{"id":1535,"date":"2011-06-07T15:50:59","date_gmt":"2011-06-07T15:50:59","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1535"},"modified":"2011-06-07T15:50:59","modified_gmt":"2011-06-07T15:50:59","slug":"comandante-ate-onde-o-levarao-esses-caminhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1535","title":{"rendered":"COMANDANTE: at\u00e9 onde o levar\u00e3o esses caminhos?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Outra extradi\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p>Nunca pensei fazer-me esta pergunta em rela\u00e7\u00e3o aos passos dados pelo comandante Hugo Ch\u00e1vez.<\/p>\n<p>Foi t\u00e3o valioso o seu apoio militar, quando contribuiu para moldar o Movimento Bolivariano \u2013 200 (MRB-200), que lhe permitiu encabe\u00e7ar uma valente e impactante insurg\u00eancia militar contra o neoliberalismo e a corrup\u00e7\u00e3o encarnada no regime de Carlos Andr\u00e9s P\u00e9rez. Confesso que nunca passou por minha mente que seria necess\u00e1rio fazer este tipo de questionamento.<\/p>\n<p>O respeito, a admira\u00e7\u00e3o, o reconhecimento sincero da sua irrup\u00e7\u00e3o como ponta de lan\u00e7a da nova independ\u00eancia continental, n\u00e3o deixava espa\u00e7o em meu ser para pensar na possibilidade de uma situa\u00e7\u00e3o como a que estamos vivendo e sofrendo nestes dias amargos.<\/p>\n<p>Algo refor\u00e7ado por nossa proximidade ao exemplo do coronel Caama\u00f1o, l\u00edder pol\u00edtico-militar da epop\u00e9ia nacional mais importante do s\u00e9culo XX, t\u00e3o apreciada pelo pr\u00f3prio Ch\u00e1vez e t\u00e3o parecida ao projeto por ele encarnado neste novo s\u00e9culo. Em consequ\u00eancia, s\u00f3 uma identidade fundamental e um imenso carinho pol\u00edtico podiam alojar-se em meu cora\u00e7\u00e3o sobre tudo o que se relaciona \u00e0 denominada revolu\u00e7\u00e3o bolivariana por ele encabe\u00e7ada.<\/p>\n<p>\u00c0 avalia\u00e7\u00e3o de suas convic\u00e7\u00f5es antiimperialistas foi acrescida sua defesa a favor de um socialismo que superara as experi\u00eancias falidas do s\u00e9culo passado (algo que ocupou uma parte de minhas inquietudes e esfor\u00e7os te\u00f3rico-pol\u00edticos), at\u00e9 recentemente acompanhadas de uma consistente sensibilidade social e humana.<\/p>\n<p><strong>As sinuosidades do processo e sua direitiza\u00e7\u00e3o recente.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 fato que, ao passo dos anos, o processo se estancou e, em certa medida, se deformou a partir da gesta\u00e7\u00e3o e desenvolvimento em seu interior de uma esp\u00e9cie de nova burguesia burocr\u00e1tica (\u201cboli-bruguesia\u201d), gerada atrav\u00e9s da corrup\u00e7\u00e3o de Estado. Trata-se de um novo conglomerado social patrocinador de uma guinada para uma variante de estatismo reformista social-democratizante, no lugar da revolu\u00e7\u00e3o de orienta\u00e7\u00e3o socialista prometida mil vezes.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, tudo isto, apesar de realmente preocupante, poderia ser entendido como algo, todavia, em disputa, n\u00e3o definitivo, carente at\u00e9 pouco tempo de linhas de reconcilia\u00e7\u00e3o com for\u00e7as inimigas quanto \u00e0 morte do promissor processo transformador empreendido no nascimento do novo s\u00e9culo.<\/p>\n<p>No entanto, lamentavelmente, n\u00e3o tardaram em aparecer pol\u00edticas p\u00fablicas realmente execr\u00e1veis que apontam nessa nefasta dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Porque se as deten\u00e7\u00f5es e deporta\u00e7\u00f5es de representantes da esquerda basca, se as entregas ao Estado colombiano de guerrilheiros do ELN e das FARC despertaram justificadas inquietudes no campo das for\u00e7as de esquerda em escala mundial, a pris\u00e3o e a extradi\u00e7\u00e3o de Joaqu\u00edn P\u00e9rez Becerra desataram uma leva de cr\u00edticas com fortes ingredientes de indigna\u00e7\u00e3o e s\u00e9rias apreens\u00f5es a respeito da possibilidade de concess\u00f5es ainda mais graves e permanentes, o que evidenciaria a entroniza\u00e7\u00e3o da tend\u00eancia a pactuar com o infame regime colombiano, renunciando aos caros e vitais princ\u00edpios.<\/p>\n<p>Sobre esse fato dilacerante, o Ministro de Defesa, Rodrigo Rivera, representando o regime narco-para-terrorista da Col\u00f4mbia, agora presidido por Juan Manuel Santos, declarou o seguinte:<\/p>\n<p>\u201cde forma resoluta, sem vacila\u00e7\u00f5es, o governo da Venezuela, numa a\u00e7\u00e3o coordenada diretamente com o presidente Ch\u00e1vez, nos respondeu enviando-o \u00e0 Col\u00f4mbia. E nos disse que, frente a qualquer informa\u00e7\u00e3o como esta que demos, eles responder\u00e3o da mesma maneira\u201d. (APORREA 01-05-11)<\/p>\n<p>Num primeiro momento, perante o an\u00fancio colombiano desse compromisso do presidente Ch\u00e1vez a atuar de maneira similar no futuro, muitas pessoas puderam interpret\u00e1-lo como um exagero daqueles que, inflados por essa \u201cvit\u00f3ria\u201d concreta, estimulavam e pressionavam a parte venezuelana a continuar essa rota de concess\u00f5es injustificadas, com a id\u00e9ia de seguir provocando seu desgaste.<\/p>\n<p>O enorme custo pol\u00edtico derivado dessa infeliz decis\u00e3o, que operou em detrimento da bem merecida autoridade moral e do prest\u00edgio revolucion\u00e1rio do l\u00edder do processo transformador venezuelano, parecia ser uma contundente li\u00e7\u00e3o a assimilar para n\u00e3o continuar por esses maus caminhos.<\/p>\n<p>As consistentes ondas nacional, continental e mundial de cr\u00edticas desatadas contra a decis\u00e3o do comandante Ch\u00e1vez de prender e extraditar ilegalmente P\u00e9rez Becerra foram, sem d\u00favida, um claro sinal sobre a necessidade de se parar esse curso e, eventualmente, rescindir esse pacto.<\/p>\n<p>Esse tamb\u00e9m foi o sincero desejo de muitos (as) amigos (as) e partid\u00e1rios da apreciada e valiosa Venezuela bolivariana.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, lamentavelmente, o Rodrigo Rivera tinha raz\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Consequ\u00eancias da repress\u00e3o ao cantor insurgente.<\/strong><\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o da recente pris\u00e3o (num operativo conjunto) e da decis\u00e3o de extradi\u00e7\u00e3o do cantor e dirigente guerrilheiro colombiano Juli\u00e1n Conrado, confirma penosamente a determina\u00e7\u00e3o do governo venezuelano de defender a qualquer pre\u00e7o essa cumplicidade.<\/p>\n<p>Apesar dos pesares e das li\u00e7\u00f5es de vida, n\u00e3o houve retrata\u00e7\u00e3o alguma, muito menos retifica\u00e7\u00e3o do governo venezuelano.<\/p>\n<p>O governo venezuelano n\u00e3o titubeou em seguir por essa perigosa ladeira. Nem sequer optou por esfriar um pouco o inc\u00eandio P\u00e9rez Becerra. O acontecido com Juli\u00e1n Conrado n\u00e3o deixa d\u00favidas sobre a determina\u00e7\u00e3o do chefe de governo venezuelano de situar-se abertamente em determinados aspectos repulsivos ao lado do terrorismo de Estado de um regime hediondo como o colombiano.<\/p>\n<p>O quadro se agrava ao propiciar junto ao regime colombiano a comovente captura e extradi\u00e7\u00e3o de um grande artista, de um ser humano dedicado de corpo e alma a uma leg\u00edtima insurg\u00eancia e a forjar, dia-a-dia, verso a verso, nota a nota, compasso ap\u00f3s compasso a express\u00e3o art\u00edstica-cultural de uma rebeldia capaz de contribuir na constru\u00e7\u00e3o da nova Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Ontem se criminalizou a caneta, o teclado, o talento da comunica\u00e7\u00e3o alternativa assediado por carrascos. Agora se penaliza a voz, o viol\u00e3o, o acorde\u00e3o, a poesia&#8230; Em ambos os casos se assumiu absurdamente a feroz persegui\u00e7\u00e3o dos ideais de justi\u00e7a e do compromisso revolucion\u00e1rio a toda prova.<\/p>\n<p>O custo, a decep\u00e7\u00e3o e o rep\u00fadio neste novo caso poderiam ser, todavia, de maior dimens\u00e3o, indo al\u00e9m do efeito acumulativo de culpas. N\u00e3o esqueceremos que os povos se expressam com uma sensibilidade muito especial quando se aprisiona, tortura e\/ ou assassina a beleza, a alegria e o canto insubmisso.<\/p>\n<p><strong>O pacto com o Israel de nossa Am\u00e9rica.<\/strong><\/p>\n<p>O pacto de Ch\u00e1vez com o governo de Juan Manuel Santos est\u00e1 em plena fase de desdobramento e aprofundamento. E n\u00e3o \u00e9 um pacto qualquer.<\/p>\n<p>Equivale \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o de uma admir\u00e1vel Venezuela \u2013 proclamada bolivariana \u2013, nada mais e nada menos, que com o Israel de nossa Am\u00e9rica, patrocinado como regime terrorista, b\u00e9lico e criminoso pelos EUA.<\/p>\n<p>Enfim, se trata de uma concess\u00e3o medular ao imp\u00e9rio norte-americano e seus s\u00f3cios, imposs\u00edvel de digerir pelas for\u00e7as antiimperialistas que respaldaram Ch\u00e1vez ao longo de sua irrup\u00e7\u00e3o na vida p\u00fablica, sustentando um projeto de revolu\u00e7\u00e3o, que agora, lamentavelmente, aparece estancado e em processo de desgaste.<\/p>\n<p><strong>Solidariedade exercendo o direito \u00e0 cr\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p>Ante esta a\u00e7\u00e3o repressiva, berrante e indecorosa, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel guardar sil\u00eancio. Menos ainda assumir justificativas ou posturas complacentes.<\/p>\n<p>Todos os pretextos esgrimidos no caso de Joaqu\u00edn P\u00e9rez Becerra (\u201carmadilha para Ch\u00e1vez\u201d, \u201cprovoca\u00e7\u00e3o\u201d, \u201csitua\u00e7\u00e3o de fato\u201d, \u201cposs\u00edvel infiltra\u00e7\u00e3o\u201d\u2026), foram bem rebatidos. Com a cumplicidade venezuelana na agress\u00e3o infame a Juli\u00e1n Conrado, ca\u00edram de forma dr\u00e1stica.<\/p>\n<p>Colaborar na captura de Juli\u00e1n e ser felicitado por Santos, confirmar que a alian\u00e7a com esse regime implica a criminaliza\u00e7\u00e3o pela Venezuela de todos (as) os (as) criminalizados (as) pelo Estado colombiano, \u00e9 algo realmente imperdo\u00e1vel, isto sem acrescentar os riscos de torturas, de longa pris\u00e3o e de morte que amea\u00e7am este formid\u00e1vel lutador de toda a vida, dedicado fundamentalmente \u00e0 m\u00fasica, ao canto e \u00e0 poesia, \u00e0 cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica entrela\u00e7ada com o af\u00e3 pela emancipa\u00e7\u00e3o dos pobres do mundo e de sua querida terra.<\/p>\n<p>D\u00f3i na alma tal derrota, sobretudo, pela proced\u00eancia dessa a\u00e7\u00e3o: do centro de um processo que vem sendo \u2013 e ser\u00e1 \u2013 merecedor de nossa solidariedade frente a um imperialismo que n\u00e3o cessar\u00e1 em seu empenho de revogar totalmente o conquistado e assim favorecer as direitas e seus planos de restaura\u00e7\u00e3o da IV Rep\u00fablica, como demonstrou o recente an\u00fancio de san\u00e7\u00f5es \u00e0 PDVSA por parte dos EUA.<\/p>\n<p><strong>Inabal\u00e1vel solidariedade com n\u00f3s mesmos, frente a estes desatinos quase suicidas.<\/strong><\/p>\n<p>Solidariedade agora necess\u00e1ria e obrigatoriamente acompanhada de uma t\u00f4nica cada vez mais cr\u00edtica a respeito da direitiza\u00e7\u00e3o em voga e ao que tudo isto implica na ren\u00fancia ao latino-americanismo revolucion\u00e1rio, tanto frente ao processo colombiano como a outra lutas populares e patri\u00f3ticas colocadas \u00e0 margem dos Estados e governos.<\/p>\n<p>Por isso, no ar e em minha mente segue flutuando a pergunta: Para onde, caro comandante, o levar\u00e3o esses tortuosos caminhos de alian\u00e7a com a oligarquia, a direita pr\u00f3-imperialista e criminosa colombiana?<\/p>\n<p>02-06-2011, Santo Domingo, RD.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.pcv-venezuela.org\/index.php\/opinion\/usuarios\/8496-comandante-ihasta-donde-lo-llevaran-esos-caminos\" target=\"_blank\">http:\/\/www.pcv-venezuela.org\/index.php\/opinion\/usuarios\/8496-comandante-ihasta-donde-lo-llevaran-esos-caminos<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Fernanda M. Scelza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\n\n\n\n\nNarciso Isa Conde\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1535\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-1535","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c54-venezuela"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-oL","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1535","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1535"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1535\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}