{"id":15024,"date":"2017-07-10T20:39:21","date_gmt":"2017-07-10T23:39:21","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=15024"},"modified":"2017-07-27T15:14:28","modified_gmt":"2017-07-27T18:14:28","slug":"os-limites-da-palavra-de-ordem-diretas-ja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15024","title":{"rendered":"Os limites da palavra de ordem &#8220;Diretas j\u00e1!&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ujc.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/DiretasJ%C3%A1.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\u201cO poder pol\u00edtico do Estado moderno nada mais \u00e9 do que um comit\u00ea para administrar os neg\u00f3cios comuns da classe burguesa\u201d Karl Marx e Friedrich Engels.<\/p>\n<p><strong>Por: Gustavo Bechara e Lu\u00eds Augusto<\/strong><!--more--><br \/>\nA crise que que atinge os mais diversos setores da sociedade e cada vez mais se aprofunda \u00e9 generalizada, atingindo, inclusive as institui\u00e7\u00f5es do Estado burgu\u00eas brasileiro. Apresenta-se no campo pol\u00edtico e econ\u00f4mico, a partir da press\u00e3o levada a cabo por setores burgueses internos, impulsionados pelas exig\u00eancias do capital internacional, que encontram forte apoio no congresso nacional e no poder judici\u00e1rio, possibilitando a implanta\u00e7\u00e3o de grandes contrarreformas que, na pr\u00e1tica, liquidam a CLT, retiram dos trabalhadores o direito de se aposentarem e liberam a terceiriza\u00e7\u00e3o em qualquer atividade. Tais \u201creformas\u201d se defrontaram com forte resist\u00eancia de grande parte das trabalhadoras e trabalhadores, que reencontraram nas necessidades materiais um imprescind\u00edvel instrumento na luta de classes: a greve geral.<\/p>\n<p>Com as mobiliza\u00e7\u00f5es do dia 28 de abril (28A), incluindo a paralisa\u00e7\u00e3o do dia 15 de mar\u00e7o (15M), a popula\u00e7\u00e3o deu o recado para todos os capitalistas de que n\u00e3o aceitar\u00e1 tais medidas, e demonstrou que \u00e9 capaz de paralisar a produ\u00e7\u00e3o capitalista e adotar uma radicalidade de grande potencial. A prepara\u00e7\u00e3o para a greve contou com a forte press\u00e3o das bases, obrigando diversas dire\u00e7\u00f5es pelegas a chamarem assembleias de categoria para discutir a ades\u00e3o \u00e0 Greve Geral. At\u00e9 mesmo centrais sindicais que h\u00e1 muito vinham representando os patr\u00f5es, a exemplo da For\u00e7a Sindical, se viram obrigadas a aderir \u00e0 greve contra as \u2018reformas\u2019 (n\u00e3o de Temer ou qualquer outro pol\u00edtico, mas da burguesia unida).<\/p>\n<p>\u00c9 justamente nessa radicalidade que o campo socialista, classista e revolucion\u00e1rio deve apostar, sem ilus\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es burguesas e n\u00e3o cometendo o erro de retomar o projeto de concilia\u00e7\u00e3o de classes, que ademais, seria em um cen\u00e1rio ainda mais desvantajoso para os trabalhadores do que nos \u00faltimos 14 anos. Pois o rompimento do pacto de classes deixa cicatrizes dif\u00edceis de serem superadas por setores da classe burguesa e a trabalhadora.<\/p>\n<p>Imaginemos o cen\u00e1rio ideal para quem aposta nas \u201cdiretas j\u00e1\u201d e, (in)consequentemente nas urnas.<\/p>\n<p>Mesmo que Lula possa se reeleger, esse ser\u00e1 obrigado a ceder cada vez mais para o capital, uma vez que n\u00e3o se trata de quem est\u00e1 \u00e0 frente do Estado, mas da classe que exerce o poder nos bastidores. H\u00e1 ainda a possibilidade de legitimarmos um outro governo puro sangue burgu\u00eas, talvez at\u00e9 mais reacion\u00e1rio que o governo de Temer, com o diferencial de ter sido eleito \u201cdemocraticamente\u201d<\/p>\n<p>Abre-se, nesse intervalo gramsciano, um novo horizonte de lutas. Com a decad\u00eancia do antigo ciclo pol\u00edtico e o esgotamento da pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes, os movimentos sociais devem apontar e construir uma alternativa independente de alian\u00e7as com a burguesia \u201cnacional\u201d. O momento demonstra a urg\u00eancia da milit\u00e2ncia superar o natimorto projeto democr\u00e1tico-popular, e consolidar um projeto aut\u00f4nomo da, e para,a classe trabalhadora. O \u00faltimo per\u00edodo serviu para nos mostrar uma vez mais que \u00e9 imposs\u00edvel manter um acord\u00e3o entre o agroneg\u00f3cio, as empreiteiras, os bancos, o capital industrial e os trabalhadores por muito tempo. Pois mesmo que esses quatro setores da burguesia se digladiem para conseguir investimentos e incentivos por parte do governo, ocasionalmente entrando em contradi\u00e7\u00e3o, os empres\u00e1rios preferem deixar o duro fardo da crise com os mais pobres. Basta ver: quando se torna necess\u00e1ria a manuten\u00e7\u00e3o da sociedade burguesa, as fra\u00e7\u00f5es antes conflitantes se unem a partir do Governo (que atua como um comit\u00ea administrativo de neg\u00f3cios), adotando medidas de austeridade que atingem principalmente os que j\u00e1 n\u00e3o tem nada al\u00e9m da sua for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>O Governo perdeu o apoio que lhes restava, ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o de que Temer estaria pagando uma \u201cmesada\u201d para Eduardo Cunha, com o intuito de manter seu \u201cbico fechado\u201d com rela\u00e7\u00e3o aos seus aliados. Isso abriu margem para os oportunistas propagandearem uma elei\u00e7\u00e3o direta, como sendo a \u00fanica forma de manter a \u201clegitimidade\u201d de um pr\u00f3ximo mandato. Mas ser\u00e1 que as \u201cdiretas j\u00e1\u201d seriam capazes, por si s\u00f3, de barrar as reformas e a enorme perda de direitos que os trabalhadores v\u00eam sofrendo?<\/p>\n<p>Mas, ora, sobre qual \u2018legitimidade\u2019, qual \u2018legalidade\u2019 est\u00e3o falando?<\/p>\n<p>Antes dos esc\u00e2ndalos divulgados pela m\u00eddia, uma parte razo\u00e1vel da esquerda acreditava que a palavra de ordem utilizada fosse pr\u00f3pria para o momento, e acabou por arrastar consigo uma grande quantidade de desavisados que veem as elei\u00e7\u00f5es indiretas como o golpe final \u00e0 democracia.<\/p>\n<p>Em seu famoso livro <em>A revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria e o renegado Kautsky<\/em>, L\u00eanin \u00e9 primoroso em dizer que n\u00e3o h\u00e1 \u2013 nem mesmo no mais democr\u00e1tico dos Estados burgueses \u2013 um regramento ou uma lei que n\u00e3o possa ser modificada, de acordo com a demanda da burguesia. Basta ver, por exemplo, que o Estado brasileiro vive nos \u00faltimos anos um aumento exponencial de interven\u00e7\u00f5es militares em comunidades (inclusive firmado pelo Governo Lula). Com essas interven\u00e7\u00f5es ilegais temos um quadro ainda mais agravado no que tange ao genoc\u00eddio do povo negro e jovem dos bairros perif\u00e9ricos. Seria essa a democracia, ou mesmo o estado de direito, que estamos defendendo? \u00b9<\/p>\n<p>Por isso afirmamos com todas as letras que a burguesia n\u00e3o tem qualquer compromisso para com a democracia. Seria, portanto, um erro crasso apostar todas as fichas nas urnas. Basta ver o processo de impedimento de Dilma, que mesmo eleita \u2018democraticamente\u2019, fora exonerada da presid\u00eancia, abrindo caminho para o sucessor usurpador e filhote \u2018puro sangue\u2019 das classes dominantes, Michel Temer, que deu prosseguimento \u00e0s \u2018reformas\u2019 colocadas na ordem do dia pelos capitalistas. Nos perguntamos ent\u00e3o: o que os impediria de fazer mais uma outra vez, ou quantas vezes for necess\u00e1rio? A classe de empres\u00e1rios e latifundi\u00e1rios n\u00e3o hesitar\u00e1 em protocolar outro processo de impedimento caso o tiro saia pela culatra. Isso se, assim como dito anteriormente, o pr\u00f3ximo candidato do petismo n\u00e3o fosse ceder ainda mais \u00e0 press\u00e3o do capital.<\/p>\n<p>Assim como aconteceu com Dilma \u2013 e vem acontecendo com Temer -, a ideologia liberal tende a culpabilizar \u201cmaus gestores\u201d, o que \u00e9 extremamente conveniente para manuten\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o e para a reprodu\u00e7\u00e3o do capitalismo, uma vez que a pequena parcela de megaempres\u00e1rios pode continuar a financiar livremente a campanha de todos os principais presidenci\u00e1veis. Assim como a JBS fez em 2014 quando financiou as campanhas de Dilma, A\u00e9cio e Eduardo Campos. Como bem diz o ditado, \u201cquem paga a banda escolhe a m\u00fasica\u201d. Tamanha a teatralidade da pol\u00edtica, sob dom\u00ednio da classe burguesa, que o problema n\u00e3o seria pr\u00f3prio da maneira pela qual produzimos\/reproduzimos (e distribu\u00edmos!) as condi\u00e7\u00f5es materiais para a vida, mas (fazem-nos crer!) que se trata de um problema puramente administrativo, como se o gestor anterior fosse um incompetente que n\u00e3o p\u00f4de evitar a crise, \u2013 e pior! \u2013 Tampouco teve compet\u00eancia para sair dela, trazendo a ru\u00edna da economia, para assim, culp\u00e1-lo pelo desemprego. Seu sucessor \u00e9 visto quase como um Messias por alguns, trazendo consigo a esperan\u00e7a de que \u201cos novos ser\u00e3o melhores que os velhos\u201d pois estes \u201cmelhorar\u00e3o as coisas e assim por diante\u201d\u00b2.<\/p>\n<p>O que parece ser inconceb\u00edvel para os que ainda acreditam nas \u201cconquistas democr\u00e1ticas\u201d \u00e9 que Temer \u00e9 t\u00e3o descart\u00e1vel quanto Dilma foi para os capitalistas, bem como qualquer outro candidato que ascenda a partir da pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes. Pelos motivos acima explicitados, \u00e9 f\u00e1cil enxergar que \u201cFora Temer!\u201d por si \u00e9 at\u00e9 mesmo interessante para a reprodu\u00e7\u00e3o desta logica. Temos que ir al\u00e9m: As reformas eram previstas para manuten\u00e7\u00e3o do lucro do patr\u00e3o, e \u00e9 a\u00ed onde reside o calcanhar de Aquiles. Os nossos alvos devem ser as reformas.<\/p>\n<p>Nos espanta, portanto, que organiza\u00e7\u00f5es e sujeitos que se dizem anticapitalistas recaiam na ilus\u00e3o de estarem defendendo a democracia quando pedem \u201cdiretas j\u00e1\u201d. Existem duas situa\u00e7\u00f5es poss\u00edveis: ou se trata de um desconhecimento por uma parcela desses setores de esquerda sobre o real car\u00e1ter do Estado brasileiro, ou ent\u00e3o estamos lidando com o mais puro mau-caratismo parlamentar, cen\u00e1rio no qual evidentemente alguns partidos podem fazer palanque para o seu pol\u00edtico burgu\u00eas favorito, t\u00e3o deslocado das massas trabalhadoras quanto seu antecessor. O impedimento de Dilma marca o limite das \u201cvit\u00f3rias pelo alto\u201d, basta notarmos que mesmo os programas de reforma s\u00e3o abandonados em prol de uma pol\u00edtica de austeridade, demonstrando qual \u00e9 realmente o car\u00e1ter do Estado no Brasil.<\/p>\n<p>Nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 demonstrar que h\u00e1 uma sa\u00edda que n\u00e3o dependa da boa vontade da burguesia (os nossos burgueses j\u00e1 se mostraram extremamente maldispostos), tampouco que seja estritamente ligada \u00e0 institucionalidade vigente. Se analisarmos as mobiliza\u00e7\u00f5es do dia 15M para notarmos que os trabalhadores, como foi o caso dos cobradores e motoristas em S\u00e3o Paulo, ao serem proibidos pela Justi\u00e7a do Trabalho de realizar a paralisa\u00e7\u00e3o, deram \u201cde ombros \u00e0 estrita legalidade \u201ce seguiram \u201corganizando sua greve\u201d \u00b3.<\/p>\n<p>N\u00e3o seria, portanto, um grande equ\u00edvoco de nossa parte, agora que os trabalhadores come\u00e7am a encontrar meios n\u00e3o institucionais e adotar t\u00e1ticas mais radicais, apontarmos as urnas como solu\u00e7\u00e3o para suas reivindica\u00e7\u00f5es, para depois retornarem a seus postos de servi\u00e7o, fingindo que est\u00e1 tudo \u201cresolvido\u201d? Nossos esfor\u00e7os devem ser canalizados para a luta cotidiana. Devemos continuar e intensificar o di\u00e1logo com os trabalhadores e a juventude para propagandear sa\u00eddas concretas, sem recair em ilus\u00f5es de representa\u00e7\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es burguesas.<\/p>\n<p>Por isso enxergamos na constru\u00e7\u00e3o ENCLAT (Encontro Nacional da Classe Trabalhadora) a alternativa mais vi\u00e1vel para os trabalhadores e trabalhadoras dada a crise que estamos enfrentando. O encontro visa constituir e organizar uma agenda de lutas, a n\u00edvel nacional, podendo se consolidar enquanto um marco de unidade e a\u00e7\u00e3o, um ponto de virada na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as da luta de classes no Brasil. Isso porque sua proposta vem de baixo para cima, a partir de f\u00f3runs regionais. \u00c9 hora de unificarmos as a\u00e7\u00f5es para fazer a classe avan\u00e7ar na luta que hoje se escancara no Brasil!<\/p>\n<p>A partir de focos locais de luta, a luta de classes toma forma. A resist\u00eancia de uma categoria tanto contra o patronato quanto contra as dire\u00e7\u00f5es sindicais burocr\u00e1ticas forja e tempera, preparando os trabalhadores para levar a cabo a resist\u00eancia em escala nacional e, depois, internacional. O conjunto de experienciais regionais, <i>particulares, <\/i>d\u00e3o corpo a resist\u00eancia que prepara os trabalhadores conscientes para levar adiante um projeto verdadeiramente popular.<\/p>\n<p>Ainda que de forma embrion\u00e1ria, a Frente Povo Sem Medo vem desempenhando um papel important\u00edssimo para o momento hist\u00f3rico no qual vivemos. Os movimentos sociais combativos est\u00e3o acumulando cada vez mais for\u00e7a e engrossando as fileiras do campo classista a partir dessa t\u00e1tica, que fora completamente abandonada e negligenciada pelos governos petistas, ainda que em 2002 possu\u00edssem uma ampla base militante e um grande n\u00famero de apoiadores nas periferias. Desde ent\u00e3o, cada vez mais, a c\u00fapula do partido se afastou da base, adotando uma pol\u00edtica de alian\u00e7as no congresso, sem se preocupar em construir um projeto aut\u00f4nomo dos trabalhadores, ficando assim, completamente a reboque da burguesia com quem se aliou. Para al\u00e9m dos bairros, o bloco socialista deve ocupar outras duas frentes de atua\u00e7\u00e3o: os locais de estudo e trabalho. Nossa tarefa \u00e9 apontar as contradi\u00e7\u00f5es latentes na pol\u00edtica institucional e ao mesmo tempo constituir um novo poder, para assim consolid\u00e1-lo enquanto poder leg\u00edtimo. Sua legitimidade se estrutura \u201cpartindo de baixo e \u00e0 escala local\u201d4, se enraizando firmemente na atua\u00e7\u00e3o consciente da classe frente aos desafios impostos pela conjuntura, levando as lutas locais a n\u00edvel nacional por meio do ENCLAT.<\/p>\n<p>A burguesia, ent\u00e3o, percebeu o potencial dano a seu status quo, dado pela aproxima\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais combativos junto \u00e0s bases, e j\u00e1 concebe a alternativa de ceder \u00e0s \u201cdiretas j\u00e1\u201d, com o intuito reestabelecer a legitimidade da \u201cdemocracia\u201d burguesa. Basta que as fra\u00e7\u00f5es da burguesia entrem em consenso sobre qual ser\u00e1 o pr\u00f3ximo candidato que as unifique. Ser\u00e1 ent\u00e3o, essa a hora dos movimentos sociais demonstrarem-se satisfeitos e recuarem?<\/p>\n<p>Compreendemos que a escolha do pr\u00f3ximo presidente feita por nosso congresso nacional, habitado por Cunhas e A\u00e9cios, \u00e9 um cen\u00e1rio terr\u00edvel. Entretanto, as \u201cdiretas j\u00e1\u201d n\u00e3o se mostram suficientes para atingirmos nossos objetivos imediatos (o fim das contrarreformas), tampouco se mostram suficientes para fazer avan\u00e7ar o projeto da classe trabalhadora. As urnas n\u00e3o s\u00e3o nossa \u00fanica op\u00e7\u00e3o, nosso trabalho e esfor\u00e7o n\u00e3o devem ser usados para apertar alguns bot\u00f5es, mas dialogarmos todos os dias com nossos vizinhos, colegas e conhecidos para construirmos em conjunto a Greve geral do dia 30. Al\u00e9m do mais, se mostra cada vez mais necess\u00e1rio que o campo revolucion\u00e1rio se fa\u00e7a ainda mais presente que anteriormente; n\u00e3o s\u00f3 para evitar que oportunistas instrumentalizem a greve para fins eleitorais, como para que a proposta de um encontro nacional seja ouvida.<\/p>\n<p>Rejeitamos tambem posi\u00e7\u00f5es sect\u00e1rias e esquerdistas, entendendo a import\u00e2ncia de uma constru\u00e7\u00e3o conjunta para fazer recuar as classes exploradoras. Os preparativos para a greve s\u00e3o um canal para o di\u00e1logo, e o divisionismo em um momento como esse \u00e9 extremamente danoso. O que n\u00e3o significa que a cr\u00edtica \u00e0s palavras de ordem pedindo elei\u00e7\u00f5es diretas ser\u00e3o abandonadas, e sim o oposto; somente estando presentes em toda a articula\u00e7\u00e3o ao redor da greve, poderemos levar a cabo a tarefa hist\u00f3rica que nos compete. O momento pede que sejamos resolutos e nada mais oportuno que uma crise, momento em que as contradi\u00e7\u00f5es do sistema capitalista est\u00e3o mais expl\u00edcitas, para estremecer a estrutura, contribuindo para o avan\u00e7o da consci\u00eancia da classe.<\/p>\n<p>Fa\u00e7amos dessa crise um ponto de inflex\u00e3o na luta de classes no pa\u00eds. Nesse sentido, a greve tamb\u00e9m se apresenta como um processo extremamente pedag\u00f3gico e pode representar um salto na consci\u00eancia do proletariado. A classe trabalhadora est\u00e1 completamente desiludida com a pol\u00edtica institucional, principalmente pelo distanciamento que a cada dia a c\u00fapula do Partido dos Trabalhadores vem promovendo; mesmo sempre \u201cretornando as bases\u201d em per\u00edodos eleitorais, qualificando minimante algumas pautas (que ficam vazias numa pr\u00e1tica hip\u00f3crita), e cada vez mais alinhado aos setores burgueses que possibilitaram o impedimento de Dilma. Essa atitude revela o car\u00e1ter oportunista dos conciliadores de classe. Esse \u00e9 o momento da juventude combativa, dos movimentos sociais e partidos classistas e revolucion\u00e1rios tomarem as ruas, intensificarem radicalmente o trabalho de base, inserindo-se cada vez mais nos bairros, f\u00e1bricas, sindicatos e universidades oferecendo uma perspectiva que rompa com a atual ordem burguesa.<\/p>\n<p>1. <a href=\"http:\/\/makaveliteorizando.blogspot.com.br\/2016\/03\/sobre-militarizacao-restricao-das_11.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><u>http:\/\/makaveliteorizando.<wbr \/>blogspot.com.br\/2016\/03\/sobre-<wbr \/>militarizacao-restricao-das_<wbr \/>11.html<\/u><\/a><\/p>\n<p>2. Enver Hoxha, em \u201co imperialismo e a revolu\u00e7\u00e3o\u201d. &lt;<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/hoxha\/1978\/imperialismo\/index.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><u>https:\/\/www.marxists.org\/<wbr \/>portugues\/hoxha\/1978\/<wbr \/>imperialismo\/index.htm<\/u><\/a>&gt;<\/p>\n<p>3. &lt;<a href=\"https:\/\/lavrapalavra.com\/2017\/05\/26\/ensaio-geral-os-resultados-parciais-da-greve-de-massas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><u>https:\/\/lavrapalavra.com\/2017\/<wbr \/>05\/26\/ensaio-geral-os-<wbr \/>resultados-parciais-da-greve-<wbr \/>de-massas\/<\/u><\/a>&gt;<\/p>\n<p>4. \u201ca fonte do poder n\u00e3o est\u00e1 numa lei previamente discutida e aprovada pelo parlamento mas na iniciativa direta das massas populares partindo de baixo e \u00e0 escala local, na \u00abconquista\u00bb direta (\u2026) Somos marxistas, partid\u00e1rios da luta prolet\u00e1ria de classe contra a embriaguez pequeno-burguesa, o defensismo-chauvinismo, a fraseologia, a depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 burguesia. \u201d<\/p>\n<p>Lenin, em \u201csobre a dualidade de poderes\u201d &lt;<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1917\/04\/09.htm#tn21\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1917\/04\/09.htm#tn21<\/a>&gt;<\/p>\n<p><strong>UJC NACIONAL<\/strong><\/p>\n<p>http:\/\/ujc.org.br\/<wbr \/>os-limites-da-palavra-de-ordem-diretas-ja\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cO poder pol\u00edtico do Estado moderno nada mais \u00e9 do que um comit\u00ea para administrar os neg\u00f3cios comuns da classe burguesa\u201d Karl Marx \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15024\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-15024","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-fora-temer"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3Uk","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15024","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15024"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15024\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15024"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15024"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15024"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}