{"id":1563,"date":"2011-06-15T15:24:11","date_gmt":"2011-06-15T15:24:11","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1563"},"modified":"2011-06-15T15:24:11","modified_gmt":"2011-06-15T15:24:11","slug":"riachuelo-a-celebracao-da-barbarie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1563","title":{"rendered":"Riachuelo: A Celebra\u00e7\u00e3o da Barb\u00e1rie"},"content":{"rendered":"\n<p>Em 11 de junho de 1865, \u00e0s margens do arroio Riachuelo, afluente do rio Paraguai, na prov\u00edncia argentina de Corrientes, esquadra paraguaia fracassava na mal organizada surpresa \u00e0 divis\u00e3o naval imperial, que pretendia abordar e conquistar, para com ela formar marinha de guerra para o pa\u00eds mediterr\u00e2neo. O fracasso da surpresa dificilmente mudou a conclus\u00e3o inevit\u00e1vel da batalha do Riachuelo. Ou seja, a derrota dos navios mercantes paraguaios, armados para a ocasi\u00e3o, pelos navios de guerra da marinha imperial, ent\u00e3o a mais poderosa da Am\u00e9rica ao Sul. A bem da verdade, o Paraguai possu\u00eda um e apenas um buque de guerra \u2013 o Tacuary. O combate naval ocorreu quando os governos imperial e argentino mitrista consideravam ainda que o confronto terminaria em poucos meses. Eles seriam apresentados como de tamanha transcend\u00eancia que passaram a registrar a data magna da marinha de guerra do Brasil.<\/p>\n<p>No prim\u00e1rio e no gin\u00e1sio, meus cadernos escolares traziam habitualmente gravuras do quadro \u201cCombate naval do Riachuelo\u201d, de Victor Meirelles, com mais de 32 m2, conclu\u00eddo imediatamente ap\u00f3s o conflito, em 1872, por encomenda do Imp\u00e9rio, para a glorifica\u00e7\u00e3o do confronto. O quadro tem como centro Barroso, na proa da nau capit\u00e2nia, saudando a vit\u00f3ria, sobre os destro\u00e7os dos barcos e corpos paraguaios. Nossos professores lembravam sempre a frase c\u00e9lebre do almirante cunhada para a ocasi\u00e3o: \u201cO Brasil espera que cada um cumpra o seu dever.\u201d D\u00e9cadas mais tarde, investigando a Revolta dos Marinheiros Negros de 1910, aprendi que muitos marujos que suportavam as mais pesadas tarefas dos navios de guerra imperiais eram trabalhadores negros escravizados!<\/p>\n<p>J\u00e1 nos primeiros momentos da Rep\u00fablica, os positivistas ortodoxos realizaram ampla e corajosa campanha contra a celebra\u00e7\u00e3o de guerra imperialista que levara \u00e0 literal destrui\u00e7\u00e3o da pequena na\u00e7\u00e3o vizinha e do amplo campesinato propriet\u00e1rio e arrendat\u00e1rio que conformara sua singularidade. Viam apenas barbarismo na galvaniza\u00e7\u00e3o das \u201cpaix\u00f5es belicosas\u201d populares para a celebra\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia predadora das grandes na\u00e7\u00f5es contra as pequenas, onde deveriam ter imperado a fraternidade e o altru\u00edsmo entre os povos, sobretudo americanos.<\/p>\n<p>Entre os positivistas comtianos a se levantar contra aquelas celebra\u00e7\u00f5es encontrava-se o futuro almirante Am\u00e9rico Brazilio Silvado, filho do comandante de mesmo nome, morto em 1866 no comando do encoura\u00e7ado Rio de Janeiro, torpedeado no rio Paraguai. No seu combate de princ\u00edpios, n\u00e3o perdoava o \u201cpseudo rei-fil\u00f3sofo\u201d, o Estado imperial e as classes dominantes do Brasil de ent\u00e3o, por levarem o pa\u00eds a uma guerra de hegemonia e de conquistas que ceifou talvez cem mil brasileiros e esmagou o pequeno Paraguai. Exigia que esses fatos tristes fossem apagados como data referencial da marinha republicana que tanto amava.<\/p>\n<p>No dia 9 passado, foi celebrada sess\u00e3o solene no Congresso para festejar o transcurso do 146 anivers\u00e1rio da Batalha do Riachuelo, por requisi\u00e7\u00e3o de deputados petista e, acredite quem quiser, do PC do B, partido que abandona assim a consigna gloriosa que j\u00e1 levou em sua bandeira \u2013 \u201cProlet\u00e1rios de todo o mundo (inclusive paraguaios, uruguaios, argentinos e brasileiros) uni-vos!\u201d \u2013 pelos vivas esp\u00farios \u00e0 guerra e \u00e0 morte, se delas resultam interesses para as classes dominantes nacionais.<\/p>\n<p>Que n\u00e3o haja perd\u00e3o para eles, pois sabem muito bem o que fazem!<\/p>\n<p>Perfil<\/p>\n<p>*M\u00e1rio Maestri, 62 anos, historiador, \u00e9 professor do Curso e do PPGH da UPF. Escreveu, entre outros, <em>Cisnes negros<\/em>: uma hist\u00f3ria da Revolta da Chibata. S\u00e3o Paulo: Moderna, 2000<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.onacional.com.br\/colunistas\/mario-maestri\/post_id:2150<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\n\n\n\n\nM\u00e1rio Maestri*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1563\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1563","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-pd","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1563","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1563"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1563\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1563"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1563"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1563"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}