{"id":1515,"date":"2011-05-30T19:19:44","date_gmt":"2011-05-30T19:19:44","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1515"},"modified":"2011-05-30T19:19:44","modified_gmt":"2011-05-30T19:19:44","slug":"antissemitismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1515","title":{"rendered":"Antissemitismo?"},"content":{"rendered":"\n<p>N\u00e9stor Kohan<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 240px;\"><em>Conheci pessoalmente N\u00e9stor Kohan, em Caracas, h\u00e1 dois meses, quando ambos participamos de duas mesas em eventos promovidos pelo Movimento Continental Bolivariano: um semin\u00e1rio sobre Marx e um ato p\u00fablico pelo Dia do Direito \u00e0 Rebeli\u00e3o dos Povos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 240px;\"><em>Convivemos alguns dias e surgiu logo uma grande empatia. Conversamos muito, numa mistura de espanhol e portugu\u00eas. Mas nos entendemos bem e descobrimos muitas identidades em nossa vis\u00e3o do mundo. Jamais perceberia sua origem familiar e \u00e9tnica, se ele n\u00e3o me autorizasse a traduzir e publicar o seu texto abaixo. Mandou-me em solidariedade ao PCB, acusado recentemente de antissemita. Sabia apenas do detalhe de que o marxista N\u00e9stor \u00e9 argentino, como podia ser brasileiro, afeg\u00e3o, angolano: afinal, ele \u00e9 um internacionalista. Mas conhecer mais este detalhe sobre o camarada Nestor me faz ficar mais orgulhoso de o ter conhecido.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 240px;\"><em>Ivan Pinheiro<\/em><\/p>\n<p><strong>Os fatos<\/strong><\/p>\n<p>O que se sabe: saiu publicado na capa do <em>Clar\u00edn<\/em> e foi exibido em v\u00e1rios canais de televis\u00e3o<em>.<\/em> Na Argentina, ocorreu um pequen\u00edssimo ato \u2013 algumas poucas centenas de pessoas, n\u00e3o chegavam a quinhentas \u2013, em comemora\u00e7\u00e3o ao estado Israel, organizado pela embaixada desse pa\u00eds junto com o governo portenho da direita neoliberal cl\u00e1ssica, vinculada ao empres\u00e1rio Maur\u00edcio Macri. Um grupo muito pequeno de manifestantes \u2013 menos de duas dezenas \u2013 tentavam divergir do sionismo, distribuindo panfletos no ato. Armou-se um alvoro\u00e7o. Repress\u00e3o policial. Os manifestantes, cr\u00edticos do sionismo, foram golpeados e presos. Uma brutal campanha midi\u00e1tica para ilegalizar a esquerda. A acusa\u00e7\u00e3o central: \u201canti-semitismo\u201d. Persegui\u00e7\u00f5es, invas\u00f5es, pris\u00f5es, julgamentos. Tentativa de eliminar projetos sociais e os questionamentos de todo movimento piqueteiro n\u00e3o-oficial.<\/p>\n<p>Sob press\u00e3o da embaixada do estado de Israel e da embaixada dos Estados Unidos na Argentina, o governo de Cristina Kirchner e os ju\u00edzes invadiram um local piqueteiro, na cidade de Buenos Aires, prenderam outros dez militantes, mais os que j\u00e1 estavam presos pelo ato. Histeria midi\u00e1tica acusa toda a esquerda n\u00e3o institucional \u2013 principalmente de origem marxista \u2013 de&#8230; \u201canti-semita\u201d.<\/p>\n<p><strong>Quem escreve e quem opina?<\/strong><\/p>\n<p>Alguns anti-semitas dissimulam e escondem seus preconceitos com o confuso e manipulado \u201ctenho um amigo judeu\u201d. Eu n\u00e3o tenho um amigo judeu. Simplesmente, parte de minha fam\u00edlia foi torturada e massacrada pelos genocidas nazistas (genoc\u00eddio que n\u00e3o teve nada de \u201cholocausto\u201d. N\u00e3o foi \u201cum castigo de Deus\u201d, mas sim um empreendimento pol\u00edtico bem mundano e terreno, planejado e executado de forma burocr\u00e1tica, a partir de um projeto de reordenamento e contra-revolu\u00e7\u00e3o capitalista, de cobran\u00e7a europeia ocidental, cujas pretens\u00f5es imperialistas apontavam para todo o planeta). Mesmo se minha fam\u00edlia n\u00e3o tivesse sofrido esse genoc\u00eddio na pr\u00f3pria carne, teria, igualmente, o direito de opinar.<\/p>\n<p><strong>Nosso v\u00ednculo com os presos<\/strong><\/p>\n<p>Conhecemos muitos deles e delas. Com alguns, compartilhamos milit\u00e2ncia, forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e estudo durante anos e d\u00e9cadas, nos bairros da periferia, da cidade de Buenos Aires, na Argentina. Da mesma forma, nas escolas de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Movimento Sem Terra (MST), no Brasil. Assim como em atividades conjuntas com povos origin\u00e1rios e ind\u00edgenas da Bol\u00edvia. Todos nos conhecemos bem, principalmente, os companheiros do Movimento Teresa Rodr\u00edguez (MTR).<\/p>\n<p>Assistiram nossa C\u00e1tedra Che Guevara durante anos: primeiro, na Universidade Popular Madres de Plaza de Mayo, depois, no Hotel Bauen.<\/p>\n<p>Precisamente no local invadido pela pol\u00edcia, conhecido no bairro Florencio Varela (um dos mais humildes da cidade de Buenos Aires) como Conselho de Castelli, criamos uma escola de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para moradores com estes companheiros que hoje est\u00e3o na pris\u00e3o, acusados de \u201canti-semitas\u201d. A escola foi feita de maneira totalmente gratuita, absolutamente volunt\u00e1ria, sem cobrar, jamais, um s\u00f3 peso.<\/p>\n<p>Com as pessoas das comunidades, l\u00edamos e estud\u00e1vamos Antonio Gramsci e Che Guevara. Grav\u00edssimo! Terr\u00edvel! Tamb\u00e9m discut\u00edamos sobre hist\u00f3ria argentina. Assist\u00edamos a filmes com os moradores dos bairros, donas de casa, trabalhadores empregados, trabalhadores desempregados, rapazes e mo\u00e7as humildes, da classe trabalhadora. Por exemplo, vimos e discutimos \u201cOs traidores\u201d, de Raymundo Gleyzer (o que ter\u00e3o sentido com rela\u00e7\u00e3o ao filme aqueles que hoje prendem estes companheiros?). Fizemos com estes companheiros, algumas vezes, oficinas de filosofia nos bairros, onde, juntos com trabalhadores e trabalhadoras, donas de casa e muitos jovens, analisamos o cap\u00edtulo sete do livro <em>Cosmos,<\/em> do pesquisador, professor e astr\u00f4nomo da NASA (institui\u00e7\u00e3o norte-americana, senhor embaixador dos Estados Unidos&#8230; Sim, norte-americana&#8230; Que horror!), Carl Sagan: \u201cO espinha\u00e7o da noite\u201d. Grav\u00edssimo! Perigo! Turmas de filosofia nas periferias? No meio da rua das comunidades? Em meio a crian\u00e7as correndo e com cachorros latindo ao redor? Inconceb\u00edvel! Grav\u00edssimo! A filosofia \u00e9 para as crian\u00e7as da elite, n\u00e3o para gente humilde e para trabalhadores de comunidades. Terroristas! Inadaptados! Autorit\u00e1rios! Como ousam socializar o saber? Subversivos! Dever\u00edamos voltar a falar latim para que a cultura seja para poucos! Loucos-varridos!<\/p>\n<p>A demoniza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica \u00e9 tremenda. Apresentam estes companheiros como se fossem os obscuros e monstruosos \u201cterroristas\u201d dos filmes mais baratos de Hollywood. Conhecemos bem esses companheiros. Se n\u00e3o fosse tr\u00e1gico, dar\u00edamos boas risadas. Certamente, riremos juntos quando estes companheiros sa\u00edrem do c\u00e1rcere&#8230;<\/p>\n<p><strong>O estado de Israel defende o povo judeu?<\/strong><\/p>\n<p>Os acusam de \u201canti-semitas\u201d? Israel protege o povo judeu? A embaixada de Israel e a embaixada ianque da Argentina s\u00e3o os \u00abpais\u00bb do povo judeu?<\/p>\n<p>O estado de Israel fala hoje em nome das v\u00edtimas do genoc\u00eddio nazista, dos sobreviventes e de suas fam\u00edlias. Para legitimar-se, se auto-intitula \u201cprotetor\u201d dos judeus, al\u00e9m de representante dos familiares e v\u00edtimas do nazismo.<\/p>\n<p><strong>Pensemos um pouco. Fa\u00e7amos mem\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p>Se Israel nos protege, n\u00e3o entendo porque o estado de Israel foi um aliado estreito e fiel de Videla e Massera, ditadores simpatizantes de Adolf Hitler (como todas as For\u00e7as Armadas argentinas, segundo demonstra o document\u00e1rio \u00abPante\u00f3n militar\u00bb, do historiador e jornalista periodista Osvaldo Bayer). O general Videla era um cat\u00f3lico ultraconservador, que preconizava a guerra contra-insurgente como se fosse uma guerra santa contra os ateus marxistas. Todos os manuais de ensino m\u00e9dio daquela \u00e9poca comprovam isso. Por sua vez, almirante Massera era integrante da organiza\u00e7\u00e3o neonazista P2. Por que o estado de Israel tinha uma alian\u00e7a t\u00e3o estreita com esta ditadura militar?<\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca, o Movimento Judeu pelos Direitos Humanos (MJDH) havia calculado que, dos 30.000 desaparecidos e desaparecidas na Argentina, aproximadamente entre 1.500 e 2.000, eram de origem judia. Uma propor\u00e7\u00e3o bastante maior (na realidade, corresponde a 16 vezes mais) se comparar a rela\u00e7\u00e3o quantitativa da comunidade judia com o conjunto da popula\u00e7\u00e3o total de nosso pa\u00eds. N\u00e3o foi casual.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 explicado, ao menos, por duas raz\u00f5es. Em primeiro lugar, pela ativa milit\u00e2ncia do juda\u00edsmo progressista e de esquerda nas organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias argentinas (incluindo as pol\u00edtico-militares PRT-ERP, FAR, Montoneros e outras similares). Em segundo lugar, pelo car\u00e1ter brutalmente anti-semita dos militares argentinos. Existem numerosos testemunhos, por exemplo, no <em>Nunca mais <\/em>(um livro que n\u00e3o possui posi\u00e7\u00f5es de \u201cultra-esquerda\u201d precisamente, j\u00e1 que o pr\u00f3logo de Ernesto S\u00e1bato tristemente fortaleceu a c\u00e9lebre \u201cteoria dos dois dem\u00f4nios\u201d), sobre a ira especial dos torturadores militares com os prisioneiros e sequestrados de origem judia, as torturas \u201cespeciais\u201d, as marchas nazistas que eles faziam escutar nas c\u00e2maras de torturas, etc. O general Camps, chefe policial que se responsabilizou pelo desaparecimento e assassinato de 5.000 prisioneiros, era um confesso anti-semita. Sempre que podia, expressava seu \u00f3dio aos judeus. N\u00e3o era o \u00fanico, apenas um dos mais conhecidos e c\u00ednicos.<\/p>\n<p>O que fez o estado de Israel para proteger n\u00e3o os 30.000 desaparecidos e desaparecidas em geral, mas, especialmente, os 1.500 ou 2.000 desaparecidos judeus?<\/p>\n<p>Segundo reconhece Pinjas Avivi, o ent\u00e3o c\u00f4nsul da embaixada do estado de Israel na Argentina (entre 1978 e 1981), quando acompanhou o jornalista Jacobo Timerman (um dos poucos, talvez o \u00fanico, que conseguiu se salvar) ao aeroporto de Ezeiza, pediu que n\u00e3o denunciasse a ditadura e as tremendas torturas sofridas&#8230; Mas o contr\u00e1rio! \u201c<em>Pedi-lhe que n\u00e3o atacasse o governo militar porque nosso trabalho corria perigo<\/em>\u201d (<em>P\u00e1gina 12, <\/em>8\/9\/2001). O funcion\u00e1rio israelense reconhece que este tipo de atitude correspondia a: <em>\u201cn\u00e3o quer\u00edamos prejudicar as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas entre Israel e Argentina\u201d. <\/em>O mesmo funcion\u00e1rio diz que \u201c<em>houve detidos que recusaram nossa ajuda. Eles nos acusaram: voc\u00eas s\u00e3o colonialistas, genocidas e conquistadores. N\u00e3o queremos a ajuda de voc\u00eas. S\u00e3o piores que os generais\u00bb<\/em>\u201d (http:\/\/www.hagshama.org.il [1\/2\/2000]). Iosi Sarid, um dos deputados de Israel da Frente de Esquerda Meretz, revelou que nos arquivos da chancelaria israelense e no minist\u00e9rio de Defesa de Israel, existem provas que negam a vers\u00e3o acerca da suposta \u201cignor\u00e2ncia\u201d do estado de Israel a respeito dos massivos desaparecimentos, sequestros e torturas de judeus na Argentina, \u201c<em>provas que trataram de ocultar para n\u00e3o incomodar as \u00abboas rela\u00e7\u00f5es\u00bb e, entre elas, a venda de armas<\/em>\u201d (18\/11\/2003, www.wzo.org.il).<\/p>\n<p>A colabora\u00e7\u00e3o do estado de Israel \u2013 venda de armas, votos da ditadura a favor de Israel nas Na\u00e7\u00f5es Unidas, etc. \u2013 com a ditadura militar, genocida e anti-semita do general Videla n\u00e3o foi uma exce\u00e7\u00e3o. O mesmo aconteceu com outros regimes fascistas ou de extrema direita, como os de Augusto Pinochet (que usava o uniforme nazista) no Chile, Anastasio Somoza, na Nicar\u00e1gua, ou o regime neonazista do <em>apartheid, <\/em>na \u00c1frica do Sul. Todos estreitos aliados, como Israel, da cabe\u00e7a da serpente m\u00e3e extremista, o estado norte-americano: USA. Uma casualidade?<\/p>\n<p>O apoio entusiasta \u00e0 Somoza tinha a ver com \u201ca defesa do juda\u00edsmo\u201d? Os comandos israelenses hoje combatem a insurg\u00eancia marxista das FARC-EP ou assessoram os narco-militares de Uribe nas selvas e montanhas da Col\u00f4mbia para \u201cdefender os judeus\u201d? Quais s\u00e3o os judeus que vivem nas montanhas ou selvas da Col\u00f4mbia? Queremos conhec\u00ea-los para compartilhar algumas comidas ou assistirmos juntos alguns filmes de Woody Allen!<\/p>\n<p>Quando o famoso intelectual norte-americano Noam Chomsky (de origem judia, que viveu v\u00e1rios anos em Israel e que de l\u00e1 saiu sumamente decepcionado e amargurado) afirmou que as FARC-EP da Col\u00f4mbia n\u00e3o s\u00e3o terroristas e que, em contrapartida, a pol\u00edtica oficial do estado de Israel \u00e9 de extrema direita, n\u00e3o somente no Oriente, mas em todo mundo, ser\u00e1 ele, por acaso, um \u201c<em>terrorista anti-semita<\/em>\u201d?<\/p>\n<p>Longe da tradi\u00e7\u00e3o humanista de Sigmund Freud, Albert Einstein e Karl Marx, que soube defender o querido escritor judeu Isaac Deutscher, hoje Israel faz culto \u00e0 limpeza \u00e9tnica e \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o, constr\u00f3i um muro de intoler\u00e2ncia (pelo qual ningu\u00e9m se \u201cofende\u201d, como ocorreu hipocritamente com o muro de Berlim&#8230;), legaliza a monstruosidade da tortura (chamando-a com o mesmo eufemismo utilizado pelos \u201cdemocratas\u201d norte-americanos: \u201cinterrogat\u00f3rios fortes\u201d) e pratica sobre os demais o mesmo que o povo judeu sofreu na pr\u00f3pria carne. Como bem alertou em sua \u00e9poca o pensador judeu Mart\u00edn Buber: \u201c<em>Deveremos enfrentar a realidade de que Israel n\u00e3o est\u00e1 inocente nem redentora. E que em toda sua cria\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o, n\u00f3s judeus temos causado o que sofremos historicamente: uma popula\u00e7\u00e3o de refugiados na di\u00e1spora<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Como escreveu em seu livro <em>Ser judeu<\/em> o fil\u00f3sofo judeu e marxista argentino, Le\u00f3n Rozitchner: \u201c<em>Que estranha invers\u00e3o se produziu nas entranhas desse povo humilhado, perseguido, assassinado, para humilhar, perseguir e assassinar aqueles que reclamam o mesmo que os judeus reclamavam antes para si mesmos? Que estranha vit\u00f3ria p\u00f3stuma do nazismo, que estranha destrui\u00e7\u00e3o inseminou a barb\u00e1rie nazista no esp\u00edrito judeu? Que estranha capacidade volta a despertar neste apoderar dos territ\u00f3rios distantes, onde a seguran\u00e7a que se reclama \u00e9, no fundo, a destrui\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o do outro pela for\u00e7a e pelo terror? Se v\u00ea, ent\u00e3o, que quando o estado de Israel enviava suas armas aos regimes da Am\u00e9rica Latina e da \u00c1frica, j\u00e1 ali era vis\u00edvel a nova e est\u00fapida coer\u00eancia dos que se identificam com seus pr\u00f3prios perseguidores.<\/em><em><strong> N\u00e3o esqueceremos os judeus latino-americanos. <\/strong><\/em><em>Tampouco <\/em><em>esqueceremos Chatila e Sabra<\/em>\u201d.<\/p>\n<p><strong>Quem \u00e9 o inimigo?<\/strong><\/p>\n<p>Permitem-nos um conselho? Aos jovens do MOSSAD e das For\u00e7as Armadas de Israel, humildemente, sugerimos que se o que buscam \u00e9 adrenalina e vingan\u00e7a pelos ferozes assassinatos nazistas do passado contra o povo judeu, pois bem, ent\u00e3o, por que n\u00e3o planificar e preparar-se para atacar, de forma mort\u00edfera e demolidora, as grandes empresas europeias e norte-americanas que se enriqueceram com o genoc\u00eddio nazista? Como bem explica o formid\u00e1vel livro <em>Neg\u00f3cios s\u00e3o neg\u00f3cios. Os empres\u00e1rios que financiaram a ascens\u00e3o de Hitler ao poder,<\/em> do escritor judeu Daniel Muchnik, o nazismo n\u00e3o foi uma \u201canomalia\u201d.<\/p>\n<p>As hierarquias pol\u00edticas, militares e ideol\u00f3gicas do nazismo s\u00e3o conhecidas: Hermann G\u00f6ring, Joseph Goebbels, Ernst R\u00f6hm, Alfred Rosemberg, Ulrich F.J.von Ribbentrop, Heinrich Himmler, Rudolf Hess, Gottfried Feder, Josef Mengele, entre outros. No entanto, muito menos o s\u00e3o os empres\u00e1rios benefici\u00e1rios-c\u00famplices, s\u00f3cios de interesses, aliados ou colaboracionistas do nazismo na Alemanha.<\/p>\n<p>A lista \u00e9 longa e Muchnik a percorre minuciosamente. Entre outros, inclui as empresas Siemens (el\u00e9trica), a BMW e a Volkswagen (automotivas), Fritz Thyssen (industrial sider\u00fargico que morreu em Buenos Aires, em 1951), Gustav Krupp (dono da gigante do a\u00e7o alem\u00e3o), Ernst Heinkel (\u201cf\u00fchrer econ\u00f4mico-militar\u201d desde 1938) e Emil Kirdorf (empres\u00e1rio do carv\u00e3o). Estes empres\u00e1rios, recorda amargamente Muchnik, que utilizavam m\u00e3o de obra escrava dos prisioneiros judeus, comunistas ou ciganos, sa\u00edram ilesos dos julgamentos de Nuremberg&#8230; Uma mera casualidade?<\/p>\n<p>Por acaso, hoje em dia \u2013 volta a perguntar-se Muchnik \u2013 n\u00e3o continuam operando com total impunidade empresas de origem nazista (derivadas da IG Farben, que fabricava o raticida das c\u00e2maras de g\u00e1s) como a Bayer, a Hoesch ou a BASF, acusadas por sobreviventes do genoc\u00eddio nazista?<\/p>\n<p>Muchnik apresenta, ent\u00e3o, uma quantidade enorme de dados sobre a colabora\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica, os neg\u00f3cios ou, inclusive, a simpatia ideol\u00f3gica que mantiveram com Hitler \u2013 ainda durante a segunda guerra mundial \u2013 empresas como a General Motors (associada com IG Farben), a General Electric, a Brown Boveri (filial de Westing House), a brit\u00e2nica Unilever, a Shell, a United Steel, o Chase Manhattan Bank de Rockefeller, a Standard Oil, a TEXACO, a ITT (a mesma do golpe de estado de 1973, no Chile), o National City Bank, o grupo editorial Bertelsman, dono da RCA e acionista majorit\u00e1rio do American On Line (o principal provedor de Internet dos EUA) e a Ford. Todos eles se encheram de dinheiro com o nazismo e, hoje, em pleno s\u00e9culo XXI, continuam engordando suas contas banc\u00e1rias e suas a\u00e7\u00f5es com total impunidade!<\/p>\n<p>A\u00ed, os jovens do MOSSAD e das For\u00e7as Armadas de Israel teriam que atacar e dirigir sua viol\u00eancia mortal, n\u00e3o aos refugiados palestinos, n\u00e3o \u00e0s escolas palestinas, n\u00e3o aos hospitais palestinos, n\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias palestinas&#8230; O inimigo tampouco s\u00e3o os piqueteiros da Argentina, a insurg\u00eancia da Col\u00f4mbia, os negros da \u00c1frica do Sul. O inimigo s\u00e3o as grandes empresas que ganharam fortunas com o nazismo.<\/p>\n<p>Jovens, confundiram-se de inimigos ou voc\u00eas s\u00e3o amigos e c\u00famplices desse inimigo? Leiam esse livro, \u201cdesinformados\u201d jovens do MOSSAD&#8230;<\/p>\n<p><strong>Os revolucion\u00e1rios s\u00e3o \u201c<\/strong><em><strong>terroristas anti-semitas<\/strong><\/em><strong>\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>A literatura sionista, a grande imprensa do poder (monop\u00f3lico), a embaixada dos Estados Unidos e a embaixada de Israel est\u00e3o construindo um grande sofisma. Todo revolucion\u00e1rio \u00e9&#8230; \u201c<em>um terrorista<\/em>\u201d. Quando se questiona a pol\u00edtica de estado de Israel ou dos Estados Unidos \u00e9, al\u00e9m disso, um \u201c<em>terrorista anti-semita<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Como os dirigentes sionistas e os monop\u00f3lios de (in)comunica\u00e7\u00e3o chamariam um dos principais fundadores das FAR (For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias) da Argentina dos anos 70, o militante de origem judia e comunista Marcos Osatinsky? Marcos Osatinsky n\u00e3o s\u00f3 era guevarista, como promovia uma op\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-militar, era aliado de Cuba e defendia a causa palestina. Esteve preso pela ditadura militar no c\u00e1rcere de Rawson, escapou do \u201cmassacre de Trelew\u201d, passou pelo Chile de Salvador Allende e chegou a Cuba, onde desenvolveu trabalhos volunt\u00e1rios e foi fotografado com Mario Robi Santucho e outros revolucion\u00e1rios antiimperialistas daquela \u00e9poca. Este grande revolucion\u00e1rio de origem judia est\u00e1 desaparecido. Marcos era um \u201c<em>terrorista anti-semita<\/em>\u201d?<\/p>\n<p>Como os dirigentes sionistas e os monop\u00f3lios de (in)comunica\u00e7\u00e3o chamariam o jovem trabalhador judeu libert\u00e1rio Sim\u00f3n Radowitzky? Radowitzky, em come\u00e7os do s\u00e9culo, justi\u00e7ou com um explosivo o feroz coronel da pol\u00edcia, Ram\u00f3n Falc\u00f3n, quando este \u00faltimo massacrou trabalhadores indefesos durante um ato pelo primeiro de maio, numa pra\u00e7a portenha. Sim\u00f3n Radowitzky foi castigado com mais de duas d\u00e9cadas de torturas, vexames e reclus\u00e3o nas piores pris\u00f5es do sul argentino. Depois da deporta\u00e7\u00e3o para Montevid\u00e9u, marchou para combater, com as armas em punho, junto aos batalh\u00f5es internacionalistas da guerra civil espanhola. Sim\u00f3n era um \u201c<em>terrorista anti-semitista<\/em>\u201d?<\/p>\n<p>Como os dirigentes sionistas e os monop\u00f3lios de (in)comunica\u00e7\u00e3o chamariam Teresa Israel, jovem advogada de guerrilheiros e militantes populares? Esta jovem judia comunista, advogada de presos pol\u00edticos, foi uma das mais audazes que incursionou no tenebroso quartel militar de Campo de Mayo, denunciando as torturas dos detidos. Nos anos 70, se metia nos quart\u00e9is para tentar salvar a vida dos revolucion\u00e1rios sequestrados e torturados pelos militares argentinos (aliados do estado de Israel). Hoje est\u00e1 desaparecida. Muitos centros culturais e comunit\u00e1rios levam o nome de Teresa, jovem judia revolucion\u00e1ria. Teresa era uma \u201c<em>terrorista anti-semita<\/em>\u201d?<\/p>\n<p>Como os dirigentes sionistas e os monop\u00f3lios de (in)comunica\u00e7\u00e3o chamariam Raymundo Gleyzer? Era um jovem militante judeu, comunista e combatente do guevarista Partido Revolucion\u00e1rio dos Trabalhadores-Ex\u00e9rcito Revolucion\u00e1rio do Povo (PRT-ERP). Na casa de Raymundo, fundou-se o teatro IFT, um dos baluartes culturais do juda\u00edsmo progressista argentino, hoje situado no bairro de Once. Raymundo, brilhante e apaixonado, dirigiu o grupo Cine da Base e foi o grande cineasta da insurg\u00eancia argentina, amiga da causa palestina. Raymundo era um \u201c<em>terrorista anti-semita<\/em>\u201d?<\/p>\n<p>A lista de exemplos segue e \u00e9 incont\u00e1vel. N\u00e3o s\u00f3 da Argentina, mas de toda a Am\u00e9rica Latina e do mundo.<\/p>\n<p>O jovem dirigente uruguaio Jorge Zabalza, que come\u00e7ou militando no agrupamento judeu Hashomer Hatzair, visitou Israel, viveu num kibbutz e, ao regressar, se converteu num dos comandantes e num dos nove ref\u00e9ns hist\u00f3ricos do Uruguai, pertencentes ao Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional \u2013 Tupamaros, organiza\u00e7\u00e3o amiga da causa palestina. O \u00abtambero\u00bb, como o chamam no Uruguai, \u00e9 um \u201c<em>terrorista anti-semita<\/em>\u201d?<\/p>\n<p>E Mauricio Rozencof, igualmente judeu, outro dos fundadores dos Tupamaros do Uruguai? Era um \u201c<em>terrorista anti-semita<\/em>\u201d?<\/p>\n<p>E Enrique Oltusky, jovem militante judeu cubano, que se converteu em estreito colaborador do comandante Ernesto Che Guevara (Oltusky, junto com seu amigo Orlando Borrego, foi o organizador das <em>Obras Completas<\/em> do Che, conhecidas pelo t\u00edtulo <em>O Che na revolu\u00e7\u00e3o cubana<\/em>. Os tr\u00eas, Oltusky, Borrego e Guevara, estudaram juntos <em>O Capital, <\/em>em Cuba). Como seu chefe Guevara, Oltusky era amigo da causa palestina. Era Enrique um \u201c<em>terrorista anti-semita<\/em>\u201d?<\/p>\n<p>E se formos ainda mais para tr\u00e1s&#8230; O jovem guerrilheiro socialista Mordejai Anielevich que, enquanto os grandes papas do sionismo negociavam com os nazistas, organizava no gueto de Vars\u00f3via o \u00fanico caminho para enfrentar os fascistas, isto \u00e9, com luta armada&#8230; Era um \u201c<em>terrorista anti-semita<\/em>\u201d?<\/p>\n<p>A criminaliza\u00e7\u00e3o macarthista dos revolucion\u00e1rios \u2013 especialmente daqueles que possuem ou assumem posi\u00e7\u00f5es radicalizadas \u2013 e a fal\u00e1cia de identific\u00e1-los com o brutal e monstruoso anti-semitismo de origem nazista, n\u00e3o possui como base a menor an\u00e1lise hist\u00f3rica. Visa, unicamente, a condi\u00e7\u00e3o de apagar, n\u00e3o s\u00f3 a her\u00f3ica resist\u00eancia palestina, mas, inclusive, a pr\u00f3pria hist\u00f3ria de honra e valentia do juda\u00edsmo revolucion\u00e1rio e socialista \u2013 impulsionador da luta armada. Como se pode aceitar a propaganda oficial do MOSSAD, o estado de Israel e a embaixada dos Estados Unidos?<\/p>\n<p><strong>A esquerda piqueteira<\/strong><strong> \u00e9 \u201canti-semita\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>Todavia, hoje permanece sem solu\u00e7\u00e3o o atentado \u00e0 AMIA. Enquanto a dire\u00e7\u00e3o oficial do sionismo se abra\u00e7ava com os pol\u00edticos do sistema e aplaudia o presidente Carlos Sa\u00fal Menem, todo mundo sabia que estava em processo um atentado. Atentado que n\u00e3o se fez nos bairros onde viviam os judeus ricos e milion\u00e1rios, mas no bairro Onde, um dos mais populares da cidade de Buenos Aires (precisamente o mesmo bairro onde, em princ\u00edpios do s\u00e9culo XX, teve lugar a \u201csemana tr\u00e1gica\u201d, quando os \u201cbons filhos\u201d dos empres\u00e1rios e as tropas para-policiais reprimiram trabalhadores insurretos e ca\u00e7aram \u201cjudeus bolcheviques\u201d, humilhando mulheres e crian\u00e7as, assassinando, \u00e0 sangue frio, em nome da \u201cp\u00e1tria\u201d). No local do atentado \u00e0 AMIA, todo mundo suspeitava que a pol\u00edcia da cidade de Buenos Aires, conhecida popularmente como \u201ca bonaerense\u201d, havia posto sua garra suja e corrupta ali. Tamb\u00e9m se suspeitou que os militares caras-pintadas \u2013 ex-instrutores de contra-insurg\u00eancia nas escolas ianques do canal do Panam\u00e1 \u2013 tinham colaborado.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a ningu\u00e9m, absolutamente a ningu\u00e9m, nem sequer aos mais delirantes, ocorreu que o movimento piqueteiro esteve misturado com o atentado \u00e0 AMIA.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, por que agora esse \u00f3dio e essa histeria que vemos em todos os monop\u00f3lios da (in)comunica\u00e7\u00e3o contra a esquerda piqueteira?<\/p>\n<p>Pedimos permiss\u00e3o para contar uma hist\u00f3ria. H\u00e1 alguns anos, uma das organiza\u00e7\u00f5es de v\u00edtimas do atentado \u00e0 AMIA, os companheiros da APEMIA, organizaram um ato nas ruas Corrientes e Pasteur, no bairro de Once, Capital Federal da Argentina. O ato teve bastante concorr\u00eancia. Quando um trabalhador <em>morocho <\/em>e muito humilde do P\u00f3lo Obrero tentou subir no palanque para solidarizar-se com as fam\u00edlias das v\u00edtimas, alguns sionistas que estavam na plateia come\u00e7aram a insult\u00e1-lo, vai\u00e1-lo e tentaram tir\u00e1-lo. Quase nos agarramos a golpes.<\/p>\n<p>Por que esse \u00f3dio de classe? Ao sionismo interessa o povo judeu ou, na realidade, defende seus pr\u00f3prios interesses, inclusive contra os pr\u00f3prios judeus? Se, de verdade, interessa o bem-estar dos judeus, NUNCA, repito, NUNCA deveriam ter apoiado uma ditadura anti-semita como a de Videla e Massera.<\/p>\n<p><strong>O sionismo nos protege?<\/strong><\/p>\n<p>Pe\u00e7o permiss\u00e3o para contar outra hist\u00f3ria pessoal, esta da adolesc\u00eancia. Ocorreu numa escola secund\u00e1ria, onde milit\u00e1vamos no gr\u00eamio estudantil. Alguns de nossos amigos eram judeus, outros cat\u00f3licos e um companheiro de origem \u00e1rabe, ainda que de f\u00e9 cat\u00f3lica. Sem renegar nossa origem, n\u00f3s \u00e9ramos (e somos) ateus. No entanto, aproveitando o \u201cdia do perd\u00e3o\u201d, faltamos \u00e0 aula, como grande parte dos adolescentes, tentando escapar da disciplina escolar. Junto com os de sobrenome judeu, tamb\u00e9m faltaram nosso amigos de origem cat\u00f3lica e o de origem \u00e1rabe. O que esse grupo de amigos encontrou no dia seguinte, ao regressar \u00e0 aula? Em cada uma de nossas cadeiras de madeira haviam pintado uma imensa cruz su\u00e1stica (nazista), de cor vermelha, com cada um de nossos nomes. A primeira rea\u00e7\u00e3o, instintiva, foi irmos fechando os punhos. Por\u00e9m, rapidamente, pensando politicamente, como militantes do gr\u00eamio estudantil. Fizemos uma den\u00fancia p\u00fablica contra este grav\u00edssimo ato antissemita. Como dirigentes do gr\u00eamio estudantil, recorremos a in\u00fameros jornais. Ningu\u00e9m publicou nada. O \u00fanico jornal que publicou a den\u00fancia foi <em>Nueva Presencia<\/em>, \u00f3rg\u00e3o jornal\u00edstico que havia sido, nos tempos ditatoriais, baluarte cultural da resist\u00eancia popular. Dirigido pelo jornalista Herman Schiller (conheci Herman pessoalmente muitos anos depois, j\u00e1 militando com as madres de plaza de mayo), <em>Nueva presencia <\/em>deu lugar em suas p\u00e1ginas \u00e0 colorida fam\u00edlia da esquerda argentina, judia e n\u00e3o judia.<\/p>\n<p>Imediatamente depois da den\u00fancia, vieram \u00e0 escola alguns dirigentes sionistas. N\u00e3o recordo agora se eram da OSA ou da DAIA. Por\u00e9m, era um dirigente de peso e renome. Veio averiguar e pedir explica\u00e7\u00f5es pelo feito anti-semita. O reitor da escola, fascista disfar\u00e7ado de liberal, jurista legitimador dos golpes de estado e colunista do jornal de extrema-direita <em>La Prensa<\/em>, chamou os estudantes agredidos e tamb\u00e9m o agressor (que veio junto com seu pai), que tinha pintado as cruzes nazistas. Em meio \u00e0 discuss\u00e3o, o reitor disse ao dirigente sionista, apontando-me com o bra\u00e7o estendido: \u201c<em>Porque este estudante \u00e9 marxista e milita no fascismo vermelho<\/em>\u201d. Automaticamente, seus olhos se cruzaram com os do dirigente sionista. Nesse instante, esqueceram-se do jovem neonazista, das cruzes su\u00e1sticas, da agress\u00e3o anti-semita e come\u00e7aram a me insultar. Eu n\u00e3o entendia nada. N\u00e3o vinha nos defender dos nazistas? N\u00f3s n\u00e3o \u00e9ramos os atacados? N\u00e3o! Para o dirigente sionista, que n\u00e3o era um jovem ignorante, mas um alto dirigente do sionismo argentino, era mais perigoso um estudante marxista judeu que um nazista que pintava su\u00e1sticas&#8230; Incr\u00edvel!!! Naquela \u00e9poca eu era muito garoto. N\u00e3o entendi nada. A situa\u00e7\u00e3o me parecia um absurdo e absolutamente rid\u00edcula. De agredido e denunciante, eu tinha terminado sendo acusado&#8230; Nada menos que por outro judeu! Anos depois, o compreendi muito bem&#8230;<\/p>\n<p><strong>Os palestinos nos odeiam?<\/strong><\/p>\n<p>Os palestinos nos odeiam? N\u00e3o \u00e9 certo. Grav\u00edssimo erro confundir juda\u00edsmo com sionismo. Confus\u00e3o claramente falsa, exercida em defesa do estado de Israel ou contra Israel. A resist\u00eancia palestina \u2013 ao menos em suas vertentes e organiza\u00e7\u00f5es mais l\u00facidas, as oriundas de um tronco antiimperialista laico e socialista \u2013 luta contra a pol\u00edtica de estado de Israel, n\u00e3o contra os judeus em geral.<\/p>\n<p>Se me permite, gostaria de contar uma terceira hist\u00f3ria para ilustrar este pensamento.<\/p>\n<p>Quando se inaugurou a Escola Nacional \u00abFlorestan Fernandes\u00bb, em S\u00e3o Paulo, por iniciativa do Movimento Sem Terra (MST) do Brasil, encontramos militantes de muitas partes do mundo, todos unidos pelas mesmas bandeiras e os mesmos ideais, os mais nobres conhecidos pela humanidade at\u00e9 o momento. Existiam, entre in\u00fameras pessoas, judeus n\u00e3o israelenses. Tamb\u00e9m estavam presentes alguns marxistas israelenses e, igualmente, m\u00e3es palestinas. Estas \u00faltimas, vestidas com seus len\u00e7os e t\u00fanicas tradicionais. Todavia, recordo com uma emo\u00e7\u00e3o indescrit\u00edvel o imenso abra\u00e7o internacionalista e fraterno que estas m\u00e3es nos deram, a todos e todas por igual, incluindo os judeus n\u00e3o israelenses e os marxistas de Israel, sabendo perfeitamente quem era cada um. Ningu\u00e9m me contou. N\u00e3o li em nenhum livro. N\u00e3o vi em nenhum filme. Esse abra\u00e7o \u00edntimo, afetuoso e fraternal de palestinas e judeus, palestinos e judias, simbolizou para n\u00f3s um avan\u00e7o, de como poder\u00edamos viver e conviver se, neste mundo cruel e mesquinho n\u00e3o governassem o imperialismo e as burguesias, com todo seu primitivismo pol\u00edtico, \u00f3dio racial, opress\u00e3o nacional e fanatismo religioso, mas como povos organizados sobre um projeto socialista de alcance mundial. N\u00e3o \u00e9 um sonho delirante. \u00c9 algo poss\u00edvel e ao alcance das m\u00e3os, com a condi\u00e7\u00e3o de tirarmos de cima os donos do poder burgu\u00eas, do mercado, do capital e da guerra fratricida.<\/p>\n<p>Por isto tudo, pedimos aos senhores defensores do sionismo que fa\u00e7am toda a propaganda que queiram, mas, por favor&#8230;<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 b<\/strong><strong>asta! N\u00e3o fa\u00e7am em nosso nome!<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o usem a mem\u00f3ria d<\/strong><strong>os nossos av\u00f3s e bisav\u00f3s torturados, perseguidos e massacrados pelo nazismo, para fins mesquinhos, ego\u00edstas e indefens\u00e1veis!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Viva a causa dos irm\u00e3os e irm\u00e3s palestinas!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Viva <\/strong><strong>o socialismo!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Liberdade a todos as presas e presos pol\u00edticos!<\/strong><\/p>\n<p><strong>23 de ma<\/strong><strong>io de 2009<\/strong><\/p>\n<p><em><strong>Autor: N\u00e9stor Kohan<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Fernanda M. Scelza<\/em><\/p>\n<p><em>* Montoneros (Guerrilla de origen peronista revolucionaria, nacionalista radical)<\/em><\/p>\n<p><em>* PRT-ERP (Partido Revolucionario de los Trabajadores \u2013 Ej\u00e9rcito Revolucinario del Pueblo)<\/em><\/p>\n<p><em>* Cine de la Base: expresi\u00f3n cinematogr\u00e1fica de la guerrilla marxista<\/em><\/p>\n<p><em>* FAR (Fuerzas Armadas Revolucionarias)<\/em><\/p>\n<p><em>* PC: Partido Comunista<\/em><\/p>\n<p><em>* Ashomer Atzair: La joven guardia<\/em><\/p>\n<p><em>* MLN Tupamaros: Movimiento de Liberaci\u00f3n Nacional Tupamaros (de Uruguay)<\/em><\/p>\n<p><em>* MOSSAD (En hebreo ha-Mossad, acronismo de le-Modiin ule-Tafkidim Meyuhadim, (Instituto para Inteligencia y Operaciones Especiales). son los servicios de Israel)<\/em><\/p>\n<p><em>* IFT: El Teatro IFT es miembro del ICUF -Federaci\u00f3n de Entidades Culturales Jud\u00edas de Argentina- ( la vertiente del Partido Comunista al interior de la comunidad judia argentina, en ese espacio se sol\u00eda hablar el idioma jud\u00eda de la di\u00e1spora idish, adem\u00e1s del castellano, y no se hablaba el hebreo) y de ARTEI -Asociaci\u00f3n Argentina del Teatro Independiente.-<\/em><\/p>\n<p><em>* DAIA: Delegaci\u00f3n de Asociaciones Israelitas Argentinas (sionista)<\/em><\/p>\n<p><em>* AMIA: Asociaci\u00f3n Mutual Israelita Argentina (sionista)<\/em><\/p>\n<p><em>* A.P.E.M.I.A: Agrupacion Por el Esclarecimiento de la Masacre Impune de la AMIA (<\/em><a href=\"http:\/\/apemia.blogspot.com\/\" target=\"_blank\"><em>http:\/\/apemia.blogspot.com\/<\/em><\/a><em> fracci\u00f3n encabezada por Laura Ginsberg, de izquierda, enfrentada a la direccion del sionismo local y de todos los gobiernos (Menem, De la Rua, Kirchner)<\/em><\/p>\n<p><em>* Polo Obrero: Expresi\u00f3n piquetera del Partido Obrero (trotskista)<\/em><\/p>\n<p><em>* &#8220;La Bonaerense: Expresi\u00f3n popular para referirse a la policia de la provincia de Buenos Aires.<\/em><\/p>\n<p><em>* Carapintadas: Corriente de las Fuerzas Armadas, de pose y ret\u00f3rica &#8220;nacionalsita&#8221; enfrentada a los militares liberales. Sus l\u00edderes fueron instructores en contrainsugencia en las escuelas yanquis de Panam\u00e1<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Fiocruz\n\n\n\n\n\n\n\n\nEm mem\u00f3ria de Sim\u00f3n Radowitzky e Raymundo Gleyzer\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1515\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[71],"tags":[],"class_list":["post-1515","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c84-solidariedade"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-or","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1515","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1515"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1515\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1515"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1515"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1515"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}