{"id":15903,"date":"2017-08-26T10:51:02","date_gmt":"2017-08-26T13:51:02","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=15903"},"modified":"2017-09-01T14:04:19","modified_gmt":"2017-09-01T17:04:19","slug":"na-argentina-movimento-sindical-mostra-forca-nas-ruas-e-indica-nova-greve-geral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15903","title":{"rendered":"Na Argentina, movimento sindical mostra for\u00e7a nas ruas e indica nova greve geral"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm5.staticflickr.com\/4333\/35954025843_2bc41162e1_z.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><strong>Segundo organizadores, 200 mil pessoas tomaram a Pra\u00e7a de Maio contra a pol\u00edtica econ\u00f4mica de Macri<\/strong><\/p>\n<p>Matheus Lobo Pismel<\/p>\n<p>O movimento sindical argentino voltou a marchar contra as pol\u00edticas neoliberais do governo de Mauricio Macri, nesta ter\u00e7a-feira (22). Convocada por centrais sindicais e organiza\u00e7\u00f5es populares, a manifesta\u00e7\u00e3o reuniu, segundo organizadores, cerca de 200 mil pessoas no centro da capital Buenos Aires, entre caminhoneiros, banc\u00e1rios, professores, funcion\u00e1rios p\u00fablicos, trabalhadores informais e desempregados.<\/p>\n<p>Ao fim da mobiliza\u00e7\u00e3o, o dirigente sindical Juan Carlos Schmid anunciou que a Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho (CGT), maior central do pa\u00eds, discutir\u00e1 sobre uma greve geral a partir de 25 de setembro. Caso ocorra, a a\u00e7\u00e3o ser\u00e1 a segunda no pa\u00eds em menos de seis meses.<\/p>\n<p>O primeiro ano do governo de Mauricio Macri, segundo cifras oficiais, deixou um saldo de quase 70 mil postos de trabalho formais fechados e uma redu\u00e7\u00e3o em torno de 10% do poder aquisitivo da popula\u00e7\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o a 2015.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio faz com que, atualmente, mulheres como Monica Pascua e Alejandra Riva tenham dificuldades para criar seus filhos. \u201cO governo Macri nos decepcionou muito. Tudo est\u00e1 caro e falta dinheiro para dar comida \u00e0s crian\u00e7as e chegar ao fim do m\u00eas\u201d, reclama Riva.<\/p>\n<p>As companheiras de marcha est\u00e3o desempregadas. Elas vieram da cidade de Jos\u00e9 Paz, regi\u00e3o metropolitana de Buenos Aires, a 40 km da capital, junto com o movimento popular Bairros de P\u00e9. \u201cEsperamos que ele mude seu plano econ\u00f4mica e nos d\u00ea trabalho. Queremos trabalhar para que nossos filhos possam comer o mesmo que comem os filhos de Macri\u201d, dispara Pascua.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edticas<\/strong><\/p>\n<p>Medidas como abertura a importa\u00e7\u00f5es estrangeiras, redu\u00e7\u00e3o de impostos a grandes empresas e aumento das tarifas de \u00e1gua, luz e combust\u00edveis foram as bases do pacote de ajuste econ\u00f4mico do governo argentino.<\/p>\n<p>Segundo o soci\u00f3logo e professor da Universidade de Buenos Aires (UBA), Mart\u00edn Ogando, estas s\u00e3o medidas que debilitam a ind\u00fastria nacional e o mercado interno, gerando desemprego e restri\u00e7\u00f5es salariais. \u201cFoi um ajuste que se desenvolveu com muita for\u00e7a no ano passado e que hoje segue asfixiando o poder de compra dos trabalhadores\u201d, sustenta.<\/p>\n<p>Outro tema que preocupa as organiza\u00e7\u00f5es sindicais \u00e9 uma poss\u00edvel reforma trabalhista, inspirada na brasileira, e que vem sendo defendida pelo empresariado e pelo governo do pa\u00eds. \u201cO discurso das classes dominantes [argentina] \u00e9 de que \u2018temos que fazer como o Brasil\u2019\u201d, afirma Ogando.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da trabalhista, tamb\u00e9m se discute uma reforma previdenci\u00e1ria. O caminhoneiro Gustavo Franco viajou da prov\u00edncia de Misiones, que faz fronteira com a regi\u00e3o Sul do Brasil, at\u00e9 Buenos Aires para a mobiliza\u00e7\u00e3o. \u201cO que pedimos \u00e9 que n\u00e3o se metam nos acordos trabalhistas que est\u00e3o nas leis. Queremos nossos direitos e nada mais. Agora querem que nos aposentemos mais velhos. Esse governo est\u00e1 contra os trabalhadores e a juventude\u201d, diz o l\u00edder sindical.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m marcaram presen\u00e7a os trabalhadores do campo e pequenos produtores rurais. \u201cViemos do \u2018cord\u00e3o verde\u2019, regi\u00e3o de pequenos produtores e camponeses da regi\u00e3o metropolitana de Buenos Aires, que est\u00e1 arruinado devido \u00e0 abertura de importa\u00e7\u00f5es\u201d, conta Walter Quiroga, porta-voz da Via Campesina e agricultor na cidade de Echeverr\u00eda, 40 km da capital.<\/p>\n<p>A principal pauta desse setor, assim como dos movimentos de trabalhadores informais e desempregados, \u00e9 a ativa\u00e7\u00e3o imediata da Lei de Emerg\u00eancia Alimentar. Dos 44 milh\u00f5es de habitantes da Argentina, 6 milh\u00f5es hoje passam fome. \u201cEsse governo d\u00e1 isen\u00e7\u00f5es aos latifundi\u00e1rios e \u00e0s grandes mineradores e n\u00e3o se preocupa com os pobres\u201d, critica Quiroga.<\/p>\n<p>Para o soci\u00f3logo Mart\u00edn Ogando, a mobiliza\u00e7\u00e3o desta ter\u00e7a-feira demonstra a capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sindical e popular. No entanto, n\u00e3o acredita que essa for\u00e7a possa se expressar em uma derrota dos governistas nas elei\u00e7\u00f5es legislativas de outubro.<\/p>\n<p>\u201cSer\u00e1 preciso conviver com manifesta\u00e7\u00f5es populares importantes e, ao mesmo tempo, triunfos do governo, especialmente porque nos \u00faltimos dois ou tr\u00eas meses h\u00e1 certa melhora da economia, quando se compara com indicadores de 2016, que foi um ano extraordinariamente ruim\u201d, sinaliza.<\/p>\n<p><strong>Diverg\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 outra dificuldade: a fragmenta\u00e7\u00e3o e as disputas internas do sindicalismo argentino. Nem todas as correntes sindicais impulsionaram a mobiliza\u00e7\u00e3o de ontem. \u201cO problema \u00e9 que um setor grande funciona como freio para que n\u00e3o se avance\u201d, acredita Ogando, que tamb\u00e9m \u00e9 militante do movimento Patria Grande. De fato, um dos tr\u00eas dirigentes nacionais da CGT (cada um representa um setor) nem esteve presente no ato. Quanto \u00e0 possibilidade de greve geral, o professor acredita que, se houver acordos nas c\u00fapulas das centrais sindicais, \u201c\u00e9 prov\u00e1vel que tenha forte ades\u00e3o popular\u201d.<\/p>\n<p>Correndo risco de lidar com mais uma greve geral em seu governo, o presidente Maurico Macri declarou que a mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores \u201c\u00e9 uma perda de tempo, n\u00e3o leva a nenhum lugar\u201d.<\/p>\n<p>Os manifestantes ainda inclu\u00edram nas reivindica\u00e7\u00f5es a apari\u00e7\u00e3o com vida de Santiago Maldonado, jovem levado em opera\u00e7\u00e3o militar realizada em territ\u00f3rio ind\u00edgena mapuche, no sul da Argentina, no come\u00e7o deste m\u00eas.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Simone Freire<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: A CGT, maior central do pa\u00eds, discutir\u00e1 sobre uma greve geral a partir de 25 de setembro.<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/08\/23\/na-argentina-movimento-sindical-mostra-forca-nas-ruas-e-indica-nova-greve-geral\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/15903\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-15903","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c68-argentina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-48v","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15903","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15903"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15903\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15903"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15903"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15903"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}