{"id":1594,"date":"2011-06-24T16:09:35","date_gmt":"2011-06-24T16:09:35","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1594"},"modified":"2011-06-24T16:09:35","modified_gmt":"2011-06-24T16:09:35","slug":"professores-israelenses-desafiam-governo-e-ensinam-perdas-sofridas-por-palestinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1594","title":{"rendered":"Professores israelenses desafiam governo e ensinam perdas sofridas por palestinos"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Eles alegam que alunos devem conhecer a hist\u00f3ria da guerra de 1948, quando cerca de 700 mil palestinos perderam suas casas<\/strong><\/p>\n<p>Mais de cem professores secund\u00e1rios de Israel est\u00e3o desafiando instru\u00e7\u00f5es do minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds ao ensinar seus alunos sobre as perdas sofridas pelos palestinos em 1948, ano da funda\u00e7\u00e3o do Estado de Israel.<\/p>\n<p>Para o professor de Hist\u00f3ria Iddo Felsenthal, os fatos que ocorreram durante a guerra de 1948, na qual cerca de 700 mil palestinos perderam suas casas e tornaram-se refugiados, fazem parte da hist\u00f3ria do pa\u00eds e devem ser ensinados nas escolas de Israel.<\/p>\n<p>&#8220;Criou-se um clima geral de demagogia em Israel, no qual qualquer pessoa que mencione a Nakba (trag\u00e9dia ou cat\u00e1strofe, em \u00e1rabe) dos palestinos \u00e9 vista como se fosse contra o Estado de Israel. Muitos professores t\u00eam medo&#8221;, disse o professor \u00e0 BBC Brasil.<\/p>\n<p>O tema da Nakba \u00e9 um tabu na sociedade israelense, grande parte do p\u00fablico interpreta a pr\u00f3pria men\u00e7\u00e3o do termo como uma posi\u00e7\u00e3o contra a pr\u00f3pria exist\u00eancia do Estado de Israel. No entanto, existe um setor significativo da sociedade israelense que aceita iniciativas como o ensino do que ocorreu com os palestinos em 1948. Em geral, os filhos de pessoas com essa posi\u00e7\u00e3o estudam em escolas seculares e pluralistas.<\/p>\n<p><strong>Anonimato. <\/strong>V\u00e1rios professores que ensinam a Nakba v\u00eam falando \u00e0 m\u00eddia israelense sobre o assunto em condi\u00e7\u00e3o de anonimato, pois receiam perder o emprego ou ter sua carreira prejudicada. Para Felsenthal, que leciona em um col\u00e9gio de Jerusal\u00e9m, os professores n\u00e3o deveriam se esconder.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o estamos fazendo nada de mal, muito pelo contr\u00e1rio. Estamos dando a nossos alunos instrumentos de racioc\u00ednio cr\u00edtico, para que possam entender melhor a hist\u00f3ria do nosso pa\u00eds e do conflito. Assim os alunos poder\u00e3o analisar, eles mesmos, as diversas narrativas hist\u00f3ricas e formar sua opini\u00e3o de forma independente&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>&#8220;A identidade de um povo n\u00e3o pode se basear em esquecer, recalcar ou esconder fatos hist\u00f3ricos b\u00e1sicos, como a expuls\u00e3o dos palestinos&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p><strong>Kit Nakba<\/strong>. De acordo com a vers\u00e3o oficial do governo israelense, em 1948 os palestinos n\u00e3o foram expulsos, mas fugiram, seguindo os chamados dos pa\u00edses \u00e1rabes.<\/p>\n<p>A ONG israelense Zochrot (&#8220;Lembramos&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre), que se dedica a preservar e divulgar a mem\u00f3ria das perdas sofridas pelos palestinos, produziu um &#8220;kit Nakba&#8221;, especialmente para professores interessados em mostrar aos alunos um cap\u00edtulo da hist\u00f3ria do pa\u00eds que n\u00e3o \u00e9 inclu\u00eddo no curr\u00edculo escolar oficial.<\/p>\n<p>Eitan Bronstein, fundador e diretor da Zochrot, disse \u00e0 BBC Brasil que o kit j\u00e1 est\u00e1 sendo utilizado por mais de cem professores secund\u00e1rios e que &#8220;a demanda pelos kits continua crescendo&#8221;. O kit pedag\u00f3gico, com textos, fotos e um DVD, inclui testemunhos de palestinos que perderam suas propriedades em 1948, mapas e as diversas vers\u00f5es oficiais dos fatos hist\u00f3ricos \u2013 do governo israelense, da lideran\u00e7a palestina e da ONU.<\/p>\n<p><strong>Aldeias destru\u00eddas. <\/strong>Durante a guerra de 1948, \u00e0 qual Israel chama de Guerra da Independ\u00eancia e os palestinos chamam de Nakba, mais de 400 aldeias palestinas foram destru\u00eddas.<\/p>\n<p>&#8220;Em todo o pa\u00eds h\u00e1 ru\u00ednas das centenas de aldeias que foram destru\u00eddas, mas a maioria do p\u00fablico n\u00e3o sabe que havia aldeias palestinas nesses lugares e o que aconteceu com os moradores&#8221;, afirmou Bronstein.<\/p>\n<p>A ONG j\u00e1 organizou visitas a mais de 50 locais onde no passado havia aldeias palestinas e colocou placas em hebraico, \u00e1rabe e ingl\u00eas, com os nomes das aldeias. No entanto, de acordo com Bronstein, em geral as placas s\u00e3o imediatamente retiradas dos locais.<\/p>\n<p>&#8220;Para muitos israelenses \u00e9 dif\u00edcil admitir que temos cap\u00edtulos feios em nossa hist\u00f3ria&#8221;, disse. &#8220;Mas a \u00fanica maneira de construir um futuro melhor \u00e9, antes de tudo, olhar com coragem para o nosso passado e n\u00e3o tentar negar o que aconteceu aqui em 1948.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;A Nakba n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a trag\u00e9dia dos palestinos. N\u00f3s, israelenses, tamb\u00e9m somos vitimas dela, pois desde a funda\u00e7\u00e3o do Estado vivemos em guerras, e qualquer cidad\u00e3o israelense, desde a inf\u00e2ncia, come\u00e7a a ser preparado para tornar-se um soldado&#8221;, acrescentou Bronstein.<\/p>\n<p><strong>Quest\u00e3o espinhosa. <\/strong>O problema dos refugiados, que hoje em dia s\u00e3o cerca de 4,5 milh\u00f5es de pessoas dispersas em v\u00e1rios pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio, \u00e9 considerado a quest\u00e3o mais espinhosa do conflito israelense-palestino, e as vers\u00f5es contradit\u00f3rias sobre o que ocorreu em 1948 alimentam at\u00e9 hoje os discursos dos dois lados.<\/p>\n<p>Em 2009, o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Gidon Saar, proibiu o ensino da Nakba em escolas \u00e1rabes-israelenses e mandou recolher livros escolares que inclu\u00edam informa\u00e7\u00f5es sobre a expuls\u00e3o dos palestinos. O Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o afirmou que &#8220;os professores n\u00e3o t\u00eam permiss\u00e3o para ensinar conte\u00fados que n\u00e3o foram autorizados pelo minist\u00e9rio, sejam quais forem os temas&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo o minist\u00e9rio, &#8220;os professores que ensinam conte\u00fados n\u00e3o autorizados agem de forma que contradiz os regulamentos&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: 3.bp.blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\nGuila Flint\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1594\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[78],"tags":[],"class_list":["post-1594","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c91-solidariedade-a-palestina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-pI","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1594","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1594"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1594\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1594"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1594"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1594"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}