{"id":15124,"date":"2017-07-25T14:18:26","date_gmt":"2017-07-25T17:18:26","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=15124"},"modified":"2017-08-14T19:09:23","modified_gmt":"2017-08-14T22:09:23","slug":"declaracao-do-kke-sobre-o-100-aniversario-da-grande-revolucao-socialista-de-outubro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15124","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o do KKE sobre o 100\u00b0 anivers\u00e1rio da Grande Revolu\u00e7\u00e3o Socialista de Outubro"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/origin.guiadoestudante.abril.com.br\/imagem\/revolucao%20russa%202.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>O Comit\u00ea Central do KKE homenageia o centen\u00e1rio da Grande Revolu\u00e7\u00e3o Socialista de Outubro. Homenageia o acontecimento transcendental do s\u00e9culo XX que demonstrou que o capitalismo n\u00e3o \u00e9 invenc\u00edvel, que podemos construir uma sociedade com organiza\u00e7\u00e3o superior, sem explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem.<!--more--><\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro demonstrou a for\u00e7a da luta de classes revolucion\u00e1ria, a for\u00e7a dos explorados e dos oprimidos, quando passam energicamente a primeiro plano e giram a roda da Hist\u00f3ria para adiante, para a dire\u00e7\u00e3o da liberta\u00e7\u00e3o social. No tempo hist\u00f3rico, foi a continua\u00e7\u00e3o das rebeli\u00f5es dos escravos, os levantes dos camponeses da Idade M\u00e9dia, as revolu\u00e7\u00f5es burguesas e, ao mesmo tempo, significou uma culmin\u00e2ncia e supera\u00e7\u00e3o deles, j\u00e1 que pela primeira vez se planejou como objetivo da revolu\u00e7\u00e3o a aboli\u00e7\u00e3o da sociedade classista, exploradora. Quarenta e seis anos depois do \u201cassalto ao c\u00e9u\u201d da heroica Comuna de Paris, a classe oper\u00e1ria russa com a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, materializou o ideal de milh\u00f5es de massas trabalhadoras e populares por uma vida melhor.<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro demonstrou a validade do pensamento leninista de que a vit\u00f3ria do socialismo \u00e9 poss\u00edvel em um pa\u00eds ou em um grupo de pa\u00edses, como consequ\u00eancia do desenvolvimento desigual do capitalismo.<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro de 1917 foi um acontecimento de import\u00e2ncia internacional e hist\u00f3rica. Confirmou a capacidade da classe trabalhadora (como for\u00e7a social que pode e deve dirigir a luta revolucion\u00e1ria por uma sociedade sem explora\u00e7\u00e3o, sem inseguran\u00e7a, sem pobreza, sem desemprego e guerras) de cumprir com sua miss\u00e3o hist\u00f3rica. Al\u00e9m disso, confirmou que o cumprimento da miss\u00e3o hist\u00f3rica da classe trabalhadora n\u00e3o se determina pela porcentagem que esta representa na popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa, mas pelo fato de que \u00e9 o portador das novas rela\u00e7\u00f5es socialistas de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro destacou o papel insubstitu\u00edvel da vanguarda pol\u00edtica revolucion\u00e1ria, do Partido Comunista, como fator de dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 da revolu\u00e7\u00e3o socialista, mas tamb\u00e9m de toda a luta pela forma\u00e7\u00e3o, o fortalecimento, a vit\u00f3ria final da nova sociedade comunista.<\/p>\n<p>A chama da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro conduziu e acelerou a cria\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios Partidos Comunistas, de partidos oper\u00e1rios revolucion\u00e1rios de novo tipo, em contraste com os partidos socialdemocratas daquela \u00e9poca, que tra\u00edram a classe trabalhadora e a pol\u00edtica revolucion\u00e1ria, escolhendo o caminho da integra\u00e7\u00e3o do movimento trabalhador sob a bandeira da burguesia, bem como o apoio da agress\u00e3o militar imperialista a custa do jovem estado oper\u00e1rio na R\u00fassia.<\/p>\n<p>A vitoriosa Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro foi a continua\u00e7\u00e3o de todos os levantes oper\u00e1rios anteriores e abriu o caminho para a passagem hist\u00f3rica da humanidade \u201cdo reino da necessidade ao reino da liberdade\u201d. Resumindo sua import\u00e2ncia hist\u00f3rica, Lenin escreveu:<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s come\u00e7amos a obra. Pouco importa saber quando, em que prazo e em que na\u00e7\u00e3o os prolet\u00e1rios culminar\u00e3o esta obra. O essencial \u00e9 que se rompeu a corrente, que se abriu o caminho, que se indicou a dire\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Os ensinamentos de Outubro s\u00e3o particularmente importantes hoje, quando a roda da Hist\u00f3ria parece girar para tr\u00e1s, quando o movimento comunista internacional est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de crise e de retrocesso, quando as consequ\u00eancias duradouras da contrarrevolu\u00e7\u00e3o (princ\u00edpios da d\u00e9cada de 1990) refor\u00e7am a percep\u00e7\u00e3o err\u00f4nea de muitos trabalhadores de que n\u00e3o existe alternativa ao capitalismo.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio desenvolvimento hist\u00f3rico ajuda a enaltecer a propaganda burguesa de que o car\u00e1ter do projeto socialista-comunista \u00e9 o ut\u00f3pico. Nenhum sistema socioecon\u00f4mico na Hist\u00f3ria da humanidade foi estabelecido de uma vez, com uma trajet\u00f3ria reta de vit\u00f3rias das for\u00e7as sociais que foram os portadores do desenvolvimento social. Ap\u00f3s o grande levante dos escravos, Esp\u00e1rtaco foi crucificado, por\u00e9m a escravid\u00e3o foi superada historicamente. Depois da revolu\u00e7\u00e3o burguesa francesa de 1789, Robespierre foi guilhotinado, por\u00e9m o feudalismo j\u00e1 n\u00e3o tinha futuro.<\/p>\n<p>A burguesia oculta deliberadamente que precisou aproximadamente de quatro s\u00e9culos para estabelecer seu poder. Foram necess\u00e1rios v\u00e1rios s\u00e9culos depois das primeiras revoltas da burguesia no s\u00e9culo XIV nas cidades comerciais do Norte da It\u00e1lia, at\u00e9 as revolu\u00e7\u00f5es burguesas dos s\u00e9culos XVIII e XIX, at\u00e9 que se desenvolvessem as rela\u00e7\u00f5es capitalistas em um n\u00edvel satisfat\u00f3rio, para que a burguesia conseguisse impor a plena aboli\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o feudais. As derrotas pol\u00edticas sofridas pela burguesia naquele per\u00edodo n\u00e3o anulam o fato de que foi historicamente necess\u00e1rio que as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o aniquadas entre os feudais e os escravos fossem substitu\u00eddas pelas rela\u00e7\u00f5es burguesas entre o capital e o trabalhador.<\/p>\n<p>Os representantes pol\u00edticos da burguesia argumentam em v\u00e3o que o capitalismo \u00e9 insubstitu\u00edvel, eterno e que a luta de classes revolucion\u00e1ria j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o propulsor dos sucessos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, a exist\u00eancia e as conquistas da sociedade socialista, que foi inaugurada pela Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, demonstraram que \u00e9 poss\u00edvel uma sociedade sem patr\u00f5es, sem capitalistas que possuem os meios de produ\u00e7\u00e3o. Esta conclus\u00e3o n\u00e3o pode ser refutada pelo fato de que naquele per\u00edodo em particular n\u00e3o conseguiu derrotar definitivamente a propriedade capitalista e o lucro capitalista.<\/p>\n<p><strong>O SOCIALISMO CONTINUA SENDO NECESS\u00c1RIO, VIGENTE E REALIZ\u00c1VEL<\/strong><\/p>\n<p>A necessidade e a vig\u00eancia do socialismo, assim como a possibilidade de abolir a propriedade privada nos meios concentrados de produ\u00e7\u00e3o, derivam do desenvolvimento capitalista que conduz \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. A propriedade capitalista \u00e9 um freio para o car\u00e1ter social da produ\u00e7\u00e3o. A propriedade capitalista cancela a possibilidade de que todos os trabalhadores vivam em melhores condi\u00e7\u00f5es organizadas a n\u00edvel social que satisfa\u00e7am as necessidades crescentes humanas: que todos tenham trabalho sem o pesadelo do desemprego, que trabalhem menos horas disfrutando uma qualidade de vida melhor e servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o, de sa\u00fade e de bem-estar de alto n\u00edvel, exclusivamente p\u00fablicos e gratuitos.<\/p>\n<p>No capitalismo, a classe trabalhadora cria estas oportunidades com seu trabalho, que se ampliam com o desenvolvimento das ci\u00eancias e da tecnologia. No entanto, em uma sociedade onde tudo o que se produz e o modo de produ\u00e7\u00e3o se determinam sobre a base do lucro privado, capitalista, as necessidades da classe oper\u00e1ria e das camadas populares est\u00e3o suprimidas. A ess\u00eancia do problema radica no fato de que alguns produzem enquanto outros decidem os objetivos e a organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. As crises econ\u00f4micas c\u00edclicas est\u00e3o no DNA do capitalismo e se tornam mais profundas e sincronizadas; consequentemente se aumenta bruscamente o desemprego, se expande de novo o trabalho mal remunerado e sem seguridade social, a vida com direitos esmagados, com guerras imperialistas pela partilha do mercado e dos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Apesar do aumento da produtividade do trabalho, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de vida se deterioram em todo o mundo capitalista, inclusive nos Estados capitalistas mais desenvolvidos. Os pr\u00f3prios Estados capitalistas, seus centros de pesquisas, afirmam que se reduzem as receitas dos trabalhadores, enquanto se aumentam os lucros dos capitalistas.<\/p>\n<p>Igualmente aos per\u00edodos anteriores de agita\u00e7\u00e3o social, hoje em dia um fator decisivo da corros\u00e3o da for\u00e7a do velho sistema de explora\u00e7\u00e3o s\u00e3o sempre suas contradi\u00e7\u00f5es internas, a intensifica\u00e7\u00e3o de suas contradi\u00e7\u00f5es. Estas contradi\u00e7\u00f5es oferecem a oportunidade de desenvolver e intensificar a luta de classes e tomar um car\u00e1ter subversivo. Hoje em dia, na \u00e9poca do capitalismo monopolista, se intensifica a contradi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do sistema, ou seja, ainda que o trabalho e a produ\u00e7\u00e3o tenham se socializado a uma escala sem precedentes, a maior parte de seus resultados \u00e9 levada pelos acionistas dos grupos monopolistas. Trata-se dos grandes acionistas-parasitas da vida econ\u00f4mica que, ainda que sejam desnecess\u00e1rios na organiza\u00e7\u00e3o e na administra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, exploram e se aproveitam da classe trabalhadora. Muitas vezes estes acionistas t\u00eam a\u00e7\u00f5es e levam lucros dos grupos monopolistas sem saber nem sequer onde se localizam ou o que produzem.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, junto com o dom\u00ednio dos grupos monopolistas se refor\u00e7a tamb\u00e9m a tend\u00eancia do estancamento relativo. Ou seja, o estancamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s oportunidades e \u00e0 din\u00e2mica que cria o n\u00edvel atual de desenvolvimento das for\u00e7as de produ\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao que se podia produzir em termos de quantidade e qualidade, se a sociedade n\u00e3o tivesse como incentivo de produ\u00e7\u00e3o os lucros. Algumas provas de parasitismo e de estancamento relativo s\u00e3o: a chamada obsol\u00eancia incorporada aos produtos (a utiliza\u00e7\u00e3o dos conhecimentos cient\u00edficos para reduzir a dura\u00e7\u00e3o da vida dos produtos), as restrui\u00e7\u00f5es na difus\u00e3o da tecnologia atrav\u00e9s das chamadas patentes que s\u00e3o propriedade dos grupos empresarias, a desvaloriza\u00e7\u00e3o durante um per\u00edodo de tempo do desenolvimento dos setores que n\u00e3o geram benef\u00edcios suficientes (por exemplo, prote\u00e7\u00e3o antiterremoto), a destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente devido a sua utiliza\u00e7\u00e3o irracional tendo como incentivo o maior lucro capitalista, os enormes fundos para a investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica destinada \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de armas e de meios de repress\u00e3o, etc.<\/p>\n<p>Hoje em dia, a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as negativa a custa da classe trabalhadora reproduz a impress\u00e3o (sob o dom\u00ednio da ideologia burguesade que o poder e a agressividade do capital s\u00e3o invenc\u00edveis. No entanto, n\u00e3o se pode ocultar a podrid\u00e3o do capitalismo e a possibilidade objetiva da aboli\u00e7\u00e3o da propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o e de sua socializa\u00e7\u00e3o pelo poder oper\u00e1rio, al\u00e9m de sua utiliza\u00e7\u00e3o com base numa planifica\u00e7\u00e3o central cujo incentivo ser\u00e1 o benef\u00edcio social.<\/p>\n<p>Toda a Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro e os acontecimentos precedentes demonstram que a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as negativa n\u00e3o \u00e9 eterna nem imut\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>A CRIA\u00c7\u00c3O DE CONDI\u00c7\u00d5ES FAVOR\u00c1VEIS PARA A DERRUBADA REVOLUCION\u00c1RIA<\/strong><\/p>\n<p>O fato de que se criaram as condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias para a constru\u00e7\u00e3o da sociedade socialista-comunista n\u00e3o significa que isto acontecer\u00e1 automaticamente. Uma raz\u00e3o importante \u00e9 o fato de que, diferente das leis da natureza, o desenvolvimento social requer a atividade humana. Neste caso, a luta de classes para a aboli\u00e7\u00e3o da velha sociedade e a constru\u00e7\u00e3o da nova sociedade.<\/p>\n<p>A eclos\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o socialista (assim como de todas as revolu\u00e7\u00f5es sociais na Hist\u00f3ria da humanidade) implica uma situa\u00e7\u00e3o na qual se enfraquece a capacidade da classe dominante de assimilar, suprimir e sufocar o povo.<\/p>\n<p>Lenin formulou o conceito da situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e identificou as caracter\u00edsticas principais objetivas e subjetuvas da sociedade na v\u00e9spera da revolu\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; Os de \u201ccima\u201d (a classe dirigente dos capitalistas) n\u00e3o podem governar e administrar como no passado.<\/p>\n<p>&#8211; Os de \u201cbaixo\u201d (a classe trabalhadora e as camadas popularesn\u00e3o querem viver como no passado.<\/p>\n<p>&#8211; Nota-se um crescimento fora do normal da atividade das massas.<\/p>\n<p>Assim, a indig\u00eancia dos de \u201cbaixo\u201d faz crescer sua atividade pol\u00edtica, enquanto entre os de \u201ccima\u201d prevalecem a confus\u00e3o, a fraqueza, as contradi\u00e7\u00f5es, a indecis\u00e3o.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de uma situa\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel para a derrubada revolucion\u00e1ria da sociedade capitalista \u00e9 de car\u00e1ter objetivo, deriva do aprofundamento brusco de suas contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No entanto, como assinalou Lenin acertadamente, nem toda situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria desemboca em uma revolu\u00e7\u00e3o. Nem a rea\u00e7\u00e3 dos de \u201cbaixo\u201d nem a crise dos de \u201ccima\u201d provocar\u00e3o uma derrubada, a menos que exista um levante revolucion\u00e1rio planificado da classe trabalhadora, dirigido por sua vanguarda consciente.<\/p>\n<p>Dito de outro modo, para que comece a revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria se requer a presen\u00e7a da vanguarda pol\u00edtica revolucion\u00e1ria, do Partido Comunista, armado com elabora\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e com a predi\u00e7\u00e3o dos acontecimentos baseada na cosmovis\u00e3o marxista-leninista, capaz de dirigir o levante revolucion\u00e1rio da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Claro que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prever todos os fatores que podem conduzir a uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. No entanto, a experi\u00eancia hist\u00f3rica demonstrou como fatores importantes a manifesta\u00e7\u00e3o de uma crise capitalista sincronizada, combinada com a eclos\u00e3o da guerra imperialista.<\/p>\n<p>A primeira revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria vitoriosa na R\u00fassia foi o resultado da capacidade da classe trabalhadora, sob a dire\u00e7\u00e3o de seu partido, de assumir este papel em condi\u00e7\u00f5es respectivas. Lenin previu acertadamente a possibilidade de uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria na R\u00fassia, a possibilidade de que a R\u00fassia se destacasse como o elo fr\u00e1gil da cadeia imperialista no contexto da I Guerra Mundial Imperialista.<\/p>\n<p><strong>A TRAJET\u00d3RIA DOS BOLCHEVIQUES PARA A VIT\u00d3RIA DA REVOLU\u00c7\u00c3O DE OUTUBRO DE 1917<\/strong><\/p>\n<p>Na R\u00fassia czarista, antes da I Guerra Mundial, ainda que o capitalismo se desenrolasse muito r\u00e1pido, se mantinham vest\u00edgios fortes do antigo Estado autorit\u00e1rio, encabe\u00e7ado pelo czar. Al\u00e9m disso, existia uma enorme massa de campesinos-pequenos agricultores no campo, que sofriam pelos vest\u00edgios significativos das rela\u00e7\u00f5es feudais.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o de 1905-1907 levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da Duma Estatal, ou seja, uma forma de institui\u00e7\u00e3o legislativa representativa com direitos muito limitados, que n\u00e3o significou em nenhum caso a transi\u00e7\u00e3o para um sistema parlamentar burgu\u00eas formal. A institui\u00e7\u00e3o da Duma expressava o compromisso entre setores da burguesia e do regime czarista. No campo, ainda que a servid\u00e3o na R\u00fassia tenha sido formalmente abolida em 1861, grandes setores de campesinos sofriam com a opress\u00e3o dos grandes propriet\u00e1rios de terras, que os obrigavam a fazer trabalhos pesados ou que entregassem a metade de sua colheita.<\/p>\n<p>No per\u00edodo da revolu\u00e7\u00e3o de 1905, nasceram os Soviets como n\u00facleos de organiza\u00e7\u00e3o da atividade revolucion\u00e1ria da classe oper\u00e1ria em condi\u00e7\u00f5es de luta intensa, de greve e de conflitos classistas. Foram uma nova de organiza\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria com delegados eleitos e funcionaram como germes e formas do futuro poder oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de grandes f\u00e1bricas nos principais centros das grandes cidades russas, como Moscou e Petrogrado (posteriormente Leningrado), deu lugar ao desenvolvimento importante do trabalho assalariado, convertendo a classe oper\u00e1ria na principal for\u00e7a social do pa\u00eds, apesar do fato de que n\u00e3o era majorit\u00e1ria no conjunto da popula\u00e7\u00e3o e no territ\u00f3rio do imp\u00e9rio czarista.<\/p>\n<p>Nestas condi\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, os bolcheviques elaboraram uma linha estrat\u00e9gica que apontava, mediante o desenvolvimento da luta de classes, a assegurar dois assuntos importantes: 1. A independ\u00eancia pol\u00edtica da classe oper\u00e1ria na revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa iminente, para que o proletariado n\u00e3o fosse arrastado pela burguesia. 2. A orienta\u00e7\u00e3o de todo o movimento popular pela classe trabalhadora (ou seja, a alian\u00e7a social do proletariado com os campesinos m\u00e9dios) para que a revolu\u00e7\u00e3o tivesse um car\u00e1ter radical em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9poca hist\u00f3rica, facilitando a transi\u00e7\u00e3o para a revolu\u00e7\u00e3o socialista. Assim que na luta para ganhar o campesinato ao lado da classe oper\u00e1ria, a estrat\u00e9gia dos bolcheviques se baseou na linha: Com todos os campesinos contra o medievalismo. Depois, com os campesinos pobres, com o semiproletariado contra o capitalismo, compreendidos os ricos do campo.<\/p>\n<p>Esta estrat\u00e9gia foi baseada, em primeiro lugar, na considera\u00e7\u00e3o de que objetivamente o desenvolvimento do socialismo na R\u00fassia entrou em contraste com a superestrutura pol\u00edtica atrasada do czarismo e com a manuten\u00e7\u00e3o dos vest\u00edgios da servid\u00e3o no campo, e, em segundo lugar, na ideia de um processo revolucion\u00e1rio a n\u00edvel europeu. Ao mesmo tempo, a burguesia em 1905 j\u00e1 n\u00e3o era a burguesia progressista da \u00e9poca das revolu\u00e7\u00f5es brguesas dos s\u00e9culos XVIII e XIX. O capitalismo a n\u00edve mundial j\u00e1 tinha entrado na \u00e9poca reacion\u00e1ria do imperialismo. Estava mais assustado que desejoso de uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, j\u00e1 que a classe advers\u00e1ria, a classe trabalhadora, tinha se estabelecido como uma for\u00e7a pol\u00edtica independente.<\/p>\n<p>Assim, Lenin avaliava que a derrubada revolucion\u00e1ria deveria estabelecer um governo revolucion\u00e1rio provis\u00f3rio, a \u201cditadura democr\u00e1tica do proletariado e do campesinato\u201d, que levaria a cabo o programa \u201cm\u00ednimo\u201d dos bolcheviques (assembleia constituinte, sufr\u00e1gio universal, reforma agr\u00e1ria, etc.). Este poder acabaria de uma vez por todas com os vest\u00edgios do czarismo e seria a centelha da revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria na Europa ocidental capitalista desenvolvida, que por sua vez apoiaria a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria na R\u00fassia. Os bolcheviques, naquele per\u00edodo, vinculavam a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista, destacando a defesa dos interesses particulares da classe oper\u00e1ria e a necessidade de exercer constante press\u00e3o sobre o governo revolucion\u00e1rio para ampliar as conquistas da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A \u201cditadura democr\u00e1tica do proletariado e do campesinato\u201d, segundo Lenin, poderia ter uma posi\u00e7\u00e3o comum quanto \u00e0 derrota do absolutismo, por\u00e9m n\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao socialismo. Lenin previu que enquanto ia se desenvolvendo a revolu\u00e7\u00e3o, se aprofundaria o conflito no seio da alian\u00e7a entre oper\u00e1rios e campesinos e de seu poder e levaria, finalmente, \u00e0 plena separa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora dos campesinos m\u00e9dios e ricos para que predominasse o elemento prolet\u00e1rio sobre o elemento pequeno-burgu\u00eas e, \u00e9 claro, a transi\u00e7\u00e3o para a \u201cditadura do proletariado\u201d.<\/p>\n<p>Esta linha dos bolcheviques foi desenvolvida em oposi\u00e7\u00e3o aos oportunistas de direita daquele momento, os mencheviques, assim como em oposi\u00e7\u00e3o a Trotsky, que subestimava o papel e a import\u00e2ncia do campesinato. Lenin considerava que a posi\u00e7\u00e3o de Trotsky levava \u00e0 \u201cnega\u00e7\u00e3o do papel do campesinato\u201d e \u00e0 derrota da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A entrada da R\u00fassia na I Guerra Mundial aprofundou ainda mais as contradi\u00e7\u00f5es sociais. As repetidas derrotas do ex\u00e9rcito russo na frente de batalha, a perda de territ\u00f3rios (por exemplo, Pol\u00f4nia, pa\u00edses b\u00e1lticos) causaram um grande descontentamento n\u00e3o s\u00f3 entre os trabalhadores e os camponeses que sofriam os estragos da guerra, mas tamb\u00e9m entre a burguesia da R\u00fassia. O fato de que o entorno do czar come\u00e7o a orientar-se para a Alemanha e a possibilidade de fazer uma paz separada provocou a rea\u00e7\u00e3o da burguesia, uma rea\u00e7\u00e3o que foi aprovada pela Gr\u00e3-Bretanha e Fran\u00e7a e levou \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de planos para derrubar o czar. Ao mesmo tempo, em 1916, estouraram levantes de v\u00e1rios grupos \u00e9tnicos no C\u00e1ucaso e na \u00c1sia Central contra o imp\u00e9rio czarista.<\/p>\n<p>Os planos da burguesia para derrubar o czar foram vinculados \u00e0s grandes mobiliza\u00e7\u00f5es do povo e \u00e0s greves que ocorreram em fevereiro de 1917, como resultado da falta de alimentos, do desemprego massivo e do aprofundamento r\u00e1pido dos problemas sociais. A cria\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, a atividade pol\u00edtica das massas dos trabalhadores e dos camponeses organizados nos Soviets, a desintegra\u00e7\u00e3o nas fileiras do ex\u00e9rcito, ao final levaram \u00e0 derrubada revolucion\u00e1ria do czar.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria se criou no terreno de um processo complexo que inclu\u00eda uma s\u00e9rie de fatores importantes: o aprofundamento dos antagonismos interimperialistas, o sofrimento que havia causado a guerra imperialista durante os tr\u00eas anos anteriores a custa das camadas populares, a instabilidade da alian\u00e7a do czar com a burguesia, que j\u00e1 n\u00e3o permitia aos de \u201ccima\u201d governar como no passado, o trabalho pol\u00edtico e organizativo dos bolcheviques antes e durante a guerra nas fileiras da classe oper\u00e1ria e dos soldados.<\/p>\n<p>Como resultado da intensifica\u00e7\u00e3o brusca das contradi\u00e7\u00f5es entre a burguesia e o czar em condi\u00e7\u00f5es de crise e de guerra imperialista, cuja inevitabilidade tinha sido destacada pelos bolcheviques, a burguesia tomou a dianteira na revolu\u00e7\u00e3o de fevereiro.<\/p>\n<p>O Governo Democr\u00e1tico Provis\u00f3rio foi constitu\u00eddo por representantes dos partidos burgueses liberais da R\u00fassia e foi um \u00f3rg\u00e3o do poder burgu\u00eas. Ao mesmo tempo, a luta pol\u00edtica dos oper\u00e1rios e dos camponeses p\u00f4s em movimento a organiza\u00e7\u00e3o das massas armadas que participaram da derrubada do czar atrav\u00e9s dos Soviets (conselhos de delegados).<\/p>\n<p>Nos Soviets daquele per\u00edodo, dominavam os mencheviques (corrente oportunista) e os social-revolucion\u00e1rios (\u201crevolucion\u00e1rios socialistas pequeno-burgueses\u201d) que defendiam como dever o apoio ao Governo Democr\u00e1tico Provis\u00f3rio. Ent\u00e3o, houve uma situa\u00e7\u00e3o que Lenin caracterizou como \u201cduplo poder\u201d para descrever o momento transit\u00f3rio no processo revolucion\u00e1rio, em qua a burguesia tinha o poder, mas n\u00e3o era t\u00e3o forte como para dissolver a organiza\u00e7\u00e3o das massas populares que ia armada (por exemplo, os Soviets tinham seus pr\u00f3prios guardas).<\/p>\n<p>Lenin, consciente do compromisso entre o Governo Democr\u00e1tico Provis\u00f3rio e os Soviets, considerava que era preciso implementar uma pol\u00edtica concreta para convencer o trabalhadores mediante sua pr\u00f3pria experi\u00eancia da necessidade de:<\/p>\n<ol>\n<li>N\u00e3o apoiar o Governo Democr\u00e1tico Provis\u00f3rio, que foi o governo da burguesia.<\/li>\n<li>Tomar consci\u00eancia de que a guerra que estava em curso era imperialista, depredadora e injusta.<\/li>\n<li>Abandonar os mencheviques e os social-revolucion\u00e1rios para mudar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as a favor dos bolcheviques nos Soviets.<\/li>\n<li>Que os Soviets tomassem o poder como condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via para resolver todos os problemas prementes das camadas populares (paz, p\u00e3o, terra).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Nas famosas \u201cTeses de Abril\u201d e nos demais textos daquele per\u00edodo, Lenin fez uma clara avalia\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter da Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro. Considerava que o poder mudou de m\u00e3os, que passou \u00e0s m\u00e3os da burguesia. Destacava que a quest\u00e3o b\u00e1sica na estrat\u00e9gia dos bolcheviques at\u00e9 ent\u00e3o foi a quest\u00e3o da alian\u00e7a social dos oper\u00e1rios e dos camponeses, que se tinha realizado j\u00e1 sob a forma dos Soviets, independentemente do fato de que neles a maioria do proletariado estava desorientada e confiava nos representantes das camadas pequeno-burguesas que atuavam como cola da burguesia.<\/p>\n<p>Contra a posi\u00e7\u00e3o dos \u201cvelhos bolcheviques\u201d (Kamenev, Zinoviev etc.) de que a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa n\u00e3o tinha terminado e que uma s\u00e9rie de objetivos n\u00e3o tinham sido conquistados (por exemplo, a Assembleia Constituinte, a reforma agr\u00e1ria), Lenin respondeu que a quest\u00e3o principal em cada revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 a quest\u00e3o do poder. Neste sentido, a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa tinha terminado.<\/p>\n<p>Portanto, foi necess\u00e1rio que os bolcheviques mudassem sua estrat\u00e9gia. A partir de fevereiro, a primeira e fundamental quest\u00e3o que deveria ser resolvida foi a eleva\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia do proletariado e a conquista da posi\u00e7\u00e3o de vanguarda no marco da alian\u00e7a social. Isto requeria uma luta nos \u00f3rg\u00e3os revolucion\u00e1rios (os Soviets), o agrupamento dos semiprolet\u00e1rios e dos camponeses pobres para preparar o terreno para a revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>Quando o Governo Democr\u00e1tico Provis\u00f3rio, em julho, adotou severas medidas repressivas contra os bolcheviques e o movimento oper\u00e1rio, os bolcheviques abandonaram a consigna \u201cTodo o poder aos Soviets\u201d. Lenin, naquele per\u00edodo crucial e especialmente depois do golpe de Estado militar do general Korn\u00edlov, previu que a situa\u00e7\u00e3o objetiva poderia conduzir ou \u00e0 vit\u00f3ria completa da ditadura militar burguesa, ou \u00e0 vit\u00f3ria do levante armado os trabalhadores. Intensificou o debate contra as ilus\u00f5es por uma transi\u00e7\u00e3o parlamentar pac\u00edfica ao socialismo e declarou que o prop\u00f3sito do levante armado poderia ser somente a passagem do poder \u00e0s m\u00e3os do proletariado, com o apoio dos camponeses pobres, para a realiza\u00e7\u00e3o dos objetivos program\u00e1ticos do Partido.<\/p>\n<p>Em setembro de 1917, quando os bolcheviques ganharam a maioria nos Soviets de Petrogrado e de Moscou, se utilizou de novo a consigna \u201cTodo o poder aos Soviets\u201d cobrando um novo sentido. N\u00e3o como antes, como uma consigna que apresentaria claramente o compromisso, a concilia\u00e7\u00e3o dos mencheviques com o governo burgu\u00eas e facilitaria a mudan\u00e7a da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, mas como uma consigna de derrubada do Governo Democr\u00e1tico Provis\u00f3rio, como uma consigna de levante revolucion\u00e1rio. Os bolcheviques atuaram nesta dire\u00e7\u00e3o sem esperar as elei\u00e7\u00f5es para a Assembleia Constituinte, nem o Congresso dos Soviets.<\/p>\n<p>A determina\u00e7\u00e3o de Lenin e dos da dire\u00e7\u00e3o dos bolcheviques que apoiaram suas posi\u00e7\u00f5es, finalmente levou \u00e0 vitoriosa revolu\u00e7\u00e3o socialista em 25 de outubro (7 de novembro, segundo o novo calend\u00e1rio) de 1917.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro demonstrou que o poder oper\u00e1rio sovi\u00e9tico, a ditadura do proletariado, confrontou os problemas prementes dos trabalhadores (terra, p\u00e3o, paz), n\u00e3o um poder burgu\u00eas ou outro poder \u201cintermedi\u00e1rio\u201d, que na realidade n\u00e3o pode existir. O poder sovi\u00e9tico abriu ao caminho para a aboli\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es capitalistas de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a finalidade de chegar \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o vitoriosa, o partido bolchevique, com a contribui\u00e7\u00e3o significativa de Lenin, levou a cabo um esfor\u00e7o te\u00f3rico e pol\u00edtico cont\u00ednuo para desenvolver sua percep\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, para aprofundar e prever as mudan\u00e7as r\u00e1pidas na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre as classes inimigas, assim como para fortalecer sua influ\u00eancia pol\u00edtica na classe oper\u00e1ria. As mudan\u00e7as na linha da pol\u00edtica revolucion\u00e1ria a partir de 1905 at\u00e9 outubro de 1917 refletem a maturidade de sua elabora\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>N\u00e3o era um esfor\u00e7o f\u00e1cil. Depois da ruptura com os mencheviques em 1903, no II Congresso do Partido Oper\u00e1rio Socialdemocrata da R\u00fassia (POSDR) e a forma\u00e7\u00e3o de um partido diferente em 1912, os bolcheviques se moderam em condi\u00e7\u00f5es de debate, de ruptura ideol\u00f3gica, pol\u00edtica e organizativa das for\u00e7as oportunistas.<\/p>\n<p>O caminho para a vit\u00f3ria foi o resultado de uma elabora\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e pol\u00edtica cont\u00ednua e intensa. Na elabora\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia da revolu\u00e7\u00e3o socialista foi decisiva a contribui\u00e7\u00e3o do estudo das caracter\u00edsticas do capitalismo monopolista (a obra \u201cO imperialismo, fase superior do capitalismo\u201d), a postura a respeito do Estado burgu\u00eas e o car\u00e1ter do poder oper\u00e1rio, ou seja, da ditadura do proletariado (\u201cO Estado e a revolu\u00e7\u00e3o\u201d), e em geral o aprofundamento do pensamento e da an\u00e1lise materialistas dial\u00e9ticos dos acontecimentos (a obra \u201cMaterialismo e Empiriocriticismo&#8221;), enquanto anteriormente se tinha realizado a an\u00e1lise econ\u00f4mica da R\u00fassia czarista (a obra \u201cO desenvolvimento do capitalismo na R\u00fassia\u201d).<\/p>\n<p>Estas elabora\u00e7\u00f5es demonstraram a possibilidade da socializa\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o concentrados na \u00e9poca do capitalismo monopolista, assim como as possibilidades criadas pelo desenvolvimento econ\u00f4mico e pol\u00edtico desigual e o aprofundamento das contradi\u00e7\u00f5es interimperialistas para romper a cadeia imperialista no elo mais fraco e para iniciar o esfor\u00e7o de construir o socialismo em um s\u00f3 pa\u00eds ou em um grupo de pa\u00edses.<\/p>\n<p>Lenin, ao desenvolver a estrat\u00e9gia dos bolcheviques, se op\u00f4s na pr\u00e1tica \u00e0s posi\u00e7\u00f5es de Plekhanov, de Kautsky, de Martov, assim como de quadros dos bolcheviques que consideravam que R\u00fassia deveria passar necessariamente pela etapa da chamada maturidade do capitalismo.<\/p>\n<p>Estas posi\u00e7\u00f5es eram generalizadas e fortes na R\u00fassia pr\u00e9-revolucion\u00e1ria. Baseavam-se no grande peso espec\u00edfico da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola na economia russa, na aus\u00eancia de mecaniza\u00e7\u00e3o, no atraso da eletricidade, os restos pr\u00e9-capitalistas em grande parte do imp\u00e9rio czarista. Lenin assinalou o desenvolvimento das rela\u00e7\u00f5es capitalistas, a cria\u00e7\u00e3o de grupos monopolistas nas grandes cidades e a possibilidade das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o socialista de dar um grande impulso ao desenvolvimento das for\u00e7as de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como era natural, o amadurecimento da estrat\u00e9gia dos bolcheviques n\u00e3o era uma obra de um s\u00f3 ato. O Partido dos bolchqviques se tornou capaz de tirar conclus\u00f5es da iniciativa revolucion\u00e1ria que desenvolviam as massas em momentos de intensifica\u00e7\u00e3o da luta de classes e utilizar as institui\u00e7\u00f5es que criaram (os Soviets) a favor do levante revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em cada fase de desenvolvimento da luta de classes, demonstrou uma capacidade destacada de servir a estrat\u00e9gia com a pol\u00edtica adequada, com alian\u00e7as, consignas, manobras, assim como com o confronto acertado contra os mencheviques e as demais for\u00e7as oportunistas. Utilizou com a maneira mais apropriada a experi\u00eancia militante que adquiriram seus integrantes nas duras lutas classistas no per\u00edodo de 1905-1017. Trabalhou com firmeza e decis\u00e3o pela mudan\u00e7a da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no movimento oper\u00e1rio sindical e conseguiu mudar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as nos maiores sindicatos em Petrogrado e em Moscou durante a I Guerra Mundial e, sobretudo, aumentar gradualmente a influ\u00eancia nos \u00f3rg\u00e3os dos trabalhadores e dos soldados insurgentes (Soviets). A disposi\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e a capacidade militante ofereceram ao Partido dos bolcheviques a oportunidade de forjar la\u00e7os revolucion\u00e1rios com as for\u00e7as oper\u00e1rias e populares e n\u00e3o sucumbir \u00e0s dificuldades pr\u00e1ticas que encontrava em sua atividade, tais como a viol\u00eancia estatal e paraestatal.<\/p>\n<p>No per\u00edodo dif\u00edcil de 1905 a 1917, os bolcheviques enfrentaram na pr\u00e1tica n\u00e3o s\u00f3 a viol\u00eancia do Estado czarista, mas tamb\u00e9m a atividade contrarrevolucion\u00e1ria das camadas pequeno-burguesas e populares atrasadas. Um exemplo caracter\u00edstico s\u00e3o as Cent\u00farias Negras na Revolu\u00e7\u00e3o de 1905, cuja confronta\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica foi escolhida por Lenin para a prepara\u00e7\u00e3o dos grupos de combate de oper\u00e1rios. Os bolcheviques fizeram um enorme esfor\u00e7o para fazer amadurecer a consci\u00eancia de classe dos trabalhadores naqueles anos. Basta recordar que em uma das maiores manifesta\u00e7\u00f5es em Petrgrado, em 1905, as pessoas tinham nas m\u00e3os \u00edcones de santos e do pr\u00f3prio czar e cantavam hinos antes de receber o ataque armado da guarda do czar.<\/p>\n<p>Em particular, no per\u00edodo crucial de fevereiro a outubro de 1917, enfrentaram pol\u00edticos burgueses capazes, como foi Kerenski, que tinham a capacidade de enganar as massas. Os bolcheviques tiveram \u00eaxito porque trabalharam com paci\u00eancia e de maneira audaz, com um plano de prepara\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, organizativa e militar para o levante revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>O desenlace exitoso da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro confirmou a estrat\u00e9gia da revolu\u00e7\u00e3o socialista, assim como uma s\u00e9rie de princ\u00edpios relacionados com a derrubada revolucion\u00e1ria do capitalismo: o papel dirigente do Partido Comunista revolucion\u00e1rio, seu funcionamento com base no princ\u00edpio do centralismo democr\u00e1tico, cujas caracter\u00edsticas principais s\u00e3o a coletividade e salvaguardar a atividade unificada. A necessidade de unir a classe oper\u00e1ria contra o poder do capital, a necessidade de atrair setores de camponeses e de outras camadas medianas na revolu\u00e7\u00e3o, e de neutralizar outras. O car\u00e1ter historicamente antiquado e reacion\u00e1rio da burguesia, a necessidade de n\u00e3o participar ou apoiar um governo no terreno do capitalismo, a n\u00e3o exist\u00eancia de tipos de poder transit\u00f3rios entre o capitalismo e o socialismo, a necessidade de acabar com o Estado burgu\u00eas.<\/p>\n<p>O estudo da estrat\u00e9gia dos bolcheviques na Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, assim como do desenvolvimento de sua elabora\u00e7\u00e3o (desde 1905 at\u00e9 1917) leva a conclus\u00f5es substanciais. Oferece uma experi\u00eancia valiosa a respeito da aproxima\u00e7\u00e3o dos comunistas dos oper\u00e1rios e camadas populares com consci\u00eancia de classe imatura. Os bolcheviques conseguiram combinar com sucesso o estudo dos acontecimentos, nacionais e internacionais, o trabalho te\u00f3rico assim como o estudo da experi\u00eancia da dura luta de classes na R\u00fassia. Esta combina\u00e7\u00e3o \u00e9, atualmente, mais necess\u00e1ria que nunca, para que os comunistas possam trabalhar eficazmente em condi\u00e7\u00f5es complexas e dif\u00edceis, onde a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as \u00e9 negativa.<\/p>\n<p><strong>SOBRE A ESTRAT\u00c9GIA DO MOVIMENTO COMUNISTA INTERNACIONAL NO S\u00c9CULO XX<\/strong><\/p>\n<p>O Partido dos bolcheviques e a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro foram a continuidade hist\u00f3rica da atividade da ala revolucion\u00e1ria dos marxistas no marco da I e da II Internacional. Contribuiram com o in\u00edcio dos levantes oper\u00e1rios que ocorreram nos anos seguintes em Berlim, Budapeste, Turim, que foram derrotados. Em geral, a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro acelerou o desenvolvimento do movimento comunista internacional e conduziu \u00e0 cria\u00e7\u00e3o a II Internacional Comunista (1919-1943) em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 for\u00e7a internacional do capital. A necessidade de que existisse uma distin\u00e7\u00e3o clara e que se identificasse a luta contra os partidos socialdemocratas que tinham tra\u00eddo a classe trabalhadora na I Guerra Mundial, conduziu \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o das 21 condi\u00e7\u00f5es para a admiss\u00e3o de um partido \u00e0 III Internacional em 1920, condi\u00e7\u00f5es que tinham rela\u00e7\u00e3o com a prote\u00e7\u00e3o de seu car\u00e1ter revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>No entanto, mais tarde, a experi\u00eancia positiva da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro n\u00e3o foi assimilada e n\u00e3o prevaleceu ao longo da exist\u00eancia da Internacional Comunista. Em vez disso, atrav\u00e9s de um curso contradit\u00f3rio, prevaleceu em grande medida o conceito estrat\u00e9gico que, em geral, apresentava como objetivo um poder ou um governo de tipo intermedi\u00e1rio entre o poder burgu\u00eas e oper\u00e1rio, como poder transit\u00f3rio para o poder socialista. Muitas vezes esta op\u00e7\u00e3o foi justificada com base na elabora\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica inicial dos bolcheviques e, de fato, foi aplicada em economias capitalistas e em estados burgueses estabelecidos em pa\u00edses que n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00f5es historicamente similares \u00e0s da R\u00fassia de 1905.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es deste curso necessitam, \u00e9 claro, de um estudo mais profundo, mais exaustivo, que nosso Partido continua levando a cabo. No entanto, j\u00e1 podemos assinalar alguns fatores e dificuldades que contribu\u00edram com a preval\u00eancia de elabora\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas problem\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Poucos anos depois da vit\u00f3ria de Outubro, retrocedeu a onda do levante revolucion\u00e1rio do movimento oper\u00e1rio e, particularmente, depois da derrota da revolu\u00e7\u00e3o na Alemanha em 1918 e na Hungria em 1919, enquanto alguns partidos comunistas n\u00e3o aproveitaram a cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es de situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria naquela \u00e9poca. A seguir, depois de 1920, os pa\u00edses capitalistas fortes superaram temporariamente a crise econ\u00f4mica e se estabilizaram. A maioria dos trabalhadores sindicalizados encontrava-se nos partidos socialdemocratas, em alguns dos quais estava em curso uma luta intensa em seu interior, como na It\u00e1lia e na Alemanha.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, se aprofundou o enfrentamento no Partido Comunista de toda a uni\u00e3o (bolcheviques) entre as for\u00e7as que consideravam que a constru\u00e7\u00e3o socialista era imposs\u00edvel sem a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o socialista nos pa\u00edses capitalistas desenvolvidos do Ocidente (Trotsky e etc.) e as for\u00e7as lideradas por Stalin, que argumentavam que o poder sovi\u00e9tico deveria dar prioridade \u00e0 dire\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>No retrocesso da onda revolucion\u00e1ria, em combina\u00e7\u00e3o com a luta de classes intensa na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e os obst\u00e1culos que deveriam superar em um breve per\u00edodo de tempo, se acrescentou a amea\u00e7a crescente de uma nova ofensiva militar imperialista contra a URSS na d\u00e9cada de 1930. A discuss\u00e3o para sua confronta\u00e7\u00e3o intensificou as contradi\u00e7\u00f5es e as defici\u00eancias te\u00f3ricas na elabora\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria adequada.<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o complexo da pol\u00edtica de assuntos exteriores \u00e0 URSS para atrasar o m\u00e1ximo poss\u00edvel o ataque imperialista e utilizar as contradi\u00e7\u00f5es entre os centros imperialistas nesta dire\u00e7\u00e3o, est\u00e1 relacionada a importantes altera\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7as na linha da Internacional Comunista que desempenharam um papel negativo no curso do movimento comunista internacional nas d\u00e9cadas seguintes. As altera\u00e7\u00f5es tinham rela\u00e7\u00e3o com o confronto da corrente fascista, a atitude da socialdemocracia, assim como ante a pr\u00f3pria democracia burguesa. Surgiu, ent\u00e3o, a distin\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das alian\u00e7as imperialistas daquele per\u00edodo em agressivas, nas quais se classificavam as for\u00e7as fascistas, e as alian\u00e7as defensivas, nas quais se classificavam as for\u00e7as democr\u00e1tico-burguesas.<\/p>\n<p>Em particular, a avalia\u00e7\u00e3o a respeito da exist\u00eancia de uma ala esquerda e uma ala direita nos partidos socialdemocratas na d\u00e9cada de 1930, da qual surgia a alian\u00e7a com estas for\u00e7as, estava equivocada, e desta avalia\u00e7\u00e3o surgia a alian\u00e7a com estas, o que menosprezava completamente a transforma\u00e7\u00e3o completa em partidos da burguesia. Esta distin\u00e7\u00e3o equivocada foi mantida inclusive depois da II Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Estas mudan\u00e7as, objetivamente, impediam a luta do movimento oper\u00e1rio sob a bandeira da democracia burguesa. Respectivamente, a distin\u00e7\u00e3o dos centros imperialistas a favor da paz e a favor da guerra, escondia o verdadeiro culpado pela guerra imperialista e a ascens\u00e3o do fascismo, do capitalismo monopolista. Ou seja, n\u00e3o assinalava a tarefa estrat\u00e9gica imperativa dos Partidos Comunistas de combinar a concentra\u00e7\u00e3o de for\u00e7as com a luta pela liberta\u00e7\u00e3o nacional ou com a luta antifascista pela derrubada do poder burgu\u00eas, utilizando as condi\u00e7\u00f5es da situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, que se formaram em uma serie de pa\u00edses.<\/p>\n<p>Em geral, a Internacional Comunista em suas elabora\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas subestimou o car\u00e1ter da \u00e9poca e predominou a determina\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter da revolu\u00e7\u00e3o temendo como crit\u00e9rio a posi\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds no sistema imperialista internacional. Ou seja, se adotaram erroneamente como crit\u00e9rios para a determina\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter da revolu\u00e7\u00e3o o n\u00edvel m\u00ednimo de desenvolvimento das for\u00e7as produtivas de um pa\u00eds, em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel superior que tinham conseguido as pot\u00eancias dirigentes no sistema imperialista internacional, assim como a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as negativa a custa do movimento oper\u00e1rio revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Esta aproxima\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica equivocada subestimava a possibilidade das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o socialista de dar um grande impulso e libertar o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas em um pa\u00eds capitalista. Por exemplo, o atraso na eletricidade que herdou a URSS foi superado muito rapidamente, assim como o analfabetismo. Naquele momento, o poder oper\u00e1rio organizou servi\u00e7os sociais sem precedentes.<\/p>\n<p>O desenvolvimento desigual das economias capitalistas e as rela\u00e7\u00f5es desiguais entre os Estados n\u00e3o podem ser abolidas com base no capitalismo. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, o car\u00e1ter da revolu\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses capitalistas se determina objetivamente pela contradi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica que deve resolver, independentemente das mudan\u00e7as relativas na posi\u00e7\u00e3o de cada pa\u00eds no sistema imperialista. O car\u00e1ter socialista e as tarefas da revolu\u00e7\u00e3o surgem do aprofundamento da contradi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica entre o capital e o trabalho nos pa\u00edses capitalistas na \u00e9poca do capitalismo monopolista.<\/p>\n<p>Em uma serie de elabora\u00e7\u00f5es dos Partidos Comunistas, a aproxima\u00e7\u00e3o do objetivo do poder oper\u00e1rio se fazia com base no crit\u00e9rio de correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e n\u00e3o na determina\u00e7\u00e3o objetiva da \u00e9poca hist\u00f3rica em que vivemos, com base na classe cujo movimento est\u00e1 na vanguarda do desenvolvimento dos acontecimentos sociais, ou seja, da atividade pela liberta\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Lenin, em sua obra \u201cSob uma bandeira estrangeira\u201d, resume a \u00e9poca do capitalismo monopolista da seguinte maneira: \u201cA terceira \u00e9poca, que est\u00e1 apenas come\u00e7ando, coloca a burguesia na mesma \u2018posi\u00e7\u00e3o\u2019 que ocuparam os senhores feudais durante a primeira \u00e9poca (ou seja, a \u00e9poca do auge revolucion\u00e1rio da burguesia, com a revolu\u00e7\u00e3o burguesa francesa de 1789). \u00c9 a \u00e9poca do imperialismo e das convuls\u00f5es imperialistas e das convuls\u00f5es produzidas pelo imperialismo\u201d.<\/p>\n<p>O car\u00e1ter da \u00e9poca tem uma dimens\u00e3o global, independentemente das diferencia\u00e7\u00f5es de um pa\u00eds a outro no grau e na maneira de amadurecimento dos requisitos pr\u00e9vios para a passagem para o socialismo. O indicador principal da maturidade do capitalismo \u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o e a expans\u00e3o do trabalho assalariado, da classe que sofre a explora\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p><strong>A CONSTRU\u00c7\u00c3O DO SOCIALISMO NA URSS<\/strong><\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro trouxe \u00e0 cena uma organiza\u00e7\u00e3o superior da sociedade, que foi radicalmente diferente de todos os sistemas que precederam a hist\u00f3ria e cuja caracter\u00edstica comum era a explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem.<\/p>\n<p>Na URSS ningu\u00e9m podia contratar algu\u00e9m para \u201ctrabalhar\u201d. A aboli\u00e7\u00e3o da contrata\u00e7\u00e3o de for\u00e7a de trabalho estrangeira \u00e9 o resultado social mais significativo da Revolu\u00e7\u00e3o de Outibro, a fonte de diversas conquistas para a vida dos trabalhadores. Com a planifica\u00e7\u00e3o central como rela\u00e7\u00e3o social de produ\u00e7\u00e3o para a utiliza\u00e7\u00e3o dos meios socializados, se obtiveram importantes conquistas sociais durante muitas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Na URSS, foi garantido pela primeira vez na pr\u00e1tica o direito ao trabalho, eliminando o desemprego como fen\u00f4meno social. Sentaram-se as bases para a aboli\u00e7\u00e3o de todas as formas de discrimina\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, pol\u00edtico-ideol\u00f3gicas e sociais a custa da mulher, e inclusive em regi\u00f5es onde existia grande atraso a respeito destes temas. Desenvolveram-se rapidamente as ci\u00eancias, a educa\u00e7\u00e3o gratuita em todos os n\u00edveis e a assist\u00eancia sanit\u00e1ria de qualidade e gratuita para todo o povo; foi garantido o acesso universal e a capacidade da contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 cultural e aos esportes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, pela primeira vez na Hist\u00f3ria, foram criadas institui\u00e7\u00f5es que asseguravam a participa\u00e7\u00e3o essencial dos trabalhadores na gest\u00e3o de aspectos de sua sociedade, tirando as massas da margem da vida pol\u00edtica e social. Pela primeira vez, o direito do trabalhador e do jovem de eleger e ser eleito foi substancial, em contraste com o conte\u00fado formal que t\u00eam estes direitos no capitalismo. Estas conquistas foram um ponto de refer\u00eancia e contribu\u00edram, junto com outros fatores, para a obten\u00e7\u00e3o de conquistas pelo movimento oper\u00e1rio e popular nos Estados capitalistas. Demonstrou-se na pr\u00e1tica que, enquanto iam se aprofundando as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o comunistas, iam se revolucionando tamb\u00e9m as pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es sociais, as rela\u00e7\u00f5es do indiv\u00edduo com a sociedade. Demonstrou-se que as rela\u00e7\u00f5es socialistas de produ\u00e7\u00e3o podem assegurar os direitos sociais coletivos.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia das conquistas mencionadas se multiplica se considerarmos as condi\u00e7\u00f5es sob as quais se obtiveram. A dist\u00e2ncia entre a R\u00fassia pr\u00e9-revolucion\u00e1ria e os estados capitalistas poderosos, como os EUA, Gr\u00e3-Bretanha, Alemanha e Fran\u00e7a, foi muito grande, j\u00e1 que estes Estados eram significativamente superiores quanto ao desenvolvimento das for\u00e7as produtivas e ao n\u00edvel da produtividade do trabalho.<\/p>\n<p>Os poderosos Estados capitalistas basearam seu desenvolvimento na explora\u00e7\u00e3o de seu povo e dos demais povos (intimida\u00e7\u00e3o patronal sistema colonial, agress\u00f5es contra as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, explora\u00e7\u00e3o do trabalho infantil). Em oposi\u00e7\u00e3o a isso, o jovem poder sovi\u00e9tico tentou criar as bases econ\u00f4micas do socialismo com suas pr\u00f3prias for\u00e7as em condi\u00e7\u00f5es de aprofundamento da luta de classes, ou seja, em condi\u00e7\u00f5es de rea\u00e7\u00e3o agressiva da burguesia no interior do pa\u00eds e sua interconex\u00e3o com um esfor\u00e7o ativo de derrubar o poder oper\u00e1rio desde o estrangeiro. As conquistas da URSS foram alcan\u00e7adas enquanto estavam em curso tentativas de minar a produ\u00e7\u00e3o, uma amea\u00e7a permanente de interven\u00e7\u00e3o externa armada, assassinatos de bolcheviques e de outros trabalhadores e campesinos com atividade avan\u00e7ada.<\/p>\n<p>Existem alguns per\u00edodos caracter\u00edsticos: a invas\u00e3o de 14 Estados \u2013 com a participa\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia durante o governo de El. Venizelos \u2013 na Ucr\u00e2nia, em 1919, para reprimir a revolu\u00e7\u00e3o. As atrocidades contrarrevolucion\u00e1rias com as quais respondeu a burguesia no interior da R\u00fassia sovi\u00e9tica \u00e0 denominada \u201cofensiva do socialismo contra as for\u00e7as do capitalismo\u201d durante o primeiro plano quinquenal, o per\u00edodo de 1929-1934 (que inclu\u00eda a industrializa\u00e7\u00e3o e a coletiviza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola) e, a seguir, o per\u00edodo antes e durante a II Guerra Mundial Imperialista, durante a qual a postura dos Estados capitalistas \u2013 junto com as aspira\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de cada Estado \u2013, servia tamb\u00e9m ao objetivo comum de derrubada da URSS.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias da I e da II Guerra Mundial criaram novos obst\u00e1culos na constru\u00e7\u00e3o socialista, posto que nenhum pa\u00eds sofreu cat\u00e1strofes t\u00e3o grandes, enquanto o principal advers\u00e1rio da URSS na disputa global entre socialismo-comunismo, os EUA n\u00e3o experimentaram a guerra em seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Ao nos aproximarmos das conquistas anteriores, \u00e9 preciso considerar que a sociedade sovi\u00e9tica n\u00e3o foi uma sociedade comunista madura e plenamente formada e \u201cflorescente\u201d em todos os aspectos, mas uma sociedade em sua fase de desenvolvimento precoce, uma sociedade sob forma\u00e7\u00e3o comunista.<\/p>\n<p>O nascimento e o desenvolvimento da sociedade comunista trazem consigo, em grande medida, restos do passado capitalista, assim como as consequ\u00eancias do predom\u00ednio do capitalismo a n\u00edvel global. Estas consequ\u00eancias \u2013 que se encontram em todos os aspectos da vida social na URSS \u2013 s\u00e3o os restos da sociedade antiga nas entranhas da nova, s\u00e3o restos que n\u00e3o se tinham confrontado radicalmente, as rela\u00e7\u00f5es sociais n\u00e3o tinham se transformado plenamente em comunistas.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica burguesa e pequeno-burguesa da Hist\u00f3ria da URSS oculta deliberadamente que se trata da Hist\u00f3ria da fase imatura da sociedade comunista. Destaca debilidades e erros do ponto de vista de uma sociedade comunista ideal, para difamar e impedir a atividade oper\u00e1ria revolucion\u00e1ria. Ao mesmo tempo, a propaganda burguesa polifac\u00e9tica inventa crimes, denominando assim, por exemplo, o direito do poder oper\u00e1rio de defender-se das investidas externas, enquanto ao mesmo tempo falsifica a Hist\u00f3ria, identificando o comunismo com o fascismo.<\/p>\n<p>Assim, a propaganda burguesa n\u00e3o pode esconder a superioridade da planifica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica central para o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas, no terreno s\u00f3lido assegurado pelo poder oper\u00e1rio e a propriedade social sobre os meios de produ\u00e7\u00e3o, as f\u00e1bricas, os recursos energ\u00e9ticos nacionais, os recursos minerais, a terra, a infraestrutura. A hist\u00f3ria da URSS demonstra o que podem conquistar os trabalhadores quando se convertem em propriet\u00e1rios dos meios de produ\u00e7\u00e3o e da riqueza social, quando tomam o poder pol\u00edtico. O poder oper\u00e1rio converte os produtores da riqueza naqueles que realmente dominam, n\u00e3o a suposta democracia parlamentar burguesa que \u00e9 uma arma do dom\u00ednio capitalista para subjugar a classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>Os resultados da planifica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica central do poder oper\u00e1rio, como s\u00e3o a elimina\u00e7\u00e3o do desemprego, a especializa\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e eficaz da m\u00e3o de obra, sua distribui\u00e7\u00e3o adequada em todos os setores da economia, as conquistas na explora\u00e7\u00e3o espacial, a transforma\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria pac\u00edfica em militar na v\u00e9spera da II Guerra Mundial, s\u00e3o sem precedentes, inclusive se considerarmos o atraso pr\u00e9-capitalista de muitas regi\u00f5es e a desigualdade profunda que existia na R\u00fassia czarista. A dist\u00e2ncia que cobriu o poder oper\u00e1rio, tanto a n\u00edvel nacional como a n\u00edvel internacional, quanto ao desenvolvimento das for\u00e7as produtivas era realmente enorme.<\/p>\n<p><strong>COMO E POR QUE CHEGAMOS \u00c0 CONTRARREVOLU\u00c7\u00c3O E \u00c0 DERRUBADA DA CONSTRU\u00c7\u00c3O SOCIALISTA?<\/strong><\/p>\n<p>O curso da constru\u00e7\u00e3o socialista na URSS n\u00e3o avan\u00e7ou de maneira linear, ascendente e regular. Para avaliar criticamente a experi\u00eancia positiva e negativa do primeiro esfor\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o socialista na Hist\u00f3ria, \u00e9 preciso destacar brevemente as etapas hist\u00f3ricas b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>Depois da interven\u00e7\u00e3o estrangeira que destruiu a base produtiva do pa\u00eds e a guerra civil classista (1917-1922) e a Nova Pol\u00edtica Econ\u00f4mica (1922-1929) \u2013 que se impulsionou como uma retirada tempor\u00e1ria em condi\u00e7\u00f5es concretas \u2013 a elabora\u00e7\u00e3o do primeiro plano quinquenal, em 1929, significou o come\u00e7o da ofensiva das for\u00e7as do socialismo. A partir de ent\u00e3o at\u00e9 a II Guerra Mundial, a luta pelo desenvolvimento das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o comunistas, a aboli\u00e7\u00e3o do trabalho assalariado e o predom\u00ednio do setor socializado da produ\u00e7\u00e3o com base na Planifica\u00e7\u00e3o Central na URSS geralmente se levava a cabo com \u00eaxito. Esta luta se deu com sucesso apesar do fato de que as condi\u00e7\u00f5es do cerco imperialista e a amea\u00e7a de guerra \u2013 em combina\u00e7\u00e3o com o legado do grande atraso \u2013 impuseram a acelera\u00e7\u00e3o do processo de constru\u00e7\u00e3o das novas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Naquele per\u00edodo, se desenvolveram as novas institui\u00e7\u00f5es de participa\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria, cujo n\u00facleo, a princ\u00edpio, era o centro de trabalho, uma rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que a seguir foi violada, retrocedendo ante as dificuldades verdadeiras objetivas, assim como ante press\u00f5es subjetivas. Sob a press\u00e3o de prepara\u00e7\u00e3o para a contribui\u00e7\u00e3o ativa de todo o povo ante a guerra iminente, a Constitui\u00e7\u00e3o Sovi\u00e9tica de 1936 generalizou o voto mediante uma vota\u00e7\u00e3o secreta universal com base no lugar de resid\u00eancia. As assembleias de delegados em cada unidade de produ\u00e7\u00e3o como n\u00facleos de organiza\u00e7\u00e3o do poder oper\u00e1rio foram degradadas. Na pr\u00e1tica, se aumentou a dificuldade de revoca\u00e7\u00e3o de delegados dos \u00f3rg\u00e3os estatais superiores.<\/p>\n<p>Depois da II Guerra Mundial, tanto a reconstru\u00e7\u00e3o como, a seguir, o maior desenvolvimento das rela\u00e7\u00f5es comunistas apresentaram novas demandas e desafios que requeriam uma adapta\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria. Nos primeiros anos depois da guerra, dentro do PCUS predominava a dire\u00e7\u00e3o antimercado que, apesar das debilidades e das defici\u00eancias te\u00f3ricas, mantinha firmemente como objetivo o desenvolvimento das rela\u00e7\u00f5es comunistas, a elimina\u00e7\u00e3o planificada das desigualdades, das mercadorias na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola (em combina\u00e7\u00e3o com o objetivo da transforma\u00e7\u00e3o dos Kolkhozes \u2013 cooperativas em propriedade social).<\/p>\n<p>Apesar do \u00eaxito do primeiro plano econ\u00f4mico p\u00f3s-guerra, houve um atraso na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Ocorreram alguns problemas nos resultados da planifica\u00e7\u00e3o central, entre outros nas propor\u00e7\u00f5es entre setores da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Demonstrou-se que n\u00e3o se tinha conquistado coletivamente uma din\u00e2mica te\u00f3rica que pudesse adaptar a estrat\u00e9gia comunista aos desafios que apresentava o novo n\u00edvel de desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o social. Os problemas que surgiram n\u00e3o foram interpretados corretamente e n\u00e3o se confrontaram em dire\u00e7\u00e3o de fortalecimento e expans\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es comunistas.<\/p>\n<p>Foram interpretados como debilidades inevit\u00e1veis da planifica\u00e7\u00e3o central e n\u00e3o como resultado das contradi\u00e7\u00f5es da sobreviv\u00eancia do mais velho, como resultado dos erros de um plano que n\u00e3o havia sido cientificamente elaborado. Assim, em vez de buscar uma solu\u00e7\u00e3o para a expans\u00e3o e o fortalecimento das rela\u00e7\u00f5es comunistas de produ\u00e7\u00e3o e de distribui\u00e7\u00e3o, se buscou \u2013 olhando para o passado \u2013 utiliza\u00e7\u00e3o de ferramentas e de rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o do capitalismo. Buscou-se a solu\u00e7\u00e3o na expans\u00e3o do mercado, no \u201csocialismo de mercado\u201d.<\/p>\n<p>Como ponto de virada, se destaca o 20\u00b0 Congresso do PCUS (1956), porque ent\u00e3o, utilizando como ve\u00edculo o chamado \u201cculto \u00e0 personalidade\u201d, se adotou uma s\u00e9rie de posi\u00e7\u00f5es oportunistas sobre quest\u00f5es da estrat\u00e9gia do movimento comunista, das rela\u00e7\u00f5es internacionais e, em parte, da economia. Em geral, se enfraqueceu a administra\u00e7\u00e3o central da planifica\u00e7\u00e3o. Em vez de planificar a transforma\u00e7\u00e3o dos kolkhozes em sovkhozes e, sobretudo, de iniciar a passagem de toda a produ\u00e7\u00e3o cooperativa-kolkhoziana para o controle estatal, em 1958 os tratores e outras m\u00e1quinas passaram a ser propriedade dos kolkhozes, uma posi\u00e7\u00e3o que tinha sido repudiada no passado.<\/p>\n<p>Poucos anos mais tarde, a partir da chamada \u201creforma Kosygin\u201d (1965), se adotou a categoria burguesa do \u201cbenef\u00edcio empresarial\u201d de cada unidade de produ\u00e7\u00e3o e a vincula\u00e7\u00e3o deste com os soldos dos administradores e dos trabalhadores.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o da produtividade das unidades de produ\u00e7\u00e3o socialistas, tendo como crit\u00e9rio o volume da produ\u00e7\u00e3o, foi substitu\u00edda pela avalia\u00e7\u00e3o do valor de seu produto. O processo de acumula\u00e7\u00e3o de cada unidade socialista foi desconectado da planifica\u00e7\u00e3o central, o que teve como consequ\u00eancia o enfraquecimento do car\u00e1ter social dos meios de produ\u00e7\u00e3o e da reserva de produtos. Paralelamente, at\u00e9 1975, todas as granjas estatais, os sovkhozes, passaram ao regime de plena autossufici\u00eancia. Todas estas medidas levaram \u00e0 cria\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias para a apropria\u00e7\u00e3o e propriedade privada, algumas das rela\u00e7\u00f5es que estavam proibidas pela lei.<\/p>\n<p>Aumentaram-se as diferen\u00e7as na renda entre os trabalhadores e os dirigentes em cada empresa, assim como entre os trabalhadores das diversas empresas. Viu-se refor\u00e7ado o interesse individual a custa do interesse social e da consci\u00eancia comunista, enquanto se golpeava a postura de defesa e de promo\u00e7\u00e3o da propriedade social.<\/p>\n<p>Apareceu, ent\u00e3o, o chamado \u201ccapital sombra\u201d como resultado n\u00e3o s\u00f3 do enriquecimento dos lucros empresariais, mas tamb\u00e9m do mercado \u201cnegro\u201d, de atos criminosos de apropria\u00e7\u00e3o do produto social, que pretendia operar legalmente como capital na produ\u00e7\u00e3o, o que significaria a privatiza\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o e a contrata\u00e7\u00e3o de trabalho estrangeiro, a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo. Seus propriet\u00e1rios foram a for\u00e7a social impulsora da contrarrevolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aproximadamente no mesmo per\u00edodo, foi revisada tamb\u00e9m a percep\u00e7\u00e3o marxista-leninista sobre o Estado oper\u00e1rio. O 22\u00b0 Congresso do PCUS (1961) descreveu o Estado da URSS como Estado \u201cde todo o povo\u201d e o PCUS como um \u201cpartido de todo o povo\u201d.<\/p>\n<p>Estas posi\u00e7\u00f5es conduziram a um r\u00e1pido enfraquecimento e, a seguir, \u00e0 muta\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas revolucion\u00e1rias e da composi\u00e7\u00e3o social do Partido. A degenera\u00e7\u00e3o oportunista do PCUS se transformou em uma for\u00e7a abertamente contrarrevolucion\u00e1ria que se manifestou em 1987, mediante a aprova\u00e7\u00e3o da lei que consolidava institucionalmente as rela\u00e7\u00f5es capitalistas sob o pretexto da variedade de rela\u00e7\u00f5es de propriedade da famosa pol\u00edtica da \u201cperestroika\u201d e da \u201cglasnost\u201d. Este evento assinala o come\u00e7o formal do per\u00edodo da contrarrevolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto a lideran\u00e7a do PCUS tomava decis\u00f5es que enfraqueciam o car\u00e1ter social da produ\u00e7\u00e3o e refor\u00e7avam o interesse estritamente individual e grupal, iam sendo criados sentimentos de aliena\u00e7\u00e3o da propriedade social e se erodiu a consci\u00eancia de classe dos trabalhadores. Abriu-se o caminho para a indiferen\u00e7a, para o individualismo, enquanto a a\u00e7\u00e3o se distanciava cada vez mais das declara\u00e7\u00f5es. Este curso explica a passividade de grande parte do povo no per\u00edodo da derrubada contrarrevolucion\u00e1ria e, ao mesmo tempo, mostra a degenera\u00e7\u00e3o do n\u00facleo dirigente do PCUS.<\/p>\n<p><strong>A ELABORA\u00c7\u00c3O DA ESTRAT\u00c9GIA REVOLUCION\u00c1RIA CONTEMPOR\u00c2NEA DO KKE<\/strong><\/p>\n<p>Depois da derrubada do socialismo na URSS e nos demais pa\u00edses socialistas, assim como da manifesta\u00e7\u00e3o da crise interna no KKE em julho de 1991, que levou ao distanciamento do grupo oportunista que operava em suas fileiras, o KKE come\u00e7ou seu reagrupamento revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em condi\u00e7\u00f5es dif\u00edceis por conta das consequ\u00eancias da contrarrevolu\u00e7\u00e3o no movimento comunista internacional, durante todos estes anos, o KKE tentou estudar os acontecimentos contempor\u00e2neos, tirar conclus\u00f5es da experi\u00eancia hist\u00f3rica da luta de classes na Gr\u00e9cia e a n\u00edvel internacional e, ao mesmo tempo, aprofundar e expandir seus la\u00e7os militantes com a classe oper\u00e1ria e as camadas populares. As principais conclus\u00f5es de todo este curso, depois de um primeiro esfor\u00e7o de estudo na d\u00e9cada de 1990, se cristalizaram nas Considera\u00e7\u00f5es para o Socialismo na URSS (18\u00b0 Congresso, 2009) e no Programa que foi votado no 19\u00b0 Congresso, em 2013. \u00c9 claro, o esfor\u00e7o de estudo continua. Em geral, o KKE tenta constantemente n\u00e3o separar a luta econ\u00f4mica e pol\u00edtica di\u00e1ria da principal tarefa pol\u00edtica revolucion\u00e1ria de derrubada do poder do capital.<\/p>\n<p>Os fatores que conduzir\u00e3o a uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria n\u00e3o podem ser previstos. No entanto, com o aprofundamento da crise econ\u00f4mica, o aprofundamento das contradi\u00e7\u00f5es entre os centros imperialistas que chegam at\u00e9 os conflitos militares, \u00e9 poss\u00edvel criar tais condi\u00e7\u00f5es na Gr\u00e9cia. Em condi\u00e7\u00f5es de participa\u00e7\u00e3o militar imperialista da Gr\u00e9cia tanto em uma guerra defensiva como em uma guerra ofensiva, a classe oper\u00e1ria e o movimento popular n\u00e3o devem se encontrar sob uma bandeira estrangeira. Nosso Partido liderar\u00e1 a organiza\u00e7\u00e3o independente da luta oper\u00e1ria popular, para levar \u00e0 derrota total da burguesia que traz a guerra ou a \u201cpaz\u201d com a pistola na cabe\u00e7a do povo.<\/p>\n<p>O fato de que o KKE desenvolveu uma estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria contempor\u00e2nea melhora sua capacidade de organizar focos de resist\u00eancia e de contra-ataque avan\u00e7ados em cada setor da economia, em cada regi\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O fortalecimento do KKE em todos os n\u00edveis, um tema que foi discutido no recente 20\u00b0 Congresso do Partido, \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via para a promo\u00e7\u00e3o de sua pol\u00edtica revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Muitos trabalhadores com boas inten\u00e7\u00f5es se perguntam se a constru\u00e7\u00e3o socialista pode come\u00e7ar em um pa\u00eds com o potencial atual da Gr\u00e9cia. O KKE responde:<\/p>\n<p>&#8211; As necessidades do povo podem ser satisfeitas com base no potencial produtivo e na riqueza que se produz em nosso pa\u00eds hoje.<\/p>\n<p>&#8211; A produ\u00e7\u00e3o nacional pode obter um grande aumento caso se liberte das correntes da propriedade capitalista e da explora\u00e7\u00e3o a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>&#8211; S\u00f3 o poder oper\u00e1rio pode utilizar, em benef\u00edcio do povo, as contradi\u00e7\u00f5es entre as alian\u00e7as imperialistas, que atualmente est\u00e3o se aprofundando.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o devemos pensar na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na regi\u00e3o ampla de maneira est\u00e1tica, j\u00e1 que esta mudar\u00e1 significativamente em condi\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, n\u00e3o apenas em nosso pa\u00eds, mas tamb\u00e9m na regi\u00e3o mais ampla.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o KKE luta pelo reagrupamento do movimento comunista internacional, de acordo com os princ\u00edpios do internacionalismo prolet\u00e1rio e da solidariedade internacionalista dos povos contra o capitalismo e a guerra imperialista que se expressam atrav\u00e9s da consigna \u201cProlet\u00e1rios de todos os pa\u00edses, uni-vos\u201d. J\u00e1 se deram certos passos pequenos no esfor\u00e7o de criar um polo diferente com base nos princ\u00edpios do marxismo-leninismo, atrav\u00e9s da \u201cRevista Comunista Internacional\u201d e da Iniciativa Comunista Europeia.<\/p>\n<p>Um componente da estrat\u00e9gia contempor\u00e2nea do KKE \u00e9 sua percep\u00e7\u00e3o program\u00e1tica com rela\u00e7\u00e3o ao socialismo. A constru\u00e7\u00e3o socialista come\u00e7a com a conquista revolucion\u00e1ria do poder pela classe trabalhadora. O Estado oper\u00e1rio, a ditadura do proletariado, \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o da classe oper\u00e1ria na luta de classes que continua no socialismo com outras formas e meios. Utiliza-se para o desenvolvimento planificado das novas rela\u00e7\u00f5es sociais, o que tem como condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via a frustra\u00e7\u00e3o das tentativas contrarrevolucion\u00e1rias, assim como o desenvolvimento da consci\u00eancia comunista da classe oper\u00e1ria. O Estado oper\u00e1rio, como mecanismo de domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, \u00e9 necess\u00e1rio at\u00e9 que todas as rela\u00e7\u00f5es sociais se convertam em comunistas, at\u00e9 que se desenvolva a consci\u00eancia comunista na imensa maioria dos trabalhadores, assim como at\u00e9 que se consiga a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o, ao menos nos pa\u00edses capitalistas mais poderosos.<\/p>\n<p>O novo elemento qualitativo do poder oper\u00e1rio \u00e9 a convers\u00e3o do centro de trabalho (unidade de produ\u00e7\u00e3o, servi\u00e7o social, unidade de administra\u00e7\u00e3o, em uma primeira fase, a cooperativa agr\u00edcola) em um n\u00facleo de organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na assembleia dos trabalhadores de cada unidade de produ\u00e7\u00e3o se consolida a democracia oper\u00e1ria direta e indireta, a capacidade de exercer controle e de revogar os representantes eleitos, ou seja, o direito a voto substancial em compara\u00e7\u00e3o com o direito de voto atualmente, que na democracia burguesa, na ditadura do capital, \u00e9 formal.<\/p>\n<p>A tarefa principal deste poder \u00e9 criar um novo modo de produ\u00e7\u00e3o, cuja consolida\u00e7\u00e3o requer basicamente a elimina\u00e7\u00e3o total das rela\u00e7\u00f5es capitalistas, da rela\u00e7\u00e3o capital-trabalho assalariado. O Programa do KKE assinala que:<\/p>\n<p>Socializam-se os meios concentrados de produ\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, na fase inicial, s\u00e3o mantidas formas de propriedade individual e grupal, que s\u00e3o a base para a exist\u00eancia de rela\u00e7\u00f5es mercadoria-dinheiro. Criam-se novas formas de cooperativas de produ\u00e7\u00e3o, onde o n\u00edvel das for\u00e7as produtivas permite a socializa\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As formas de propriedades grupais s\u00e3o uma forma de propriedade transit\u00f3ria entre a forma individual e a social, e n\u00e3o uma forma imatura das rela\u00e7\u00f5es comunidades.<\/p>\n<p>Na base da propriedade social dos meios concentrados de produ\u00e7\u00e3o, se desenvolve a planifica\u00e7\u00e3o central da economia como uma rela\u00e7\u00e3o comunista que conecta a todos os produtores. Na planifica\u00e7\u00e3o central se incorpora tamb\u00e9m, em certa medida, a produ\u00e7\u00e3o das cooperativas agr\u00edcolas. Enquanto as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o comunistas se ampliam e se aprofundam, a classe oper\u00e1ria gradualmente adquire a capacidade de conhecer plenamente as diferentes etapas do processo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, com a distribui\u00e7\u00e3o de uma parte do produto em fun\u00e7\u00e3o das necessidades (Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade, calefa\u00e7\u00e3o, etc.), a produ\u00e7\u00e3o socialista distribui o resto de seus produtos sobre a base do crit\u00e9rio da contribui\u00e7\u00e3o individual de cada um no trabalho social total, sem distinguir o trabalho em complexo ou simples, em manual ou mental.<\/p>\n<p>O Partido Comunista \u00e9 o \u00fanico dirigente do poder oper\u00e1rio revolucion\u00e1rio, posto que \u00e9 a \u00fanica for\u00e7a que atua conscientemente de acordo com as leis de desenvolvimento da sociedade socialista-comunista.<\/p>\n<p><strong>A REVOLU\u00c7\u00c3O DE OUTUBRO APONTA O CAMINHO<\/strong><\/p>\n<p>Hoje, resultam totalmente infundadas as teorias que caracterizavam a contrarrevolu\u00e7\u00e3o como um processo de renova\u00e7\u00e3o do socialismo que abriria o caminho \u00e0 amizade e \u00e0 paz entre os povos. Ao mesmo tempo, resultam mais infundadas ainda todas as teorias e as pol\u00edticas de humaniza\u00e7\u00e3o do sistema capitalista. No entanto, as contradi\u00e7\u00f5es entre os Estados capitalistas, entre os grupos monopolistas de alcance internacional, est\u00e3o criando cada vez mais focos de conflitos militares e existe o perigo de que se generalizem. O c\u00e2ncer social da propriedade capitalista nos meios de produ\u00e7\u00e3o \u201cmostra seus dentes sangrentos\u201d.<\/p>\n<p>Todos os que celebravam a derrubada contrarrevolucion\u00e1ria nos anos 1989-1991 ficaram irremediavelmente desacreditados, contribu\u00edram com a corros\u00e3o do movimento oper\u00e1rio, com o clima predominante de fatalismo e de compromisso. O KKE, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 orgulhoso de que no momento cr\u00edtico, no dia em que se baixou a bandeira vermelha do Kremlin, teve a for\u00e7a de dirigir atrav\u00e9s do di\u00e1rio \u201cRizospastis\u201d aos comunistas o chamamento: \u201cCamaradas, manter a bandeira no alto\u201d.<\/p>\n<p>O KKE lidera uma luta dura a partir de hoje para conquistar todas as caracter\u00edsticas que lhe dar\u00e3o a capacidade de atuar como vanguarda revolucion\u00e1ria sob todas as condi\u00e7\u00f5es. A luta nas condi\u00e7\u00f5es atuais para a aboli\u00e7\u00e3o definitiva da sociedade classista-exploradora e a constru\u00e7\u00e3o da sociedade socialista-comunista \u00e9, na realidade, um tributo \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro e seus objetivos.<\/p>\n<p>Apesar do triunfo da contrarrevolu\u00e7\u00e3o, as palavras de Maiakovski seguem mostrando o caminho:<\/p>\n<p>\u201cViva a revolu\u00e7\u00e3o alegre e r\u00e1pida!<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a \u00fanica grande guerra de todas que a hist\u00f3ria conheceu\u201d.<\/p>\n<p><strong>CC do KKE<\/strong><\/p>\n<p>23\/05\/2017<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/es.kke.gr\/es\/articles\/Declaracion-del-Comite-Central-del-KKE-sobre-el-100-aniversario-de-la-Gran-Revolucion-Socialista-de-Octubre\/\" target=\"blank\">http:\/\/es.kke.gr\/es\/articles\/Declaracion-del-Comite-Central-del-KKE-sobre-el-100-aniversario-de-la-Gran-Revolucion-Socialista-de-Octubre\/<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Comit\u00ea Central do KKE homenageia o centen\u00e1rio da Grande Revolu\u00e7\u00e3o Socialista de Outubro. 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