{"id":15051,"date":"2017-07-16T14:39:31","date_gmt":"2017-07-16T17:39:31","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=15051"},"modified":"2017-08-05T14:09:20","modified_gmt":"2017-08-05T17:09:20","slug":"entrevista-com-enrique-ubieta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15051","title":{"rendered":"Entrevista com Enrique Ubieta"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/proxy\/2mSSON2bXW15bRau0VmBemtc7Qw6gODV-0zhSF5B0LV2m-pIHX7oxWE1-b8t6DWiRp0IbqDMm2seD20lDBu7EO2LdntpWQ=s0-d-e1-ft#http:\/\/www.odiario.info\/b2-img\/EnriqueUbieta.jpg\" alt=\"imagem\" \/><strong>\u00abN\u00e3o existe um espa\u00e7o neutro entre capitalismo e socialismo\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Ra\u00fal Concepci\u00f3n*<\/p>\n<p>No debate pol\u00edtico interno<!--more--> em Cuba manifestam-se correntes \u201ccentristas\u201d: querem \u201cjuntar ao socialismo o melhor do capitalismo\u201d. Esta entrevista analisa em profundidade a quest\u00e3o, e denuncia que por detr\u00e1s de tais opini\u00f5es se desenha um \u00fanico objetivo contrarrevolucion\u00e1rio:\u00a0fazer Cuba regressar ao pior do capitalismo.<\/p>\n<p>Quando o\u00a0mundo era bipolar, algu\u00e9m disse algo que pareceria de sentido comum e at\u00e9 \u00f3bvio: \u201cjuntemos o melhor do capitalismo e o socialismo em um s\u00f3 sistema\u201c. Se cada um tem os seus defeitos e virtudes por que n\u00e3o deitar fora o in\u00fatil. A ideia \u00e9 atrativa, seria algo como a sociedade id\u00edlica. Mas o que impede realiz\u00e1-la? Por que se continua falando de capitalismo e socialismo? Por detr\u00e1s daquele \u00f3bvio habita outro: n\u00e3o podes retirar o melhor do capitalismo como se se tratasse de uma fruta que se danificou ao cair da \u00e1rvore. As virtudes desse sistema sustentam-se nos seus defeitos.<\/p>\n<p>Ao que parece a ideia n\u00e3o era o que prometia e continuam as mesmas op\u00e7\u00f5es: ou mant\u00e9ns o modo de vida que agride cada canto deste planeta ou procuras uma alternativa que solucione os problemas desde a raiz.<\/p>\n<p>Em pol\u00edtica, como na vida, estar no centro torna-se complicado. Entretanto, existe o funambulismo.<\/p>\n<p><b>Cubadebate<\/b>\u00a0conversou sobre o Centrismo Pol\u00edtico com o intelectual cubano, Enrique Ubieta, que respondeu a preguntas simples com reflex\u00f5es sobre a hist\u00f3ria, vig\u00eancia e poss\u00edvel aplica\u00e7\u00e3o em Cuba da chamada Terceira Via.<\/p>\n<p><b>\u2013 \u00c9 poss\u00edvel que o centrismo represente o melhor do capitalismo e o socialismo?\u00a0<\/b><br \/>\n\u2013 O capitalismo n\u00e3o \u00e9 uma soma de aspectos negativos e positivos, de elementos que podem ser aproveitados ou rejeitados: \u00e9 um sistema, que em algum momento foi revolucion\u00e1rio e hoje n\u00e3o o \u00e9. Engloba e encadeia tudo: a alta tecnologia, a mais sofisticada riqueza e a mis\u00e9ria mais absoluta. Os elementos que contribuem para uma maior efic\u00e1cia na produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o os mesmos que alienam o trabalho humano. Os que geram riqueza para uns poucos, produzem pobreza para as maiorias, a n\u00edvel nacional e internacional. Parece-me uma falacia estabelecer semelhante meta: n\u00e3o existe \u201co melhor do capitalismo\u201d, como se este pudesse ser depurado, como se um capitalismo bom fosse fact\u00edvel. H\u00e1 vers\u00f5es muito m\u00e1s, como o neoliberalismo ou o fascismo, mas n\u00e3o conhe\u00e7o nenhuma boa. O capitalismo \u00e9 sempre selvagem.<\/p>\n<p>Por outro lado, o socialismo, ao contr\u00e1rio do capitalismo, n\u00e3o \u00e9 uma totalidade org\u00e2nica, uma realidade j\u00e1 constru\u00edda, mas um caminho que n\u00e3o deixa de uma s\u00f3 vez para tr\u00e1s o sistema que intenta superar. Experimentamos por aqui e por ali, adotamos novas formas, avan\u00e7amos e retrocedemos, eliminamos o que n\u00e3o resulta, retificamos os erros uma e outra vez; um caminho em dire\u00e7\u00e3o a outro mundo, no meio da selva, porque o capitalismo \u00e9 o sistema hegem\u00f4nico. O que o caracteriza \u00e9 a sua inten\u00e7\u00e3o confessa, consciente, de superar o capitalismo.<\/p>\n<p>Existe um centro? Sobre que bases se estabelece? No sistema eleitoral capitalista existe supostamente uma esquerda e uma direita, mas essa esquerda, cuja matriz ideol\u00f3gica \u00e9 a social-democracia, que nas suas origens era marxista e pretendia reformar o capitalismo at\u00e9 o fazer gradualmente desaparecer, hoje \u00e9 funcional ao sistema, e renegou o marxismo, e diferencia-se dos partidos conservadores nas suas pol\u00edticas sociais e na sua compreens\u00e3o despreconceituosa da diversidade. A f\u00f3rmula centrista funciona no interior do sistema capitalista como um recurso eleitoralista. O eleitor \u2013 que se manipula como um cliente porque as elei\u00e7\u00f5es funcionam como se fossem um mercado \u2013 est\u00e1 farto de que os partidos de direita e de esquerda se alternem e apliquem pol\u00edticas similares, e o sistema constr\u00f3i ent\u00e3o uma falsa terceira via.<\/p>\n<p>Mas os polos reais n\u00e3o est\u00e3o dentro de um sistema, contrap\u00f5em-se: s\u00e3o o capitalismo e o socialismo. N\u00e3o existe um centro, um espa\u00e7o neutro entre os dois sistemas. A social-democracia situa-se dentro do capitalismo, mas finge ser um centro, que tenta fazer o que declaramos imposs\u00edvel: tomar o melhor de um e outro sistema. Na realidade, provoca uma alternatividade de m\u00e9todos, n\u00e3o de ess\u00eancias. Para al\u00e9m de casos muito isolados, como poder\u00e1 ter sido Olof Palme na Su\u00e9cia, que vivia num pa\u00eds muito rico, que mesmo sem ter tido colonias, tamb\u00e9m beneficiou do sistema colonial e neocolonial enquanto parte do sistema capitalista.<\/p>\n<p>A social-democracia, que parecia ser a triunfadora, deixou de ter sentido quando caiu a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e desapareceu o Campo Socialista. Nem sequer na Su\u00e9cia se pode manter (Olof Palme foi assassinado). A partir de ent\u00e3o, o sistema deixou de necessitar dela e teve que se recompor. A Terceira Via de Tony Blair \u00e9 um centro que se deslocou ainda mais para a direita: aceita e aplica uma pol\u00edtica neoliberal e alia-se \u00e0s for\u00e7as imperialistas nas suas guerras de conquista. A hist\u00f3ria da social-democracia \u00e9 essencialmente europeia.<\/p>\n<p><b>Que papel poderiam ter as pol\u00edticas de centro em Cuba?\u00a0<\/b><br \/>\nEn definitivo, que \u00e9 esse centro? \u00c9 uma orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que se apropria de elementos do discurso revolucion\u00e1rio, adota uma postura reformista e em \u00faltima inst\u00e2ncia trava, retarda ou obstrui o desenvolvimento de uma verdadeira Revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E em outros casos, como o nosso, tenta usar a cultura pol\u00edtica de esquerda que existe na sociedade cubana porque n\u00e3o podes chegar aqui com um discurso de ultradireita a procurar ganhar adeptos. Tens que usar o que as pessoas interpretam como justo e com esse discurso de esquerda come\u00e7ar a introduzir o capitalismo pela porta do cavalo. Esse poderia ser o papel que teria o centro dentro de uma sociedade como a cubana.<\/p>\n<p><b>Com diferentes terminologias e contextos, pol\u00edticas similares ao centrismo estiveram presentes na hist\u00f3ria de Cuba desde que o Autonomismo tentou deter a Revolu\u00e7\u00e3o independentista de 1895\u2026 Por que cr\u00ea\u00a0que h\u00e1 uma esp\u00e9cie de ressurgimento do centrismo em Cuba no contexto atual?\u00a0<\/b><br \/>\nNa hist\u00f3ria de Cuba est\u00e1 muito clara essa divis\u00e3o de tend\u00eancias entre o esp\u00edrito reformista e o revolucion\u00e1rio. \u00c9 uma velha discuss\u00e3o na hist\u00f3ria do marxismo, mas s\u00f3 vou a referir-me \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o cubana.<\/p>\n<p>O reformismo \u00e9 representado pelo autonomismo e pelo anexionismo. H\u00e1 autores que insistem em dizer que o anexionismo aspirava a uma solu\u00e7\u00e3o radical, porque queria a separa\u00e7\u00e3o de Espanha. Aqui o termo \u201cradical\u201d est\u00e1 mal usado, porque n\u00e3o se ia \u00e0 raiz do problema. A solu\u00e7\u00e3o de anexar o pa\u00eds aos Estados Unidos era s\u00f3 em apar\u00eancia radical porque pretendia conservar os privil\u00e9gios de uma classe social e evitar-lhe al\u00e9m disso o desgaste econ\u00f3mico de uma guerra pela independ\u00eancia, conservar o\u00a0<i>statu quo\u00a0<\/i>atrav\u00e9s da domina\u00e7\u00e3o de outro Poder que garantiria a ordem. As duas tend\u00eancias, o anexionismo e o reformismo, tinham como base a absoluta desconfian\u00e7a no povo. O medo pela \u201cturba mulata\u201d, como diziam os autonomistas.<\/p>\n<p>O reformismo entreguista permaneceu ao longo da hist\u00f3ria de Cuba at\u00e9 aos nossos dias, n\u00e3o se extinguiu. A Revolu\u00e7\u00e3o de 1959 varreu-o como op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica real, mas a luta de classes n\u00e3o desapareceu. Se a burguesia ou a que aspira a s\u00ea-lo, tenta retomar o poder em Cuba, tanto a que se formou fora do pa\u00eds como a que possa estar a gerar-se dentro, vai necessitar de uma for\u00e7a exterior que a apoie.<\/p>\n<p>Em Cuba n\u00e3o haveria um capitalismo aut\u00f4nomo, n\u00e3o existe j\u00e1 em nenhuma parte do mundo, ainda menos num pa\u00eds pequeno e subdesenvolvido. O capitalismo cubano, como no passado, s\u00f3 pode ser neocolonial ou semicolonial. A \u00fanica forma que a burguesia tem de retomar e manter o poder em Cuba, \u00e9 atrav\u00e9s de um poder externo; \u00e9 a \u00fanica op\u00e7\u00e3o para reproduzir o seu capital, e j\u00e1 sabemos que a P\u00e1tria da burguesia \u00e9 o capital.<\/p>\n<p>Hoje existe uma situa\u00e7\u00e3o que favorece este tipo de t\u00e1cticas centristas, semeadas em Cuba a partir do Norte. Termina o seu ciclo hist\u00f3rico-biol\u00f3gico a gera\u00e7\u00e3o que fez a Revolu\u00e7\u00e3o. Cerca de 80 por cento da sociedade cubana n\u00e3o viveu o capitalismo. Imagina, Cuba \u00e9 um pa\u00eds que tenta construir uma sociedade diferente de outra que as pessoas n\u00e3o viveram. H\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7a introduzem-se novos elementos, antes rejeitados, na concep\u00e7\u00e3o do modelo econ\u00f4mico-social. \u00c9 nesse contexto que as for\u00e7as pr\u00f3-capitalistas constroem o seu discurso pseudo-revolucion\u00e1rio, s\u00f3 na apar\u00eancia, associado \u00e0s mudan\u00e7as que se operam no pa\u00eds.<\/p>\n<p><b>A Atualiza\u00e7\u00e3o do Modelo Econ\u00f4mico e Social Cubano tem alguma semelhan\u00e7a com o Centrismo?\u00a0<\/b><br \/>\nN\u00e3o tem. Apelo a conceitos que com que deparei no fil\u00f3sofo argentino Arturo Andr\u00e9s Roig. \u00c9 imprescind\u00edvel diferenciar dois planos: discurso e direcionalidade discursiva, significado e sentido. Recordo que enquanto estudava a d\u00e9cada de 1920, observava que Juan Marinello e Jorge Ma\u00f1ach diziam quase o mesmo, manejavam conceitos muito similares, porque eram intelectuais que estavam na vanguarda do pensamento e da arte cubanos. Mas se segues a trajet\u00f3ria de ambos, compreender\u00e1s que aquelas palavras com significados similares tinham sentidos diferentes. Marinello integrou-se no Partido Comunista e Ma\u00f1ach fundou um partido de tend\u00eancia fascist\u00f3ide. Um batia-se pela justi\u00e7a social e o socialismo, enquanto o outro desejava tardiamente converter-se no ide\u00f3logo de uma burguesia nacional que j\u00e1 n\u00e3o existia. N\u00e3o creio que essa ruptura seja s\u00f3 o resultado de uma evolu\u00e7\u00e3o posterior: j\u00e1 estava impl\u00edcita na diferente direcionalidade hist\u00f3rica dos seus discursos.<\/p>\n<p>\u00c9 important\u00edssima essa diferencia\u00e7\u00e3o de sentidos, hoje mais do que nunca, porque vivemos num contexto lingu\u00edstico muito contaminado, promiscuo, numa sociedade global que assimilou o discurso e inclusivamente os gestos tradicionais da esquerda, sobretudo a partir da Segunda Guerra Mundial. A luta de classes mascara-se, e \u00e9 preciso descortinar a quem servem os nossos interlocutores.<\/p>\n<p>Que se prop\u00f5em os Lineamientos? Procurar uma via pr\u00f3pria, alternativa, para avan\u00e7ar para o socialismo, j\u00e1 que n\u00e3o existe nenhum modelo universal e cada pa\u00eds e cada momento hist\u00f3rico s\u00e3o peculiares. Um socialismo cubano equivale a dizer um caminho cubano para uma sociedade diferente da capitalista, num mundo hostil, a partir da pobreza, do bloqueio implac\u00e1vel e da aus\u00eancia de recursos naturais, se excetuamos o conhecimento dos seus cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o real de Cuba. Propomo-nos manter e aprofundar a justi\u00e7a social alcan\u00e7ada, e para isso devemos dinamizar as for\u00e7as produtivas. Por isso estabelecemos limites \u00e0 acumula\u00e7\u00e3o de riquezas e propriedades, e preocupamo-nos com os mecanismos de controlo desses limites. Em sentido inverso, os centristas, com linguagem parecido \u00e0 nossa, sugerem que abandonamos o ideal de justi\u00e7a social, mas exigem um aprofundamento dessas mudan\u00e7as que conduziria ao desmantelamento daquilo que foi minimamente conseguido em termos de justi\u00e7a. O \u201caprofundamento\u201d que os centristas exigem, tanto do ponto de vista econ\u00f4mico como pol\u00edtico, \u00e9 um regresso ao capitalismo. Podem e devem ser ouvidas as opini\u00f5es cr\u00edticas e divergentes na nossa sociedade, mas todas devem apontar para um mesmo horizonte de sentido.<\/p>\n<p>Quando algu\u00e9m diz que o socialismo n\u00e3o conseguiu erradicar a corrup\u00e7\u00e3o ou a prostitui\u00e7\u00e3o, eu entriste\u00e7o-me porque sei que \u00e9 verdade. Mas ao mesmo tempo haveria que perguntar: \u201co capitalismo que faria com isso?\u201d Multiplic\u00e1-lo-ia. Quando a acusa\u00e7\u00e3o n\u00e3o integra um caminho no sentido da melhoria do sistema que temos no pa\u00eds \u2013 o \u00fanico que pode sanar os seus defeitos, insufici\u00eancias e erros \u2013, mas no sentido da sua destrui\u00e7\u00e3o, a cr\u00edtica \u00e9 contrarrevolucionaria.<\/p>\n<p>Porque nem tudo o que fizermos estar\u00e1 bem; vamos errar, isso \u00e9 seguro. O que caminha engana-se. O importante \u00e9 ter a capacidade para retificar e ter claro o sentido do que estamos a fazer, para qu\u00ea o fazemos. Se em algum momento perdemos o rumo, haver\u00e1 que consultar a b\u00fassola que marca o sentido. Que tudo o que possamos fazer agora, e o que discutamos, esteja marcado pela clarifica\u00e7\u00e3o do que queremos e para onde vamos.<\/p>\n<p><b>Pode ser-se centrista e revolucion\u00e1rio ao mesmo tempo?\u00a0<\/b><br \/>\nN\u00e3o, em absoluto. Um reformista n\u00e3o \u00e9 um revolucion\u00e1rio. O que n\u00e3o significa que um revolucion\u00e1rio n\u00e3o possa fazer reformas. N\u00f3s revolucion\u00e1rios fizemos a Reforma Agraria, a Urbana\u2026 Ser reformista \u00e9 outra coisa.<\/p>\n<p>O reformista confia nas estat\u00edsticas e em descri\u00e7\u00f5es exaustivas do seu envolvimento que acabam por o tornar incompreens\u00edvel. Uma descri\u00e7\u00e3o minimalista das paredes desta sala n\u00e3o nos permitiria entender onde estamos, porque este quarto est\u00e1 num edif\u00edcio, numa cidade, num pa\u00eds, ou seja, a descri\u00e7\u00e3o, para ser \u00fatil, pressup\u00f5e uma compreens\u00e3o alargada. H\u00e1 que se levantar em voo de condor para ser revolucion\u00e1rio, que \u00e9 o que Mart\u00ed exigia.<\/p>\n<p>O reformista \u00e9 descritivo \u2013 cr\u00ea que a realidade se esgota no que v\u00ea e toca \u2013, por isso confunde-se e falha. Na pol\u00edtica, o reformista apenas pode somar os quatro elementos vis\u00edveis do entorno social. O revolucion\u00e1rio acrescenta um quinto elemento subjectivo n\u00e3o detect\u00e1vel a olho nu. Um elemento que o reformista n\u00e3o toma em conta, porque n\u00e3o confia no povo. Podemos resumir esse quinto elemento no hist\u00f3rico reencontro em Cinco Palmas dos oito sobreviventes do desembarque do Granma, contado em palavras de Ra\u00fal: \u201cDeu-me um abra\u00e7o e a primeira coisa que fez foi perguntar-me quantas espingardas tinha, da\u00ed a famosa frase: \u2018Cinco, mais duas que tenho, sete. Agora sim ganhamos a guerra!\u2019. \u00c9 o salto sobre o abismo que Mart\u00ed pedia.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 o que diferencia um revolucion\u00e1rio de um reformista. E um centrista \u00e9 algo pior que um reformista, porque de alguma forma \u00e9 um simulador.<\/p>\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o europeia toda essa trama conceitual, te\u00f3rica, pol\u00edtica que se foi urdindo desde o s\u00e9culo XIX outorga certa espessura aos debates. Em Cuba esses debates manifestam o seu conte\u00fado real de forma muito mais evidente. E todo esse palavreado de juntar capitalismo com socialismo, de se manterem num plano discursivo revolucion\u00e1rio, mas na pr\u00e1tica contrarrevolucion\u00e1rio, de alguma forma, no meu modo de ver, evidencia tamb\u00e9m certo n\u00edvel de covardia, certa incapacidade para liderar um projeto no qual cr\u00eaem. Essas pessoas creem num projeto que \u00e9 oposto ao nosso, mas n\u00e3o t\u00eam a for\u00e7a pol\u00edtica nem a valentia suficiente para o assumir abertamente.<\/p>\n<p><b>Nota do tradutor: Enrique Ubieta, jornalista e ensa\u00edsta cubano \u00e9 diretor da publica\u00e7\u00e3o La Calle del Medio<\/b><\/p>\n<p><b>*Jornalista de Cubadebate<\/b><\/p>\n<p>http:\/\/www.odiario.info\/entrevista-com-enrique-ubietanao-existe-um\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u00abN\u00e3o existe um espa\u00e7o neutro entre capitalismo e socialismo\u00bb Jos\u00e9 Ra\u00fal Concepci\u00f3n* No debate pol\u00edtico interno\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15051\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38,33],"tags":[],"class_list":["post-15051","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo","category-c34-marxismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3UL","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15051","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15051"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15051\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15051"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15051"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15051"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}