{"id":15309,"date":"2017-08-16T13:35:57","date_gmt":"2017-08-16T16:35:57","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=15309"},"modified":"2017-08-20T15:48:07","modified_gmt":"2017-08-20T18:48:07","slug":"o-papel-dos-meios-de-comunicacao-na-greve-da-construcao-civil-de-fortaleza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15309","title":{"rendered":"O papel dos meios de comunica\u00e7\u00e3o na greve da constru\u00e7\u00e3o civil de Fortaleza"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/nitimurinvetitum26.files.wordpress.com\/2014\/04\/medyanc4b1n-gc3b6sterrdic49fiii.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Lima J\u00fanior*<\/p>\n<p>Na \u00faltima greve geral do dia 30 de junho, os trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil de Fortaleza e regi\u00e3o metropolitana decidiram em assembleia a realiza\u00e7\u00e3o de uma greve para al\u00e9m daquele dia, iniciando no dia 5 de julho, ap\u00f3s longos meses de campanha salarial em que a negocia\u00e7\u00e3o com a patronal parecia cada vez mais dif\u00edcil, emperrada com um ponto que parecia irrelevante: a proposta do vale combust\u00edvel.<\/p>\n<p>Evitando incomodar os empres\u00e1rios do transporte coletivo da regi\u00e3o, intrinsecamente ligados \u00e0s construtoras, a entidade patronal (Sinduscon) negou a proposta de conceder vale combust\u00edvel aos trabalhadores que det\u00eam meios pr\u00f3prios de locomo\u00e7\u00e3o. Isso porque os oper\u00e1rios j\u00e1 recebem o vale transporte e, por n\u00e3o o utilizarem devido \u00e0 grande maioria ir de moto aos canteiros de obra, esse vale acaba transferindo renda para as grandes empresas de transporte coletivos, representados pelo Sindi\u00f4nibus.<\/p>\n<p>Com uma categoria h\u00e1 muito organizada, devido ao Sindicato dos Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o Civil bastante combativo e construindo a luta di\u00e1ria da classe trabalhadora, a greve iniciou com bastante ades\u00e3o. Pela manh\u00e3, os diretores do sindicato v\u00e3o aos canteiros de obra e, de imediato, s\u00e3o recebidos de forma positiva pelos trabalhadores, que ao verem os dirigentes sindicais, descem do trabalho e se aglomeram na entrada do canteiro. Aqueles que n\u00e3o v\u00e3o de moto para a concentra\u00e7\u00e3o da greve, entram nos \u00f4nibus cedidos pelo sindicato.<\/p>\n<p>Assim, todos os dias ocorrem assembleias na Pra\u00e7a Portugal, localizada numa das \u00e1reas mais nobres de Fortaleza, repleta de pr\u00e9dios que circulam a pra\u00e7a e, obviamente, foram constru\u00eddos por aqueles que amanhecem o dia lutando por seus direitos. Em paralelo \u00e0 greve, a burguesia usa de seus instrumentos para deslegitimar a luta dos oper\u00e1rios. O melhor mecanismo para criminalizar a greve tem sido, todos os anos, os meios de comunica\u00e7\u00e3o, em sua maioria umbilicalmente ligados aos interesses das construtoras, quando n\u00e3o pertencentes aos donos destas.<\/p>\n<p>Sob forte press\u00e3o do Sinduscon, que negava discutir o vale combust\u00edvel e bombardeava na imprensa o modus violento da greve, a media\u00e7\u00e3o veio por parte do minist\u00e9rio do Trabalho, que marcou uma reuni\u00e3o com as partes envolvidas, para sanar a situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA negocia\u00e7\u00e3o no minist\u00e9rio do Trabalho repercutiu no Tribuna do Cear\u00e1, do Sistema Jangadeiro de Comunica\u00e7\u00e3o, ligado ao empres\u00e1rio e senador Tasso Jeiressati (PSDB), que \u00e9 dono das concess\u00f5es de transmiss\u00e3o da Tribuna FM e da TV Jangadeiro, filial do SBT, de forma ilegal, conforme a lei que deveria proibir a concess\u00e3o de r\u00e1dio e TV aos parlamentares. No v\u00eddeo do canal do Sistema Jangadeiro, intitulado GREVE VANDALISMO (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=qtzkX35azuY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.youtube.com\/<wbr \/>watch?v=qtzkX35azuY<\/a>), a mat\u00e9ria atribui a culpa ao sindicato sobre os ataques dos trabalhadores aos canteiros de obras, sem fazer qualquer reflex\u00e3o acerca da longa demora e intransig\u00eancia dos patr\u00f5es na negocia\u00e7\u00e3o, que por sinal aguardavam a aprova\u00e7\u00e3o da Reforma Trabalhista no Senado. Ainda na mat\u00e9ria, utilizam imagens da greve geral do dia 30, associando-as ao Sindicato dos Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o Civil e reiteram a influ\u00eancia de partidos pol\u00edticos nas manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No mesmo dia, o Sinduscon divulgou um \u201can\u00fancio\u201d no jornal O Povo, publicado no caderno de esportes em quase uma p\u00e1gina inteira, onde afirma que a greve \u00e9 violenta e criminosa, novamente associando os trabalhadores furiosos com os sindicalistas.<br \/>\nDiante da chuva de ataques aos trabalhadores nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, a greve seguiu firme, esperando a reuni\u00e3o final no Minist\u00e9rio do Trabalho, realizada no dia 20 de julho, onde o Minist\u00e9rio sugeriu um acordo para patr\u00f5es e categoria, al\u00e9m de exigir que o Sindicato dos Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o Civil realizasse as assembleias at\u00e9 a ter\u00e7a-feira seguinte (25), sem as a\u00e7\u00f5es de mobiliza\u00e7\u00e3o nos canteiros, para evitar os transtornos ao tr\u00e2nsito na capital.<\/p>\n<p>Na noite anterior \u00e0 assembleia final da categoria, o Jornal da Cidade, da TV Cidade, afiliada \u00e0 Rede Record, exibiu uma reportagem criticando novamente o vandalismo da greve dos pe\u00f5es (<a href=\"http:\/\/cnews.com.br\/videoplay\/19554\/greve_da_construcao_civil_chega_ao_18o_dia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/cnews.com.br\/<wbr \/>videoplay\/19554\/greve_da_<wbr \/>construcao_civil_chega_ao_18o_<wbr \/>dia<\/a>). O canal \u00e9 ligado ao Grupo Cidade de Comunica\u00e7\u00e3o, controlado pelo empres\u00e1rio Miguel Dias de Sousa, dono da construtora Dias de Sousa Constru\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m do portal CNews, o grupo tamb\u00e9m abarca cerca de 6 emissoras de r\u00e1dio, sendo uma delas ligada ao Grupo Beach Park, complexo tur\u00edstico da regi\u00e3o, com capital estrangeiro mas intrinsicamente ligado \u00e0 pol\u00edticos locais como Tasso Jereissati e Ciro Gomes.<\/p>\n<p>Em assembleia final, realizada no dia 25 de julho, os trabalhadores chegaram ao consenso e aceitaram a proposta do Minist\u00e9rio P\u00fablico. Entre as conquistas, est\u00e3o o reajuste de 4,69% para todos os pisos da categoria, al\u00e9m do aumento no aux\u00edlio alimenta\u00e7\u00e3o de R$ 119 para R$ 136 e uma comiss\u00e3o que ir\u00e1 discutir os crit\u00e9rios para a efetiva\u00e7\u00e3o do vale combust\u00edvel. A assembleia, apesar das limita\u00e7\u00f5es judiciais que impediram o Sindicato de ir aos canteiros, foi vitoriosa ao ter a presen\u00e7a de quase dois mil trabalhadores que foram por conta pr\u00f3pria, convictos pela necessidade de construir a luta da sua categoria.<\/p>\n<p><strong>Qual o legado desta greve?<\/strong><\/p>\n<p>A greve dos oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o civil de Fortaleza e regi\u00e3o metropolitana mostrou o papel dos meios de comunica\u00e7\u00e3o enquanto mantenedora da hegemonia do pensamento burgu\u00eas. Durante o ciclo petista, a esquerda em maioria hasteou como bandeira de luta a \u201cdemocratiza\u00e7\u00e3o\u201d dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Sem jamais conquistar essa vit\u00f3ria, os meios de comunica\u00e7\u00e3o cresceram com uma s\u00e9rie de irregularidades e est\u00e3o cada vez mais fortes para atacar a classe trabalhadora, seja silenciando ou criminalizando sua luta.<br \/>\nAtrav\u00e9s do capital transnacional e interligado aos v\u00e1rios setores, vimos que os meios de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o pe\u00e7a-chave para a burguesia, que tamb\u00e9m investe no setor de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente para o lucro, mas como fundamento da sua propaganda. As construtoras financiam os meios de comunica\u00e7\u00e3o para que estes decretem a greve dos oper\u00e1rios como um sacril\u00e9gio, sem aprofundar as causas da greve, relacionada \u00e0 explora\u00e7\u00e3o intensificada da for\u00e7a de trabalho do pe\u00e3o que, enfurecido, vira um reles v\u00e2ndalo diante dos olhos da imprensa.<\/p>\n<p>Assim como uma s\u00e9rie de outras demandas, o setor da comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 um daqueles que sequer obteve qualquer reforma no per\u00edodo em que vivemos, deixando que a popula\u00e7\u00e3o tenha uma participa\u00e7\u00e3o irris\u00f3ria na produ\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, restando apenas o consumo desenfreado de not\u00edcias que n\u00e3o tem uma regulamenta\u00e7\u00e3o sequer. No governo Lula, houve a primeira e \u00fanica Confer\u00eancia Nacional de Comunica\u00e7\u00e3o, onde a maioria dos encaminhamentos foram engavetados pelos governos petistas.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o basta como palavra de ordem para a esquerda a \u201cdemocratiza\u00e7\u00e3o\u201d dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. No sistema burgu\u00eas, a democracia sempre ser\u00e1 parcial, privada. \u00c9 preciso avan\u00e7ar, denunciando o papel da m\u00eddia na luta de classes enquanto mantenedora do sistema tal qual est\u00e1. Mais que democratizar, \u00e9 preciso entender que os meios de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o modos de produ\u00e7\u00e3o que foram privatizados e que tem uma for\u00e7a de trabalho alienada (jornalistas, gr\u00e1ficos, etc.). S\u00f3 com o fim da propriedade privada, ou seja, com uma comunica\u00e7\u00e3o administrada pelos trabalhadores e pelo povo, teremos uma informa\u00e7\u00e3o livre de preconceitos ou que lucre \u00e0 custa do sangue alheio e do sensacionalismo.<\/p>\n<p>*Comit\u00ea Regional do PCB-CE<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15309\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[218,15],"tags":[],"class_list":["post-15309","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comunicacao","category-s18-sindical"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3YV","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15309","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15309"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15309\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15309"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15309"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}