{"id":15224,"date":"2017-08-04T15:06:28","date_gmt":"2017-08-04T18:06:28","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=15224"},"modified":"2017-08-16T14:12:21","modified_gmt":"2017-08-16T17:12:21","slug":"o-calendario-e-a-marcha-dos-acontecimentos-notas-sobre-conjuntura-e-ideologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15224","title":{"rendered":"O calend\u00e1rio e a marcha dos acontecimentos: notas sobre conjuntura e ideologia"},"content":{"rendered":"<p><strong><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/08\/iasi-boitempo.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>A burguesia e a pequena burguesia pol\u00edtica esperam a salva\u00e7\u00e3o orando ao calend\u00e1rio e \u00e0 marcha dos acontecimentos, enquanto os trabalhadores querem rasg\u00e1-lo criando novos fatos que sejam capazes de libertar o tempo.<\/strong><!--more--><\/p>\n<p>BLOG DA BOITEMPO &#8211; 03\/08\/2017<\/p>\n<p><em>Por <a href=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/category\/colunas\/mauro-iasi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mauro Luis Iasi<\/a>.<\/em><\/p>\n<p>\u201cOs representantes e os representados,<br \/>\nenfrentam-se com hostilidade e<br \/>\nn\u00e3o mais se compreendem\u201d<br \/>\nKarl Marx, <a href=\"http:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/v3\/titles\/view\/o-18-de-brumario-de-luis-bonaparte\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>O 18 de brum\u00e1rio de Lu\u00eds Bonaparte<\/em><\/a>.<\/p>\n<p>S\u00e3o dois os tra\u00e7os marcantes da conjuntura na qual nos encontramos: h\u00e1 uma quebra de continuidade entre as classes e os segmentos de classe e suas representa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e institucionais; ao mesmo tempo, a crise econ\u00f4mica exige um novo patamar de explora\u00e7\u00e3o das classes trabalhadoras e isso se expressa na necessidade de novas formas pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Tais aspectos incidem n\u00e3o apenas nos segmentos dominantes, que disputam o botim resultante do afastamento da presidente eleita, mas, tamb\u00e9m, sobre a classe trabalhadora. Aquilo que at\u00e9 ent\u00e3o foi a forma pol\u00edtica da sociabilidade burguesa torna-se estreita para as contradi\u00e7\u00f5es que habitam seu conte\u00fado. De forma geral, esse quadro se expressa na supera\u00e7\u00e3o da \u201cdemocracia de coopta\u00e7\u00e3o\u201d em dire\u00e7\u00e3o a uma nova forma institucional e pol\u00edtica ainda n\u00e3o definida plenamente, que alguns como Felipe Demier denominam de \u201cdemocracia blindada\u201d (ver: <em>Depois do golpe: a dial\u00e9tica da democracia blindada no Brasil<\/em>, Maude, 2017) e outros preferem chamar de \u201cestado de exce\u00e7\u00e3o\u201d, seguindo Giorgio Agamben (<a href=\"http:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/v3\/titles\/view\/estado-de-excecao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Estado de exce\u00e7\u00e3o<\/em><\/a>, Boitempo, 2016).<\/p>\n<p>A base material da crise pol\u00edtica encontra-se na crise econ\u00f4mica, mas as media\u00e7\u00f5es entre as duas crises n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de serem estabelecidas. Os segmentos e fra\u00e7\u00f5es de classe da ordem se desentendem sobre a sa\u00edda imediata e os caminhos a seguir, ainda que estejam de acordo com o essencial que se manifesta nas reformas contra a classe trabalhadora. Nesses momentos, pode ocorrer uma disson\u00e2ncia entre os representantes no parlamento e no governo, e as classes que eles efetivamente representam.<\/p>\n<p>Quando Marx tratou do tema em seu cl\u00e1ssico <a href=\"http:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/v3\/titles\/view\/o-18-de-brumario-de-luis-bonaparte\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>O 18 de brum\u00e1rio de Lu\u00eds Bonaparte<\/em><\/a>, ele destacou claramente que a unidade viabilizada sob a rep\u00fablica parlamentarista, isto \u00e9, a forma pol\u00edtica que tornava poss\u00edvel que as fac\u00e7\u00f5es da burguesia francesa vivessem lado a lado em \u201cigualdade de direitos\u201d, era, da mesma maneira, \u201ca \u00fanica forma de Estado em que o interesse geral da sua classe podia submeter a si, ao mesmo tempo, as demandas das suas fac\u00e7\u00f5es em particular e todas as demais classes da sociedade.\u201d (p.114). A crise exige uma mudan\u00e7a de forma e coloca o Parlamento contra a Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o cabe aqui o intricado jogo que se estabelece entre as classes e suas representa\u00e7\u00f5es, t\u00e3o brilhantemente descrito por Marx. Mas nos interessa uma descri\u00e7\u00e3o precisa que resulta da indecis\u00e3o do partido da ordem em rasgar a constitui\u00e7\u00e3o ou apoiar o presidente:<\/p>\n<p>\u201cCom a sua decis\u00e3o sobre a revis\u00e3o, o Partido da Ordem demonstrou que n\u00e3o era apto nem para dominar nem para servir, nem para viver nem para morrer, nem para suportar a rep\u00fablica nem para derrub\u00e1-la, nem para manter a Constitui\u00e7\u00e3o nem para jog\u00e1-la no lixo, nem para cooperar com o presidente nem para romper com ele. De quem ele esperava a resolu\u00e7\u00e3o de todas as contradi\u00e7\u00f5es? Do calend\u00e1rio, do curso dos acontecimentos.\u201d (<a href=\"http:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/v3\/titles\/view\/o-18-de-brumario-de-luis-bonaparte\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>O 18 de Brum\u00e1rio de Lu\u00eds Bonaparte<\/em><\/a>, p. 120).<\/p>\n<p>As indecis\u00f5es entre os representantes pol\u00edticos n\u00e3o expressam nada menos do que as pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es que emanam da crise, que por sua vez exigem mudan\u00e7as ao mesmo tempo em que precisam que nada mude. No caso particular da conjuntura na qual nos encontramos, o partido da ordem tenta aprovar as reformas que interessam ao capital e torce para que elas produzam efeito sem que seja necess\u00e1rio alterar a forma pol\u00edtica no interior da qual os representantes operam e t\u00eam protagonismo. Quem operou o golpe que culminou no afastamento da presidente, n\u00e3o pode entregar a estabilidade que prometeu. Alguns setores veem no afastamento de Temer a solu\u00e7\u00e3o, mas outros apostam na sua perman\u00eancia como condi\u00e7\u00e3o de estabilidade. Enquanto isso, as fra\u00e7\u00f5es parlamentares da burguesia conspiram umas contra as outras.<\/p>\n<p>O bloco dominante se divide em fra\u00e7\u00f5es e estas por sua vez se subdividem dentro e fora do parlamento, em nosso caso agravado por um choque entre as inst\u00e2ncias do pr\u00f3prio Estado (executivo, legislativo e judici\u00e1rio). O capital financeiro, apertando o torniquete dos gastos p\u00fablicos, pede o sangramento do fundo p\u00fablico; os monop\u00f3lios exigem a manuten\u00e7\u00e3o das desonera\u00e7\u00f5es, subs\u00eddios, perd\u00e3o \u00e0s d\u00edvidas. Manter os juros e ao mesmo tempo baixa-los, comprometer-se em n\u00e3o aumentar impostos e aument\u00e1-los, abrir mercados e tomar medidas protecionistas, resolver a crise de insolv\u00eancia dos Estados e Munic\u00edpios, salvando os aliados, apurar a corrup\u00e7\u00e3o doa a quem doer e comprar os parlamentares para salvar a pele do chefe da quadrilha. Nesse cen\u00e1rio, \u00e9 como constatava Marx, tamb\u00e9m no <a href=\"http:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/v3\/titles\/view\/o-18-de-brumario-de-luis-bonaparte\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>18 de brum\u00e1rio<\/em><\/a>: \u201cOs porta-vozes e os escribas da burguesia, os seus palanques e a sua imprensa, em suma, os ide\u00f3logos da burguesia e a pr\u00f3pria burguesia, os representantes e os representados, estranhavam-se e n\u00e3o se entendiam mais.\u201d (p. 120).<\/p>\n<p>Caso nos detiv\u00e9ssemos nesse aspecto, a conjuntura seria marcada por uma grande oportunidade para as classes trabalhadoras. No entanto, vivemos algo semelhante no campo das classes trabalhadoras. A democracia de coopta\u00e7\u00e3o se fundamentava num pacto de classes no qual a classe trabalhadora foi sequestrada pela representa\u00e7\u00e3o que falava em seu nome mas n\u00e3o representava seus interesses. A crise da democracia de coopta\u00e7\u00e3o resultou em uma crise de representa\u00e7\u00e3o que permite que segmentos da classe trabalhadora sejam capturado pela ideologia dominante ou se pulverize numa nova serialidade.<\/p>\n<p>De certa forma, a express\u00e3o pol\u00edtica da democracia de coopta\u00e7\u00e3o \u2013 a pequena burguesia pol\u00edtica \u2013 tamb\u00e9m espera a solu\u00e7\u00e3o de todas estas contradi\u00e7\u00f5es \u201cdo calend\u00e1rio e da marcha dos acontecimentos\u201d. O calend\u00e1rio marca o ano de 2018 e a marcha dos acontecimentos indica para as elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<\/p>\n<h3><strong>O calend\u00e1rio e as elei\u00e7\u00f5es de 2018<\/strong><\/h3>\n<p>Do lado da ordem, a burguesia e suas fra\u00e7\u00f5es esperam que as reformas e ajustes possam dar sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 retomada econ\u00f4mica e os partidos da ordem se coloquem em acordo sobre uma candidatura vi\u00e1vel. Essa viabilidade enfrenta um problema principal: a candidatura de Lula, que aparece \u00e0 frente em todas as pesquisas. Exatamente por isso a ordem espera inviabiliz\u00e1-la juridicamente, mesmo que a custo de um contorcionismo processual como a senten\u00e7a do paladino de Curitiba.<\/p>\n<p>Do lado das antigas for\u00e7as governistas, toda a esperan\u00e7a se joga na retomada da presid\u00eancia pela elei\u00e7\u00e3o de Lula. E aqui est\u00e1 o problema para a esquerda. Ao que parece, o pre\u00e7o para essa retomada seria a reedi\u00e7\u00e3o do pacto, fato indicado claramente por declara\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio Lula, como na entrevista ao Jornal <em>Valor Econ\u00f4mico<\/em> na qual o ex-presidente afirma que pode manter as reformas aprovadas no governo Temer em nome da estabilidade. Tamb\u00e9m no pr\u00f3prio Encontro Nacional do PT o ex-presidente depois de dizer que voltar\u00e1 a governar o Brasil pede que se eleja uma maioria parlamentar, porque caso contr\u00e1rio ser\u00e3o necess\u00e1rias alian\u00e7as.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que a ideologia opera de forma decisiva. A ideologia, entre outras coisas, \u00e9 uma media\u00e7\u00e3o entre os sujeitos e o real. Uma esp\u00e9cie de filtro de significantes que solda uma s\u00e9rie para dar sentido \u00e0 exist\u00eancia. Como no filme <em>Matrix<\/em> (1999) no qual os seres humanos est\u00e3o presos \u00e0s m\u00e1quinas como pilhas para serem sugados, mas interagem com um programa que mant\u00e9m a apar\u00eancia de normalidade. Ningu\u00e9m acordaria de manha e se esfor\u00e7aria para chegar na hora para ser explorado, ter sua for\u00e7a de trabalho expropriada em nome da extra\u00e7\u00e3o de mais-valor. Fazemos isso para \u201ctrabalhar\u201d, um meio honesto de \u201cganhar a vida\u201d e um caminho leg\u00edtimo de \u201cascens\u00e3o social\u201d.<\/p>\n<p>Aqui a ideologia funciona como uma racionaliza\u00e7\u00e3o. O turbilh\u00e3o dos acontecimentos gera uma inseguran\u00e7a e uma solu\u00e7\u00e3o aparece como um bote em uma tempestade\u2026 o povo eleger\u00e1 o novo presidente. Uma suposta jornalista de uma r\u00e1dio \u201cque s\u00f3 toca not\u00edcia\u201d dizia que apesar da crise o lado bom \u00e9 que as institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o funcionando, a constitui\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo respeitada e a democracia n\u00e3o foi quebrada, diferente do que ocorreu em 1964. Em s\u00edntese, a tempestade nos acossa violentamente, mas estamos a salvo em um bote chamado democracia pilotado pelo pirata que afundou o navio no qual est\u00e1vamos e que chamava\u2026 democracia. Seria bom olhar o que est\u00e1 fora do foco que a ideologia escolhe como centro.<\/p>\n<p>A burguesia n\u00e3o acredita na elei\u00e7\u00e3o como \u201csoberania popular\u201d, tanto que se cerca de toda uma s\u00e9rie de condi\u00e7\u00f5es para que n\u00e3o se estabele\u00e7a uma verdadeira soberania popular. Desde o financiamento privado de campanha, a estrutura partid\u00e1ria, a legisla\u00e7\u00e3o eleitoral at\u00e9 os casu\u00edsmos como a reforma partid\u00e1ria e a farsa judici\u00e1ria que pode levar \u00e0 pris\u00e3o de Lula.<\/p>\n<p>No caso de Lula as coisas s\u00e3o um pouco mais complexas. Poder\u00edamos concordar que Lula re\u00fane as condi\u00e7\u00f5es de ganhar as elei\u00e7\u00f5es de 2018 e retomar a presid\u00eancia e isso seria uma derrota para os segmentos conservadores que hoje defendem o governo Temer. Essa possibilidade precisa passar por um dif\u00edcil teste, pois as elei\u00e7\u00f5es se dar\u00e3o em um cen\u00e1rio muito distinto caso comparemos com os \u00faltimos pleitos, tanto no que diz respeito ao fato do PT ter perdido a posi\u00e7\u00e3o de governo, da histeria antipetista forjada na sociedade, das dificuldades de financiamento e das alian\u00e7as necess\u00e1rias. No entanto, digamos apenas como hip\u00f3tese para continuar o racioc\u00ednio, que h\u00e1 uma densidade eleitoral que pode contrabalancear esses aspectos contr\u00e1rios. Derrotar as for\u00e7as golpistas \u00e9 o \u00fanico que importa neste momento?<\/p>\n<p>Ganhar para que e com que programa? Com base em que alian\u00e7as e com que compromissos? Estas quest\u00f5es ficam relativizadas e s\u00e3o tratadas como um desprop\u00f3sito diante de uma evid\u00eancia: Lula \u00e9 o \u00fanico que pode eleitoralmente fazer frente aos golpistas. Creio que o problema est\u00e1 exatamente nesta \u201cevid\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Estamos diante de um comportamento renitente. Recordemos. Lula e sua tend\u00eancia perderam a disputa no 8\u00ba Encontro Nacional do PT (1993) para a esquerda. Se dizia, \u00e0 \u00e9poca, que Lula era evidentemente o candidato \u00e0 presid\u00eancia, mas que a esquerda poderia influenciar seus rumos tendo a maioria no partido. N\u00e3o foi o que ocorreu. O grupo minorit\u00e1rio no Encontro criou inst\u00e2ncias fora do partido e dirigiu o sentido mais geral da campanha e do programa para depois retomar diretamente a dire\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria sem desmontar as inst\u00e2ncias paralelas constru\u00eddas entorno do ent\u00e3o chamado \u201cInstituto da Cidadania\u201d, hoje significativamente rebatizado de \u201cInstituto Lula\u201d.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos dar v\u00e1rios exemplos deste comportamento no qual a vontade coletiva do partido cedeu \u00e0 dire\u00e7\u00e3o carism\u00e1tica do seu l\u00edder. Preferimos, no entanto, recuar um pouco na hist\u00f3ria para a g\u00eanese desse processo.<\/p>\n<p><strong>As greves e a forma\u00e7\u00e3o de Lula e do PT<\/strong><\/p>\n<p>Nas greves metal\u00fargicas de 1978 e 1979 no ABC paulista, pendia sob os oper\u00e1rios a constante amea\u00e7a de interven\u00e7\u00e3o no sindicato \u2013 o que de fato ocorre na greve de 1979 e depois em 1980. Na prepara\u00e7\u00e3o da greve de 1978, teve papel decisivo a organiza\u00e7\u00e3o de base na Sc\u00e2nia e isso se generalizou na prepara\u00e7\u00e3o da greve de 1979 atrav\u00e9s de uma intensa agenda de reuni\u00f5es por f\u00e1brica (Rainho e Bargas.<em> Lutas Oper\u00e1rias e Sindicais dos metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo<\/em>. V. 1. FG, 1983, p. 117). O risco de interven\u00e7\u00e3o era considerado, assim como a experi\u00eancia da greve de 1978 e a dificuldade de seguir a paraliza\u00e7\u00e3o por mais tempo, levando a duas iniciativas fundamentais: a constitui\u00e7\u00e3o de uma \u201ccomiss\u00e3o de sal\u00e1rios\u201d e de um Fundo de Greve.<\/p>\n<p>O que importa aqui \u00e9 que tanto uma como outra iniciativa dava um car\u00e1ter coletivo e enraizava a a\u00e7\u00e3o sindical no conjunto da categoria, enfrentando uma excessiva centraliza\u00e7\u00e3o. No entanto, n\u00e3o havia perda de controle do sindicato, como mostra a reivindica\u00e7\u00e3o pelo \u201cdelegado sindical\u201d e n\u00e3o pela comiss\u00e3o de f\u00e1brica que se apresentava mais aut\u00f4noma. O verdadeiro controle da massa oper\u00e1ria que se levantava era, sem d\u00favida, a lideran\u00e7a de Lula como prova a interven\u00e7\u00e3o de 22 de mar\u00e7o de 1979 quando Lula \u00e9 afastado da dire\u00e7\u00e3o de direito, mas segue sendo a dire\u00e7\u00e3o de fato. O mesmo ocorreria na greve geral metal\u00fargica de 1980 que al\u00e9m da interven\u00e7\u00e3o levou a maioria da diretoria do sindicato e outras pessoas a serem presas pelo DOPS e enquadradas na Lei de Seguran\u00e7a Nacional, entre eles o Lula que ficou preso de 19 de abril \u00e0 20 de maio de 1980.<\/p>\n<p>Ocorre algo aqui muito interessante. O processo que se desenvolve desde 1978 coloca a classe em movimento atrav\u00e9s de uma inst\u00e2ncia de organiza\u00e7\u00e3o \u2013 o sindicato \u2013, que mede for\u00e7as contra a ditadura e a enfrenta atrav\u00e9s da greve. A ditadura ataca com a interven\u00e7\u00e3o naquilo que supunha ser o centro que a mantinha em postura desafiante \u2013 o sindicato \u2013, mas a luta segue. A classe tem uma for\u00e7a em si mesma e em seu processo de luta, inclusive criando formas novas que atuam al\u00e9m dos limites sindicais, como o Fundo de Greve, que n\u00e3o apenas recolhia os alimentos para ultrapassar a dif\u00edcil marca dos 30 dias com o corte dos sal\u00e1rios, mas ia at\u00e9 os bairros, os locais de moradia, amealhando solidariedade de amplos setores da cidade e da sociedade.<\/p>\n<p>Neste ponto, a consci\u00eancia encontra a ideologia. A consci\u00eancia de classe que ali germinava nos esbo\u00e7os de uma consci\u00eancia em si n\u00e3o podia ver a si mesma como fonte de sua for\u00e7a, ainda se projeta para algo fora dela, primeiro em uma institui\u00e7\u00e3o e depois em um l\u00edder. A resultante desta objetiva\u00e7\u00e3o externada da consci\u00eancia \u00e9 seu estranhamento, de maneira que a for\u00e7a da classe aparece como a for\u00e7a do l\u00edder. O que se pedia nas assembleias realizadas fora do sindicato, que chegavam a reunir de seis a oito mil oper\u00e1rios, tanto em 1979 como em 1980, era a volta de Lula.<\/p>\n<p>Em 1979, quando se estabeleceu a famosa tr\u00e9gua de 45 dias durante a qual se negociaria a pauta dos metal\u00fargicos acrescida da retomada do sindicato, varias empresas romperam o acordo demitindo trabalhadores (foram demitidos 350 oper\u00e1rios), descontando os dias parados ou empregando uma s\u00e9rie de outras medidas de press\u00e3o (como na Volks, onde se suspendeu os \u00f4nibus das 2:20 da madrugada para for\u00e7ar os trabalhadores a fazerem hora extra at\u00e9 as 5:30). Em v\u00e1rias f\u00e1bricas estas amea\u00e7as foram enfrentadas pelos oper\u00e1rios que cruzavam os bra\u00e7os e paravam a produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 reverter a chantagem patronal.<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos desconsiderar o impasse em uma greve, as dificuldades em continuar uma paralisa\u00e7\u00e3o e a necessidade pol\u00edtica de retomar o sindicato, mas prestemos aten\u00e7\u00e3o \u00e0 estrutura do racioc\u00ednio que justifica a vota\u00e7\u00e3o do fim da greve, nas palavras do Lula em 1979: \u201cGostaria de pedir ao trabalhador, se quiser me dar um voto de confian\u00e7a e \u00e0 diretoria do sindicato: \u00e9 que aprovassem esse acordo que \u00e9 p\u00e9ssimo. Mas, precisamos brigar pela volta da diretoria do sindicato\u201d (Rainho e Bargas, op. cit. p. 238).<\/p>\n<p>A for\u00e7a que segurou a luta e a retomou em 1980 para mudar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as do processo de abertura que se seguiria, foi a da classe trabalhadora. N\u00e3o se nega aqui o papel de suas lideran\u00e7as e das institui\u00e7\u00f5es em que se organizava a resist\u00eancia e a luta sindical, inclusive a lideran\u00e7a carism\u00e1tica de seu maior l\u00edder, que foi Lula. No entanto, as lideran\u00e7as expressam, em sua a\u00e7\u00e3o, a for\u00e7a de classe, e n\u00e3o a sua pr\u00f3pria. O que aconteceria se uma lideran\u00e7a passasse a acreditar que essa for\u00e7a \u00e9 dele e n\u00e3o da classe expressa nele? Bom, a primeira consequ\u00eancia \u00e9 que a classe se torna um meio para realizar o interesse do l\u00edder e n\u00e3o este um meio para realizar o interesse da classe.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria \u00e9 um arsenal de exemplos. St\u00e1lin derrotou os nazistas. N\u00e3o, quem derrotou os nazistas foi o povo russo, soldados destemidos, generais extremamente capazes e seu comando no Estado Sovi\u00e9tico. L\u00eanin n\u00e3o fez a Revolu\u00e7\u00e3o Russa, nem Tr\u00f3tski. Por mais que admiremos essas duas lideran\u00e7as e sua capacidade pol\u00edtica, a for\u00e7a capaz de destruir o tsarismo e dar os primeiros passos na dire\u00e7\u00e3o de uma transi\u00e7\u00e3o socialista foi a da classe oper\u00e1ria russa em alian\u00e7a com os camponeses. A vanguarda bolchevique, as inst\u00e2ncias sovi\u00e9ticas e depois o Estado Sovi\u00e9tico s\u00e3o express\u00f5es dessa for\u00e7a constituinte de toda mudan\u00e7a revolucion\u00e1ria. Quando uma classe, no processo de sua constitui\u00e7\u00e3o enquanto tal, se objetiva em institui\u00e7\u00f5es, se externa em organiza\u00e7\u00f5es e pessoas, ela corre sempre o risco de se alienar nessas objetiva\u00e7\u00f5es, que dela se distanciam e podem voltar-se contra ela, como uma for\u00e7a hostil que a controla.<\/p>\n<h3><strong>De volta \u00e0 conjuntura atual: como ficamos?<\/strong><\/h3>\n<p>Voltemos \u00e0 conjuntura. Temos tr\u00eas intencionalidades que disputam o sentido da \u201cmarcha dos acontecimentos\u201d. O bloco da burguesia e seus aliados; a pequena burguesia pol\u00edtica desalojada do governo; os trabalhadores.<\/p>\n<p>O bloco burgu\u00eas, como dissemos, se unifica na necessidade das reformas contra os trabalhadores, mas se divide sobre quem deve governar e sobre a dimens\u00e3o da reforma pol\u00edtica necess\u00e1ria. A linha da disc\u00f3rdia parece ser se a profundidade da reforma pol\u00edtica deve ou n\u00e3o eliminar as atuais media\u00e7\u00f5es, isto \u00e9, os grandes partidos da ordem burguesa (PMDB, PSDB, DEM, PT etc.) e buscar novas formas.<\/p>\n<p>A pequena burguesia quer voltar ao governo, e para isso opera essencialmente em duas frentes: reunificar sua base social, o que lhe permitiria manter a for\u00e7a eleitoral, e reconstruir sua base de alian\u00e7as, o que lhe garantiu no passado a governabilidade sob o reinado da democracia de coopta\u00e7\u00e3o. A\u00ed est\u00e1 sua contradi\u00e7\u00e3o, pois para garantir a primeira tarefa, precisa se apresentar contra as reformas, e para lograr a segunda, precisa apresentar o compromisso de mant\u00ea-las. O PT j\u00e1 fez isso antes, com Lula em 2002 e Dilma em 2014, mas ao que parece o espa\u00e7o para isso est\u00e1 diminuindo. A solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 na lideran\u00e7a carism\u00e1tica. As massas n\u00e3o precisam concordar com o que ele faz, mas acreditar nele e na premissa de que o que far\u00e1 ser\u00e1 \u201cem seu nome\u201d. \u00c9 um convite, vejam, para votar em um \u201cacordo p\u00e9ssimo\u201d, mas precisamos voltar ao governo. A for\u00e7a de toda armadilha ideol\u00f3gica \u00e9 fazer crer que um determinado interesse particular \u00e9 universal.<\/p>\n<p>O destino da classe trabalhadora derrotada e serializada \u00e9 se fazer representar por uma destas duas alternativas: ou respaldar a ordem burguesa, em parte pela manipula\u00e7\u00e3o do combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o ou ao \u201cperigo do petismo\u201d; ou manter sua representa\u00e7\u00e3o alienada na pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes da pequena burguesia. A \u00fanica forma dos trabalhadores superarem o est\u00e1gio que Marx apontava no seu <em><a href=\"http:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/v3\/titles\/view\/o-18-de-brumario-de-luis-bonaparte\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">18 de brum\u00e1rio<\/a> \u2013 <\/em>isto \u00e9, \u201c[e]les n\u00e3o s\u00e3o capazes de representar a si mesmos, necessitando, portanto, ser representados.\u201d (p. 143) \u2013 \u00e9 entrar em cena com for\u00e7a pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>\u00c9 precisamente nesse ponto que a quest\u00e3o do programa se mostra essencial, pois permite ir al\u00e9m das apar\u00eancias e trazer \u00e0 tona os interesses de classe: a burguesia quer e precisa das reformas, al\u00e9m disso, aponta para a necessidade de aprimorar o Estado Burgu\u00eas superando a atual forma \u201cdemocr\u00e1tica\u201d; a pequena burguesia quer voltar ao governo, as reformas s\u00e3o secund\u00e1rias e a forma pol\u00edtica do Estado Burgu\u00eas \u00e9 o limite de sua ousadia, quer recuperar sua forma democr\u00e1tica; os trabalhadores s\u00e3o contra as reformas e precisam combate-las, sua vontade pol\u00edtica n\u00e3o pode se expressar na atual forma do Estado Burgu\u00eas.<\/p>\n<p>O dilema da esquerda \u00e9 que ela expressa a serialidade da classe derrotada e n\u00e3o a possibilidade de sua nova fus\u00e3o. Ela tem a obriga\u00e7\u00e3o de apresentar programaticamente os interesses de classe dos trabalhadores, com independ\u00eancia e autonomia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 burguesia e \u00e0 pequena burguesia pol\u00edtica, mas sua efic\u00e1cia depende do movimento real da classe. Caso mantenha-se capturada pela hegemonia da concilia\u00e7\u00e3o de classes, a esquerda tende a se isolar. Alguns festejam isso de forma bizarra enquanto cavam um pouco mais fundo a cova em que se enterram.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o da pequena burguesia implica no sacrif\u00edcio dos interesses dos trabalhadores, mas pode ser o caminho para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas do bloco burgu\u00eas. Este s\u00f3 pode se impor, por si mesmo, pela derrota das pretens\u00f5es da pequena burguesia e dos trabalhadores, mas tem for\u00e7a para isso, pois tem o Estado Burgu\u00eas ao seu dispor. O bloco pequeno burgu\u00eas n\u00e3o pode se impor por si mesmo, sem a alian\u00e7a de classes com o bloco dominante e sem o apoio passivo do bloco popular. Afinal, n\u00e3o tem for\u00e7a pr\u00f3pria e aut\u00f4noma, pois abdicou de uma governabilidade popular. Os trabalhadores, enquanto sequestrados pela hegemonia da pequena burguesia pol\u00edtica, tampouco expressam for\u00e7a pr\u00f3pria. Dependem apenas de suas pr\u00f3prias for\u00e7as, \u00e9 verdade, mas acreditam ainda que dependem de tudo, menos de si mesmos. S\u00f3 poderiam se apresentar como for\u00e7a pr\u00f3pria em um terreno de luta diverso do cen\u00e1rio eleitoral, pois exige uma fus\u00e3o de classe que superasse sua serialidade atual, indo al\u00e9m das antigas formas e gestando outras abertas ao futuro e n\u00e3o como ecos p\u00e1lidos do passado. Isso s\u00f3 se gesta na luta, inevitavelmente no interior de ordem institu\u00edda, mas al\u00e9m dos limites institu\u00eddos como vimos em 1979 e 1980.<\/p>\n<p>Para os primeiros tratava-se de primeiro derrotar a Dilma, e depois\u2026 J\u00e1 para os segundos, trata-se de primeiro derrotar o Temer, depois\u2026 Para os trabalhadores o depois \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o dos limitados direitos trabalhistas, a reforma da previd\u00eancia e o saque do fundo p\u00fablico. O depois \u00e9 Rafael Braga e todos nossos irm\u00e3os apodrecendo na pris\u00e3o enquanto advogados e ju\u00edzes competentes libertam um por um a canalha governante.<\/p>\n<p>Por isso a burguesia e a pequena burguesia pol\u00edtica esperam a salva\u00e7\u00e3o orando ao calend\u00e1rio e a marcha dos acontecimentos, enquanto os trabalhadores querem rasg\u00e1-lo criando novos fatos que sejam capazes de libertar o tempo.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><strong>Mauro Iasi <\/strong>\u00e9 professor adjunto da Escola de Servi\u00e7o Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (N\u00facleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comit\u00ea Central do PCB. \u00c9 autor do livro <a href=\"http:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/v3\/titles\/view\/48#.Ul8Kh1Csh8E\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"&quot;https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/v3\/titles\/v\"><em>O dilema de Hamlet: o ser e o n\u00e3o ser da consci\u00eancia<\/em><\/a> (Boitempo, 2002) e colabora com os livros <a href=\"http:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/v3\/titles\/view\/cidades-rebeldes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifesta\u00e7\u00f5es que tomaram as ruas do Brasil<\/em><\/a> e <a href=\"http:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/v3\/titles\/view\/gy%C3%B6rgy-lukacs-e-a-emancipacao-humana\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Gy\u00f6rgy Luk\u00e1cs e a emancipa\u00e7\u00e3o humana<\/em><\/a> (Boitempo, 2013), organizado por Marcos Del Roio. Colabora para o <strong>Blog da Boitempo <\/strong>mensalmente, \u00e0s quartas.<\/p>\n<p>https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/category\/colunas\/mauro-iasi\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A burguesia e a pequena burguesia pol\u00edtica esperam a salva\u00e7\u00e3o orando ao calend\u00e1rio e \u00e0 marcha dos acontecimentos, enquanto os trabalhadores querem rasg\u00e1-lo \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15224\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-15224","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-fora-temer"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3Xy","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15224","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15224"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15224\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15224"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15224"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15224"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}