{"id":15269,"date":"2017-08-12T15:03:52","date_gmt":"2017-08-12T18:03:52","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=15269"},"modified":"2017-08-20T13:54:48","modified_gmt":"2017-08-20T16:54:48","slug":"por-detras-da-subita-morte-da-guerra-secreta-de-1-bilhao-na-siria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15269","title":{"rendered":"Por detr\u00e1s da s\u00fabita morte da guerra secreta de $ 1 bilh\u00e3o na S\u00edria"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/CIA_ISIS.jpeg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Mark Mazzetti, Adam Goldman, Michael S. Schmidtaug<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o deste artigo do New York Times justifica-se a v\u00e1rios t\u00edtulos. O mais importante \u00e9 constatar a<!--more--> franqueza e a naturalidade com que se relata o planejamento e o enorme financiamento das criminosas a\u00e7\u00f5es encobertas da CIA e do Pent\u00e1gono contra pa\u00edses soberanos. A irresponsabilidade com que s\u00e3o alimentados e desencadeados conflitos cuja evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 imprevis\u00edvel e incontrol\u00e1vel. A completa omiss\u00e3o de refer\u00eancia \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o resultante e ao n\u00famero de v\u00edtimas civis. E n\u00e3o deixa de ser tamb\u00e9m de registar o esfor\u00e7o do NYT para desvincular a administra\u00e7\u00e3o Obama e a pr\u00f3pria CIA dos monstruosos crimes cometidos no terreno.<\/p>\n<p>WASHINGTON \u2014 O final chegou com celeridade para um dos mais dispendiosos programas de a\u00e7\u00e3o encoberta na hist\u00f3ria da CIA. No decurso de uma reuni\u00e3o de trabalho na Casa Branca no in\u00edcio do m\u00eas passado, o diretor da CIA, Mike Pompeo, recomendou ao Presidente Trump o encerramento da iniciativa, j\u00e1 com quatro anos, para armar e treinar rebeldes s\u00edrios. O presidente encerrou o programa de imediato.<\/p>\n<p>Nessa altura o ex\u00e9rcito rebelde n\u00e3o passava de uma concha, esvaziada por mais de um ano de bombardeamentos por parte de avi\u00f5es russos, e confinada a cada vez mais reduzidas zonas da S\u00edria ainda n\u00e3o reconquistadas pelas tropas governamentais. No Congresso, vozes cr\u00edticas vinham h\u00e1 anos reclamando acerca dos custos \u2013 mais de $1milh\u00e3o de milh\u00f5es no tempo de vida do programa \u2013 e a informa\u00e7\u00e3o de que armamento fornecido pela CIA tinha acabado nas m\u00e3os de um grupo rebelde ligado \u00e0 Al-Quaeda reduziu ainda mais o apoio pol\u00edtico ao programa.<\/p>\n<p>Embora cr\u00edticos de Trump tenham argumentado que este encerrou o programa para agradar ao Presidente da R\u00fassia, Vladimir F. Putin, existiam de fato opini\u00f5es desfavor\u00e1veis acerca dele tanto na Casa Branca de Trump como na de Obama \u2013 uma converg\u00eancia de opini\u00e3o rara em pol\u00edticas de seguran\u00e7a nacional.<\/p>\n<p>O encerramento do programa da CIA, uma das mais dispendiosas iniciativas de armamento e treino de rebeldes desde o programa visando os mujahidin no Afeganist\u00e3o no decurso dos anos 80, for\u00e7ou a um balan\u00e7o acerca dos seus \u00eaxitos e insucessos. Opositores dizem que foi disparatado, caro e ineficaz. Apoiantes dizem que foi desnecessariamente cauteloso, e que os seus sucessos s\u00e3o not\u00e1veis tendo em conta que a administra\u00e7\u00e3o Obama lhe colocou desde o in\u00edcio numerosas limita\u00e7\u00f5es, que dizem terem, em \u00faltima an\u00e1lise, conduzido ao seu fracasso.<\/p>\n<p>O programa teve efetivamente per\u00edodos de sucesso, incluindo em 2015, quando rebeldes utilizando m\u00edsseis antitanque fornecidos pela CIA e tamb\u00e9m pela Ar\u00e1bia Saudita derrotaram for\u00e7as governamentais no norte da S\u00edria. Mas no final de 2015 a ofensiva militar russa na S\u00edria estava claramente concentrada nos combatentes apoiados pela CIA que enfrentavam as tropas governamentais. Muitos combatentes foram mortos e os sucessos do ex\u00e9rcito rebelde sofreram uma revers\u00e3o.<\/p>\n<p>Charles Lister, um perito em assunto s\u00edrios no Middle East Institute, disse n\u00e3o ficar surpreendido por a administra\u00e7\u00e3o Trump encerrar o programa, que armou e treinou milhares de rebeldes s\u00edrios. (Por compara\u00e7\u00e3o, um programa de $500 milh\u00f5es do Pent\u00e1gono que visava treinar e equipar 15.000 rebeldes s\u00edrios foi cancelado em 2015 tendo produzido apenas algumas d\u00fazias de combatentes.)<\/p>\n<p>\u201cEm muitos aspectos, atribuiria a culpa \u00e0 administra\u00e7\u00e3o Obama,\u201c disse Lister acerca do programa da CIA. \u201cNunca lhe atribu\u00edram os recursos ou o espa\u00e7o necess\u00e1rio para determinar as din\u00e2micas no campo de batalha. Alimentaram a conta-gotas grupos de oposi\u00e7\u00e3o, o suficiente para sobreviverem mas nunca o suficiente para se tornaram atores dominantes.\u201d<\/p>\n<p>Desde que encerrou o programa, Trump j\u00e1 por duas vezes o criticou publicamente. Depois de o The Washington Post ter pela primeira vez informado acerca da sua decis\u00e3o, Trump escreveu no twitter que estava pondo fim a \u201cpagamentos massivos, perigosos e destruidores a rebeldes s\u00edrios lutando contra Assad.\u201d Durante uma entrevista no m\u00eas passado com o The Wall Street Journal, o presidente disse que muito do armamento fornecido pela CIA tinha acabado nas m\u00e3os da \u201cAl-Quaeda\u201d \u2013 presumivelmente referindo-se \u00e0 Frente Nusra, filiada \u00e0 Quaeda, que frequentemente combateu lado a lado com os rebeldes apoiados pela CIA.<\/p>\n<p>Michael V. Hayden, um diretor anterior da CIA, disse que os coment\u00e1rios do presidente \u201cpoderiam dar \u00e0 ag\u00eancia um tempo de pausa para refletir acerca de quanto poder\u00e1 assumir em futuras a\u00e7\u00f5es encobertas.\u201d<\/p>\n<p>O General Raymond A. Thomas III, chefe do Comando de Opera\u00e7\u00f5es Especiais dos EUA, disse no decurso de uma confer\u00eancia no m\u00eas passado que p\u00f4r fim ao programa da CIA constitu\u00edra uma \u201cdura, dura decis\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>\u201cTanto quanto sei do programa e da decis\u00e3o de lhe p\u00f4r fim, n\u00e3o se tratou em absoluto de agradar aos russos\u201d, disse. \u201cPenso que foi baseada numa avalia\u00e7\u00e3o da natureza do programa, do que procur\u00e1vamos conseguir, da viabilidade de prosseguir.\u201d<br \/>\nUm porta-voz da CIA recusou-se a comentar.<\/p>\n<p>O presidente Barack Obama tinha em 2013 dado com relut\u00e2ncia o seu acordo ao programa, numa altura em que a administra\u00e7\u00e3o se esfor\u00e7ava para deter o \u00edmpeto das for\u00e7as governamentais s\u00edrias leais ao presidente Bashar al-Assad. Em breve foi v\u00edtima das constantes varia\u00e7\u00f5es no sistema de alian\u00e7as na guerra civil s\u00edria, j\u00e1 com seis anos, e da limitada vis\u00e3o que os militares e os servi\u00e7os de informa\u00e7\u00f5es dos EUA tinham acerca do que estava ocorrendo no terreno.<\/p>\n<p>Os oficiais dos EUA tinham dificuldade em controlar os combatentes treinados pela sua uma vez passada a fronteira. O fato de algum do armamento fornecido pela CIA ter acabado nas m\u00e3os de combatentes da Frente Nusra \u2013 e de alguns dos rebeldes se terem juntado a esse grupo \u2013 confirmou os receios de muitos na administra\u00e7\u00e3o Obama manifestados no in\u00edcio do programa. Embora a Frente Nusra fosse amplamente considerada como uma for\u00e7a combatente efetiva contra as tropas de Assad, a sua filia\u00e7\u00e3o na Al-Quaeda tornava imposs\u00edvel que a administra\u00e7\u00e3o Obama lhe desse apoio direto.<\/p>\n<p>Agentes dos servi\u00e7os de informa\u00e7\u00f5es norte-americanos estimam que a Frente Nusra tem agora \u00e0 volta de 20.000 combatentes na S\u00edria, tornando-se assim a maior filiada na Al-Quaeda. Ao contr\u00e1rio de outras filiadas na Al-Quaeda, como as que se encontram na pen\u00ednsula ar\u00e1bica, a Frente Nusra tem-se concentrado no combate contra o governo s\u00edrio, em vez de planejar ataques terroristas contra os EUA e a Europa.<br \/>\nEstes agentes norte-americanos falaram anonimamente, por n\u00e3o quererem ser identificados a discutir um programa que n\u00e3o \u00e9 de acesso p\u00fablico.<\/p>\n<p>No ver\u00e3o de 2012 David H. Petraeus, ent\u00e3o diretor da CIA, prop\u00f4s pela primeira vez um programa encoberto visando armar e treinar rebeldes, alvo de press\u00e3o por parte das for\u00e7as governamentais s\u00edrias.<\/p>\n<p>A proposta for\u00e7ou um debate no interior da administra\u00e7\u00e3o Obama, com alguns dos principais conselheiros de Obama argumentando que o ca\u00f3tico campo de batalha s\u00edrio tornaria praticamente imposs\u00edvel garantir que o armamento fornecido pela CIA seria mantido longe das m\u00e3os de grupos militantes como a Frente Nusra. Obama rejeitou o plano.<\/p>\n<p>Mas mudou de opini\u00e3o no ano seguinte, assinando uma resolu\u00e7\u00e3o presidencial autorizando a CIA a armar e treinar de forma encoberta pequenos grupos de rebeldes em bases na Jord\u00e2nia. A mudan\u00e7a de opini\u00e3o por parte do presidente resultou em parte da intensa press\u00e3o por parte de dirigentes estrangeiros, incluindo o rei Abdullah II da Jord\u00e2nia e o primeiro-ministro Benjamim Netanyahu de Israel, que defendiam que os EUA deveriam assumir um papel mais ativo na tentativa de p\u00f4r fim ao conflito.<br \/>\nO programa, ao qual foi atribu\u00eddo o nome de c\u00f3digo Timber Sycamore (madeira de sic\u00f3moro), come\u00e7ou lentamente, mas em 2015 os grupos rebeldes apoiados pela CIA tinham j\u00e1 feito significativos progressos contra as for\u00e7as s\u00edrias, penetrando em zonas do pa\u00eds h\u00e1 muito consideradas como pra\u00e7as-fortes governamentais. A ofensiva ganhou \u00edmpeto depois de a CIA e a Ar\u00e1bia Saudita terem come\u00e7ado a fornecer aos grupos rebeldes poderosas armas de destrui\u00e7\u00e3o de tanques.<\/p>\n<p>Mas a ofensiva rebelde nas prov\u00edncias de Idlib, Hama e Latakia no norte da s\u00edria criou tamb\u00e9m problemas a Washington. A Frente Nusra, frequentemente combatendo ao lado dos grupos rebeldes apoiados pela CIA, foi fazendo os seus pr\u00f3prios ganhos territoriais. Os sucessos da Nusra no campo de batalha foram uma das justifica\u00e7\u00f5es de Putin para a ofensiva militar russa na S\u00edria, que teve in\u00edcio em 2015. A campanha russa, bombardeando sem cessar os combatentes apoiados pela CIA e os militantes Nusra, devastou os rebeldes e obrigou-os \u00e0 retirada.<\/p>\n<p>O programa sofreu outros contratempos. O armamento e o treino dos rebeldes ocorreu na Jord\u00e2nia e Turquia, e em certa ocasi\u00e3o agentes dos servi\u00e7os de informa\u00e7\u00f5es jordanos surrupiaram grandes quantidades de armamento que a CIA enviara para o pa\u00eds destinados aos rebeldes s\u00edrios, e venderam-nos no mercado negro. Em novembro, um membro da tropa jordana atingiu a tiro tr\u00eas soldados norte-americanos que tinham estado treinando rebeldes s\u00edrios integrados no programa da CIA.<\/p>\n<p>Funcion\u00e1rio da Casa Branca recebiam tamb\u00e9m informa\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas de que os rebeldes treinados pela CIA tinham executado sumariamente prisioneiros e cometido outras viola\u00e7\u00f5es das regras de conflito armado. Por vezes, essas informa\u00e7\u00f5es levavam a que a CIA suspendesse a coopera\u00e7\u00e3o com grupos acusados de tais pr\u00e1ticas.<br \/>\nJohn O. Brennan, o \u00faltimo director da CIA de Obama, permaneceu um vigoroso defensor do programa apesar das diverg\u00eancias internas na ag\u00eancia de espionagem acerca da sua efic\u00e1cia. Mas por altura do \u00faltimo ano da administra\u00e7\u00e3o Obama, o programa tinha perdido muitos apoiante na Casa Branca \u2013 em particular depois da prioridade principal da administra\u00e7\u00e3o ter passado a ser o combate ao Estado Isl\u00e2mico, tamb\u00e9m conhecido como ISIS ou ISIL, mais do que o esfor\u00e7o para acabar como o governo Assad.<br \/>\nNo decurso de uma reuni\u00e3o no Situation Room da Casa Branca, no final da administra\u00e7\u00e3o Obama, com os rebeldes apoiados pela CIA perdendo terreno face ao persistente bombardeamento a\u00e9reo russo Brennan insistiu, segundo uma pessoa presente, em que os EUA continuassem a apoiar os esfor\u00e7os para derrubar Assad.<br \/>\nMas Susan E. Rice, conselheira de seguran\u00e7a nacional, disparou de volta. \u201cN\u00e3o se equivoque\u201d disse, segundo o mesmo testemunho. A prioridade do presidente na S\u00edria \u00e9 combater o ISIS.\u201d<\/p>\n<p>Apoiadas pela For\u00e7a A\u00e9rea russa, as for\u00e7as governamentais s\u00edrias come\u00e7aram gradualmente a recuperar \u00e1reas pr\u00f3ximas da fronteira turca que h\u00e1 muito constitu\u00edam pra\u00e7as-fortes rebeldes, e eventualmente fizeram retroceder muitos dos rebeldes para a cidade sitiada de Alepo.<\/p>\n<p>Aleppo tombou nas m\u00e3os das tropas governamentais s\u00edrias em dezembro.<br \/>\n<em>Eric Schmitt, Matthew Rosenberg e Matt Apuzzo contribu\u00edram com reportagem.<\/em><\/p>\n<p>Original: https:\/\/www.nytimes.com\/2017\/08\/02\/world\/middleeast\/cia-syria-rebel-arm-train-trump.html<em><\/em><\/p>\n<p>http:\/\/www.odiario.info\/por-detras-da-subita-morte-da\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mark Mazzetti, Adam Goldman, Michael S. Schmidtaug A publica\u00e7\u00e3o deste artigo do New York Times justifica-se a v\u00e1rios t\u00edtulos. 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