{"id":15239,"date":"2017-08-07T14:16:29","date_gmt":"2017-08-07T17:16:29","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=15239"},"modified":"2017-08-16T14:12:47","modified_gmt":"2017-08-16T17:12:47","slug":"a-saude-no-rio-de-janeiro-um-caso-exemplar-de-desmonte-e-potencial-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15239","title":{"rendered":"A sa\u00fade no Rio de Janeiro: um caso exemplar de desmonte (e potencial resist\u00eancia)"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/pedlowski.files.wordpress.com\/2017\/05\/fes.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Foi o ministro Henrique Meirelles quem afirmou, h\u00e1 meses, que o caso do Rio de Janeiro deveria ser exemplar (referia-se ao plano de \u201crecupera\u00e7\u00e3o\u201d das finan\u00e7as do Estado). Calote nos servidores, precariza\u00e7\u00e3o e fechamento de servi\u00e7os, entrega do patrim\u00f4nio p\u00fablico e repress\u00e3o aos trabalhadores em protesto contra o arrocho. Eis a receita do ministro.<!--more--><\/p>\n<p>O ataque ao SUS n\u00e3o vem de hoje, sabemos, mas \u00e9 ineg\u00e1vel a sua intensifica\u00e7\u00e3o desde o ano passado, quando os donos do capital decidiram dispensar intermedi\u00e1rios e gerir diretamente o seu neg\u00f3cio. De l\u00e1 pra c\u00e1, no Rio, a agenda exemplar vem sendo implementada com harmonia invej\u00e1vel entre os governos federal, estadual e municipal. Ao congelamento dos gastos p\u00fablicos por 20 anos, \u00e0 lei da terceiriza\u00e7\u00e3o, \u00e0s reformas trabalhista e da Previd\u00eancia, ao beneficiamento escancarado do mercado privado de sa\u00fade, ao desmonte da Pol\u00edtica Nacional de Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (PNAB), somam-se o desmantelamento da UERJ, o sucateamento dos hospitais federais e universit\u00e1rios, os atrasos recorrentes de pagamento dos sal\u00e1rios, demiss\u00f5es e amea\u00e7a de fechamento de cl\u00ednicas da fam\u00edlia por falta de pessoal e insumos b\u00e1sicos: como se v\u00ea, se s\u00e3o distintas as compet\u00eancias e a abrang\u00eancia das medidas j\u00e1 efetivadas ou em curso, o sentido da pol\u00edtica \u00e9 o rigorosamente o mesmo. Trata-se de ataque sist\u00eamico, que combina dramaticamente a retirada de recursos com o aumento, em tempos de crise, da demanda por atendimentos de sa\u00fade nas redes municipal, estadual e federal.<\/p>\n<p>Com base numa consultoria contratada junto a uma institui\u00e7\u00e3o privada, o Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas, e sob a justificativa de melhoria da gest\u00e3o da rede federal de sa\u00fade no Rio (composta por seis hospitais e tr\u00eas institutos), no final de junho o ministro Ricardo Barros anunciou um plano de reestrutura\u00e7\u00e3o da rede e, ato cont\u00ednuo, iniciou processo de demiss\u00e3o de funcion\u00e1rios (que at\u00e9 o fim do ano deve atingir a marca de 40% de redu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho), encerrou a oferta de servi\u00e7os especializados de alta complexidade, fechou cl\u00ednicas e emerg\u00eancias de refer\u00eancia para a popula\u00e7\u00e3o da cidade e do estado. Em paralelo, Barros continua empenhado em apadrinhar \u201cplanos populares de sa\u00fade\u201d, privados, destinados a ocuparem o v\u00e1cuo deixado pelos servi\u00e7os p\u00fablicos que, tamb\u00e9m com empenho, o ministro vem patrocinando a destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Alinhado a Barros, Temer e servindo aos mesmos senhores, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, na mesma semana, ampliou ainda mais o clima de incerteza que os trabalhadores em sa\u00fade da rede municipal experimentam diariamente \u2013 sobretudo os contratados por OSs \u2013 e decidiu n\u00e3o renovar os contratos de 11 cl\u00ednicas da fam\u00edlia das 13 existentes na Zona Oeste da cidade, o que praticamente significaria o fim da oferta de Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica naquela regi\u00e3o. Ter\u00e1 sido a gota que faltava?<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe. Mas o fato \u00e9 que, face aos repetidos ataques, parece estar ganhando novo impulso a articula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em defesa do SUS na cidade do Rio. Partidos, sindicatos, movimentos, frentes j\u00e1 existentes (como o F\u00f3rum de Sa\u00fade do Rio de Janeiro) e rec\u00e9m-criadas (como a Frente em Defesa dos Institutos e Hospitais Federais do Rio de Janeiro \u2013 lan\u00e7ada no \u00faltimo dia 10 de julho), t\u00eam conseguido catalisar a energia de revolta e indigna\u00e7\u00e3o que tomou conta dos trabalhadores do setor.<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 1\/8, uma assembleia rel\u00e2mpago, convocada no mesmo dia, reuniu cerca de 300 profissionais e militantes da Sa\u00fade no audit\u00f3rio do Instituto Philippe Pinel (que havia acabado de fechar a sua emerg\u00eancia, por falta de profissionais e condi\u00e7\u00f5es de trabalho), em face do vazamento da not\u00edcia do fechamento das 11 cl\u00ednicas da fam\u00edlia, para debater e organizar a resist\u00eancia aos ataques. O recuo da prefeitura, no mesmo dia, e a manuten\u00e7\u00e3o dos contratos que n\u00e3o seriam renovados, certamente n\u00e3o foi por acaso. No dia 3\/8, um ato de protesto, \u00e0s 10h da manh\u00e3, em pra\u00e7a p\u00fablica, levou cerca de mil profissionais de Sa\u00fade para a Cinel\u00e2ndia. E no dia 4\/8, a cidade viu o que certamente foi o maior ato da sa\u00fade nos \u00faltimos anos: 5.000 pessoas foram pra frente da sede da Prefeitura gritar em alto e bom som: \u201cA nossa luta \u00e9 todo dia. Nossa sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 mercadoria\u201d. N\u00e3o haver\u00e1 outro modo de resistir. O SUS foi resultado de luta. S\u00f3 com luta conseguiremos fazer a sua defesa. Meirelles avisou: o Rio pode ser um caso exemplar! Cabe a n\u00f3s dar ao ministro e a seus patr\u00f5es a raz\u00e3o que eles merecem.<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Foi o ministro Henrique Meirelles quem afirmou, h\u00e1 meses, que o caso do Rio de Janeiro deveria ser exemplar (referia-se ao plano de \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15239\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[197],"tags":[],"class_list":["post-15239","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-saude"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3XN","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15239","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15239"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15239\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15239"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15239"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15239"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}