{"id":15467,"date":"2017-08-24T15:38:53","date_gmt":"2017-08-24T18:38:53","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=15467"},"modified":"2017-09-01T14:04:48","modified_gmt":"2017-09-01T17:04:48","slug":"barcelona-culpados-e-responsaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15467","title":{"rendered":"Barcelona: culpados e respons\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/21716576-735-ecb\/FT1086A\/420\/xbarcelona.jpg.pagespeed.ic.hz5BUuYECR.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Marcos Roitman Rosenmann*<\/p>\n<p>\u00c0s 12 horas da \u00faltima sexta-feira, 18 de agosto, a Espanha entrou em catarse. Em todos os munic\u00edpios do Estado espanhol se convocaram atos de repulsa contra os atentados terroristas que abalaram Barcelona e Cambrils. Duas furgonetas conduzidas por jovens, cujas idades oscilam entre os 17 e os 30 anos, investiram contra passantes com um intervalo de horas. Em Barcelona 14 v\u00edtimas mortais e mais de 100 feridos; em Cambrils, os cinco terroristas foram abatidos pela pol\u00edcia aut\u00f3noma. O modus operandi foi decalcado dos ocorridos em Londres e Paris. Enquanto se fazia sil\u00eancio em Barcelona, de forma espont\u00e2nea, os presentes gritaram a frase: &#8220;N\u00e3o tenho medo!&#8221; Uma forma de mostrar confian\u00e7a, de recuperar o curso da rotina, come\u00e7ar o luto e honrar as v\u00edtimas. Lamentavelmente nada parece indicar que o medo tenha desaparecido. Conscientes, talvez, da gravidade da situa\u00e7\u00e3o, a sua declama\u00e7\u00e3o corresponde a uma necessidade de contraditar o inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Estes atentados vieram para ficar. A sua origem esp\u00faria encontra-se nas a\u00e7\u00f5es das chamadas tropas aliadas do Ocidente, encabe\u00e7adas pelos Estados Unidos, que invadiram pa\u00edses como o Afeganist\u00e3o, o Iraque, a L\u00edbia, fomentaram guerras na S\u00edria e desestabilizaram governos considerados inimigos. Que outro sentido t\u00eam as palavras de Mariano Rajoy afirmando que combater\u00e3o sempre os que desejem destruir a nossa forma de vida e os nossos valores? Ou melhor ainda, quando sublinha rotundamente que o problema \u00e9 global e a batalha contra o terrorismo est\u00e1 ganha. Por outras palavras, o Ocidente considera-se dono do mundo e os Estados Unidos proclamam-se defensores de valores que, dizem, lhes pertencem por direito pr\u00f3prio. At\u00e9 o mesm\u00edssimo Donald Trump, que n\u00e3o tem pudor na hora de proteger os amigos do KKK e, na passada, de promover interven\u00e7\u00f5es militares \u00e0 esquerda e \u00e0 direita, mostra o seu pesar e condena os atentados de Barcelona.<\/p>\n<p>A espiral do medo e o terrorismo jhiadista doeram at\u00e9 ao osso. N\u00e3o importa que as medidas implementadas pelos aparelhos de seguran\u00e7a e os governos publicitem a normalidade. Apesar dos controles, da colabora\u00e7\u00e3o das comunidades mu\u00e7ulmanas, da vigil\u00e2ncia dos pontos sens\u00edveis e do apoio dos governos amigos, \u00e9 pouco prov\u00e1vel que estes atentados deixem de acontecer. A origem \u00e9 a causa do problema, e enquanto ela for escondida ser\u00e1 imposs\u00edvel que desapare\u00e7a no curto ou no m\u00e9dio prazos.<\/p>\n<p>Sabemos que os culpados s\u00e3o os que cometem o delito, mas os respons\u00e1veis moram na Casa Branca, no Pent\u00e1gono, no n\u00ba 10 de Downing Street, no Pal\u00e1cio do Eliseu ou na sede da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (OTAN), em Bruxelas, para referir apenas alguns. N\u00e3o h\u00e1 que estranhar: a Uni\u00e3o Europeia e os Estados Unidos da Am\u00e9rica foram os causadores do novo terrorismo que assola as suas cidades. O resto \u00e9 atirar bolas ao ar.<\/p>\n<p>Nada faz pensar que a realidade possa ser revertida. O chamado Estado Isl\u00e2mico (Isis) est\u00e1 assente, expandiu-se e tem os seus fundamentos nas invas\u00f5es do Iraque e da L\u00edbia, pa\u00edses destru\u00eddos e desarticulados enquanto estados, reduzidos a reinos de bandos, onde o controle pol\u00edtico pelas tropas do Isis possibilitou a conquista de cidades, a proclama\u00e7\u00e3o do Estado Isl\u00e2mico. E n\u00e3o nos esque\u00e7amos da guerra da S\u00edria, recriada a partir dos centros de poder de Washington. Estas agress\u00f5es n\u00e3o passaram despercebidas aos olhos da comunidade mu\u00e7ulmana e dos povos \u00e1rabes. Os ataques \u00e0s Torres G\u00e9meas, o 11 de setembro de 2001, foi o culminar da priva\u00e7\u00e3o e marcou o ponto de inflex\u00e3o. Sob a declara\u00e7\u00e3o de guerra contra o terrorismo isl\u00e2mico confundiu-se, manipulou-se e apresentou-se uma cultura milenar e uma religi\u00e3o, a mu\u00e7ulmana, como a causa de todos os males do mundo. A declara\u00e7\u00e3o de guerra contra o terrorismo isl\u00e2mico pela administra\u00e7\u00e3o de George W. Bush foi o erro que nos coloca em Barcelona.<\/p>\n<p>Para muitos jovens, filhos e netos de mu\u00e7ulmanos residentes em Fran\u00e7a, B\u00e9lgica, Alemanha ou Espanha, as pol\u00edticas fomentadas ou apoiadas pelos governos, criminalizando o Isl\u00e3 e os seus seguidores, s\u00e3o a fonte do conflito. A falta de oportunidades, o desemprego, a marginalidade e a sobre-explora\u00e7\u00e3o coadjuvam na cria\u00e7\u00e3o desse mal-estar contra a sociedade de consumo, identificada com a decad\u00eancia da moral ocidental e o capitalismo.<\/p>\n<p>O Isis apoia-se nestas condicionantes para somar adeptos e m\u00e1rtires nas suas fileiras. Um apelo para milhares de jovens mu\u00e7ulmanos que rejeitam a domina\u00e7\u00e3o militar e decidem lutar contra o invasor. O dilacerador \u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o do objetivo com a necessidade de causar a maior dor, dilacerando e pondo em quest\u00e3o os pr\u00f3prios valores da vida. O inimigo n\u00e3o tem sexo nem idade e carece de humanidade. Barcelona deve fazer-nos refletir e evitar as declara\u00e7\u00f5es pomposas e propagand\u00edsticas que falam do triunfo do Ocidente. A guerra n\u00e3o \u00e9 religiosa, mas geopol\u00edtica, pelo controlo das mat\u00e9rias-primas e da domina\u00e7\u00e3o imperialista.<\/p>\n<p><em>* Acad\u00e9mico, soci\u00f3logo, analista pol\u00edtico y ensayista chileno-espa\u00f1ol nascido en\u00a0Santiago de Chile, en 1955. <\/em><em>Exilado em Espanha desde a ditadura de Augusto Pinochet<\/em><\/p>\n<p><em>http:\/\/www.jornada.unam.mx\/<wbr \/>2017\/08\/19\/opinion\/020a1mun <\/em><\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Paulo Gasc\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>http:\/\/www.odiario.info\/barcelona-culpados-e-responsaveis\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15467\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[97],"tags":[],"class_list":["post-15467","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c110-espanha"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-41t","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15467","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15467"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15467\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15467"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15467"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15467"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}