{"id":15058,"date":"2017-07-16T15:07:26","date_gmt":"2017-07-16T18:07:26","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=15058"},"modified":"2017-08-05T14:09:30","modified_gmt":"2017-08-05T17:09:30","slug":"por-que-nao-defendemos-as-diretas-ja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15058","title":{"rendered":"Por que n\u00e3o defendemos as Diretas J\u00e1?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/4Dpix7ykZnbpl5kpH8ezvm-iFhaqQoHDSQFYhR5Fs5iQvEwO1OzJ4fDFQ8aY_QpaF8f_O5Ca2gt7Cpl6JbjFcmmznEBhDzJy2idz7T5eYCnStLx4Xl_oWVMlvQINYYuFcOC1iKJNJA812s8wC_jEWlWPhh19yXQc-yBGh5HVBtVKhuUVCptK18X_31Rk8CPHfUcV0PZXJQ3yrkBf8KMgPk8Wcl2JYH_Oi99DLjgN0E6KtiQSST0-FQkzdsLHt46cNHIG-2GnOIAEOqzW7xT655fwWOnUkORsXKyawC0FSrPwujkyVIHedoradQ37lEmYnCZhO9xHFKd3FOQL9taNPXfFDAxJAGIifwPdqx8fHcnLKVbmiTId0yCRmRhIZQS4j71y83_h7IlI--dnbxvjltTDlNFRA04elaM7OgnGXuAP_czw5ZrAofZotuUi-c9s_SYKK1FqouCAFCeU5r22OAzaq_FMlSvhM7atOQ-pGmNEZ4w-nhPR9cjTZAb-S2MNywnjPOUtsLnQTdb-AE0OcBkwxeLnyegxKGCc-0hjPw7jAwnUbnGjBgUepyqkONEpAlglV4brD6shm5vE620hA-RiP8o8C32PxNvU8L4zWJIHob8VoS0DtCSIY8E_392D_H2TLSljfxlRpk8bTjVAsTLHEwhzaEy1pzn3KBuYJVbbeg=w1270-h952-no\" alt=\"imagem\" \/><b>Gabriel Landi*<\/b><\/p>\n<p>O PCB est\u00e1 entre o reduzido n\u00famero de organiza\u00e7\u00f5es socialistas a<!--more--> n\u00e3o erguer a palavra de ordem por elei\u00e7\u00f5es gerais antecipadas \u2013 e, dentre estas, na ainda mais reduzida posi\u00e7\u00e3o de quem n\u00e3o trata tal palavra de ordem com sectarismo, quase como que se fosse <em>reacion\u00e1ria<\/em>. Justamente recha\u00e7ando tal postura, muitas vezes n\u00e3o trava a pol\u00eamica mais abertamente, e se disp\u00f5e \u00e0 media\u00e7\u00e3o nas convoca\u00e7\u00f5es unit\u00e1rias. Resume sua posi\u00e7\u00e3o nos seguintes <a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14492\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">termos<\/a>:<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, de qualquer forma, n\u00e3o se pode desconhecer que h\u00e1 um clamor entre expressivos setores da sociedade e, especialmente, entre os companheiros da esquerda, pelas \u201celei\u00e7\u00f5es diretas j\u00e1\u201d, como sa\u00edda para a crise. \u00c9 compreens\u00edvel a ansiedade e o desejo de se livrar do governo usurpador. <em>Como lutadores hist\u00f3ricos pela unidade popular, estaremos em todas as batalhas pelas mudan\u00e7as no pa\u00eds e lutaremos ombro a ombro com os companheiros que defendem as \u201celei\u00e7\u00f5es diretas j\u00e1\u201d, a fim de mantermos a frente \u00fanica contra Temer e as contrarreformas. Para os comunistas do PCB, n\u00e3o devemos alimentar mais ilus\u00f5es com a democracia burguesa.<\/em> A corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 end\u00eamica ao capitalismo, e as elei\u00e7\u00f5es burguesas refletem a desigualdade econ\u00f4mica e social.<\/p>\n<p>A leg\u00edtima press\u00e3o do movimento de massas n\u00e3o pode ser acr\u00edtica a esta quest\u00e3o central, nem muito menos secundarizar a luta contra as reformas antipopulares para exaltar uma nova candidatura pr\u00f3-concilia\u00e7\u00e3o de classes. Reconhecemos a proposta de elei\u00e7\u00f5es gerais j\u00e1 como uma media\u00e7\u00e3o, face \u00e0 grande podrid\u00e3o e ilegitimidade do governo usurpador e do degenerado parlamento brasileiro, mas, principalmente, como um <em>mecanismo para aprofundarmos as contradi\u00e7\u00f5es e disputas interburguesas<\/em> que abominam qualquer sopro de participa\u00e7\u00e3o popular. <em>Apesar de reconhecermos a legitimidade desta proposta, para os comunistas do PCB n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o e sa\u00edda definitivas para crise brasileira, no que diz respeito aos interesses dos trabalhadores, atrav\u00e9s das elei\u00e7\u00f5es burguesas. Devemos aprofundar as lutas e a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores na perspectiva do poder popular, independente da burguesia<\/em>.\u201d<\/p>\n<p>Fica n\u00edtido que a posi\u00e7\u00e3o do Partido n\u00e3o \u00e9 <em>contra <\/em>elei\u00e7\u00f5es gerais antecipadas. O PCB luta ao lado das for\u00e7as populares que demandam \u201cDiretas J\u00e1\u201d \u2013 uma luta que, no atual momento hist\u00f3rico, \u00e9 indissoci\u00e1vel de qualquer luta contra o governo de Temer e suas contrarreformas. Nessa luta, ergue as bandeiras classistas (ainda que defensivas) que unificam a classe, e denuncia a incapacidade da democracia burguesa de responder \u00e0s necessidades das massas exploradas e oprimidas, fazendo a propaganda do Poder Popular.<\/p>\n<p>O PCB n\u00e3o descarta por princ\u00edpio qualquer reivindica\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica \u2013 reconhece que, em determinados contextos, elas podem aprofundar as contradi\u00e7\u00f5es e disputas interburguesas. Destaca, por\u00e9m, que no atual contexto as palavras de ordem democr\u00e1ticas alimentam ilus\u00f5es, e n\u00e3o oferecem efetiva resposta \u00e0s quest\u00f5es que est\u00e3o na ordem do dia da classe trabalhadora \u2013 a defesa de suas condi\u00e7\u00f5es de vida em brutal deprecia\u00e7\u00e3o, e sob a perspectiva de continuada piora futura.<\/p>\n<p>Sendo uma postura minorit\u00e1ria, n\u00e3o \u00e9 exagerado apontar, mais uma vez, alguns dos elementos que a baseiam. Para melhor evidenciar algumas das quest\u00f5es pol\u00eamicas, tomamos por base a <a href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/06\/02\/por-que-defendemos-diretas-ja\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">opini\u00e3o publicada<\/a> pelo camarada Val\u00e9rio Arcary, por dois motivos: por um lado, porque seu texto expressa uma das mais cristalinas e bem elaboradas oposi\u00e7\u00f5es a nossas posi\u00e7\u00f5es (como n\u00e3o poderia ser diferente, vindo de um camarada not\u00f3rio por sua capacidade de s\u00edntese e formula\u00e7\u00e3o); por outro, porque a maturidade dos camaradas do MAIS no trato com a pol\u00eamica (\u00e0 qual inclusive reservaram, democraticamente, <a href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/06\/24\/opiniao-o-poder-popular-a-greve-geral-as-eleicoes-diretas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">espa\u00e7o em seu ve\u00edculo online<\/a>) nos afasta qualquer receio de sermos entendidos, nessa op\u00e7\u00e3o, como pouco fraternos ou demasiadamente belicosos. Cremos que, como os camaradas, agimos no esp\u00edrito da tradi\u00e7\u00e3o leninista da necess\u00e1ria luta ideol\u00f3gica franca e aberta entre as for\u00e7as revolucion\u00e1rias, que apenas pode contribuir a tornas mais n\u00edtidas as ideias e educar as bases do nosso movimento tamb\u00e9m atrav\u00e9s das pol\u00eamicas de t\u00e1tica [1].<\/p>\n<p>Tomar este breve argumento como ponto de partida pode soar equivocado: \u00e9 preciso ter consci\u00eancia de que, apesar do t\u00edtulo, o texto n\u00e3o resume as posi\u00e7\u00f5es de Arcary sobre a palavra de ordem das \u201cDiretas J\u00e1\u201d. H\u00e1 todo um plano de fundo de caracteriza\u00e7\u00f5es e considera\u00e7\u00f5es que apenas de relance surgem neste texto. Contudo, por seu pr\u00f3prio objetivo de pol\u00eamica aberta, o texto condensa quest\u00f5es com as quais valer\u00e1 a pena nos batermos.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, o que exp\u00f5e o camarada? Em primeiro lugar, aponta as tr\u00eas diferen\u00e7as entre a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica atual e aquela de 1984, da \u00e9poca da campanha pelas Diretas J\u00e1:<br \/>\n\u201cA primeira \u00e9 que em 1984 a campanha era realizada contra o \u00faltimo governo da ditadura militar. A segunda \u00e9 que, ao contr\u00e1rio de 1984, n\u00e3o estamos diante de uma situa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-revolucion\u00e1ria. A terceira, por\u00e9m, n\u00e3o menos importante, \u00e9 que nenhuma fra\u00e7\u00e3o burguesa importante \u00e9 a favor da convoca\u00e7\u00e3o antecipada de elei\u00e7\u00f5es como sa\u00edda para a crise do governo Temer.\u201d.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 primeira diferen\u00e7a, d\u00e1 a entender que se trata do principal lastro \u00e0 posi\u00e7\u00e3o refrat\u00e1ria \u00e0 palavra de ordem das Diretas J\u00e1. Concorda com tal distin\u00e7\u00e3o, ainda que frise a ilegitimidade do governo democr\u00e1tico burgu\u00eas vigente. N\u00e3o se alonga ainda sobre a segunda distin\u00e7\u00e3o: afirma que mesmo quem divirja quanto a esta deveria prestar especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 terceira distin\u00e7\u00e3o, a unanimidade da classe dominante em torno da sa\u00edda indireta \u00e0 queda de Temer.<\/p>\n<p>As palavras do camarada Arcary t\u00eam a dureza da honestidade, o que enfrentamos sem melindres. Considera posi\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0 palavra de ordem das Diretas J\u00e1 como \u201cultra propagand\u00edsticas\u201d, por recorrerem a \u201cf\u00f3rmulas de populariza\u00e7\u00e3o da ditadura do proletariado\u201d quando \u201cn\u00e3o existem os conselhos populares\u201d. Tamb\u00e9m as adjetiva de \u201cirrealistas\u201d, e explica com mais adjetivos: se fundam numa \u201caprecia\u00e7\u00e3o sobrevalorizada, portanto, imagin\u00e1ria, da rela\u00e7\u00e3o social de for\u00e7as que mant\u00e9m pouco contato com a realidade, e resulta em uma f\u00f3rmula propagandista, portanto, impotente, in\u00f3cua, inocente\u201d. A exposi\u00e7\u00e3o, neste ponto, perde um pouco de sua linearidade inicial, mas em verdade orbita em torno da segunda e da terceiriza distin\u00e7\u00f5es inicialmente apontadas, sem tanto desenvolver a primeira.<\/p>\n<p>Arcary tem o cuidado de n\u00e3o acusar de \u201cesquerdismo\u201d nossa posi\u00e7\u00e3o, para n\u00e3o invocar tens\u00f5es de fora da diverg\u00eancia de m\u00e9rito. Mas n\u00e3o devemos recear entender que essa \u00e9 uma boa s\u00edntese da quest\u00e3o: o camarada considera a recusa \u00e0s \u201cDiretas J\u00e1\u201d como principismo que se cega \u00e0 concretude da situa\u00e7\u00e3o da luta de classes. De nossa parte, tamb\u00e9m evitando adjetiva\u00e7\u00f5es, consideramos ver a situa\u00e7\u00e3o de modo distinto, e o papel da interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das organiza\u00e7\u00f5es socialistas de modo distinto, por consequ\u00eancia.<br \/>\nO texto de Arcary enfrenta diversos argumentos, por vezes contradit\u00f3rios, uma vez que critica n\u00e3o especificamente uma posi\u00e7\u00e3o, mas um conjunto de posi\u00e7\u00f5es que, em comum, t\u00eam apenas sua oposi\u00e7\u00e3o a centrar a agita\u00e7\u00e3o socialista em torno da palavra de ordem das \u201cDiretas J\u00e1\u201d. Portanto, ao inv\u00e9s de \u201cenfrentar os argumentos\u201d, \u2013 com os quais muitas vezes concordamos, em termos \u2013 passamos apenas \u00e0 nossa exposi\u00e7\u00e3o, em di\u00e1logo com o texto do camarada.<\/p>\n<p><strong>A situa\u00e7\u00e3o e as distin\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Toda a exposi\u00e7\u00e3o sobre as diferen\u00e7as entre o atual momento e 1984 aparece no texto de Arcary para servir de contrapeso cr\u00edtico \u00e0s duas semelhan\u00e7as que o camarada pretende destacar \u2013 uma expl\u00edcita e outra impl\u00edcita. O camarada cita \u201ca crise econ\u00f4mica que produziu uma recess\u00e3o prolongada que j\u00e1 condena mais de 13 milh\u00f5es ao desemprego, depois de tr\u00eas anos seguidos de crescentes flagelos sociais\u201d. A outra semelhan\u00e7a parece ser o amplo apoio das organiza\u00e7\u00f5es populares \u00e0 palavra de ordem das Diretas J\u00e1 \u2013 que, no caso presente, vem se consolidando desde a deposi\u00e7\u00e3o do governo petista e escalada de Temer \u00e0 presid\u00eancia. Arcary, ainda que ressalve o cuidado necess\u00e1rio que \u00e9 preciso ter com as analogias hist\u00f3ricas, defende que esta palavra de ordem tem plena atualidade, e n\u00e3o se trata apenas de um <em>repeti\u00e7\u00e3o<\/em> espont\u00e2nea, de um sintoma do baixo n\u00edvel de consci\u00eancia revolucion\u00e1ria das massas, de cujo reboque n\u00e3o se sabe muito bem como sair sem cair no vanguardismo. [2]<\/p>\n<p>Mas as tr\u00eas distin\u00e7\u00f5es elencadas s\u00e3o apenas momentos da distin\u00e7\u00e3o completa entre as situa\u00e7\u00f5es: em 1984, o pa\u00eds vivenciou uma crise da autocracia militar burguesa, impulsionada e acelerada pelo movimento de massas sob a crise econ\u00f4mica e que for\u00e7ou parte da pr\u00f3pria burguesia a passar ao lado da luta de massas (\u00e0 defensiva, portanto, no geral). Por isso podemos falar em uma campanha \u201crealizada contra o \u00faltimo governo da ditadura militar\u201d, em uma \u201csitua\u00e7\u00e3o pr\u00e9-revolucion\u00e1ria\u201d e com apoio de uma ou outra \u201cfra\u00e7\u00e3o burguesa importante\u201d. As notas de rodap\u00e9 3 e 4 do texto do camarada nos d\u00e3o a entender que ele compartilhe de tal entendimento no essencial.<\/p>\n<p>Em 2017, o caso \u00e9 totalmente distinto: trata-se de uma crise da rep\u00fablica democr\u00e1tico-burguesa e seus partidos, acelerada pelos conflitos interburgueses sob a crise econ\u00f4mica e que arrancou parte da classe dominante \u00e0 pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes (passando \u00e0 ofensiva, no geral, por fim). Por isso, travamos nossa luta n\u00e3o no terreno da poss\u00edvel passagem da autocracia \u00e0 democracia burguesa, mas qui\u00e7\u00e1 na emin\u00eancia do seu avesso; em uma situa\u00e7\u00e3o onde se intensificam os conflitos internos das classes dominantes (em especial em sua express\u00e3o pol\u00edtico-estatal), mas tamb\u00e9m intensifica o movimento unit\u00e1rio da burguesia contra o proletariado. A crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica n\u00e3o se combinam com nenhum explosivo levante das massas exploradas e oprimidas. Acrescenta-se o que valer\u00e1 esmiu\u00e7ar depois: \u201cA terceira, por\u00e9m, n\u00e3o menos importante, \u00e9 que nenhuma fra\u00e7\u00e3o burguesa importante \u00e9 a favor da convoca\u00e7\u00e3o antecipada de elei\u00e7\u00f5es como sa\u00edda para a crise do governo Temer\u201d.<\/p>\n<p>O camarada n\u00e3o desenvolve tais caracteriza\u00e7\u00f5es e passa imediatamente \u00e0s distin\u00e7\u00f5es que pretende destacar. Mas apenas essas caracteriza\u00e7\u00f5es permitem entender a real implica\u00e7\u00e3o de afirmar que \u201cem 1984 a campanha era realizada contra o \u00faltimo governo da ditadura militar\u201d: a quest\u00e3o aqui \u00e9 a distin\u00e7\u00e3o entre o significado das palavras de ordem democr\u00e1ticas em um contexto de <em>crise da domina\u00e7\u00e3o autocr\u00e1tica burguesa<\/em> e em um contexto de <em>crise da domina\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa<\/em>.<\/p>\n<p><strong>A luta nos marcos da crise da democracia burguesa<\/strong><\/p>\n<p>Arcary maneja dois tipos de argumentos quando fala sobre a \u201cprimeira distin\u00e7\u00e3o\u201d (sobre a qual, em verdade, conv\u00e9m \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o se deter por pouco tempo \u2013 e, ao contr\u00e1rio, conv\u00e9m \u00e0 nossa r\u00e9plica nos alongarmos).<\/p>\n<p>O primeiro deles \u00e9 uma ressalva: ainda que assuma que a luta atual se trava no terreno da rep\u00fablica democr\u00e1tica burguesa, o camarada frisa a ilegitimidade do regime:<\/p>\n<p>\u201cPortanto, sem qualquer <em>legitimidade<\/em> democr\u00e1tica. N\u00e3o s\u00f3 porque chegou ao poder atrav\u00e9s de um golpe parlamentar-jur\u00eddico, porque o regime em vigor n\u00e3o \u00e9 parlamentarista, mas porque o programa de reformas que est\u00e1 em execu\u00e7\u00e3o que, justi\u00e7a se diga, come\u00e7ou a ser aplicado pelo governo anterior liderado pelo PT, perdeu as elei\u00e7\u00f5es gerais de 2014.\u201d<\/p>\n<p>Esse argumento pode aparentar bastante bom-senso, mas na verdade abre espa\u00e7o para gigantescas confus\u00f5es em meio ao senso comum democr\u00e1tico-reformista dominante na esquerda \u2013 como, no geral, a defesa das \u201cDireitas J\u00e1\u201d permite.<\/p>\n<p>Por um lado, do ponto de vista da an\u00e1lise <em>subjetiva<\/em> da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, isto \u00e9, do estado da consci\u00eancia e do \u00e2nimo das massas, essas considera\u00e7\u00f5es s\u00e3o absolutamente pertinentes. Assim como j\u00e1 antes da queda de Dilma, a falta de correspond\u00eancia entre o programa eleito nas urnas e aquele sendo aplicado permite (somada \u00e0 ojeriza \u00e0s manobras realizadas por figuras repugnantes no parlamento) ampliar em escala toda a campanha de den\u00fancia da pol\u00edtica burguesa do governo, bem como sua assimila\u00e7\u00e3o pelas massas. Em resumo: nos \u00faltimos anos, t\u00eam-se ampliado a ruptura do povo com o regime, sob a grande derrota sofrida pela pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, do ponto de vista das rela\u00e7\u00f5es <em>objetivas<\/em> entre as classes e o Estado burgu\u00eas, tais considera\u00e7\u00f5es significam apenas uma <em>tend\u00eancia<\/em>, n\u00e3o um fato consumado: a tend\u00eancia ao recrudescimento da repress\u00e3o pol\u00edtica e do fechamento do regime. Do lado do reformismo, contudo, n\u00e3o s\u00e3o poucos aqueles que pronunciam desde j\u00e1 como instalada a autocracia burguesa. Mas a quest\u00e3o fundamental n\u00e3o \u00e9, nem nunca ser\u00e1, numa democracia das classes dominantes, a \u201clegitimidade\u201d democr\u00e1tica do governo (ou ent\u00e3o as taxas de absten\u00e7\u00e3o e anula\u00e7\u00e3o eleitoral teriam qualquer significado objetivo); a quest\u00e3o fundamental para mesurar o car\u00e1ter mais ou menos democr\u00e1tico ou autorit\u00e1rio de um regime n\u00e3o \u00e9 o projeto pol\u00edtico \u00e0 frente do Executivo, ou sua correspond\u00eancia maior ou menor com a campanha estelionat\u00e1ria ou n\u00e3o que o elegeu [3]. A quest\u00e3o fundamental aqui \u00e9 a das <em>liberdades e garantias democr\u00e1ticas, <\/em>pois s\u00e3o essas as condi\u00e7\u00f5es da rep\u00fablica burguesa que a fazem efetivamente distinta da autocracia enquanto terreno para a luta de classe do proletariado. E, nesse \u00e2mbito, h\u00e1 uma gigantesca diferen\u00e7a entre afirmar que o regime atual caminha a passos largos para a autocracia ou que vivemos sob uma ditadura!<\/p>\n<p>Certamente a agita\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria n\u00e3o deve negligenciar a <em>ilegitimidade democr\u00e1tica<\/em> desse governo. Por outro lado, erra em n\u00e3o reconhecer sua <em>legalidade democr\u00e1tica<\/em>. O aumento da persegui\u00e7\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais, como j\u00e1 sabemos, vem j\u00e1 dos \u00faltimos anos dos governos petistas \u2013 e mesmo sob Temer apenas aumentou quantitativamente, sem qualquer mudan\u00e7a qualitativa (isto \u00e9, qualquer retirada do direito \u00e0 associa\u00e7\u00e3o, express\u00e3o e voto).<\/p>\n<p>Essa distin\u00e7\u00e3o tem grande significado na quest\u00e3o que abordamos, da pertin\u00eancia da palavra de ordem democr\u00e1tica das \u201cDiretas J\u00e1\u201d. Estivessem as garantias democr\u00e1tico-legais burguesas em risco eminente, sob ataque aberto de uma proposta que cassasse a liberdade de organiza\u00e7\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o (que \u00e9 o caso, nas ocasi\u00f5es em que a autocracia burguesa se transforma qualitativamente), ou o parlamento fosse fechado, ou mesmo se adiassem as elei\u00e7\u00f5es; certamente as consignas democr\u00e1ticas passariam ao primeiro plano \u2013 t\u00e3o certamente quanto n\u00e3o seriam resum\u00edveis, neste contexto, na reivindica\u00e7\u00e3o de \u201cDiretas J\u00e1\u201d, como o foram em 84, quanto a liberdade de organiza\u00e7\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o j\u00e1 vinha sendo conquistada, <em>de fato<\/em>, pela luta de massas.<\/p>\n<p>A tarefa dos revolucion\u00e1rios n\u00e3o \u00e9 apenas a de ligar suas palavras de ordem ao estado de consci\u00eancia vigente das massas, mas sim erguer as consignas que permitam, em associa\u00e7\u00e3o ao estado presente da consci\u00eancia, desenvolv\u00ea-la. Por isso mesmo, a quest\u00e3o que aqui frisamos n\u00e3o \u00e9, de modo algum, um pormenor no debate sobre as reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas: significa entender como tais palavras de ordem se relacionam com a pr\u00f3pria forma de domina\u00e7\u00e3o que pesa sobre as massas.<\/p>\n<p>No caso de 1984, vemos a combina\u00e7\u00e3o da <em>objetividade necess\u00e1ria<\/em> da luta contra a autocracia com o avan\u00e7o, entre as massas, de uma consci\u00eancia democr\u00e1tica cada vez mais unit\u00e1ria. No outro, temos um cen\u00e1rio bastante diverso: a massifica\u00e7\u00e3o da reivindica\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-eleitoral como express\u00e3o de um estado de consci\u00eancia revolucion\u00e1ria rebaixado, ao mesmo tempo em que tal difus\u00e3o n\u00e3o consegue unificar a massa (e n\u00e3o s\u00f3 sua vanguarda), <em>uma vez que gigantescas camadas do proletariado v\u00eam com desconfian\u00e7a crescente a democracia eleitoral burguesa<\/em> (o que se expressa n\u00e3o s\u00f3 nas <a href=\"https:\/\/lavrapalavra.com\/2016\/10\/05\/o-ponto-de-vista-comunista-sobre-o-voto-nulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">crescentes absten\u00e7\u00f5es e anula\u00e7\u00f5es eleitorais<\/a>, mas na ampla ades\u00e3o a candidaturas que se pintam como \u201capol\u00edticas\u201d, ou propostas como o <a href=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/brasil\/em-enquete-do-senado-maioria-apoia-fim-do-voto-obrigatorio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fim do voto obrigat\u00f3rio<\/a>). Isso \u00e9, inclusive, um dos resultados da <em>ilegitimidade <\/em>deste governo, produzido, contudo, e modo absolutamente <em>legal<\/em> pelo parlamento legitima e legalmente eleito.<\/p>\n<p>Nesse contexto, acreditamos que organizar a eleva\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia proporcionada pela crise da democracia parlamentar \u00e9 uma tarefa imediata, e vale infinitamente mais do que toda uma tonelada de agita\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. J\u00e1 <a href=\"https:\/\/lavrapalavra.com\/2016\/04\/27\/uma-tatica-sem-estrategia-ou-a-miseria-da-defesa-da-democracia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">argumentamos isso em outro momento<\/a>, quando um \u201ccomunista\u201d da Articula\u00e7\u00e3o de Esquerda apresentou sua defesa das bandeiras democr\u00e1tica e sua cr\u00edtica \u00e0 t\u00e1tica do PCB: \u201cEntre dar aulas de constitucionalismo, para ver se, ent\u00e3o, o proletariado passa a se indignar mais com as manobras da direita; ou realizar a propaganda da teoria revolucion\u00e1ria do proletariado; algu\u00e9m que se autodeclara comunista n\u00e3o deveria ter qualquer sombra de d\u00favida de qual \u00e9 a sua t\u00e1tica.\u201d Mas poderemos nos aprofundar neste aspecto da quest\u00e3o adiante, quando tratarmos mais especificamente das acusa\u00e7\u00f5es de \u201cultrapropagandismo\u201d.<\/p>\n<p>Passamos, ent\u00e3o, ao segundo tipo de argumento apresentando por Arcary neste momento: a analogia com situa\u00e7\u00f5es comentadas por Trotsky. Quanto \u00e0 cita\u00e7\u00e3o que abre o texto, esperamos j\u00e1 ter argumentado nossa obje\u00e7\u00e3o no ponto anterior: a situa\u00e7\u00e3o presente n\u00e3o \u00e9, em absoluto, compar\u00e1vel \u00e0quela da imin\u00eancia da invas\u00e3o nazista \u00e0 \u00c1ustria. Caberia apenas ressaltar a curiosa semelhan\u00e7a entre a posi\u00e7\u00e3o de Trotsky, neste tema, e a de Dimitrov \u2013 posi\u00e7\u00e3o esta classificada como \u201coportunista\u201d no 6\u00ba Congresso da Internacional Comunista, e posteriormente vitoriosa, dando origem \u00e0s chamadas Frentes Populares \u2013 contra as quais tantas vezes arremeteu o trotskismo (em <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/rodrigues\/1985\/mes\/dimitrov.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">nossa particular opini\u00e3o, com alguma raz\u00e3o<\/a>)&#8230;<\/p>\n<p>Resta, ent\u00e3o, enfrentar as cita\u00e7\u00f5es ao Programa de Transi\u00e7\u00e3o \u2013 com as quais pretende Arcary justificar que \u201cbandeiras democr\u00e1ticas possam ter um papel progressivo, portanto, transicional, na disputa pol\u00edtica, mesmo quando a luta n\u00e3o \u00e9 mais contra uma ditadura\u201d. Faltam-lhe cita\u00e7\u00f5es, infelizmente, de exemplos hist\u00f3ricos \u2013 com o que se poderia resolver a quest\u00e3o de modo muito mais convincente, e sem cair em <a href=\"https:\/\/lavrapalavra.com\/2016\/05\/24\/o-brasil-esta-maduro-para-o-socialismo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pol\u00eamicas sobre a caracteriza\u00e7\u00e3o do Brasil como \u201cpa\u00eds atrasado\u201d<\/a>. Mas, antes, relembremos alguns pontos do mencionado t\u00f3pico \u201c<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/trotsky\/1938\/programa\/cap02.htm#15\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Os pa\u00edses atrasados e o programa das reivindica\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias<\/em><\/a>\u201d que Arcary esqueceu-se de mencionar por completo:<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 imposs\u00edvel rejeitar pura e simplesmente o programa democr\u00e1tico: \u00e9 necess\u00e1rio que as pr\u00f3prias massas ultrapassem este programa na luta. A palavra-de-ordem de ASSEMBL\u00c9IA NACIONAL (OU CONSTITUINTE) conserva todo seu valor <strong><em>em pa\u00edses como a China ou a \u00cdndia<\/em><\/strong>. <strong><em>\u00c9 necess\u00e1rio ligar, indissoluvelmente, esta palavra-de-ordem \u00e0s tarefas de emancipa\u00e7\u00e3o nacional e da reforma agr\u00e1ria<\/em><\/strong>. \u00c9 necess\u00e1rio, antes de mais nada, armar os oper\u00e1rios com esse programa democr\u00e1tico. Somente eles poder\u00e3o sublevar e reunir os camponeses. Baseados no programa democr\u00e1tico e <em>revolucion\u00e1rio<\/em> \u00e9 necess\u00e1rio opor os oper\u00e1rios \u00e0 burguesia &#8216;nacional&#8221;.\u201d<\/p>\n<p>De pronto, vemos duas omiss\u00f5es importantes na sele\u00e7\u00e3o feita pela cita\u00e7\u00e3o de Arcary: a primeira, que tornaria bastante question\u00e1vel a classifica\u00e7\u00e3o conjunta, na mesma rubrica de \u201catrasados\u201d, de pa\u00edses como o Brasil atual e a China e a \u00cdndia da \u00e9poca, nas quais predominavam rela\u00e7\u00f5es de classes <em>agr\u00e1rias<\/em> e pr\u00e9-capitalistas (ainda, ressalve-se que a reprodu\u00e7\u00e3o do capital imperialista j\u00e1 fosse determinante sobre a din\u00e2mica das classes em tais pa\u00edses).<\/p>\n<p>A segunda omiss\u00e3o, ligada a esta primeira, revela o que s\u00e3o \u201creivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas\u201d, em verdade: \u00e9 \u00f3bvio que Trotsky n\u00e3o pretende que o proletariado re\u00fana os camponeses gra\u00e7as \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1tico-formais que comp\u00f5e aquilo que chama de \u201cprograma democr\u00e1tico\u201d. A reforma agr\u00e1ria e a emancipa\u00e7\u00e3o nacional assumem aqui uma import\u00e2ncia gigantesca, e s\u00e3o elas pr\u00f3prias n\u00e3o reivindica\u00e7\u00f5es anticapitalistas, mas <strong><em>reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1tico-burguesas, nacionais<\/em><\/strong>. Em sua inescap\u00e1vel centralidade para a revolu\u00e7\u00e3o nestes \u201cpa\u00edses atrasadas\u201d, n\u00e3o poderiam se associar consequentemente sen\u00e3o a um conjunto de reivindica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, tamb\u00e9m elas, democr\u00e1tico-burguesas. Contudo, postas em movimento tais massas em tais termos, estar\u00edamos falando de uma subleva\u00e7\u00e3o camponesa e revolucion\u00e1ria, que levaria \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o crescente do bloco prolet\u00e1rio e campon\u00eas \u00e0 burguesia \u2018nacional\u2019 na medida em que esta se chocasse com o programa democr\u00e1tico campon\u00eas e pequeno burgu\u00eas, o qual, antes de acontecido isso tudo, n\u00e3o era poss\u00edvel \u201crejeitar pura e simplesmente\u201d.<br \/>\nConcorde-se ou discorde-se, fica n\u00edtido que tal cita\u00e7\u00e3o n\u00e3o basta para socorrer a defesa da reivindica\u00e7\u00e3o pela antecipa\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es, ou demonstrar que \u201cbandeiras democr\u00e1ticas possam ter um papel progressivo, portanto, transicional, na disputa pol\u00edtica, mesmo quando a luta n\u00e3o \u00e9 mais contra uma ditadura\u201d \u2013 mesmo porque tais \u201cpa\u00edses atrasados\u201d que Trotsky menciona n\u00e3o eram ditaduras burguesas, mas tampouco democracias burguesas!<\/p>\n<p>Mesmo se desconsider\u00e1ssemos essas omiss\u00f5es, caberiam alguns questionamentos: por que ent\u00e3o recha\u00e7ar a palavra de ordem pela Assembleia Constituinte? Dentro de todo o rol das bandeiras que podem compor um programa democr\u00e1tico, qual seria o valor espec\u00edfico de uma reivindica\u00e7\u00e3o que demanda n\u00e3o os direitos constitucionais \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o, express\u00e3o, ou mesmo ao voto em si, mas apenas a <em>antecipa\u00e7\u00e3o<\/em> das elei\u00e7\u00f5es? [4] De que modo essa reivindica\u00e7\u00e3o pode <em>transicionar <\/em>a qualquer lugar sen\u00e3o, no melhor cen\u00e1rio, novas elei\u00e7\u00f5es em condi\u00e7\u00f5es de extrema desvantagem ou, no pior cen\u00e1rio, a uma prolongada agita\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica rumo \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 2018 (sem levar a nenhuma lugar, ap\u00f3s \u2013 mas retornaremos a este ponto adiante).<\/p>\n<p>Se Arcary desejar se basear no <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/trotsky\/1938\/programa\/cap02.htm#13\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Transi\u00e7\u00e3o<\/a>, ter\u00e1 que for\u00e7osamente admitir que (sob o risco de ter adjetivado o pr\u00f3prio fundamento que ergue em seu favor de \u201cultra propagand\u00edstico\u201d):<\/p>\n<p>\u201c<strong><em>A agita\u00e7\u00e3o sob a palavra-de-ordem de &#8220;Governo oper\u00e1rio e campon\u00eas&#8221; guarda, em todas as condi\u00e7\u00f5es, um enorme valor educativo<\/em><\/strong>. E n\u00e3o \u00e9 por acaso: esta palavra-de-ordem generalizadora segue absolutamente a linha do desenvolvimento pol\u00edtico de nossa \u00e9poca (<strong><em>bancarrota e desagrega\u00e7\u00e3o dos velhos partidos burgueses, fal\u00eancia da democracia, ascens\u00e3o do fascismo, aspira\u00e7\u00e3o crescente dos trabalhadores a uma pol\u00edtica mais ativa e mais ofensiva<\/em><\/strong>). \u00c9 por isso que cada uma de nossas reivindica\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias deve conduzir sempre \u00e0 mesma conclus\u00e3o pol\u00edtica: os oper\u00e1rios devem romper com todos os partidos tradicionais da burguesia para estabelecer, em comum com os camponeses, seu pr\u00f3prio poder.\u201d<\/p>\n<p>Posto isso, passamos pela segunda distin\u00e7\u00e3o de modo similar ao do camarada Arcary: afirmando que, mesmo que n\u00e3o consideremos que \u201cestamos diante de uma situa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-revolucion\u00e1ria\u201d [5], dever\u00edamos considerar mais a primeira distin\u00e7\u00e3o \u2013 principalmente do ponto de vista de suas implica\u00e7\u00f5es para as reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e as palavras de ordem de populariza\u00e7\u00e3o da ditadura do proletariado.<\/p>\n<p>Se, de fato, n\u00e3o vivemos um per\u00edodo pr\u00e9-revolucion\u00e1rio, tamb\u00e9m n\u00e3o vivemos em um de estabilidade pol\u00edtica democr\u00e1tica (de \u201clegitimidade<em>\u201d)<\/em>, daqueles do \u201c<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/bensaid\/ano\/mes\/lenin.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">marasmo pol\u00edtico<\/a>\u201d que t\u00e3o pouco ensina \u00e0s massas em tanto tempo. Ao contr\u00e1rio: tamb\u00e9m nesse chamado \u201cinterregno gramsciano\u201d, onde os de cima j\u00e1 n\u00e3o podem seguir dominando como antes, mas aos de baixo ainda falta o querer organizado e consciente de romper com as suas correntes, tamb\u00e9m nessas \u00e9pocas vislumbram-se dias de crise e reviravoltas que, ainda que pontuais, educam as massas para os limites da democracia burguesa.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 imposs\u00edvel rejeitar pura e simplesmente o programa democr\u00e1tico: \u00e9 necess\u00e1rio que as pr\u00f3prias massas ultrapassem este programa na luta.\u201d Afirmar isso diante das manifesta\u00e7\u00f5es de 1984 decerto n\u00e3o pode levar \u00e0 mesma conclus\u00e3o que hoje, ap\u00f3s d\u00e9cadas de experi\u00eancia das massas com a corrup\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o da rep\u00fablica democr\u00e1tica burguesa, e diante da desagrega\u00e7\u00e3o crescente dos partidos burgueses.<\/p>\n<p>A crise do presente governo, bem como a do anterior, n\u00e3o s\u00e3o crises pontuais destes governos, mas momentos de uma crise da pr\u00f3pria III Rep\u00fablica, com seu pacto constitucional-democr\u00e1tico de 1988, seja por sua incapacidade de realizar as demandas populares (algo que em junho de 2013 passa a se evidenciar aceleradamente aos olhos das massas), seja pelas declara\u00e7\u00f5es de guerra da burguesia contra toda uma s\u00e9rie de \u201ccompromissos sociais\u201d (legais) que lhe atravancam relativamente a explora\u00e7\u00e3o e a acumula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Unidade e cis\u00e3o na classe dominante e a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o do camarada d\u00e1 grande import\u00e2ncia \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o de que \u201cnenhuma fra\u00e7\u00e3o burguesa importante \u00e9 a favor da convoca\u00e7\u00e3o antecipada de elei\u00e7\u00f5es como sa\u00edda para a crise do governo Temer. [&#8230;] Ou seja, a unanimidade na classe dominante em defesa de uma elei\u00e7\u00e3o indireta, agora dissimulada como constitucional, ou a aus\u00eancia de qualquer fra\u00e7\u00e3o burguesa que defenda a antecipa\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es.\u201d Essa afirma\u00e7\u00e3o, a nosso ver, simplifica demasiadamente a quest\u00e3o (ainda que o camarada tenha o cuidado de n\u00e3o simplificar a quest\u00e3o da unidade da burguesia, quando fala em \u201cfra\u00e7\u00e3o burguesa importante\u201d) \u2013 e leva a conclus\u00f5es falsas.<\/p>\n<p>Era absolutamente verdadeiro, no momento em que Arcary escreveu, que havia \u201ca unanimidade na classe dominante em defesa de uma elei\u00e7\u00e3o indireta\u201d. Mas as conclus\u00f5es em torno desta afirma\u00e7\u00e3o produzem fal\u00e1cias, se n\u00e3o se considera o desenvolvimento todo da luta de classes que colocou, em primeiro lugar, essa quest\u00e3o \u00e0 burguesia: a de ter que se decidir entre apoiar elei\u00e7\u00f5es indiretas ou diretas.<\/p>\n<p>A burguesia n\u00e3o \u00e9 uma classe coesa e homog\u00eanea \u2013 e, pelas leis de seu pr\u00f3prio reino, tem entre si n\u00e3o apenas interesses convergentes, mas enormes motivos para a <em>concorr\u00eancia<\/em>. Essa condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria sua n\u00e3o est\u00e1 desligada do fato de o Estado burgu\u00eas (com seus partidos parlamentares e governamentais, seus \u00f3rg\u00e3os burocr\u00e1ticos, seu judici\u00e1rio e aparatos policiais, etc) ter uma relativa autonomia frente \u00e0s fra\u00e7\u00f5es diversas da burguesia objetivamente consideradas, e funcionar como elemento de unifica\u00e7\u00e3o exterior da classe. Por isso tamb\u00e9m Marx dizia que a rep\u00fablica parlamentar \u00e9 a forma mais pura da domina\u00e7\u00e3o burguesa: \u00e9 no parlamento que a burguesia pode se expressar em suas diversas tend\u00eancias, e negociar sua unifica\u00e7\u00e3o em tais ou quais termos, a depender das correla\u00e7\u00f5es entre suas fra\u00e7\u00f5es e sua representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O processo de impeachment de Dilma Rousseff ainda se prestar\u00e1 historicamente a in\u00fameras li\u00e7\u00f5es e pol\u00eamicas, em especial \u00e0quelas que envolvem a din\u00e2mica da representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da luta de classes. Em um primeiro momento, incapazes de captar o significado dos conflitos interburgueses [6] abertos, muitos foram tomados pela histeria, enxergando ou um sintoma da ruptura do povo com o governo, ou um golpe da burguesia contra o povo. Com o passar dos meses, sedimentou-se na esquerda socialista um entendimento mais preciso: a leitura do golpe como um movimento de uma fra\u00e7\u00e3o audaz e reacion\u00e1ria da burguesia contra a sua fra\u00e7\u00e3o conciliadora, sua \u201cala esquerda\u201d, hegem\u00f4nica at\u00e9 ent\u00e3o atrav\u00e9s da alian\u00e7a com o oportunismo sindical, a \u201cpol\u00edtica burguesa no movimento oper\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Ainda que n\u00e3o nos estendamos aqui relembrando cada passagem destes meses, algumas movimenta\u00e7\u00f5es n\u00edtidas permitiram a visualiza\u00e7\u00e3o por amplas camadas do povo dos golpes desta luta da classe burguesa: o papel de vanguarda da FIESP como primeira fra\u00e7\u00e3o importante da burguesia da apoiar o golpe parlamentar deflagrado pela direita pol\u00edtica e pelas convuls\u00f5es do fisiologismo da base aliada; a unidade quase que at\u00e9 o fim das empreiteiras com o governo Dilma; a passagem lenta do agroneg\u00f3cio para o campo do golpe, atrasada pelo desgarramento relativo de K\u00e1tia Abreu, substitu\u00edda na representa\u00e7\u00e3o governamental por Blairo Maggi&#8230; Ap\u00f3s instalado o mandato de Temer, a imprensa noticiou todo o beija-m\u00e3o: <a href=\"http:\/\/dana.com.br\/canaldana\/2016\/06\/22\/montadoras-se-aproximam-do-governo-temer\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">sucessivas reuni\u00f5es<\/a> de empres\u00e1rios com o presidente, consolidando sua interinidade.<\/p>\n<p>Ou seja: quando A\u00e9cio Neves pela primeira vez contestou o resultado das elei\u00e7\u00f5es de 2014, ainda \u201cnenhuma fra\u00e7\u00e3o burguesa importante\u201d era a favor da deposi\u00e7\u00e3o do governo petista. Um ano depois, no come\u00e7o de 2016, se iniciou um processo de reorganiza\u00e7\u00e3o da <em>unidade no conflito<\/em> da burguesia em torno de Temer, que em 2017 j\u00e1 se consolidara relativamente. Essa unidade se expressava nos termos do programa da \u201cPonte para o Futuro\u201d: um futuro a curt\u00edssimo prazo, antes das elei\u00e7\u00f5es seguintes, e de ataque frontal, atrav\u00e9s de um conjunto de contrarreformas e privatiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1, portanto, uma mudan\u00e7a na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre fra\u00e7\u00f5es burguesas; que pressionam, por sua vez, por uma mudan\u00e7a na pr\u00f3pria correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre a burguesia no geral e o proletariado. Ou, melhor dizendo: passando a burguesia a uma ofensiva mais dura, revelou-se o estado de debilidade da defensiva prolet\u00e1ria, ap\u00f3s anos de primazia da concilia\u00e7\u00e3o e da pacifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Haveriam cessado, ent\u00e3o, os conflitos interburgueses? Nesse aspecto, o aparato judicial desempenhou um papel de curioso destaque \u2013 esse poder \u00fatil, a todo tempo, do ponto de vista ideol\u00f3gico \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da ordem burguesa; e, ao mesmo tempo, atuando ent\u00e3o <em>politicamente<\/em> como express\u00e3o daquele anseio das camadas m\u00e9dias \u00e0 \u201c<a href=\"https:\/\/lavrapalavra.com\/2016\/08\/12\/o-socialismo-tributario-imposto-sobre-grandes-fortunas-e-a-falacia-de-um-sistema-igualitario\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">rep\u00fablica honesta<\/a>\u201d. Passado o impeachment de Dilma, contudo, o judici\u00e1rio continuou agindo como inc\u00f4modo elemento de desestabiliza\u00e7\u00e3o da unidade da burguesia. Em verdade, tudo o que possa se chamar \u201ccrise do governo Temer\u201d, como prefere Arcary, tem muito mais a ver com a atua\u00e7\u00e3o deste \u00f3rg\u00e3o do que, em verdade, com a resist\u00eancia prolet\u00e1ria imediata, ou com a iniciativa de qualquer fra\u00e7\u00e3o burguesa importante (a n\u00e3o ser que ressalvemos que, no est\u00e1gio monopolista do capitalismo, \u00e9 poss\u00edvel a aberra\u00e7\u00e3o de que as a\u00e7\u00f5es de uma dupla de irm\u00e3os burgueses reverbere sobre a luta de classes com o impacto de uma fra\u00e7\u00e3o importante da burguesia por si s\u00f3, devido a seu peso relativo no setor em que se inserem).<\/p>\n<p>Como j\u00e1 dissemos, a unidade da burguesia \u00e9 sempre uma unidade na concorr\u00eancia, maior ou menor. Os conflitos interburgueses nunca cessam: se agravam ou reduzem, a depender da capacidade maior ou menos de um equil\u00edbrio em torno de determinados marcos; ou de uma crise desse equil\u00edbrio, uma incapacidade moment\u00e2nea da fra\u00e7\u00e3o dominante de <em>efetivar<\/em> um acordo geral. Toda onda de choques reiniciada ap\u00f3s a dela\u00e7\u00e3o da JBS levavam Temer o mais perto de sua queda do que jamais esteve em todo seu mandato. A tramita\u00e7\u00e3o a todo vapor das contrarreformas no Congresso cessou por um instante.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto, diante da possibilidade de cassa\u00e7\u00e3o de Temer pelo TSE e do in\u00edcio do de seu indiciamento no Congresso que o camarada Arcary encontra \u201ca aus\u00eancia de qualquer fra\u00e7\u00e3o burguesa que defenda a antecipa\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es\u201d. Defrontada a s\u00e9rio com a possibilidade da queda de Temer ainda em junho de 2016, todas as fra\u00e7\u00f5es burguesas importantes passaram apressadamente a buscar nomes para uma poss\u00edvel elei\u00e7\u00e3o congressual indireta. Algumas semanas depois, contudo, as contrarreformas retomaram sua tramita\u00e7\u00e3o, e as tens\u00f5es se adiaram e distenderam.<\/p>\n<p>Mas esse \u00faltimo ponto nem \u00e9 o essencial, e apenas mais tarde retornaremos a ele. A quest\u00e3o \u00e9 que \u00e9 imposs\u00edvel resumir a rela\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora com essa palavra de ordem das \u201cDiretas J\u00e1\u201d nesta rela\u00e7\u00e3o limite da burguesia com a mesma palavra de ordem.<\/p>\n<p>Quando as \u201cElei\u00e7\u00f5es Gerais\u201d foram pela primeira vez defendidas, a palavra de ordem foi generalizadamente recha\u00e7ada pelo movimento oper\u00e1rio. Se precipitando \u00e0s ruas ao lado de setores reacion\u00e1rios, e marchando infelizmente com a pol\u00edtica de ofensiva burguesa sobre o governo de concilia\u00e7\u00e3o de classes, esses setores tiveram grandes reveses pol\u00edticos por conta da defesa, naquele momento, da consigna \u201cFora Todos\u201d.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s, com o fortalecimento do governo de Temer, a situa\u00e7\u00e3o mudou completamente, neste aspecto. Ultrapassada a ilus\u00e3o autoproclamat\u00f3ria e tr\u00e1gica do \u201cN\u00e3o Vai Ter Golpe\u201d; e com a percept\u00edvel incapacidade do \u201cVolta Dilma\u201d de aglutinar muito al\u00e9m da ponta de lan\u00e7a do reformismo; mesmo os setores petistas avan\u00e7aram, ainda antes de consolidado o impeachment, para a palavra de ordem das \u201cDiretas J\u00e1\u201d. As organiza\u00e7\u00f5es trotskistas, por sua vez, passaram em bloco \u00e0 defesa das \u201cElei\u00e7\u00f5es Gerais\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso frisar que pouco se especulava sobre Indiretas naquele momento: a defesa das Elei\u00e7\u00f5es Gerais se argumentava na base da necessidade de uma alternativa propositiva, de uma palavra de ordem \u201cpositiva\u201d, ante todos os \u201cFora\u201d e \u201cContra\u201d.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o perdurou, nesses termos, mais ou menos at\u00e9 a greve geral de 28 de abril. Ambas as palavras de ordem eram aceitas pelas massas indistintamente, a despeito da pretensa diferen\u00e7a entre uma expressamente apontada apenas para a presid\u00eancia e outra supostamente apontada tamb\u00e9m para o parlamento (mesmo que, antes, sempre entoe meramente \u201cFora Temer\u201d, e n\u00e3o \u201cFora Todos\u201d, como seria de se esperar nesse caso&#8230;). Contudo, como reflu\u00edssem as manifesta\u00e7\u00f5es de massas e avan\u00e7assem no parlamento as reformas da previd\u00eancia e das leis trabalhistas, a agita\u00e7\u00e3o classista come\u00e7ou a ultrapassar a agita\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica da pequena burguesia. <a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14383\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Na greve geral de 28 de abril isso \u00e9 vis\u00edvel<\/a>: j\u00e1 argumentamos que a palavra de ordem das Elei\u00e7\u00f5es Gerais n\u00e3o apenas \u201ccomprovou sua insufici\u00eancia na mobiliza\u00e7\u00e3o das massas, em contraste com as palavras de ordem defensivas e classistas; mas tamb\u00e9m se mostrou sua pr\u00f3pria incapacidade de erguer-se como palavra de ordem de unidade e ofensiva, no curso da greve geral do dia 28 de abril\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s isso, falou-se cada vez menos em \u201cElei\u00e7\u00f5es Gerais\u201d, e mesmo ligeiramente menos em \u201cDiretas J\u00e1\u201d, no campo do reformismo. Isso at\u00e9 as dela\u00e7\u00f5es da JBS provocarem alguns intensos dias de reviravoltas palacianas. Pela primeira vez em meses a ofensiva da burguesia na C\u00e2mara cessou por alguns dias; a classe dominante foi confrontada n\u00e3o pelo proletariado, mas pelo seu pr\u00f3prio aparato judicial, e foi for\u00e7ada a decidir pela defesa de Temer at\u00e9 o fim ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>E s\u00f3 ent\u00e3o, levada a tal ponto, a burguesia tomou sua decis\u00e3o: apenas caso alguma medida judicial ou o movimento de massas efetivamente derrubem Temer, apenas neste caso extremo, a burguesia <em>poderia<\/em> se unificar na sa\u00edda da elei\u00e7\u00e3o direta constitucionalmente prevista.<\/p>\n<p>Mas conforme, nas semanas seguintes, o TSE se posicionasse contra a cassa\u00e7\u00e3o de Temer; e as den\u00fancias, ainda que tenham atingido moralmente o governo, n\u00e3o refletissem em nenhum levante das massas; e, n\u00e3o menos importante, como as contrarreformas retomassem sua tramita\u00e7\u00e3o no Congresso; qualquer rota de fuga parlamentar pelas Indiretas passou rapidamente para o segundo plano, at\u00e9 nova ordem. \u00c9 uma alternativa engatilhada, mas menos prov\u00e1vel a cada dia em que reflui o movimento de massas pelo Fora Temer e avan\u00e7am as reformas.<\/p>\n<p>Por isso <em>tamb\u00e9m<\/em>, \u00e9 incorreto tratar do car\u00e1ter mais ou menos necess\u00e1rio da palavra de ordem pelas \u201cDiretas J\u00e1\u201d, a todo o momento, arguindo apenas um momento limite, aquele necessariamente seguinte \u00e0 possibilidade de realiza\u00e7\u00e3o do Fora Temer. Ora, na verdade, \u00e9 negligenciar completamente a quest\u00e3o da temporalidade na luta pol\u00edtica: se Temer for derrubado a tr\u00eas, a cinco, a oito meses do in\u00edcio das elei\u00e7\u00f5es oficiais de 2018, que tipo de vit\u00f3ria pol\u00edtica consiste a antecipa\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es? At\u00e9 que momento faria sentido erguer esta consigna, sem chafurdar visivelmente na agita\u00e7\u00e3o eleitoral e na propaganda democr\u00e1tico-burguesa?<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 mais um motivo: n\u00e3o s\u00f3 o da rela\u00e7\u00e3o de temporalidade, mas o da pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o de <em>sucess\u00e3o l\u00f3gica entre as palavras de ordem<\/em> do \u201cFora Temer\u201d e das \u201cElei\u00e7\u00f5es Gerais\u201d. Por hora, o essencial para n\u00f3s ser\u00e1 o da rela\u00e7\u00e3o de temporalidade, porquanto tamb\u00e9m se expressa no que diz respeito \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria <em>correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as<\/em>.<\/p>\n<p>Efetivamente, mesmo que se derrube Temer hoje, essa derrubada n\u00e3o ser\u00e1 uma derrubada revolucion\u00e1ria. Na melhora das hip\u00f3teses, seria poss\u00edvel conceber uma paralisa\u00e7\u00e3o tal das atividades nacionais que Temer acelerasse a sua ren\u00fancia, ou a tramita\u00e7\u00e3o de um impeachment sobre press\u00e3o popular. Mais uma alternativa, \u00e9 claro (e a mais prov\u00e1vel, para nossa trag\u00e9dia), \u00e9 um cen\u00e1rio onde o poder judici\u00e1rio desempenhe papel de destaque. A temporalidade entre a queda de Temer e a posse do presidente do Congresso, em princ\u00edpio, como interino, depende de qual desses cen\u00e1rios se efetivar\u00e1.<br \/>\n\u00c9 poss\u00edvel prever que no caso da ren\u00fancia de Temer (que demandaria uma crise ainda mais profunda e prolongada de seu governo do que as j\u00e1 vivenciadas) ou de uma cassa\u00e7\u00e3o judicial, um interino assumiria imediatamente. O outro cen\u00e1rio \u00e9 a abertura de um procedimento parlamentar, que se estender\u00e1 menos ou mais a depender do efeito desta abertura sobre as mobiliza\u00e7\u00f5es das massas. Em ambos cen\u00e1rios, sabemos agora, a burguesia rejeita a antecipa\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es diretas \u2013 e \u00e9 essa a medida da import\u00e2ncia que devemos dar \u00e0 \u201cterceira diferen\u00e7a\u201d elencada pelo camarada, evidenciada ao longo de junho de 2017.<\/p>\n<p>Sabemos, tamb\u00e9m, por essa mesma experi\u00eancia, que nenhum setor burgu\u00eas importante se mover\u00e1 pela queda de Temer, mas, ao contr\u00e1rio, pela sua estabiliza\u00e7\u00e3o. Excetuado o judici\u00e1rio e um ou outro pedido de <a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/opiniao\/editorial-renuncia-do-presidente-21365443\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ren\u00fancia<\/a> da parte da imprensa comercial (j\u00e1 arrefecido e convertido em <a href=\"http:\/\/noblat.oglobo.globo.com\/editoriais\/noticia\/2017\/06\/sucessao-de-janot-transcende-temer.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">elogios velados<\/a>), n\u00e3o houve uma press\u00e3o mais incisiva pela sa\u00edda de Temer. Tais setores pesam tanto quanto o apoio de FHC e de um ou outro partido reformista burgu\u00eas \u00e0s \u201cDiretas J\u00e1\u201d, e decerto n\u00e3o s\u00e3o \u201csetores burgueses importantes\u201d. Contudo, Arcary <a href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/05\/23\/quatro-pontos-breves-sobre-a-conjuntura\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">justifica<\/a> a defesa das \u201cDiretas J\u00e1\u201d como uma forma de \u201cdizer n\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica da fra\u00e7\u00e3o burguesa que j\u00e1 se deslocou para o Fora Temer\u201d, sem ponderar tanto qual seja tal fra\u00e7\u00e3o, ou sua import\u00e2ncia&#8230;<\/p>\n<p>E, posto tudo isso, a ideia de que a luta por elei\u00e7\u00f5es diretas seria o caminho para bloquear a reforma da Previd\u00eancia Social, por exemplo, parece bastante question\u00e1vel. \u00c9 certo que a derrubada de Temer bloquearia temporariamente tais reformas. Mas a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tanto, ent\u00e3o, a da alternativa a Temer (se Direta ou Indireta), mas \u00e0 dura\u00e7\u00e3o da crise que leve \u00e0 sua queda \u2013 e s\u00f3 ent\u00e3o se poderia ver nas \u201cElei\u00e7\u00f5es Gerais\u201d uma bandeira capaz de aprofundar os conflitos interburgueses e prolongar a estagna\u00e7\u00e3o da ofensiva reacion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Feitas essas considera\u00e7\u00f5es, seria preciso ent\u00e3o acrescentar que temos grande acordo com o camarada quando ele afirma que:<\/p>\n<p>\u201cOutros argumentam que a luta pelas Diretas J\u00e1 s\u00f3 serviria para favorecer um \u201cacord\u00e3o\u201d que estabilizaria um regime que j\u00e1 estaria \u201ccambaleante\u201d. <strong>As tr\u00eas ideias s\u00e3o erradas<\/strong>.\u201d<\/p>\n<p>Vemos a situa\u00e7\u00e3o toda, na verdade, de modo bastante similar ao descrito pelo camarada Arcary em algumas passagens: o governo Temer est\u00e1 (<em>relativamente) <\/em>suspenso, inerte, mas s\u00f3 cair\u00e1 sob a luta de massas, e n\u00e3o por si pr\u00f3prio; a classe dominante tem sua unidade relativamente consolidada em torno da aplica\u00e7\u00e3o imediata das reformas, ainda que o judici\u00e1rio represente um elemento desestabilizador que p\u00f5e em risco a pr\u00f3pria hegemonia da forma parlamentar de domina\u00e7\u00e3o burguesa. Contudo, o regime n\u00e3o est\u00e1 cambaleante, nem em crise terminal.<\/p>\n<p>Talvez seja justamente por isso, por\u00e9m, que a palavra de ordem das \u201cDiretas J\u00e1\u201d n\u00e3o tem, efetivamente, o cond\u00e3o de aglutinar as massas contra uma burguesia unificada em torno das Indiretas. N\u00e3o \u00e9 uma sa\u00edda que favorece um acord\u00e3o: \u00e9, no m\u00e1ximo, uma sa\u00edda ultrapreventiva e apressada contra um acord\u00e3o que sequer se mant\u00e9m na ordem do dia. Na pr\u00e1tica, ao fim, n\u00e3o passa de propaganda \u2013 uma vez que n\u00e3o acrescenta sequer uma v\u00edrgula \u00e0 capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o de nossa agita\u00e7\u00e3o pelo \u201cFora Temer\u201d.<br \/>\nParece-nos que \u00e9 Arcary que se funda numa \u201caprecia\u00e7\u00e3o sobrevalorizada, portanto, imagin\u00e1ria, da rela\u00e7\u00e3o social de for\u00e7as que mant\u00e9m pouco contato com a realidade, e resulta em uma f\u00f3rmula propagandista, portanto, impotente, in\u00f3cua, inocente\u201d. Avalia a situa\u00e7\u00e3o como se estiv\u00e9ssemos no limiar da derrubada de Temer e, portanto, na urg\u00eancia de evitar a sa\u00edda Indireta da burguesia para a situa\u00e7\u00e3o. Entusiasma-se com as instabilidades causadas pelos conflitos interburguesas, e sobrevaloriza as viabilidade da derrubada de Temer a curto prazo. Mas, na verdade, o fato de que a burguesia j\u00e1 tenha, preventivamente, at\u00e9 especulado \u201cdivulgados na bolsa de apostas\u201d \u201cos nomes cotados para poder substituir Temer, como Nelson Jobim e outros\u201d n\u00e3o significa que estejamos, hoje, um passo sequer mais perto de depor Temer do que est\u00e1vamos h\u00e1 um m\u00eas ou dois.<\/p>\n<p>N\u00e3o criticamos as \u201cDiretas J\u00e1\u201d propriamente como um acord\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 a alternativa que a burguesia apresenta, nem uma que, no atual est\u00e1gio, se veja obrigada a conceder, ou mesmo recha\u00e7ar objetivamente. Mas seria leviano desconsiderar que \u00e9 absolutamente poss\u00edvel, em outro est\u00e1gio, que a burguesia realize tal compromisso, <em>se a derrubada de Temer<\/em> se realizar pela a\u00e7\u00e3o das massas, e n\u00e3o por uma via controlada judicial.<br \/>\nParece equivocado guiar-se apenas pelo recha\u00e7o da burguesia em tal est\u00e1gio n\u00e3o apenas por que isso desconsidera sua margem de manobra <em>t\u00e1tica<\/em> de m\u00e9dio prazo: porque negligencia sua pr\u00f3pria margem de manobra <em>ideol\u00f3gica.<\/em><\/p>\n<p>Mais que um \u201cacord\u00e3o\u201d, a bandeira das \u201cDiretas J\u00e1\u201d \u00e9 a sa\u00edda que buscam <em>espontaneamente<\/em> as dire\u00e7\u00f5es reformistas e democratas do movimento oper\u00e1rio e popular, encontrando fraco eco na classe oper\u00e1ria, e um pouco mais nas camadas m\u00e9dias. A sa\u00edda de tal situa\u00e7\u00e3o para uma onde tal compromisso entrasse na ordem do dia necessitaria a mais ampla mobiliza\u00e7\u00e3o, que tal palavra de ordem tem se mostrado incapaz de produzir. Ent\u00e3o, quando o camarada Arcary <a href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/06\/08\/duas-perguntas-erradas-e-duas-respostas-honestas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">argumenta<\/a> que \u201cpara conseguir realizar grandes mobiliza\u00e7\u00f5es para tirar Temer da Presid\u00eancia \u00e9 necess\u00e1rio apresentar uma resposta \u00e0 quest\u00e3o de quem deve governar\u201d, em verdade, esse argumento colide frontalmente com a reiterada afirma\u00e7\u00e3o de que a quest\u00e3o do poder n\u00e3o est\u00e1 na ordem do dia, tanto quanto colide com a real capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o mostrada, em contrataste, pelas palavras de ordem defensivas e as propositivas-democr\u00e1ticas&#8230;<\/p>\n<p>Nesse contexto, esta consigna resta como uma mistura de ingenuidade t\u00e1tica com boas doses de propaganda democr\u00e1tico-burguesa. N\u00e3o h\u00e1 outro jeito de explicar afirma\u00e7\u00f5es como a de que:<\/p>\n<p>\u201cA reivindica\u00e7\u00e3o das Diretas J\u00e1 \u00e9 um caminho t\u00e1tico, associada \u00e0 defesa da dissolu\u00e7\u00e3o do atual Congresso, portanto, de Elei\u00e7\u00f5es Gerais, na atual rela\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica de for\u00e7as, para impedir o acord\u00e3o e, <em>por essa via, submetendo ao sufr\u00e1gio universal a decis\u00e3o de quem deve governar, derrotar as reformas<\/em>.\u201d<\/p>\n<p>Em verdade, esta \u00e9 a tese fundamental dos setores combativos que erguem a bandeira das \u201cDiretas J\u00e1\u201d: a antecipa\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es poderia deter as contrarreformas. O problema n\u00e3o se resume a ladear com o oportunismo daqueles setores que querem prometer em Lula uma defesa contra as reformas (ao mesmo tempo em que promete, aos propriet\u00e1rios privados, continuar com as reformas, mesmo que em velocidade reduzida \u2013 e essa distin\u00e7\u00e3o <em>real<\/em> n\u00e3o pode ser absolutizada e confundida com a <em>derrota<\/em> das reformas). O problema maior \u00e9 a pr\u00f3pria concess\u00e3o que se faz, na propaganda, \u00e0 falsa ideia de que a <em>legitimidade<\/em> do sufr\u00e1gio universal carrega uma identifica\u00e7\u00e3o com os <em>interesses das massas.<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 insistimos em como essa afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o obt\u00e9m eco na massa, em que cresce o entendimento diverso: de que a via eleitoral \u00e9 incapaz de realizar suas necessidades. N\u00e3o obstante, essa defesa mete os p\u00e9s pelas m\u00e3os e afirma que o sufr\u00e1gio universal ser\u00e1 um obst\u00e1culo \u00e0s reformas encampadas pelo Congresso atual, eleito pelo mesmo sufr\u00e1gio universal, mas proclamadamente ileg\u00edtimo para eleger indireta e constitucionalmente um presidente. Essas quest\u00f5es fazem toda a agita\u00e7\u00e3o classistas (que se desdobra da oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s reformas) afundar no lodo das pol\u00eamicas sobre a legalidade, a legitimidade, a democracia formal. N\u00e3o espanta preocupem menos aos 13 milh\u00f5es de desempregados que menciona o camarada Arcary do que a quest\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>Limpando o terreno desta ideia de que as elei\u00e7\u00f5es fariam cessar as reformas, \u00e9 preciso ter em vista os marcos efetivos de qualquer <em>caminho t\u00e1tico<\/em> que se pretenda percorrer: a paralisa\u00e7\u00e3o e derrubada do governo de Temer conduz necessariamente \u00e0 cessa\u00e7\u00e3o <em>tempor\u00e1ria<\/em> das contrarreformas, por mais ou menos tempo, a depender do alongamento desta crise governamental. Mas a queda de Temer n\u00e3o conduz necessariamente \u00e0 antecipa\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es; nem a antecipa\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es conduz a uma cessa\u00e7\u00e3o definitiva das contrarreformas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 demais lembrar que, devido \u00e0 correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, qualquer governo que se instale agora, em Bras\u00edlia, apoiado pelos grandes monop\u00f3lios, mesmo que eleito a partir das regras da institucionalidade, vai dar continuidade \u00e0s chamadas reformas, ao ajuste fiscal, ao desmonte dos direitos e garantias dos trabalhadores, porque essa \u00e9 estrat\u00e9gia e a necessidade da burguesia para manter seus lucros. Por isso, n\u00e3o podemos deslocar as lutas populares unit\u00e1rias em ascens\u00e3o para o terreno da institucionalidade burguesa, como campo priorit\u00e1rio. O PCB defende a mais ampla unidade dos trabalhadores contra as reformas antipopulares da burguesia. Esta luta n\u00e3o pode ser secundarizada.\u201d<\/p>\n<p>Quer sejam em 2018, quer se antecipem, quer n\u00e3o se antecipem mesmo com a queda do governo, a quest\u00e3o essencial a todo tempo deste est\u00e1gio da luta de classe \u00e9 a agita\u00e7\u00e3o que permitam unificar as massas na oposi\u00e7\u00e3o <em>de m\u00e9rito, program\u00e1tica <\/em>\u00e0 agenda de ataques da burguesia. Algo que a agita\u00e7\u00e3o pelas \u201cDiretas J\u00e1\u201d secundariza, efetivamente, e desarma inclusive as massas para a resist\u00eancia futura \u00e0s reformas que ser\u00e3o postas em movimento pelo democrata burgu\u00eas eleito neste pr\u00f3ximo pleito!<br \/>\nEnt\u00e3o eis, talvez, uma quarta distin\u00e7\u00e3o: em 1984, a palavra de ordem pelas \u201cDiretas J\u00e1\u201d n\u00e3o tinha um prazo de validade, e se ligava de modo muito mais necess\u00e1rio e n\u00edtido \u00e0s quest\u00f5es econ\u00f4micas candentes das massas!<\/p>\n<p><strong>Primeiramente, Fora Temer: t\u00e1tica, estrat\u00e9gia e as palavras de ordem<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 est\u00e1 exposto o essencial da pol\u00eamica nossa com o camarada Arcary no que diz respeito \u00e0s diverg\u00eancias na an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o. Isso poderia bastar para a conclus\u00e3o sobre quais palavras de ordem levantar. Mas nossas diverg\u00eancias com o texto do camarada tocam num t\u00f3pico em especial merece toda a aten\u00e7\u00e3o: a quest\u00e3o da propaganda.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o fundamental do leninismo \u00e9 a quest\u00e3o da luta pela hegemonia do proletariado a cada est\u00e1gio que atravessa a luta de classes [7]. As media\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas da estrat\u00e9gia, as palavras de ordem de nossa agita\u00e7\u00e3o e de nossa propaganda, s\u00e3o as armas indispens\u00e1veis nesta luta.<\/p>\n<p>Arcary acusa de \u201cultra propagand\u00edstica\u201d a t\u00e1tica que op\u00f5e palavras de ordem de populariza\u00e7\u00e3o da ditadura do proletariado \u00e0s \u201cDiretas J\u00e1\u201d. Trotsky j\u00e1 nos socorreu, defendendo o car\u00e1ter pedag\u00f3gico desta agita\u00e7\u00e3o nos contextos de desagrega\u00e7\u00e3o da democracia burguesa. Mas n\u00e3o seria demais insistir no tema, principalmente diante de afirma\u00e7\u00f5es de que:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o por acaso se apressam em opor a palavra de ordem de Greve Geral \u00e0 de Diretas J\u00e1. <em>Mas a greve geral \u00e9 um m\u00e9todo de luta, n\u00e3o um programa.<\/em> Est\u00e1 corret\u00edssimo levantar a necessidade de uma nova greve geral para derrubar Temer e as reformas. <em>Mas qual \u00e9 a sa\u00edda?<\/em>\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 sob esta forma que reaparece, no atual momento, o argumento de que \u201cas Elei\u00e7\u00f5es Gerais s\u00e3o uma sa\u00edda, uma reivindica\u00e7\u00e3o positiva\u201d. Esse argumento considera que a quest\u00e3o fundamental na luta pela hegemonia do proletariado seja arm\u00e1-lo de uma palavra de ordem que apresente uma alternativa reivindicativa concreta, para que n\u00e3o seja apenas \u201cdo contra\u201d, mas portador de proposi\u00e7\u00f5es realiz\u00e1veis. Na tentativa de expressar isto, Arcary comete alguns equ\u00edvocos:<\/p>\n<p><em>Em primeiro lugar<\/em>, porque as \u201cDiretas J\u00e1\u201d podem ser consideradas como uma <em>reivindica\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica<\/em> \u2013 mas consider\u00e1-las por si s\u00f3 como <em>programa<\/em> \u00e9 expor justamente o car\u00e1ter <em>democr\u00e1tico-burgu\u00eas da propaganda<\/em> que aglutinam em seu entorno. Em uma situa\u00e7\u00e3o onde a esquerda revolucion\u00e1ria ainda n\u00e3o amadureceu um programa que a unifique e n\u00e3o consegue ver sa\u00edda classista que n\u00e3o a defensiva prolongada, faria melhor em reconhec\u00ea-lo francamente, ao inv\u00e9s de ceder sua \u201cpropositividade\u201d \u00e0 propaganda pequeno-burguesa. Desnecess\u00e1rio frisar que nenhuma organiza\u00e7\u00e3o socialista que defende as \u201cDiretas J\u00e1\u201d consegue associar tal bandeira a qualquer propaganda program\u00e1tica socialista.<\/p>\n<p>Em verdade, a aus\u00eancia de sa\u00eddas positivas para a classe trabalhadora n\u00e3o \u00e9 apenas fruto da incapacidade da vanguarda de formular solu\u00e7\u00f5es (um problema das condi\u00e7\u00f5es subjetivas), mas express\u00e3o da pr\u00f3pria correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, que impede a coloca\u00e7\u00e3o na ordem do dia, a s\u00e9rio, de um efetivo programa socialista. Isso decerto n\u00e3o nos autoriza a erguer um programa democr\u00e1tico-burgu\u00eas como se prolet\u00e1rio fosse, s\u00f3 porque este falta&#8230;<\/p>\n<p><em>Em segundo lugar<\/em>, vale dizer que as <em>palavras de ordem <\/em>podem muito bem expressar orienta\u00e7\u00f5es \u00e0 a\u00e7\u00e3o, \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de qual ou tal forma de luta, ou tal ou qual t\u00e1tica, e n\u00e3o h\u00e1 contradi\u00e7\u00e3o em opor uma palavra de ordem de orienta\u00e7\u00e3o a determinada postura ativa a uma palavra de ordem de tom mais \u201creivindicativo\/propositivo\u201d. N\u00e3o \u00e0 toa, por exemplo, Lenin defendia, em seu texto \u201c<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1917\/07\/15.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sobre as palavras de ordem<\/a>\u201d, que a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da revolu\u00e7\u00e3o russa demandava o abandono da palavra de ordem por \u201cTodo poder aos sovietes\u201d pela \u201cpalavra de ordem da luta decidida contra a contrarrevolu\u00e7\u00e3o que se apoderou do poder\u201d \u2013 isso mesmo em um momento em que j\u00e1 existiam os sovietes e uma crise nacional, ou seja, as condi\u00e7\u00f5es para a coloca\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o do poder na ordem do dia.<\/p>\n<p>Nem sempre a melhor palavra de ordem, aquela que permite unificar e dirigir nossas for\u00e7as sob a hegemonia do proletariado, elucidar a situa\u00e7\u00e3o, apontar as tend\u00eancias futuras, etc, \u00e9 uma reivindica\u00e7\u00e3o. E nem sempre uma reivindica\u00e7\u00e3o, por sua vez, deve ser positiva: afinal, quando falamos em \u201cFora Temer\u201d ou em \u201canula\u00e7\u00e3o de suas medidas\u201d, estamos precisamente a apresentar <em>reivindica\u00e7\u00f5es concretas<\/em>.<\/p>\n<p>E, dito tudo isto, seria hora de efetivamente avaliar como se relacionam as palavras de ordem diversas que ladeiam com as \u201cDiretas J\u00e1\u201d em cada luta concreta:<br \/>\nNenhuma das palavras de ordem apresentadas nos est\u00e1gios recentes da luta de classes (exceto, talvez, alguns momentos da agita\u00e7\u00e3o pela Greve Geral) surgiu, em qualquer momento, dissociada da palavra de ordem pelo \u201cFora Temer\u201d. Isso \u00e9 uma das mais essenciais quest\u00f5es a tomar nota: a palavra de ordem reivindicativa e, porque n\u00e3o, democr\u00e1tica (em suma, a palavra de ordem <em>pol\u00edtica)<\/em> que unifica toda a presente luta n\u00e3o \u00e9 aquela que demanda novas elei\u00e7\u00f5es, mas sim aquela que a precede pr\u00e1tica, est\u00e9tica e logicamente, <em>pela sa\u00edda de Temer do poder<\/em>. \u201cNenhuma direito a menos\u201d; \u201co povo deve decidir\u201d; \u201cDiretas J\u00e1\u201d; \u201cElei\u00e7\u00f5es Gerais\u201d; \u201cPelo Poder Popular\u201d, nenhuma dessas formula\u00e7\u00f5es jamais figurou sem ser associada e sucessiva ao \u201cFora Temer\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que se equivocam, em verdade, aqueles que buscam assustar os propagandistas do Poder Popular com o risco do isolamento: porque a agita\u00e7\u00e3o e a reivindica\u00e7\u00e3o que unifica em frente \u00fanica a classe trabalhadora n\u00e3o \u00e9, como querem fazer crer, a reivindica\u00e7\u00e3o por elei\u00e7\u00f5es antecipadas, mas sim aquela pela queda de Temer e, associada a esta, a derrota das reformas burguesas. Nesse contexto, a agita\u00e7\u00e3o pelas \u201cDiretas J\u00e1\u201d figura, na melhor das hip\u00f3teses, como complemento inofensivo; e, na pior, como melhor express\u00e3o da propaganda da ala reformista do movimento. Erguendo tal consigna ao lado de tais setores, como armar o proletariado para a luta por sua hegemonia no movimento? Consideramos resolvida no \u201cFora Temer\u201d a dimens\u00e3o democr\u00e1tica e reivindicativa-pol\u00edtica de nossa agita\u00e7\u00e3o, no quadro da atual correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as.<\/p>\n<p>Sabemos que a esquerda socialista n\u00e3o est\u00e1 defendendo um acord\u00e3o de reabilita\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica democr\u00e1tica da burguesia, como pretende o reformismo com esta bandeira. Ainda assim, erguer a palavra das \u201cDiretas J\u00e1\u201d ao lado do trabalhismo n\u00e3o desarma a possibilidade da cr\u00edtica frontal a esta op\u00e7\u00e3o? Quando a CUT, por exemplo, eclipsa todas as bandeiras defensivas da classe e convoca os atos de massas da Greve Geral do dia 30 de junho sob a bandeira das \u201cDiretas J\u00e1\u201d, em pleno curso das reformas no Congresso, fariam bem os revolucion\u00e1rios prolet\u00e1rios em fazer o mesmo? (E, claro, o insucesso da greve do dia 30\/6 frente \u00e0 greve do 28\/04 n\u00e3o se deve, unicamente, a este giro na agita\u00e7\u00e3o. Mas esse giro na agita\u00e7\u00e3o das centrais n\u00e3o deixa de ser parte da express\u00e3o do arrefecimento de sua luta contra as reformas; bem como produziu seu efeito negativo sobre o potencial de aglutina\u00e7\u00e3o da agita\u00e7\u00e3o de todo o movimento).<\/p>\n<p>Uma vez que nosso movimento avance em seu objetivo parcial de derrubada do atual governo, ent\u00e3o toda uma s\u00e9rie de quest\u00f5es se ir\u00e3o se colocar em novos termos. E, ainda nesse contexto, onde a reivindica\u00e7\u00e3o por elei\u00e7\u00f5es antecipadas ganhar\u00e1 for\u00e7a, f\u00f4lego e centralidade; ainda neste momento em que se torne mais <em>necess\u00e1ria<\/em>, do ponto de vista das tend\u00eancias da luta de classes, ser\u00e1 ent\u00e3o <em>ainda mais<\/em> <em>necess\u00e1rio<\/em> que as for\u00e7as revolucion\u00e1rias socialistas intervenham no movimento mantendo erguida a agita\u00e7\u00e3o classista, partindo de suas media\u00e7\u00f5es defensivas (quer em sua express\u00e3o mais econ\u00f4mica, como \u201ccontra as reformas\u201d; quer em sua express\u00e3o mais pol\u00edtica de \u201cnenhuma direito a menos\u201d) para as mais program\u00e1ticas.<\/p>\n<p>A t\u00e1tica que combina a atua\u00e7\u00e3o em frente \u00fanica na Frente Povo Sem Medo com a atua\u00e7\u00e3o nas Frentes e Blocos da Esquerda Socialista n\u00e3o pode ser outra sen\u00e3o a t\u00e1tica da frente \u00fanica oper\u00e1ria com os reformistas, aliada \u00e0 den\u00fancia implac\u00e1vel da propaganda democr\u00e1tico-burguesa no interior desta frente \u00fanica. \u00c9 nesta medida que consideramos absolutamente pertinente opor \u00e0 palavra de ordem propagand\u00edstica das \u201cDiretas J\u00e1\u201d (e toda a fraseologia distinguindo as \u201cDiretas-meio\u201d das \u201cDiretas-fim\u201d em nada muda o conte\u00fado desta propaganda aos olhos das massas) a propaganda do Poder Popular: \u201cLutar, criar, Poder Popular\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0 guisa de conclus\u00e3o, trazemos o foco para aquele argumento desenvolvido pelo camarada Lazzari, em seu texto j\u00e1 <a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14843\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mencionado<\/a> logo ao in\u00edcio:<\/p>\n<p>\u201cA Greve Geral, em sua apar\u00eancia, \u00e9 apenas mais um \u201cm\u00e9todo de luta\u201d. No entanto, verifiquemos novamente como se deu a constru\u00e7\u00e3o dessa \u00faltima [do dia 28 e abril]: press\u00e3o da base sindical sobre as dire\u00e7\u00f5es pelegas, constitui\u00e7\u00e3o de comit\u00eas de luta locais, movimenta\u00e7\u00e3o nas bases estudantis\u2026<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da Greve Geral, em sua efetiva concretiza\u00e7\u00e3o, faz parte de um todo muito mais amplo; faz parte da reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento social no Brasil e, assim, da constru\u00e7\u00e3o do Poder Popular na base da classe trabalhadora. A agita\u00e7\u00e3o em torno dessa t\u00e1tica \u00e9 o que deve ser a agita\u00e7\u00e3o: a palavra de ordem do pr\u00f3ximo passo na constitui\u00e7\u00e3o de um novo ciclo de lutas para a classe trabalhadora. Nada h\u00e1, portanto, de ultrapropagand\u00edstico em agitar pela constitui\u00e7\u00e3o de novas formas de organiza\u00e7\u00e3o popular. Ao contr\u00e1rio, s\u00e3o essas formas que permitir\u00e3o nosso sucesso na pr\u00f3xima empreitada, seja a constru\u00e7\u00e3o da greve que se avizinha, seja na luta pelas elei\u00e7\u00f5es diretas caso caia o Governo Temer. O direcionamento \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de comit\u00eas populares, por exemplo, tem que ser feito, justamente porque eles ainda n\u00e3o existem. A classe est\u00e1 experimentando essas formas organizativas e voltando se organizar pela base. Em realidade, agitar o programa, sem t\u00e1tica, parece ser nosso principal problema hoje \u2013 e uma das causas da dist\u00e2ncia que h\u00e1 entre a pol\u00edtica acertada de certos setores e a classe trabalhadora.\u201d<\/p>\n<p>Em outras palavras: a associa\u00e7\u00e3o indissol\u00favel da propaganda do Poder Popular com a agita\u00e7\u00e3o pela Greve Geral, em tal est\u00e1gio da luta, tamb\u00e9m aponta para a necessidade da constitui\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a independente dos explorados e oprimidos. N\u00e3o se trata, portanto, <em>apenas<\/em> de uma f\u00f3rmula de populariza\u00e7\u00e3o da ditadura do proletariado, mas parte de uma orienta\u00e7\u00e3o t\u00e1tica \u00e0 tarefa imediata de nossa luta, a pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o de nossa pr\u00f3pria vit\u00f3ria sobre Temer (o que fica mais n\u00edtido ainda ap\u00f3s as hesita\u00e7\u00f5es das centrais sindicais frente \u00e0 greve geral convocada para 30 de junho): a reorganiza\u00e7\u00e3o, pela base, dos organismos de massas e sua aglutina\u00e7\u00e3o em um campo independente, de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica burguesa. Frente \u00e0s \u201cDiretas J\u00e1\u201d, a palavra de ordem pelo \u201cPoder Popular\u201d \u00e9 precisamente a palavra de ordem pela independ\u00eancia de classe do proletariado frente \u00e0 pequena-burguesia, na luta pelo \u201cFora Temer\u201d; e a palavra de ordem da luta pelo acirramento das contradi\u00e7\u00f5es da democracia burguesa, em detrimento da difus\u00e3o da ideia de que o reestabelecimento da legitimidade formal da presid\u00eancia cessaria quer a crise pol\u00edtica da domina\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa; quer a ofensiva da classe dominante. [8]<\/p>\n<p>Por isso falamos em \u201ccriar\u201d o Poder Popular, e n\u00e3o em \u201ctodo poder ao povo\u201d, como se j\u00e1 estivessem dadas as condi\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas que permitissem p\u00f4r na ordem do dia a quest\u00e3o do poder: porque, no atual est\u00e1gio, (e uma vez que os conselhos populares n\u00e3o ser\u00e3o mero fruto de uma epifania coletiva, mas das experi\u00eancias organizativas das massas), consideramos fundamental que se generalizem as experi\u00eancias expressas, por exemplo, nos comit\u00eas locais da Frente Povo Sem Medo, os chamados \u201cBairros Sem Medo\u201d; ou no fortalecimento da unidade das oposi\u00e7\u00f5es sindicais e estudantis socialistas. Essa, mais que organizar <a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11314\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">manifesta\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas de massas<\/a>, \u00e9 a tarefa candente de nosso movimento.<\/p>\n<p>N\u00e3o declaremos boicote \u00e0s elei\u00e7\u00f5es burguesas de 2016, ou \u00e0s pr\u00f3ximas que vierem; n\u00e3o nos isolamos dos movimentos que, a nosso ver equivocamente, v\u00eam na antecipa\u00e7\u00e3o eleitoral uma sa\u00edda; mas nos reservamos as condi\u00e7\u00f5es para, no interior da luta unit\u00e1ria, nos diferenciarmos do reformismo. Reservamo-nos as condi\u00e7\u00f5es (e acreditamos que toda a esquerda socialista deveria faz\u00ea-lo) de apontar a necessidade da acelerada reorienta\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio, sob a hegemonia das for\u00e7as revolucion\u00e1rias, como pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o da vit\u00f3ria. E, mais importante, cremos plenamente cab\u00edvel a intensifica\u00e7\u00e3o da propaganda revolucion\u00e1ria socialista, em detrimento das media\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-democr\u00e1ticas, em um momento hist\u00f3rico marcado pela crise econ\u00f4mica e da concilia\u00e7\u00e3o de classes, pela ofensiva burguesa, pela desagrega\u00e7\u00e3o dos velhos partidos burgueses e pelo fortalecimento do fascismo.<\/p>\n<p>Esta \u00e9, em s\u00edntese, a contribui\u00e7\u00e3o que acredit\u00e1vamos poder acrescentar \u00e0 pol\u00eamica. Que a experi\u00eancia pr\u00e1tica seja o crit\u00e9rio de verifica\u00e7\u00e3o de nossos equ\u00edvocos ou acertos.<\/p>\n<p>&#8220;Deixemos aos adoradores da ordem democr\u00e1tica burguesa a tarefa de defend\u00ea-la no momento de sua decomposi\u00e7\u00e3o evidente; para os marxistas revolucion\u00e1rios, a atual crise \u00e9 a evid\u00eancia de que o Estado burgu\u00eas n\u00e3o consegue mais manter, sob o manto enganoso da universalidade abstrata de direitos de uma ordem democr\u00e1tica, seus verdadeiros e particulares interesses de classe. Mas indo mais diretamente ao assunto, as massas est\u00e3o, com toda raz\u00e3o, fartas de um jogo pol\u00edtico democr\u00e1tico que usam suas reais demandas para eleger representantes que depois abandonam essas demandas em nome das conveni\u00eancias e acordos para manter seus mandatos.&#8221; Mauro Iasi &#8211; Pol\u00edtica, Estado e ideologia na trama conjuntural. Instituto Caio Prado Jr, 2017, p.329.<\/p>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p>[1] \u201cS\u00f3 as pessoas de vis\u00e3o acanhada ou temerosas de que as amplas massas participem da pol\u00edtica, consideram improcedentes ou sup\u00e9rfluos os debates p\u00fablicos e apaixonados sobre t\u00e1tica que se verificam constantemente na imprensa oper\u00e1ria.\u201d Lenin, em \u201cA unidade dos oper\u00e1rios e as \u2018tend\u00eancias\u2019 dos intelectuais\u201d, 13 de maio de 1914.<\/p>\n<p>[2] Falo bem pessoalmente, e n\u00e3o como militante organizado, quando digo o que digo (sob o risco de uma saraivada de censuras daqueles que viveram as Diretas de 84): sempre me incomodou, mesmo quando militei no campo reformista (e n\u00e3o \u00e0 toa, antes do atual momento, esse discurso era mais presente l\u00e1 que na esquerda socialista), a tend\u00eancia a pintar como uma estupenda vit\u00f3ria a campanha pelas Diretas J\u00e1. Uma situa\u00e7\u00e3o de irrup\u00e7\u00e3o das massas que n\u00e3o obteve seus objetivos declarados, mas permitiu \u00e0 pequena-burguesia democr\u00e1tica iniciar irreversivelmente sua hegemonia sobre o movimento oper\u00e1rio, fortalecendo no petismo as tend\u00eancias democr\u00e1tico-burguesas, o papel do PMDB como esteio do Partido da Ordem, etc. Essa caracteriza\u00e7\u00e3o negativa a posteriori n\u00e3o elide, decerto, a quest\u00e3o da necessidade ou n\u00e3o da palavra de ordem das \u201cDiretas J\u00e1\u201d naquele momento. Inevitavelmente, no entanto, traz \u00e0 boca o gosto farsesco de uma repeti\u00e7\u00e3o daquela trag\u00e9dia \u2013 agravada pela perspectiva hist\u00f3rica de quem que n\u00e3o viu a campanha pelas Diretas de 84, mas viu a facilidade com que, em Junho de 2013, a burguesia girou em favor de uma reivindica\u00e7\u00e3o que poderia conceder e dirigir sem grandes problemas&#8230;Mas, para passarmos al\u00e9m deste coment\u00e1rio, teremos de debater ainda a \u201cterceira distin\u00e7\u00e3o\u201d de Arcary.<\/p>\n<p>[3] Vale destacar, com honestidade, que o argumento de Arcary sobre \u201co programa em curso n\u00e3o ser o que saiu das urnas\u201d n\u00e3o se confunde com o mantra cego, t\u00e3o difundido, de que tal programa certamente <em>n\u00e3o conseguiria<\/em> se impor se tivesse que passar pelo crivo do voto popular \u2013 argumento que parece esquecer a elei\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o D\u00f3ria, Marcelo Crivella e toda a grande cole\u00e7\u00e3o de prefeitos reacion\u00e1rios eleitos em 2016. Contudo, essa ideia de fundo tem dificuldade de ser contraditada apenas nos marcos da defesa das \u201cDiretas J\u00e1\u201d&#8230;<\/p>\n<p>[4] \u201cIsto n\u00e3o significa, evidentemente, que a IV Internacional rejeite as palavras de ordem democr\u00e1ticas. Ao contr\u00e1rio, elas podem em certos momentos ter um enorme papel. Mas<em> as f\u00f3rmulas da democracia (liberdade de reuni\u00e3o, de associa\u00e7\u00e3o, de imprensa etc.)<\/em> s\u00e3o, para n\u00f3s, palavras de ordem passageiras ou epis\u00f3dicas no movimento independente do proletariado, e n\u00e3o um la\u00e7o corredi\u00e7o democr\u00e1tico passado em torno do pesco\u00e7o do proletariado pelos agentes da burguesia (Espanha).\u201d<\/p>\n<p>[5] Alguns anos atr\u00e1s, comentando junho de 2013, o camarada acreditava que a seguinte cita\u00e7\u00e3o de Moreno sobre o tema \u201c<a href=\"https:\/\/www.diarioliberdade.org\/opiniom\/opiniom-propia\/43918-as-jornadas-de-junho-abriram-uma-situa%C3%A7%C3%A3o-pr%C3%A9-revolucion%C3%A1ria.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ca\u00eda como uma luva<\/a>\u201d: \u201cEssas situa\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias de fevereiro s\u00e3o precedidas por situa\u00e7\u00f5es pr\u00e9-revolucion\u00e1rias que poder\u00edamos denominar de \u201cpr\u00e9-fevereiros\u201d. <em>Tais situa\u00e7\u00f5es pr\u00e9-revolucion\u00e1rias ocorrem quando o regime burgu\u00eas entra em crise e o povo rompe com ele, deixando-o sem nenhum apoio social. S\u00e3o pr\u00e9-revolucion\u00e1rias porque ainda n\u00e3o est\u00e1 colocado o problema do poder, mas as condi\u00e7\u00f5es para que esteja colocado j\u00e1 est\u00e3o maduras.<\/em> Tornam-se revolucion\u00e1rias quando as massas populares conseguem unificar seu \u00f3dio ao regime em uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o unificada \u00e0 escala nacional fazendo com que a crise do regime se torne total e absoluta\u201d.<\/p>\n<p>[6] Seguimos na esteira da hip\u00f3tese aberta por <a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10663\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Virg\u00ednia Fontes<\/a>: \u201cEstamos diante de uma crise capitalista que tem rela\u00e7\u00e3o com a burguesia brasileira mas ela n\u00e3o justifica alguma coisa do que est\u00e1 acontecendo aqui. O segundo ponto importante de se levar em conta \u00e9 que provavelmente existe uma briga interburguesa, embora na imprensa burguesa mais direta isso n\u00e3o apare\u00e7a. Alguns leram essa briga interburguesa como sendo a oposi\u00e7\u00e3o entre burguesia industrial e financeira ou uma burguesia mais brasileira contra a imperialista. Eu n\u00e3o concordo. Provavelmente a briga que est\u00e1 acontecendo agora \u00e9 o que eu chamaria de briga de cachorro grande. Desde os governos Fernando Henrique e continuando nos governos Lula, houve impulso e apoio para concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o do capital no Brasil. Com as privatiza\u00e7\u00f5es do governo Fernando Henrique, com a legisla\u00e7\u00e3o para exporta\u00e7\u00e3o de capitais do governo Fernando Henrique e depois com a atua\u00e7\u00e3o do BNDES para montar as campe\u00e3s nacionais no governo Lula. \u00c9 preciso lembrar que o BNDES no governo FHC tamb\u00e9m financiou a privatiza\u00e7\u00e3o com moeda podre. Portanto, n\u00f3s temos \u00f3rg\u00e3os de Estado agindo no sentido de consolidar burguesias de alta pot\u00eancia desde o in\u00edcio dos anos 1990. Estimular concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o do capital significa que esse capital precisa se reproduzir para dentro e para fora. Essas empresas se converteram em multibrasileiras. E, como acontece com as multi em qualquer lugar do mundo, isso significa enfrentar tens\u00f5es pol\u00edticas para fora e ser capaz de acalmar para dentro. O que est\u00e1 acontecendo no Brasil? Tudo indica que a tens\u00e3o burguesa hoje \u00e9 de escala: massa de burguesia de menor escala, num momento de crise, briga com as suas cong\u00eaneres maiores. E briga pelo que tem de pol\u00edtica p\u00fablica. N\u00e3o briga contra a corrup\u00e7\u00e3o, ela quer um peda\u00e7o para ela. Porque o problema do Brasil n\u00e3o \u00e9 corrup\u00e7\u00e3o, o problema \u00e9 o funcionamento regular do Estado, que \u00e9 podre, porque a burguesia est\u00e1 dentro do Estado. Tem que controlar a corrup\u00e7\u00e3o, mas ningu\u00e9m nunca vai controlar a corrup\u00e7\u00e3o se \u00e9 a pr\u00f3pria burguesia que determina o que a pol\u00edtica p\u00fablica vai fazer. Portanto, essa briga de escala \u00e9 bastante silenciada, mas expressa uma s\u00e9rie de outras tens\u00f5es para as quais a gente n\u00e3o est\u00e1 dando aten\u00e7\u00e3o.<br \/>\nVamos pegar dois pontos. Quem hoje a Fiesp representa? A Fiesp saltou da posi\u00e7\u00e3o de suporte e participa\u00e7\u00e3o no governo Dilma para a defesa do impeachment e da ren\u00fancia. \u00c9 a Fiesp ainda representante de todo o conjunto da burguesia brasileira? N\u00e3o sei. N\u00e3o sabemos. Uma parcela dessa burguesia provavelmente n\u00e3o est\u00e1 encontrando na Fiesp o seu ponto de sustenta\u00e7\u00e3o. E eu ouso dizer que h\u00e1 uma quest\u00e3o regional na disputa interburguesa entre o paulistocentrismo e as grandes burguesias que foram se construindo no agro, na ind\u00fastria e na minera\u00e7\u00e3o, e que n\u00e3o necessariamente est\u00e3o centradas s\u00f3 em S\u00e3o Paulo. Portanto, tens\u00e3o interna da burguesia tem. Essa burguesia toda se beneficiou dos governos Lula. Ora, montar uma multi \u00e9 abrir \u00e1rea de tens\u00e3o com os aliados. \u00c9 abrir brigas muito maiores entre grandes empresas. \u00c9 lidar como imperialista com os imperialistas. Mas n\u00e3o h\u00e1 estofo na burguesia brasileira para sustentar isso em situa\u00e7\u00e3o de crise.\u201d<\/p>\n<p>[7] Sobre o papel da luta pela <a href=\"https:\/\/franciscomartinsrodrigues.wordpress.com\/2016\/10\/20\/hegemonia-do-proletariado-o-que-e\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">hegemonia do proletariado<\/a> em Lenin, gostar\u00edamos de mencionar algumas formula\u00e7\u00f5es do camarada <a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12519\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Francisco Martins Rodrigues<\/a>: \u201cAprendamos com Lenine que a conquista de alian\u00e7as de classe n\u00e3o \u00e9 a troca dos objetivos do proletariado por imagin\u00e1rias metas n\u00e3o-revolucion\u00e1rias, capazes de seduzir a pequena burguesia; nem \u00e9 a troca da voz independente e exigente do proletariado pelos discursos unit\u00e1rio-diplom\u00e1ticos que agradam a todos e nada esclarecem \u2013 \u00e9 armar o proletariado com a capacidade de arrastar atr\u00e1s de si as camadas vacilantes. [&#8230;] Uma s\u00f3 linha de rumo extraio do leninismo: distinguir continuamente os interesses pol\u00edticos do proletariado dos da pequena burguesia; ver tudo pelos olhos da \u00fanica classe que est\u00e1 interessada na liquida\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao fim do capitalismo, na expropria\u00e7\u00e3o da burguesia. Desde que tenhamos essa linha sempre presente encontramos as respostas pol\u00edticas de cada dia. Pelo menos foi isto que eu aprendi do leninismo\u201d.<\/p>\n<p>[8]Os camaradas Gustavo Bechara e Luis Augusto, da UJC, <a href=\"http:\/\/ujc.org.br\/os-limites-da-palavra-de-ordem-diretas-ja\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fazem bem em objetar<\/a>: \u201cMas, ora, sobre qual \u2018legitimidade\u2019, qual \u2018legalidade\u2019 est\u00e3o falando? Antes dos esc\u00e2ndalos divulgados pela m\u00eddia, uma parte razo\u00e1vel da esquerda acreditava que a palavra de ordem utilizada fosse pr\u00f3pria para o momento, e acabou por arrastar consigo uma grande quantidade de desavisados que veem as elei\u00e7\u00f5es indiretas como o golpe final \u00e0 democracia. Em seu famoso livro \u201cA revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria e o renegado Kautsky\u201d, L\u00eanin \u00e9 primoroso em dizer que n\u00e3o h\u00e1 \u2013 nem mesmo no mais democr\u00e1tico dos Estados burgueses \u2013 um regramento ou uma lei que n\u00e3o possa ser modificada, de acordo com a demanda da burguesia. Basta ver, por exemplo, que o Estado brasileiro vive nos \u00faltimos anos um aumento exponencial de interven\u00e7\u00f5es militares em comunidades (inclusive firmado pelo Governo Lula). Com essas interven\u00e7\u00f5es ilegais temos um quadro ainda mais agravado no que tange ao genoc\u00eddio do povo negro e jovem dos bairros perif\u00e9ricos. Seria essa a democracia, ou mesmo o estado de direito, que estamos defendendo? Por isso afirmamos com todas as letras que a burguesia n\u00e3o tem qualquer compromisso para com a democracia. Seria, portanto, um erro crasso apostar todas as fichas nas urnas. Basta ver o processo de impedimento de Dilma, que mesmo eleita \u2018democraticamente\u2019, fora exonerada da presid\u00eancia, abrindo caminho para o sucessor usurpador e filhote \u2018puro sangue\u2019 das classes dominantes, Michel Temer, que deu prosseguimento \u00e0s \u2018reformas\u2019 colocadas na ordem do dia pelos capitalistas. Nos perguntamos ent\u00e3o: o que os impediria de fazer mais uma outra vez, ou quantas vezes for necess\u00e1rio? A classe de empres\u00e1rios e latifundi\u00e1rios n\u00e3o hesitar\u00e1 em protocolar outro processo de impedimento caso o tiro saia pela culatra. Isso se, assim como dito anteriormente, o pr\u00f3ximo candidato do petismo n\u00e3o fosse ceder ainda mais \u00e0 press\u00e3o do capital.\u201d<\/p>\n<p><strong>*Secret\u00e1rio Pol\u00edtico da c\u00e9lula Jur\u00eddica do PCB de S\u00e3o Paulo.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Gabriel Landi* O PCB est\u00e1 entre o reduzido n\u00famero de organiza\u00e7\u00f5es socialistas a\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15058\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-15058","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-fora-temer"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3US","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15058","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15058"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15058\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15058"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15058"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15058"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}