{"id":1528,"date":"2011-06-04T15:03:57","date_gmt":"2011-06-04T15:03:57","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1528"},"modified":"2011-06-04T15:03:57","modified_gmt":"2011-06-04T15:03:57","slug":"grecia-promacos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1528","title":{"rendered":"Gr\u00e9cia Promacos"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"JUSTIFY\">Por tr\u00e1s do colapso do sistema financeiro dos grandes pa\u00edses capitalistas e a salva\u00e7\u00e3o dos bancos com grandes quantidades de dinheiro p\u00fablico, os que ficaram arrasados foram os pr\u00f3prios estados que, asfixiados por esse saque de recursos, se viram obrigados a pedir dinheiro emprestado aos pr\u00f3prios bancos! E isso porque as leis europeias, feitas sob medida para a oligarquia financeira, pro\u00edbem que o Banco Central Europeu (BCE) empreste dinheiro diretamente aos estados. Desta forma, os bancos pedem dinheiro ao BCE a 1% de juros e o emprestam aos estados com 3%, 7% e at\u00e9 12%. Tudo isso s\u00e3o benef\u00edcios para corpora\u00e7\u00f5es que, por outro lado, seguem recebendo ajudas p\u00fablicas.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ao igual que a <em>Atenea Promacos,<\/em> de Fidias (\u201ca que combate na primeira linha da batalha\u201d), a Gr\u00e9cia foi o primeiro pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia a quebrar. Isso significava que credores, principalmente os bancos alem\u00e3es, brit\u00e2nicos e franceses, iriam quebrar, sem poder cobrar. \u00c9 ent\u00e3o quando se monta a primeira opera\u00e7\u00e3o de \u201cresgate\u201d. H\u00e1 um ano, 110.000 milh\u00f5es de euros foram emprestados com toda pressa ao Estado grego para que os bancos pudessem cobrar. Isso sim: a opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o se apresenta como o resgate dos bancos, mas sim da pr\u00f3pria Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Mas o empr\u00e9stimo, al\u00e9m de obrigar a pagar os juros e devolver o principal, obriga a condi\u00e7\u00f5es draconianas, que incluem um duro ajuste fiscal (menos impostos para os ricos e recarga de impostos sobre os pobres), a diminui\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios e pens\u00f5es (al\u00e9m do alargamento da idade para aposentadoria), diminui\u00e7\u00e3o de investimentos sociais (incluindo sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o) e o dr\u00e1stico corte nos investimentos p\u00fablicos. Por exemplo, a redu\u00e7\u00e3o em 14% dos sal\u00e1rios dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos e em 11% das pens\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u00c9 evidente que todas estas medidas s\u00f3 servem para diminuir o consumo, depreciar a demanda e aprofundar a crise econ\u00f4mica do pa\u00eds. O rem\u00e9dio vem sendo pior que a enfermidade. O \u201cresgate\u201d salva os bancos credores, permitindo-os seguir dividindo fabulosos benef\u00edcios, afundando a Gr\u00e9cia, situando sua d\u00edvida em 150% do PIB, enquanto h\u00e1 um ano estava em 115%. Para quitar essa d\u00edvida, o plano de \u201cresgate\u201d estipulava que, em 2012, a Gr\u00e9cia deveria captar no mercado a metade dos recursos de que necessita e 100% para 2013, por\u00e9m j\u00e1 a pr\u00f3pria UE reconhece que isso \u00e9 imposs\u00edvel.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Quando os bancos gregos come\u00e7aram a ter problemas, em vez de deix\u00e1-los quebrar, o que se fez foi proteger as corpora\u00e7\u00f5es financeiras credoras estrangeiras. O resultado foi que se passou de uma crise de liquidez a uma d\u00edvida de 130.000 milh\u00f5es de euros, porque o pa\u00eds heleno foi obrigado a obter 60.000 milh\u00f5es para resgatar t\u00edtulos. Como resultado, voltamos a estar como no princ\u00edpio, por\u00e9m em situa\u00e7\u00e3o pior. O dilema agora \u00e9: procede-se uma reestrutura\u00e7\u00e3o ou <em>default<\/em> (suspens\u00e3o dos pagamentos) por parte do Estado grego (com as perdas pelo \u201cpagamento\u201d recairiam nos grandes bancos privados europeus) ou a um novo \u201cresgate\u201d de outros 60.000 milh\u00f5es de euros, sacados dos cofres p\u00fablicos dos pa\u00edses da UE.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">No entanto, a pr\u00e1tica demonstra que suspens\u00e3o dos pagamentos \u00e9 a melhor op\u00e7\u00e3o, contr\u00e1ria aos interesses da oligarquia financeira. Isso pode ser observado na suspens\u00e3o declarada pela Argentina, 2001, ou pela Isl\u00e2ndia, em 2008. Neste \u00faltimo, por exemplo, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito melhor que na Irlanda (outro dos \u201cresgatados\u201d), em Portugal (a ponto de ser \u201cresgatado\u201d, ainda que n\u00e3o lhe tenha chegado nenhum euro) e na Espanha. Ainda que o desemprego na Isl\u00e2ndia tenha aumentado, \u00e0 raiz da crise de 2008, vem descendo a 7% em compara\u00e7\u00e3o com os 21% da Espanha e continua sua tend\u00eancia a baixa.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ent\u00e3o, por que a plutocracia europeia insiste que uma reestrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida grega n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o? Porque sua \u201csa\u00edda\u201d para a crise n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o espremer cada vez mais a renda dos trabalhadores para garantir seu n\u00edvel de benef\u00edcios. O que n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o para eles \u00e9 assumir perdas. Por\u00e9m, ao aumentar a explora\u00e7\u00e3o aos trabalhadores e demitir milh\u00f5es, diminui o consumo, aprofunda a crise e, finalmente, caem seus pr\u00f3prios benef\u00edcios, numa contradi\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel de resolver no capitalismo.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Por isso, o objetivo dos \u201cresgates\u201d n\u00e3o \u00e9 outro que ganhar tempo, prolongando a agonia e o sofrimento da classe trabalhadora. O novo \u201cresgate\u201d da Gr\u00e9cia j\u00e1 se anuncia acompanhado de mais medidas de ajuste e agravamento das condi\u00e7\u00f5es de vida das trabalhadoras e trabalhadores gregos, que lutam uma dura batalha, greve geral ap\u00f3s greve geral, por\u00e9m tamb\u00e9m afetar\u00e1 a todos os assalariados da zona europeia.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Os companheiros gregos s\u00e3o hoje \u201cos que combatem na primeira linha da batalha\u201d. Por\u00e9m, far\u00edamos bem se lutarmos, porque essa \u00e9 tamb\u00e9m nossa batalha.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><em>*Teodoro Santana \u00e9 membro do Comit\u00ea Central do <\/em><a href=\"http:\/\/independenciaysocialismo.wordpress.com\/\" target=\"_blank\"><em>Partido Revolucion\u00e1rio dos Comunistas de Can\u00e1rias (PRCC)<\/em><\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Fernanda M. Scelza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PRCC\n\n\n\n\n\n\n\n\nTeodoro Santana*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1528\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[71],"tags":[],"class_list":["post-1528","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c84-solidariedade"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-oE","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1528","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1528"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1528\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1528"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1528"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1528"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}