{"id":1516,"date":"2011-05-30T19:53:15","date_gmt":"2011-05-30T19:53:15","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1516"},"modified":"2011-05-30T19:53:15","modified_gmt":"2011-05-30T19:53:15","slug":"a-financeirizacao-da-burocracia-sindical-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1516","title":{"rendered":"A financeiriza\u00e7\u00e3o da burocracia sindical no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>Aproximam-se as elei\u00e7\u00f5es para o Sindicato dos Banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo, Osasco e Regi\u00e3o. Trata-se n\u00e3o apenas do maior sindicato da categoria do pa\u00eds &#8211; e isso j\u00e1 bastaria para que o pleito atra\u00edsse a aten\u00e7\u00e3o de todo o movimento sindical brasileiro. Mas essa elei\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem um alcance maior que deve ser levado em considera\u00e7\u00e3o: o de definir os rumos de uma entidade que cumpre atualmente um papel estrat\u00e9gico na ordem pol\u00edtica atual.<\/p>\n<p>Afinal, desde a elei\u00e7\u00e3o de Lula da Silva, em 2002, a rela\u00e7\u00e3o do sindicalismo brasileiro com o aparelho de Estado modificou-se radicalmente. Nunca \u00e9 demais rememorar alguns fatos. Em primeiro lugar, a administra\u00e7\u00e3o de Lula da Silva preencheu aproximadamente metade dos cargos superiores de dire\u00e7\u00e3o e assessoramento \u2013 cerca de 1.300 vagas, no total \u2013 com sindicalistas que passaram a controlar um or\u00e7amento anual superior a R$ 200 bilh\u00f5es. Al\u00e9m disso, posi\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas relativas aos fundos de pens\u00e3o das empresas estatais foram ocupadas por dirigentes sindicais. V\u00e1rios destes assumiram cargos de grande prest\u00edgio em companhias estatais \u2013 como, por exemplo, a Petrobr\u00e1s e Furnas Centrais El\u00e9tricas \u2013, al\u00e9m de integrarem o conselho administrativo do BNDES. O governo Lula promoveu, ainda, uma reforma sindical que oficializou as centrais sindicais brasileiras, aumentando o imposto sindical e transferindo anualmente cerca de R$ 100 milh\u00f5es para estas organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Tudo somado, o sindicalismo brasileiro elevou-se \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de um ator estrat\u00e9gico no tocante ao investimento capitalista no pa\u00eds. Esta fun\u00e7\u00e3o, n\u00e3o totalmente in\u00e9dita, mas substancialmente distinta daquela encontrada no per\u00edodo anterior, estimulou Francisco de Oliveira a apresentar, ainda no in\u00edcio do primeiro governo de Lula da Silva, sua hip\u00f3tese acerca do surgimento de uma &#8220;nova classe&#8221; social, baseada na articula\u00e7\u00e3o da camada mais elevada de administradores de fundos de previd\u00eancia complementar com a elite da burocracia sindical participante dos conselhos de administra\u00e7\u00e3o desses mesmos fundos.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Oliveira, a aproxima\u00e7\u00e3o entre &#8220;t\u00e9cnicos e economistas doubl\u00e9s de banqueiros&#8221; e &#8220;trabalhadores transformados em operadores de fundos de previd\u00eancia&#8221; serviria para explicar as converg\u00eancias program\u00e1ticas entre o PT e o PSDB e compreender, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o aparente paradoxo de um in\u00edcio de mandato petista que, nitidamente subssumido ao dom\u00ednio do capital financeiro, conservou o essencial da pol\u00edtica econ\u00f4mica estruturada pelos tucanos em torno do regime de metas de infla\u00e7\u00e3o, do c\u00e2mbio flutuante e do super\u00e1vit prim\u00e1rio nas contas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que Oliveira avan\u00e7ava a tese da &#8220;nova classe&#8221;, apresentamos a hip\u00f3tese de que o v\u00ednculo org\u00e2nico &#8220;transformista&#8221; da alta burocracia sindical com os fundos de pens\u00e3o poderia n\u00e3o ser suficiente para gerar uma &#8220;nova classe&#8221;, mas seguramente pavimentaria o caminho sem volta do &#8220;novo sindicalismo&#8221; na dire\u00e7\u00e3o do regime de acumula\u00e7\u00e3o financeira globalizado. Apost\u00e1vamos que essa via liquidaria completamente qualquer possibilidade de retomada da defesa, por parte desta burocracia, dos interesses hist\u00f3ricos das classes subalternas brasileiras. Chamamos esse processo de &#8220;financeiriza\u00e7\u00e3o da burocracia sindical&#8221;.<\/p>\n<p>Assim como v\u00e1rias an\u00e1lises cr\u00edticas do governo do Partido dos Trabalhadores, o problema da hip\u00f3tese da &#8220;nova classe&#8221; era explicar como se chegou at\u00e9 esse ponto. N\u00e3o foram poucos os analistas que acreditaram que a Carta ao Povo Brasileiro, na qual Lula da Silva garantia a seguran\u00e7a dos operadores financeiros, teria modificado de modo radical o curso seguido at\u00e9 ent\u00e3o pelo PT e mesmo pelo seu candidato. A hip\u00f3tese da &#8220;financeiriza\u00e7\u00e3o da burocracia sindical&#8221; enfrentava esse problema e localizava sua origem em uma burocracia sindical presente no partido desde seus primeiros passos no ABC paulista e que ao longo dos anos 1990 associou-se gradativamente ao capital financeiro. A trajet\u00f3ria do PT s\u00f3 surpreendeu quem n\u00e3o quis ver ou ouvir.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria recente da burocracia do Sindicato dos Banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo \u00e9 exemplar. Como muitas entidades filiadas \u00e0 CUT, a dos banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo alinhou-se com a administra\u00e7\u00e3o Lula da Silva e se transformou em porta-voz do governo na categoria. Em todas as situa\u00e7\u00f5es nas quais os trabalhadores enfrentaram o governo, a diretoria dessa entidade procurou colocar-se na condi\u00e7\u00e3o de amortecedor do conflito social, papel desempenhado pelos tradicionais pelegos sindicais. No jornal e nas revistas do Sindicato a propaganda do governo d\u00e1 o tom <a href=\"http:\/\/cspconlutas.org.br\/wp-admin\/post-new.php\/ohttp:\/cspconlutas.org.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftn3\" target=\"_blank\">(1)<\/a>. O &#8220;Sindicato cidad\u00e3o&#8221; deu lugar ao &#8220;Sindicato chapa-branca&#8221;.<\/p>\n<p>Este n\u00e3o \u00e9, entretanto, um caso de simples adesismo. \u00c9 poss\u00edvel dizer que a c\u00fapula dos banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo foi o principal meio de liga\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a afian\u00e7ada por Lula da Silva entre a burocracia sindical petista e o capital financeiro. Na verdade, como previmos, o cimento desse pacto foram os setores da burocracia sindical que se transformaram em gestores dos fundos de pens\u00e3o e dos fundos salariais. O Sindicato dos Banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo forneceu os quadros pol\u00edticos para essa opera\u00e7\u00e3o. Enquanto os sindicalistas egressos das fileiras dos metal\u00fargicos do ABC ocupavam-se da pol\u00edtica trabalhista e Luiz Marinho tomava assento no Minist\u00e9rio do Trabalho, os banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo voavam em dire\u00e7\u00e3o ao mercado financeiro.<\/p>\n<p>Esse v\u00f4o era um desejo antigo. Gilmar Carneiro, presidente do sindicato entre 1988 e 1994, declarou quando ainda era diretor do Sindicato dos Banc\u00e1rios que ao fim de seu mandato poderia ser diretor do Banco do Estado do Rio de Janeiro do qual havia sido funcion\u00e1rio. Seu sonho n\u00e3o foi realizado, mas logo a seguir Carneiro transformou-se em diretor de um dos bra\u00e7os financeiros do Sindicato, a Cooperativa de Cr\u00e9dito dos Banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo. Seu predecessor Luiz Gushiken, presidente de 1985 a 1987, foi mais longe. No come\u00e7o dos anos 2000, Gushiken mantinha a empresa Gushiken &amp; Associados, juntamente com Wanderley Jos\u00e9 de Freitas e Augusto Tadeu Ferrari. Com a vit\u00f3ria de Lula da Silva a companhia mudou de nome e passou a se chamar Globalprev Consultores Associados. O ex-banc\u00e1rio retirou-se da empresa e coincidentemente esta passou, logo a seguir, a fazer lucrativos contratos com os fundos de pens\u00e3o <a href=\"http:\/\/cspconlutas.org.br\/wp-admin\/post-new.php\/ohttp:\/cspconlutas.org.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftn4\" target=\"_blank\">(2)<\/a>. Tornou-se, assim, emin\u00eancia parda dos fundos de pens\u00e3o estatais, sendo decisivo para a indica\u00e7\u00e3o do comando do fundo de pens\u00e3o dos funcion\u00e1rios do Banco do Brasil (Previ), da Petrobras (Petros) e da Caixa Econ\u00f4mica Federal (Funcef).<\/p>\n<p>O sucessor de Gushiken e Carneiro, Ricardo Berzoini, tem tamb\u00e9m s\u00f3lidos la\u00e7os com o sistema financeiro. Foi ele o promotor da reforma da previd\u00eancia, que al\u00e9m de retirar direitos dos trabalhadores abriu o caminho para institui\u00e7\u00e3o da previd\u00eancia complementar. Os fundos de pens\u00e3o estatais e privados foram os grandes beneficiados por essa medida. Berzoini tem sido recompensado. Levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo em 2009 constatou que 43 diretores de fundos de pens\u00e3o t\u00eam v\u00ednculos com partidos pol\u00edticos, a maioria deles com o PT. Desses diretores 56% fizeram doa\u00e7\u00f5es financeiras a candidatos nas \u00faltimas quatro elei\u00e7\u00f5es e o ent\u00e3o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, recebeu quase um ter\u00e7o delas <a href=\"http:\/\/cspconlutas.org.br\/wp-admin\/post-new.php\/ohttp:\/cspconlutas.org.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftn5\" target=\"_blank\">(3)<\/a> .<\/p>\n<p>A convers\u00e3o de dirigentes sindicais em gestores financeiros tem um caso exemplar: S\u00e9rgio Rosa. Este gestor come\u00e7ou sua carreira como funcion\u00e1rio do Banco do Brasil, integrando a diretoria do Sindicato dos Banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo na gest\u00e3o de Luiz Gushiken. Em 1999, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, Rosa assumiu um cargo de diretor da Previ, representando os funcion\u00e1rios do banco. Com a posse de Lula da Silva, passou \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de presidente da Previ, comandando o maior fundo de pens\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e o 25\u00ba do mundo em patrim\u00f4nio. Ap\u00f3s o final de seu mandato assumiu o comando da Brasilprev, a empresa de previd\u00eancia aberta do Banco do Brasil. Em janeiro de 2011, aos 50 anos, Rosa aderiu &#8220;programa de desligamento de executivos&#8221; do BB e se aposentou.<\/p>\n<p>A financeiriza\u00e7\u00e3o da burocracia sindical \u00e9 um processo que divide fundamentalmente a classe trabalhadora e enfraquece a defesa de seus interesses hist\u00f3ricos. Na condi\u00e7\u00e3o de gestores dos fundos de pens\u00e3o, o compromisso principal deste grupo \u00e9 com a liquidez e a rentabilidade de seus ativos. Muitos t\u00eam argumentado que os fundos teriam um papel importante na sele\u00e7\u00e3o de investimentos ecologicamente sustent\u00e1veis e geradores de empregos. Pura engana\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os fundos de pens\u00e3o brasileiros t\u00eam atuado como uma linha estrat\u00e9gica do processo de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es de empresas no pa\u00eds e, consequentemente, est\u00e3o financiando o processo de oligopoliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica com efeitos sobre a intensifica\u00e7\u00e3o dos ritmos de trabalho, o enfraquecimento do poder de negocia\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e o enxugamento dos setores administrativos. Isso sem mencionar sua crescente participa\u00e7\u00e3o em projetos de infra-estrutura, como a usina de Belo Monte, uma das principais fontes de preocupa\u00e7\u00e3o dos ambientalistas brasileiros <a href=\"http:\/\/cspconlutas.org.br\/wp-admin\/post-new.php\/ohttp:\/cspconlutas.org.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftn6\" target=\"_blank\">(4)<\/a> .<\/p>\n<p>Tendo em vista a natureza semiperif\u00e9rica de sua estrutura econ\u00f4mica, o Brasil apresenta importantes dificuldades relativas ao investimento de capital. A taxa de poupan\u00e7a privada \u00e9 historicamente baixa e a solu\u00e7\u00e3o para o investimento depende fundamentalmente do Estado. Os fundos de pens\u00e3o atuam nesta linha, buscando equacionar a relativa car\u00eancia de capital para investimentos. O curioso \u00e9 que, no per\u00edodo atual, a poupan\u00e7a do trabalhador, administrada por burocratas sindicais oriundos do novo sindicalismo, est\u00e1 sendo usada para financiar o aumento da explora\u00e7\u00e3o do trabalho e da degrada\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Por tudo isso, a atual elei\u00e7\u00e3o no Sindicato dos Banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo tem repercuss\u00f5es nacionais e efeitos amplos na vida pol\u00edtica do pa\u00eds. Na realidade, o que est\u00e1 em quest\u00e3o \u00e9 o processo de aprofundamento da financeiriza\u00e7\u00e3o da burocracia sindical cutista e a preserva\u00e7\u00e3o de um dos pilares de sustenta\u00e7\u00e3o dos governos petistas. Para a oposi\u00e7\u00e3o de esquerda n\u00e3o s\u00e3o, pois, quest\u00f5es de t\u00e1tica sindical as que devem prevalecer e sim quest\u00f5es estrat\u00e9gicas, porque esta n\u00e3o \u00e9 simplesmente mais uma elei\u00e7\u00e3o sindical; trata-se de uma escolha entre projetos pol\u00edtico-estrat\u00e9gicos antag\u00f4nicos que t\u00eam lugar em um Sindicato.<\/p>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cspconlutas.org.br\/wp-admin\/post-new.php\/ohttp:\/cspconlutas.org.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftnref3\" target=\"_blank\">(1)<\/a> O site do Sindicato dos Banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo parece ter sido desenhado para a campanha eleitoral de 2011. Nele \u00e9 poss\u00edvel ler: &#8220;A estabilidade econ\u00f4mica, com crescimento m\u00e9dio de 3,6% da economia a cada ano desde 2002 e a cria\u00e7\u00e3o, no mesmo per\u00edodo, de 10,8 milh\u00f5es de novos postos de trabalho no mercado formal refor\u00e7aram o poder dos trabalhadores e deram base para a pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo e da corre\u00e7\u00e3o da tabela do IR, entre outros avan\u00e7os importantes garantidos durante os oito anos do governo Lula&#8221;.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cspconlutas.org.br\/wp-admin\/post-new.php\/ohttp:\/cspconlutas.org.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftnref4\" target=\"_blank\">(2)<\/a> Ronaldo Fran\u00e7a. <em>&#8220;A\u00e7\u00e3o entre amigos&#8221;,<\/em> Veja, n. 1912, 6 jul. 2005 e <em>&#8220;Fundos de pens\u00e3o contratam antigos s\u00f3cios de Gushiken&#8221;<\/em>, Folha de S. Paulo, 3 jul. 2005, Primeiro Caderno, p. 12.<\/p>\n<p>H\u00e1 ind\u00edcios de que a influ\u00eancia de Gushiken n\u00e3o diminuiu ap\u00f3s sua sa\u00edda do governo. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo: da &#8220;lista dos dez maiores fundos de pens\u00e3o de estatais brasileiras, seis est\u00e3o sob comando do PT e a maioria deles ainda \u00e9 dirigida por apadrinhados dos ex-ministros petistas Jos\u00e9 Dirceu e Luiz Gushiken, que deixaram o governo h\u00e1 quase quatro anos, em meio ao esc\u00e2ndalo do mensal\u00e3o&#8221; (<em>&#8220;<\/em>Dirceu e Gushiken ainda d\u00e3o as cartas nos fundos&#8221;, O Estado de S. Paulo, 4 mar. 2009).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cspconlutas.org.br\/wp-admin\/post-new.php\/ohttp:\/cspconlutas.org.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftnref5\" target=\"_blank\">(3)<\/a> Ranier Bragon: <em>&#8220;PT tem diretores em 7 dos 10 maiores fundos&#8221;<\/em>, Folha de S. Paulo, 8 mar\u00e7o de 2009.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cspconlutas.org.br\/wp-admin\/post-new.php\/ohttp:\/cspconlutas.org.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftnref6\" target=\"_blank\">(4)<\/a> Ali\u00e1s, o sil\u00eancio da CUT a respeito das greves oper\u00e1rias nas obras do PAC, especialmente em Jirau, sem mencionar sua completa ina\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o an\u00fancio da empresa Camargo Corr\u00eaa de demitir 4.000 trabalhadores, poucas horas depois de um acordo coletivo com a mesma empresa ter sido celebrado pela central, obviamente n\u00e3o s\u00e3o produtos de sua s\u00fabita inexperi\u00eancia \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00e3o. Muito ao contr\u00e1rio: a imin\u00eancia de grandes eventos como a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimp\u00edadas do Rio, em 2016, aumenta exponencialmente a demanda por investimentos em infra-estrutura que dependem fundamentalmente do capital estatal e dos fundos salariais. Desde que n\u00e3o haja atrasos nas obras, o que implica, naturalmente, na &#8220;pacifica\u00e7\u00e3o&#8221; dos canteiros e na supress\u00e3o de movimentos grevistas, trata-se de lucro l\u00edquido e certo para a burocracia sindical financeirizada. Ainda que \u00e0s custas da crescente degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho nos canteiros de obras.<\/p>\n<p><strong>Alvaro Bianchi \u00e9 professor do Departamento de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Universidade Estadual de Campinas; Ruy Braga \u00e9 professor do Departamento de Sociologia da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/strong><\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.correiocidadania.com.br\/content\/view\/5816\/9\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: 1.bp.blogspot.com\n\n\n\n\n\n\n\n\nAlvaro Bianchi e Ruy Braga\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1516\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-1516","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c65-lulismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-os","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1516","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1516"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1516\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}