucial por que passa o povo venezuelano. A menos que n\u00e3o o seja!<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 desculpa que esconda essa farsa. Nem as de \u201cesquerda\u201d, alegando que a revolu\u00e7\u00e3o bolivariana n\u00e3o \u00e9 socialista, nem as de \u201cdireita\u201d, que reclamam a falta de democracia.<br \/>\nCompartilhamos algumas dessas cr\u00edticas, mesmo que por raz\u00f5es e perspectivas diferentes, mas n\u00e3o temos qualquer d\u00favida, qualquer vacila\u00e7\u00e3o: a solidariedade ao povo venezuelano e ao processo bolivariano \u00e9, no momento, a principal contribui\u00e7\u00e3o dos verdadeiros anti-imperialistas.<\/p>\n<p>No nosso caso, ainda temos outra raz\u00e3o para participar dessa solidariedade. Se as for\u00e7as populares vencerem essa quebra de bra\u00e7o o processo dever\u00e1 avan\u00e7ar no sentido do fortalecimento do poder popular e num poss\u00edvel caminho ao socialismo. O maior ind\u00edcio desta possibilidade \u00e9 o acerto da convoca\u00e7\u00e3o da Assembleia Constituinte, com um peso significativo de delegados eleitos pelas comunas, uma iniciativa ofensiva que alterou o paradigma e a pauta da batalha pol\u00edtica e mobiliza os trabalhadores e as for\u00e7as populares em geral na luta por ampliar e consolidar as conquistas pol\u00edticas, sociais e econ\u00f4micas do processo e avan\u00e7ar na qualidade e radicalidade das mudan\u00e7as.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O PODER POPULAR N\u00ba 23 O empate na luta de classes radicalizada que se trava na Venezuela desde a chegada de Hugo Ch\u00e1vez \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14940\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[140,45],"tags":[],"class_list":["post-14940","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c140-jornal-o-poder-popular","category-c54-venezuela"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3SY","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14940","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14940"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14940\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14940"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14940"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14940"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}