{"id":16172,"date":"2017-09-17T11:40:10","date_gmt":"2017-09-17T14:40:10","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=16172"},"modified":"2017-09-18T17:33:46","modified_gmt":"2017-09-18T20:33:46","slug":"o-capital-nao-e-uma-biblia-nem-um-receituario-diz-jose-paulo-netto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16172","title":{"rendered":"&#8220;O Capital n\u00e3o \u00e9 uma b\u00edblia nem um receitu\u00e1rio&#8221;, diz Jos\u00e9 Paulo Netto"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm5.staticflickr.com\/4364\/36409833914_6f4cf7b482_z.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><strong>Nos 150 anos da obra, um de seus principais pesquisadores comenta as diversas cr\u00edticas feitas \u00e0 obra de Karl Marx<\/strong><\/p>\n<p>Juliana Gon\u00e7alves<\/p>\n<p>Vista por muitos como &#8220;a b\u00edblia&#8221; da revolu\u00e7\u00e3o, h\u00e1 150 anos era lan\u00e7ada a obra <em>O capital,<\/em> de Karl Marx (1818-1883). Em nome de do intelectual alem\u00e3o e sua obra maior, muitas batalhas pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas s\u00e3o travadas at\u00e9 hoje. Em entrevista ao <strong>Brasil de Fato<\/strong>, concedida por e-mail, o professor em\u00e9rito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)\u00a0Jos\u00e9 Paulo Netto, que se define como comunista, desmistifica a obra.<\/p>\n<p>Netto defende o conte\u00fado como um &#8220;programa anal\u00edtico que deve ser sistematicamente desenvolvido&#8221;. Al\u00e9m disso, fala dos principais pontos de an\u00e1lise estruturados por Marx no livro, das crises do capitalismo como oportunidades para mudan\u00e7a social, do poder da conscientiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e, por fim, das quest\u00f5es de ra\u00e7a e g\u00eanero, tidas como &#8220;p\u00f3s-modernas&#8221;,\u00a0que ganham novas leituras e esquentam os debates sobre a luta de classe.<\/p>\n<p><strong>Leia na \u00edntegra:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Brasil de Fato:\u00a0<em>Como v\u00ea a import\u00e2ncia da obra e o que ela representa?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Paulo Netto: <\/strong>A meu ju\u00edzo, o car\u00e1ter <em>cl\u00e1ssico<\/em> dessa obra de Marx reside em que ela, centrada na an\u00e1lise social da produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica capitalista e evidenciando as suas inextirp\u00e1veis contradi\u00e7\u00f5es, permitiu-lhe elaborar uma teoria sobre a g\u00eanese, a constitui\u00e7\u00e3o e a din\u00e2mica da sociedade burguesa. Depois de Marx, nenhuma outra constru\u00e7\u00e3o cient\u00edfica foi capaz de explicar e compreender t\u00e3o rigorosamente, numa perspectiva hist\u00f3rica e cr\u00edtica, as condi\u00e7\u00f5es objetivas que propiciam a vida social cada vez mais diversificada e complexa da sociedade em que vivemos. O que Marx nos oferece n\u2019<em>O capital <\/em>(e o livro I cont\u00e9m a sua fundamenta\u00e7\u00e3o) \u00e9 a teoria que expressa, nas suas tend\u00eancias mais essenciais, o movimento hist\u00f3rico real do que chamamos capitalismo.<\/p>\n<p>Nas pesquisas que realizou, \u00e0 base da dial\u00e9tica de Hegel, Marx descobriu o mecanismo fundamental sobre o qual se ergue a sociedade burguesa: <em>a explora\u00e7\u00e3o do trabalho pelo capital<\/em>. Evidentemente, corridos um s\u00e9culo e meio desde a publica\u00e7\u00e3o d\u2019<em>O capital<\/em>, a organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social da nossa sociedade se transformou profundamente \u2014 o capitalismo do s\u00e9culo XXI n\u00e3o \u00e9 o capitalismo do s\u00e9culo XIX. Mas o capitalismo, uma vez constitu\u00eddo, s\u00f3 pode assentar na explora\u00e7\u00e3o do trabalho \u2014\u00a0n\u00e3o existe capitalismo sem a explora\u00e7\u00e3o do trabalho pelo capital. Marx n\u00e3o foi nem profeta nem um criador de utopias: foi um te\u00f3rico rigoroso e o essencial das suas descobertas permanece o fundamento necess\u00e1rio para a an\u00e1lise da sociedade contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p><strong>Quais seriam os principais pontos estruturados por Marx n\u2019<em>O capital?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Mediante uma exaustiva pesquisa, coube a Marx demonstrar n\u2019<em>O capital<\/em> que:<\/p>\n<blockquote><p>O capitalismo disp\u00f5e de extraordin\u00e1rio dinamismo para a produ\u00e7\u00e3o de riquezas materiais e exerceu, historicamente, um papel civilizador;<\/p>\n<p>Na medida em que se desenvolve, o capitalismo revela contradi\u00e7\u00f5es que se manifestam nas suas crises peri\u00f3dicas;<\/p>\n<p>Nessa mesma medida, o papel civilizador do capitalismo se atrofia e se converte no seu ant\u00edpoda, a barbariza\u00e7\u00e3o da vida social;<\/p>\n<p>O capitalismo, a partir da sua plena matura\u00e7\u00e3o, engendra fortes tend\u00eancias ao bloqueio da sua pr\u00f3pria din\u00e2mica;<\/p>\n<p>O capitalismo n\u00e3o \u00e9 a express\u00e3o de uma pretensa ordem natural nem, menos ainda, o fim da hist\u00f3ria: \u00e9 uma modalidade tempor\u00e1ria, transit\u00f3ria e substitu\u00edvel de organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o das riquezas sociais.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O capitalismo estudado por Marx \u00e9 diferente do capitalismo de hoje?<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 observei que o capitalismo contempor\u00e2neo est\u00e1 longe de ser aquele estudado empiricamente por Marx. Ao longo dos seis primeiros dec\u00eanios do s\u00e9culo XX, o regime do capital experimentou modifica\u00e7\u00f5es ponder\u00e1veis. Mas \u00e9 especialmente a partir dos anos 1970 que suas altera\u00e7\u00f5es se tornam muito mais substantivas \u2014 e, desde ent\u00e3o, explicitamente operadas sob o comando do capital, com o movimento das classes trabalhadoras claramente na defensiva. Trata-se de todo um quadro hist\u00f3rico-social e cultural muito diverso daquele com o qual Marx se defrontou.<\/p>\n<p>No entanto, no tocante aos processos diretamente conexos \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-pol\u00edtica da sociedade contempor\u00e2nea, parece-me que Marx tem muito a contribuir. A din\u00e2mica mundial protagonizada pelas mega-corpora\u00e7\u00f5es \u00e9 inexplic\u00e1vel sem o recurso aos textos d\u2019<em>O capital<\/em> que abordam as tend\u00eancias \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o\/centraliza\u00e7\u00e3o do capital; a planetariza\u00e7\u00e3o do capitalismo (o que vulgarmente se popularizou sob a rubrica de \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o\u201d), bem como a sua financeiriza\u00e7\u00e3o. O atualmente cr\u00f4nico problema do desemprego (sob todas as suas v\u00e1rias formas) e suas sequelas sobre dezenas de milh\u00f5es de homens e mulheres s\u00f3 se torna intelig\u00edvel se recorrermos \u00e0 marxiana concep\u00e7\u00e3o da \u201clei geral da acumula\u00e7\u00e3o capitalista\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 correto se voltar a Marx para entender e reagir \u00e0s recentes amea\u00e7as aos trabalhadores, a exemplo da precariza\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 importante afirmar que Marx n\u00e3o foi profeta nem vision\u00e1rio. Sua obra est\u00e1 marcada pelo seu tempo hist\u00f3rico e toda uma s\u00e9rie de quest\u00f5es que hoje problematizam a ordem do capital, em especial quest\u00f5es de natureza pol\u00edtica e cultural, n\u00e3o foram, nem poderiam, ser equacionadas por ele. <em>O capital <\/em>n\u00e3o \u00e9 uma b\u00edblia nem um receitu\u00e1rio: \u00e9 um programa anal\u00edtico que deve ser sistematicamente desenvolvido. \u00c9 fato que quest\u00f5es como as indicadas na pergunta n\u00e3o receberam dele um tratamento direto e\/ou conclusivo. Mas \u00e9 igualmente factual que o cuidado para com elas tem encontrado por parte de marxistas contempor\u00e2neos abordagens fecundas e esclarecedoras \u2014 o que \u00e9 uma prova cabal de que o <em>m\u00e9todo de an\u00e1lise <\/em>empregado por Marx continua se apresentando como v\u00e1lido no confronto com o capitalismo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p><strong>Pode contar um pouco sobre a vis\u00e3o de Marx sobre a import\u00e2ncia das crises do capitalismo e como elas devem ser vistas pelos trabalhadores?<\/strong><\/p>\n<p><em>O Capital<\/em>, fruto de d\u00e9cadas de pesquisa, apresenta uma an\u00e1lise rigorosa do processo de constitui\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da ordem do capital. Desta an\u00e1lise, Marx extraiu a compreens\u00e3o das crises econ\u00f4micas como componente necess\u00e1rio da din\u00e2mica do capital \u2013 nas crises se expressa o car\u00e1ter contradit\u00f3rio do movimento do capital: elas n\u00e3o s\u00e3o sinais epis\u00f3dicos de uma \u201cdisfun\u00e7\u00e3o\u201d qualquer, mas um constitutivo da reg\u00eancia do capital sobre a vida social. Numa palavra, <em>n\u00e3o existe capitalismo sem crise<\/em>. Por isso mesmo, entendo que, para Marx, das crises peri\u00f3dicas, ou c\u00edclicas, do capitalismo o que resulta, como deriva\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, \u00e9 <em>mais capitalismo<\/em>. Aquilo que uma crise de maior dimens\u00e3o \u2013 digamos: uma crise estrutural-sist\u00eamica \u2013 pode oferecer aos trabalhadores \u00e9 a <em>possibilidade<\/em> de encontrarem e viabilizarem para ela uma <em>solu\u00e7\u00e3o<\/em> <em>pol\u00edtica<\/em>. Aqui, a alternativa a <em>mais capitalismo<\/em> s\u00f3 pode ser o de uma reestrutura\u00e7\u00e3o radical da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que suprima o poder pol\u00edtico do capital. Em s\u00edntese: a passagem do poder pol\u00edtico do controle do capital ao poder pol\u00edtico dos trabalhadores, a revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A revolu\u00e7\u00e3o para Marx seria produto da a\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Ele mesmo al\u00e9m de te\u00f3rico foi militante, pode contar um pouco sobre isso?<\/strong><\/p>\n<p>Marx sempre a compreendeu a revolu\u00e7\u00e3o como uma vari\u00e1vel resultante do n\u00edvel de consci\u00eancia social dos trabalhadores e das suas vanguardas. N\u00e3o separemos o Marx \u201cte\u00f3rico\u201d do Marx \u201cpol\u00edtico\u201d; em 1847-1848, ele animou a <em>Liga dos Comunistas<\/em>; e durante a elabora\u00e7\u00e3o da sua obra principal, jogou todas as suas for\u00e7as na <em>Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores\/<\/em>AIT. Ao longo de toda a sua vida, a consigna <em>Liga<\/em> pareceu-lhe v\u00e1lida (<em>Prolet\u00e1rios de todo o mundo, uni-vos!<\/em>), bem como nunca duvidou de que a emancipa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores seria obra deles mesmos. E Marx jamais estabeleceu uma muralha chinesa entre a luta pelas reformas poss\u00edveis para melhorar a condi\u00e7\u00e3o de vida dos trabalhadores e a perspectiva revolucion\u00e1ria \u2013 basta pensarmos como ele acolheu a limita\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho conquistada pelo proletariado ingl\u00eas. Ademais, Marx, como dirigente da AIT, nunca concebeu a a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria exclusivamente como processos insurrecionais.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 an\u00e1lises que apontam que a quest\u00e3o de g\u00eanero tem lugar marginal em <em>O Capital<\/em>. Como enxerga isso?<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 \u00e9 coisa velha. Notadamente no \u00e2mbito acad\u00eamico, o barato senso comum\u00a0de afirmar-se que Marx n\u00e3o deu aten\u00e7\u00e3o significativa \u00e0 esfera da cultura e dos valores. Ora, a leitura atenta de v\u00e1rios textos de Marx revela o seu cuidado para com esta esfera das objetiva\u00e7\u00f5es humanas<em>.<\/em> Quanto a\u2019<em>O capital<\/em> \u2013 que n\u00e3o \u00e9 um tratado de antropologia e, menos ainda, de psicologia: \u00e9 a funda\u00e7\u00e3o da teoria social a partir da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica -, sugiro que se examine a paix\u00e3o e o \u00f3dio com que Marx trata a explora\u00e7\u00e3o do trabalho feminino (e tamb\u00e9m infantil) no sistema fabril do seu tempo para averiguar da sua aten\u00e7\u00e3o para com a mulher (trabalhadora). Por outra parte, desde 1848, quando Marx tinha George Sand em alta conta e o movimento sufragista dava os seus primeiros passos, o programa pol\u00edtico de Marx para a Alemanha reclamava o direito ao voto universal para todos os maiores de 21 anos. E, para al\u00e9m de Marx, no que toca aos \u201ccl\u00e1ssicos\u201d, parece-me merecer uma leitura atenta, sem preconceitos, o Engels d\u2019<em>A origem da fam\u00edlia, da propriedade privada e do Estado<\/em>, para constatar que, no horizonte desses \u201ccl\u00e1ssicos\u201d do s\u00e9culo XIX, a cr\u00edtica ao patriarcado e a defesa das aspira\u00e7\u00f5es femininas n\u00e3o foi adjetiva.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 an\u00e1lises que declaram, por exemplo, que n\u00e3o h\u00e1 capitalismo sem racismo. Como isso est\u00e1 presente ou n\u00e3o na obra de Marx?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Quem domina a an\u00e1lise marxiana do processo da acumula\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria (ou primitiva) bem sabe da relev\u00e2ncia da escravatura moderna, dos africanos submetidos ao tr\u00e1fico e dos povos origin\u00e1rios do que se chamou Novo Mundo, para a constitui\u00e7\u00e3o do capitalismo. E conhece o \u00f3dio de Marx contra toda e qualquer forma de opress\u00e3o \u2014 em Marx, a <em>emancipa\u00e7\u00e3o humana <\/em>\u00e9 o objetivo que deu sentido e significado \u00e0 sua vida e \u00e0 sua obra. Outro problema \u00e9 o do racismo <em>moderno<\/em>. Embora deitando ra\u00edzes na expans\u00e3o comercial euro-ocidental iniciada nos s\u00e9culos XVI e XVII, ele est\u00e1 diretamente vinculado ao erguimento e consolida\u00e7\u00e3o dos imp\u00e9rios coloniais ao largo dos finais do s\u00e9culo XVIII e de todo o s\u00e9culo XIX e ganha, com a emerg\u00eancia do imperialismo, a sua fei\u00e7\u00e3o mais abjeta. Parece-me que \u00e9 correta a afirma\u00e7\u00e3o, em face deste racismo, que ele \u00e9 um corol\u00e1rio do capitalismo.<\/p>\n<p><strong>Os movimentos de mulheres e movimentos negros recentes, v\u00eam articulando a ideia da import\u00e2ncia do trip\u00e9 de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe insepar\u00e1veis e com o mesmo peso nas constru\u00e7\u00f5es sociais. Como v\u00ea isso?<\/strong><\/p>\n<p>Responderei um epis\u00f3dio da minha vida acad\u00eamica. H\u00e1 trinta anos, a professora Heleieth Saffioti, estudiosa j\u00e1 falecida e que sempre respeitei, exp\u00f4s-me a ideia \u00e0\u00a0qual\u00a0voc\u00ea alude \u2014\u00a0e ela ressalvava que, no \u201ctrip\u00e9\u201d, havia que ponderar cuidadosamente os seus suportes. Diante da minha observa\u00e7\u00e3o de que julgava que a dimens\u00e3o da classe constituiria o momento determinante, Heleieth sorriu e argumentou: &#8216;Para verific\u00e1-lo, necessitamos de avan\u00e7ar na pesquisa&#8217;. Considero que o programa de pesquisa a que Heleieth se referiu h\u00e1 trinta anos fez grandes progressos desde ent\u00e3o \u2014 mas eu, que n\u00e3o sou um conhecedor profundo de tais avan\u00e7os, ainda continuo c\u00e9tico diante dos resultados de estudos que equalizam a pondera\u00e7\u00e3o dos componentes do \u201ctrip\u00e9\u201d.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Vanessa Martina Silva<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/09\/16\/o-capital-nao-e-uma-biblia-nem-um-receituario-diz-jose-paulo-netto\/index.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16172\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50,33],"tags":[225],"class_list":["post-16172","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria","category-c34-marxismo","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4cQ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16172","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16172"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16172\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16172"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16172"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16172"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}