{"id":15093,"date":"2017-07-21T13:18:19","date_gmt":"2017-07-21T16:18:19","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=15093"},"modified":"2017-08-05T14:10:28","modified_gmt":"2017-08-05T17:10:28","slug":"a-palestina-e-ainda-a-questao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15093","title":{"rendered":"A Palestina \u00e9 ainda a quest\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/orig00.deviantart.net\/36b8\/f\/2010\/152\/c\/0\/palestine_will_be_free_by_shekoo.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>John Pilger<\/p>\n<p>\u00abO que enraivece quem coloniza e ocupa, rouba e oprime, vandaliza e destr\u00f3i \u00e9 a recusa das v\u00edtimas em obedecer. E \u00e9 este o tributo que todos dev\u00edamos pagar aos palestinianos. Recusam obedecer. Continuam. Esperam. At\u00e9 lutarem de novo. E fazem isso, mesmo quando os que os governam colaboram com os opressores.\u00bb<!--more--><\/p>\n<p>Quando pela primeira vez fui \u00e0 Palestina como jovem rep\u00f3rter nos anos 60, fiquei num kibutz. As pessoas que l\u00e1 conheci eram bastante trabalhadoras, espirituosas e diziam-se socialistas. Gostei delas. Uma vez num jantar, perguntei pelas silhuetas de pessoas ao longe, fora do nosso per\u00edmetro.<\/p>\n<p>\u201c\u00c1rabes\u201d, disseram-me, \u201cn\u00f3madas\u201d. As palavras foram quase cuspidas. Israel, disseram querendo significar Palestina, tinha sido sobretudo des\u00e9rtica e um dos grandes feitos do empreendimento sionista fora tornar o deserto verde.<\/p>\n<p>Deram como exemplo a sua colheita de laranja Jaffa, exportada para o resto do mundo. Que triunfo contra as conting\u00eancias da natureza e a neglig\u00eancia humana.<\/p>\n<p>Era a primeira mentira. A maior parte dos pomares de laranjeiras e vinhas pertenciam a palestinianos que tinham lavrado o solo e exportado laranja e uva para a Europa desde o s\u00e9c. XVIII. A antiga cidade palestiniana de Jaffa \u00e9 conhecida pelos anteriores habitantes como \u201co lugar das laranjas tristes\u201d.<\/p>\n<p>No kibutz, nunca se usava a palavra \u201cpalestiniano\u201d. Porqu\u00ea, perguntei. A resposta era um inc\u00f4modo sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Em todo o mundo colonizado, a verdadeira soberania do povo origin\u00e1rio \u00e9 temida pelos que nunca conseguem completamente encobrir o fato, e o crime, de viverem em terra usurpada.<\/p>\n<p>Negar a humanidade das pessoas \u00e9 o pr\u00f3ximo passo, conforme o povo judeu muito bem sabe. Sujar a dignidade e cultura das pessoas e o seu orgulho segue-se logicamente como viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Em Ramallah, a seguir \u00e0 invas\u00e3o da Margem Ocidental pelo falecido Ariel Sharon em 2002, andei por ruas cheias de carros esmagados e casas demolidas at\u00e9 ao Centro Cultural Palestiniano. At\u00e9 esse dia, tinham l\u00e1 acampado soldados israelitas. Encontrei-me com o diretor do Centro, a romancista Liana Badr, cujos manuscritos originais se encontravam pelo ch\u00e3o espalhados e rasgados. O disco duro com os seus textos de fic\u00e7\u00e3o e uma biblioteca de pe\u00e7as e poesia fora levado por soldados israelitas. Quase tudo estava esmagado e desfeito.<\/p>\n<p>Nem um s\u00f3 livro se salvou inc\u00f3lume, nem uma s\u00f3 c\u00f3pia original de uma das melhores colec\u00e7\u00f5es de cinema palestiniano.<\/p>\n<p>Os soldados tinham urinado e defecado no ch\u00e3o, nas estantes, em bordados e em obras de arte. Espalharam fezes sobre pinturas infantis e com elas escreveram \u201cNascidos para matar\u201d. Liana Badt tinha l\u00e1grimas nos olhos, mas mantinha-se insubmissa. Disse, \u201cPoremos de novo tudo em ordem.\u201d<\/p>\n<p>O que enraivece quem coloniza e ocupa, rouba e oprime, vandaliza e destr\u00f3i \u00e9 a recusa das v\u00edtimas em obedecer. E \u00e9 este o tributo que todos dev\u00edamos pagar aos palestinianos. Recusam obedecer. Continuam. Esperam. At\u00e9 lutarem de novo. E fazem isso, mesmo quando os que os governam colaboram com os opressores.<\/p>\n<p>No meio do bombardeamento israelita de Gaza em 2014, o jornalista palestiniano Mohammed Omer nunca interrompeu as suas reportagens. Ele e a fam\u00edlia foram atingidos. Esteve nas filas de comida e \u00e1gua e transportou-as atrav\u00e9s da confus\u00e3o. Quando lhe liguei, podia ouvir as bombas no exterior da sua casa, Recusou obedecer.<\/p>\n<p>As reportagens de Mohammed, ilustradas pelas suas fotografias gr\u00e1ficas, eram um modelo de jornalismo profissional que envergonhava a reportagem obediente e cobarde chamada mainstream na Gr\u00e3-Bretanha e nos Estados Unidos. A no\u00e7\u00e3o de objetividade da BBC, amplificar os mitos e mentiras da autoridade, pr\u00e1tica da qual se orgulha, \u00e9 todos os dias envergonhada pelos Mohamed Omer.<\/p>\n<p>Durante mais de 40 anos, registei a recusa do povo da Palestina em obedecer aos seus opressores: Israel, Estados Unidos, Gr\u00e3-Bretanha, Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Desde 2008, s\u00f3 a Gr\u00e3-Bretanha assegurou por sua conta licen\u00e7as de exporta\u00e7\u00e3o para Israel de armas e m\u00edsseis, drones e espingardas para atiradores no valor de 434 milh\u00f5es de libras.<\/p>\n<p>Aqueles que resistiram a isto, sem armas, os que se recusaram a obedecer, est\u00e3o entre os palestinianos que tive o privil\u00e9gio de conhecer:<\/p>\n<p>O meu amigo e falecido Mohammed Jarella, que trabalhou para a ag\u00eancia UNRWA das Na\u00e7\u00f5es Unidas (Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas de Assist\u00eancia aos Refugiados da Palestina no Pr\u00f3ximo Oriente \u2013 N.T.), mostrou-me pela primeira vez em 1967 um campo de refugiados palestinianos. Foi num amargo dia de inverno e as crian\u00e7as das escolas tremiam com frio. \u201cUm dia\u2026\u201d dizia ele \u201cUm dia\u2026\u201d<\/p>\n<p>Mustafa Barghouti, cuja eloqu\u00eancia continua ind\u00f4mita e que descreveu a toler\u00e2ncia existente na Palestina entre judeus, mu\u00e7ulmanos e crist\u00e3os at\u00e9 que, conforme me disse, \u201cos sionistas quiseram um Estado \u00e0 custa dos palestinianos.\u201d<\/p>\n<p>A Dr.\u00aa. Mona El-Farra, m\u00e9dica em Gaza, cuja paix\u00e3o era juntar dinheiro para a cirurgia pl\u00e1stica de crian\u00e7as desfiguradas pelas balas e metralha israelitas. O seu hospital foi arrasado pelas bombas israelitas em 2014.<\/p>\n<p>O Dr. Khalid Dahlan, psiquiatra cujas cl\u00ednicas em Gaza para crian\u00e7as quase enlouquecidas pela viol\u00eancia israelita eram o\u00e1sis de civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>F\u00e1tima e Nasser, um casal cuja casa ficava numa aldeia pr\u00f3ximo de Jerusal\u00e9m chamada \u201cZona A e B\u201d, o que significa que a terra foi marcada para judeus apenas. Os seus pais tinham vivido a\u00ed e os seus av\u00f3s tinham vivido a\u00ed. Hoje, os bulldozers fazem estradas apenas para judeus, protegidos por leis apenas para judeus.<\/p>\n<p>Passava da meia-noite quando F\u00e1tima entrou em trabalho de parto do seu segundo filho. O beb\u00ea era prematuro e quando chegaram a um posto de controlo, com o hospital \u00e0 vista, o jovem soldado israelita disse que precisavam de outro documento.<br \/>\nF\u00e1tima sangrava muito. O soldado ria e imitava os seus gemidos e disse-lhes \u201cV\u00e3o para casa\u201d. O beb\u00ea nasceu ali, num autocarro. Estava azul com o frio e em breve, sem cuidados, morreu da exposi\u00e7\u00e3o. O nome do beb\u00ea era Sultan.<br \/>\nPara os palestinianos, isto ser\u00e3o hist\u00f3rias familiares. A quest\u00e3o \u00e9: por que n\u00e3o s\u00e3o elas familiares em Londres e Washington, Bruxelas e Sidney?<\/p>\n<p>Na S\u00edria, uma recente causa liberal (uma das causas de George Clooney) \u00e9 apoiada financeiramente e com simpatia na Gr\u00e3-Bretanha e nos Estados Unidos, embora os benefici\u00e1rios, os chamados rebeldes, sejam dominados por fan\u00e1ticos jihadistas que resultaram da invas\u00e3o do Afeganist\u00e3o e do Iraque e da destrui\u00e7\u00e3o da moderna L\u00edbia. E no entanto, a mais longa ocupa\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia dos tempos modernos n\u00e3o \u00e9 reconhecida. Quando as Na\u00e7\u00f5es Unidas de repente se agitam e definem Israel como um estado de apartheid, como este ano fizeram, h\u00e1 indigna\u00e7\u00e3o n\u00e3o contra um estado cuja \u201cfinalidade central\u201d \u00e9 o racismo, mas contra uma comiss\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas que se atreveu a quebrar o sil\u00eancio.<\/p>\n<p>\u201cA Palestina\u201d, disse Nelson Mandela, \u201c\u00e9 a maior quest\u00e3o moral do nosso tempo.\u201d<\/p>\n<p>Por que \u00e9 esta verdade suprimida, dia ap\u00f3s dia, m\u00eas ap\u00f3s m\u00eas, ano ap\u00f3s ano?<\/p>\n<p>Em Israel, estado de apartheid culpado de um crime contra a humanidade e o maior de todos os violadores da lei internacional, o sil\u00eancio persiste entre os que sabem e aqueles cujo trabalho \u00e9 manter o registo limpo.<\/p>\n<p>Em Israel, muito jornalismo encontra-se intimidado e controlado por um pensamento \u00fanico que exige sil\u00eancio sobre a Palestina, enquanto jornalistas s\u00e9rios se tornaram dissidentes numa clandestinidade metaf\u00f3rica.<\/p>\n<p>Uma simples palavra permite este sil\u00eancio: \u201cconflito\u201d. \u201cConflito \u00e1rabe-israelense\u201d, entoam os rob\u00f4s nos seus telepontos. Quando um rep\u00f3rter veterano da BBC, um homem que conhece a verdade, fala em \u201cduas narrativas\u201d, o contorcionismo moral est\u00e1 perfeito.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 conflito, n\u00e3o h\u00e1 duas narrativas com o seu fulcro moral. O que h\u00e1 \u00e9 uma ocupa\u00e7\u00e3o militar imposta por uma pot\u00eancia com armas nucleares apoiada pela maior pot\u00eancia militar do planeta. O que h\u00e1 \u00e9 uma injusti\u00e7a \u00e9pica.<\/p>\n<p>A palavra \u201cocupa\u00e7\u00e3o\u201d pode ser banida, apagada do dicion\u00e1rio. Mas a mem\u00f3ria da verdade hist\u00f3rica n\u00e3o pode ser banida: a da expuls\u00e3o sistem\u00e1tica de palestinianos da sua terra natal. \u201cPlano D\u201d, chamaram-lhe os israelitas em 1948.<\/p>\n<p>O historiador israelita Benny Morris conta como David Ben-Gurion, o primeiro primeiro-ministro de Israel; foi inquirido por um dos seus generais. \u201cO que fazemos com os \u00e1rabes?\u201d O primeiro-ministro, escreveu Morris, \u201cfez um gesto evasivo com a m\u00e3o\u201d. \u201cExpuls\u00e1-los\u201d disse.<\/p>\n<p>Setenta anos mais tarde, este crime foi suprimido na cultura politica e intelectual do Ocidente. Ou \u00e9 discut\u00edvel, ou ent\u00e3o meramente controverso. Jornalistas muito bem pagos aceitam avidamente os passeios, a hospitalidade e as lisonjas do governo de Israel e depois protestam truculentamente pela sua independ\u00eancia. A express\u00e3o \u201cidiotas \u00fateis\u201d foi cunhada para eles.<\/p>\n<p>Em 2011, fiquei espantado pela facilidade com que um dos romancistas mais aclamados da Gr\u00e3-Bretanha, Ian McEwan, um homem banhado pelo brilho do iluminismo burgu\u00eas, aceitou o Pr\u00e9mio Jerusal\u00e9m de literatura no Estado apartheid.<\/p>\n<p>Teria McEwan ido a Sun City na \u00c1frica do Sul do apartheid? Tamb\u00e9m l\u00e1 deram pr\u00e9mios, com todas as despesas pagas. McEwan justificou a sua a\u00e7\u00e3o com palavras rasteiras sobre a independ\u00eancia da \u201csociedade civil\u201d.<\/p>\n<p>Propaganda do tipo da que McEwan ofereceu, com a simb\u00f3lica palmada na m\u00e3o aos deliciados h\u00f3spedes, \u00e9 uma arma para os opressores da Palestina. Tal como o a\u00e7\u00facar, est\u00e1 hoje em dia em quase tudo.<\/p>\n<p>A nossa principal tarefa \u00e9 compreender e desconstruir a propaganda de estado cultural. Estamos a ser arrastados para uma segunda guerra fria cuja principal finalidade \u00e9 submeter e balcanizar a R\u00fassia e intimidar a China.<\/p>\n<p>Quando Donald Trump e Vladimir Putin falaram em privado durante mais de duas horas no encontro dos G20 em Hamburgo aparentemente sobre a necessidade de n\u00e3o avan\u00e7arem para a guerra com o outro, os mais vociferantes objectores foram os que tinham exigido liberalismo, como o editor politico sionista do Guardian.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 de admirar que Putin estivesse sorrindo em Hamburgo,\u201d escreveu Jonathan Freedland. \u201cEle sabe que conseguiu o seu objectivo principal: tornar a Am\u00e9rica fraca de novo.\u201d Boa insinua\u00e7\u00e3o para um sibilante dem\u00f4nio Vlad.<\/p>\n<p>Estes propagandistas jamais conheceram a guerra, mas adoram o jogo imperial da guerra. Aquilo a que Ian McEwan chama \u201csociedade civil\u201d tornou-se uma abundante fonte de propaganda do mesmo g\u00e9nero. Veja-se uma express\u00e3o frequentemente usada pelos guardi\u00f5es da sociedade civil: \u201cdireitos humanos\u201d. Do mesmo modo que o outro conceito nobre \u201cdemocracia\u201d, \u201cdireitos humanos\u201d foi totalmente esvaziado de significado e finalidade.<\/p>\n<p>Tal como \u201croteiro\u201d e \u201cprocesso de paz\u201d, os direitos humanos na Palestina foram tomados de assalto pelos governos ocidentais e as ONGs empresariais por eles financiadas e que se reclamam de uma quixotesca autoridade moral.<\/p>\n<p>Por isso, quando Israel \u00e9 instado pelos governos e ONGs a \u201crespeitar os direitos humanos\u201d na Palestina n\u00e3o acontece nada, porque todos eles sabem que n\u00e3o h\u00e1 nada a recear e nada vai mudar.<\/p>\n<p>De notar o sil\u00eancio da Uni\u00e3o Europeia, que acomoda Israel ao mesmo tempo que recusa respeitar os seus compromissos com o povo de Gaza, como manter aberta a passagem pela fronteira vital de Rafah, medida que aceitou como parte do cessar-fogo de 2014. O porto mar\u00edtimo para Gaza, acordado em Bruxelas em 2014, foi posto de lado.<\/p>\n<p>A comiss\u00e3o da ONU que antes referi (o nome completo \u00e9 Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica e Social das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a \u00c1sia Ocidental) descreveu Israel como, cito, \u201cprojectado para o objectivo central\u201d da discrimina\u00e7\u00e3o racial.<\/p>\n<p>Milh\u00f5es de pessoas percebem isso. O que os governos em Londres, Washington, Bruxelas e Telavive n\u00e3o conseguem controlar \u00e9 que a humanidade ao n\u00edvel da rua est\u00e1 a mudar talvez como nunca.<\/p>\n<p>Por todo o lado, as pessoas agitam-se e est\u00e3o mais atentas do que nunca, do meu ponto de vista. Algumas encontram-se j\u00e1 em revolta aberta. A atrocidade da Torre Grenfell em Londres aproximou as comunidades numa vibrante resist\u00eancia quase nacional.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as \u00e0 campanha popular, a judici\u00e1ria examina hoje as provas para a poss\u00edvel acusa\u00e7\u00e3o de Tony Blair por crimes de guerra. Mesmo que falhe, \u00e9 uma evolu\u00e7\u00e3o crucial, derrubando mais uma barreira entre o p\u00fablico e o reconhecimento da natureza voraz dos crimes do poder de estado, o sistem\u00e1tico desprezo pela humanidade perpetrado no Iraque, na Torre Grenfell, na Palestina. Esses s\u00e3o os pontos que esperam ser ligados entre si.<\/p>\n<p>Para a maior parte do s\u00e9c. XX, a fraude do poder das grandes empresas se fazer passar por democracia dependeu da propaganda de distrac\u00e7\u00e3o e largamente de um culto do \u201cmim-ismo\u201d concebido para desorientar o nosso sentido de procura dos outros, da ac\u00e7\u00e3o em conjunto, da justi\u00e7a social e do internacionalismo.<\/p>\n<p>Classe, sexo e ra\u00e7a foram postos de lado. O que \u00e9 pessoal tornou-se politico e os media a mensagem. A promo\u00e7\u00e3o do privil\u00e9gio burgu\u00eas foi apresentada como pol\u00edtica \u201cprogressista\u201d. N\u00e3o era. Nunca \u00e9. \u00c9 a promo\u00e7\u00e3o do privil\u00e9gio e do poder.<\/p>\n<p>Entre os jovens, o internacionalismo encontrou uma vasta audi\u00eancia nova. Veja-se o apoio a Jeremy Corbyn e a recep\u00e7\u00e3o que o circo G20 recebeu em Hamburgo. Ao perceber a verdade e os imperativos do internacionalismo e rejeitando o colonialismo, percebemos a luta da Palestina.<\/p>\n<p>Mandela p\u00f4s da seguinte forma: \u201cSabemos muito bem que a nossa liberdade \u00e9 incompleta sem a liberdade dos palestinianos.\u201d<\/p>\n<p>No cora\u00e7\u00e3o do M\u00e9dio Oriente, est\u00e1 a hist\u00f3rica injusti\u00e7a da Palestina. At\u00e9 que seja resolvida e os palestinianos tenham a sua liberdade e a sua p\u00e1tria e os israelitas e palestinianos sejam iguais perante a lei, n\u00e3o haver\u00e1 paz na regi\u00e3o, ou talvez em nenhum lugar.<\/p>\n<p>O que Mandela dizia \u00e9 que a pr\u00f3pria liberdade \u00e9 prec\u00e1ria enquanto os governos poderosos puderem negar a justi\u00e7a aos outros, aterroriz\u00e1-los, prend\u00ea-los e mat\u00e1-los em nosso nome. Certamente que Israel compreende a amea\u00e7a de que um dia ter\u00e1 que ser normal.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que o seu embaixador na Gr\u00e3-Bretanha \u00e9 Mark Regev, bem conhecido dos jornalistas como propagandista profissional, e \u00e9 por isso que o \u201cgrande bluff\u201d de acusa\u00e7\u00f5es de anti-semitismo, como Ilan Pappe lhe chamou, permitiu contorcer o Partido Trabalhista e minar Jeremy Corbyn como l\u00edder. A quest\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o resultou.<\/p>\n<p>Os acontecimentos sucedem-se agora depressa. A not\u00e1vel campanha de Boicote, Desinvestimento e San\u00e7\u00f5es (BDS) triunfa dia ap\u00f3s dia e cidades, sindicatos e organiza\u00e7\u00f5es estudantis est\u00e3o a apoi\u00e1-la. A tentativa do governo brit\u00e2nico limitar o apoio dos concelhos locais \u00e0 BDS perdeu nos tribunais.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de palha ao vento. Quando os palestinianos se reerguerem, como h\u00e1 de acontecer, podem n\u00e3o conseguir \u00e0 primeira, mas sim mais tarde, se percebermos que eles s\u00e3o n\u00f3s e n\u00f3s somos eles.<br \/>\n10 Julho 2017<\/p>\n<p>Vers\u00e3o abreviada da comunica\u00e7\u00e3o de John Pilger \u00e0 Palestinian Expo 2017 em Londres. O filme de John Pilger, \u2018Palestine Is Still the Issue\u2019 (\u201cA Palestina \u00e9 ainda a quest\u00e3o\u201d), pode ser visto neste website.<\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o: Jorge Vasconcelos<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"John Pilger \u00abO que enraivece quem coloniza e ocupa, rouba e oprime, vandaliza e destr\u00f3i \u00e9 a recusa das v\u00edtimas em obedecer. 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