{"id":15299,"date":"2017-08-14T18:28:11","date_gmt":"2017-08-14T21:28:11","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=15299"},"modified":"2017-08-20T13:59:07","modified_gmt":"2017-08-20T16:59:07","slug":"dia-internacional-dos-povos-indigenas-passa-o-tempo-persiste-o-genocidio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15299","title":{"rendered":"Dia Internacional dos Povos Ind\u00edgenas: passa o tempo, persiste o genoc\u00eddio"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cimi.org.br\/pub\/DF\/2017_Ato_MarcoTemporal\/Foto_GuilhermeCavalliCimi%20%281%29.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Por Hegon Heck*<\/p>\n<p>A impress\u00e3o que temos \u00e9 que a hist\u00f3ria se repete. Para os povos ind\u00edgenas, o que os fatos narram \u00e9 um constante genoc\u00eddio. Desde a usurpa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica, o que contam as ocorr\u00eancias \u00e9 uma realidade de persegui\u00e7\u00e3o e mortandade. Ano ap\u00f3s ano. <!--more-->S\u00e9culo ap\u00f3s s\u00e9culo. Hoje deveria ser diferente, mas infelizmente n\u00e3o \u00e9. Depois das persegui\u00e7\u00f5es e escravismo, do aldeamento, da tutela, trazem para debate marcos teporais para os direitos que s\u00e3o origin\u00e1rios, que precedem inclusive o Estado. Novamente, s\u00e3o teses analisadas e aplicadas em nome dos dominantes.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s estamos voltando na Ditadura Militar, meus av\u00f3s contam como \u00e9 que os ind\u00edgenas eram tratados na hist\u00f3ria. Hoje \u00e9 a hist\u00f3ria que se repete. Volta o genoc\u00eddio dos povos ind\u00edgenas\u201d, professa Eliseu Kaiowa Guarani.<\/p>\n<p>Num contexto de retirada de direitos, como sinal de resist\u00eancia, germinam feitos de esperan\u00e7a. Dia internacional dos povos ind\u00edgenas: a presente semana \u00e9 tempo de intensificar as lutas. Ind\u00edgenas em todo o Brasil mobilizam-se contra o Marco Temporal. Junto a eles, entidades e parceiros escancaram as viola\u00e7\u00f5es dos direitos ind\u00edgenas em debates e conversas. Na segunda-feira (07), a Comiss\u00e3o de Justi\u00e7a e Paz de Bras\u00edlia (DF) reuniu aos fundos da Catedral Metropolitana de Bras\u00edlia (DF) mulheres e homens para uma \u201cConversa Justa\u201d. Cleber Buzatto, secret\u00e1rio executivo do Cimi, e Elizeu Kaiow\u00e1 Guarani, secret\u00e1rio da Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (APIB), conduziram o momento.<\/p>\n<p>Cleber Buzatto trouxe a an\u00e1lise sobre a conjuntura. Apresentou as realidades de forma crua e violenta, realismo do que \u00e9 vida dos povos ind\u00edgenas na \u201cp\u00e1tria amada, Brasil\u201d. Casas de lonas em retomadas de territ\u00f3rios sagrados. Crian\u00e7as ind\u00edgenas que vivem em espa\u00e7os que s\u00e3o alagados, que sofrem com o frio a beira de BRs por n\u00e3o contarem com uma pol\u00edtica efetiva de demarca\u00e7\u00f5es das terras. Massacres regidos por pistoleiros. Na realidade, essas n\u00e3o s\u00e3o aus\u00eancia do estado, mas presen\u00e7a de um poder que negocia somente com os colonizadores, como lembra Cleber:<\/p>\n<p>\u201cO atual governo n\u00e3o tem qualquer tentativa de conversa\u00e7\u00e3o com os povos ind\u00edgenas. Todas as a\u00e7\u00f5es dos governos t\u00eam sido acertadas entre Michel Temer e os ruralistas. E diante a conjuntura, onde Temer precisa se blindar para n\u00e3o ser investigado, tudo o que a bancada ruralista tem pedido o governo tem atendido. A cada semana tem uma nova a\u00e7\u00e3o nociva contra os povos ind\u00edgenas, quilombolas, campesinos, trabalhadores sem terras\u201d.\u00a0 \u2013 Cleber Buzatto<\/p>\n<p>Elizeu Lopes Guarani Kaiowa retoma a narra\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria \u2013 e confirma que ela \u00e9 c\u00edclica. \u201cN\u00e3o temos mais para onde correr. Antigamente quando \u00e9ramos atacados nos refugi\u00e1vamos na mata. Agora no Mato Grosso do Sul s\u00f3 tem boi e braqui\u00e1ria, cana, soja e eucalipto. Temos que enfrentar os jagun\u00e7os e fazendeiros\u201d. A lideran\u00e7a ind\u00edgena confirma as imagens apresentadas por Buzatto. \u201cO que voc\u00eas viram em v\u00eddeo, \u00e9 o que eu vivo diariamente. Essa \u00e9 a nossa vida por n\u00e3o podermos contar com um Estado que se diz Nacional\u201d.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 de ontem, ter\u00e7a-feira (09), outro pingo de esperan\u00e7a. A Audi\u00eancia P\u00fablica realizada no Senado Federal, organizada pela Comiss\u00e3o de Direitos Humanos, integrou a s\u00e9rie de iniciativas que debatem e solidarizam-se aos Direitos dos Povos Ind\u00edgenas. Nos dois eventos &#8211; Catedral e Senado &#8211; foram feitas den\u00fancias contundentes sobre as viol\u00eancias contra os povos ind\u00edgenas em todo o pa\u00eds. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida: o atual cen\u00e1rio \u00e9 de viola\u00e7\u00e3o e tentativa de supress\u00e3o de direitos. Mesmo que as hostilidades com a vida dos povos ind\u00edgenas sejam \u201catemporal\u201d, vivemos o tempo considerado o mais grave das \u00faltimas d\u00e9cadas, inclusive mais agressiva do que o per\u00edodo dos anos de chumbo. Elizeu Guarani Kaiowa estava certo.<\/p>\n<p>\u201cO que podemos fazer?\u201d, questionou uma senhora na Conversa de Justi\u00e7a e Paz. Como a\u00e7\u00f5es concretas, estendeu-se o convite para que digamos juntos: N\u00e3o ao Marco Temporal. A sociedade civil foi convidada a somar-se nos atos previstos para esta semana de mobiliza\u00e7\u00e3o. Centenas de ind\u00edgenas e quilombolas de v\u00e1rias regi\u00f5es do pa\u00eds est\u00e3o em Bras\u00edlia nos pr\u00f3ximos dias. No mesmo tempo, est\u00e3o previstas manifesta\u00e7\u00f5es dos povos ind\u00edgenas, quilombolas e outras popula\u00e7\u00f5es e povos tradicionais em todo o pais. De norte a sul criaremos uma grande corrente de solidariedade e energia para que os povos ind\u00edgenas tenham seus direitos tradicionais \u2013 sem marcos temporais \u2013 assegurados pela decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal. Rituais e rezas conduzir\u00e3o a peleja que nunca cessa.<\/p>\n<p>Viol\u00eancia e viola\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Foram relatados in\u00fameras situa\u00e7\u00e3o de massacre e genoc\u00eddio nos encontros que aconteceram nos \u00faltimos dias. A presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Antropologia (ABA), Lia Zanotta, ressaltou a persegui\u00e7\u00e3o daqueles que trabalham para denunciar as viola\u00e7\u00f5es dos direitos ind\u00edgenas. \u201cSe criminaliza antrop\u00f3logos e aliados dos povos origin\u00e1rios para atingir e suprimir direitos ind\u00edgenas\u201d.<\/p>\n<p>Luciano Maia, da 6\u00aa C\u00e2mara do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), reparti\u00e7\u00e3o destinada a assuntos referentes a povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais, apontou na Audi\u00eancia P\u00fablica do Senado o descaso do atual governo para pol\u00edticas de promo\u00e7\u00e3o a vida dos povos. \u201cOs povos ind\u00edgenas sabem que nada podem esperar do governo, por isso ainda tem alguma confian\u00e7a na justi\u00e7a\u201d, afirmou ao retratar a dif\u00edcil conjuntura. \u201cEstado brasileiro vem incrementando uma pol\u00edtica de exterm\u00ednio dos \u00edndios. Isso se d\u00e1 especialmente pela n\u00e3o demarca\u00e7\u00e3o e respeito das terras ind\u00edgenas\u201d, relatou.<\/p>\n<p>Muito al\u00e9m de 1988<\/p>\n<p>Apesar desse cen\u00e1rio t\u00e9trico, em momento algum os povos ind\u00edgenas t\u00eam desistido de lutar por seus direitos ou de desenvolver suas estrat\u00e9gias de enfrentamento para a garantia de sua vida\/territ\u00f3rio. Juntamente com seus aliados, est\u00e3o articulando campanhas, visitas, debates e realizam muitos rituais. Sabem que n\u00e3o est\u00e3o sozinhos nesses embates. Contam com a sabedoria milenar e a for\u00e7a dos esp\u00edritos de seus ancestrais que viveram e vivem nessas terras de Abya Yala, a Amer\u00edndia. A pergunta: qual a heran\u00e7a para as crian\u00e7as? Eles s\u00e3o herdeiros da luta.<\/p>\n<p>Nas andan\u00e7as e enfrentamentos \u00e0s pol\u00edticas de morte, permanece a certeza: o direito dos povos ind\u00edgenas \u00e9 origin\u00e1rio. Essa \u00e9 uma garantia presente na Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, mas que se estende pela hist\u00f3ria das comunidades e povos tradicionais. Por isso, a campanha \u201cNossa hist\u00f3ria n\u00e3o come\u00e7a em 1988\u201d lembra a todas inst\u00e2ncias de poder do Brasil que tradicionalidade n\u00e3o se negocia.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o ao Marco Temporal<\/strong><\/p>\n<p><strong>Demarca\u00e7\u00e3o J\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>Foto: Guilherme Cavalli. CIMI.<\/p>\n<p>*Secretariado nacional do CIMI.<\/p>\n<p>http:\/\/www.cimi.org.br\/site\/pt-br\/?system=news&#038;action=read&#038;id=9424<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Hegon Heck* A impress\u00e3o que temos \u00e9 que a hist\u00f3ria se repete. 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