{"id":15168,"date":"2017-07-29T19:49:46","date_gmt":"2017-07-29T22:49:46","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=15168"},"modified":"2017-08-14T19:10:18","modified_gmt":"2017-08-14T22:10:18","slug":"venezuela-o-significado-da-constituinte-de-30-de-julho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15168","title":{"rendered":"Venezuela: O significado da Constituinte de 30 de julho"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pbs.twimg.com\/profile_images\/867831949041307649\/OeMoGN1I.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>por I\u00f1aki Gil de San VIcente<\/p>\n<p>Resumen Latinoamericano, 22 de julho de 2017<\/p>\n<p>A Constituinte n\u00e3o \u00e9 outra coisa que a luta entre a verdade do povo e a mentira do capital. <!--more-->Em janeiro de 2008, se soube que a Administra\u00e7\u00e3o Bush mentiu ao menos 938 vezes sobre o Iraque, afirmando que este pa\u00eds dispunha de armas de destrui\u00e7\u00e3o massiva. A segunda invas\u00e3o do Iraque, a de 2003, assim, se realizou ao amparo de uma gigantesca mentira. Ent\u00e3o, tardou cinco anos enumerando tanta podrid\u00e3o. Agora, em apenas seis meses, se contabilizam 836 afirma\u00e7\u00f5es falsas ou enganosas ditas por Trump desde que vive na Casa Branca, uma m\u00e9dia de 4,6 mentiras por dia. Por\u00e9m, o que n\u00e3o parece mentira e sim uma muito seria amea\u00e7a \u00e9 sua recente advert\u00eancia de que os EUA endurecer\u00e3o ainda mais a asfixia financeira da Venezuela, caso este pa\u00eds soberano exer\u00e7a seu direito \u00e0 verdade mediante a Constituinte no pr\u00f3ximo dia 30 de julho.<\/p>\n<p>No Caracazo de 1989, o povo trabalhador venezuelano se sublevou contra a brutalidade neoliberal a custa de um grande n\u00famero de mortos, feridos, detidos e reprimidos, n\u00famero ainda desconhecido por sua enorme magnitude. Em 1992, fracassou a tentativa de golpe revolucion\u00e1rio dirigida por Hugo Ch\u00e1vez que, no entanto, ganharia as elei\u00e7\u00f5es de 1998, alarmando a burguesia porque supunha um salto qualitativo na independ\u00eancia pol\u00edtica do pa\u00eds. Em 1999, o povo referendou a atual constitui\u00e7\u00e3o, que supunha o in\u00edcio da fase da segunda independ\u00eancia. Em 2001, o governo ditou a Lei de Hidrocarbonetos, que significava o avan\u00e7o para a independ\u00eancia energ\u00e9tica da na\u00e7\u00e3o, golpe mortal no imperialismo e na burguesia rentista, que responderam com o fracassado golpe de Estado de 2002 e com o derrotado fechamento petroleiro entre 2002 e 2003. J\u00e1 operavam as primeiras guarimbas em algumas zonas do norte, potencializadas pelo imperialismo.<\/p>\n<p>Em 2001, se conheceu o Plano de Defesa Nacional, que recupera a independ\u00eancia armada garantida pelo ex\u00e9rcito popular bolivariano: a resposta burguesa foi o referendo revogat\u00f3rio de 2004, ganho por Ch\u00e1vez, que nesse ano come\u00e7ou a impulsionar a ALBA junto com Cuba como modelo contr\u00e1rio \u00e0 ALCA, cadeia de submiss\u00e3o de Nossa Am\u00e9rica aos EUA. Em 2005, Ch\u00e1vez reivindica o socialismo e, junto a Cuba e outros pa\u00edses, cria o canal multim\u00eddia TeleSur, flagelo da ind\u00fastria pol\u00edtico-medi\u00e1tica imperialista. Por\u00e9m, em 2007, o movimento bolivariano perde por cent\u00e9simos o referendo sobre a reforma constitucional em meio aos aplausos dos EUA: uma dos objetivos da reforma era aprofundar o socialismo da segunda independ\u00eancia. Em 2008, Obama chega \u00e0 Casa Branca e, em pouco tempo, \u00e9 premiado com o Nobel da Paz, enquanto os EUA voltam a levar a IV Frota \u00e0s \u00e1guas venezuelanas: a \u201cpax ianque\u201d de Obama se inicia no contexto de crise mundial galopante, com uma sequ\u00eancia de golpes de Estado duros e menos duros, impulsionando viradas \u00e0 direita mais autorit\u00e1ria das burguesias encorajadas pela estrat\u00e9gia do \u201camigo do norte\u201d.<\/p>\n<p>Esta brev\u00edssima an\u00e1lise nos permite compreender a unidade e luta de contr\u00e1rios que se aprofunda em Nossa Am\u00e9rica, tendo a Venezuela como o cen\u00e1rio mais cr\u00edtico atualmente. Apesar dos erros, d\u00favidas, impasses e retrocessos do processo venezuelano, o capital sabe que deve destruir at\u00e9 a raiz as conquistas sociais, o poder comunal latente e o projeto hist\u00f3rico do socialismo bolivariano. A independ\u00eancia nacional venezuelana expressa em sua pol\u00edtica, defesa, recursos energ\u00e9ticos e materiais, e sua estrat\u00e9gia de P\u00e1tria Grande, \u00e9 irreconcili\u00e1vel com a necessidade cega da burguesia rentista e do imperialismo de converter o pa\u00eds em uma mercadoria vendida \u00e0s transnacionais sob a vigil\u00e2ncia estrita do Comando Sul e da IV Frota. E isso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pela imensa import\u00e2ncia dos enormes recursos materiais da Venezuela, mas tamb\u00e9m pela for\u00e7a emancipadora que subjaz no projeto da P\u00e1tria Grande. Desde que o colonialismo conseguiu abortar o promissor Congresso Anficti\u00f4nico do Paran\u00e1 de 1826, desde ent\u00e3o o capital impediu de todas as maneiras, sobretudo com as mais desumanas, que fosse tomando conte\u00fado um amplo movimento popular anti-imperialista expresso ao final na forma da P\u00e1tria Grande sonhada pelas hero\u00ednas e her\u00f3is da primeira independ\u00eancia. O caminho para o imperialismo e a Grande Crise desde 2007, n\u00e3o fazem sen\u00e3o aprofundar esta necessidade capitalista, que tem na Am\u00e9rica do Norte sua express\u00e3o mais irracional. Conforme fosse se materializando este projeto, cada vez mais seria um exemplo para o resto da humanidade explorada, e isso n\u00e3o pode ser consentido.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o capital sabe que o que vimos \u00e9 apenas parte do mesmo problema que se enfrenta, porque a outra parte n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o fantasma da democracia direta, socialista, comunal, horizontal, sovi\u00e9tica ou como queiram definir nas estritas margens deste pequeno artigo; em suma, o embri\u00e3o do poder popular que se autodefende com seu ex\u00e9rcito bolivariano e suas mil\u00edcias populares. Dizemos embri\u00e3o porque o poder comunal n\u00e3o terminou de desenvolver-se completamente, apesar das declara\u00e7\u00f5es oficiais, apesar do \u00faltimo Ch\u00e1vez insistir na consigna \u201cComuna ou nada\u201d. As oposi\u00e7\u00f5es internas ao movimento bolivariano freiam o poder comunal. Ainda assim este embri\u00e3o impulsionado por muitos coletivos sup\u00f5e uma amea\u00e7a mortal para a burguesia rentista e para seu mecenas ianque. A democracia burguesa, delegada e indireta, \u00e9 antag\u00f4nica com a democracia direta e permanente da horizontalidade comunal. Uma deve esmagar a outra, porque \u00e9 imposs\u00edvel que convivam durante algum tempo em situa\u00e7\u00e3o de duplo poder.<\/p>\n<p>A arrog\u00e2ncia euroc\u00eantrica despreza, ignora e desconhece que pr\u00e1ticas de democracia direta e de poder popular se deram na Am\u00e9rica, na Europa, na \u00c1frica, na Euskal Herria, na \u00c1sia\u2026 Um dos muitos m\u00e9ritos da Venezuela bolivariana \u00e9 o de ter reativado essa pr\u00e1xis, com suas inevit\u00e1veis defici\u00eancias, no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, e isso \u00e9 imperdo\u00e1vel. Mais ainda, agora mesmo boa parte do apoio real das massas, silenciado pela ind\u00fastria pol\u00edtico-midi\u00e1tica, a Constituinte se levanta, entre outras bases, tamb\u00e9m sobre o chamado do presidente Maduro \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o da democracia comunal como a for\u00e7a vertebral da nova Venezuela. As for\u00e7as de esquerda s\u00e3o conscientes da incompatibilidade entre a democracia da mentira e a manipula\u00e7\u00e3o, a burguesia, e a democracia da verdade e do debate livre, a socialista, por\u00e9m como outras tantas vezes na hist\u00f3ria da luta da liberta\u00e7\u00e3o nacional de classe dos povos, sabem que devem percorrer esse caminho breve e frequentemente brutal de duplo poder, preparando-se para a batalha decisiva. De fato, o fascismo e a extrema direita venezuelana e internacional t\u00eam gerado esta sangrenta situa\u00e7\u00e3o que se assemelha a um duplo poder f\u00e1tico como prel\u00fadio e impulso para sua ofensiva definitiva.<\/p>\n<p>As ilus\u00f5es cr\u00e9dulas do reformismo s\u00f3 servem para ocultar a realidade. \u00c9 preciso pegar o touro pelos chifres: a \u00fanica garantia de avan\u00e7o da revolu\u00e7\u00e3o bolivariana \u00e9 a vit\u00f3ria popular na Constituinte do pr\u00f3ximo dia 30 de julho. Apesar das dist\u00e2ncias que lhes separam, ocorre outro tanto com o Principado Catal\u00e3o no referendo do pr\u00f3ximo dia 1\u00b0 de outubro. Ao final de toda an\u00e1lise, sempre nos esbarramos com o mesmo denominador comum: a luta de classes pela propriedade e pelo poder. Neg\u00e1-lo \u00e9 suicida. A vit\u00f3ria do referendo da Constituinte \u00e9 um passo qualitativo para que a Venezuela seja propriet\u00e1ria de si mesma e n\u00e3o do capital, e para que se materializem estas palavras de Ch\u00e1vez, de 15 de fevereiro de 2012: \u00abO petr\u00f3leo n\u00e3o \u00e9 uma riqueza da burguesia nem do imp\u00e9rio; \u00e9 uma riqueza do povo venezuelano para compartilh\u00e1-la com os povos do mundo\u00bb.<\/p>\n<p>I\u00d1AKI GIL DE SAN VICENTE<\/p>\n<p>EUSKAL HERRIA 22 de julho de 2017<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2017\/07\/24\/venezuela-el-significado-de-la-constituyente-del-30-de-julio\/\">http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2017\/07\/24\/venezuela-el-significado-de-la-constituyente-del-30-de-julio\/<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por I\u00f1aki Gil de San VIcente Resumen Latinoamericano, 22 de julho de 2017 A Constituinte n\u00e3o \u00e9 outra coisa que a luta entre \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15168\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-15168","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c54-venezuela"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3WE","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15168","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15168"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15168\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15168"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15168"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15168"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}