{"id":1542,"date":"2011-06-08T15:20:17","date_gmt":"2011-06-08T15:20:17","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1542"},"modified":"2011-06-08T15:20:17","modified_gmt":"2011-06-08T15:20:17","slug":"brasil-um-pais-sem-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1542","title":{"rendered":"Brasil: um pa\u00eds sem futuro"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Grande parte da nossa juventude \u00e9 pobre, desempregada, morre v\u00edtima da viol\u00eancia, comp\u00f5e a imensa maioria da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria, n\u00e3o possui saneamento b\u00e1sico e seu n\u00edvel de escolaridade \u00e9 med\u00edocre<\/em><\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas o Brasil foi apontado como o pa\u00eds do futuro. Infelizmente essa n\u00e3o \u00e9 mais a realidade. Ao cruzarmos os dados da pobreza, da viol\u00eancia, da car\u00eancia do ensino, da falta de qualifica\u00e7\u00e3o profissional, do desemprego e da falta de saneamento percebemos que os governantes est\u00e3o enterrando o presente e acabando com o futuro.<\/p>\n<p>Das crian\u00e7as e adolescentes de at\u00e9 17 anos 44% vivem na pobreza, ou seja, tem renda de at\u00e9 meio sal\u00e1rio m\u00ednimo. S\u00e3o mais de 11 milh\u00f5es de pessoas. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 cr\u00edtica porque desses 44,% uma boa parte vive em situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza, o que significa renda de um quarto de um sal\u00e1rio m\u00ednimo. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), 26,72% dos jovens de at\u00e9 17 anos viviam com at\u00e9 meio sal\u00e1rio m\u00ednimo mensal, enquanto 18,5% com apenas metade dessa renda. A regi\u00e3o que possui o maior e pior \u00edndice \u00e9 o Nordeste, onde 66,7% das crian\u00e7as e adolescentes de at\u00e9 17 anos vivem na pobreza e na extrema pobreza.<\/p>\n<p>Tantas dificuldades se apresentam em v\u00e1rias facetas dessas pessoas de renda diminuta. Assim, das fam\u00edlias que possuem crian\u00e7as de at\u00e9 14 anos em casa, que s\u00e3o cerca de 47% do total do pa\u00eds, pouco mais da metade tem todos os servi\u00e7os de saneamento necess\u00e1rios, a\u00ed entendidos como banheiros nas casas, acesso \u00e0 rede de esgoto, \u00e1gua pot\u00e1vel e coleta de lixo.<\/p>\n<p>Essa pobreza \u00e9 determinante para a escolaridade, pois a faixa de renda familiar influi na frequ\u00eancia escolar, conforme vemos na tabela abaixo:<\/p>\n<p><strong>Participa\u00e7\u00e3o percentual na frequ\u00eancia escolar em n\u00edvel nacional<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr valign=\"TOP\">\n<td width=\"20%\">\n<p>Faixa et\u00e1ria<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"20%\">\n<p>0 a 3 anos<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"20%\">\n<p>4 a 6 anos<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"20%\">\n<p>7 a 14 anos<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"20%\">\n<p>15 a 17 anos<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"TOP\">\n<td width=\"20%\">\n<p>Fam\u00edlias com at\u00e9 \u00bd sal\u00e1rio m\u00ednimo<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"20%\">\n<p>18,5%<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"20%\">\n<p>77,1%<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"20%\">\n<p>universal<strong>*<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"20%\">\n<p>78,4%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"TOP\">\n<td width=\"20%\">\n<p>Fam\u00edlias com mais de 3 sal\u00e1rios m\u00ednimos<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"20%\">\n<p>46,2%<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"20%\">\n<p>98,8%<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"20%\">\n<p>universal<strong>*<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"20%\">\n<p>93,7%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Afonso Costa*<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia \u00e9 brutal para o pa\u00eds e se reflete diretamente no n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o. Tanto isso \u00e9 verdade que apenas 13,9% dos jovens, ou seja com at\u00e9 24 anos, est\u00e3o na universidade. Na mesma faixa et\u00e1ria apenas 36,8% possuem o Ensino M\u00e9dio completo. Somados os dois vemos que metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira de at\u00e9 24 anos, aproximadamente 18 milh\u00f5es de pessoas, sequer possui o Ensino M\u00e9dio completo, o que acarreta problemas de sobreviv\u00eancia, com decisiva influ\u00eancia na qualifica\u00e7\u00e3o profissional e na viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Em suma, dos jovens entre 18 e 24 anos apenas 37,9% possuem 11 anos de estudos, o que demonstra grande atraso j\u00e1 que a idade certa para completar a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e9 aos 17 anos, considerando-se as crian\u00e7as que entram na escola na \u00e9poca correta. Cabe destacar que o n\u00edvel de escolaridade n\u00e3o se traduz necessariamente em qualidade: aproximadamente um milh\u00e3o e trezentas mil crian\u00e7as matriculadas em escolas entre 8 e 14 anos de idade n\u00e3o sabem ler nem escrever.<\/p>\n<p>Entre os brasileiros com idade superior a 25 anos mais de 50% possuem menos de oito anos de estudos, sequer completaram o ensino fundamental.<\/p>\n<p><strong>Viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>A falta e as dificuldades nos estudos se refletem no emprego e na pr\u00f3pria vida desses jovens. Dessa feita, 15% dos jovens entre 15 e 24 anos est\u00e3o desempregados, quando a m\u00e9dia nacional \u00e9 de cerca de 6%. Isso considerando-se o absurdo crit\u00e9rio utilizado pelo IBGE, que n\u00e3o leva em conta o desempregado quem est\u00e1 h\u00e1 mais de 90 dias sem procurar trabalho. Quer dizer, as pessoas est\u00e3o desempregadas, n\u00e3o tem dinheiro e sequer est\u00edmulo para procurar trabalho, ent\u00e3o n\u00e3o entram nas estat\u00edsticas. Simples! Cada um faz o quer com os n\u00fameros, principalmente agradar aos governos de plant\u00e3o e \u00e0 elite.<\/p>\n<p>Diante desse quadro os marginalizados, literalmente \u00e0 margem da sociedade, apenas vagam pelo pa\u00eds, muitos imersos na marginalidade: cerca de dois milh\u00f5es e quatrocentos mil jovens n\u00e3o estudam nem trabalham, est\u00e3o abandonados pelo Estado.<\/p>\n<p>Obviamente que as dificuldades advindas da pobreza e da extrema pobreza, do baixo n\u00edvel escolar, do desemprego e dos reduzidos sal\u00e1rios, das condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias nos domic\u00edlios tem consequ\u00eancias inadmiss\u00edveis: o pa\u00eds possui aproximadamente meio milh\u00e3o de pessoas nas penitenci\u00e1rias, das quais cerca de 80% s\u00e3o jovens de at\u00e9 24 anos. Al\u00e9m, disso, a maior causa morte da juventude \u00e9 a viol\u00eancia: nas fam\u00edlias abastadas por conta do tr\u00e2nsito; nas de menor renda principalmente por assassinatos, mas tamb\u00e9m por suic\u00eddios. Entre os negros os dados s\u00e3o mais aterrorizantes, pois em 2002, morriam proporcionalmente 45,8% mais negros do que brancos, j\u00e1 em 2008 o \u00edndice atingiu 127,6%, mais do que o dobro. E os rapazes s\u00e3o as maiores v\u00edtimas, j\u00e1 que para a mortalidade de duas pessoas do sexo feminino existe a mortalidade de oito do sexo masculino, em uma tend\u00eancia crescente, pois em 1980 essa rela\u00e7\u00e3o era bem menor.<\/p>\n<p>Anualmente morrem 51 mil pessoas no pa\u00eds, dos quais 40 mil s\u00e3o homens. Desse total 18.500 s\u00e3o rapazes de 15 a 24 anos, a imensa maioria assassinada. S\u00e3o 60 jovens que falecem por homic\u00eddio a cada dia.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o segundo pa\u00eds em desigualdade no mundo e os dados indicam que essa situa\u00e7\u00e3o ainda prevalecer\u00e1 por anos. Se nada for feito com a m\u00e1xima urg\u00eancia nossa juventude est\u00e1 fadada a perder a melhor fase da vida e at\u00e9 mesmo a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Karl Marx anteviu ainda no s\u00e9culo XIX a situa\u00e7\u00e3o em que a sociedade se encontraria caso perdurasse o mesmo sistema de produ\u00e7\u00e3o, ou seja o capitalismo. Diante dessa constata\u00e7\u00e3o colocou as op\u00e7\u00f5es que se apresentavam e que infelizmente ainda se apresentam: socialismo ou barb\u00e1rie? Lamentavelmente estamos caminhando e j\u00e1 em parte vivendo a barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>*Afonso Costa \u00e9 Jornalista<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ftvieira\n\n\n\n\n\n\n\n\nAfonso Costa*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1542\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[88],"tags":[],"class_list":["post-1542","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c101-criminalizacao"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-oS","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1542","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1542"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1542\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1542"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1542"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1542"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}