{"id":1580,"date":"2011-06-19T02:35:37","date_gmt":"2011-06-19T02:35:37","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1580"},"modified":"2011-06-19T02:35:37","modified_gmt":"2011-06-19T02:35:37","slug":"brasil-crescimento-economico-para-quem-em-que-condicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1580","title":{"rendered":"Brasil: \u201ccrescimento\u201d econ\u00f4mico para quem? Em que condi\u00e7\u00f5es?"},"content":{"rendered":"\n<p>Em seu discurso durante recente visita \u00e0 China, em evento que reuniu os principais expoentes das empresas chinesas, a presidente brasileira fez quest\u00e3o de ressaltar qualidades \u00edmpares do Brasil que v\u00e3o ao encontro da avidez capitalista por lucros: a estabilidade econ\u00f4mica e a estabilidade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Nos discursos l\u00e1 e c\u00e1, realmente, parece que o pa\u00eds experimenta um per\u00edodo de crescimento e otimismo, e ainda \u201cum profundo sentimento de autoestima de nosso povo\u201d, completaria a presidente. \u00c9 este o Brasil em que vivemos? Este \u00e9 o Brasil dos trabalhadores brasileiros? H\u00e1 motivos para esse tipo de otimismo? Para quem o Brasil cresce? Em que dire\u00e7\u00e3o se d\u00e1 esse processo? Em que contexto, sob que condi\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Iniciaremos a an\u00e1lise tratando do contexto internacional.<\/p>\n<p><strong>1. Conjuntura internacional<\/strong><\/p>\n<p><strong>1.1 Crise do imperialismo<\/strong><\/p>\n<p>Em 2009, na avalia\u00e7\u00e3o dos desdobramentos da chamada \u201ccrise do subprime\u201d, e com a queda do quarto maior banco de investimentos dos EUA (Lehman Brother), em agosto de 2008, caracterizamos o atual est\u00e1gio da crise do capitalismo, do imperialismo como:<\/p>\n<p><em>\u201cUma conjuntura em que a crise latente e prolongada (desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970) do imperialismo encontra-se em uma fase aberta, mais aguda, (&#8230;) <\/em><strong><em>com tend\u00eancia a se aprofundar e se arrastar por longo per\u00edodo<\/em><\/strong><em>. N\u00e3o \u00e9 uma crise localizada, do subprime, da esfera financeira, como inicialmente trataram de alardear os arautos das classes dominantes. \u00c9 uma crise do processo de acumula\u00e7\u00e3o capitalista, de sobreacumula\u00e7\u00e3o de capital e superprodu\u00e7\u00e3o de mercadorias.<\/em><\/p>\n<p><em>Do ponto de vista do marxismo, as crises econ\u00f4micas do capitalismo s\u00e3o inevit\u00e1veis, s\u00e3o resultado das contradi\u00e7\u00f5es inerentes deste modo de produ\u00e7\u00e3o, como a tend\u00eancia \u00e0 queda da taxa m\u00e9dia de lucro, o permanente processo de concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o do capital, a contradi\u00e7\u00e3o entre a produ\u00e7\u00e3o social e apropria\u00e7\u00e3o privada, a concentra\u00e7\u00e3o de riqueza em um polo e mis\u00e9ria no outro.&#8221; <\/em>[<a href=\"http:\/\/www.cecac.org.br\/MATERIAS\/brasil-crescimento_economico_para_quem-20.5.11.htm#nota1\">1<\/a>]<\/p>\n<p>Podemos afirmar hoje que a crise do capitalismo, do sistema imperialista, continua se aprofundando, com \u201cidas e vindas\u201d, com \u201daltos e baixos\u201d, arrastando-se, com <strong>repercuss\u00f5es diferenciadas<\/strong> em cada pa\u00eds, em cada forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-social.<\/p>\n<p>Na l\u00f3gica do capitalismo, dos grandes monop\u00f3lios, a \u201csa\u00edda da crise\u201d \u00e9 aprofundar a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do proletariado, em especial a opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o dos povos (e riquezas naturais) dos pa\u00edses dominados [<a href=\"http:\/\/www.cecac.org.br\/MATERIAS\/brasil-crescimento_economico_para_quem-20.5.11.htm#nota2\">2<\/a>]. O ritmo, o grau desse processo e seu \u00eaxito ou fracasso s\u00e3o determinados em \u00faltima inst\u00e2ncia pela conjuntura da luta de classes, pelo n\u00edvel de resist\u00eancia dos explorados e oprimidos em n\u00edvel internacional e nacional, de acordo com a inser\u00e7\u00e3o de cada pa\u00eds no sistema imperialista.<\/p>\n<p><strong>1.2 Est\u00e1gio da luta de classes<\/strong><\/p>\n<p>A conjuntura atual \u00e9 marcada, por um lado, pela <strong>ofensiva<\/strong> do imperialismo, comandado pelos EUA e, por outro lado, pelo <strong>recuo<\/strong> do proletariado e do movimento revolucion\u00e1rio na luta de classes. O imperialismo e os grandes monop\u00f3lios respondem \u00e0 crise em uma conjuntura caracterizada por uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que lhe \u00e9 favor\u00e1vel na contradi\u00e7\u00e3o fundamental mundial entre burguesia e proletariado e na contradi\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses imperialistas\/dominantes e povos dos pa\u00edses dominados, aprofundando todas as contradi\u00e7\u00f5es do sistema e a barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>A ofensiva do imperialismo se desdobra nos planos militar, econ\u00f4mico e pol\u00edtico-ideol\u00f3gico. No plano militar, destacamos a amplia\u00e7\u00e3o de bases militares, como na Col\u00f4mbia, a intimida\u00e7\u00e3o a povos em luta e a governos n\u00e3o-alinhados, as interven\u00e7\u00f5es militares, como a da L\u00edbia, a manuten\u00e7\u00e3o das guerras no Iraque e no Afeganist\u00e3o; no plano econ\u00f4mico, o rebaixamento dos sal\u00e1rios e precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, os cortes de direitos trabalhistas e sociais, de gastos p\u00fablicos; no plano pol\u00edtico-ideol\u00f3gico, as campanhas de criminaliza\u00e7\u00e3o das lutas populares e do comunismo, campanhas contra o \u201cterrorismo\u201d para tentar legitimar guerras imperialistas, campanhas contra supostas viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos em outros pa\u00edses, quando os EUA utilizam tortura, deten\u00e7\u00f5es ilegais e viola\u00e7\u00e3o de soberania como pol\u00edticas oficiais de Estado.<\/p>\n<p>No processo geral de recuo do proletariado queremos ressaltar um fator que consideramos decisivo: nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a maioria dos partidos comunistas abriu m\u00e3o das posi\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias e renegou na pr\u00e1tica os princ\u00edpios do marxismo-leninismo \u2013 a quest\u00e3o do Estado, da tomada do poder e da revolu\u00e7\u00e3o, o car\u00e1ter de classe da democracia, a viol\u00eancia revolucion\u00e1ria das massas [<a href=\"http:\/\/www.cecac.org.br\/MATERIAS\/brasil-crescimento_economico_para_quem-20.5.11.htm#nota3\">3<\/a>], a luta ideol\u00f3gica e mesmo a luta de classes. Nesse processo, perderam a liga\u00e7\u00e3o cotidiana e revolucion\u00e1ria com as massas oper\u00e1rias e os trabalhadores de um modo geral [<a href=\"http:\/\/www.cecac.org.br\/MATERIAS\/brasil-crescimento_economico_para_quem-20.5.11.htm#nota4\">4<\/a>]. E, como decorr\u00eancia e parte do mesmo fen\u00f4meno, constatamos um baixo n\u00edvel de consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o <strong>de classe<\/strong> do proletariado e demais setores oprimidos. Sem deixar de ressaltar e saudar todo hero\u00edsmo e combatividade do proletariado e povos em v\u00e1rios pa\u00edses que resistem e lutam [<a href=\"http:\/\/www.cecac.org.br\/MATERIAS\/brasil-crescimento_economico_para_quem-20.5.11.htm#nota5\">5<\/a>], avaliamos a aus\u00eancia de partidos revolucion\u00e1rios na maioria dos pa\u00edses como o <strong>aspecto principal <\/strong>do processo de <strong>recuo<\/strong> da resist\u00eancia de classe.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a aus\u00eancia na maioria dos pa\u00edses de partidos revolucion\u00e1rios do proletariado, aut\u00eanticos partidos comunistas \u2013 que tenham constru\u00eddo na luta uma linha pol\u00edtico-ideol\u00f3gica justa, que estejam enraizados e com capacidade de dirigir a luta de classe do proletariado e das massas oprimidas em uma perspectiva revolucion\u00e1ria \u2013 deixa ao capitalismo o \u201ccampo livre\u201d (ou seja, frente a uma baixa resist\u00eancia de classe) para o seu processo inerente, hist\u00f3rico, de \u201csair da crise\u201d e se desenvolver, intensificando ao m\u00e1ximo a explora\u00e7\u00e3o [<a href=\"http:\/\/www.cecac.org.br\/MATERIAS\/brasil-crescimento_economico_para_quem-20.5.11.htm#nota6\">6<\/a>], ampliando a taxa de mais-valia relativa e absoluta, a fim de retomar a taxa de lucro na busca do lucro m\u00e1ximo.<\/p>\n<p>A intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o tende a agravar as condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho para as massas populares, com aumento do desemprego, arrocho salarial, precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, ataque aos direitos trabalhistas e sociais \u2013 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguridade etc. conquistados pelo proletariado, exacerbando a luta de classes.<\/p>\n<p><strong>1.3 Nova divis\u00e3o internacional capitalista do trabalho<\/strong><\/p>\n<p>O agravamento da crise do capitalismo aprofunda o processo de reconfigura\u00e7\u00e3o da economia mundial, do sistema imperialista. E, entre uma s\u00e9rie de caracter\u00edsticas desse processo [<a href=\"http:\/\/www.cecac.org.br\/MATERIAS\/brasil-crescimento_economico_para_quem-20.5.11.htm#nota7\">7<\/a>],<strong> destacamos o avan\u00e7o da nova divis\u00e3o internacional capitalista do trabalho<\/strong> e nele a transfer\u00eancia de ind\u00fastrias dos pa\u00edses imperialistas para regi\u00f5es com baix\u00edssimo pre\u00e7o da for\u00e7a de trabalho, em particular, para a China (fen\u00f4meno que \u00e9 express\u00e3o da intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho em n\u00edvel mundial).<\/p>\n<p>Esse agravamento (a chamada \u201ccrise do subprime\u201d de 2007\/2008) resultou em todo mundo, de maneira generalizada, em enorme queima de capitais, principalmente entre aqueles que se valorizavam na esfera financeira, implicando em recess\u00e3o econ\u00f4mica, queda no com\u00e9rcio mundial, falta de cr\u00e9dito, desemprego de dezenas de milh\u00f5es de trabalhadores. Por\u00e9m, assumiu uma forma diferenciada e espec\u00edfica em cada pa\u00eds.<\/p>\n<p>No caso da China, o PIB cresceu 9,2% em 2009 e atingiu 10,3% em 2010, puxado pelo crescimento industrial. A China tornou-se o maior exportador e produtor industrial-manufatureiro do mundo, (superando os EUA), e a segunda maior economia mundial.<\/p>\n<p>A China acelera a produ\u00e7\u00e3o e a exporta\u00e7\u00e3o de produtos industrializados (intensivos em trabalho; com m\u00e9dia e, principalmente, alta intensidade tecnol\u00f3gica), a importa\u00e7\u00e3o de produtos prim\u00e1rios (petr\u00f3leo, alimentos e mat\u00e9ria-prima para a produ\u00e7\u00e3o industrial) e a amplia\u00e7\u00e3o do investimento em infraestrutura e na produ\u00e7\u00e3o para o mercado interno chin\u00eas. Al\u00e9m disso, amplia a exporta\u00e7\u00e3o de capital, especialmente na forma de investimentos que garantam o abastecimento de produtos prim\u00e1rios para sua ind\u00fastria, assegurando a produ\u00e7\u00e3o intensiva de mais-valia e a acumula\u00e7\u00e3o de capital.<\/p>\n<p>O aumento da demanda por produtos prim\u00e1rios pela China e a especula\u00e7\u00e3o na bolsa de mercadorias tem resultado no aumento dos pre\u00e7os das <em><strong>commodities<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>E nesse contexto \u2013 no caso do Brasil, na nova divis\u00e3o internacional do trabalho \u2013 a <strong>parte que nos coube<\/strong> foi a especializa\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o intensiva e em larga escala dessas <em>commodities<\/em>.<\/p>\n<p><strong>2. Conjuntura nacional<\/strong><\/p>\n<p>A reconfigura\u00e7\u00e3o da economia mundial condiciona as transforma\u00e7\u00f5es na forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-social brasileira, na estrutura econ\u00f4mica brasileira, que caracterizamos em 2006 como um <strong>&#8220;processo de regress\u00e3o a uma situa\u00e7\u00e3o colonial de novo tipo&#8221; <\/strong>[<a href=\"http:\/\/www.cecac.org.br\/MATERIAS\/brasil-crescimento_economico_para_quem-20.5.11.htm#nota8\">8<\/a>] , iniciado em meados da d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n<p>O deslocamento de parte significativa da produ\u00e7\u00e3o industrial imperialista para a \u00c1sia\/China criou uma forte procura por produtos b\u00e1sicos, principalmente min\u00e9rios, alimentos e petr\u00f3leo e norteou a <strong>especializa\u00e7\u00e3o do Brasil na produ\u00e7\u00e3o de <\/strong><em><strong>commodities<\/strong><\/em><strong> para exporta\u00e7\u00e3o<\/strong>. Este tipo de produ\u00e7\u00e3o vem se transformando no <strong>setor din\u00e2mico<\/strong> da economia brasileira, processo que significou aprofundar a condi\u00e7\u00e3o do Brasil de pa\u00eds dominado no sistema imperialista mundial.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos esquecer, entretanto, que s\u00e3o as contradi\u00e7\u00f5es internas que determinam a mudan\u00e7a dos fen\u00f4menos. Os fatores externos atuam nos fen\u00f4menos nos limites das suas contradi\u00e7\u00f5es internas. E no desenvolvimento das sociedades esses limites s\u00e3o, no fundamental, a luta de classes, o motor da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Assim, buscamos destacar nesta an\u00e1lise que s\u00e3o as contradi\u00e7\u00f5es internas que determinam, no fundamental, o \u201cprocesso de regress\u00e3o\u201d e as manifesta\u00e7\u00f5es espec\u00edficas da forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-social brasileira no atual contexto da crise. Essas <strong>contradi\u00e7\u00f5es internas<\/strong> se expressam principalmente pelo est\u00e1gio da luta de classes \u2013 pela correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na sociedade \u2013 que, no Brasil, se apresenta como:<\/p>\n<p>1) recuo e defensiva do proletariado e demais classes dominadas com caracter\u00edsticas an\u00e1logas \u00e0quelas apontadas na conjuntura internacional. Ou seja, aus\u00eancia do partido revolucion\u00e1rio do proletariado com uma linha pol\u00edtica justa, enraizado e com for\u00e7a nas massas para dirigir suas lutas numa perspectiva revolucion\u00e1ria, somado ao atual n\u00edvel de consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o, de resist\u00eancia da classe oper\u00e1ria e demais classes dominadas brasileiras frente aos ajustes impulsionados pela reconfigura\u00e7\u00e3o da economia mundial.<\/p>\n<p>2) ofensiva das classes dominantes brasileiras (em sua maioria esmagadora) e seu profundo n\u00edvel de integra\u00e7\u00e3o\/subordina\u00e7\u00e3o aos ajustes necess\u00e1rios \u00e0 reconfigura\u00e7\u00e3o da economia mundial, de acordo com os interesses das classes dominantes dos pa\u00edses imperialistas e seus pr\u00f3prios interesses de classe, enquanto s\u00f3cios menores do imperialismo. Quem exerce o poder de Estado no Brasil \u00e9 o grande capital brasileiro, garantindo o processo de regress\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste primeiro texto, vamos tratar em especial dos aspectos econ\u00f4micos da atual conjuntura nacional e, posteriormente, enfatizaremos os aspectos pol\u00edticos. Consideramos, no entanto, a necessidade de entender os dois processos \u2013 o econ\u00f4mico e o pol\u00edtico \u2013 de maneira indissoci\u00e1vel, dial\u00e9tica. A separa\u00e7\u00e3o tem como \u00fanica finalidade facilitar a exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>2.1 O processo de \u201cregress\u00e3o\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O processo de \u201cregress\u00e3o a uma situa\u00e7\u00e3o colonial de novo tipo\u201d e as mudan\u00e7as na estrutura econ\u00f4mica brasileira se apresentam &#8211; como afirmamos em 2006 &#8211; em quatro aspectos principais:<\/p>\n<p>1 &#8211; na constitui\u00e7\u00e3o de um setor agroindustrial e mineral voltado \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o. A especializa\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de <em>commodities<\/em> \u00e9 a principal caracter\u00edstica do processo de regress\u00e3o e se torna o polo din\u00e2mico da economia brasileira. [Em 2008, com a comprova\u00e7\u00e3o da descoberta de petr\u00f3leo na camada do pr\u00e9-sal brasileiro, com reservas estimadas em mais de 10 bilh\u00f5es de barris, esta <em>commodity<\/em> tende a se transformar num dos principais itens da pauta de exporta\u00e7\u00e3o brasileira];<\/p>\n<p>2 &#8211; na quebra de elos da cadeia produtiva em ramos importantes da atividade industrial e fechamento de setores da produ\u00e7\u00e3o, cujos produtos, pe\u00e7as e componentes passam a ser importados;<\/p>\n<p>3 &#8211; na organiza\u00e7\u00e3o de um novo setor industrial voltado para a constitui\u00e7\u00e3o de ilhas de produ\u00e7\u00e3o e montagem de mercadorias em empresas estrangeiras ou associadas, de m\u00e9dia tecnologia, para exporta\u00e7\u00e3o [e, como se verificou posteriormente, tamb\u00e9m para o mercado interno, artificialmente aquecido pela oferta de cr\u00e9dito f\u00e1cil, pelo est\u00edmulo ao endividamento e por pol\u00edticas compensat\u00f3rias];<\/p>\n<p>4 &#8211; na montagem de um sistema de valoriza\u00e7\u00e3o fict\u00edcia do capital, remunerando com altos juros o capital que circula nas engrenagens da especula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os quatro aspectos acima levantados comp\u00f5em um todo, e se relacionam, se refor\u00e7am entre si. A \u201ccrise do subprime\u201d (2007\/2008), as \u201cmedidas anticrise\u201d de Lula em 2009 e 2010 e as iniciativas do in\u00edcio do governo Dilma (2011) aprofundaram ainda mais esse processo de regress\u00e3o a uma situa\u00e7\u00e3o colonial de novo tipo. Essa \u00e9 a forma como o Brasil se insere na nova divis\u00e3o internacional do trabalho, tendo em vista, principalmente, o novo lugar que a China ocupa na economia mundial, na reprodu\u00e7\u00e3o internacional do capital.<\/p>\n<p>Diferentes estudos, artigos e mat\u00e9rias nos meios de comunica\u00e7\u00e3o diuturnamente v\u00eam levantando dados que evidenciam a especificidade e a intensidade com que o Brasil tem se ajustado ao atual est\u00e1gio internacional de valoriza\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n<p>Selecionamos uma pequena amostra do que se tem noticiado sobre o tema.<\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 1<\/strong><\/p>\n<p><strong><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cecac.org.br\/Imagens%20Utiliz%E1veis\/boletim_CeCAC_grafico_1-bal.comercial.jpg?resize=300%2C229\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"229\" \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>Fonte: FIESP (Carta Capital, 23\/03\/2011)<\/strong><\/p>\n<p>Neste primeiro gr\u00e1fico, destacamos o significativo avan\u00e7o (cerca de 100%) do d\u00e9ficit na balan\u00e7a comercial de manufaturados de 2009 para 2010, de US$ 36,5 bilh\u00f5es para US$ 70,9 bilh\u00f5es. \u00c9 uma demonstra\u00e7\u00e3o cabal que o ano de 2010, que registrou o crescimento da economia brasileira de 7,5% do PIB, \u00e9 tamb\u00e9m aquele em que se aprofunda o processo de regress\u00e3o, com crescimento muito maior das importa\u00e7\u00f5es de manufaturados, isto \u00e9, de produtos com maior intensidade tecnol\u00f3gica (implicando em efeitos j\u00e1 levantados: quebra de elos de cadeia produtiva, fechamento de setores de produ\u00e7\u00e3o, etc) e redu\u00e7\u00e3o relativa de exporta\u00e7\u00f5es de manufaturados.<\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 2<\/strong><\/p>\n<p><strong><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cecac.org.br\/Imagens%20Utiliz%E1veis\/boletim_CeCAC_grafico_2-investimentos_industria.jpg?resize=331%2C296\" border=\"0\" width=\"331\" height=\"296\" \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>Fonte: BNDES\/GT do Investimento (Carta Capital, 20\/04\/2011)<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cA produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas \u00e9 outra vencedora neste cen\u00e1rio. Segundo o BNDES, os investimentos industriais devem somar 614 bilh\u00f5es de reais entre 2011 e 2014. S\u00f3 o setor de \u00f3leo e g\u00e1s dever\u00e1 absorver 378 bilh\u00f5es ou 61,5% do montante total. Em segundo lugar est\u00e1 o segmento de extra\u00e7\u00e3o mineral, que dever\u00e1 investir 62 bilh\u00f5es ou 10,2% do total previsto. Cada vez mais, portanto, o <\/em><strong><em>investimento industrial \u00e9 canalizado para a produ\u00e7\u00e3o de itens de baixo valor agregado<\/em><\/strong><em>\u201d (Carta Capital, de 20 de abril de 2011).<\/em><\/p>\n<p>Atrav\u00e9s desse segundo gr\u00e1fico, notamos que mesmo quando se fala em aumento dos investimentos industriais, este se concentra em setores de baixo valor agregado: <strong>71%<\/strong> em petr\u00f3leo e g\u00e1s e setor extrativo mineral.<\/p>\n<p><em>\u201cA ind\u00fastria, sob forte concorr\u00eancia externa, encara um cen\u00e1rio bem mais preocupante. No ano passado, as importa\u00e7\u00f5es de produtos manufaturados cresceram <\/em><strong><em>45%<\/em><\/strong><em>, para mais de 150 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. As exporta\u00e7\u00f5es do segmento cresceram <\/em><strong><em>18%<\/em><\/strong><em>, mas n\u00e3o chegaram a 80 bilh\u00f5es. Resultado: um d\u00e9ficit de mais de 70 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, quase duas vezes maior do que o registrado em 2009.<\/em><\/p>\n<p><em>Dados da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp) mostram que os produtos industrializados importados abocanharam mais da metade <\/em><strong><em>(54%)<\/em><\/strong><em> da expans\u00e3o do consumo entre 2008 e 2010. Em alguns setores, o problema \u00e9 ainda mais n\u00edtido. No segmento de m\u00e1quinas e equipamentos industriais, toda a expans\u00e3o da demanda nos \u00faltimos dois anos foi suprida por bens vindos de pa\u00edses como a China, a Coreia do Sul e a Alemanha. Comportamento parecido tiveram a siderurgia, os t\u00eaxteis e os artigos de vestu\u00e1rio\u201d (Carta Capital, de 20 de abril de 2011).<\/em><\/p>\n<p>O crescimento do mercado interno e do consumo de produtos industrializados \u2013 tamb\u00e9m alardeado nos \u00faltimos anos \u2013 foi ocupado em mais da metade (54%) por importados. No setor de bens de capital, que \u00e9 estrat\u00e9gico, 100% de sua expans\u00e3o foi realizada com bens vindos do exterior, nos dois \u00faltimos anos. Nesse sentido, o crescimento econ\u00f4mico do \u201cBrasil grande\u201d esconde a real mudan\u00e7a regressiva na estrutura econ\u00f4mica brasileira.<\/p>\n<p><em>\u201cCerca de 80% das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras \u00e0 China no ano passado foram de produtos b\u00e1sicos, como commodities. De tudo o que foi vendido \u00e0quele pa\u00eds, 66% foi apenas em min\u00e9rio de ferro e soja triturada. (http:\/\/economia.terra.com.br &#8211; 8.4.2011)<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cNesta rela\u00e7\u00e3o bilateral [Brasil-China], o desequil\u00edbrio nas trocas comercias \u00e9 evidente, de acordo com o levantamento do Derex [Departamento de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Com\u00e9rcio Exterior da Fiesp]. <\/em><strong><em>Enquanto 97,5% das importa\u00e7\u00f5es brasileiras da China foram de bens manufaturados,<\/em><\/strong><strong><em>apenas 5% das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras s\u00e3o provenientes deste setor<\/em><\/strong><em>\u201d. (http:\/\/www2.uol.com.br &#8211; 18.1.2011)<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cO Brasil teve super\u00e1vit comercial com a China em 2010, de US$5 bilh\u00f5es, mas porque houve forte aumento do pre\u00e7o das mat\u00e9rias-primas. Somente de min\u00e9rio de ferro foram US$13,3 bilh\u00f5es de receita, ou 43% de tudo que vendemos aos chineses.<\/em><strong><em> Nos dois primeiros meses deste ano, a participa\u00e7\u00e3o do min\u00e9rio foi ainda maior: 61,3%<\/em><\/strong><em>.\u201d (Coluna de Miriam Leit\u00e3o, O Globo \u2013 13\/04\/2011)<\/em><\/p>\n<p>Esses tr\u00eas \u00faltimos trechos apontam as rela\u00e7\u00f5es comerciais Brasil-China como um aspecto fundamental para entender o lugar que o Brasil ocupa na nova divis\u00e3o internacional do trabalho (a <strong>produ\u00e7\u00e3o de commodities para exporta\u00e7\u00e3o<\/strong>) e o momento atual do processo mais geral da regress\u00e3o\u201d [<a href=\"http:\/\/www.cecac.org.br\/MATERIAS\/brasil-crescimento_economico_para_quem-20.5.11.htm#nota9\">9<\/a>].<\/p>\n<p>No caso do Brasil, pela sua forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-social <strong>espec\u00edfica<\/strong>, a produ\u00e7\u00e3o de <em>commodities<\/em> para exporta\u00e7\u00e3o leva a um <strong>processo de especializa\u00e7\u00e3o<\/strong> nessa produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>3 &#8211; Brasil-China no processo de \u201cregress\u00e3o\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A fim de continuar a an\u00e1lise desse processo, neste texto, vamos nos apoiar em dados e informa\u00e7\u00f5es levantados no \u201cComunicado do IPEA [<a href=\"http:\/\/www.cecac.org.br\/MATERIAS\/brasil-crescimento_economico_para_quem-20.5.11.htm#nota10\">10<\/a>] n\u00ba 85: \u201cAs rela\u00e7\u00f5es bilaterais Brasil \u2013 China: a ascens\u00e3o da China no sistema mundial e os desafios para o Brasil\u201d [<a href=\"http:\/\/www.cecac.org.br\/MATERIAS\/brasil-crescimento_economico_para_quem-20.5.11.htm#nota11\">11<\/a>], de 8 de abril de 2011.<\/p>\n<p><strong>3.1 Brasil e China na nova divis\u00e3o internacional do trabalho<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cNo \u00e2mbito produtivo, a mudan\u00e7a do modelo chin\u00eas pode significar transforma\u00e7\u00f5es estruturais na divis\u00e3o internacional do trabalho e das pr\u00f3prias plantas de produ\u00e7\u00e3o, em virtude da tend\u00eancia de eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os das <\/em><strong><em>commodities <\/em><\/strong>[<a href=\"http:\/\/www.cecac.org.br\/MATERIAS\/brasil-crescimento_economico_para_quem-20.5.11.htm#nota12\">12<\/a>]<em>, bem como da press\u00e3o competitiva chinesa sobre os parques industriais mais complexos, inclusive o brasileiro.<\/em><\/p>\n<p><em>Nos fluxos de capitais, essa nova din\u00e2mica pode significar uma realoca\u00e7\u00e3o dos Investimentos Diretos Externos (IDE), destinando-se a setores voltados aos suprimentos de alimentos, mat\u00e9rias-primas e energia para o mercado chin\u00eas. Al\u00e9m da busca de fornecimento de <\/em><strong><em>commodities<\/em><\/strong><em>, o IDE chin\u00eas no mundo tem mais recentemente se voltado para setores em que a ind\u00fastria desenvolve capacidade competitiva (automobil\u00edstica, inform\u00e1tica, equipamentos de telecomunica\u00e7\u00f5es, eletrodom\u00e9sticos e eletroeletr\u00f4nicos, entre outras).\u201d(p.4)<\/em><\/p>\n<p>Este in\u00edcio do \u201cComunicado\u201d indica que a especializa\u00e7\u00e3o brasileira na produ\u00e7\u00e3o de <em>commodities<\/em> no contexto da nova divis\u00e3o internacional de trabalho leva a uma tend\u00eancia forte (\u201cpress\u00e3o competitiva\u201d) de fechamento de empresas no Brasil, quebra de elos de cadeia produtiva em alguns ramos industriais e desnacionaliza\u00e7\u00e3o. Vale ressaltar que as mudan\u00e7as do \u201cmodelo chin\u00eas\u201d (e suas rela\u00e7\u00f5es com o Brasil) n\u00e3o s\u00e3o decorrentes de uma a\u00e7\u00e3o unilateral daquele pa\u00eds, mas est\u00e3o integradas e condicionadas \u00e0s mudan\u00e7as do sistema capitalista mundial. Grandes monop\u00f3lios dos pa\u00edses imperialistas se deslocaram para a China em busca da valoriza\u00e7\u00e3o m\u00e1xima de seus capitais na produ\u00e7\u00e3o, atra\u00eddos particularmente pelos baixos sal\u00e1rios, originando especialmente uma rela\u00e7\u00e3o simbi\u00f3tica EUA-China, prenhe de novas contradi\u00e7\u00f5es que, a longo prazo, tendem a se agravar.<\/p>\n<p>Esse Comunicado se destaca pelo esfor\u00e7o de sistematiza\u00e7\u00e3o de um conjunto de indicadores que, mediante a perspectiva de que partimos, permitem ilustrar o processo de regress\u00e3o em curso \u2013 apesar de as conclus\u00f5es dos autores apontarem em outra dire\u00e7\u00e3o. Algumas cita\u00e7\u00f5es podem ser um tanto extensas, mas os dados que apresentam s\u00e3o irrefut\u00e1veis e esclarecedores.<\/p>\n<p><strong>3.2 Intensifica\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio bilateral Brasil-China<\/strong><\/p>\n<p>A China tornou-se o principal pa\u00eds de destino das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras e o segundo na origem das importa\u00e7\u00f5es brasileiras. O Comunicado informa alguns dados sobre a evolu\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es comerciais China\/Brasil:<\/p>\n<p><em>\u201cEntre 2000 e 2010, as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para a China elevaram-se de US$ 1,1 bilh\u00e3o \u2013 2% do total das exporta\u00e7\u00f5es do Brasil \u2013 para US$ 30,8 bilh\u00f5es \u2013 15% do total, ao passo que as importa\u00e7\u00f5es brasileiras da China cresceram de US$ 1,2 bilh\u00e3o \u2013 2% do total \u2013 para U$ 25,6 bilh\u00f5es \u2013 14% do total\u201d (p.4). <\/em><\/p>\n<p><em>\u201c[&#8230;] a confirma\u00e7\u00e3o da China como maior destino das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras \u2013 posi\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ada j\u00e1 em 2009 quando deslocou os Estados Unidos \u2013 absorvendo 15,2% do total exportado pelo Brasil.\u201d (p.5)<\/em><\/p>\n<p><em>\u201c[&#8230;] Espera-se que em 2011 a China assuma tamb\u00e9m a primeira posi\u00e7\u00e3o nas importa\u00e7\u00f5es brasileiras.\u201d (p.6)<\/em><\/p>\n<p>E apresenta os gr\u00e1ficos:<\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 3<\/strong><\/p>\n<p><strong><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cecac.org.br\/Imagens%20Utiliz%E1veis\/boletim_CeCAC_grafico_3__participacao_10_paises_exp_br.jpg?w=747\" border=\"0\"  \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 4<\/strong><\/p>\n<p><strong><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cecac.org.br\/Imagens%20Utiliz%E1veis\/boletim_CeCAC_grafico_4_evoluc_paises_impor_br.jpg?w=747\" border=\"0\"  \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>3.3 N\u00edvel tecnol\u00f3gico da importa\u00e7\u00e3o e da exporta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os gr\u00e1ficos acima apontam somente o quantitativo do com\u00e9rcio bilateral Brasil-China e a sua posi\u00e7\u00e3o na balan\u00e7a comercial brasileira. O \u201cx\u201d da quest\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 o peso da China no processo de especializa\u00e7\u00e3o brasileira na produ\u00e7\u00e3o de <em>commodities<\/em> e o processo de desmonte da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o brasileira, evidenciado pelon\u00edvel de intensidade tecnol\u00f3gica das mercadorias. <strong>O Brasil exporta produtos b\u00e1sicos <\/strong>(produtos prim\u00e1rios + manufaturas intensivas em recursos naturais: as <em>commodities) <\/em><strong><em>e importa mercadorias com m\u00e9dia e alta intensidade tecnol\u00f3gica.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Sobre esse aspecto, o Comunicado informa:<\/p>\n<p><em>\u201cTodavia, a pauta de exporta\u00e7\u00f5es brasileiras [para a China] vem se concentrando em produtos b\u00e1sicos. Entre 2000 e 2009, os produtos b\u00e1sicos passaram de 68% para 83% da pauta. <\/em><strong><em>Os produtos que apresentaram a maior participa\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es, em 2010, foram min\u00e9rios (40%), oleaginosas (23%) e combust\u00edveis minerais (13%), que juntos responderam por 76% das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras\u201d <\/em><\/strong><em>(p.6)<\/em><\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 5<\/strong><\/p>\n<p><strong><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cecac.org.br\/Imagens%20Utiliz%E1veis\/boletim_CeCAC_grafico_5_pauta-export-Bras_cecac.jpg?w=747\" border=\"0\"  \/><\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cA pauta de importa\u00e7\u00e3o do Brasil com a China por intensidade tecnol\u00f3gica mostra o seguinte comportamento: as importa\u00e7\u00f5es de produtos de alta tecnologia aumentaram significantemente em termos de valores entre 2000 e 2010, saindo de US$ 487 milh\u00f5es em 2000 para US$ 8 bilh\u00f5es em 2008 e quase US$ 10 bilh\u00f5es em 2010 [Gr\u00e1fico abaixo]. A participa\u00e7\u00e3o chinesa desses produtos no total importado brasileiro nunca foi menos que 36%, atingindo em 2005 uma participa\u00e7\u00e3o de mais de 50%. Nos dois \u00faltimos anos essa participa\u00e7\u00e3o tem ca\u00eddo ligeiramente, mas com destaque para o aumento das importa\u00e7\u00f5es de produtos chineses de m\u00e9dia intensidade tecnol\u00f3gica de 16% em 2000 para 44% em 2009. Justamente no segmento onde o Brasil tem mais dificuldade de acessar o mercado chin\u00eas por meio das exporta\u00e7\u00f5es\u201d (p.7)<\/em><\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 6<\/strong><\/p>\n<p><strong><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cecac.org.br\/Imagens%20Utiliz%E1veis\/boletim_CeCAC_grafico_6_pauta_importadora-br-china.jpg?w=747\" border=\"0\"  \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>3.4 Exporta\u00e7\u00e3o de capital na rela\u00e7\u00e3o China\/Brasil<\/strong><\/p>\n<p>A exporta\u00e7\u00e3o de capital chin\u00eas (os \u201cinvestimentos\u201d) para o Brasil avan\u00e7ou \u2013 e de forma acelerada. Os investimentos priorit\u00e1rios se deram no setor de produ\u00e7\u00e3o de <em>commodities<\/em> e no setor de infraestrutura necess\u00e1rio para garantir a exporta\u00e7\u00e3o das mesmas. Mais recentemente \u2013 e este \u00e9 um ponto novo e importante \u2013 houve um <strong>crescimento da presen\u00e7a da China na produ\u00e7\u00e3o interna brasileira de manufaturados<\/strong>, contribuindo tamb\u00e9m desta forma, diretamente, para o processo de desmonte da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o e desnacionaliza\u00e7\u00e3o da economia brasileira. A exporta\u00e7\u00e3o de capital no setor financeiro tamb\u00e9m se fez presente. Mas fique registrado que o grande crescimento dos investimentos chineses se deu no ano de 2010 e com destaque para o setor de petr\u00f3leo, com a compra de duas empresas que operam no Brasil, no valor de US$ 10,17 bilh\u00f5es, al\u00e9m de um empr\u00e9stimo de US$ 10 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para a Petrobras (IPEA 2011, p. 10).<\/p>\n<p>Seguem alguns dados do Comunicado do IPEA que apontam essa tend\u00eancia:<\/p>\n<p><em>\u201cAs aquisi\u00e7\u00f5es chinesas de empresas que operam no Brasil entre 2009 e 2010 cresceram tanto em termos de opera\u00e7\u00f5es (de 1 para 5) quanto em termo de valor (de US$ 0,4 bilh\u00e3o para US$ 14,9 bilh\u00f5es). Estas aquisi\u00e7\u00f5es ocorreram, sobretudo, no setor de petr\u00f3leo (US$ 10,17 bilh\u00f5es) e na explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal brasileiro. Os outros setores de atua\u00e7\u00e3o das empresas chinesas foram: financeiro (US$ 1,8 bilh\u00e3o), minera\u00e7\u00e3o (US$ 1,22 bilh\u00e3o) e energia el\u00e9trica (US$ 1,72 bilh\u00e3o) [Tabela abaixo]. Fica evidente a estrat\u00e9gia chinesa de garantir o acesso \u00e0s fontes de recursos naturais, bem como o de tentar influenciar no pre\u00e7o desses setores.\u201d (p.9)<\/em><\/p>\n<p><strong>Tabela 1<\/strong><\/p>\n<p><strong><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cecac.org.br\/Imagens%20Utiliz%E1veis\/boletim_CeCAC_tabela_1_aquisicoes%20-chinesas-de-empresas.jpg?w=747\" border=\"0\"  \/><\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cAs investidas do capital chin\u00eas no Brasil n\u00e3o ficaram concentradas apenas em atividades ligadas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e \u00e0 siderurgia, mas tamb\u00e9m envolveram as empresas chinesas atreladas ao agroneg\u00f3cio as quais t\u00eam comprado vastas propriedades rurais agricult\u00e1veis. O avan\u00e7o chin\u00eas na compra de minas, \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e de terras para agropecu\u00e1ria v\u00eam provocando preocupa\u00e7\u00f5es tanto nos setores empresariais quanto governamentais. (p.10)\u201d <\/em>[<a href=\"http:\/\/www.cecac.org.br\/MATERIAS\/brasil-crescimento_economico_para_quem-20.5.11.htm#nota13\">13<\/a>]<\/p>\n<p><em>\u201cAl\u00e9m desses setores, as empresas chinesas j\u00e1 atuam nos mais diversos ramos no Brasil desde equipamentos de telecomunica\u00e7\u00f5es, passando por setor financeiro e energia el\u00e9trica at\u00e9 autom\u00f3veis. No setor de telecomunica\u00e7\u00f5es e computadores, as empresas chinesas Lenovo, ZTE e Huawei est\u00e3o produzindo no Brasil, sendo que esta \u00faltima \u00e9 a l\u00edder no mercado de banda larga fixa e m\u00f3vel. Quanto ao setor de energia el\u00e9trica, a China State Grid Corp comprou sete concession\u00e1rias brasileiras de transmiss\u00e3o.\u201d (p.10)<\/em><\/p>\n<p>Por outro lado, a exporta\u00e7\u00e3o de capital do Brasil para a China \u00e9 irrelevante:<\/p>\n<p><em>\u201cPor sua vez, a queda do fluxo de IDE brasileiro para a China, pelos dados oficiais do Banco Central, reduziu ainda mais a pequena participa\u00e7\u00e3o da China como mercado de destino do investimento direto brasileiro entre 2006 e 2010 (de 0,06% para 0,03%). A China em 2009 foi o 30\u00ba principal pa\u00eds receptor de IDE brasileiro, posi\u00e7\u00e3o esta que se manteve est\u00e1vel em 2010.\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>3.5 O significado da rela\u00e7\u00e3o Brasil-China no processo de regress\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Atrav\u00e9s dos dados registrados pelo Comunicado do IPEA, podemos identificar o papel das rela\u00e7\u00f5es Brasil\/China nas transforma\u00e7\u00f5es da estrutura produtiva brasileira. <strong>O significado dessas mudan\u00e7as, no entanto, precisa ser entendido no sentido da regress\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o colonial de novo tipo<\/strong>, como destacamos e comentamos a partir dos seguintes t\u00f3picos:<\/p>\n<p><strong>A)<\/strong> no que tange \u00e0 \u201cconstitui\u00e7\u00e3o de um setor agroindustrial e mineral voltado \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de <em>commodities<\/em>, que se torna o polo din\u00e2mico da economia brasileira\u201d, o Comunicado afirma:<\/p>\n<p><em>\u201cA concorr\u00eancia entre a estrutura produtiva chinesa e a brasileira pode afetar esse dinamismo do com\u00e9rcio e dos investimentos. [&#8230;] O \u201cefeito China\u201d tem gerado (i) a e<\/em><strong><em>specializa\u00e7\u00e3o regressiva da pauta exportadora \u2013 entendida como o aumento da participa\u00e7\u00e3o relativa dos produtos b\u00e1sicos para a exporta\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><em> \u2013; (ii) um significativo d\u00e9ficit comercial para o Brasil no caso dos produtos de mais alta intensidade tecnol\u00f3gica; (iii) uma perda na participa\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de maior intensidade tecnol\u00f3gica em terceiros mercados (Europa, Estados Unidos e Am\u00e9rica Latina) em virtude da expans\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es chinesas.\u201d (p. 14)<\/em><\/p>\n<p><strong>B)<\/strong> o que analisamos como \u201cfechamento de setores de produ\u00e7\u00e3o, quebra de elos na cadeia produtiva e constitui\u00e7\u00e3o de ilhas de produ\u00e7\u00e3o e montagem de mercadorias\u201d, o Comunicado afirma:<\/p>\n<p><em>\u201cA amplia\u00e7\u00e3o da corrente do com\u00e9rcio entre a China e o Brasil veio acompanhada de press\u00e3o competitiva das manufaturas chinesas sobre o parque industrial brasileiro.\u201d (p.14)<\/em><\/p>\n<p><em>\u201c&#8230; A press\u00e3o competitiva das manufaturas chinesas tende a gerar um processo de especializa\u00e7\u00e3o regressiva da estrutura industrial (<\/em><strong><em>desadensamento da cadeia produtiva dom\u00e9stica<\/em><\/strong><em>).\u201d (p. 14)<\/em><\/p>\n<p><strong>C)<\/strong> em rela\u00e7\u00e3o ao que analisamos como \u201caprofundamento da domina\u00e7\u00e3o do imperialismo e a condi\u00e7\u00e3o do Brasil de pa\u00eds subordinado no sistema imperialista\u201d, o Comunicado afirma:<\/p>\n<p><em>\u201c [&#8230;] pode significar a perda do controle estrat\u00e9gico soberano do Brasil sobre as fontes de energia (petr\u00f3leo) e de recursos naturais (terras e minas), sem que isso signifique uma maior transfer\u00eancia de tecnologia para o pa\u00eds.\u201d (p. 14) \u201c<\/em><strong><em>vulnerabilidade externa estrutural [tende a agravar-se]<\/em><\/strong><em>\u201d (p. 14)<\/em><\/p>\n<p><strong>D)<\/strong> o que analisamos como o \u201cprocesso de regress\u00e3o a uma situa\u00e7\u00e3o colonial de novo tipo\u201d (como tend\u00eancia), condicionado pela nova divis\u00e3o internacional do trabalho, o Comunicado afirma:<\/p>\n<p><em>\u201cSe n\u00e3o forem superados esses obst\u00e1culos e se desperdi\u00e7adas as oportunidades, a vulnerabilidade externa estrutural \u2013 a especializa\u00e7\u00e3o regressiva da pauta exportadora e da estrutura industrial brasileira \u2013 tende a agravar-se como um fen\u00f4meno de longo prazo e aprofundar as assimetrias no padr\u00e3o de com\u00e9rcio, na efici\u00eancia do aparelho produtivo, na din\u00e2mica tecnol\u00f3gica e na solidez do sistema financeiro nacional.\u201d (p. 14 e 15) <\/em><\/p>\n<p>O Comunicado do IPEA, como vimos, est\u00e1 repleto de informa\u00e7\u00f5es sobre o \u201cprocesso de regress\u00e3o\u201d a que nos referimos. O texto fornece dados que demonstram o <strong>aprofundamento<\/strong> desse processo principalmente nos \u00faltimos dois anos.<\/p>\n<p>Mas do ponto de vista pol\u00edtico, o documento do IPEA n\u00e3o percebe o fen\u00f4meno \u2013 que \u00e9 de integra\u00e7\u00e3o subordinada do Brasil na nova divis\u00e3o internacional do trabalho, de<strong> aprofundamento da condi\u00e7\u00e3o de pa\u00eds dominado no sistema imperialista<\/strong> \u2013 como um processo de regress\u00e3o a uma situa\u00e7\u00e3o colonial de novo tipo. N\u00e3o se coloca contra ele, acaba por relativiz\u00e1-lo, bordejando o tema e ficando na superficialidade do fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>Na verdade, considera a atual inser\u00e7\u00e3o do Brasil na nova divis\u00e3o internacional do trabalho como uma abertura de \u201coportunidades&#8230; no curto e m\u00e9dio prazo\u201d a serem aproveitadas. Acaba propondo realizar ajustes ao que consideram os aspectos negativos e regressivos da rela\u00e7\u00e3o comercial e financeira Brasil-China, que amea\u00e7ariam o Brasil \u201csobretudo no longo prazo\u201d.<\/p>\n<p>Esta posi\u00e7\u00e3o fica explicitada no trecho abaixo:<\/p>\n<p><em>\u201cA amplia\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es comerciais, financeiras (especialmente IDE) e produtivas entre China e Brasil vem se configurando num momento de significativas transforma\u00e7\u00f5es internacionais \u2013 mudan\u00e7as na divis\u00e3o internacional do trabalho, nos fluxos comerciais e financeiros e nas arenas pol\u00edticas internacionais \u2013, que alteram o status de determinados Estados nacionais na hierarquia do sistema mundial. Retorno e emerg\u00eancia de atores nos espa\u00e7os de disputa econ\u00f4mica e pol\u00edtica global, tais como o Brasil, a R\u00fassia, a \u00cdndia e, notadamente, a China.<\/em><\/p>\n<p><em>Essa din\u00e2mica traz consigo oportunidades para o Brasil no curto e m\u00e9dio prazo, mas que se n\u00e3o forem bem aproveitadas poder\u00e3o representar amea\u00e7as, sobretudo, no longo prazo, como a perda de participa\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras em terceiros mercados para a China, desadensamento da estrutura produtiva nacional, perda do controle estrat\u00e9gico sobre fontes de energia \u2013 petr\u00f3leo \u2013 e de recursos naturais \u2013 terras e minas \u2013 e aumento da vulnerabilidade externa estrutural.\u201d (p. 12-13) <\/em><\/p>\n<p>A express\u00e3o \u201clongo prazo\u201d colocada no documento do IPEA aponta um risco futuro para o Brasil. Na verdade, a longo prazo a tend\u00eancia \u00e9 aprofundar a regress\u00e3o que, como fen\u00f4meno, j\u00e1 se iniciou e tem graves efeitos imediatos para o Brasil do ponto de vista da classe oper\u00e1ria e demais classes oprimidas. E n\u00e3o ser\u00e3o medidas pontuais, de pol\u00edtica monet\u00e1ria e fiscal ou de uma \u201cboa\u201d rela\u00e7\u00e3o Brasil-China que ir\u00e3o reverter essa tend\u00eancia.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, de maneira bastante expl\u00edcita, as classes dominantes brasileiras, envolvidas ou n\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de <em>commodities<\/em>, t\u00eam se afinado com as tend\u00eancias do processo, n\u00e3o t\u00eam desperdi\u00e7ado oportunidades, e v\u00eam surfando com desenvoltura (umas com mais, outras com menos) na \u201conda chinesa\u201d. O que se constata \u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o de riquezas, a centraliza\u00e7\u00e3o do capital nas m\u00e3os dos grandes monop\u00f3lios que se associam e lucram tanto na esfera produtiva quanto na financeira\/especulativa.<\/p>\n<p>O grau de unidade da maioria das classes dominantes brasileiras em torno desse movimento regressivo de mudan\u00e7as da forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-social brasileira e na sustenta\u00e7\u00e3o aos governos Lula e Dilma agrava os n\u00edveis de explora\u00e7\u00e3o e traz implica\u00e7\u00f5es diretas nas condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho do proletariado e do povo brasileiro. Os impressionantes n\u00edveis de concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o de capitais e o correspondente aumento do fosso da desigualdade de classe s\u00e3o uma marca da conjuntura brasileira. O Brasil, a sexta economia do mundo, apresenta um dos maiores \u00edndices de desigualdade social. Tais quest\u00f5es ser\u00e3o tema em nosso pr\u00f3ximo texto.<\/p>\n<p>A realidade confirma o que Marx indicava: a concentra\u00e7\u00e3o de riqueza em um polo significa acumula\u00e7\u00e3o de pobreza em outro. A reconfigura\u00e7\u00e3o do sistema imperialista em curso tem exacerbado essa rela\u00e7\u00e3o, e no Brasil n\u00e3o tem sido diferente.<\/p>\n<p>S\u00f3 o avan\u00e7o da resist\u00eancia e da luta de classe do proletariado e dos povos oprimidos reverter\u00e1 este quadro. \u00c9 muito atual a consigna:<\/p>\n<p><strong>Prolet\u00e1rios de todos os pa\u00edses, uni-vos!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p>[1] <a href=\"http:\/\/www.cecac.org.br\/MATERIAS\/Crise-do-capitalismo-e-luta-de-classes-CeCAC-junho-2009.htm\" target=\"_blank\">www.cecac.org.br\/MATERIAS\/Crise-do-capitalismo-e-luta-de-classes-CeCAC-junho-2009.htm<\/a> (boletim do CeCAC &#8211; junho-julho de 2009)<\/p>\n<p>[2] Em seu artigo \u201cOs super-ricos do mundo\u201d, James Petras deixa claro o sentido das perdas nas crises: \u201cAs \u2018crises econ\u00f4micas\u2019 de 2008-2009 infligiram apenas perdas tempor\u00e1rias a alguns multimilion\u00e1rios (EUA-UE) e a outros n\u00e3o (asi\u00e1ticos). Gra\u00e7as \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de salvamento de trilh\u00f5es de d\u00f3lares\/euros\/ienes, a classe multimilion\u00e1ria recuperou e alargou-se, apesar de os sal\u00e1rios nos EUA e na Europa terem estagnado e os &#8216;padr\u00f5es de vida&#8217; terem sido atingidos por cortes maci\u00e7os na sa\u00fade, na educa\u00e7\u00e3o, no emprego e nos servi\u00e7os p\u00fablicos\u201d.<\/p>\n<p>(<a href=\"http:\/\/www.cecac.org.br\/MATERIAS\/Em%20seu%20artigo%20%93Os%20super-ricos%20do%20mundo%94,%20James%20Petras%20deixa%20claro%20o%20sentido%20das%20perdas%20nas%20crises:%20%93As%20%91crises%20econ%F4micas%92%20de%202008-2009%20infligiram%20apenas%20perdas%20tempor%E1rias%20a%20alguns%20multimilion%E1rios%20(EUA-UE)%20e%20a%20outros%20n%E3o%20(asi%E1ticos).%20Gra%E7as%20%E0s%20opera%E7%F5es%20de%20salvamento%20de%20trilh%F5es%20de%20d%F3lares\/euros\/ienes,%20a%20classe%20multimilion%E1ria%20recuperou%20e%20alargou-se,%20apesar%20de%20os%20sal%E1rios%20nos%20EUA%20e%20na%20Europa%20terem%20estagnado%20e%20os%20%27padr%F5es%20de%20vida%27%20terem%20sido%20atingidos%20por%20cortes%20maci%E7os%20na%20sa%FAde,%20na%20educa%E7%E3o,%20no%20emprego%20e%20nos%20servi%E7os%20p%FAblicos%94.\" target=\"_blank\">www.cecac.org.br\/MATERIAS\/james.petra-Os_super-ricos_do_mundo10.5.11.htm<\/a>)<\/p>\n<p>[3] Historicamente, a burguesia quando amea\u00e7ada sempre recorreu \u00e0 viol\u00eancia para continuar no poder como classe dominante e, como tal, tentar perpetuar a explora\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o sobre o proletariado e povos oprimidos.<\/p>\n<p>[4] O fim da experi\u00eancia de constru\u00e7\u00e3o do socialismo na URSS e no leste europeu e o processo de restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo em uma s\u00e9rie de pa\u00edses \u201csocialistas\u201d s\u00e3o express\u00f5es marcantes desse processo e o aceleram.<\/p>\n<p>[5] Como demonstram as recentes manifesta\u00e7\u00f5es do povo \u00e1rabe; as mobiliza\u00e7\u00f5es e greves contra os cortes de or\u00e7amento e direitos trabalhistas e previdenci\u00e1rios ocorridas na Europa, em especial na Gr\u00e9cia, Portugal, Fran\u00e7a e Inglaterra; os in\u00fameros protestos e greves da classe oper\u00e1ria na China contra os baixos sal\u00e1rios e p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de vida; e &#8211; no Brasil &#8211; as greves envolvendo mais de 80.000 oper\u00e1rios contra as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, alimenta\u00e7\u00e3o e alojamento nos canteiros de obras do PAC (Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento) do governo federal.<\/p>\n<p>[6] Exemplo de intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do trabalho foi recentemente relatado em mat\u00e9ria sobre a empresa chinesa Foxconn, destacada no notici\u00e1rio por ser um dos \u201ctrunfos\u201d das negocia\u00e7\u00f5es da visita do governo brasileiro \u00e0 China: a empresa de Taiwan se prop\u00f5e a produzir a \u201csegunda gera\u00e7\u00e3o do tablet da Apple, o iPad2 no Brasil\u201d. A Foxconn j\u00e1 tem uma f\u00e1brica em Jundia\u00ed (SP) onde imp\u00f5e um ritmo acelerado de trabalho aos seus funcion\u00e1rios, \u201ccadenciado pelos gritos dos chefes de \u201cvamos, vamos\u201d e \u201cacabou a moleza, vamos, vamos\u201d, j\u00e1 sendo conhecida pelo desrespeito \u00e0s leis trabalhistas no Brasil. Segundo a mat\u00e9ria, \u201cA Foxconn, que faturou US 59 bilh\u00f5es em 2010, tamb\u00e9m foi alvo de den\u00fancias de m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de trabalho na China. No ano passado, a empresa ganhou fama no mundo depois que 18 funcion\u00e1rios em Shenzhen tentaram o suic\u00eddio e 14 morreram. A solu\u00e7\u00e3o da empresa foi aumentar sal\u00e1rios, colocar grades nas janelas e fazer os funcion\u00e1rios assinarem contratos se comprometendo a n\u00e3o se suicidar\u201d (O Globo, 24 de abril de 2011), (grifos nossos). [<a href=\"http:\/\/www.cecac.org.br\/MATERIAS\/brasil-crescimento_economico_para_quem-20.5.11.htm#voltar6\">voltar<\/a>]<\/p>\n<p>[7] <a href=\"http:\/\/www.cecac.org.br\/MATERIAS\/O_mais_recente_crash_financeiro_MAVSantos_novembro_07.htm\" target=\"_top\">www.cecac.org.br\/MATERIAS\/O_mais_recente_crash_financeiro_MAVSantos_novembro_07.htm<\/a><\/p>\n<p>[8] \u201cForma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-social brasileira: regress\u00e3o a uma situa\u00e7\u00e3o colonial de novo tipo\u201d (Boletim do CeCAC \u2013 Mar\u00e7o-Abril de 2006): <a href=\"http:\/\/www.cecac.org.br\/materias\/formacao_social_bras_fev_06.htm\" target=\"_blank\">www.cecac.org.br\/materias\/formacao_social_bras_fev_06.htm<\/a><\/p>\n<p>[9] Estamos analisando o processo geral, a tend\u00eancia geral. Uma ou outra quest\u00e3o, alguma a\u00e7\u00e3o do governo federal e de setores das classes dominantes que v\u00e3o em sentido contr\u00e1rio n\u00e3o invalidam a tend\u00eancia principal. Toda realidade \u00e9 contradit\u00f3ria. O que define o car\u00e1ter do processo \u00e9 o seu aspecto principal, a tend\u00eancia principal.<\/p>\n<p>[10]. Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada, da Secretaria de Assuntos Estrat\u00e9gicos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>[11]. Vale \u00e0 pena ler o conjunto do documento \u201cAs rela\u00e7\u00f5es bilaterais Brasil \u2013 China: a ascens\u00e3o da China no sistema mundial e os desafios para o Brasil\u201d: <a href=\"http:\/\/www.cecac.org.br\/Docs\/Comunicado_do_Ipea_85-08_abril_2011.pdf%20\" target=\"_blank\">www.cecac.org.br\/Docs\/Comunicado_do_Ipea_85-08_abril_2011.pdf<\/a><\/p>\n<p>[12]. Este e os demais grifos, nos trechos citados, s\u00e3o nossos.<\/p>\n<p>[13]. Preocupa\u00e7\u00f5es que podem ser consideradas \u201cl\u00e1grimas de crocodilo\u201d. O governo federal e as classes dominantes brasileiras refor\u00e7am o lugar que o Brasil ocupa na nova divis\u00e3o internacional do trabalho e depois derramam l\u00e1grimas com os efeitos regressivos desse processo.<\/p>\n<p><strong>Esta p\u00e1gina encontra-se em <\/strong><strong>www.cecac.org.br<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: CeCAC\n\n\n\n\n\n\n\n\nMarco Antonio Villela dos Santos\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1580\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1580","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-pu","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1580","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1580"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1580\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}