{"id":14987,"date":"2017-07-06T14:09:45","date_gmt":"2017-07-06T17:09:45","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=14987"},"modified":"2017-07-27T15:13:32","modified_gmt":"2017-07-27T18:13:32","slug":"violencia-no-campo-segue-mapa-de-expansao-do-agronegocio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14987","title":{"rendered":"Viol\u00eancia no campo segue mapa de expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm5.staticflickr.com\/4278\/35327203840_8cc0bedebb_z.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><strong>Para Ulisses Mana\u00e7as, o golpe que o pa\u00eds vive sob o comando de Michel Temer pa\u00eds fortalece latifundi\u00e1rios e grileiros<\/strong><\/p>\n<p>L\u00edlian Campelo<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A viol\u00eancia no campo brasileiro se intensificou nos \u00faltimos meses. Para Ulisses Mana\u00e7as, dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Par\u00e1, a explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 na expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio e na \u201cinstabilidade pol\u00edtica\u201d que o pa\u00eds vive ap\u00f3s o golpe da base aliada de Michel Temer (PMDB). Ele avalia que esse contexto fortaleceu grileiros e latifundi\u00e1rios, acirrando os conflitos fundi\u00e1rios.<\/p>\n<p>O Par\u00e1 \u00e9 o estado com maior n\u00famero de mortes em conflitos no campo, segundo a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT). No m\u00eas de maio foram registradas 18 mortes na regi\u00e3o. O n\u00famero inclui as dez mortes de trabalhadores rurais ocorridas em Pau D\u2019Arco.<\/p>\n<p>A chacina foi a maior dos \u00faltimos 20 anos, fica atr\u00e1s apenas de Massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s, quando 21 sem-terra foram assassinados em 1996. Nos dois casos, os acusados s\u00e3o policiais militar.<\/p>\n<p>Em entrevista ao <strong>Brasil de Fato<\/strong>, Mana\u00e7as fala sobre a atual conjuntura de viol\u00eancia no campo e argumenta que a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 terra \u00e9 a \u00fanica medida para solucionar o caos fundi\u00e1rio e a viol\u00eancia no campo.<\/p>\n<p><strong>Brasil de Fato: Qual a sua an\u00e1lise sobre essa escalada de viol\u00eancia dos \u00faltimos meses, n\u00e3o s\u00f3 no Par\u00e1, mas em outras partes do pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ulisses Mana\u00e7as:<\/strong> A an\u00e1lise que a gente tem feito \u00e9 que essa explos\u00e3o de viol\u00eancia nos \u00faltimos meses demonstra uma espacializa\u00e7\u00e3o de onde o poder do capital do agroneg\u00f3cio avan\u00e7a. Ele traz no seu lastro um conjunto de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos. Basta ver o caso dos Gamela [ind\u00edgenas] no interior do Maranh\u00e3o, onde mais de 20 ind\u00edgenas ficaram feridos. Era uma disputa territorial. Se voc\u00ea pegar o caso de Colniza, no Mato Grosso, tamb\u00e9m a disputa fundi\u00e1ria \u00e9 o elemento central. O caso do massacre de Pau D&#8217;Arco tamb\u00e9m demonstra uma disputa territorial e um conjunto de outras viola\u00e7\u00f5es que acontecem com os ind\u00edgenas e os camponeses no interior da Amaz\u00f4nia. Demonstram tamb\u00e9m o avan\u00e7o da fronteira agr\u00edcola promovido pelo grande capital, pelo agroneg\u00f3cio, patrocinado pelo Estado brasileiro. No nosso entendimento, essa \u00e9 a grande for\u00e7a que arrasta os conflitos no campo no Brasil.<\/p>\n<p>Outro elemento importante \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o de instabilidade pol\u00edtica que o Brasil vive com este governo golpista [de Michel Temer]. Ent\u00e3o esse governo corrupto, que n\u00e3o tem moral diante das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, deixa o pa\u00eds desgovernado. Essa situa\u00e7\u00e3o de instabilidade no campo da pol\u00edtica deu for\u00e7a para latifundi\u00e1rios, grileiros de terras e empresas multinacionais cometerem um conjunto de crimes e viola\u00e7\u00f5es por conta da aus\u00eancia de um poder efetivo do Estado no Brasil no atual cen\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Brasil de Fato: O Par\u00e1 \u00e9 apontado como o estado que lidera esse ranking de viol\u00eancia. Por que esse estado apresenta \u00edndices t\u00e3o alarmantes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ulisses Mana\u00e7as:<\/strong> S\u00e3o v\u00e1rios elementos, primeiro que quando a CPT [Comiss\u00e3o Pastoral da Terra] come\u00e7a a fazer a contabiliza\u00e7\u00e3o dos conflitos e dos casos de viol\u00eancia no campo \u00e9 na d\u00e9cada de 1980. Nesse per\u00edodo voc\u00ea teve a abertura democr\u00e1tica, mas, ao mesmo tempo, voc\u00ea vivia sob a Ditadura Militar, que patrocinou para as grandes multinacionais o acesso aos territ\u00f3rios da Amaz\u00f4nia brasileira.<\/p>\n<p>O Par\u00e1 \u00e9 campe\u00e3o porque \u00e9 o estado da Amaz\u00f4nia brasileira com vultosos recursos naturais em aberto: ouro, minerais, madeira, \u00e1gua em abund\u00e2ncia e tem o melhor acesso da regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. Se voc\u00ea pegar na d\u00e9cada de 1950 foi aberta a [rodovia] Bel\u00e9m &#8211; Bras\u00edlia, na d\u00e9cada de 1960 e 1970 a Transamaz\u00f4nica [BR230] e a Santar\u00e9m &#8211; Cuiab\u00e1 [BR-163], ent\u00e3o onde passaram as estradas na regi\u00e3o Amaz\u00f4nica dando acesso ao grande latif\u00fandio para chegar nos territ\u00f3rios e nos recursos naturais aumentou tamb\u00e9m o conjunto de conflitos e viola\u00e7\u00f5es no campo. O Par\u00e1, da Amaz\u00f4nia, \u00e9 o estado que tem o melhor acesso, portanto, \u00e9 a fronteira agr\u00edcola a ser explorada pelo grande capital. A Amaz\u00f4nia est\u00e1 nessa situa\u00e7\u00e3o de campe\u00e3o nacional de viol\u00eancia porque a fronteira agr\u00edcola do Brasil se arrasta para essa regi\u00e3o. Outros biomas do Brasil, como o cerrado, pampas, mata Atl\u00e2ntica, foram completamente destru\u00eddos pelo agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p><strong>Brasil de Fato: Que medidas o Estado deveria adotar para evitar esses conflitos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ulisses Mana\u00e7as:<\/strong> A reforma agr\u00e1ria \u00e9 a principal medida para solucionar os conflitos do campo. Tamb\u00e9m seria importante equipar o sistema de seguran\u00e7a p\u00fablica de forma que a intelig\u00eancia haja muito antes que a for\u00e7a. A criminaliza\u00e7\u00e3o das lutas e dos movimentos sociais promovidos pelo Estado, para n\u00f3s, \u00e9 uma demarca\u00e7\u00e3o clara de que o Estado tem partido e tem suas prefer\u00eancias nessa disputa. O Estado precisa ser imparcial e se colocar a servi\u00e7o daqueles que s\u00e3o os menos favorecidos.<\/p>\n<p>Outra medida necess\u00e1ria nessa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 voc\u00ea democratizar amplamente o acesso \u00e0 terra e \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas. As popula\u00e7\u00f5es da Amaz\u00f4nia e do Par\u00e1 sempre viveram, historicamente, \u00e0 margem de qualquer pol\u00edtica p\u00fablica, os ribeirinhos vivem aqui h\u00e1 centenas de anos e nunca tiveram a acesso \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas. \u00c9 preciso democratizar o acesso \u00e0 terra e tamb\u00e9m \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas para resolver o conflito que est\u00e1 na raiz dessa disputa territorial.<\/p>\n<p><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Ulisses Mana\u00e7as, dirigente nacional do MST no Par\u00e1, acompanha as investiga\u00e7\u00f5es da morte de dez sem-terra ocorridas em Pau D&#8217;Arco em maio. L\u00edlian Campelo. Brasil de Fato<\/em><\/p>\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o: Camila Maciel<\/em><\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/07\/04\/violencia-no-campo-segue-mapa-de-expansao-do-agronegocio-diz-dirigente-do-mst\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Para Ulisses Mana\u00e7as, o golpe que o pa\u00eds vive sob o comando de Michel Temer pa\u00eds fortalece latifundi\u00e1rios e grileiros L\u00edlian Campelo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14987\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[190,118],"tags":[],"class_list":["post-14987","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-fora-temer","category-c131-reforma-agraria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3TJ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14987","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14987"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14987\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14987"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}