{"id":16142,"date":"2017-09-14T23:31:44","date_gmt":"2017-09-15T02:31:44","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=16142"},"modified":"2017-09-14T23:31:44","modified_gmt":"2017-09-15T02:31:44","slug":"historiadora-testemunha-na-corte-de-roma-contra-ex-agentes-da-ditadura-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16142","title":{"rendered":"Historiadora testemunha na Corte de Roma contra ex-agentes da ditadura brasileira"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/aula_tribunal%281%29.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->por Janaina Cesar<\/p>\n<p>Audi\u00eancia faz parte do processo Condor brasileiro que julga envolvimento com assassinato do \u00edtalo-argentino Lorenzo Vin\u00e3s Gigli<\/p>\n<p>\u201cPosso dizer que o Brasil foi o centro ideol\u00f3gico do Cone Sul. A doutrina\u00e7\u00e3o militar da Escola Superior de Guerra influenciou as outras ditaduras da Am\u00e9rica do Sul\u201d, disse Federica Martellini, 39 anos, historiadora italiana que na manh\u00e3 desta segunda-feira (11\/09) testemunhou no processo condor brasileiro que tramita na justi\u00e7a italiana. O caso julga o envolvimento de ex-agentes da ditadura brasileira (1964-1985) no assassinato do \u00edtalo-argentino Lorenzo Vin\u00e3s Gigli.<\/p>\n<p>A audi\u00eancia que aconteceu na aula principal da I Corte de Assisi do Tribunal de Roma durou cerca 40 minutos. Durante o tempo todo em que falou e exp\u00f4s seus slides e textos onde descrevia quais eram e como atuavam os principais \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o da ditadura brasileira entre eles o Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI), o Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (DOPS) e o Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es do Centro de Opera\u00e7\u00e3o de Defesa Interna (DOI-CODI), Martellini encontrou uma Corte interessada a cada palavra que dizia.<\/p>\n<p>A historiadora colaborou com o Minist\u00e9rio P\u00fablico de 2003 \u00e0 2005 no processo Condor principal \u2013cujo caso brasileiro \u00e9 um desdobramento \u2013 e foi chamada para depor 10 anos ap\u00f3s a conclus\u00e3o de seu trabalho. Apesar do caso Vin\u00e3s n\u00e3o ter sido foco principal de sua pesquisa inicial, a parte hist\u00f3rica da \u00e9poca de atua\u00e7\u00e3o do plano Condor foi aprofundada, em especial a participa\u00e7\u00e3o do regime brasileiro. Ela conta que foi emotivamente dif\u00edcil voltar ao caso depois de tantos anos. \u201cUma coisa \u00e9 ler documentos, estudar cartas processuais, outra \u00e9 ver e ouvir o testemunho de pessoas que foram torturadas, que foram v\u00edtimas do plano Condor\u201d, diz a reportagem de Opera Mundi, \u00fanico ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o brasileiro a acompanhar o processo.<\/p>\n<p>A pesquisadora mostrou mapas da cidade de Uruguaiana, que fica na fronteira do Brasil e Argentina onde o \u00edtalo-argentino desapareceu em 26 de junho de 1980. Vi\u00f1as j\u00e1 havia sido preso em 1974 por sua milit\u00e2ncia no movimento Montoneros. Por conta da persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ele e sua esposa Claudia Olga Allegrini decidiram vir para a It\u00e1lia. Em junho de 1980, Vi\u00f1as embarcou em um \u00f4nibus em Buenos Aires com destino ao Rio de Janeiro \u2014 sua esposa faria o mesmo percurso um m\u00eas de depois e juntos iriam para o pa\u00eds europeu. No entanto, Vi\u00f1as n\u00e3o completou a viagem.<\/p>\n<p>S\u00e3o acusados pelo assassinato de Vin\u00e3s os ex-agentes militares brasileiros Jo\u00e3o Osvaldo Leivas Job, Calos Alberto Ponzi, \u00c1tila Rohrsetzer e Marco Aur\u00e9lio da Silva (este \u00faltimo faleceu em 2 de junho de 2016). Eles est\u00e3o sendo processados \u00e0 revelia na It\u00e1lia, apesar disso apenas a fam\u00edlia de Ponzi procurou em um primeiro momento se defender. Um filho do ex-agente chegou a contatar os advogados italianos que os est\u00e3o representando, mas depois sumiu.<\/p>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio P\u00fablico italiano, na data em que Vin\u00e3s fo sequestrado, Leivas Job era secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a do Rio Grande do Sul; Ponzi chefiava a ag\u00eancia do SNI em Porto Alegre; Rohrsetzer era diretor da Divis\u00e3o Central de Informa\u00e7\u00f5es do Rio Grande do Sul; e Silva, delegado de pol\u00edcia, cobria o cargo de diretor do Dops do Rio Grande do Sul. Rohrsetzer mora em Florian\u00f3polis e Leivas Job e Ponzi vivem em Porto Alegre. Marco Aur\u00e9lio da Silva vivia, at\u00e9 sua morte, morava em uma praia do litoral ga\u00facho.<\/p>\n<p>Para a pr\u00f3xima audi\u00eancia, marcada para o dia 26 de novembro, \u00e0s 10h, ser\u00e3o chamados para depor o brasileiro Jair Krischke \u2013 Presidente do Movimento de Justi\u00e7a e Direitos Humanos, Claudia Olga Allegrini, vi\u00fava de Vin\u00e3s e Silvia Tolchinsky, militante Montonero sequestrada em Las Cuevas, fronteira da Argentina com o Chile, autora de uma carta endere\u00e7ada a Allegrini, em que relata ter encontrado Vi\u00f1as em uma pris\u00e3o clandestina. As duas devem depor em v\u00eddeo-confer\u00eancia.<\/p>\n<p>Em 2006, o Comit\u00ea Nacional para Refugiados concedeu a Medina o status de refugiado pol\u00edtico, configurando uma decis\u00e3o hist\u00f3rica no pa\u00eds, uma vez que a Col\u00f4mbia n\u00e3o estava sob o dom\u00ednio de um estado ditatorial nem em estado de exce\u00e7\u00e3o. No ano de 2007, o Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF) negou o pedido de deporta\u00e7\u00e3o do governo colombiano, sob a justificativa de que n\u00e3o seria permitido deportar uma pessoa refugiada pol\u00edtica.<\/p>\n<p>http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/geral\/47976\/historiadora+testemunha+na+corte+de+roma+contra+ex-agentes+da+ditadura+brasileira.shtml<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16142\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[227],"class_list":["post-16142","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4cm","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16142","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16142"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16142\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16142"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16142"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16142"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}