{"id":16194,"date":"2017-09-17T15:05:32","date_gmt":"2017-09-17T18:05:32","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=16194"},"modified":"2017-09-17T15:08:45","modified_gmt":"2017-09-17T18:08:45","slug":"filha-conta-como-olga-nao-se-dobrou-ao-nazismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16194","title":{"rendered":"Filha conta como Olga n\u00e3o se dobrou ao nazismo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.extraclasse.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/anita-pb-800x533.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->ENTREVISTA DE ANITA LEOCADIA PRESTES<\/p>\n<p>EXTRA CLASSE &#8211; por Gilson Camargo<\/p>\n<p><em>Os Troph\u00e4en-dokumente<\/em>, ou documentos-trof\u00e9us, que registram em 28 mil dossi\u00eas as atividades da pol\u00edcia secreta de Adolf Hitler, apreendidos por soldados sovi\u00e9ticos ap\u00f3s a derrota da Alemanha nazista em 1945 e mantidos em sigilo at\u00e9 abril de 2015, reservam a Olga Benario Prestes a mais abrangente documenta\u00e7\u00e3o sobre uma \u00fanica v\u00edtima do fascismo. \u201cA documenta\u00e7\u00e3o revela que Olga se recusou peremptoriamente a fornecer qualquer informa\u00e7\u00e3o sobre o movimento comunista \u00e0 Gestapo\u201d, afirma a professora e historiadora Anita Leocadia Prestes, filha de Olga, autora do rec\u00e9m-lan\u00e7ado\u00a0<em>Olga Ben\u00e1rio Prestes \u2013 Uma comunista nos arquivos da Gestapo<\/em>\u00a0(<em>Ed. Boitempo<\/em>). \u201cSe outros se tornaram traidores, eu jamais o serei\u201d, sentencia Olga em uma carta escrita na pris\u00e3o e que nunca foi entregue ao marido. At\u00e9 agora, havia muitas lacunas na hist\u00f3ria da jovem militante alem\u00e3 de origem judaica, mulher do l\u00edder comunista brasileiro Luiz Carlos Prestes, que foi entregue ao Terceiro Reich pelo governo de Get\u00falio Vargas, em 23 de setembro de 1936, gr\u00e1vida, e executada em uma c\u00e2mara de g\u00e1s em 1942. A obra revela detalhes da persegui\u00e7\u00e3o do regime nazista \u00e0 m\u00e3e da autora, uma \u201ccomunista inteligente e perigosa\u201d. O livro \u201c\u00e9 revelador da inaudita viol\u00eancia praticada pelas autoridades do III Reich contra milh\u00f5es de homens, mulheres e crian\u00e7as, a grande maioria sem nenhuma culpa formada\u201d, resume a autora nesta entrevista ao\u00a0<em>Extra Classe<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Extra Classe \u2013 No livro Ol<em>ga Ben\u00e1rio Prestes \u2013 Uma comunista nos arquivos da Gestapo<\/em>, a senhora reconstitui a trajet\u00f3ria pol\u00edtica e a vida da revolucion\u00e1ria comunista alem\u00e3 desde a juventude em Munique, a vida e a milit\u00e2ncia no Brasil, at\u00e9 sua execu\u00e7\u00e3o no campo de concentra\u00e7\u00e3o de Ravensbr\u00fcck. Qual a import\u00e2ncia dos arquivos secretos da Gestapo (os \u201cdocumentos-trof\u00e9us\u201d liberados para consulta p\u00fablica em 2015) na constru\u00e7\u00e3o dessa narrativa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anita Leocadia Prestes<\/strong>\u00a0\u2013 O livro se baseia nos documentos disponibilizados recentemente do arquivo da Gestapo, os quais fornecem muitas informa\u00e7\u00f5es at\u00e9 agora desconhecidas do p\u00fablico e da minha fam\u00edlia. Trata-se da documenta\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia secreta do III Reich (a Gestapo), que foi apreendida pelo Ex\u00e9rcito Sovi\u00e9tico por ocasi\u00e3o da tomada de Berlim, em maio de 1945, e levada para a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Em abril de 2015, essa documenta\u00e7\u00e3o foi disponibilizada na internet \u2013 um acervo precioso para a pesquisa hist\u00f3rica e, em particular, para o melhor conhecimento das entranhas do regime nazista.<\/p>\n<p><strong>EC \u2013 Dos 2,5 milh\u00f5es de folhas que integram os 28 mil dossi\u00eas, h\u00e1 2 mil p\u00e1ginas sobre Olga. Quando come\u00e7ou esse monitoramento e por que era t\u00e3o grande o interesse da Gestapo pelas atividades dela?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anita\u00a0<\/strong>\u2013 Os documentos do arquivo da Gestapo referentes a Olga abrangem o per\u00edodo 1936 a 1942: da sua extradi\u00e7\u00e3o do Brasil para a Alemanha at\u00e9 seu assassinato numa c\u00e2mara de g\u00e1s. Nesses documentos afirma-se que Olga era uma \u201ccomunista perigosa\u201d, cuja atua\u00e7\u00e3o no Partido Comunista Alem\u00e3o e na Internacional Comunista (Comintern) deveria ser por ela relatada \u00e0 Gestapo, al\u00e9m de ser mulher do l\u00edder comunista Luiz Carlos Prestes. A documenta\u00e7\u00e3o revela que Olga se recusou peremptoriamente a fornecer qualquer informa\u00e7\u00e3o sobre o movimento comunista \u00e0 Gestapo.<\/p>\n<p><strong>EC \u2013 A publica\u00e7\u00e3o dos \u201cdocumentos-trof\u00e9us\u201d permitiram a atualiza\u00e7\u00e3o do livro-reportagem\u00a0<em>Olga\u00a0<\/em>(1994), de Fernando Moraes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anita<\/strong>\u00a0\u2013 Fernando Moraes fez uma pesquisa abrangente da vida de Olga e escreveu uma obra s\u00e9ria e comprometida com a evid\u00eancia dos fatos, o que era reconhecido por Prestes, meu pai. Mas, no in\u00edcio dos anos 1980, quando ele escreveu o livro\u00a0<em>Olga<\/em>, a documenta\u00e7\u00e3o do arquivo da Gestapo n\u00e3o estava dispon\u00edvel, o que me permitiu agora complementar sua obra.<\/p>\n<p><strong>EC \u2013 Por que Get\u00falio Vargas optou por deport\u00e1-la se j\u00e1 havia capturado Prestes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anita<\/strong>\u00a0\u2013 Meu pai dizia que a extradi\u00e7\u00e3o da minha m\u00e3e foi a forma que Vargas encontrou de tortur\u00e1-lo, pois a tortura f\u00edsica de Luiz Carlos Prestes, \u00e0 qual foram submetidos outros prisioneiros da \u00e9poca, teria uma repercuss\u00e3o muito negativa para o governo brasileiro. Prestes gozava de prest\u00edgio mundial como o \u201cCavaleiro da Esperan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p><strong>EC \u2013 A deporta\u00e7\u00e3o foi um ato desumano e uma ilegalidade, n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anita<\/strong>\u00a0\u2013 Olga foi extraditada no s\u00e9timo m\u00eas de gravidez de um filho brasileiro, o que lhe dava direito a permanecer no Brasil pela legisla\u00e7\u00e3o ent\u00e3o vigente no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>EC \u2013 Ao reconstruir a trajet\u00f3ria de Olga, a senhora fala de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Que sentimentos o livro evoca? Para a senhora, quem \u00e9 Olga Ben\u00e1rio?<\/strong><br \/>\n<strong>Anita<\/strong>\u00a0\u2013 Minha m\u00e3e foi sempre a grande inspira\u00e7\u00e3o da minha vida. Acima de tudo ela foi uma comunista convicta e abnegada, disposta a dar a pr\u00f3pria vida pela causa da revolu\u00e7\u00e3o, que abra\u00e7ara desde muito jovem. Embora eu n\u00e3o tenha nenhuma lembran\u00e7a dela, pois fomos separadas quando eu estava com 14 meses de idade, fui educada pela minha av\u00f3 paterna Leocadia Prestes e minha tia Lygia, conhecendo e admirando a vida da minha m\u00e3e. Da mesma forma, meu pai sempre me orientou no sentido de conhecer e seguir seu exemplo.<\/p>\n<p><strong>EC \u2013 O que a correspond\u00eancia entre seus pais revela?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anita\u00a0<\/strong>\u2013 S\u00e3o cartas in\u00e9ditas, que a censura da Gestapo n\u00e3o permitiu que fossem entregues aos seus destinat\u00e1rios. A correspond\u00eancia entre meus pais \u00e9 reveladora do grande amor que os unia e da coragem com que enfrentavam a terr\u00edvel situa\u00e7\u00e3o a que estavam submetidos: Olga na pris\u00e3o e nos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas e Prestes preso e incomunic\u00e1vel no Brasil durante nove anos.<\/p>\n<p><strong>EC \u2013 A senhora afirmou que se considera \u201cfilha da solidariedade internacional\u201d. Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\n<strong>Anita<\/strong>\u00a0\u2013 Minha liberta\u00e7\u00e3o pela Gestapo e entrega \u00e0 minha av\u00f3 paterna Leocadia s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 campanha internacional por ela encabe\u00e7ada e que comoveu profundamente a opini\u00e3o p\u00fablica mundial da \u00e9poca. A documenta\u00e7\u00e3o da Gestapo \u00e9 reveladora da press\u00e3o exercida sobre as autoridades do III Reich pela solidariedade internacional levada adiante por essa campanha.<\/p>\n<p><strong>EC \u2013 Qual a import\u00e2ncia do filme\u00a0<em>Olga<\/em>, de Jayme Monjardim (2004), que opta pela narrativa de novela, para a populariza\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria de Olga e Prestes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anita<\/strong>\u00a0\u2013 Conforme foi dito \u00e0 \u00e9poca pelo pr\u00f3prio diretor do filme, seu objetivo foi narrar a hist\u00f3ria de amor entre os dois personagens principais. Embora este possa ser considerado um ponto d\u00e9bil da obra, o filme emocionou e continua emocionando um p\u00fablico numeroso e contribuiu para divulgar a hist\u00f3ria dos meus pais e denunciar o crime cometido por Get\u00falio Vargas com a extradi\u00e7\u00e3o ilegal da minha m\u00e3e para morrer numa c\u00e2mara de g\u00e1s da Alemanha nazista.<\/p>\n<p><strong>EC \u2013 Em que medida seu livro desconstr\u00f3i uma eventual narrativa heroica ou mitol\u00f3gica sobre Olga?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anita<\/strong>\u00a0\u2013 Meu livro, baseado em rica documenta\u00e7\u00e3o, produzida pela pr\u00f3pria Gestapo, \u00e9 revelador da evid\u00eancia dos fatos acontecidos com Olga. \u00c9 revelador da inaudita viol\u00eancia praticada pelas autoridades do III Reich contra milh\u00f5es de homens, mulheres e crian\u00e7as, a grande maioria sem nenhuma culpa formada.<\/p>\n<p><strong>EC \u2013 No livro\u00a0<em>Luiz Carlos Prestes \u2013 Um Comunista Brasileiro\u00a0<\/em>(Boitempo, 2015), a senhora aborda as preocupa\u00e7\u00f5es intelectuais de seu pai. Quem foi e qual a import\u00e2ncia de Prestes no contexto hist\u00f3rico do pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anita<\/strong>\u00a0\u2013 Luiz Carlos Prestes foi um revolucion\u00e1rio que dedicou a vida \u00e0 luta por justi\u00e7a social e liberdade para o povo brasileiro, um comunista convicto de o socialismo ser o \u00fanico caminho para a humanidade sair da pr\u00e9-hist\u00f3ria, conforme postulou Karl Marx, e chegar ao comunismo \u2013 um regime efetivamente igualit\u00e1rio em que cada um ir\u00e1 contribuir de acordo com sua capacidade, recebendo segundo suas necessidades. O compromisso de Prestes foi sempre com o socialismo revolucion\u00e1rio. Sua vida pol\u00edtica ficou marcada pelo rep\u00fadio constante \u00e0s tend\u00eancias reformistas, ou seja, \u00e0 possibilidade, que considerava ilus\u00f3ria, de se alcan\u00e7ar o socialismo apenas por meio de reformas, sem a tomada do poder. Considerado pelos liberais um pol\u00edtico inflex\u00edvel e in\u00e1bil, provocou o \u00f3dio das classes dominantes e dos intelectuais a seu servi\u00e7o, uma vez que jamais abdicou dos ideais aos quais dedicou sua vida. Sua ruptura em 1930 com os donos do poder foi um gesto inaceit\u00e1vel para as classes dominantes no Brasil, que nunca perdoariam sua op\u00e7\u00e3o pelos trabalhadores e, de maneira geral, pelo explorados. Eis a raz\u00e3o por que recorreram sempre ora \u00e0s cal\u00fanias contra o l\u00edder comunista, ora ao sil\u00eancio ou \u00e0 falsifica\u00e7\u00e3o de sua trajet\u00f3ria como forma de apagar o legado do Cavaleiro da Esperan\u00e7a da mem\u00f3ria das novas gera\u00e7\u00f5es de brasileiros.<\/p>\n<p><strong>EC \u2013 Sua conviv\u00eancia com ele foi interrompida diversas vezes por conta das persegui\u00e7\u00f5es e ex\u00edlios de ambos. Como foram essas separa\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\n<strong>Anita\u00a0<\/strong>\u2013 O maior per\u00edodo de afastamento do meu pai \u2013 ap\u00f3s t\u00ea-lo conhecido aos 9 anos de idade, quando ele saiu da pris\u00e3o em 1945 \u2013 deu-se durante minha adolesc\u00eancia, de 1948 a 1957, quando ele teve que viver na clandestinidade devido \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o policial ent\u00e3o desencadeada contra os dirigentes comunistas. A partir de 1958 at\u00e9 seu falecimento em 1990, sempre mantivemos contato seja na legalidade, na clandestinidade ou no ex\u00edlio. Tornei-me sua colaboradora na atividade pol\u00edtica que desenvolvia \u00e0 frente do Partido Comunista Brasileiro e, ap\u00f3s termos rompido com a dire\u00e7\u00e3o desse partido, continuei a assessor\u00e1-lo at\u00e9 seu falecimento. Como muitos outros brasileiros, sempre fomos perseguidos pelas for\u00e7as de direita, reacion\u00e1rias e anticomunistas em nosso pa\u00eds, principalmente nos per\u00edodos ditatoriais, o que nos obrigou a passar anos na clandestinidade ou no ex\u00edlio.<\/p>\n<p><strong>EC \u2013 Como v\u00ea o contexto do Brasil p\u00f3s-golpe de 2016?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anita<\/strong>\u00a0\u2013 Vivemos um momento extremamente penoso para nosso povo, resultado, em grande medida, do golpe parlamentar jur\u00eddico perpetrado h\u00e1 um ano, quando assumiu a presid\u00eancia do Brasil Michel Temer, um usurpador, que n\u00e3o foi eleito pelos brasileiros. O objetivo do golpe est\u00e1 cada vez mais evidente: liquidar as conquistas dos trabalhadores alcan\u00e7adas atrav\u00e9s de muita luta durante d\u00e9cadas, entregar a Petrobras ao grande capital internacionalizado, privatizar os setores da economia nacional que ainda n\u00e3o o foram.<\/p>\n<p><strong>EC \u2013 A senhora est\u00e1 escrevendo um livro sobre suas pr\u00f3prias mem\u00f3rias. Pode falar sobre esse projeto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anita<\/strong>\u00a0\u2013 Dada a insist\u00eancia de muitos companheiros e amigos, estou tentando produzir um livro com as minhas mem\u00f3rias, o que, em certa medida, se justifica pelo fato de durante a minha j\u00e1 longa trajet\u00f3ria de vida ter enfrentado as vicissitudes das persegui\u00e7\u00f5es movidas contra meu pai e nossa fam\u00edlia, assim como ter eu mesma participado ativamente da vida de Prestes e do movimento comunista. Atravessei momentos hist\u00f3ricos conturbados no Brasil e fui for\u00e7ada a passar longos per\u00edodos no ex\u00edlio. Fui processada e condenada pelos tribunais militares da ditadura brasileira instalada em 1964, tive os direitos pol\u00edticos cassados, fui anistiada e acompanhei meu pai nos embates internos do PCB, partido do qual cheguei a ser dirigente e do qual me afastei junto com Prestes. Minha mem\u00f3ria guarda o registro de m\u00faltiplos acontecimentos in\u00e9ditos e fatos pouco conhecidos ou falsificados pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o dos interesses dos donos do poder. Imagino que a escrita de minhas mem\u00f3rias poder\u00e1 constituir um complemento v\u00e1lido \u00e0 biografia pol\u00edtica de Luiz Carlos Prestes, que publiquei sob o t\u00edtulo\u00a0<em>Luiz Carlos Prestes \u2013 um comunista brasileiro<\/em>. Por enquanto, n\u00e3o sei quanto tempo vai levar a elabora\u00e7\u00e3o desse trabalho.<\/p>\n<p>A AUTORA<\/p>\n<p>Anita Leocadia Prestes nasceu em 27 de novembro de 1936 na pris\u00e3o de mulheres de Barnimstrasse, em Berlim, na Alemanha nazista. Filha dos revolucion\u00e1rios comunistas Luiz Carlos Prestes, brasileiro, e Olga Benario Prestes, alem\u00e3, foi afastada da m\u00e3e aos 14 meses de idade. Antes de vir para o Brasil, em outubro de 1945, viveu exilada na Fran\u00e7a e no M\u00e9xico, com a av\u00f3 paterna, Leocadia Prestes, e a tia, Lygia. Em 1964, graduou-se em Qu\u00edmica Industrial pela Escola Nacional de Qu\u00edmica da antiga Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 1966, obteve o t\u00edtulo de mestre em Qu\u00edmica Org\u00e2nica. Devido \u00e0 atua\u00e7\u00e3o clandestina nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi perseguida pelo regime militar instalado no pa\u00eds a partir de 1964, sendo obrigada a exilar-se, no in\u00edcio de 1973, na extinta Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas (URSS). Julgada \u00e0 revelia em julho de 1973, foi condenada \u00e0 pena de quatro anos e seis meses pelo Conselho Permanente de Justi\u00e7a para o Ex\u00e9rcito brasileiro. Em dezembro de 1975, Anita Prestes recebeu o t\u00edtulo de doutora em Economia e Filosofia pelo Instituto de Ci\u00eancias Sociais de Moscou. Em setembro de 1979, com base na primeira Lei de Anistia no Brasil, a Justi\u00e7a brasileira extinguiu a senten\u00e7a que a condenou \u00e0 pris\u00e3o. Em seguida, Anita voltou ao Brasil. Desde 1958, at\u00e9 o falecimento de Prestes, em 1990, atuou politicamente ao lado do pai tornando-se sua assessora. Autora de vasta obra sobre a atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Prestes e a hist\u00f3ria do comunismo no Brasil, \u00e9 doutora em Hist\u00f3ria Social pela Universidade Federal Fluminense, professora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria Comparada da UFRJ e presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes.<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Editora Boitempo\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>http:\/\/www.extraclasse.org.br\/edicoes\/2017\/09\/filha-conta-como-olga-nao-se-dobrou-ao-nazismo\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16194\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50,46],"tags":[234],"class_list":["post-16194","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria","category-c56-memoria","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4dc","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16194","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16194"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16194\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16194"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16194"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16194"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}